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sexta-feira, junho 21, 2013

"Direito e dignidade"

A minha crónica de quarta na Hertz pode lá ser ouvida ou lida na íntegra no esquerdo capítulo.

«É absolutamente incompreensível as opiniões dos que acham que, sim sim, têm direito à greve, desde que não prejudique ninguém. E de uma enorme hipocrisia os que acham que a greve de segunda prejudicou os alunos!
O que prejudica os alunos são as condições cada vez piores existentes nas escolas, a falta de recursos humanos e outros apoios, o aumento do número de alunos por professor havendo muitos casos de docentes com duzentos ou trezentos alunos; as propinas elevadas e os custos generalizados da educação cada vez mais elevados, e mesmo a falta de saídas profissionais ou um governo que diz à geração melhor preparada de sempre para emigrar. Isso sim, prejudica os alunos!
E mais importante que isso, prejudica todo um país e o seu futuro.

(...)
Já era evidente que o governo se está nas tintas para os alunos, e quer lá saber da legalidade, da equidade ou da igualdade de oportunidades. O que aqui se provou com esta atitude é que o governo quis vincar uma vez mais, não aos docentes mas a toda a sociedade, que não está para cedências, diálogos ou reivindicações, quis mostrar basicamente que, não adianta a contestação e a luta dos cidadãos, o governo fará sempre o que quer, contra tudo e contra todos, mesmo que contra milhares de cidadãos, ou contra a lei e contra os tribunais.
E é essa atitude, digo eu, que não podemos aceitar vindo de qualquer governante. E é por essa essência de dignidade e de limiar mínimo do estado de direito onde os governantes não se impõem aos cidadãos, mas respeitam-nos e representam-nos verdadeiramente, que acho que todos devemos continuar, e muito mais do que até aqui, a lutar.
A Liberdade e a Democracia são daquelas coisas a que costumamos dar valor quando não as temos. Por isso espero que tenhamos todos a noção de que já estivemos mais longe de as perder.»

sexta-feira, junho 14, 2013

Greve! Para que o país não pare.

Apesar de ser perigoso este tipo de argumentação - quem não quer fazer greve tem todo o direito em não o fazer (eu, regra geral, não faço, mas o governo ultrapassou todos os limites da razoabilidade) - não deixo de publicar este texto para contribuir com um pouco de luz sobre alguns comentários que oiço contra as greves.

«DECLARACÃO ANTIGREVE:

Eu,.............................................. , NIF . ..........................., Trabalhador/a da empresa.................................................,

DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.
QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,
EXIJO:

1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5 º. QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.

Alice Vieira»

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertz, pode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

sexta-feira, abril 26, 2013

Atribuir parte do IRS a uma instituição

«Numa altura em que está a decorrer o prazo de entrega da declaração anual do IRS pela internet vale a pena lembrar que os contribuintes podem ajudar as entidades da nossa região (instituições particulares de solidariedade social e outras) com a entrega de 0,5 por cento do IRS.

Esta iniciativa solidária não acarreta qualquer pagamento adicional de imposto.
Basta identificar a instituição que quer apoiar indicando o respetivo número de contribuinte na declaração de IRS, como por exemplo:
CENTRO DE ASSISTENCIA SOCIAL DE TOMAR - 500851557
CIRE – CENTRO DE INTEGRAÇÃO E REABILITAÇÃO DE TOMAR – 501226010
SOCIEDADE FILARMONICA GUALDIM PAIS - 501136380
SOCIEDADE RECREATIVA E MUSICAL DA PEDREIRA - 501794182
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA FREGUESIA DE PAIALVO - 503050180
CENTRO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE OLALHAS - 504405810
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE ASSEICEIRA - 503834254»
(informação retirada do Tomar na Rede)

No meu caso, há vários anos que atribuo a parte possível do meu IRS, à SF Gualdim Pais.

quinta-feira, novembro 15, 2012

já comeu fruta hoje?

Em Espanha, Portugal, Grécia, .....

Sou totalmente contra qualquer tipo de violência, nada resolve, muito pelo contrário.
E aquelas cenas ontem em frente à AR e arredores, produzidas por malta sem nada na cabeça e que não está nada preocupada em como está o país ou se tem trabalho ou não, e só deseja mesmo armar confusão, são absolutamente lamentáveis.

Mas daí a que a polícia carregue em tudo o que vê pela frente, leve preso quem entender, e não respeite os princípios básicos do estado de direito, parece-me perigoso.

E depois assistir ao Ministro da Administração Interna a mentir com todas as letras, afirmando categoricamente que não existiam polícias à paisana na manifestação, quando é óbvio que sim, e mal seria que não estivessem, também mostra a fraca qualidade destes tipos que nos governam - Quem não sabe mais, mente, e mente convicto.
Bom, por algum motivo, os polícias são os únicos que vão ser aumentados. Quando a democracia está em risco...


