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segunda-feira, junho 22, 2020

Anta de Vale da Laje – entre a Lei e a opinião


texto publicado nos jornais Cidade de Tomar e O Templário de 19 de junho.

Anta de Vale da Lage - foto Rádio Hertz
Um processo de construção próxima deste monumento megalítico, que é longo, recentemente mediático, com muita opinião confundida com factos e do qual, para ajudar a entender, se faz uma (muito) resumida cronologia:
A junho de 2013 dá entrada pedido de licenciamento do projeto. A partir daí decorre um normal conjunto de procedimentos e de trabalho técnico e de demais garantias administrativas nos termos da Lei.
Em setembro de 2015 é apresentada a declaração de assunção de compromisso de execução e manutenção das infraestruturas, após o qual é aprovado o projeto de arquitetura, condicionado a mais um conjunto de exigências determinadas por Lei.

Para que se entenda com clareza, a aprovação da arquitetura é o que para o promotor passa a constituir direito de construção daquele projeto, tudo o que é feito em seguida são (digo isto de forma muito simplista) pormenores de licenciamento, as chamadas “especialidades”.
Em junho de 2016 são entregues os projetos de especialidades, sujeitos a melhoria e correções.
Nesse mesmo mês, entra requerimento a solicitar pré-existência de edificação na parcela, que foi reprovado.
Em setembro de 2016 “eu, abaixo assinado”, passo a deter também o pelouro da gestão e planeamento do território, vulgarmente conhecimento como urbanismo (não interessa nada para o caso, mas serve de declaração de interesses).
No mês seguinte é dado despacho de deferimento final com vários condicionamentos entre os quais: acompanhamento arqueológico das ações de desmatação e movimentação de terras e outras de salvaguarda do “sítio arqueológico inventariado da Anta do Vale da Lage” que venham a ser estabelecidas pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC); cumprimento das normas de saneamento básico estabelecidas no regulamento do Plano de Ordenamento da Albufeira do Castelo de Bode; promover a ligação das edificações às infraestruturas de abastecimento de águas em execução; e a limitação da vedação confinante com o monumento à plantação de vegetação (árvores e arbustos) de forma a diminuir o impacto visual.

Após estes condicionamentos impostos pelo município, a DGPC emite parecer em linha com as condições já estabelecidas e, assim, em outubro de 2018 é solicitado e posteriormente emitido alvará com as referidas condicionantes.
Em janeiro de 2019 a DGPC emite novo parecer em aditamento ao anterior, com requisitos em relação a acompanhamento e sondagens arqueológicas;
Em julho de 2019 o município promove uma das principais reuniões de acompanhamento de obra no local, com presença também da DGPC, o promotor e o diretor de fiscalização da obra, e em parte com a junta de freguesia local. Das várias questões colocadas, ficou definido novo levantamento topográfico do local.
No mesmo mês, é emitido novo parecer da DGPC favorável à tipologia de vedação a implementar no limite junto à anta.
Em agosto de 2019, e após ofício da DGPC a solicitar a suspensão parcial dos trabalhos por incumprimento de um dos condicionamentos impostos em parecer anterior, determino embargo parcial à obra para garantir respeito pelos limites definidos.
O município comunica ao Ministério Público eventual desrespeito do embargo.
Em seguida, nesse mesmo mês, o promotor apresenta alterações à obra com retificação da implantação da edificação de modo a cumprir o afastamento de 10 metros ao monumento. São apresentadas outras alterações que não foram aceites, nomeadamente por não cumprirem as distâncias impostas.

Em outubro de 2019, também a DGPC se pronuncia sobre violação de embargo, neste caso sobre eventual realização de um muro sem acompanhamento arqueológico.
Com avanços e recuos, e muita documentação em trânsito, em dezembro de 2019 a DGPC dá parecer favorável às ultimas alterações que haviam sido apresentadas pelo promotor em outubro, e assim aprovadas pelo município. Referem-se apenas a questões exteriores ao edifício, nomeadamente uma piscina.
Em final de fevereiro de 2020 é levantado o aditamento ao alvará, e como tal é notificada a Conservatória do Registo Predial para levantamento do embargo.
Paralelamente, subsistem dúvidas sobre a natureza pública ou privada do caminho vicinal, questão determinante para a imposição de várias das questões relativas ao distanciamento de qualquer edificação a uma via. Uma questão recorrente em vários locais e ao longo dos anos, o promotor alega que é privado, a junta que é público.
Também em paralelo, há questões ainda não totalmente esclarecidas sobre outro edifício alegadamente já existente no terreno. Quanto à permanência desse edifício no local existe parecer desfavorável da DGPC.
Ainda em paralelo, e após a denúncia ao Ministério Público do eventual desrespeito pelo embargo parcial, vão decorrendo as diligências do Tribunal.
Por outro lado, esta é seguramente a obra mais fiscalizada no concelho de Tomar, pelo menos de há muitos anos a esta parte. Fiscalização regular do município, da DGPC, da GNR, e como já vimos, das redes sociais locais e digitais.

