Mostrar mensagens com a etiqueta opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta opinião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 27, 2020

O inimigo invisível que a todos une


artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de março

Vivemos tempos absolutamente desnaturais. Uma enorme batalha coletiva para a qual ninguém estava preparado.
Há que saber manter a calma, o discernimento, o bom senso, percebendo desde logo que não sabemos quando a situação vai acabar, mas que ela vai acabar, e depende de todos nós a forma com ela vai chegar ao fim. Como se diz muito nas redes sociais, “separemo-nos para nos podermos voltar a abraçar”.
Nestes tempos as instituições, particularmente públicas assim como das áreas sociais e saúde, e naturalmente muitas empresas essenciais, vão manter-se em funcionamento e desde logo há que sublinhar o papel de todos esses trabalhadores que, nas mais diferentes áreas, estão a prestar trabalho para o coletivo.
No município de Tomar também assim é, em todos os setores de funcionamento se mantém trabalhadores quer fisicamente, quer em teletrabalho, particularmente no atendimento telefónico e eletrónico. Já para não falar nos setores mais operacionais onde o trabalho à distância não é possível: bombeiros, higiene e limpeza, ou em algumas escolas. E nas águas e saneamento (agora na Tejo Ambiente).
Assim é, obviamente, com todas as chefias: da Presidente, aos vereadores, aos chefes das várias unidades orgânicas.
A comunidade não pode parar, e nestes momentos que poderão criar novos problemas sociais, nomeadamente por via do isolamento, a rede social com as suas muitas instituições vai seguramente mostrar a sua robustez, começando nas células mais pequenas e mais próximas de cada território: as comissões sociais de freguesia que em boa hora foram criadas e que têm nesta fase a sua prova de fogo, e onde cada Presidente de junta e o seu executivo são a primeira linha de contacto e de atuação, como não pode deixar de ser.
O pior destes momentos é o alarmismo, bem como as comparações avulsas. Cada território tem a sua especificidade, e aquilo que serve para Lisboa pode não servir para Tomar, e o que serve à cidade, pode não servir a cada uma das dezenas de aldeias do concelho, e vice-versa.
Com o passar dos dias, das semanas, vão seguramente surgir novos problemas, para os quais será necessário ir encontrando novas soluções.
O papel de cada um é essencial. Queiramos neste momento solidificarmo-nos como comunidade, e perceber que é ainda mais nestes tempos que a ideia de coletivo é determinante.
É nestes momentos que a célebre frase de John Kennedy faz ainda mais sentido: “Não perguntes o que pode o teu país fazer por ti, mas o que podes fazer pelo teu país”, ou pela tua comunidade, pela tua aldeia, pela tua rua, pelo teu prédio, pela tua família.
Esperando o pior, desejemos o melhor, e saibamos que a tormenta vai passar. E que vai existir um concelho, um país, um mundo depois disto, e para o qual também vai ser necessário encontrar novas respostas.
Que faça cada um de nós o seu papel, saibamos cuidar de si e dos outros, e procuremos a melhor forma de nos encaixarmos nesta que será porventura a maior provação das vidas da maioria de nós.
Sejamos fortes, sejamos inteligentes, sejamos solidários, sejamos humanos. Por todos e cada um.
Sejamos realistas e não nos agarremos a falsas sensações de segurança venham elas de onde vierem. Mas sejamos confiantes, com a contribuição e o cumprimento de todos vamos ultrapassar isto.
A vida é um bem raro, e o tempo é sempre escasso e precioso. Aproveitemos para refletir naquilo que mais importa na vida, e na forma como estamos no mundo e nos relacionamos uns com os outros.
A primavera começou cinzenta e chuvosa, mas a luz voltará.

A imprensa no tempo dos ecrãs


artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 20 de março.

Solicita-me o CT que fale sobre “o futuro dos jornais regionais em papel, tendo em conta a “velocidade” atual das notícias e a veracidade (ou não) das mesmas” e da sua importância na destrinça entre a verdade e muita desinformação que nestes tempos invadem todos os meios.
Antes de mais, e sem dramatismos, é preciso constatar que a televisão não acabou com a rádio, a internet não acabou com a TV, e nenhum deles acabou com a imprensa. É preciso sim serem complementares e terem cada vez mais uma lógica multiplataforma.
Num tempo em que qualquer pessoa consegue atrás dum teclado de computador ou telemóvel inventar uma história, um boato, uma “notícia”, é quando a comunicação social séria - a que procura as fontes, confirma os factos, procura o contraditório – é ainda mais necessária.
O célebre “separar o trigo do joio”. Como costumo dizer, se não admite que qualquer pessoa lhe arranque um dente, também não deve admitir que qualquer um lhe impinja “notícias”.
Ora, estes efeitos são globais como sabemos, mas também nacionais e locais.
Localmente temos também esses fenómenos, que não devem como alguns defendem, ser ignorados ou alheados. Não, devem ser apontados, denunciados. Do senhor do “tomar na rede” que todos os dias manipula “notícias”, procura o escândalo e o populismo, com laivos de misoginia ou xenofobismo e ataques político/partidários à mistura; ao senhor que usurpou listagens de contatos e inunda os telemóveis com sms, aos perfis falsos que circulam no facebook. Esses terroristas sociais devem ser denunciados.
É o tal tempo da “pós verdade” como lhe chamam os sociólogos, em que passamos mais tempo a desmentir que a informar. Infelizmente assim tem de ser, e esse papel compete tanto à comunicação social séria e credível, como a cada um de nós cidadãos.
A verdade, a honra e a justiça, são fatores determinantes do exercício de cidadania e da construção de comunidades, e duma sociedade mais esclarecida, fraterna e tolerante.
A comunicação social e a imprensa em particular têm tanto essa responsabilidade de mostrar a diferença e cada vez mais ajudar, não só a esclarecer a verdade, como a denunciar quem mente. E assim sobreviverá e não só manterá como aumentará o crédito junto dos leitores como dos consumidores de notícias.
A imprensa local tem ainda a vantagem, mas também responsabilidade, de chegar onde os outros não chegam: aos problemas, às histórias, à vivência, às muitas atividades das comunidades por mais pequenas que sejam.
Por fim, por mais que os meios digitais sejam práticos e apelativos, o prazer de ler em papel, de folhear, até de sentir o cheiro da folha e da tinta, é algo que não tem correspondência com os ecrãs. Se o que lá estiver impresso for credível, essa pareceria será ainda mais apetecível.
Parabéns Cidade de Tomar, e a todos os que o mantém vivo!

segunda-feira, dezembro 09, 2019

habitação, direito essencial

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 6 de dezembro.

“As casas são construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas.”
Francis Bacon 

O Bairro 1º de Maio (Salazar de seu nome, até 1974) assinalou em outubro 70 anos de existência. Uma boa oportunidade para, a exemplo do texto recente que escrevi sobre educação, e de outros que se pretendem em semanas próximas, fazer um balanço de seis anos autárquicos, neste caso na área da Habitação. 

Quando chegamos à liderança da gestão autárquica em outubro de 2013, o município de Tomar detinha cerca de 160 fogos de habitação social, essencialmente concentradas nos dois bairros propriedade do município. O já referido (100 fogos) e ainda o Bº Nossa Senhora dos Anjos (50 fogos, junto aos estaleiros municipais, popularmente conhecidos como FAI), e mais meia dúzia de situações espalhadas no centro histórico. 

No município, em pleno século 21, não existia sequer regulamento para atribuição e gestão dessas habitações, bem como do elencar de direito e deveres dos inquilinos. 

Aliás, não deixa de ser revelador que no município de Tomar, até 2013, praticamente 100% da habitação social existente no município foi concretizada durante o Estado Novo… 

Em contraponto, o mandato anterior (2013/17) foi aquele em que, pelo menos depois de 1974, maior número de famílias foi realojado, fruto também da grande recuperação de casas para posse do município e de obras efetuadas, onde, diga-se, a colaboração da junta de freguesia urbana foi também muito importante. 

E não falamos, como alguns pretendem fazer crer, de etnia cigana. Não, a larga maioria das casas que atribuímos (sempre por concurso público!) no mandato anterior foram a famílias que não pertencem a nenhuma etnia. Alguns, por motivos populistas, tentam continuamente levar o assunto para a temática dos ciganos. Ora perante a Lei, e para qualquer cidadão bem formado, há seres humanos. Mais nada. Mas lá chegarei a essa temática. 

Regressando ao tema da habitação como um todo, lembremos que mesmo noutros modelos, em Tomar existiram apenas enquanto uma cooperativa, a Nabância, trabalhou para esse fim, e foi importantíssima para que centenas de agregados familiares tivessem tido nos anos 80 e 90 habitação “mais em conta”. Mas não só, igualmente importante para “obrigar” a um controle de preços face à oferta existente no mercado. 

Pelo contrário, e também fruto de mau planeamento urbanístico, e face à execução de um conjunto de instrumentos de gestão do território, nomeadamente um elevado número de planos de pormenor, irrealistas, fantasiosos, que além de especulação imobiliária não tiveram nenhum outro resultado que não fosse a concentração de construção em pouquíssimos construtores, que assim praticaram os preços que bem entenderam ao longo das últimas duas décadas. 

O desleixo ou desinteresse político (é preciso que se note que os serviços de municipais de habitação eram praticamente inexistentes até 2013 e só atualmente existe um gabinete de habitação na estrutura orgânica do município) fizeram com que boa parte das casas fossem passando de pais para filhos (ou por vezes nem sequer familiares tão diretos) sem que a eles tivessem qualquer direito. E note-se que estamos a falar de património público! 