Aos sem hematomas no corpo, e aos outros... Bom dia!

Adenda - A ler: "O que a violência não pode esconder", o artigo de Daniel Oliveira, no Expresso.

quarta-feira, novembro 14, 2012

fura greves

Hoje, acho que pela primeira vez, sinto-me um fura greves.
A greve de hoje é justa - provavelmente como nenhuma outra greve geral das últimas três décadas.

Ainda assim, por uma questão de coerência, não fiz greve. Não concordo com, regra geral, a forma como se fazem greves em Portugal. São excessivas e quase sempre marcadas por outras agendas que não a dos trabalhadores; marcadas pela agenda dos partidos de protesto - e particularmente na minha classe profissional, os professores, isso tem acontecido demasiado.

E isso só faz com que, na prática, os efeitos da generalidade das greves acabem por afetar precisamente os que têm motivos para as fazer: os cidadãos em geral, as empresas e os seus trabalhadores, o país.
Os Governos, quase todos, acabam por não lhes ligar nenhuma importância, e ainda troçam dos grevistas.

Os sindicatos, muitos deles também muito responsáveis pelo estado a que isto chegou, deviam perceber que precisam mudar a sua forma de atuação, perceber que a greve é um direito muito importante, mas não um instrumento que se deva banalizar - quando exercido, deveria ser em último recurso, tendo sempre presente o equilíbrio entre os resultados e os prejuízos.
Deveria ser exercido de forma a que, quando acontecesse, tivesse a máxima eficácia e fosse efetivamente um cartão vermelho apontado a quem governa.
A greve não deve servir apenas para demonstrar descontentamento, ou as posições ideológicas de uma franja da população qualquer que ela seja. Para isso há muitas outras formas de manifestação que, sem serem limitativas a quem se manifesta, igualmente não limitam aqueles que o não desejam fazer.
Infelizmente é na primeira forma que os sindicatos pensam as greves, como mera forma de afirmação própria e de protesto, sem se importarem com quem afetam. E com muitos abusos para com os tais terceiros (veja-se por exemplo na CP).
E enquanto assim for, serão ineficazes, e regra geral, não alinharei nelas.

Por outro lado, regressando a hoje, a minha escola não está a funcionar. Comparecemos, talvez um décimo dos docentes, e porque também não vieram praticamente auxiliares, não podem ser lecionadas aulas. E dessa forma sinto que acabo por beneficiar na prática com a greve dos outros.
Isso não quer dizer que não vá aproveitar o dia para trabalhar, despachar papelada que por aqui é muita, ou não fosse esta uma daquelas escolas que, de acordo com a srª Jonet, não existe, uma vez que (diz ela "que não é política", e por isso pode dizer os disparates todos) não há miséria em Portugal.

Eu louvo todos os que fizeram greve hoje, mas infelizmente não penso que isto vá lá com greves. Pelo menos enquanto forem feitas com a filosofia de há trinta anos.

sexta-feira, novembro 09, 2012

a tiazoca e a caridade


Quando se colocam tiazocas à frente de instituições de apoio social dá nisto, confundir solidariedade com caridadezinha. E produzem-se estas afirmações espetaculares....


"vamos ter que empobrecer muito"
"vivemos duma maneira completamente idiota"
"estávamos habituados a comer bifes todos os dias"
"cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não temos miséria"
... entre outras pérolas de Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome.

A ler no arrastão, uma crónica de António Lobo Antunes, "os pobrezinhos" em dedicatória à tia Jonet.

sábado, outubro 13, 2012

a cultura manifesta-se


Hoje, na capital do império falido, muitos artistas mostram que os melhores são os que intervêm.
Arte é em primeiro lugar cidadania.

E eu com muita pena, tive de vir a Tomar este fim de semana.

quinta-feira, outubro 11, 2012

cidadania, saúde e pintura

Hoje pelas 15h, discussão em plenário na Assembleia da República, da petição acerca do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que desenvolvemos em comissão de saúde da Assembleia Municipal de Tomar, e que reuniu cerca de 7000 assinaturas e foi entregue em Março...

Logo a seguir e apenas uns metros mais abaixo, inauguração de exposição de pintura da nabantina Engrácia Cardoso, na galeria Corrente D'arte (Av. D. Carlos I, 109) pelas 18h30.

Engrácia Cardoso que está em dose dupla, pois inaugura amanhã pelas 18h na Casa dos Cubos em Tomar outra exposição. Para esta não devo conseguir chegar a Tomar a tempo.
Isto depois de ter inaugurado há dias outra em Guimarães. Uma nabantina a dar cartas na pintura nacional, com uma carreira cada vez mais consolidada, mesmo com as vicissitudes que a cultura atravessa, muito também pela falta de cultura e da noção da sua necessidade por parte dos responsáveis públicos.

quarta-feira, outubro 03, 2012

o congresso e os congressistas

Só pude estar no "1º Congresso de Tomar" organizado pela Casa do Concelho no sábado à tarde e, por razões que na minha opinião devem ser evidentes para quem desempenhe as funções de autarca, só assisti ao primeiro painel, precisamente o que tinha a participação da "vedeta" José Gomes Ferreira.

