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terça-feira, novembro 12, 2019

Todos somos Educação?

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 1 de novembro de 2019

“A criança gozará dos direitos […] reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação”
Princípio 1, Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1959

Decorreu na última sexta uma Assembleia Municipal temática, por requerimento do PSD, dedicada à Educação que, como se antevia, serviu para coisa nenhuma. Foi, como dificilmente não deixaria de ser, uma mão cheia de lugares comuns.
Reivindicam os eleitos do PSD na AM, por exemplo, que a carta educativa está desatualizada e deveria ter sido atualizada desde 2011. Pois eu digo que a carta educativa que está aprovada em Tomar é uma fantasia desde quando foi aprovada em 2008 – e digo-o desde então.
Veja-se a título de exemplo que esse documento prevê a construção de novas escolas nas Avessadas (duas!), Flecheiro e Machuca, além de em todas as então 16 freguesias.
E o que fez o PSD com essa carta educativa? Construiu uma escola em Casais com mais do dobro da capacidade que alguma vez poderia ter; uma EB23 (Nuno Álvares Pereira) claramente desnecessária como já o bom senso indicava e alguns como eu se fartaram de afirmar (e da qual tivemos que devolver 700.000€ aos fundos europeus por obras desconformes!), aumentando muito os problemas de excesso de instalações que agora tentamos resolver; ou uma EB1 (Raul Lopes), deixando o pré-escolar de fora nas mesmas velhas instalações.
Portanto, o interesse destes eleitos na carta educativa é uma falácia, uma brincadeira de crianças ou de quem quer tentar iludir os demais.
Leram algures umas coisas, que depois tentaram replicar, como o cruzamento com o PDM, como se existissem novas escolas para construir no horizonte de uma década; ou sobre a territorialização da educação, como se a Carta Educativa fosse solucionar essas questões ou dela estivessem dependentes.
Bom mas, e não vamos promover a revisão da carta? Vamos, no tempo e pelas razões definidas em conjunto com os demais 12 municípios do Médio Tejo, e não só porque o PSD local viu aí uma bandeira.
Alegam os eleitos do PSD que não há estratégia municipal na educação, falta de liderança, desnorte, e um conjunto alargado de chavões em jeito de “bota abaixo” que só podem mesmo significar um ato de contrição por aquilo que o PSD fez em boa parte dos seus últimos 16 anos de governação, ou não tivéssemos agora que andar a corrigir muitos desses despautérios. E já se sabe, é nestes casos muito mais difícil corrigir que fazer bem à primeira.
Dizem os eleitos do PSD que o Conselho Municipal de Educação não reúne suficientemente. Mas os factos são que foi comigo que os Diretores de Agrupamento Escolar, os Presidentes de Conselho Geral, os representantes do ensino privado (João de Deus), da Escola Profissional, das duas escolas de ensino artístico da cidade, e do Centro de Formação de Professores, por exemplo, passaram a estar presentes. Ou seja, porção significativa da comunidade educativa não fazia sequer parte.
Ainda assim, se há algo que detesto é fazer reuniões “para cumprir calendário”, é aliás dos principais problemas do país e da administração pública em particular. E, portanto, farei tantas reuniões quanto necessárias, desde que sirvam para algo. Reuniões em que se entra mudo e sai calado, fujo delas. Para bom entendedor…
Mas o que interessa é a ação concreta e aquilo que temos feito nestes últimos 6 anos e continuaremos a fazer:
Mais apoio na ação social escolar, nos transportes escolares, nas atividades oferecidas às crianças e no aumento de entidades locais que prestam essas atividades;
No diálogo, apoio e pagamento atempado às Associações de Pais. Aliás, não fomos nós que escolhemos este péssimo modelo (como alguns como eu na altura alertaram) que transformou as AP’s do nosso concelho em empresas, forçadas a ter contabilidade, quadros de pessoal, contratos com fornecedores… Mas somos nós que passo a passo o estamos a substituir, com diálogo e bom senso, à medida das necessidades de cada uma dessas AP’s;
Teremos em breve o Centro Escolar da Linhaceira terminado, planeado e projetado com a comunidade local para não existirem os erros do passado, e com isso deixaremos de ver no nosso concelho alunos a ter aulas em contentores;
Continuaremos a fazer diretamente, ou através dos fundos que anualmente transferimos para cada uma das juntas de freguesia, manutenção e pequenas obras regulares em cada uma das escolas de pré-escolar e 1ºciclo;
Continuaremos a reforçar muito além do que a Lei nos impõe, o pessoal não docente nas escolas, cerca de 160 funcionários que representam já um terço do total dos funcionários municipais;
E claro, também as decisões difíceis quando têm que existir. Por muito que custe é para isso que somos eleitos, para tomar decisões. Há salas de aula, há instalações a mais para os alunos existentes, e, portanto, vai continuar a ser necessário otimizar recursos e fazer as reformas que para tal se imponham. Sempre na lógica de com os melhores meios prestar o melhor serviço possível.
Afirmo-o há muito e, por mais que se tente negar, há sempre o momento em que a realidade se impõe. O problema não é de agora, e ainda vai piorar nos próximos anos. A taxa de natalidade é um dado objetivo, não é uma opinião.
Em suma, continuaremos a trabalhar com rumo definido, no calendário determinado e não no que nos queiram impor, com articulação com a comunidade educativa, com valores sociais e perspetivando sempre a boa gestão e a igualdade de oportunidades que a educação deve promover. Porque a educação é e será a principal base para ter uma sociedade mais justa e desenvolvida.


terça-feira, outubro 06, 2015

Rescaldo eleitoral

Agora que o frenesim  da campanha e dos seus resultados passou, algumas pequenas reflexões sobre a última contenda eleitoral, partilhadas com quem as quiser:

- Cada vez mais se prova que campanhas nacionais se fazem pelos media nacionais, e pouco relevante é o que se faça a nível local (ainda que cada pequeno universo possa ter influências do seu contexto).
Por exemplo, o PSD-CDS praticamente não andaram na rua, e quando o fizeram quase sempre em cenários controlados, e no entanto foram os mais votados.
O resultado do BE, não ignorando o bom trabalho de Catarina Martins e Mariana Mortágua (que conseguiram fazer esquecer algumas saídas) e a capacidade de eliminar qualquer outro "ruído", por contraponto ao cansaço e à imagem de mais do mesmo em relação à CDU e aos demais, não deixa ainda assim de ser a prova de como os media determinam o pensamento geral "do povo".

- As sondagens, ou a espécie de sondagens que foram surgindo em catadupa (e que aliás deviam ser fortemente regradas, a bem da democracia) provaram para que servem: condicionar o pensamento geral. Tornou-se evidente a ideia, por essas sondagens criada e veiculada pela comunicação social particularmente na última semana, que a coligação tinha ganho antes de o ter e que o PS não tinha qualquer hipótese.
Até o Ricardo Araújo Pereira ajudou...

- É mais que tempo de mudar a forma de fazer de campanha. Muitos dos estrategas continuam delinear campanhas como se estivéssemos em 1974...
Comícios onde todos os que lá estão são arregimentados, visitas a mercados, e coisas do género, que não valem um voto e por vezes ainda retiram.
É preciso acabar com os desperdícios financeiros e "ruidosos" das campanhas: Outdoors, merchandising, multiplicação de panfletos, etc, que também não valem votos antes pelo contrário.
Estive na Alemanha nas últimas eleições regionais desse país. Pensam que lá se gasta como cá?!
E claro, falar de mais e sobre demasiados assuntos prejudica qualquer campanha.