Ora, esta é como já referi, uma muito curta súmula de todo o processo. Entenda-se que para a fazer foram precisas duas semanas de consultas aos imensos documentos que dele fazem parte. É na verdade composto por muitos subprocessos a que na gestão documental do município, agora digital, chamamos “casos”.
Fica, depois disto, e para não ser mais enfadonho, pouco espaço para dizer algo que não seja:
Opiniões, como em tudo há para todos os gostos. A obra é feia, é bonita, faz sentido, não faz, está perto da anta, não está… bom, as entidades públicas não podem tratar processos de licenciamento de obras particulares com opiniões. Estão obrigadas, desde logo os municípios, a cumprir e fazer cumprir a Lei.
Sublinho, eu também tenho a minha opinião sobre o projeto, mas nestas matérias as opiniões de nada valem.

A questão de base, conflitos de terceiros à parte, é da proximidade do novo edifício ao monumento. E sim, se ele estivesse classificado como “monumento nacional” (é a DGPC que pode atribuir essa classificação), poderia ser obrigatória a distância de 50 metros, e não a de 10 que impusemos. Mas o essencial é isto: o terreno tem legalmente capacidade construtiva, logo, não existia qualquer base legal para impedir o licenciamento da obra.
É verdade, não tendo qualquer efeito para este caso (relembro a data em que entrou o pedido de licenciamento), a câmara está a preparar processo de pedido de classificação (em conjunto com a Gruta do Caldeirão, na Pedreira, e o Centro Cultural da Levada). Mas muitos o podiam ter feito desde que a anta foi escavada nos anos 80: quem escavou, instituições académicas, as sucessivas câmaras, as sucessivas juntas de freguesia, a própria DGPC – bolas, pela lei, qualquer cidadão pode fazer proposta de classificação!

Relativizando, e como dizia em reportagem na SIC o arqueólogo responsável pela escavação, problemas em obra é natural existirem, e naturalmente referindo-se à proteção da anta nos condicionamentos impostos, a DGPC agiu corretamente.
Acrescento eu, o velho e o novo podem coexistir, haja bom senso.
É como toda a discussão de opiniões que sobre isto tem vindo a existir e que muito faz lembrar alguns extremismos de que a sociedade em geral está a sofrer: haja bom senso, e entenda-se que um município não tem bases legais para aprovar ou desaprovar questões urbanísticas em função do gosto de cada um.


Extras:
Quando, em 2014 após trabalhos de limpeza se iniciou trabalho de valorização da Anta, até aí desconhecida do grande público, desde logo com programação de visitas:

Um exemplo:

A reportagem da SIC sobre a questão que abordo:

domingo, janeiro 27, 2013

templos

Sara, Lea, Rebeca e Raquel,
as quatro colunas dos templos judaicos.
Aqui, a sinagoga de Tomar.
Sim, bem sei que hoje se comemora a chegada das tropas russas a Auschwitz, mas como já falei nisso por aqui várias vezes, prefiro destacar que também hoje, comemora 75 anos a maior sinagoga da península Ibérica, a sinagoga do Porto.

Mas a mais antiga sinagoga portuguesa* ainda existente, também sede do Museu Hebraico Abrãao Zacuto (importante figura da história hebraica, e que viveu em Portugal nos tempos do Infante D. Henrique) sabe onde fica?
Já a visitou?



*Pronto, eu não tenho a certeza se é mesmo a mais antiga, mas é o que habitualmente dizemos, e não conheço nenhuma anterior. Se estiver errado corrijam-me.
É, pelo menos, a única existente deste importante período da história portuguesa, o séc.XV.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

curtas

A rainha visualiza a sua mensagem...
- Uma reportagem sobre o único exemplo declarado de turismo médico em Portugal, existente na vila de Unhais da Serra, que visitei no verão passado.
Um bom exemplo de algo que, com as devidas adaptações, pode e deve ser um nicho de mercado a apostar em Tomar.
Vejam a curtinha reportagem na RTP.

- Vera Baboune, é a primeira mulher presidente de câmara de Belém, na Palestina. Até por lá os tempos mudam.
(ver pelo meio desta reportagem na SIC Notícias.)