Não há memória que alguma vez se tivesse retirado casa a alguém, havia casas a funcionar como armazém, ou casa de férias, ou casa de primeira habitação tendo os seus inquilinos outras habitações – havia enfim, um pouco de tudo e total desinteresse político nos últimos anos anteriores em fazer o que quer que fosse sobre esta matéria. Talvez porque dá muito trabalho, chatice, obriga a uma certa coragem e como se costuma dizer, “não dá votos”, antes pelo contrário. 

Sobre a etnia cigana, lembremos que até 2013 e apesar dos tais 160 fogos de habitação social, nunca nenhuma destas famílias havia sido integrada. Ao contrário, e apesar das responsabilidades municipais que colaborou ao longo dos anos no concentrar, e depois ignorar daquela comunidade naquilo que se transformou no gueto do Flecheiro, com todos os demais problemas sociais e por vezes criminais a isso associados. 

Sim, lembremos que há cerca de 45 anos atrás foram para ali levadas, e por interesses imobiliários com os quais o município foi conivente, as primeiras famílias. Famílias que com o passar dos anos chegaram às cerca de 230 pessoas que ali encontrámos em 2013. A juntar às cerca de 50 vivendo também em barracas espalhadas em vários pontos do concelho. 

Ora, muito se falou, muito se propôs, muito se anunciou, mas fazer de facto alguma coisa nunca ninguém fez. Houve muito financiamento que poderia ter sido aproveitado. Programas de erradicação de barracas, programa Polis, vários quadros comunitários, mas nada, nunca houve vontade, talvez a coragem para fazer o que teria de ser feito e há muito deveria estar resolvido. 

Pois… repito, dá muito trabalho, muita chatice, não dá votos. 

Hoje, e depois do trabalho que ali iniciámos, estão ainda cerca de 100 pessoas, e todas sairão, ao mesmo tempo que estamos a rever o Plano de Pormenor do Flecheiro, e a preparar a consolidação urbana daquele espaço, nomeadamente daquela que será a zona ribeirinha de excelência da cidade. 

Claro, não se consegue, ainda para mais sem um cêntimo de apoios financeiros que hoje não existem para o efeito, fazer num mandato aquilo que não se fez em mais de 40 anos! 

Hoje, continuamos a recuperar casas, e a juntar outras ao património municipal, além do Centro Comunitário (junto à GNR) por estes dias a entrar em atividade. Estamos a iniciar a Carta Municipal de Habitação, onde além do social, se prevê já com projetos concretos, criar habitação a custos controlados particularmente para casais jovens, assim como residências para estudantes, que hoje muito estão a faltar. 

Tentaremos também criar, em jeito de residências assistidas, solução para pessoas que pelos mais diversos motivos não tenham capacidade para viver sós numa casa. 

Essencialmente, continuaremos a trilhar o caminho e estratégia definida, rumo a transformar o concelho num território mais humanista e cumpridor da Lei, numa ótica de boa gestão de recursos, com princípios de equidade e justiça. E, por muito que seja impopular ou sujeito a críticas, a resolver o que há muito resolvido deveria estar.

terça-feira, julho 09, 2019

Cortejo dos rapazes - a excelência da nossa comunidade educativa

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 5 julho de 2019

O Cortejo dos Rapazes – ou seja – a Festa dos Tabuleiros das crianças, é a expressão definitiva e incontestável da excelência da comunidade educativa nabantina. E este ano, em nada ficou a dever ao grande cortejo dos Tabuleiros.

É com penhorado sentido de gratidão que enquanto vereador da educação, reconheço e agradeço o enorme trabalho das escolas na sua plenitude: educadores, professores, pessoal auxiliar, associações de pais e famílias em geral, que tudo fizeram para tornar as crianças da nossa comunidade as verdadeiras estrelas, criando memórias que serão para elas únicas, mas também de enorme beleza para os demais nabantinos, e para os milhares de turistas que este fim de semana nos visitaram.

O cortejo dos rapazes é também a garantia do futuro da Festa e, ao contrário de algumas mentes mais conservadores (que tudo analisam na perspetiva do seu olhar e do seu tempo de vida), a garantia da sua natural evolução, uma vez que a Festa dos Tabuleiros não é uma recriação histórica, é uma festa viva e como tal progride, tal como a sua comunidade e a sociedade em que está incluída o faz. Aliás, se fosse uma recriação histórica não poderia ser candidata a património imaterial.

Prova também da evolução da festa é a permanente inclusão de novos momentos. Tal como em 1991 se realizou o primeiro Cortejo dos Rapazes, em 2019 realizaram-se os primeiros Jogos dos Rapazes. Ou seja, os jogos populares das crianças, que fizeram da tarde de domingo uma tarde ainda mais animada e participada na nossa Ilha do Mouchão.

Fruto da aposta pioneira que em 2014 o município iniciou com o CALMA nos jardins de infância do concelho, e já este ano letivo que agora terminou, também no 1º ciclo do ensino básico no Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, no qual o município é desde o passado ano letivo, responsável pelas atividades extracurriculares. Iniciativa, entretanto, já reproduzida por vários municípios da região e do país.

Sem essa ação (na qual, reconheço, sinto muito orgulho), que naturalmente tem em primeiro lugar o objetivo do desenvolvimento físico e motor das crianças, mas também da preservação das tradições, não teria sido possível esse desígnio complementar que agora se atingiu, o de ter na Festa dos Tabuleiros também os jogos populares das crianças, ajudando a fazer mais ainda do primeiro fim de semana da festa o mais possível dedicado às crianças.

Fundamentalmente, a Festa dos Tabuleiros tal como a comunidade que que lhe dá vida está cada vez mais pujante e este primeiro fim de semana foi bem disso exemplo e prenúncio para os dias que faltam.

Vivamos a festa, viva a Festa!




sexta-feira, março 23, 2018

Pós verdade e pós idiotas

Nem a propósito das recentes encrencas do fcbk, o meu artigo da edição de aniversário do jornal Cidade de Tomar, de 16 de março, e em resposta ao tema: a imprensa nos tempos das redes sociais.

Falar da imprensa nos tempos das redes sociais, é antes de mais sublinhar a importância da comunicação social séria. Já quando há década e meia frequentei o mestrado em Ciências da Comunicação, estes temas eram abordados com preocupação. Vivemos agora naquilo que os teóricos referem como o tempo da pós-verdade, uma vez que as opiniões públicas são inundadas com notícias falsas e manipulativas.
Sendo fenómeno global e nacional, podemos observá-lo ao nível local.
Entre muitos exemplos que poderíamos invocar no nosso universo nabantino, uns mais risíveis, outros profundamente sérios, uso este como exemplo: recentemente alguém pôs a circular uma história tão falsa como ridícula, alegando que a Presidente de Câmara teria sido agredida por uma cidadã, aquando da demolição de barracas numa zona na cidade, quando não só a Presidente não esteve no local como é público que nesse dia estava reunida com outros presidentes de câmara e um Secretário de Estado.
Mas há sempre quem partilhe, comente, faça as mais inflamadas afirmações, sem dedicar 30 segundo de inteligência ou mera sensatez a refletir, ou mesmo sem sequer ler aquilo que está a partilhar. A internet está inundada de disparates e flagrantes falsidades.
Ora, não podem as instituições e os seus responsáveis passar a vida a desmentir, corrigir estas situações, pelo enorme consumo de tempo que obrigaria, e porque seria até forma de valorizar esses terroristas da desinformação. E por isso, regra geral, ignora-se.

No nosso contexto nabantino, a exemplo de outras escalas, temos inclusivamente quem o faça de forma regular e persecutória, sendo o caso mais flagrante um blogue (Tomar na rede) na maioria fomentado por um ex diretor de um jornal (e ex funcionário da câmara, diga-se) que de forma sistemática manipula histórias para tentar atingir alguns políticos ou instituições, particularmente a nós na câmara e aos funcionários municipais.
Ora, nestes tempos, a comunicação social séria, com profissionais formados, com regras, com deontologia, com a obrigação de confirmar factos, de procurar contraditório, de sustentar afirmações, deve ser, antes de mais, o garante do pluralismo e do rigor da informação.
Ou não fosse desde o século XIX, por via da imprensa considerado o 4º poder (e muitas vezes tem sido o primeiro), precisamente como forma de vigilância e perscrutação sobre os poderes políticos (executivo e legislativo) e judicial, mas também como forma de atuação sobre a sociedade no seu todo.
E se assim for, estou certo, com adaptações naturais, a imprensa saberá manter-se pertinente e encontrar até novos públicos, da mesma forma que a rádio sobreviveu à televisão, e a televisão, com mudanças, saberá resistir à internet.
Mas começa por nós, consumidores. Na linha do que antes afirmei, da mesma forma que não aceitamos que qualquer pessoa nos arranque um dente, também não devemos aceitar que qualquer pessoa nos impinja “notícias”.
É responsabilidade de todos nós cidadãos livres, pensantes, com apego à verdade e liberdade com regras, sabermos a bem da cidadania e salubridade mental coletiva, ignorar e repudiar quem prevarica e, em casos mais gritantes e graves, denunciar.
Porque, como diria um amigo presidente de câmara do nosso distrito, idiotas sempre os houve, as redes sociais vieram dar-lhes amplitude de expressão – e é dever de todos nós diminuí-la, acrescento eu.