- Sobre o falar demais... há muito se provou que, como nos policiais americanos, tudo o que se diz pode ser usado contra nós, mas há muito quem teime em não aprender com isso. Que o diga por exemplo António Costa e as vitórias por poucochinho...

- Gerir a estratégia das redes sociais, nomeadamente o fcbk. Bom, isto era toda uma dissertação. Digamos apenas que, menos seria mais, e que era tão bom voltarmos ao tempo em que os telemóveis serviam apenas para telefonar... A vaidade e a ligeireza com que se colocam fotos e fazem afirmações irresponsáveis...

Está provado há muito, lamentavelmente, que programas eleitorais dizem pouco aos portugueses. O PS andou durante meses a preparar um programa que apresentou devidamente. A coligação quase não tinha programa, mas um conjunto de promessas do Governo que foi pondo na rua na fase final de campanha. Mais, o PS deixou que o seu programa se tornasse assunto de campanha, ao contrário de quem estava em juízo, a coligação.
(temos exemplos nabantinos que mostram o mesmo, por exemplo, o PSD ganhou e por maioria absoluta a câmara municipal em 2005, sem apresentar qualquer programa eleitoral).

- A coligação de direita foi a mais votada, mas muito longe de ter ganho, uma vez que mais de 63% dos eleitores votaram noutros partidos, na sua maioria de esquerda (falta ainda fechar os resultados da emigração). Ou seja, leiam-se os resultados ao jeito de cada um, facto é que a maioria dos votantes manifestou estar contra a política seguida nos últimos anos.
E, curiosidade interessante, PSD e PS têm o mesmo número de deputados.

- Como costume, o partido mais votado foi o dos abstencionistas, batendo um novo recorde. E depois reclamam. Mas os partidos também não querem tirar ilações...
Sobre isso, apesar do resto, há muito que urge a necessidade de implementação do voto eletrónico. Estou convencido que a abstenção reduziria drasticamente se - e o voto eletrónico permitiria isso - em vez de ter de ir à sua mesa de voto, o eleitor pudesse votar em qualquer uma no espaço do território nacional. São muitos os milhares de portugueses deslocados no território e que por várias razões não têm hipótese de ir votar. O que é muito diferente dos que se estão nas tintas.

- Como no país, também no meu partido parece existir dificuldade em aprender com os erros. Ainda não está o fogo totalmente rescaldado, e há já malta a querer novas fogueiras.

Duas notas mais locais:
- As eleições devem ser feitas em torno de ideias e projetos, mas não deixo de salientar com tristeza a não eleição do nabantino Hugo Costa. Ainda assim, o futuro ninguém o sabe.
- O resultado na freguesia da Sabacheira, onde sabe-se-lá porquê o PSD nabantino muito tem investido, foi positivo para o PS, o que prova mais uma vez naquela freguesia que não vale tudo na política, e que a politiquice mesquinha e mentirosa mais que dar resultados, denuncia e castiga quem a faz.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Ofensas&Galhardetes

Assinalam-se hoje os primeiros 4 meses de mandato da atual Câmara Municipal de Tomar, da qual muito me honra fazer parte.
Durante estes quatro meses pouco tenho tenho dito publicamente. Não é por acaso, mas por entender que a quem governa, compete mais ouvir que falar (que é diferente de comunicar), fazer que propor.
Além disso, as áreas em que tenho responsabilidade mais direta - Educação, Ação e Habitação Social - entendo-as como precisando de contenção, descrição, planeamento, diálogo construtivo "fora dos holofotes" com as muitas entidades envolvidas nesses setores.
Mais, cada um tem o seu estilo e, no exercício de responsabilidades de gestão, este sempre foi e será o meu.
 
E, durante estes 4 meses, até ontem, no mesmo espírito de contenção, não proferi uma só palavra, fosse nas reuniões dos órgãos, fosse na comunicação social, fosse sequer nos meus espaços pessoais que são este blogue e a página facebook, sobre o trabalho da oposição.
Trabalho esse que entendo difícil e meritório. Com muitas horas, dias, semanas, anos de labuta com muitas perdas a diferentes níveis desde logo o pessoal, e quase sempre sem sequer a recompensa mínima que é o reconhecimento da valia desse esforço.
E bem sei do que falo, durante mais de uma década em Tomar estive na política (muito!) ativa, sempre na oposição.
 
Ora, por isso mesmo bem percebo da dificuldade que o PSD está a sentir, e é notória. Mas como diria o outro é da vida. Ela é mesmo assim, feita de ciclos e repetições de ciclos.
Ora, vem isto a propósito do infeliz comentário (todos temos dias maus) que o meu caro companheiro de percurso político (companheiro no tempo, mas enfim, sempre em campos opostos), vereador e presidente do PSD local, João Tenreiro, fez ontem em resposta a uma intervenção minha acerca da postura do PSD, instando-me a qualquer coisa como me abster, ou não voltar a atrever, ou coisa assim, a comentar as declarações ou as posições de voto suas e do seu partido.
Ora, porque na reunião de câmara poderia não ser suficiente público e definitivo, e para que fique bem claro que penso sempre antes de proferir afirmações, cá vai a minha resposta:
 
ERA O QUE MAIS FALTAVA!
Direi, opinarei, comentarei, criticarei, sugestionarei, tudo aquilo que BEM ME APETEÇA, como sempre fiz.
E, se bem que (a experiência ensina-nos) não diga tudo aquilo que penso, o que digo é sempre o que penso.
Também falho, também erro, como todos, e aqui ou ali, em tantos anos de exposição pública com certeza já terei, levado pela exaltação ou revolta de um qualquer momento, exagerado em alguma crítica ou comentário. E não tenho como já muitas vezes confirmei, qualquer problema em reconhecer um erro e pedir desculpa por isso.
Não foi seguramente o caso ontem.
Ontem, fi-lo da mesma forma que sempre tento fazer, com responsabilidade e ponderação, tentando compreender as perspetivas contrárias, aceitando-as concordando ou não com elas, sem ofensa ou crítica fácil mas sim de forma que tento sempre ser construtiva e mesmo pedagógica.
 
Voltando ao ponto, o senhor vereador até me acusou de ter sido sarcástico, que é coisa que, sim, por vezes gosto de ser numa perspetiva de levar a vida com algum humor, mas que estou bastante convencido não ter sido ontem. Mas já agora aviso, sim, no que resta deste texto talvez venha a ser.

Mas então, que comentário fiz eu que levou a tão grande ofensa e inflamada declaração de propriedade divina, de quem se entende acima de comentário dos mortais?
O PSD acabava de votar contra a aplicação do regulamento de apoio ao associativismo por parte da atual câmara, que recordo novamente, completa hoje 4 meses de mandato, regulamento esse aprovado no mandato anterior e assim em aplicação desde 2011, apenas com os votos favoráveis do então partido que detinha o poder, o PSD!
Bom, após 4 meses  de reuniões de câmara e assembleia onde uma aparente amnésia súbita e fulminante, em que o agora opositor PSD tem votado contra tudo o que é importante; 4 meses de crítica fácil, de prospostas por vezes irrealistas e de quem parece nunca ter estado na governação e desconhecer as suas condicionantes, particularmente derivadas do estado em que deixaram as coisas, dizer como eu disse, que é estranho ver o PSD votar contra a aplicação de um regulamento que o próprio criou e igualmente aplicou, quando o atual mandato ainda mal começou, parece sarcástico e assim tão ofensivo?!