- A CIMT cria rede patrimonial com 27 bens certificados onde se incluem, em Tomar a Sinagoga e o Núcleo de Arte Contemporânea.
Ver mais na rádio Cidade de Tomar

- A rainha de Inglaterra é um símbolo de como os políticos têm de se adaptar aos instrumentos de comunicação. (Sim, ela também é política, tem continuamente de convencer os ingleses de que é normal nascer súbdito de alguém a quem pagam para existir...).
Começou com a rádio, estreou a TV, este ano inaugurou o 3D na sua mensagem de natal.
Um exemplo para políticos adversos à mudança nas formas de comunicação e trabalho... (ver a reportagem na RTP)

segunda-feira, julho 09, 2012

à sombra de Gualdim

Como informa o Tomar, a cidade (num meritíssimo trabalho regular que há tempo desenvolve), comemoram-se hoje 72 anos sobre aquilo que considero ser hoje um erro de planeamento (mas não o seria à época): a colocação da estátua de D. Gualdim Pais na Praça da República em Tomar, a exemplo do que na postura nacionalista da época se fez um pouco por todo o país.
Um erro que, estou certo, mais tarde ou mais cedo uma câmara com visão e coragem saberá restaurar, para que a praça, como principal sala de visitas da cidade, possa ganhar uma mais profícua usabilidade na realização dos mais diversos eventos, particularmente os de cariz musical e cultural.

E a cidade não perderá com a troca, porque para além do dinamismo da praça sair reforçado, há muitos locais com dignidade para acolher a estátua.
Por exemplo, na cerrada dos cães à entrada do castelo, a "olhar cá para baixo", até porque Gualdim fundou o castelo e a cidade que existiu no seu interior. A cidade tal como hoje a conhecemos deve-se ao Infante D. Henrique, e esse tem uma estátua à entrada da Mata dos Sete Montes.

domingo, julho 01, 2012

isto sim, é património


A maior fortificação abaluartada do Mundo, a cidade de Elvas, foi ontem classificada como Património Mundial pela UNESCO. O anúncio aconteceu na 36ª sessão do Comité do Património Mundial, que está reunido até 6 de Julho, em São Petersburgo, na Rússia.
«A candidatura da classificação das fortificações abrangia vários monumentos – os fortes de Santa Luzia, do século XVII, e da Graça, do século XVIII, três fortins do século XIX, as três muralhas medievais e a muralha do século XVII, além do Aqueduto da Amoreira.»

mais n'O Público

terça-feira, abril 17, 2012

curtas

Manifestação do passado domingo, foto d'O Templário
- Este domingo aconteceu mais uma manifestação em defesa do hospital de Tomar. Uma das coisas mais interessantes de se ver e por lá muito comentada, foi o síndrome de "Olívia patroa, Olívia costureira" de Carlos Carrão.
Ora é vê-lo como vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo a ser a favor da restruturação, ora é vê-lo como presidente do povo em manifestações a ser contra e a bater palmas contra os que aprovaram, ora é vê-lo na televisão como presidente de câmara sem saber se há-de ser contra ou a favor porque nunca se sabe bem quem está a ver...

- Sou só eu, ou mais alguém não percebe bem o que aconteceu na última edição do jornal cidade de Tomar?
Num primeiro momento apetecia-me comentar algo que é claramente estranho, mas como aquilo me parece que ter corrido tão mal ao entrevistado, não vale a pena estar a pôr mais achas... aquelas 5 páginas já dizem tudo.

- Pela positiva, esta semana no mesmo jornal, a excelente reportagem sobre o Festival Bons Sons (aquele que mostra à cidade e às instituições públicas como se faz bem feito) e o seu importante impacto na economia local.
Sim, este ano é ano de Bons Sons! Marquem nas agendas: 16 a 19 de Agosto.

- As obras junto ao castelo Templário de Tomar e ao seu alambor destruído pela incúria recomeçaram. É um tema que muito me toca e que a todos devia tocar, embora esteja visto que não. Aliás, está mais que visto que a generalidade dos tomarenses parece não se preocupar com nada do seu concelho.
Seja como for, de obras e alambor falando, já o fez António Rebelo no seu tomaradianteira e não é preciso por agora acrescentar mais nada. Leiam.