Aproveito esta missiva para desejar um excelente aniversário ao jornal Cidade de Tomar, e que seja cada vez mais um exemplo daquilo que referi sobre a comunicação social séria, desejo esse obrigatoriamente extensível a todos os profissionais e colaboradores que mantêm o jornal a cumprir a sua missão. Que o façam por muitos e bons anos!

terça-feira, outubro 06, 2015

Rescaldo eleitoral

Agora que o frenesim  da campanha e dos seus resultados passou, algumas pequenas reflexões sobre a última contenda eleitoral, partilhadas com quem as quiser:

- Cada vez mais se prova que campanhas nacionais se fazem pelos media nacionais, e pouco relevante é o que se faça a nível local (ainda que cada pequeno universo possa ter influências do seu contexto).
Por exemplo, o PSD-CDS praticamente não andaram na rua, e quando o fizeram quase sempre em cenários controlados, e no entanto foram os mais votados.
O resultado do BE, não ignorando o bom trabalho de Catarina Martins e Mariana Mortágua (que conseguiram fazer esquecer algumas saídas) e a capacidade de eliminar qualquer outro "ruído", por contraponto ao cansaço e à imagem de mais do mesmo em relação à CDU e aos demais, não deixa ainda assim de ser a prova de como os media determinam o pensamento geral "do povo".

- As sondagens, ou a espécie de sondagens que foram surgindo em catadupa (e que aliás deviam ser fortemente regradas, a bem da democracia) provaram para que servem: condicionar o pensamento geral. Tornou-se evidente a ideia, por essas sondagens criada e veiculada pela comunicação social particularmente na última semana, que a coligação tinha ganho antes de o ter e que o PS não tinha qualquer hipótese.
Até o Ricardo Araújo Pereira ajudou...

- É mais que tempo de mudar a forma de fazer de campanha. Muitos dos estrategas continuam delinear campanhas como se estivéssemos em 1974...
Comícios onde todos os que lá estão são arregimentados, visitas a mercados, e coisas do género, que não valem um voto e por vezes ainda retiram.
É preciso acabar com os desperdícios financeiros e "ruidosos" das campanhas: Outdoors, merchandising, multiplicação de panfletos, etc, que também não valem votos antes pelo contrário.
Estive na Alemanha nas últimas eleições regionais desse país. Pensam que lá se gasta como cá?!
E claro, falar de mais e sobre demasiados assuntos prejudica qualquer campanha.

- Sobre o falar demais... há muito se provou que, como nos policiais americanos, tudo o que se diz pode ser usado contra nós, mas há muito quem teime em não aprender com isso. Que o diga por exemplo António Costa e as vitórias por poucochinho...

- Gerir a estratégia das redes sociais, nomeadamente o fcbk. Bom, isto era toda uma dissertação. Digamos apenas que, menos seria mais, e que era tão bom voltarmos ao tempo em que os telemóveis serviam apenas para telefonar... A vaidade e a ligeireza com que se colocam fotos e fazem afirmações irresponsáveis...

Está provado há muito, lamentavelmente, que programas eleitorais dizem pouco aos portugueses. O PS andou durante meses a preparar um programa que apresentou devidamente. A coligação quase não tinha programa, mas um conjunto de promessas do Governo que foi pondo na rua na fase final de campanha. Mais, o PS deixou que o seu programa se tornasse assunto de campanha, ao contrário de quem estava em juízo, a coligação.
(temos exemplos nabantinos que mostram o mesmo, por exemplo, o PSD ganhou e por maioria absoluta a câmara municipal em 2005, sem apresentar qualquer programa eleitoral).

- A coligação de direita foi a mais votada, mas muito longe de ter ganho, uma vez que mais de 63% dos eleitores votaram noutros partidos, na sua maioria de esquerda (falta ainda fechar os resultados da emigração). Ou seja, leiam-se os resultados ao jeito de cada um, facto é que a maioria dos votantes manifestou estar contra a política seguida nos últimos anos.
E, curiosidade interessante, PSD e PS têm o mesmo número de deputados.

- Como costume, o partido mais votado foi o dos abstencionistas, batendo um novo recorde. E depois reclamam. Mas os partidos também não querem tirar ilações...
Sobre isso, apesar do resto, há muito que urge a necessidade de implementação do voto eletrónico. Estou convencido que a abstenção reduziria drasticamente se - e o voto eletrónico permitiria isso - em vez de ter de ir à sua mesa de voto, o eleitor pudesse votar em qualquer uma no espaço do território nacional. São muitos os milhares de portugueses deslocados no território e que por várias razões não têm hipótese de ir votar. O que é muito diferente dos que se estão nas tintas.

- Como no país, também no meu partido parece existir dificuldade em aprender com os erros. Ainda não está o fogo totalmente rescaldado, e há já malta a querer novas fogueiras.

Duas notas mais locais:
- As eleições devem ser feitas em torno de ideias e projetos, mas não deixo de salientar com tristeza a não eleição do nabantino Hugo Costa. Ainda assim, o futuro ninguém o sabe.
- O resultado na freguesia da Sabacheira, onde sabe-se-lá porquê o PSD nabantino muito tem investido, foi positivo para o PS, o que prova mais uma vez naquela freguesia que não vale tudo na política, e que a politiquice mesquinha e mentirosa mais que dar resultados, denuncia e castiga quem a faz.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Votar no Futuro, Votar em Portugal

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 25 de setembro.


«Hoje vivemos na sequência de uma revolução conseguida sem sangue, que nos abriu caminhos de liberdade. Para que os possamos percorrer é indispensável o respeito absoluto das liberdades públicas e dos direitos cívicos, que vamos vendo infelizmente postos em causa.»

«Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos.»
Francisco Sá-Carneiro

Dia 4 de outubro somos todos chamados a usar o nosso poder coletivo, o poder pelo qual tantos na nossa história lutaram para nos deixar como legado, o poder que tantos milhões por esse mundo fora ainda não têm, o poder de escolher quem tome decisões em nome do coletivo, o poder de eleger os governantes do nosso país.
É esse momento decisivo que me faz voltar a este hábito da escrita neste jornal, coisa que não faço há cerca de dois anos, desde que tenho outras responsabilidades e por continuar a achar que quem governa não comenta. Mas agora é tempo de escolhas, e é tempo de fazermos campanha pelas escolhas que entendemos mais apropriadas.
Comentadores televisivos e de outros suportes mediáticos, mesmo alguns políticos e muitos cidadãos têm definido estas eleições como de grande complexidade na escolha. Mas para mim nunca me pareceu tão fácil, tão óbvio, tão urgente decidir.

Temos um governo que apresenta como mote de campanha os supostos resultados, os resultados que agora diz serem resultado da “herança” e do estado em que encontraram o país, quando há quatro anos afirmavam que queriam “ir além da troika”. Um governo que apostou em “ser o bom aluno” na visão de quem faz depressa e sem questionar, um governo que, embora suportado largamente num partido social democrata e que tanto gosta de citar Sá-Carneiro, mas que tem aplicado fórmulas liberais ou mesmo ultra liberais não suportadas nem pela ideologia desse partido nem pelo programa sufragado, e por isso mesmo vê tantos desse partido a dele publicamente se afastarem.
Um governo que não teve qualquer problema a indicar a saída do país à sua população, particularmente os mais jovens e qualificados, nos quais o país investiu, e que os outros países tanto agradecem! – fala-se agora na possibilidade e até com discurso xenófobo de o país poder vir a receber 3 ou 4 mil refugiados migrantes… pois portugueses migrados foram mais de 350 mil no últimos 4 anos!!
Um governo que taxou tudo quanto pode, e cortou em mais ainda. E depois perguntamos, para quê? Estamos melhores, os tais resultados estão melhores? E é este o país que queremos? Não, este não é o país em que me revejo. Não, também não é a forma para que sinto servir a política.

A política nobre e útil é muitas coisas, entre elas a capacidade de envolver, de dialogar, de procurar os consensos (quando no nosso país cada vez mais se procura antes o conflito), mas não seguramente a arte do abandono. E abandono é o que mais temos visto: o abandono dos cidadãos, o abandono das empresas do Estado vendidas à pressa e ao desbarato, o abandono das políticas sociais de promoção da igualdade, o abandono da ideia de um Estado que promove a igualdade de oportunidades e a justiça (pois se até, diz Passos Coelho, é preciso uma subscrição para os enganados do BES poderem ir a tribunal…)

O apoio social é um verbo de encher para quem quer mostrar trabalho à conta dos “coitadinhos”, para além de nos quererem impingir novamente os tempos da caridadezinha, da sopa dos pobres, dos asilos. Não, isso não é verdadeiro trabalho social, isso é empurrar para fora da vista os problemas e tratar seres humanos como números ou “coisas”.

Na educação, a visão ideológica imposta aos currículos e aos horários dos alunos fez um retrocesso até “tempos da outra senhora”. Cortou-se no ensino artístico, nas expressões, na educação física e no desporto escolar, nos apoios pedagógicos, psicológicos e tudo o mais.
Porquê? Porque se entende que isso é para quem pode pagar, os outros, aguentem-se que isto não é para quem quer! Não ajam ilusões, é mesmo de ideologia que trata.
Poder-se-ia dizer, bom é falta de dinheiro, é preciso cortar em algum lado. Não é verdade! Basta ver que ao mesmo tempo que se corta no ensino público, na sua qualidade e nos serviços aí prestados, se aumentam, (e muito!) os subsídios aos colégios privados por esse país fora.
Da cultura nem vale a pena falar. Está em coma, não há qualquer trabalho feito nesta área.