Como é evidente - e eu que sempre apelei nos sítios por onde passei, à participação e discussão coletiva dos problemas, sejam eles numa associação, num grupo de amigos, ou num município, não poderia dizer outra coisa - a iniciativa é de louvar.
Apesar disso, é natural que existam críticas a apontar, e só pode levar a mal que se façam críticas quem não tem vontade de melhorar ou verdadeiramente encontrar soluções para problemas.
Eu podia não dizer nada sobre o assunto? Podia, e provavelmente "ganhava mais com isso", mas como tenho ouvido tantos a comentar, não consigo deixar de dar a minha opinião.

Por isso, mesmo que vá contra a corrente ou o cinismo de quem só as aponta em sussurro, cá vai:
Relativamente à organização, desde logo o óbvio: querer discutir os problemas do concelho sem convidar devidamente aqueles que o fazem diariamente - os políticos - é evidentemente não querer realmente encontrar soluções, mas sim colocarem-se à margem. Se não todos, julgo saber que pelo menos a grande maioria, desde logo dos autarcas, não terá sido convidada - e não, convites pelo facebook não contam para estas coisas.

Há depois outras questões: foi comentado nos últimos dias por muita gente, de todos os âmbitos do espectro político e não político - aliás, foi praticamente o único comentário que ouvi a todos os que falassem do assunto - que parecem existir outras intenções na organização do evento, como a de, chamemos-lhes, "promover alternativas" para as autárquicas do próximo ano.
Bom mas, se é isso, um pouco por aquilo que disse em relação à organização e mais que não digo, não irão longe. Está tudo farto de iluminados aparecidos sabe-se lá de onde para resolver os problemas dos nabantinos. Um, talvez dos maiores, problemas dos nabantinos tem sido precisamente o de acreditar em salvadores da pátria, tipo Paiva e Relvas e companhia.
Se os tomarenses não encontrarem em si a resolução e melhor caminho para as suas causas e a sua terra, ninguém mais o fará, serão sempre soluções condicionadas a outras vontades.
E, é por demais evidente que, sejam quaisquer que sejam as vontades escondidas, ou mesmo que nenhumas, houve quem se tentasse por em bicos de pés neste evento. Como de costume, não convencem muita gente, e seguramente não por muito tempo.

Seja como for, nunca confundo instituições com a pessoa x ou y, e por isso repito, a Casa do Concelho de Tomar e os seus dirigentes estão globalmente de parabéns pela iniciativa a que devem dar sequência.
Mais, o público era diverso a muitos níveis e percebendo-se que estavam muitos com genuína vontade de discutir ou pelo menos ouvir, propostas de soluções sobre esta terra que definha.

Por fim, sobre a prestação do nosso conterrâneo economista, jornalista e aparentemente, político frustrado, podia comentar apenas isto: - mas porque é que quando uma personagem da TV diz um conjunto de banalidades a maioria as louva como se fossem geniais?!

Perceba-se que não tenho nada contra o senhor, pelo contrário, também costumo ouvi-lo, e apesar de não concordar com as suas teses ideológicas liberais - que o são! - reconheço a qualidade da intervenção mediática e a legitima vontade de denunciar aquilo que lhe possam parecer os podres da governação, no que toca a negócios menos claros feitos pelo Estado.
Mas, sobre a sua prestação neste evento, a verdade é a que referi. Pelo menos a sua intervenção inicial (a parte de resposta a questões do público teve um pouco mais qualidade e argumentação, particularmente nas vezes em que defendeu a SIC) foi, além de um ou outro ponto ideológico e de defesa do Governo (a que tem direito opinativo, mas que não deve ser confundido com factos), o restante foi um conjunto de banalidades e generalidades que qualquer pessoa minimamente formada e critica sobre o seu país deve saber dizer. E mais isso... não sendo importante, mas a sua intervenção baseou-se no país e não na anunciada discussão sobre Tomar.

E pelo meio ainda disse alguns disparates graves, como aquele evidente para quem perceba alguma coisa de gestão pública e ordenamento do território, que era a proposta de alargar para 70% do território a área de expansão urbana de um qualquer concelho para baixar preços de construção - o que significa basicamente que todos construiriam onde quisessem - e isso é não entender que precisamente muitos dos problemas do país, das autarquias e dos gastos públicos derivam de tal ter acontecido durante muito tempo e boa parte do nosso país ser uma manta de retalhos com quilómetros e quilómetros de redes viárias, e redes eléctricas, e redes de esgotos, e de recolha de lixos, e etc, etc, muitas vezes para servir uma só casa, e mais à frente outra, e lá ao fundo outra - e tudo isso pago pelos impostos que depois não chegam!