- O vereador Luís Ferreira levou na passada semana a reunião de câmara a preocupação com o possível encerramento do quartel de Tomar, tal como eu de passagem também já uma ou outra vez referi aqui e noutros espaços.
Além dos argumentos todos que o Luís refere, a mim enquanto nabantino preocupa-me essencialmente que a câmara de Tomar tenha a capacidade de antecipar aquela que quando acontecer será uma causa perdida, e saiba ao menos acautelar a utilização daquele espaço, que pode ter ínfimas possibilidades, no melhor interesse de Tomar e dos tomarenses. (Tal como a CM de Santarém soube fazer).
Claro que, capacidade de antecipação, planeamento, estratégia, bom senso, etc, - tudo o que é preciso neste e noutro tipos de situações - já nós sabemos que esta câmara não tem nem vai ter.

terça-feira, março 13, 2012

discutir a Festa


Tabuleiros: um tema pertinente para discussão e, essa deve ser feita precisamente nesta fase em que estando a lembrar a última ainda não se pensa na próxima.
Lendo o título, diria mesmo que é muito pertinente uma vez que dá a ideia de se tratar do futuro, e é verdadeiramente importante discutir o futuro da Festa e apontar-lhe ideias, sem romantismos demasiado exacerbados que infelizmente por vezes toldam a discussão.

Lendo melhor os temas e vendo quem são os intervenientes, percebemos que afinal se tratará seguramente mais do passado. Não tem mal, é importante saber de onde vimos para perceber para onde podemos ir.
Desde que não nos esqueçamos disso mesmo, para podermos ir para algum lado interessante, é preciso planear antes ou corremos o risco de nem sequer ir para lado nenhum.
Nada é eterno por mais que tenhamos o sentimento tão frequente de dar as coisas por adquiridas. Os dinheiros públicos então, serão cada vez menos passíveis de utilizar neste tipo de eventos.
Discutir e preparar o futuro da Festa é urgente.

Este pode ser um bom arranque.
Colóquio sobre a Festa dos Tabuleiros a realizar no sábado, dia 17 de março, pelas 16 horas, na Biblioteca Municipal de Tomar.

E já agora (até pareço maluco por andar constantemente a falar nisto e mais ninguém o fazer, a começar por aqueles que são os "conhecedores da festa", mas pronto, deixem-me lá ser maluco), a candidatura a património imaterial da humanidade cuja preparação é coisa para durar uns anos (a do fado demorou 4), é para começar quando?
É que os presidentes de câmara dizem todos que sim senhor é para avançar. Este último, Carlos Carrão, já me respondeu isso mesmo em Assembleia Municipal, e o anterior, Corvêlo de Sousa, ao seu estilo habitual do reino da fantasia, até disse mais que uma vez que já estava a ser tratado...
Enfim, era uma coisa tão sigilosa, tão sigilosa... que ninguém sabia!

Eu sei, eles não tem o mínimo interesse no assunto, nem têm a mínima ideia do necessário para fazer tal coisa.
Mas há uma coisa que ainda digo aos alunos na escola, e estou certo que os professores de todos os que têm responsabilidades público/políticas também lhes disseram: - quando não se sabe, pergunta-se!

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segunda-feira, novembro 28, 2011

o fado alfacinha e o "fado nabantino"


Como há muito se esperava, o Fado tornou-se este fim de semana na primeira inscrição portuguesa na lista da UNESCO do Património Imaterial da Humanidade. É importante para o mundo do fado, importante para Lisboa e para todo o país.
A candidatura do Fado envolveu dezenas de pessoas entre "artesãos da faina" e académicos que nada tinham que ver com fado, que ao longo dos 6 anos que a candidatura demorou a preparar fizeram investigação, recolheram o mais diverso tipo de documentos, entrevistaram, selecionaram, catalogaram...

As imagens que ilustram este texto são em primeiro as duas versões de "O Fado" (foto do DN), a mais célebre pintura de José Malhoa, quando o ano passado pela primeira vez foram expostos em conjunto, precisamente para comemorar o centenário da segunda versão (o mais antigo é um ano mais velho). A segunda é uma recriação desse quadro por Amália Rodrigues e um dos seus guitarristas de eleição, Jaime Santos.

Entretanto, um pouco por todo o país outras candidaturas se preparam, como a da cultura avieira em Santarém (também aqui) para usar um exemplo próximo.
Já sobre uma eventual e lógica candidatura da Festa dos Tabuleiros a verdade é que como há muito alerto, fala-se nisso há muito tempo, Corvêlo de Sousa chegou a responder-me repetidamente ao longo dos últimos dois anos, tanto em privado como em Assembleia Municipal que a coisa estava já ser tratada, mas todos sabemos que nada, absolutamente nada há iniciado nesse sentido. Isto apesar de eu saber e já o ter transmitido, que há pessoas cientificamente apetrechadas, algumas ligadas a esta candidatura do Fado, que estariam disponíveis para trabalhar numa para a Festa.
Só que nesta pedantice saloia que por vezes impera em Tomar, há até quem julgue que isto lá vai com dois ou três carolas auto designados conhecedores do assunto, que se juntam num fim de semana, improvisam um documento e pronto...
Porque cultura e património são das áreas que mais me apaixonam, e porque este caso concreto mostra bem do laxismo e da leviandade com que são tratados os assuntos na CMT, já aqui abordei várias vezes o tema. O mais completo desses textos republico-o em seguida:

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INTAGIBILIDADES (9.04.2010)
Hoje que, com a escolha do mordomo se dará o pontapé de saída para a próxima Festa dos Tabuleiros, é um bom dia para falar de património intangível, e da sua intangibilidade tanto em Tomar como genericamente no País.