Que fique claro, sublinho, o papel da oposição é determinante em democracia, e uma oposição forte, construtiva, organizada é muito importante, até porque obriga a quem governa a fazê-lo melhor, mas francamente (lá vai o senhor vereador ficar chateado) se continuar a fazer como tem feito, quem é que se vai preocupar com a oposição?!

Bem percebo, percebemos todos, esta tentativa assumida de querer dizer que nada têm que ver com o passado, que não estão obrigados ou comprometidos com ele, e que só lhes interessa o futuro, nem que seja para propor castelos e utopias, ou as mesmas propostas que nós socialistas propusemos ao longo dos anos;
mas, convenhamos, o atual líder do PSD é-o há cerca de três anos, ou coisa que o valha, e antes disso era vice-presidente do partido. Ao longo dos 16 anos de governação do seu partido foi autarca na Assembleia Municipal e na 2ª maior freguesia do concelho, período durante o qual não se ouviram críticas suas à governação. Mesmo agora, não se tem ouvido publicamente nenhum reconhecimento do estado em que essa governação deixou o Município e o Concelho;
e, nas últimas autárquicas das quais resultou a sua eleição como vereador, foi o número 2 da lista encabeçada pelo anterior Presidente de Câmara que é tão somente o político nabantino que mais tempo esteve em funções políticas a tempo inteiro no município de Tomar.
Por isso, convenhamos, quem é que devia ter mais cuidado com o que diz?
 
Concluindo, tenhamos todos mais contenção no que dizemos. As dificuldades do Município são muitas, e dos munícipes ainda mais. Há muito trabalho sério a fazer, não nos percamos com questiúnculas que aos cidadãos nada dizem, e saibamos todos, a cada dia, questionar-mo-nos sobre que matérias valem realmente o nosso esforço, e sobre aquilo pelo qual vale mesmo a pena lutar.

As contas, fazem-se no fim. Para todos, na política e na vida.

quinta-feira, outubro 17, 2013

das eleições, das razões, e do mau perder

Sede do município nabantino (foto: Rádio Cidade de Tomar)
Aproveitando o facto deste blogue andar muito depauperado (por falta de tempo e vontade), e sentir dever deixar uma análise pública da minha leitura pessoal sobre as últimas eleições autárquicas, aqui fica então, hoje que é o último dia oficial do mandato 2009/2013, uma ainda assim pequena e pouco aprofundada análise, que não me apetece dizer mais que isto, sobre as eleições autárquicas no concelho de Tomar.

Os resultados eleitorais desta última contenda mostraram algumas coisas que a mim já me pareciam óbvias mas que agora parecem ter sido provadas.
Estas últimas eleições e a escolha dos eleitores, desconfiados e pouco motivados pela gestão local e nacional, cada vez mais descrentes dos políticos em geral, foi muito feita com base no «quem comete menos erros», e claramente o PSD e os IPT cometeram muitos.
É dos livros, o poder raramente se ganha, quase sempre se perde, e o PSD perdeu claramente. Pelas políticas e gestão errada e sinuosa destes dezasseis anos e pelo desgaste inerente, mas também muito por erros mais concretos.
Não falarei da composição das listas porque nesse capítulo ninguém está imaculado, mas a escolha de Carlos Carrão foi objetivamente um erro. Bem como a sua ligação a Relvas e a imposição à estrutura local (que em todo o caso rapidamente aceitou tudo como se tudo fosse normal);
As mentiras sucessivas, que começaram ainda antes do início deste mandato, quando todos sabiam que Corvêlo sairia a meio e no entanto negaram sempre o que depois se confirmou. Mas também muitas das que tanto Corvêlo como depois Carrão tentaram fazer passar.
Bem me lembro de Corvêlo a “jurar” em Assembleia Municipal que, claro que sim, claro que existe projeto museológico para a Levada – e hoje, quatro anos depois ainda ninguém o viu; ou Carrão a afirmar que tinha um parecer para poder candidatar o Município ao PAEL mesmo depois de chumbado em AM, entre várias outras. Foram tantas e quase regulares, que até parecia que mentir era normal, mas não o pode ser.
E depois esquecem o básico, os provérbios não existem por acaso, a mentira tem perna curta.

E os erros da campanha propriamente dita. O PSD, ou muitos nele, mostraram ter perdido a noção da realidade pela maneira como acreditaram que, particularmente a Câmara e a Freguesia da cidade estavam ganhas. Presunção cada um toma a que quer...
Mas no caso da Freguesia da cidade junta-se outro erro claro, e além disso eticamente deplorável. A forma como tentaram fazer passar para uma parte significativa do eleitorado, a ideia de que o candidato seria na verdade o ainda presidente António Rodrigues e não o real candidato Rui Costa. Ora, a maioria das pessoas, ao contrário do que alguns políticos pensam, não gosta de ser enganada.

Depois, além de mais, provou-se que:
Não adiantam grandes parafernálias de outdoors, como fez a lista “independente” (quantas largas dezenas seriam mesmo, espalhadas pelos recantos mais ínfimos do concelho?!);
Não adiantam as promessas de última hora de novas obras, investimentos e outras fantasias, ou obras apressadas e mal planeadas feitas quase no próprio dia das eleições;
Não adianta o folclore exagerado da campanha, como ter carros de som a correr a cidade o dia inteiro, todos os dias, ou ter o presidente de câmara a visitar lares ou candidatos seniores a distribuir jornais à porta de escolas;
Tudo isso e mais, não adianta nada como, estou totalmente seguro, só provoca e hostiliza a grande maioria dos eleitores, que não são os tolinhos que alguns políticos deles julgam.

Sobre as vitórias, do PS não falarei para não correr o risco de não ser isento, ressalvando apenas a mais que justa vitória de Augusto Barros e da sua equipa na freguesia da cidade. Os eleitores fizeram “justiça pelas próprias mãos”.
(Ressalvo também uma certa tristeza pelo que aconteceu em Além da Ribeira/Pedreira, onde uma lista independente apareceu apenas para dar a vitória a quem não a teria de outra forma. Mais um embuste)
Sobre a CDU e Bruno Graça em particular, que são vistos como grandes ganhadores, digo também apenas isto: sim, elegeram um vereador, mas uma análise fria mostrará que tiveram apenas mais 160 votos que há quatro anos atrás. Milagres do método de Hondt.

E por fim, vem o mau perder de alguns. A confirmar-se, é mais uma para mostrar que não, nós nunca podemos pensar que já vimos tudo por mais anedótico que seja. Parece que hoje o PSD e os IPT vão anunciar uma espécie de coligação. Mas uma coligação para quê? Uma coligação da oposição? Em torno de quê, de estar contra?!!
Os umbigos e o mau perder são um veneno poderosíssimo que tolda as mentes dos mais desesperados. Todos sabíamos que (tal como já o faziam) o fariam na prática, mas anunciá-lo?! Parece que estamos mesmo a viver numa dimensão qualquer surreal onde impera o disparate, não basta o que ouvimos todos dias do governo, parece que localmente para o PSD e também para Pedro Marques, o buraco em que ficaram não é suficientemente fundo.