E já agora, só para nos entendermos sobre os conceitos, já que há por vezes por aí uma malta muito preocupada com as significâncias da linguagem, só uma nota final:
congresso |é| 
(latim congressus, -us) s. m.
1. Reunião de chefes de Estado ou dos seus representantes para tratarem de assuntos internacionais.
2. Reunião de peritos em determinada matéria para tratarem do que a ela interessa.
3. Reunião de delegados de um partido.
4. Câmaras legislativas.
5. Parlamento.

sábado, setembro 15, 2012

ai Portugal...


«Companheiros:
Não vou poder estar convosco na mobilização de 15/9 porque tenho o privilégio de trabalhar nesse dia. Mobilizo-me à minha maneira e digo o que tenho a dizer, sobretudo através das canções que escrevo. É urgente estarmos unidos, cada vez mais, por todo o pais, dizer firmemente "NÃO" ao inaceitável. Tem de existir um limite para tanta injustiça, tanta arrogância, tanta impunidade e tanto sofrimento para esta maioria que não pode continuar
a ser tão silenciosa. Não vale a pena falar dos agravamentos bestiais que pessoalmente me afectam, a minha sobrevivência depende essencialmente do público e esse está aflitivamente a ficar sem meios de subsistência. Sei que o desemprego vai aumentar, o número de desalojados e falências também e sei que este povo tem de gritar bem alto e em uníssono "CHEGA!" - para não perecer.»
Jorge Palma, um dos grandes

«Tornou.se evidente que é preciso intervir, que é forçoso dizer que Portugal não podia ter tido pior sorte nas elites que elegeu. Não que a Democracia não funcione, mas porque temos sucessivamente acreditado que o Poder não corrompe Homens e Partidos. Recusamo.nos a crer que possam usar a benção do nosso voto contra nós próprios, em proveito de interesses privados obscuros em que ninguém votou. Este sistema baseado no Capital puro tem o maior desprezo pela Democracia que tanto nos custou a conquistar: estamos a aperceber-nos, tarde, que o Capitalismo já não precisa do sistema democrático para impor as suas furiosas regras. Um jogo sujo em que conquistam o Poder, não porque os esbirros tenham sido eleitos, mas porque se apropriam das barrigas de aluguer daqueles em quem, em boa fé, votamos.

Sucessivamente, e desde que se perderam valores e ideologias na vida política, Portugal tem sido saqueado uma e outra vez por governantes cegos às mais básicas ambições e necessidades das populações. Não é demagogia: os bens públicos, aqueles que todos pagámos com os nossos impostos, são consecutivamente assaltados, retalhados, vendidos a privados em manobras que escapam ao controle dos cidadãos.

Assim, o Sistema Nacional de Saúde, que sempre garantira constitucionalmente assistência médica gratuita a todos os portugueses, foi esvaziado, desinvestido, por forma a dar prejuízo nas contas públicas e justificar assim a sua venda. Sucessivas Administrações incompetentes de Hospitais Públicos, nomeados por igualmente incompetentes governos, colaboraram neste esquema tendo em vista a alienação de equipamentos, que são nossos por direito próprio, a privados que nos cobram para obtermos cuidados que tinham que ser grátis.

No Ensino Publico, a degradação das carreiras docentes, programas confusos e contraditórios, fizeram dos alunos cobaias durante décadas. Assim se destruiu a dignidade de professores e se depauperou a rede escolar, uma área, também ela constitucionalmente, de acesso universalmente gratuito. Ao mesmo tempo, ajudadas e financiadas pelos mesmos governos, pululam no país instituições de carácter privado que esvaziam o sector público com resultados muitas vezes equívocos ou fraudulentos.

Na Justiça ganha quem conseguir empatar o sistema. E consegue empatar o sistema quem tem dinheiro. Mais do mesmo. Não se privatizam os Juízes porque seria, para já, escandaloso. Mas o processo para lá caminha se não soubermos a tempo defender os nossos direitos. A promiscuidade entre poder político e poder judicial é um sintoma vergonhoso e indigno para um Estado de Direito democrático. É o grande sintoma da corrupção que grassa, há gerações, entre nós.

Agora, e em vez de um Serviço Publico de Televisão que sirva abnegadamente o País com uma gestão pública cuidadosa e rigorosa, entrega.se de mão beijada o nosso equipamento, as nossas instalações, o nosso dinheiro aos ' privados' de sempre, para cumprir promessas feitas nos bastidores pré.eleitorais às clientelas políticas.
Este é o Governo que temos. Um Governo que prometeu mudar. Um Governo em quem muitos de nós votámos. Mas poderia ter sido o anterior, ou anterior a esse. Na falência ideológica, hipotecaram os nossos anéis. E agora querem arrancar.nos os dedos.