Ora, como disse Churchill, se não lutamos pela cultura e pela educação, que são aquilo que nos dá identidade e futuro, vamos lutar para quê? Mais vale assumir e deixar os alemães ou quem quer que seja, fazer o que bem entenderem de nós. – e foi o que fizeram nos últimos anos!
Por isso reafirmo, não tenho qualquer dúvida onde votar.
Quem acha que está bem e deve continuar, escolha a direita coligada, quem acha que não, que o país precisa de outro rumo, de alma, de olhar para as pessoas e para as suas necessidades, e mais ainda quem defende um país regido numa ideologia de socialismo democrático (ou social democracia), só tem um partido que atualmente a defenda – é o PS liderado por António Costa.

Temos também, nabantinos, um interesse mais local nestas eleições. É na lista socialista que está o único tomarense com possibilidades de ser eleito. Hugo Costa será uma voz jovem, motivada e empenhada conhecendo de perto as realidades de Tomar e da região que pode ser a nossa voz na Assembleia da República e junto dos poderes de Lisboa.
Não ir votar, não é mostrar descontentamento, não é mostrar desagrado, é sim mostrar alheamento e deixar aos outros o poder da escolha. Mais, por força do mecanismo eleitoral, quase sempre quanto maior for a abstenção, maior o favorecimento de quem já detém o poder, por isso: Vote, vote em quem entender melhor, vote nulo se quiser, mas vote!

segunda-feira, junho 25, 2012

É que 'tá uma tourada!


Já não bastava andar aí uma malta no país a achar que a UNESCO alguma vez vai aceitar promover um espetáculo de tortura animal a património imaterial da humanidade, como agora chegou a moda de alguns municípios o fazerem à sua escala, como se fizesse sequer sentido, elevar tal degrandante aspeto da condição humana a património cultural e imaterial de interesse municipal.

E claro, já cá faltava que alguém quisesse imitar isso em Tomar. Chegou à câmara a proposta via grupo de Independentes, como se lê na rádio Hertz.
Usam os argumentos clássicos de quem não tem outros: a tradição. (tradição que em relação à tauromaquia, em Tomar nunca existiu no sentido de que envolvesse largo grupo de cidadãos, e o pouco que existisse já morreu há muito tempo, só que alguns ainda não se convenceram). Porque no ano tal aconteceu isto, porque no século tal aconteceu aquilo...
Ó meus senhores, em Tomar também se fizeram autos de fé, não querem antes recuperar essa "tradição"?!

"Cultura" e "tradição" não são salvo condutos para tudo. Interessa preservar o que o justifique, mas preservar um espetáculo que é praticamente o último resquício da barbárie que persiste como atividade ou evento no mundo dito civilizado - que não tem outro fim que o gozo do ser humano perante a tortura de um animal, espetáculo que subsiste essencialmente à custa dos milhões dos dinheiros públicos que entram por muitas vias, para garantir a abastança de algumas famílias, muitas com tiques de aristocratas, que ainda têm a lata de se achar moralmente superiores - não tem qualquer justificação numa sociedade moderna.
Quando muitos municípios em Portugal, Espanha, França e outros, estão a adiantar-se puxando para o futuro e para a dignidade, os países que mais tarde ou mais cedo farão o mesmo - abolir as touradas (em Portugal já haviam sido abolidas durante a governação de Passos Manuel no séc.19!) - há outros onde o conservadorismo, o confundir de conceitos, o achar que a "superioridade do homem" justifica tudo, incluindo continuar a puxar essas terras para o passado.

Sendo assim, vou propor que se façam umas lutas de galos no mercado, umas lutas de cães no pavilhão municipal que não serve para muito mais, e já agora umas queimadas de bruxas e hereges na praça da república. Entretanto na praça de touros, além das touradas, podiam fazer-se uns espetáculos em que se substituísse os touros por leões e ursos, só para a coisa ser mais genuína. Tradição por tradição, nada como ir mesmo às origens.

domingo, junho 17, 2012

Olívia patroa, Olívia...

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 15 de junho
transforma-te naquilo que és”
Friedrich Nietzsche

Dizia-me alguém, um destes dias numa esplanada soalheira desta urbe nabantina, que há muito não lia nenhum dos meus disparates, ao que respondi, é porque não quer, basta andar pela net. Pois mas isso “da net” é coisa de jovens, respondeu-me. Eu discordo mas, enfim, fiquei a pensar nisso, e lá encontrei um tempinho para escrever.
Aproveito para falar de um assunto que há algum tempo me inquieta: esta profissão nova que é o “fazer presenças”. “Fazer presenças” é o que “fazem” artistas de fraca qualidade e semi conhecidos das revistas cor de rosa para ganhar uns trocos e umas refeições à borla. É uma ocupação em grande expansão. Muitos dessa espécie de artistas colocam até essa atividade no currículo como se fosse uma coisa séria. Alguns só fazem isso.
Estou certo que é um ofício muito edificante para a alma, saber que basta existirmos e irmos a algum lugar para justificarmos um salário...
Eu escrevi profissão nova? Não, não é nova, o nosso atual presidente de câmara faz isso há 15 anos. Fazer presença na festa da associação, fazer presença no passeio dos idosos, fazer presença na sardinhada, fazer presença na câmara...
Não estranhem… talvez os mais desatentos não se lembrem, mas o grande ídolo António Paiva também foi eleito muito à conta das presenças que fez intensivamente nos anos anteriores à sua eleição, em tudo o que era bailarico e petisco com mais de três pessoas.
É verdade que na maioria das vezes só lá estava o tempo suficiente para tirar a fotografia, mas parece que apenas isso interessa.

Ora pronto, por mais que não queira, lá tinha o assunto que descambar na Câmara! Falar de coisas tristes que não servem para nada é perder tempo, mas fazer o quê, é o hábito. E no que toca a Tomar, todos estamos já muito habituados com o tempo… com o tempo que vemos passar, claro! Anda este concelho há pelo menos 15 anos a ver-lhe passar tudo ao lado, e quando não lhe estão a passar ao lado, estão a passar-lhe à frente.
E agora estamos a ver passar o tempo até às próximas eleições, que já todos vimos que do atual mandato só ficam as dívidas. Também já eram poucas, mais dívida menos dívida...
Bom mas, “afinal ele está a falar de quê”, pergunta o leitor, que vê no título deste texto uma referência à célebre rábula da olívia patroa, olívia costureira – “porque está ele a falar da Ivone Silva”? Não caro concidadão, isto está tudo ligado, continuo infelizmente a falar da Câmara, do Presidente, do PSD… e esta coisa do “fazer presenças”.
É que de há uns tempos para cá, e a agravar-se, sentem-se uns sintomas de esquizofrenia política naquelas hostes!
Ora, veja-se por exemplo o caso do hospital que o governo nos quer levar. O presidente foi fazer presença, qual olívia patroa, nas reuniões com o conselho de administração onde foi favorável à reorganização prejudicial para os interesses dos tomarenses. E depois faz presença, qual olívia costureira, nas manifestações contra a reorganização e o conselho de administração!
É para ficar confuso? Não, estamos em Tomar!
Mais exemplos? Há dias informou o presidente numa reunião de câmara que a ASAE já permitia aceder ao mercado! O presidente não deve saber que o mercado é propriedade do município e por isso ninguém pode impedir de lá ir… O que a ASAE impede é o funcionamento, e quanto a isso, continuamos à espera que a câmara se decida a fazer óbvio: fazer obras simples (que o dinheiro já o gastaram todo em disparates e agora não chega para mais) que permitam que o mercado funcione naquele edifício, como há muito foi proposto pelo PS, e se acabe de vez com a vergonha terceiro mundista que é aquela tenda.

Ora, veja-se o PSD. Não, não é o da Câmara, dizem eles, é ou outro… O PSD de Tomar ganhou a gestão municipal em 1997 e, mais um, menos um, são os mesmos desde então. Os mesmos que escolheram Carlos Carrão para vereador desde essa altura (o autarca há mais tempo no poder em Tomar), Corvêlo de Sousa e o grande coveiro, responsável por toda esta herança, António Paiva.
Pois o PSD, que candidatou Corvêlo a presidente, tudo fez para mandar Corvêlo embora. Agora, tudo fazem para mandar Carrão embora, e vão ver como daqui a uns tempos vão começar a dizer que não têm nada a ver com a Câmara, não têm nada a ver com isto, apareceram por cá agora.
Querem ver que um dia destes o PSD nabantino até vai dizer que não tem nada a ver com os milhões da dívida do município gastos em parques de estacionamento feitos por teimosia e processos pouco claros, gastos em avenças com advogados, em projetos de coisa nenhuma, em obras feitas refeitas e malfeitas, em “boletins municipais” de propaganda, etc, etc?!
O PSD um destes dias vai dizer que não tem nada que ver com os investidores e com os munícipes que têm sido mandados embora para outros concelhos, os primeiros por mau trato, os segundos por falta de oportunidades. Não, o PSD não tem nada a ver com isto, era outro partido!...
Querem ver que ao longo destes anos alguém viu o PSD, fosse em Assembleia, fosse onde fosse, criticar o que estava a ser feito? Não, pelo contrário, sempre apoiaram tudo! Ou seja, em todos estes anos, limitaram-se a fazer presença.