E amanhã, tomada de posse da Assembleia de Freguesia da cidade onde se anuncia que poderemos assistir a mais algumas demonstrações desse umbiguismo e mau perder. Aguardemos.
E sobre eleições da minha parte estamos conversados. Agora é hora de trabalho.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

hardcore

Estava eu para glosar o "óscar" para a Érica Fontes (óscar é como quem diz, o prémio XBIZ para a melhor atriz pornográfica do ano) quando vejo que o Luís Ferreira já abordou o assunto no seu blogue.
Pertinente a abordagem, mas quanto a mim o vereador não apanhou todos os ângulos da notícia.
A mim, parece-me que este prémio para a Érica é também prova do sucesso da política de emigração do governo de Passos e Relvas. - "Emigrai jovens, fazei a outros lá fora o que vos fazemos cá dentro!"...
Conciliando isto com a notícia que o Leonardo Jardim, que estava a treinar o Olimpiakos liderando o campeonato grego com 10 pontos de avanço, foi despedido porque andava a dar treinos particulares à mulher do presidente, está visto qual o grande desígnio dos portugueses para o séc.21!

Continuando a falar em pornografia... Paulo Júlio demitiu-se das funções de secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa em resultado da acusação pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em concreto por ter, alegadamente, favorecido um primo num concurso para chefe de divisão no município de Penela onde era Presidente de Câmara.
Ora, lembram-se quem é este senhor? Ainda há dias falei nele, é o senhor que autorizou ilegalmente o pedido de empréstimo da câmara municipal de Tomar, ilegal porque reprovado pela assembleia municipal.
É o costume, a malta que julga que é dono e senhor das instituições e que a lei só se aplica aos outros. No governo e nas autarquias ainda há muito disso. E em Tomar então!...
Mas acaba, e mais tarde ou mais cedo as responsabilidades apuram-se.

A este caso acrescem outros contornos, nem podia deixar de ser. Leia-se este trecho para se perceber como isto gira sempre em torno dos mesmos protagonistas e dos seus métodos:
«A participação formal ao Ministério Público foi feita pela IGAL em Julho de 2011, poucas semanas depois de Paulo Júlio ter integrado a equipa do ministro Miguel Relvas, assumido a pasta de secretário de Estado da Administração Local. A IGAL era então liderada pelo juiz desembargador Orlando Nascimento. Dois meses depois, o gabinete de Miguel Relvas emitia uma nota determinando a cessação de funções do inspector-geral alegando "quebra de lealdade institucional".» no Público.

terça-feira, janeiro 22, 2013

a Lei e a lei ao jeito

foto do Público
Paulo Júlio, atual secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, foi acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em circunstância que remonta ao tempo em que era presidente da câmara de Penela. (no Público)

Entre mais, a notícia releva porque foi este senhor quem autorizou recentemente o empréstimo aprovado ilegalmente pelo município de Tomar, e em cuja palavra o presidente da câmara nabantina tanto confia que até a "confunde" com um parecer jurídico.

Chamo a atenção de quem na câmara e assembleia nabantina continua a aprovar de cruz e de cor, e a ignorar que o tempo do regabofe vai terminando, e que as leis mais tarde ou mais cedo fazem-se cumprir.

A notícia deve ser lida, até para se perceber que em todas estas matérias, de uma forma ou de outra, lá se sente a santa mão do senhor....
Do sr dr Relvas, claro.

domingo, janeiro 20, 2013

"a candidatura do sistema"

A minha crónica da última quarta na rádio Hertz, sobre a candidatura de Carlos Carrão, PSD, a presidente da câmara municipal de Tomar e as reflexões sobre os últimos 15 anos que a mesma impõe, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

curtas

foto de Tomar a dianteira
- "Carlos Carrão diz que investimento na tenda [do mercado] «não foi dinheiro mal gasto», lê-se na Hertz. Mas no entanto vai fazer agora o que o PS propôs e foi aprovado a tempo de evitar o fecho pela ASAE em 2010, obras básicas no mercado.
Então os milhares que foram gastos na tenda, outros equipamentos, pessoal de segurança e mais foram para quê?!
Podiam, como alertá-mos, ter sido evitados!
É esta a capacidade de gestão e planeamento existente no município nabantino.
Vergonha!

- É oficial, Cavaco Silva promolgou a lei de extinção de freguesias. E sem equivalências, Miguel Relvas conseguiu o seu grande objetivo. Mesmo que muito triste na forma, já tem na história do país uma página assinada por si.

- Se é dos cada vez menos portugueses que ainda tem trabalho pelo qual aufere um salário, pode depois de descarregar esta tabela, verificar quanto mais o Estado lhe vai "desviar".

- Nos EUA surge, sinal dos tempos, a primeira biblioteca sem um único livro. Lê-se no Público.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Carlos Carrão, a candidatura mais que anunciada

O cabeçalho das crónicas de CC no Cidade de Tomar em tempos idos
É já definitivo aquilo que era evidente para quem percebe alguma coisa do funcionamento dos partidos e particularmente de como funciona o PSD e a sua concelhia local. Carlos Carrão será o seu candidato a presidente da câmara nabantina.
Apetece dizer, nunca me engano e raramente tenho dúvidas, como dizia o outro.
E agora, como ficam os dirigentes locais sociais democratas que sempre negaram a evidência?
Aqueles que diziam (e me diziam em privado): jamais, nem pensar... e eu retorquía: pois, pois, vai uma aposta?

Carlos Carrão tem um historial longo que convém recordar, ele é mesmo o político há mais tempo no poder em Tomar:
Vereador desde 1997, já teve pelouros vários, entre os quais o das obras municipais, e sempre, a responsabilidade pelas finanças locais.
Ainda sem ser conhecido como político foi, sem ter de explicar como para quem nessa altura andou minimamente atento, o grande empreendedor e talvez o principal obreiro por si só, daquela que viria a ser a chegada do PSD e António Paiva ao poder.

Apesar disto, e até a presidência lhe cair nas mãos a meio deste mandato (como ainda antes do mandato se iniciar já sabíamos que aconteceria, apesar de ter sido sempre negado - a propensão pela mentira já vem de longe) nenhuma causa, nenhuma bandeira, nenhuma obra ou acção em particular lhe é reconhecida. Sempre foi como quase todos os que passaram pelas governações de António Paiva, submisso e silencioso.
E assim foi também durante os quatro anos de Corvêlo de Sousa. Basta recordar o triste episódio em que este decidiu sem passar cavaco a ninguém, sabe-se lá inspirado porque vontades, chegar a acordo com a empresa ParqueT no capítulo final duma novela longa, capítulo este que só por si adicionou 6,5 milhões de euros às dívidas da autarquia.

A única acção consistente reconhecida a CC ao longo destes anos, foi a presença em tudo o que foi passeios de idosos, aniversários de associações, bailaricos de aldeia, torneios de chinquilho e da sueca, encontros em torno do copo e do porco assado.

Ora, nem a propósito, informa a Hertz pertinentemente que, no estudo sobre qualidade de vida realizado pela UBI, Tomar está na cauda do país ocupando o 202º lugar em 308 concelhos. Tomar é o penúltimo do distrito de Santarém!!
Mas quando confrontado na última Assembleia Municipal por mim e outros, com estes e outros índices oficiais que demonstram a queda do concelho nos últimos 15 anos, particularmente quando comparado com os concelhos da região, Carrão foi lapidar:
- Isso é demagogia da oposição que quer ver o concelho em mau estado, e não é verdade, porque "todos os dias encontro pessoas de fora que me dizem estar encantados com Tomar"!!!
Palavras para quê, é um artista nabantino!