Portugal atravessa uma das piores crises da sua História. Mas não é a crise económica ou financeira que me preocupa. É a tremenda crise de valores, de respeito, de dignidade. Aquela que tão patente está nesta ultima comunicação do Primeiro.Ministro, esse sim eleito e a quem devemos pedir satisfações.
Um Primeiro.Ministro que encabeça um Governo que anda a reboque dos mercados, seja lá o que isso for, que consecutivamente ataca os mais básicos direitos de quem trabalha, de quem produz, de quem cria emprego, taxando ainda mais os já míseros salários e regalias. Um Governo que prefere fazer pagar os mais fracos e desprotegidos, os reformados, os pensionistas, os desmpregados, os jovens, beneficiando despudoradamente quem mais tem e mais deveria pagar, que tem insistido na degradação da mão.de.obra, como se o País fosse ser mais competitivo quanto mais baixo fosse o valor do trabalho.
Este é o Governo do nosso descontentamento, da chinezização do tecido produtivo, da mercantilização da Economia. A sua total insensibilidade para a verdadeira crise social que ajudou a aprofundar será um dia julgada pela História.

Para já compete.nos não calar a revolta que nos cresce diariamente a cada malfeitoria.
Fomos tolerantes e passivos. Escutámos e acreditámos. Mas perante a ignomínia deste assalto descarado, a coberto da crise e acicatada pelos ' privados' a quem permitimos que o País fosse entregue, chegou o momento de mostrarmos que Portugal tem voz, tem Futuro, tem o mérito de ser produtivo, único, apaixonado, resistente, lutador, tem a capacidade de se erguer, de ousar Sonhar apesar da mediocridade das ' elites'' em quem confia, malfortunadamente, o seu destino.

Este Governo teve o beneplácito da maioria. E é escudado nesse argumento que, perante um Presidente autista e uma maioria conivente, acabou de dar a última machadada no nosso mais elementar direito: sermos Felizes na nossa terra. É aqui, em Portugal, que queremos que os nossos Filhos cresçam e encontrem, também eles, o caminho dos seus próprios Sonhos. E se partirem, que seja por vontade. Nunca por necessidade. Nos já pagámos Portugal. Este País é, portanto, nosso. Sejamos então nós a mandar. Sejamos nós a mudar.»
Pedro Abrunhosa


sexta-feira, setembro 14, 2012

"que se lixe a troika"

Amanhã, 17 horas, Tomar.
Ajuntamento na praceta Raul Lopes (em frente ao antigo Colégio Nuno Álvares) e seguir pela Avenida Norton de Matos até à praceta Alves Redol (Rotunda)

mais aqui


sábado, agosto 11, 2012

os resquícios de barbárie que persistem

Aos poucos, "o mundo pula e avança", no sempre difícil caminho em direção a uma humanidade plena.

Sempre foi, sempre será, um caminho estreito e difícil desbravado pelo sempre minoritário grupo dos corajosos.

Parabéns Câmara de Viana do Castelo.

segunda-feira, junho 25, 2012

É que 'tá uma tourada!


Já não bastava andar aí uma malta no país a achar que a UNESCO alguma vez vai aceitar promover um espetáculo de tortura animal a património imaterial da humanidade, como agora chegou a moda de alguns municípios o fazerem à sua escala, como se fizesse sequer sentido, elevar tal degrandante aspeto da condição humana a património cultural e imaterial de interesse municipal.

E claro, já cá faltava que alguém quisesse imitar isso em Tomar. Chegou à câmara a proposta via grupo de Independentes, como se lê na rádio Hertz.
Usam os argumentos clássicos de quem não tem outros: a tradição. (tradição que em relação à tauromaquia, em Tomar nunca existiu no sentido de que envolvesse largo grupo de cidadãos, e o pouco que existisse já morreu há muito tempo, só que alguns ainda não se convenceram). Porque no ano tal aconteceu isto, porque no século tal aconteceu aquilo...
Ó meus senhores, em Tomar também se fizeram autos de fé, não querem antes recuperar essa "tradição"?!

"Cultura" e "tradição" não são salvo condutos para tudo. Interessa preservar o que o justifique, mas preservar um espetáculo que é praticamente o último resquício da barbárie que persiste como atividade ou evento no mundo dito civilizado - que não tem outro fim que o gozo do ser humano perante a tortura de um animal, espetáculo que subsiste essencialmente à custa dos milhões dos dinheiros públicos que entram por muitas vias, para garantir a abastança de algumas famílias, muitas com tiques de aristocratas, que ainda têm a lata de se achar moralmente superiores - não tem qualquer justificação numa sociedade moderna.
Quando muitos municípios em Portugal, Espanha, França e outros, estão a adiantar-se puxando para o futuro e para a dignidade, os países que mais tarde ou mais cedo farão o mesmo - abolir as touradas (em Portugal já haviam sido abolidas durante a governação de Passos Manuel no séc.19!) - há outros onde o conservadorismo, o confundir de conceitos, o achar que a "superioridade do homem" justifica tudo, incluindo continuar a puxar essas terras para o passado.