Quando já se fala numa eventual candidatura da Festa dos Tabuleiros a tal designação é importante, sem a emoção que ofusca a razão com que por vezes (ou muitas) se discute a festa, ou a falta de conhecimento sobre as matérias que também abunda, perceber do que se fala, quais as vantagens e desvantagens, e o que fazer para poder ambicionar lá chegar.

Para tal é desde logo importante perceber que, em Portugal não existe nenhuma atribuição dessa designação embora já várias tenham sido tentadas. O que é que falhou? Bom, esse é um bom ponto de partida para analisar a coisa com profissionalismo, e perceber que quando se quer levar a cultura e o património, e o espectável turismo a sério, é preciso que nem se caia no amadorismo bacoco e inconsequente, nem na catedra pretensiosa e compremetida apenas com o soldo do projecto.
Fica o dado de que, embora se falem noutros, o processo que está aparentemente mais avançado e com possibilidades de vir a ser o primeiro aprovado para o nosso país, será a candidatura do Fado.
Diga-se ainda que os campeões de património intangível registado são a China com 29 elementos e o Japão com 16. A nossa vizinha Espanha já tem 4.

Embora trabalho básico de pesquisa para um paper académico que estou a preparar, deixo aqui para meu registo, mas também para todos os que quiserem ler e saber mais, alguns links sobre o assunto:
O que é o Património Intangível, a Convenção de 2003 que cria essa designação como uma das facetas do Património Mundial (World Heritage), os domínios em que podem ser apresentadas candidaturas, entre várias outras questões, podem ser encontradas aqui.

Também a lista completa dos 90 elementos já constantes como Património Intangível Mundial e alguns exemplos por mim escolhidos:
Samba de roda do Recôncavo da Baía (Brasil); Tango (Argentina e Uruguai); Royal Ballet (Cambodja) (2ª foto ilustrativa); Canto polifónico dos Pigmeus Aka (República Centro-Africana); vivência cultural da praça Jemaa el-Fna de Marraquexe (Marrocos) (3ª foto ilustrativa); Timbila dos Chopi (Moçambique);

e ainda:
Descrição sucinta das fases de candidatura; Formulário a ser apresentado pelo país com património candidato; guias gerais de implementação da Convenção do Património Mundial (que inclui entre mais, os critérios de selecção) e algumas notícias da Unesco sobre património intangível.

Nota à margem: Não deixa de ser revelador que os links no site da UNESCO para o Convento de Cristo e Castelo Templário não funcionem. (Mais de um ano e meio depois, continuam sem funcionar)

sexta-feira, setembro 23, 2011

paisagem...

Começam hoje as jornadas europeias do património, às quais Tomar aderiu, tal como anunciado na (vagarosa)  página do município nabantino.

Espero que se lembrem de visitar o alambor destruído e digam alguma coisa sobre o assunto... só para podermos tentar acreditar que as ditas jornadas servem para alguma coisa concreta.


quarta-feira, setembro 21, 2011

alambor


O vídeo das fotos da vergonha tomarense (mais uma, e esta é das grandes) elaborado pelo Sigillum Militum Chisti (onde existe um outro) e entretanto já publicado noutros blogues, entre os quais o mediático O Jumento.

Entretanto continuem a divulgar e assinar a petição pública que exige a restauração do alambor, que vai a caminho das 1900 assinaturas.

quarta-feira, setembro 14, 2011

os critérios e a falta deles...

... e a falta de tanta coisa mais, entre elas o simples bom senso.

"O futuro Museu da Levada ganhou mais um espaço museológico: os Lagares D`El Rei que se revelaram com as obras de recuperação do complexo. O que se descobriu e o que está para descobrir ditam alterações ao projecto inicial e a primeira é que esta será por muito tempo uma «obra inacabada» mas Corvêlo de Sousa prefere dizer «em permanente construção!»" noticia a rádio Cidade de Tomar.