O que dizer mais, quando um presidente de câmara responde a assuntos graves com argumentos deste calibre? O que dizer quando recorre sem pudor à mentira para justificar os seus propósitos, como ainda na última AM se provou?

Ainda assim, para ser totalmente franco, devo dizer que reconheço que CC tem uma vantagem em relação aos dois antecessores, acredito que goste de facto da nossa terra, e conhece-a bem (tanto bailarico também há-de servir para alguma coisa!).
E acredito que seja honesto no que diz respeito a não ter "benefícios" resultantes das funções que ocupa, que não sejam os legal e legitimamente devidos.
Mas francamente, isso é muito pouco! Ser honesto, boa pessoa e gostar da sua terra, é o mínimo que se exige a todos os que ocupam ou queiram ocupar lugares públicos.

Na minha opinião falta-lhe tudo o resto: desprendimento do poder e de tudo o que o envolve, visão estratégica, capacidade de diálogo e de entrosamento dos vários atores da comunidade, carisma, capacidade de liderança, afirmação pessoal e política, capacidade de se fazer ouvir e respeitar se não desde logo no concelho, seguramente em tudo o resto fora dele.
E sabe quem acompanha a evolução dos tempos, que o futuro imediato das governações locais vai decidir-se em grande parte fora e acima dos limites políticos de qualquer município.
Alguém acredita que CC seria capaz de fazer ouvir os interesses do concelho, desde logo no seio da Comunidade Intermunicipal, com o tudo o que novo por aí vem?

Enfim, a procissão ainda agora vai no adro, daqui até outubro ainda muita água levará o Nabão, só espero que não leve a memória dos tomarenses...

sábado, dezembro 22, 2012

Pantomineiros e sua plateia.


artigo publicado no jornal O Templário de 20 de dezembro.

Em 1997, quando o PSD chegou ao poder municipal, fizeram-no prometendo rumo certo. E o “rumo” foi sempre o slogan da era Paiva. E o rumo é o que se tem visto, em frente e sem hesitar rumo ao abismo.
Em 2009, garantiram que “Tomar não pode parar”, e de facto não parou. Continuou a piorar.
Quando este mandato se iniciou todos sabiam que Corvêlo sairia a meio e deixaria Carrão no seu lugar. Mentiram descaradamente negando sempre essa evidência.

Nas últimas legislativas, andaram a dizer aos nabantinos para votar PSD, porque Relvas ia para o governo ajudar Tomar. Tomar foi dos primeiros locais a ter cortes no hospital, e hoje até tem uma “nova” autoestrada com portagens para a qual até o provedor de justiça recomenda os cidadão a recorrer aos tribunais…
E agora, depois de tudo, como se fosse a coisa mais normal do mundo, temos o ainda Presidente da Assembleia Municipal a dizer que nas próximas eleições vota em Lisboa. Eu chamo a isso fazer chacota dos tomarenses.

Vão agora contrair um empréstimo, mais um, mas este ilegal porque não foi aprovado dentro das normas na Assembleia Municipal. Curiosamente, por exemplo, na mesma semana em que aprovaram em Câmara, manter as despesas de representação aos dirigentes da autarquia, num valor a rondar os 50000€ anuais.
Apesar das ilegalidades e irresponsabilidades, montaram o circo a ponto de vir o Secretário de Estado da Administração Local a Tomar ajudar a gozar com a democracia, os eleitos na oposição que votaram legal, responsável e conscientemente, e com todos os tomarenses que não concordam com a atuação vergonhosa do PSD e de Carlos Carrão nesta matéria.
Mentiram e continuam a mentir, com o falso argumento de que sem aquele empréstimo não conseguem pagar as dívidas aos fornecedores locais. Não é verdade, e vamos ver durante 2013, como de repente vai começar a haver dinheiro para fazer algumas obras. Pudera! As eleições são em outubro…

Isto é apenas uma gota de todo o rio de pantominices que quem tem gerido o município nos tem brindado.
O PSD é culpado? Sim. Mas é o principal culpado? Não. Como dizia um presidente de junta desse partido numa das últimas assembleias, “os culpados são os tomarenses que votaram em nós”.
Tomar, terra conservadora e ostentadora de emblemas cada vez mais ocos, parece gostar de estar como está, cada vez mais vazia, parada, triste, envelhecida. E gozada à descarada por quem tem mais responsabilidade.

E serão os nabantinos muito diferentes dos outros portugueses? Talvez não. Os portugueses reclamam da justiça e dos políticos, e usam aqueles chavões de que “são todos iguais”, “querem todos tacho”, “só lá estão para se encher” e “ninguém é condenado”. Mas quando a justiça atua e condena, os cidadãos acabam por a desacreditar e agir contra ela.
Há vários concelhos deste país onde autarcas foram condenados em tribunal e ainda assim novamente eleitos pelos cidadãos. Muitos outros onde, apesar de serem difíceis de provar há suspeitas demasiado evidentes, e onde apesar disso os cidadãos elegem repetidamente quem não os respeita e abusa da sua confiança para interesses menos legítimos.
Há depois outros concelhos, menos, onde podem até não existir autarcas deliberada e objetivamente a proteger interesses particulares, mas onde claramente o interesse coletivo também não é acautelado, onde a gestão é danosa e onde os efeitos da errada administração do município prejudicam irremediavelmente o presente e o progresso da comunidade.

Tomar está, pelo menos, neste grupo. Os efeitos da gestão da última década e meia são evidentes. Tomar está pior em todos os números, em todos os índices das estatísticas.
E isso qualquer um consegue observar. Na economia, com destaque na indústria e comércio; no galopante desemprego; nos jovens e menos jovens que fogem do concelho; na desorganizada, desadequada, alienada gestão dos serviços municipais – entre tantos mais setores. Nas obras inúteis, na dívida, na falta de estratégia para o concelho.

Há apesar disso quem não reconheça o que passa com Tomar. Há até quem objetivamente goste do estado em que isto está. 
A realidade é como é, a opinião pública é como é. Aliás, se não fosse, Tomar seria seguramente muito diferente, que isto é fácil culpar os políticos, mas estes são apenas a escolha e o espelho das comunidades a que pertencem. E em Tomar têm sido escolhidos sempre os mesmos.
Será porque isto deve estar bem assim. A mim e a outros resta-nos dizer que, não, parece-me que isto não está bem assim.

E assim, política à parte, aproveito para desejar um Natal repleto de Amizade e Solidariedade, e um 2013 que, mesmo difícil, seja cheio de Esperança e energias renovadoras. Um ano para fazer a Mudança.

terça-feira, dezembro 18, 2012

equidade e vergonha em falta

A passada semana, a câmara voltou pela mão do PSD e de Pedro Marques a aprovar, agora para 2013, a manutenção das despesas de representação para as chefias intermédias, também entendidos como dirigentes "técnicos" porque teoricamente não são políticos.
Relembro que se trata dum suplemento de ordenado aos diretores de departamento e chefes de divisão, os mais bem pagos funcionários do município, por funções que não desempenham. A manutenção de uma regalia e não um direito, entre outras regalias que têm. A vergonha continua.
Curiosamente, uma vez mais, na mesma semana em que a Câmara empenhou novamente o município, ilegalmente, com mais um empréstimo.