Sendo assim, vou propor que se façam umas lutas de galos no mercado, umas lutas de cães no pavilhão municipal que não serve para muito mais, e já agora umas queimadas de bruxas e hereges na praça da república. Entretanto na praça de touros, além das touradas, podiam fazer-se uns espetáculos em que se substituísse os touros por leões e ursos, só para a coisa ser mais genuína. Tradição por tradição, nada como ir mesmo às origens.

terça-feira, maio 29, 2012

a saúde que nos foge

o último comunicado da comissão de saúde da assembleia municipal de Tomar, de que este vosso amigo faz parte.

COMUNICADO À POPULAÇÃO
«A Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar reunida a 28 de maio de 2012 comunica à população de Tomar que esteve presente nos encontros realizados pelo Movimento de Cidadãos, nos dias 18 e 23 de maio respetivamente, assim como na vigília “PELA NOSSA SAÚDE!” em Torres Novas, organizada pela Comissão de Utentes do Médio Tejo, no dia 25 de maio.

A Comissão de Saúde da AMT, não fazendo parte da organização da concentração seguida de desfile, marcada para o dia 2 de junho de 2012, em Tomar, entende dever apelar a toda a população à participação em grande número nessa manifestação. Este apelo justifica-se pela continuação da exigência da suspensão imediata do Processo de Reorganização do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), processo que tem conduzido ao afastar de serviços dos utentes e à sentida diminuição da qualidade dos mesmos e que, no limite, poderá levar ao encerramento do Hospital Nossa Senhora da Graça.

A Comissão de Saúde da AMT informa ainda que continua a aguardar a discussão em plenário da Assembleia da República, da petição pública que reuniu mais de 7 300 assinaturas, assim como a entrega do relatório sobre o mesmo, a realizar pela deputada do distrito, Carina João.

A Comissão de Saúde da AMT informa também que continua a aguardar resposta ao ofício enviado ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, sobre as possíveis saídas de valências do Hospital de Tomar.

A Comissão de Saúde da AMT, por último, informa igualmente que aguarda reunião com o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Tomar.»

Tomar, 29 de maio de 2012

sexta-feira, março 09, 2012

"andam a brincar às touradas com o nosso dinheiro"

Um muito pertinente artigo de Tiago Mesquita no Expresso, com o título em epígrafe, que deve ser lido por todos, tanto por aqueles que sabem que a tourada é um resquício de barbárie, como por aqueles que acham que não.
Especialmente útil para perceber como, ainda para mais quando tanto se fala de crise, se gastam milhões de dinheiro público a financiar esse espetáculo de tortura animal chamado tourada. E o artigo fala apenas de pequenos exemplos...
Triste e bárbaro espetáculo aliás que, sem esses dinheiros públicos já não existiria.

.

tortura animal

Carta aberta do Movimento Internacional Anti-Touradas à deputada Gabriela Canavilhas, ministra da cultura do anterior governo. (E que apesar de ter sido minha professora no século passado, tem esse enorme defeito que é achar que tourada pode ser cultura. Não aprendeu nada...:)

"Exma. Senhora Deputada,

Aquando das suas declarações, em representação do grupo parlamentar do PS, relativamente à discussão da petição pela Abolição das Corridas de Touros em Portugal, foi proferida por si uma frase que consideramos espantosa. Se a memória não nos engana, a senhora afirmou e passamos a citar: "As touradas não foram instituídas nem por decreto nem por despacho e não devem ser abolidas nem por decreto nem por despacho".
As touradas não foram instituídas por decreto ou por despacho assim como muitas outras actividades não o foram, no entanto a crer nos historiadores deste país, as touradas mesmo não tendo sido instituídas por decreto ou por despacho foram proíbidas por decreto no reinado de D. Maria II.

O decreto do Governo de Passos Manuel (de 19/IX/1836) proibiu "em todo o reino as corridas de touros considerando que são um divertimento bárbaro e impróprio de nações civilizadas, e bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade".

A história está cheia de costumes/tradições (direito consuetudinário) que não foram instituídos por decretos, mas que foram proíbidos por decreto/despacho.
O que ontem era aceitável mesmo sem lei, hoje não o é e por isso tem que ser proíbido ou regulado por lei.

É comum a afirmação que as mulheres são seres mais sensíveis ao contrário dos homens. Não vamos discutir se tal afirmação é ou não veraz, no entanto podemos afirmar que no que a si respeita, a senhora não demonstra qualquer sensibilidade ou empatia quando se trata de outros seres que sofrem tal como nós. A sua frieza e o seu comportamento provam que a senhora não sente o mínimo de compaixão por ninguém. Não se sinta orgulhosa do seu discurso no parlamento porque se os taurófilos o consideram brilhante e já agora nas palavras deles leal, todas as outras pessoas sensíveis e empáticas consideram-no patético e desprezível. 