"alterações ao projeto inicial"?!!! - Então mas essa não costuma ser a desculpa nº2, que não se pode fazer nada porque o projeto não permite?
(a desculpa nº1 é a de que a responsabilidade é de outra entidade qualquer...)
Então querem ver que para as obras junto ao Convento de Cristo não se pode alterar o projeto e para os Lagares del Rei já se pode?

"obra inacabada"... é bem capaz é, ao ritmo a que está a crescer a dívida do Município...

"Corvêlo de Sousa prefere dizer «em permanente construção!»", pois não há-de preferir, ele está em permanente imaginação!

Entretanto, não esquecer de continuar a assinar e divulgar a petição em defesa da reposição do alambor do Castelo Templário de Tomar, já acima dos mil subscritores em http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1

sexta-feira, setembro 09, 2011

alambor

Debate sobre o tema hoje entre as 21h e as 22h na rádio Hertz.

Amanhã às 13h (a hora escolhida é má) manifestação junto à fachada norte do Convento de Cristo.
(Em princípio estarei presente, mas ainda não decidi com certeza, está a custar-me faltar ao Congresso do PS que hoje se inicia em Braga, logo aquele em que António José Seguro aparece finalmente como Secretário Geral)

Entretanto a petíção continua a bom ritmo, quase nas 900 pessoas: http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1

segunda-feira, setembro 05, 2011

Pedras e pedregulhos

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 2 de Setembro.

Pedras Tomar tem muitas e muitas delas importantes. Como em todas as terras com passado é natural que sempre que se abre um buraco apareçam algumas. Pedregulhos também temos, e alguns ocupam lugares importantes.
Às vezes as pedras acabam por colocar mais à evidência os pedregulhos. Estamos a viver um desses momentos, a destruição de parte do alambor do Castelo de Templário.
Noutra terra ou com outros governantes o que se passou seria para todos da maior gravidade e rapidamente os responsáveis públicos e políticos viriam a público exigir a reposição do mal feito e tomariam todas as medidas nesse sentido. É senso comum que quem não respeita e defende o seu passado põe em causa o seu futuro!

Mas estamos em Tomar e os governantes que temos são quem são. As declarações que ouvi ao Presidente de Câmara Corvêlo de Sousa a uma das rádios locais (penso que à Hertz), são merecedoras dos mais infelizes e ofensivos adjectivos, e que só por economia de palavras me escuso a elencar.
Pelo meio dessas afirmações dizia que “não houve crime contra o património”. Bom, criminoso é um Presidente de Câmara ser capaz de fazer tal depoimento. Somos mesmo uma terra azarada! Noutras, os autarcas defendem até além do possível e muitas vezes sensato o que é seu, a sua terra, as suas gentes, o seu património… em Tomar, particularmente os dois últimos presidentes de câmara e outros autarcas e responsáveis públicos que as estes se juntam, são os primeiros a colocar-se contra os nossos interesses, muitas vezes por desleixo, omissão ou inacção – tantos são os casos – mas outras como no caso, deliberadamente!
O Presidente de Câmara e todos os que o apoiam colocaram-se ao lado da incúria da empresa, assumindo para si próprios esse acto criminoso. É vergonhoso o que se passa em Tomar e a ligeireza com que estas matérias são tratadas e chega a ser confrangedor a pedantice bacoca com que alguns se colocam de alto a olhar para os “pategos que querem defender umas pedras”. A ignorância realmente não escolhe idades, formações académicas ou funções profissionais, e há por aí muita ignorância diplomada!

E depois como se fosse a coisa mais normal do mundo diz-se: ah, não tem problema nenhum, naquele sítio onde se destruiu o alambor vamos construir um muro…
Claro, no fim de contas aquilo são só umas pedras enterradas há umas centenas de anos… E se umas pedras são só umas pedras, então uma parede é só uma parede, uma porta é uma porta e uma janela apenas isso – porque não começamos a substituir tudo? Podíamos começar pelo edifício sede do Município de Tomar, está visto que só serve para fazer despesa e cometer atrocidades!

Na cidade de Tomar tem-se ao longo dos últimos anos descaracterizado muito além do limite do bom gosto, da inteligência ou mesmo da racionalidade económica. Tomar era e ainda é uma cidade bonita, mas cada vez mais cheia de plásticas e cosméticas mal amanhadas, a fazer lembrar aquelas “personalidades” das revistas cor-de-rosa, de quem já não sabemos dizer a idade ou sequer o género.
Não é apenas a “cidade nova” que está repleta de edifícios “cinzentos”, sem alma ou estética, condicionados ao mais fácil e mais barato da lei do cimento. É também a “cidade velha” com as ruas cheias de granito que até há um par de anos nunca lá tinha morado, é a calçada horrível da Corredoura, são as cruzes dos Templários que quase desapareceram da calçada da cidade, é a margem do rio com muralhas de betão junto à ponte velha, são os ornamentozinhos e os floreados copiados a qualquer outra cidade que enchem as ruas, e tanto mais.
Agora, essa descaracterização chegou e de forma bem mais grave, lá acima do monte bem à beira do nosso Castelo Templário.