E acrescento, quando na Assembleia Municipal de setembro isto foi discutido e aprovado por PSD e independentes, um dos brilhantes argumentos que usaram foi o de que "não há problema, isto é só até ao fim do ano".
E agora, como se vai portar a Assembleia?

Não se trata de ter nada contra estes funcionários, tenho boa opinião pessoal da maioria, e um ou dois nem sequer conheço.
A questão é que na gestão pública deve imperar a coerência, a responsabilidade, a equidade, a razoabilidade. E a política é a capacidade de definir prioridades e tomar decisões, mesmo que difíceis.

Para uma leitura mais detalhada o que escrevi aquando da aprovação desta coisa para 2012, aqui:

«A política e os medrosos
A Câmara Municipal de Tomar tem muito destas coisas...
Hoje foi discutido em câmara, para levar à assembleia municipal que há-de decidir o assunto, a questão do pagamento das despesas de representação dos dirigentes do município, leia-se diretores de departmento e chefes de divisão.

Ora, antes de mais um parêntesis para aqueles que conhecem pouco destas lides da administração pública portuguesa. As despesas de representação são um daqueles complementos, como há muitos em muitos outros casos, pagos além ordenado, e que da natureza excecional em algumas funções passaram com os anos a ser regra igual para todos - fenómeno que também explica muito do estado das contas do nosso país.

Assim, estas despesas de representação são pagas a quem ocupe os lugares de dirigentes intermédios, tidos normalmente como os dirigentes técnicos (ou seja, não políticos, o que raramente é verdade), quer da administração central e dos institutos e empresas públicas, quer das autarquias.

Ora, este Governo, apesar da austeridade, não teve a coragem para simplesmente acabar com isto e muito mais desses extras tornados regra, que já ajudariam em muitos milhões às contas do Estado, e ficou-se por uma espécie de lavar as mãos devolvendo no caso das autarquias, às assembleias municipais a responsabilidade de decidir, sobre proposta da câmara, esta matéria - ou seja, decidir se para o orçamento municipal de 2013, os dirigentes intermédios vão receber igual, mais, menos, ou nada, destas despesas de representação que significam 311,21€ mensais para os (3) Diretores de Departamento e 194,79€ para os (9) Chefes de Divisão.

Portanto, fechando parêntesis e voltando ao início, a Câmara de Tomar decidiu hoje propor à assembleia municipal cuja reunião se realiza na próxima sexta dia 28, a manutenção destas regalias por parte dos dirigentes intermédios do município.

Bom, ao contrário do que alguns imaginam, a Câmara não é uma entidade abstrata, é um orgão colegial (ou seja, onde todos valem um voto e as decisões são tomadas por maioria) que no caso de Tomar é composta por 7 pessoas: o presidente e 6 vereadores.

Foram precisamente o presidente Carlos Carrão e os 2 vereadores PSD mais o vereador "independente" Pedro Marques que votaram favoravelmente a continuidade desta regalia, tendo os 2 vereadores socialistas José Vitorino e Luís Ferreira se abstido (deveriam ter votado contra) e igualmente a vereadora "independente" Graça Costa. (podem ler as declarações de voto dos vereadores socialistas aqui)

E porquê, perguntam vocês "cidadãos anónimos", porque entendem os responsáveis políticos dum município falido, onde para mais nenhum dirigente "técnico" faz trabalho de representação, que esses devem continuar a receber tais benefícios?
Ora, nesta, como em muitas matérias, a resposta é simples: falta de coragem, incapacidade para liderar e tomar decisões doam a quem doer se forem justas; receio do que a decisão possa fazer da sua imagem ou credibilidade junto daqueles a quem a medida afeta que, convenhamos, não são pessoas quaisquer, são aqueles que muitas vezes, e normalmente por falta de trabalho dos políticos, conhecem verdadeiramente os meandros e afins dos dossiês que circulam pelo município.

É a mesma falta de coluna que explica muita coisa que acontece neste município (e noutros, é certo). Quando os políticos são maus, quando os políticos são fracos, quando os políticos não sabem priorizar entre o importante e o acessório, quem manda são aqueles que não foram eleitos. 
É sempre assim. O poder nunca deixa de ser exercido, se quem de direito não o exerce, alguém exerce por ele.

E neste particular, já foi assim por exemplo, quando em 2010 quase toda a Assembleia com exceção dos deputados municipais socialistas onde me incluo, votou o alargamento do número de dirigentes quando deveria ter feito exatamente o contrário.
Ora, está-se mesmo a ver o que vai acontecer na próxima Assembleia não está?
Bom, pelo menos o meu voto, por mais que custe aos senhores dirigentes da autarquia, fica já aqui registado: - é contra!

É que convenhamos, para além do estado das finanças da autarquia, para além do momento que vive o país, e para além de como já referi, os dirigentes do município não fazerem qualquer trabalho de representação e genericamente terem um trabalho "das 9 às 5", já gozam de várias outras regalias no conjunto dos funcionários, como sejam o valor salarial, a função de chefia que existe em excesso no município e sem critério estratégico, a isenção de horário, e outras mais personalizadas, que por decoro me vou escusar de referir aqui.
São globalmente muito boas pessoas, mas isso não tem nada que ver com as decisões que os políticos responsáveis têm de tomar.

Claro que, este é mais um daqueles assuntos em que com uma comunidade atenta e participativa, jamais o município tomaria decisões destas. Mas os nabantinos estão-se nas tintas para tudo o que não lhes toque no umbigo...»

segunda-feira, dezembro 17, 2012

fachadas, papões e carneiros

Na minha matinal volta em duas rodas num destes domingos, atentei neste estêncil pintado na parede daquela maravilha que é o coiso milionário atrás da sede da câmara municipal de Tomar.

Hoje, em dia de circo político nessa mesma sede, por conta do regozijo de barriga cheia por parte de quem goza com a democracia e a com a seriedade e responsabilidade em política, deixo para a reflexão dos nabantinos. (quem não souber do que estou a falar, ler aqui)

Boa semana!

sábado, dezembro 15, 2012

gozar com os tomarenses

O grande líder do laranjal
"O Secretário de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa vai estar em Tomar na próxima segunda-feira, dia 17 de dezembro, pelas 16 horas, para a assinatura do contrato referente ao PAEL - Plano de Apoio à Economia Local." lê-se n'O Templário.

Efetivamente, ontem recebi um pouco usual convite enquanto membro da Assembleia Municipal, para participar neste espetáculo de tragicomédia.
Quando me chamam estúpido, gostam que o façam de olhos nos olhos.

Devo relembrar que a contratação deste empréstimo por 14 anos é ilegal. A Lei das Finanças Locais (consultar aqui), que o presidente de câmara Carlos Carrão, há 15 anos responsável pelas finanças do município nunca deve ter lido, é clara:

art. 38º, ponto 8: "Sempre que os efeitos da celebração de um contrato de empréstimo se mantenham ao longo de dois ou mais mandatos, deve aquele ser objecto de aprovação por maioria absoluta dos membros da assembleia municipal em efectividade de funções."

Ora, isto não sucedeu.
Apesar disso, o presidente de câmara enviou o pedido contra a decisão da Assembleia Municipal, baseado num parecer que ninguém conhece, e o secretário de Estado aprovou. A pandilha funcionou.
Abaixo a democracia, abram alas para o grande líder! As referências de Carrão, Paiva e Alberto João não fariam melhor.