A senhora não foi eleita para defender os interesses de uma minoria, neste caso os taurófilos, mas sim para defender os interesses da maioria dos seus eleitores. Será que aqueles que a elegeram defendem touradas? Uma minoria talvez. Mas teria a senhora sido eleita se fosse isso que tivesse para lhes oferecer? Temos a certeza que ninguém a elegiria se soubesse que a senhora iria defender o indefensável.

As suas declarações são falaciosas quando afirma que a tauromaquia não recebe subsídios e é totalmente independente do Estado e são vergonhosas quando fala em liberdade e tolerância. A indústria tauromáquica recebe milhões de subsídios dos organismos públicos deste país e da UE e não adianta negar. Como exemplo o Governo Regional dos Açores entregou entre 2004 e 2010 mais de 2.700.000,00 milhões de euros a essa mesma indústria. É algo que a senhora deverá saber uma vez que foi entre 2008 e 2009 directora geral da cultura do Governo Regional dos Açores. 

Quanto à liberdade e tolerância que liberdade minha senhora? A liberdade de uns quantos se regozijarem com a tortura de um ser senciente? A tolerância de continuar a permitir um espectáculo que permite a tortura de animais? Minha senhora a sua liberdade e tolerância terminam no momento em que outro ser é impedido de ter a liberdade de não ser torturado.
Todos os animais à face deste planeta, não são objectos dos quais podemos dispôr a nosso belo prazer. Com eles compartilhamos este espaço e para com eles temos deveres e sim eles têm direitos por mais que seres supostamente iluminados como a senhora continuem a negá-los. Têm o direito de coexistir connosco e têm o direito a não ser torturados e posteriormente mortos num espectáculo público degradante. O seu discurso é de facto leal ao lobby tauromáquico mas é imoral e totalmente desprovido de ética.
Nunca é tarde para mudar mas algumas pessoas, como a senhora, persistem em viver no obscurantismo."

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

hora da verdade

foto rádio Cidade de Tomar
Amanhã pelas 8:00 da manhã, manifestação junto à entrada do hospital de Tomar.
Em dia de São Valentim, vamos todos namorar com o conselho de administração e o governo que o tutela....
Todos somos precisos para defender o que é justo.


E a propósito, a minha crónica de 18 de Janeiro na rádio Hertz, ainda não publicada por aqui:

“Hospital sem remédio” 
Para a crónica de hoje o tema não poderia ser outro: as conturbações que perpassam pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo e peculiarmente na unidade hospitalar de Tomar, isto após as anunciadas alterações que o recente conselho de administração nomeado pelo Governo, decidiu como acto consumado sem a ninguém prestar qualquer justificação. Esta triste situação trouxe um aspecto que confesso, considero bastante positivo: a manifestação de sábado à noite no hospital que juntou umas largas centenas de pessoas, o que se repetiu esta segunda-feira na praça da república.

Mas voltemos à questão. Este Conselho de Administração que tomou posse há um mês, vem claramente mandatado pelo governo para tomar medidas rápidas, sem estudos técnicos ou científicos que justifiquem o como e o porquê, sem dialogar com quem quer que seja, demonstrando uma enorme falta de respeito desde logo institucional pelos municípios abrangidos pela área de influência do centro hospitalar a quem deveria no mínimo ser dado conhecimento prévio e fundamentar estas decisões, uma vez que são os autarcas quem localmente representa o povo e perante o povo dá a cara. E não falo aqui apenas de Tomar, Torres Novas ou Abrantes, falo de todos os municípios abrangidos, como Ferreira do Zêzere, Entroncamento ou Ourém, entre vários outros.

Infelizmente, é compreensível que não o queiram fazer. Primeiro porque denota uma atitude cada vez mais recorrente de certos tecnocratas, infelizmente muitas vezes secundados pela demagogia corrente na nossa sociedade, de menorizar os políticos, aqueles que se sujeitam a eleições e que mal ou bem respondem perante as populações. É muito habitual estes senhores dos conselhos de administração se julgarem acima dos outros e acharem que não têm que se justificar.

Depois porque, como já antes afirmei, não há estudos que justifiquem estas decisões em contrário de outras. Que a existência dos três hospitais é um dispendioso erro difícil de suportar pelos cofres do Estado, penso que já todos reconhecem; que deveria existir um só hospital central em vez deste divido em três é também evidente. Nem vale agora a pena falar das razões que levaram a que existisse este erro. Ele existe e precisa de solução, e é assim óbvio, particularmente na situação que o país atravessa, muito culpa de muitos erros como este, que é preciso encontrar uma forma de racionalizar os gastos. Só que esta não é forma de fazer as coisas.