E não venham com as desculpas do costume que a culpa é de outros e a Câmara não pode fazer nada. O IGESPAR até pode ter responsabilidade por desleixo, por falta de fiscalização. Mas a responsabilidade direta é do dono da obra e esse é o Município de Tomar gerido por uma Câmara de seis vereadores e um presidente chamado Corvêlo de Sousa.
É tempo de dizer basta, que quase nada se faça é o que vamos todos uns mais que outros aceitando, como se um simples encolher de ombros bastasse para apagar todos os males. Mas que o pouco que se faz seja mal feito e a destruir o que nos chegou de herança patrimonial e sentimental não pode ser tolerado. É preciso dizer a quem tem por mais que recuse a obrigação de ouvir, que basta, que chega, que assim não pode ser. É preciso gritar-lhes porque com bons modos está visto que não entra lá nada, que Tomar não é deles nem está ao seu belo prazer só porque ganharam umas eleições. No fim da linha, a responsabilidade é de todos nós. Dos que gritam e dos que calam.

Corre na internet uma petição, com valor legal, que exige a reposição do alambor do Castelo Templário (http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1). Assine e divulgue por favor.
É preciso mostrar a quem tem responsabilidades que se não têm vergonha há quem tenha por eles!

quarta-feira, agosto 31, 2011

the rolling stones in the castle

Pelo menos a coisa já mexe, as informações e os vários atores contradizem-se entre si e contradizem o que antes disseram, e até o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, se apressou a vir a Tomar. Uma iniciativa que se louva, não só porque mostra uma rapidez de atuação infelizmente pouco praticada por margens nabantinas, e também porque se sabe que a iniciativa partiu de si e não da Câmara de Tomar, cuja atitude essa é sempre a do "não se passa nada", "não aconteceu nada", "isto são palermices de malta sem nada para fazer".
- Foram 2 ou 3 pedras disse várias vezes o Presidente de Câmara nas declarações que ouvi na rádio Hertz!

Bom, diz-se agora que o alambor vai ser reposto. É o minímo exigível, embora a realidade do local não indicie isso, realidade essa que curiosamente o Secretário de Estado afinal não visitou. Há quem prefira acreditar, quando podia ver.
Por tudo isso e mais que não digo, pelo sim pelo não, que de promessas está o inferno cheio, o melhor é continuar a assinar e divulgar a petição que exige precisamente a reposição do alambor do Castelo Templário de Tomar, não vá quem de direito achar que a malta já está convencida e pronta para esquecer o assunto. (http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1)


Afinal, mais uma vez se mostra que se não forem certos movimentos cívicos (para coisas concretas e próximas de nós) algumas instituições públicas estão-se nas tintas.

terça-feira, agosto 30, 2011

pedras e penachos

Curioso. Sobre bonecas em rotundas, muros elevados e outras questiúnculas que bem vistas as coisas não passam de floreados urbanos com mais ou menos valor estético e prático, úteis até para entreter a plebe que assim se esquece dos reais assuntos, tanto falou, tanto escreveu, tanto político e outras figuras da nossa comunidade.

Agora que estamos perante um verdadeiro atentado ao património e sobre matéria com verdadeiro e grave conteúdo vejo poucos desses preocupados e a expressar opinião. Será por estarmos em Agosto, será porque sabem que aquilo é "lá p'ra cima p'ró Castelo" onde os tomarenses não vão e por isso não vale votos e outros penachos - ou será por manifesta ignorância?

Entretanto a petição corre a bom ritmo, continuem por favor a assinar e divulgar. É preciso mostrar a quem tem responsabilidade que se não têm vergonha, outros têm por eles.

«Petição em defesa, salvaguarda e reabilitação do Alambor Primitivo Norte (Séc. XII) do Castelo Templário de Tomar»
http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1

segunda-feira, agosto 29, 2011

todos somos precisos

foto do blogue "Tomar a Dianteira"
...para proteger aquilo que quem com responsabilidade direta não protege. E não só não protege como desvaloriza, e mente ao fazê-lo.

O Património não é de meia dúzia de auto-iluminados, é daqueles que o construiram e cuja memória devemos honrar, é daqueles que o vivem e o respeitam, e é sobretudo daqueles que ainda nem nasceram.
Assinem e divulguem por favor!!