E aquela mais recente manobra do PSD nabantino, qual olívia costureira, em vir agora dizer que quer reunir com os outros partidos, para de forma rápida chegar a consensos para a extinção da freguesia, só porque não quer ser o único a ficar mal na fotografia?! É só artistas!
Isso já nós do PS, que não criámos o problema, andamos a pedir há mais de um ano!
Mas vamos por partes, o governo PSD, qual olívia patroa, decidiu como quis esta lei espúria que só serve para distrair de assuntos mais importantes. O responsável governamental e mentor desta lei da redução das freguesias é Miguel Relvas. O governo exige às Assembleias Municipais que se pronunciem até 28 de Agosto sobre as freguesias a extinguir no seu concelho. O Presidente da Assembleia como primeiro representante do povo deve ser o primeiro a ter opinião. O Presidente da Assembleia em Tomar é Miguel Relvas. Então o PSD de Tomar, em vez de vir fazer número, devia começar por perguntar a Miguel Relvas, que freguesias é que ele quer ver extintas em Tomar! Eles criaram o problema, e agora querem que os outros o resolvam?!
Mas mais, a lei que o PSD inventou também diz que a câmara, se não tomar a iniciativa que leve à deliberação, deve apresentar um parecer (artº 11). O PSD já perguntou ao seu presidente e aos seus vereadores que freguesias querem ver extintas em Tomar?
E tanto, tanto mais, onde explorar esta dualidade do PSD que faz, e o PSD que diz que não faz, que só pode ser novidade para quem não viva cá ou veja o PSD como o clube do seu coração.
Porque para todos os outros, o PSD nabantino não se vai transformar por magia em nada de novo, as pessoas são globalmente as mesmas, a mesma falta de visão, a mesma falta de soluções, a mesma incapacidade para pôr Tomar a andar no caminho do futuro.
O PSD é aquilo que é.

Bom mas, com a diferença de serem cada vez menos, principalmente os jovens porque vão todos embora, os tomarenses também são os mesmos.
Ainda falta um ano, estão quase todos os tomarenses à espera e a queixarem-se. Mas isso diz que não continuarão a votar como se estivessem a apoiar o clube de futebol? Que não continuarão a votar no mais bonito, no melhor falante ou no “sr.doutor”? Ou será que vão finalmente olhar para as ideias e perceber que não basta lamentar-se, que é preciso fazer alguma coisa, nem que seja apenas votar de forma diferente?
Eu, confesso, já não tenho o otimismo de outros tempos. É que queixarem-se e falar mal dos eleitos, ouço realmente muitos a fazê-lo. Só que, nestes que há quinze anos nos levam para o buraco e ainda têm a lata de dizer que não, que eram outros, eu sei que nunca votei. Foi você?



sábado, junho 09, 2012

um ano de governo PSD-CDS

a minha nota do dia, de 6 do corrente na rádio Hertz, sobre o tema em epígrafe.

Hoje cumpre-se um ano sobre a vitória do PSD nas eleições legislativas antecipadas,  em resultado das quais veio a formar governo, em coligação com o CDS-PP.
O PSD, que nos anos anteriores a 2011 em que foi oposição, tanto apostou na palavra verdade, venceu com base na mentira. A mentira essencial foi a de que não votava o famoso PEC IV, porque esse representava uma “extrema violência contra os portugueses” pelas medidas aí propostas, o que veio a forçar à queda do anterior governo e ao pedido de auxílio económico externo.
Venceu dizendo em campanha, entre tantas outras falsidades, que não era preciso cortar os subsídios  de férias e natal, tendo sido depois essa uma das primeiras medidas que tomou.
É verdade que o governo anterior estava a pedi-las. Não só havia um cansaço da governação, como um desgate elevado particularmente da imagem do primeiro ministro, a par com algumas medidas impopulares e também algumas teimosias.
Ajudados muito pela sempre forte oposição ao PS dos partidos anti-poder, PCP e BE, e pela crise acrescida da instabilidade política, o PSD, de liderança refrescada e semi-desconhecida dos portugueses, aproveitou o momento para ascender ao poder com relativa facilidade.

Um ano passado deste governo de direita ultra-liberal, o país que temos é o que aqueles que vivem  no real bem conhecem e que os indicadores comprovam. Os impostos aumentaram drasticamente, os salários foram reduzidos e muitos dos apoios sociais foram abissalmente suprimidos, mas, como muitos avisaram, não foram as receitas do Estado que aumentaram mas sim as despesas. Tal como o desemprego, que atinge níveis socialmente insustentáveis e é o maior flagelo na nossa sociedade, tudo isto levando à queda do consumo e ao atrofiamento da economia.
Pelas últimas sondagens, os portugueses atribuem ao ministro das finanças o título da popularidade. Mas  boa parte das medidas entretanto tomadas muito mais que questões de economia, são questões ideológicas. A pretexto da crise o governo mais liberal que a democracia portugesa já conheceu
impõe a sua agenda ideológica como nenhum outro governo de direita antes conseguira. E tem um forte aliado que lhe dá pretexto. A política de direita que governa na europa, liderada em Berlim pela senhora Merkel a quem Passos Coelho quase presta vassalagem.
Uma política de direita europeia essa que preconiza a subserviência dos países latinos aos do norte, através do empobrecimento e dos baixos salários no sul da europa, como forma de criar competitividade com os países asiáticos.

E entretanto, em menos de um ano, foram-se as imagens teatrais do governo pequeno que afinal não funciona e inventa comissões para tudo; da prometida dimuição dos gastos com os gabinetes ou das viagens em classe turística. O governo não diminui as despesas do Estado em serventias e mordomias e se Portugal tem vivido acima das nossas possibilidades, este governo também.
Em menos de um ano, o mesmo partido que na oposição falava em asfixia democrática em Portugal, ao mesmo tempo que esse outro governo e o seu primeiro ministro eram os mais atacados de sempre, chegam-nos estes episódios já requentados de desmacarada falsa moral, com histórias apimentadas de favorecimento e favores privados envolvendo serviços secretos e comunicação social que de tão persistentes, já levam muitos a dizerem que este governo já só se safa com um corta-Relvas...
E os portugueses vivem um ano depois, pior. Mas os portugueses são como são. O campeonato europeu  de futebol está aí e, as próximas jornadas serão passadas a saber de todos os detalhes do dia a dia da seleção. Depois, vêem os jogos olímpicos e depois, é tempo de praia. Lá para Setembro volta-se a falar de política, enquanto se faz um tempito de espera para o natal.
Bom mas, como eu também sou português, também vou estar q.b. de olho na seleção. Estou convencido que se jogar com mesmo afinco com que cumpre os "compromissos" publicitários, já somos campeões.

quarta-feira, março 14, 2012

crónicas

Hoje é dia de crónica deste vosso amigo, na "nota do dia" dos espaços noticiosos da Hertz, e depois online, hoje intitulada "os gomos desavindos da laranja nabantina", versando sobre um tema que não costuma ser hábito meu, a vida interna de outro partido, neste caso do PSD.
Como é evidente, acaba por não ser da vida interna, que essa não me interessa mesmo nada, mas sim das suas implicações na gestão do município e do concelho.

Entretanto, fica a do passado dia 29:

“O cinzento dia da cidade”
Amanhã é dia um de março, dia em que, há 852 anos se lançou a primeira pedra do Castelo Templário de Tomar, dia por isso da fundação da cidade de Tomar. Chamemos-lhe, para simplificar, dia de Tomar.
O dia de Tomar é há muitos anos um dia triste, cinzento. Um dia que não celebra nem as honras do passado mais longíquo, nem enobrece a memória do passado mais recente ou mesmo do apagado presente que vivemos.
O modelo de comemorações que há anos existe, igual todos os anos, não passa de um beija mão à moda do 24 de Abril, em que as freguesias e as associações do concelho, enfileiradas à volta da praça da república, fazem a reverência ao senhor presidente de câmara e outros senhores importantes enquanto fazem uma espécie de revista às tropas.
Este ano sempre há ainda a inauguração da praceta Mário Nunes, que de inauguração só tem mesmo a placa com o nome.
E pronto, é isto. É triste e é pena, mas é isto. A comemoração da memória e da vivência de Tomar resume-se a quase coisa nenhuma. 

Mas podia fazer-se alguma coisa. Alguma coisa que aproveitasse a excepcional riqueza que o concelho possui, por exemplo na diversidade de associações e na qualidade daquilo que produzem, e este dia podia ser uma excelente montra disso mesmo.
Podia fazer-se mais por exemplo na distinção daqueles que por Tomar ou pelos tomarenses trabalham. Desde 2007 que eu pessoalmente e o PS propomos e vimos repetindo-o regularmente, a criação de um conjunto de distinções a personalidades e instituições de mérito que pudessem ocorrer precisamente neste dia. Uma espécie de condecorações do dia de Portugal, aqui à escala do nosso concelho. A câmara está há cinco anos para definir o regulamento dessas condecorações. Se não se consegue resolver uma coisa tão simples, o que é que se pensa conseguir fazer mais?!
A crise financeira afecta o mundo o país e o concelho. Mas pior que a pobreza financeira é a pobreza de espírito. Essa anda por cá há muito tempo particularmente naqueles que têm liderado esta terra nos últimos anos e infelizmente parece estar para ficar. Infelizmente, os tomarenses falam muito, mas também não têm mostrado no concreto que se importem muito com isso.