Claro que para Tomar existe outro problema e é verdade que não é de agora. Ele existe há mais de uma década e há década e meia que Tomar vem aos poucos sendo prejudicado uma vez que é claramente tido pelas sucessivas administrações como o elo mais fraco. Não se trata aqui de basear as opções nas questões técnicas e na tantas vezes chamada “ditadura dos números”. Não, não há números sérios que justifiquem estas opções e a permanente preterência de Tomar perante as outras duas unidades.
A verdade é que as sucessivas administrações têm visto Tomar como o elo mais fraco, o local mais fácil de fazer cortes, aquele onde os obstáculos sempre foram menores. E tudo isto porque, ao contrário de Abrantes e Torres Novas, há muito tempo que Tomar perdeu a capacidade política de defender o concelho e as suas gentes. Não é só nesta questão, tem sido constante em muitas outras.
Ao longo da última década e meia particularmente, temos tido responsáveis políticos, a começar nos presidentes de câmara, que não só não tiveram capacidade para defender os interesses de Tomar, como se estiveram mesmo a borrifar para isso.

Tomar é há bastante tempo um concelho sem qualquer capacidade de influência, apesar de até termos alguém que em certas alturas diz ser de Tomar, e nas campanhas eleitorais, especialmente na última, fez de argumento de campanha a grande vantagem que seria estar no Governo e o que isso traria de bom para Tomar. Estou naturalmente a falar de Miguel Relvas e do seu PSD.

O tempo para esta crónica não permite falar de muito mais, mas devemos ter atenção a isto: não estamos nesta questão apenas a falar da qualidade ou quantidade dos serviços prestados, estamos aqui mais uma vez como noutras matérias, a falar de mais um abate na débil economia do concelho. É que todas estas decisões se reflectem em mais ou menos postos de trabalho, mais ou menos fornecedores, mais ou menos pessoas a deslocarem-se a Tomar ou de cá a deslocarem-se para outros concelhos.

Depois, há claramente uma ideia por detrás destas medidas: enfraquecer, esvaziar até ao limite um dos hospitais, até se tornar evidente o seu fecho e consequente privatização para a mesma ou outra finalidade. E pelo caminho que leva, a decisão do Governo parece ser clara: o hospital a abater é o de Tomar.

Basta assim saber se, nesta como noutras matérias bem concretas e bem importantes, a população de Tomar vai continuar a ser como sempre tem sido, apática e alheada, ou se vai aproveitar a onda que começou no sábado, e começar a exigir mais respeito e trabalho sério por parte dos responsáveis públicos, sejam eles políticos ou técnicos convencidos que eles, é que são donos da verdade.

domingo, janeiro 29, 2012

quem nos trata da saúde: petição pública

Motivada pela reorganização apressada, lesiva e mal explicada que o conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo pretende levar a efeito, a Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar, mandatada pela reunião extraordinária de 25 de Janeiro, elaborou uma petição com o propósito de levar o assunto à discussão em plenário na Assembleia da República. Para que isso aconteça precisamos de um mínimo de 5000 assinaturas.
Todos devemos dar o nosso contributo.

Notas:
O documento com duas páginas, deve ser impresso no frente e verso de uma só folha e desse retirar as cópias necessárias.
Para ser válido, todos os signatários têm de colocar o seu BI ou CC.
As folhas, depois de assinadas, devem ser entregues o quanto antes a um membro da Comissão de Saúde, dirigente de qualquer das  forças políticas nabantinas, ou no correio do edifício da Assembleia Municipal de Tomar, Casa Manuel Guimarães (antiga biblioteca municipal).
Não é necessário completar todas as assinaturas de uma folha para a entregar.

Todos somos chamados e a todos compete passar a palavra.



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segunda-feira, outubro 03, 2011

um concelho de vanguarda

Não, não é Tomar infelizmente. Nós por cá andamos há muito na cauda de tudo.

Falo de Penela, que a partir da reunião de 30 de Setembro último da sua Assembleia Municipal, passou a ser mais um concelho português anti-touradas.
E o que é de salientar é que a moção foi aprovada com apenas uma abstenção e sem qualquer voto contra. 

"A decisão “demonstra civismo” e preocupação dos autarcas em defenderem “os interesses do povo de Penela” e do município", afirma bem o autor da moção.

Assim fossem todos os autarcas... e nem falo necessariamente de touradas. Há por aí umas Assembleias Municipais que aprovam ou não aprovam coisas que são de deixar envergonhados os apenas cidadãos desses concelhos, quanto mais aqueles que compõem as ditas assembleias que, curiosamente, parecem não ter vergonha alguma.

"Não importa se os animais são incapazes ou não de pensar. O que importa é que são capazes de sofrer"
Quando o filósofo Jeremy Bentham proferiu esta frase algures entre os séculos 18 e 19, referia-se aos animais tout court. Hoje, temos de alargar o conceito um pouco uma vez que há por aí muito a quem, a capacidade de pensar parece não ser minimamente distintiva dos demais animais...