E agora vêm regozijar-se com isso e ainda querem público para gozar com os que na oposição em nome do povo tomam decisões legais e responsáveis, e com isso troçar de todos os tomarenses e a democracia em geral.

E lembremos do que está aqui em causa: um empréstimo 
máximo de 3,600 milhões € pago em 14 anos, apresentado como para resolver as dívidas aos fornecedores locais, quando essas dívidas apenas rondam os 250 mil €, logo, que a câmara só não paga se não quiser!
Só as despesas de representação que o PSD quer manter aos dirigentes do município representam cerca de 50mil € anuais!

A política e a gestão pública é feita de prioridades e opções, o PSD tem feito todas as que quer, mesmo ilegalmente e usando a mentira descarada!

E ao longo do próximo ano, apesar das dificuldades e da inépcia, vamos ver se afinal sempre aparecem umas obras aqui e ali - ou não fossem as eleições em outubro.
Será que os tomarenses gostam de ser maltratados, enganados, humilhados?!

O essencial mais detalhado que já escrevi sobre este embuste aqui.

terça-feira, dezembro 11, 2012

curtas

- Entrevista de Anabela Freitas, candidata a presidente da Câmara Municipal de Tomar, à rádio Hertz, audível aqui.

- A CMT terminou com o "folhetim" municipal, agora vai surgir com outra coisa qualquer. (ler aqui)
Uma vez mais se prova que as propostas do PS são lógicas e que, por incompetência e teimosia, mais tarde, sempre mais tarde, o PSD e a câmara são forçados a dar a razão ao PS. O município podia ter ganho 2 anos e uns milhares de euros de poupança se seguisse as nossas propostas. E quem perde é Tomar.

- "Nas próximas eleições vou votar em Lisboa e no doutor Fernando Seara", diz o presidente da Assembleia Municipal de Tomar, Miguel Relvas. Lê-se num dos órgãos de informação oficial do governo, o Sol.
E disse-o quando foi à universidade... da JSD.
Entretanto, o presidente da CML, António Costa, já respondeu e muito bem a Relvas. "Candidate-se".

- "Durão Barroso recusa responsabilidade do seu governo na situação do país", lê-se no Ionline.
Até porque quando ele se pirou para a Comissão Europeia, o país estava na maior...

- O PSD nabantino anda muito nervoso. A ponto de fazer um comunicado para desmentir o que o bom senso mandaria ignorar. Até porque não se pode negar o óbvio. Ah e tal, nós não mandámos fazer nenhuma sondagem - claro, é sempre a distrital ou a nacional que as faz!
Alguém que explique ao PSD que os partidos, independentemente dos órgãos desconcentrados são unos - logo, o PSD também é um só. (e isto mesmo que, paradoxalmente existiam vários em Tomar...)
Avançando, de forma ainda mais infeliz, o comunicado que pode ser lido n'O Templário usa expressões como "O Jornal manifesta sinal de evidente desassossego e precipitação"!!
Eu sou por vezes críticos em relação à comunicação social nabantina, pelos critérios que usam para dar mais ou menos destaque a algo, ou quando confundem opiniões com factos, por exemplo. Mas criticar, ainda para mais de forma deselegante, um jornal por se limitar a noticiar uma verdade, parece-me totalmente descabido.

Talvez o PSD nabantino esteja mal habituado, é bem tempo de se habituar à igualdade de tratamento...
Ou como disse de forma muito infeliz, Miguel Relvas em relação a António Costa em Lisboa, é tempo do PSD de Tomar comprar uns sapatos novos, que vai ter muito que andar...

segunda-feira, dezembro 10, 2012

sondagens e cozinhados

- Noticia O Templário que o PSD nabantino está a fazer uma sondagem onde testa os nomes de "Carlos Carrão, José Delgado, António Lourenço dos Santos e António Cupertino |...| Pretende-se saber qual o candidato que tem mais notoriedade, melhor imagem e que tem mais potencialidades para conquistar a presidência da Câmara de Tomar."

Não costumo nem gosto muito de comentar a vida interna dos outros partidos; além disso esta sondagem é uma não notícia, porque eu sou capaz de apostar há tempo quem vai ser o candidato do PSD. Esta sondagem é naturalmente apenas para consumo interno, quando muito para ratificar e ajudar a convencer os próprios, da escolha que mesmo contra gosto de muitos, já está feita.

Apetece-me sim comentar, novamente, uma ou duas coisas sobre sondagens.
Primeiro que, como costumo afirmar não é possível fazer sondagens em Tomar sem que se saiba.
Da mesma forma que eu já sabia há uns dias desta sondagem, em Tomar, sabe-se sempre, e se não chegar a ser do conhecimento mais geral porque não chegou à comunicação social, pelo menos as pessoas mais "dentro" dos partidos sabem quando outro partido está a levar a cabo uma sondagem.
E se reafirmo isto é apenas para sublinhar a idiotice de uma ideia que alguém tentou fazer passar em tempos, de que o PS não quis provocar eleições intercalares para a câmara municipal, porque uma sondagem dava a vitória a outra força política.
O simples bom senso, e aquilo que o PS sempre disse sobre o assunto, deixam claras as razões pelas quais o PS não ajudou a fazer cair a câmara. Mas, para quem é do contra ou faz gala em não acreditar nos socialistas nabantinos mais uma vez se prova. Se tivesse existido alguma sondagem ter-se-ia sabido.

A segunda questão é que, as sondagens valem o que valem, podem ser feitas de muitas formas ou com muitos objetivos, e na maioria das vezes, pelo menos estas ao nível local, só servem para confirmar aquilo que delas se espera.
No caso desta sondagem o resultado final é óbvio. Dos quatro nomes a generalidade dos tomarenses só conhece um, o do atual presidente. Mas também estou convencido que se a sondagem tiver lá um quinto nome, o "nenhum destes" - é esse que ganha!

Por fim, sobre o PSD e as suas escolhas. É verdade que não é caso único neste país mas, mal vai um partido e aqueles que por ele se candidatam, quando, teoricamente, colocam nos resultados de uma sondagem a responsabilidade das suas decisões.

quinta-feira, novembro 08, 2012

"refundar" à distância

Acaso ainda não tenham dado por isso, cá está a proposta da unidade técnica (neste país agora é tudo decidido por técnicos, a começar nos do FMI - a política está na gaveta!) para a extinção de freguesias.

Em Tomar a proposta passa de 16 para 11 freguesias, com a fusão destas:
Santa Maria dos Olivais + São João Batista
Madalena + Beselga
Além da Ribeira + Pedreira
Junceira + Serra
Alviobeira + Casais

Totalmente contra o método como as coisas estão a ser feitas neste país, e ainda com muitas dúvidas que isto chegue a ser implementado, não só porque no contexto global isto não resolve problema nenhum e a reorganização administrativa é necessária mas a começar por cima e não pelos mais fracos, e também porque não creio que este Governo tenha muito mais tempo de vida, esperemos pela primavera;
- não deixo no entanto de dizer que no que diz respeito à fusão das duas freguesias urbanas numa só, só peca por tardia - Santa Maria dos Olivais então, tem sido de uma inutilidade e de um gastar dinheiro sem que se perceba onde!