Mas os tomarenses têm oportunidades para mostrar que estão indignados, e amanhã têm já mais uma, pelas 12h15, precisamente no fim das tristes comemorações oficiais do dia da cidade, a Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar, continuando a luta em defesa da manutenção da medicina interna e da urgência médico-cirúrgica, convida os trabalhadores do Hospital Distrital de Tomar e população em geral a marcar presença numa marcha a realizar entre a rotunda junto à Igreja de Santa Maria do Olival e o Hospital.
Lá, no hospital, junto à placa de identificação logo à entrada, como forma irónica de celebrar o dia de Tomar que era também o dia anunciado pelo conselho de administração do centro hospitalar para retirar a urgência médico-cirúrgica, depor-se-á uma coroa de flores, em sinal de luto pelo estado da Saúde em Tomar, que não deixa de ser também o estado geral do concelho.
A associarem-se a este gesto são convidados os tomarenses, para que tragam pelo menos uma flor e lá a depositem igualmente, talvez os senhores que se julgam donos da verdade sejam inquietados pelo perfume das nossas flores e abram os olhos.

Uma segunda sugestão, esta mais alegre, para domingo no Mouchão. Ao longo do dia, com pic-nic para se quem quiser associar, e ainda um conjunto alargado de atividades, promovido por gente jovem que essencialmente pretende um espírito saudável de convívio e fruição da natureza.
Nem tudo precisa de ser complicado, as coisas e as ideias mais simples são muitas vezes as mais interessantes e aprazíveis, e por isso mesmo, domingo, apareça para passar umas horas diferentes neste “Mouchão Alternativo”.

.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

hora da verdade

foto rádio Cidade de Tomar
Amanhã pelas 8:00 da manhã, manifestação junto à entrada do hospital de Tomar.
Em dia de São Valentim, vamos todos namorar com o conselho de administração e o governo que o tutela....
Todos somos precisos para defender o que é justo.


E a propósito, a minha crónica de 18 de Janeiro na rádio Hertz, ainda não publicada por aqui:

“Hospital sem remédio” 
Para a crónica de hoje o tema não poderia ser outro: as conturbações que perpassam pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo e peculiarmente na unidade hospitalar de Tomar, isto após as anunciadas alterações que o recente conselho de administração nomeado pelo Governo, decidiu como acto consumado sem a ninguém prestar qualquer justificação. Esta triste situação trouxe um aspecto que confesso, considero bastante positivo: a manifestação de sábado à noite no hospital que juntou umas largas centenas de pessoas, o que se repetiu esta segunda-feira na praça da república.

Mas voltemos à questão. Este Conselho de Administração que tomou posse há um mês, vem claramente mandatado pelo governo para tomar medidas rápidas, sem estudos técnicos ou científicos que justifiquem o como e o porquê, sem dialogar com quem quer que seja, demonstrando uma enorme falta de respeito desde logo institucional pelos municípios abrangidos pela área de influência do centro hospitalar a quem deveria no mínimo ser dado conhecimento prévio e fundamentar estas decisões, uma vez que são os autarcas quem localmente representa o povo e perante o povo dá a cara. E não falo aqui apenas de Tomar, Torres Novas ou Abrantes, falo de todos os municípios abrangidos, como Ferreira do Zêzere, Entroncamento ou Ourém, entre vários outros.

Infelizmente, é compreensível que não o queiram fazer. Primeiro porque denota uma atitude cada vez mais recorrente de certos tecnocratas, infelizmente muitas vezes secundados pela demagogia corrente na nossa sociedade, de menorizar os políticos, aqueles que se sujeitam a eleições e que mal ou bem respondem perante as populações. É muito habitual estes senhores dos conselhos de administração se julgarem acima dos outros e acharem que não têm que se justificar.

Depois porque, como já antes afirmei, não há estudos que justifiquem estas decisões em contrário de outras. Que a existência dos três hospitais é um dispendioso erro difícil de suportar pelos cofres do Estado, penso que já todos reconhecem; que deveria existir um só hospital central em vez deste divido em três é também evidente. Nem vale agora a pena falar das razões que levaram a que existisse este erro. Ele existe e precisa de solução, e é assim óbvio, particularmente na situação que o país atravessa, muito culpa de muitos erros como este, que é preciso encontrar uma forma de racionalizar os gastos. Só que esta não é forma de fazer as coisas.

Claro que para Tomar existe outro problema e é verdade que não é de agora. Ele existe há mais de uma década e há década e meia que Tomar vem aos poucos sendo prejudicado uma vez que é claramente tido pelas sucessivas administrações como o elo mais fraco. Não se trata aqui de basear as opções nas questões técnicas e na tantas vezes chamada “ditadura dos números”. Não, não há números sérios que justifiquem estas opções e a permanente preterência de Tomar perante as outras duas unidades.
A verdade é que as sucessivas administrações têm visto Tomar como o elo mais fraco, o local mais fácil de fazer cortes, aquele onde os obstáculos sempre foram menores. E tudo isto porque, ao contrário de Abrantes e Torres Novas, há muito tempo que Tomar perdeu a capacidade política de defender o concelho e as suas gentes. Não é só nesta questão, tem sido constante em muitas outras.
Ao longo da última década e meia particularmente, temos tido responsáveis políticos, a começar nos presidentes de câmara, que não só não tiveram capacidade para defender os interesses de Tomar, como se estiveram mesmo a borrifar para isso.

Tomar é há bastante tempo um concelho sem qualquer capacidade de influência, apesar de até termos alguém que em certas alturas diz ser de Tomar, e nas campanhas eleitorais, especialmente na última, fez de argumento de campanha a grande vantagem que seria estar no Governo e o que isso traria de bom para Tomar. Estou naturalmente a falar de Miguel Relvas e do seu PSD.

O tempo para esta crónica não permite falar de muito mais, mas devemos ter atenção a isto: não estamos nesta questão apenas a falar da qualidade ou quantidade dos serviços prestados, estamos aqui mais uma vez como noutras matérias, a falar de mais um abate na débil economia do concelho. É que todas estas decisões se reflectem em mais ou menos postos de trabalho, mais ou menos fornecedores, mais ou menos pessoas a deslocarem-se a Tomar ou de cá a deslocarem-se para outros concelhos.

Depois, há claramente uma ideia por detrás destas medidas: enfraquecer, esvaziar até ao limite um dos hospitais, até se tornar evidente o seu fecho e consequente privatização para a mesma ou outra finalidade. E pelo caminho que leva, a decisão do Governo parece ser clara: o hospital a abater é o de Tomar.

Basta assim saber se, nesta como noutras matérias bem concretas e bem importantes, a população de Tomar vai continuar a ser como sempre tem sido, apática e alheada, ou se vai aproveitar a onda que começou no sábado, e começar a exigir mais respeito e trabalho sério por parte dos responsáveis públicos, sejam eles políticos ou técnicos convencidos que eles, é que são donos da verdade.

terça-feira, janeiro 17, 2012

O fim do ciclo

Com o novo ano (e uma nova configuração de blogue que há-de aparecer quando houver tempo) as minhas "notas do dia" na rádio Hertz vão passar a estar também aqui, podendo como sempre ser ouvidas em primeiro .Assim, enquanto amanhã é dia de nova crónica e cujo tema não é certamente difícil de adivinhar, a última nota do dia (4 de Janeiro) tem o título em epígrafe e é esta:

Iniciámos um novo ano, um ano que nas contas dos mais esotéricos, daqueles que acreditam em presságios, mitos, lendas e histórias antigas, apesar de tudo mal contadas, este ano representa o fim de um ciclo e o começo de um novo. E não o fim do mundo como alguns, mal, interpretam.
2012 promete ser um ano difícil para nós portugueses. Mais impostos, mais taxas, menos apoios sociais, mais dificuldades particularmente para os funcionários públicos.

Acabámos agora de saber que Portugal foi o país onde as medidas de austeridade mais aumentam as desigualdades sociais, ao contrário do que está a acontecer por exemplo na Islândia e na Irlanda, tidos já como bons exemplos. O que significa que há alternativas mais eficazes e mais justas, às medidas que o governo está implementar e que na minha e na opinião de muitos, só virão a agravar os problemas.
Acabámos também de saber que mais uma das grandes empresas do país, a proprietária dos supermercados Pingo Doce, transferiu a sua sede para a Holanda país onde a partir de agora passará a pagar a fatia maior dos seus impostos, o que nos deve fazer pensar por um lado na noção de responsabilidade dos empresários portugueses, mas por outro na falta de eficácia das medidas fiscais do nosso país.

2012 é também o ano que marca o fim da televisão analógica em Portugal, e o advento da televisão digital. Noutros países como a vizinha Espanha, onde o processo está mais avançado, esta alteração significa de facto um acréscimo de qualidade e serviços para os cidadãos. Em Portugal, como de costume faz-se tudo pelo básico, e por isso, pelo menos para já a alteração significa apenas o acréscimo de mais algumas despesas.
Na política, este ano teremos eleições presidenciais noutros países, alguns sem grande interesse para nós, como a Finlândia, o México ou a Venezuela. Outros com mais, como as eleições em Novembro nos Estados Unidos, ou mais ainda, em Maio em França, onde há a expectativa se Sarkozy consegue um segundo mandato ou sai, o que poderá ter implicações na forma, quanto a mim falhada, como está a ser conduzida a política europeia e as erradas opções de combate à crise que protegem os países mais fortes e prejudicam os mais desfavorecidos.
Na Alemanha, a economia que mais dita as regras na europa, sabemos já que os índices de emprego são dos maiores dos últimos anos, o que nos diz que a crise por lá não significa bem o mesmo que por cá. Além disso este ano marcará a abertura do novo Aeroporto Internacional Berlin-Brandenburg, o maior projeto de infraestrutura na Alemanha.