«Petição em defesa, salvaguarda e reabilitação do Alambor Primitivo Norte (Séc. XII) do Castelo Templário de Tomar»
http://www.peticaopublica.com/?pi=THOMAR1


(petição iniciada pelo blogue SIGILLUM MILITUM CHRISTI)

quinta-feira, agosto 25, 2011

as descobertas do sr. presidente

foto de Tomar a Dianteira
"TOMAR - Corvelo de Sousa garante não haver crime contra o património na questão do alambor", noticia a rádio Hertz." e outros orgãos de comunicação entre os quais alguns nacionais.

Fala-se aqui das obras em torno do acesso ao Castelo Templário/Convento de Cristo, e a destruição de achados arqueológicos. A questão havia sido (e bem!) levantada pelo Tomar a Dianteira (podem acompanhar o desenvolvimento em vários posts), e ganhou entretanto eco mais alargado.

"Refira-se que está em causa uma estrutura defensiva que garante uma maior solidez à muralha. Foram, precisamente, os Templários que introduziram este género arquitectónico, que tinha como objectivo uma defesa mais eficaz contra os ataques dos invasores. Aliás, no território de Portugal Continental, o alambor do Castelo de Tomar é mesmo o melhor exemplo deste tipo de construções templárias."
 
Ora, o que eu acho surpreende são as afirmações prontas de Corvêlo de Sousa que, que eu saiba não é nem arqueólogo nem Presidente do IGESPAR. Não senhor, "não houve crime", na sua OPINIÃO (que é para o caso tão válida como a de qualquer outra pessoa), "do ponto de vista arqueológico, trata-se de uma descoberta interessante, que será salvaguarda".

Sim senhor, a Língua Portuguesa é mesmo magnífíca... não sabia que para incúria, desleixo, atentado, o termo "descoberta" também serve como sinónimo!!

"Descoberta" sr. Presidente?! Como é possível descobrir o que todo aquele que teve aulas de História na escola deveria saber?

segunda-feira, maio 23, 2011

imaterial... é a Câmara de Tomar

"Tomar recebe conferência internacional sobre património imaterial", noticia o jornal O Templário

Será que é a isto que o Presidente de Câmara chama... reunir a equipa para preparar a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Imaterial da Humanidade? Será que nos vai tentar vender mais uma ilusão em que só o mesmo acredita, como se isto tivesse alguma coisa a ver com alguma hipótese de candidatura?!

Sim, é que já na Assembleia Municipal de Janeiro de 2010 quando lhe coloquei a questão, respondeu que estava a trabalhar nisso e a reunir pessoas para a equipa, ou algo assim vago como sempre responde. E assim tem sido, até à última Assembleia que ocorreu em Abril último, onde já não conseguiu ser tão imaginativo porque a realidade, vá lá, ainda consegue por vezes ser mais forte que a fantasia que impera ali pelos lados dos Paços do Concelho nabantinos.
É que a realidade é esta: uma Câmara que quisesse trabalhar a sério teria tido mais do que tempo para que nesta edição da Festa a equipa estivesse realmente constituida e já a trabalhar. Equipa essa que exige conhecimento e rigor cientifico, e muito trabalho para poder ambicionar uma candidatura com possibilidades de sucesso. Basta lembrar que em Portugal ainda não aconteceu nenhuma... espera-se agora da candidatura do Fado, cujo processo ao nível nacional está concluído, poder vir a ser bem sucedida.

Ora, o que mais chateia na incompetência e falta de capacidade de decisão não são apenas os constantes avisos ignorados, é saber que há pessoas com as qualidades exigidas interessadas em desenvolver a candidatura, mas que apesar disso, passada mais esta oportunidade, são pelo menos mais quatro anos perdidos!
Imaterialidade efectivamente, é coisa que não falta à "liderança" da Câmara Municipal de Tomar!

domingo, outubro 10, 2010

sacrilégio :)

Vou agora sair de casa, enfrentar a chuva, para ir almoçar a uma Igreja. E que Igreja.


Ele há coisas imperdíveis.

quinta-feira, setembro 23, 2010

os poderzinhos e a mania de controlar

Há dias entrei na Igreja de São João Baptista (sim, fui rezar...) e deparei-me com este estranho aviso na porta. Eu julgo que isto até já foi falado algures, provavelmente no blogue de António Rebelo, pelo menos tenho ideia de ter lido sobre o assunto.
Em todo o caso a questão, que pode parecer um pormenor sem importância mas não é, é suficientemente pertinente para perguntar: Mas quem é que é a "paróquia de Santa Maria dos Olivais e São João Baptista" para proibir alguma coisa, particularmente naquilo que não é seu?