Por cá, demagogia política, populismo barato e muita desinformação, ditaram para já o afastamento do projecto do novo aeroporto que mais que uma necessidade para o país, é uma necessidade europeia para a ligação com a América e com África, e quem está a esfregar as mãos de contente é a vizinha Espanha que sempre ambicionou este projecto para si, a realizar algures entre Badajoz e Sevilha. E se Portugal não ganhar juízo, será mais uma onde nos passam a perna, por exclusiva responsabilidade própria.
Teremos este mais países, a Bulgária e a Romênia, a integrar o Acordo de Schengen, ou seja, a ver as suas fronteiras abertas e portanto mais cidadãos e mercadorias a circular livremente na Europa, com tudo o que de bom e mau isso acarreta.
No Desporto, em Junho teremos Campeonato do Mundo de Futebol, e entre Julho e agosto teremos Jogos Olímpicos em Londres 9 de Setembro.
Na cultura, a cidade de Guimarães será este ano (a par com Maribor na Eslovénia) capital europeia. E isto talvez lembre alguns tomarenses que há uns anos atrás, uma das aldrabices que tentaram vender aos eleitores nabantinos foi a hipótese da candidatura de Tomar a capital europeia da cultura, precisamente de 2012. Ideia que, como muitas outras avançadas pelos governantes do município de Tomar na última década, só serviu mesmo para engodo, porque nada, absolutamente nada, foi feito para a concretizar. Já Guimarães, como muito outros concelhos noutras matérias, meteu mãos à obra e foi bem sucedida. Aqui pelas margens do nabão fica-se sempre pela conversa da treta.

Em Tomar, 2012 também está a começar muito atribulado, estão finalmente a ficar completamente a nu, todas as mazelas, todas os disparates, todos os erros e todas as incapacidades da governação dos últimos 14 anos. Mas sobre Tomar, haverá tanto a dizer, que o melhor mesmo é deixar isso para outras núpcias.
Bom ano para todos!

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Pim-Pim

artigo escrito ainda na "ressaca" da grande noite de 17/18 de Dezembro, e publicado no Cidade de Tomar de 30.12.2011.

Fora do contexto, Pim-Pim é uma expressão que não quer dizer coisa nenhuma. Mas em Tomar, pouco haverá que consiga unir de forma tão emotiva um tão alargado grupo de tomarenses, essencialmente aqueles que, agora entre os 30 e os 50, tiveram neste espaço mítico das tardes e noites tomarenses, um local de encontro e convívio.
E com certeza ainda mais especialmente para aqueles que, como eu, lhe devem boas memórias da sua adolescência, que é a fase da vida que para o bem e para o mal, mais marca a personalidade da maioria dos seres humanos.
Este sábado, ou melhor dizendo, esta madrugada de domingo que passou, centenas de desses nostálgicos puderam reviver como numa espécie de máquina do tempo, esse período bom das suas vidas. Encontrar e partilhar num mesmo sítio, rostos alegres que não se reviam, tantos, há mais de uma década. Nesse bom espírito de comunhão, foi muito interessante verificar que até os donos e gerentes de vários outros espaços participaram na festa.
Que melhor prenda de natal e melhor forma de encerrar o ano podíamos pedir?
Não só vi a correr de Lisboa, como há anos que não esperava um par de minutos para entrar num qualquer espaço de animação nocturno, e pouco me faria fazê-lo. Mas até nisso foi um reviver do passado.
Esta noite saudosista que já tinha tido um ensaio numa das, e para mim a melhor, noites de animação da Festa dos Tabuleiros junto ao coreto, teve nesta madrugada um verdadeiro ágape de emoções e revivalismo.
Não me lembro a primeira vez que entrei no Pim-Pim nem que idade tinha, mas as primeiras vezes, ainda imberbe adolescente, foram seguramente nas matinés de sexta à tarde, num hábito que se haveria de tornar regular até ao fim do meu ensino secundário em 95.
Almoçávamos no antigo Texas ou outra tasca do género - talvez no Matreno ou mesmo na Casa das Ratas, bebia-se mais um copo no Lourenço ou no Noite e Sol, e paragem obrigatória antes do Pim-Pim, se ainda houvesse espaço o que nem sempre era fácil, os Passarinhos para umas garrafas de Mouchão que era preferência das raparigas, e por conta do efeito que lhes fabricava, era nossa também...
O Pim-Pim foi tão importante para estas gerações de tomarenses, como foram durante décadas anteriores, os bailes da Nabantina ou da Gualdim Pais por exemplo. Sinais dos tempos, o Pim-Pim fechou há uns anos. Como tudo tem um princípio e um fim, fica apenas as melhores e as piores memórias das coisas.
Que possamos agora continuar a reviver esses tempos com mais noites como esta. Tomar precisa, os tomarenses precisam.
A prova é que esta noite que passou, e que era já expectável pelos movimentos existentes nas redes virtuais, não foi uma grande noite apenas no Rio Bar, foi-o nos outros espaços de animação, foi-o também para muitos restaurantes, e genericamente para a noite da cidade que, citando um importante empresário local, “teve uma movida diferente!”.
E uma cidade que se diz querer ser de cultura e turismo, tem de ter muitas noites assim.
Esta fórmula, a do revivalismo, já descoberta por vários espaços noutros concelhos, há muito mostra ser bem sucedida, mas em Tomar há uma certa tendência para ignorar o que de bem se faz noutros locais, e permanecer conservadoramente agarrado a fórmulas gastas. Não é só na política e gestão municipal, é um problema transversal à nossa comunidade, por muito que a quem exerce funções públicas caiba dar o exemplo, a motivação, a inspiração. Parece estar no nosso ADN (mas não são os genes que os antepassados nos legaram), os tomarenses são de forma geral conservadores e apáticos.
Lula da Silva disse há uns tempos em entrevista, que o sucesso da sua política tinha consistido em fazer o óbvio. Em Tomar o óbvio é quase sempre ignorado.
Voltando ao concreto, o óbvio é isto, música boa (o bom é sempre subjectivo de acordo com o gosto de cada um, e relativo ao seu contexto pessoal, contexto esse sempre muito marcado por aquilo que ouvimos na adolescência) alta mas o suficiente para que as pessoas ainda consigam entender-se sem ser necessariamente aos berros. Bom ambiente. Boa animação.
Parabéns aos grandes DJ’s, parabéns a todos os que estiveram envolvidos na organização, parabéns à gestão do Rio Bar por acolher a iniciativa e ao restante staff (mesmo que um pouco aflitos, certamente por não esperarem tamanha adesão). E já agora, parabéns a todos nós da geração Pim, que não deixemos morrer a mística.
Faça-se mais.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

portugueses, emigrem

A minha crónica da passada quarta-feira na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode como sempre ser ouvida aqui.
Entretanto, alguns estão já a aproveitar a mensagem do governo português para aliciar os quadros portugueses a emigrar para os seus países.
Passos Coelho como lhe compete, pega em sua valise en carton e dá o exemplo... 









Não sei já quem me enviou as imagens por isso não faço referência, chegaram várias vezes ao email. Temos que rir um pouco, aliás, se não rirmos do que este governo anda a dizer e fazer, fazemos o quê?

terça-feira, dezembro 13, 2011

a pior câmara do mundo

A minha nota de dia 7 de Dezembro na Hertz, com o título em epígrafe, pode ser ouvida no sítio do costume.

Também por lá está a do dia 23 de Novembro, à qual aqui não tinha feito referência, intitulada “Requiem pelos nossos subsídios”.

A puberdade do PSD nabantino

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 9 de Dezembro

“Se não sabes para onde vais, então qualquer caminho serve - disse o gato à Alice.”
Lewis Carrol, em Alice no País da Maravilhas

Há dois anos atrás o PSD precisou encontrar quem lhe pudesse auxiliar na governação. Reticentes é certo, com muitas dúvidas sobre as mais que provadas incapacidades desses protagonistas, o PS aceitou ainda assim, com empenho, esse desafio e fê-lo com o comprometimento de, na procura dos melhores interesses para os tomarenses, o fazer no respeito para com os princípios há muito defendidos e as opções assumidas em compromisso eleitoral.
Só que o PSD e os seus autarcas a começar por Corvêlo de Sousa nunca compreenderam ou aceitaram ter perdido a maioria absoluta, e continuaram a governar como se a tivessem. E governar assim, mesmo se a tendo como aconteceu nos três mandatos anteriores, é governar mal! E com tantos erros acumulados ao longo dos anos, exigia-se ao menos a capacidade de aprender e querer mudar qualquer coisinha.
Ao invés, o PSD nunca aceitou sequer fazer aquilo que estando bem claro no acordo nem precisaria de estar pois é o mínimo que se exige em política: dialogar.
Passados dois anos sobre o início do atual mandato autárquico, e depois de toda a inaptidão, deslealdade, irresponsabilidade demonstrada pelo PSD na governação, era mais que tempo do PS dizer basta!
Ao longo destes dois anos o PS provou que há outras formas de estar e fazer na gestão da coisa pública, e que há outras soluções mais consonantes com as dificuldades e oportunidades que se colocam ao nosso concelho. Apesar de todos os entraves colocados, os vereadores socialistas demonstraram nas responsabilidades que lhe estiveram confiadas capacidade de decisão e trabalho, eficácia e transparência, responsabilidade e determinação.
Já o PSD, sem tão-pouco querer ouvir uma opinião contrária, cada vez mais fechados sobre si mesmos e sobre suas indecisões e divergências internas, é o grande responsável por uma sucessiva degradação da gestão municipal, a que acresce um evidente desfasamento para com as reais necessidades do concelho e o alheamento deliberado às dificuldades presentes.
É pena, e para Tomar é muito grave. Perdeu-se uma boa oportunidade para abrir um novo capítulo na gestão municipal, perdeu-se uma grande oportunidade de mostrar que a velha política do tudo contra ou tudo a favor consoante se está no poder ou na oposição não pode continuar a fazer sentido, e poder-se-ia ter mostrado que é possível fazer política de uma forma diferente, moderna, evoluída, apostando essencialmente no diálogo, na construção coletiva, na mitigação dos contrários e no reforço das ideias que unem.
Mas como disse Carlos Carrão (um dos principais protagonistas de todo este triste enredo de década e meia) ainda que se referindo a um só assunto na última Assembleia Municipal, “a Câmara Municipal não fez o seu trabalho”. Há muito que não faz e entre tanto mais, isso prova-se no contínuo crescimento da despesa e dívida do município, como se pode ler no documento de revisão orçamental que tentaram fazer aprovar mas que foi, muito bem, reprovado por todas as demais forças políticas. E a grande questão é, onde está legitimada a imensa dívida do município de Tomar?
À primeira vista até se poderá dizer: fez-se e está-se a fazer alguma coisa em Tomar. Sim, de todos os disparates anteriores, estão ainda as obras dos antigos lagares del rei/moagens da Mendes Godinho. Mas para quê, com que propósitos, com que meios para tornar aquilo útil? Não sei, não sabe ninguém…
Nem vale a pena repisar nas obras falhadas ou mal planeadas já tanto faladas e à vista de todos, falemos apenas do mais recente. Tanto que insistimos para que as verbas destinadas à terceira fase do flecheiro fossem alteradas para recuperação da vergonhosa situação do mercado. O PSD não quis.
O Polis foi em Tomar, como tanto mais, de uma extrema inutilidade e esbanjamento. Como estão as contas do Polis? Porque não estão fechadas? O que há aí ainda a revelar?
Onde estão os projetos de dinamização do centro histórico, de apoio aos investidores, de revitalização da economia local ou de incentivo à criação de emprego?
Quais são as medidas para apoio à juventude, ou para verdadeiramente fazer do turismo cultural uma aposta séria e estratégica, ou de envolvimento das enormes potencialidades do associativismo nabantino na capacidade de criação de emprego e desenvolvimento económico?
Nada, nada, nada, e se em mais falasse a conclusão seria a mesma, nada. E depois há ainda o Parque T e além dos milhões já lá gastos, os seis mil e quinhentos milhões que o PSD quer pôr o município a pagar à BragaParques, o que se acontecesse, levaria definitivamente o município à bancarrota.
Tudo isto não pode ser estranho para os tomarenses. Corvêlo e os restantes limitaram-se a seguir aquilo que têm feito desde 1997, e nas raras vezes que chegam a tentar justificar as suas falhas, usam as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre: porque foi o parecer dos técnicos, porque é o que a lei diz, porque é o que está no projeto, ou simplesmente, porque a responsabilidade é de outros.
Corvêlo de Sousa não tem nem nunca teve condições para exercer as funções que ocupa, e por isso o próprio PSD se mostra envergonhado em defendê-lo, sendo mais que sabido que desde o início deseja que saia. O grande problema é que os que o seguem na lista não são melhores, nem podem, se estão lá há tanto tempo e não aprenderam ainda…
Catorze anos na governação de um concelho é muito tempo. Mas em vez de sair da puberdade, o PSD nabantino continua sim preso à mesma teimosia infantil, visão limitada e a irresponsabilidade de quem julga que tudo pode fazer sem consequências.
O PSD tem tentado a tão subtil como falsa, estratégia de dizer que não tem nada que ver com estes autarcas como se não fosse responsável por os ter escolhido. Irremediavelmente sem retorno, não mais poderão tentar esse embuste. Há muito que afirmámos que se não mudasse de atitude, o PSD teria de carregar sozinho o menino nos braços. Essa realidade confirmou-se por exclusiva culpa de quem não soube trabalhar, e seria importante saber que soluções tem agora o PSD. Eu não tenho dúvidas em afiançar: não tem nenhuma.
A gestão do PSD com António Paiva foi ruinosa para o município e para Tomar. Criminosa é até provavelmente o adjetivo mais correto. A gestão do PSD com Corvêlo de Sousa continuou, de forma ainda mais atabalhoada esse rumo. O que pode fazer acreditar que, seja lá com que protagonistas for, de futuro o PSD poderá fazer diferente?
E ainda faltam dois anos para o fim deste mandato. Com a situação tão grave que o município atravessa, este é um daqueles momentos em que a coragem e a responsabilidade dos políticos deveria ser posta à prova. O PS acabou de dar um importante exemplo.
Tomar já perdeu muito tempo, Tomar precisa de eleições antecipadas, precisa de novos protagonistas.
Sei que as condições para que tal aconteçam são muito remotas. Seja com que justificações for, poucos se mostram desprendidos dos lugares que julgam seus.
Se tivermos mesmo que perder mais dois anos, ao menos que se tirem lições de todo este emaranhado de disparates.
Que os partidos, a começar no PSD, tirem lições na forma como escolhem as pessoas que colocam nas listas, e os cidadãos que passem a escolher melhor na hora de votar, que não olhem apenas ao símbolo do partido mas que olhem às pessoas que compõem as listas e aquilo que entendem ser as suas capacidades.
Que olhem para o projeto (não esquecer que em 2005 o PSD ganhou as eleições em Tomar sem sequer ter apresentado um programa eleitoral); e por favor (esta não devia ser uma condição, mas a realidade local tem demonstrado a sua necessidade), na hora de escolher, escolham pessoas que conheçam o concelho, que gostem de Tomar e dos tomarenses, que sintam os seus problemas e que queiram convictamente tentar resolvê-los.
A política e a gestão pública democrática devem fazer-se com base no diálogo, na discussão construtiva e na procura dos consensos alargados. Sei que do lado da alternativa possível a este estado de coisas, o PS, continuará como sempre a existir a capacidade crítica e a convicção das ideias, reafirmando-se incessantemente como a opção credível para trabalhar por Tomar e pelos tomarenses.
Embora muito austera a situação a que foi trazido, o concelho de Tomar terá sempre opções. Assim nos seja confiado demonstrá-las.
Lewis Carrol, autor que cito no início deste texto, disse bem que “as pessoas podem duvidar do que dizes, mas acreditarão no que fizeres”. Ora, em Tomar, do que diz e do que faz o PSD já todos temos obrigação de saber muito bem: fez muito mal, aprendeu muito pouco, não mostra qualquer vontade séria de querer mudar.
Estarão os tomarenses disponíveis para continuar a aprovar tão mau executante?

quinta-feira, novembro 10, 2011

quinta-feira, novembro 03, 2011

a ideologia escondida

A minha última nota do dia (de 26 de Outubro) na rádio Hertz, intitulada com a epígrafe acima, sobre algumas medidas do governo e as suas razões, pode ser ouvida como sempre aqui.

quinta-feira, setembro 29, 2011

participação

A minha nota de ontem na rádio Hertz, sobre o IPT como havia prometido, pode como sempre ser ouvida online.

Também online e na rádio Hertz, vista e ouvida pode ser a reunião de Assembleia Municipal que decorre amanhã a partir das 15h, como sempre no salão nobre dos paços do concelho (o que não quer dizer que tudo o que se lá passa seja sempre muito nobre...)

Pela primeira vez neste mandato não poderei estar presente pelo que serei substituido, mas para que não se comecem já a "magicar casos", diga-se que a razão da ausência se prende unicamente com obrigações profissionais desta vez prioritárias. (em todo o caso espero chegar a Tomar a tempo de ainda assistir um pouco).

Não deixo ainda assim de publicamente dizer que alguns assuntos são na minha perspetiva absolutamente obrigatórios para abordar no PAOD (período antes da ordem do dia), e alguns mereceriam até reuniões exclusivamente dedicadas a esses temas. São eles:
Centro Hospitalar de Tomar;
Instituto Politécnico de Tomar;
Destruição do alambor do Castelo Templário;
Dívida da Autarquia;
Insegurança/Criação do Conselho Municipal de Segurança

Para não falar dos temas recorrentes, como por exemplo o Orçamento Participativo que se está aprovado pela AM desde 2009, porque não está já a ser preparada a sua execução para o orçamento do próximo ano?
Ou, quando é que, como já várias vezes propus, as forças políticas começam de forma séria e responsável, corajosa e frontal como deve ser a política do séc.XXI, a discutir a fusão de freguesias no concelho de Tomar?

E por fim, não posso deixar de convidar todos os cidadãos com essa possibilidade, a assistir no local aos trabalhos do órgão que além disso, tem sempre reservado o último ponto da Ordem de Trabalhos para intervenções do público (na verdade deveria chamar-se "intervenções dos cidadãos", mas o nome acaba por estar apropriado porque aquilo às vezes parece um circo).
Se todos tivessessem a peocupação de participar mais nestas coisas, que remédio tinham os políticos que se portar melhor! Mas como a maioria dos cidadãos nem sabe o que se lá passa...

.