Coincidência ou não, já repararam bem como as freguesias são retratadas naqueles anúncios do jumbo? - Um grupo de velhotes a decidir alugar autocarros para ir às compras "com farnel incluído".....
É esta a realidade das juntas de freguesia?

domingo, novembro 04, 2012

Epístola a António

texto publicado no jornal O Templário de 31 de outubro


"Sou velho de mais para censurar, mas suficientemente jovem para agir."
Goethe

Quando me disseram que o senhor presidente da junta de freguesia de Santa Maria dos Olivais, António Rodrigues, me havia escrito através dos jornais, fiquei feliz.
Logo imaginei que viesse, finalmente, abordar os tantos problemas que afetam a nossa grande freguesia. Sei lá, o estado deplorável e terceiro mundista do mercado municipal, anunciar que ia finalmente promover a reabilitação da rua principal de Palhavã, falar dos problemas das empresas da freguesia, anunciar algum evento cultural dinamizado pela junta. De alguma forma, dar voz a estas e outras preocupações e anseios dos seus fregueses.
Sim, se isso alguma vez aconteceu não se deu por isso, mas intentei que me tivesse escolhido, agora que está no fim da sua longa como discreta passagem pela política, para uma espécie de correspondente virtual com quem falasse para dar a público o que lhe vai na alma.

Depois, li o texto, fiquei triste. A exemplo de outros protagonistas do PSD local, o meu caro presidente não está habituado a ser colocado em causa ou a conviver com a crítica democrática. E afinal, no seu texto ofendido não escreveu sequer uma resposta, pareceu mais uma justificação, uma desculpa.
Quando li aquela enigmática expressão que usou referindo-se às dívidas causadas pela construção do parque de estacionamento atrás do edifício da câmara municipal,“embora não concordando com elas”, logo me suscitou o óbvio: por fim um autarca nabantino em ato de contrição! A reconhecer que grande parte daquilo que andou a votar cegamente ao longo de mais de uma década, tudo o que ajudou a aprovar sem ler, é afinal uma inutilidade para os nabantinos e contributo largo para os milhões da dívida do município.
Mas não, sei que assim não é, atesto a sua coerência. Das parcas vezes que nestes anos o ouvimos, foi para defender o seu PSD e o presidente de câmara, qualquer que fosse. A amizade e lealdade partidária pode ser assim: contra todas as evidências, cega e clubística. E fê-lo uma vez mais, no escrito que me dirigiu.

Não pense que estou chateado consigo por me ter apelidado de mentiroso ou demagógico. Separo sempre das relações pessoais, os excessos que alguns usam no debate político. Como comentava comigo alguém da sua família partidária: “não lhe ligues, é a política”.
E não posso mesmo ficar chateado consigo. Então se os fregueses de SMO lhe perdoam que, na prática, não tenham junta, bastando-lhes ter um presidente simpático, havia eu agora de ficar chateado por meia dúzia de palavras vãs?

Agradeço, comovido, a sua preocupação com a minha “carreira política”. Compreendo que, vindo de um dos autarcas nabantinos com mais responsabilidade e longevidade, essa preocupação possa revestir-se de maior importância. Quantos nabantinos se podem lisonjear de há tanto tempo desempenharem tão bem remunerada função para tão pouca ação?
Agradeço, mas não gosto de política a pensar em nenhum cargo ou nenhuma carreira, já ando por aqui há tempo suficiente para que isso se saiba. Independentemente da política, sou professor e, apesar da interferência direta do seu partido no meu caso pessoal, sou dos que, ainda que cada vez menos, temos o privilégio de continuar a sê-lo,
Agradeço, ainda, a sua chamada de atenção para a minha juventude. Desde bem cedo na minha adolescência, há uns vinte anos, estou habituado a que quando alguém mais velho fica sem argumentos venha com a carta da juventude. E como me regozijo por isso!

De qualquer forma senhor presidente, eu percebo a sua necessidade de entrar pelos jogos florais: - ah, e tal, eu não disse o que o senhor diz que eu disse, o que eu disse foi que alguém disse...
Pois... Conceda-me esta simpatia. Na próxima vez que quiser dizer que não disse o que disse, diga-o na hora, diga-o no local. É que perante a inflamada intervenção que o senhor teve na Assembleia Municipal, que todos ouviram, e à qual de imediato eu intervi, o senhor respondeu: nada.
Disse Madame de Stael que “as ideias novas desagradam às pessoas de idade; elas gostam de se convencer de que, depois de haverem deixado de ser novas, o mundo, em vez de se enriquecer, só se perdeu."
Eu não quero acreditar nisso. Acredito sim que, independentemente da idade, formação, ideologia política, credo, todos temos alguma coisa a aprender com todos. E que da discussão séria e frontal nascem melhores soluções para o coletivo.
Saibamos fazê-lo de forma destemida. E com apego à verdade.

terça-feira, outubro 30, 2012

desculpas de mau governante

«É melhor não dar qualquer desculpa que dar uma má»
George Washington

Esta malta do Governo e os seus (poucos, cada vez menos) apoiantes, aprenderam esta coisa de estarem sempre a dizer que o culpado é o PS por aquilo que fez no Governo. (E não digam que fazem todos isso, porque o PS fez muito pouco disso no governo anterior).
Isto mesmo quando já vai ano e meio de mandato e todos os números estão piores.
Mas se o PS fosse mesmo o culpado de tudo, seria também o culpado de PSD e CDS estarem agora a governar, e os portugueses elegeram-nos para governar e não para estarem sempre a dizer que os culpados são os outros - o PS, a troika, os mercados, os sindicatos, os manifestantes, a comunicação social, os comentadores de casaco cinzento e gravata azul... os portugueses...

E se se deixassem de desculpas e admitissem que não fazem a mínima ideia do que andam a fazer, que já não têm condições para fazer coisa nenhuma, ou que a única coisa em que estão apostados é em fazer maus negócios e vender ao desbarato o que resta do Estado?!

segunda-feira, outubro 29, 2012

curtas

- "Brasil: Autarca condenado por empregar filhas", lê-se no CM.
"foi condenado a pagar uma multa equivalente a 30 vezes ao ordenado das filhas, deve ser cessar funções e fica ainda inibido de se candidatar a cargos públicos nos próximos quatro anos." Entretanto houve também já condenados no célebre caso do mensalão.
Já em Portugal, normalmente o castigo para qualquer político que prevarique é nada ou um cargo melhor.
Qual é mesmo o país do terceiro mundo?

- No último encontro dos antigos alunos do liceu, o responsável pela organização foi António Lourenço dos Santos... lê-se na Hertz.
Os putativos candidatos do PSD a presidente de câmara são tantos que até se atropelam.

- Entretanto, ainda nem se sabe se haverá coligação PSD-CDS em Tomar, e as coisas já não andam bem entre eles. (ler na Hertz).
Já todos sabemos que não se consegue trabalhar com a malta dirigente do PSD. Ivo Santos, agora líder do CDS local devia saber, melhor que todos nós, como é a sua antiga casa.

- Na campanha para as eleições deste sábado na Ucrânia, os candidatos ofereceram aos eleitores um pouco de tudo: tranferências bancárias, carregamentos de telemóvel, óculos, garrafas de azeite, conservas, cadeiras de rodas e até... ovelhas.
Bom, eu sou contra a generalidade dos brindes de campanha e no PS em Tomar temo-los reduzido imenso mas...
Com a crise que vai por terras lusas, sendo o ano que vem ano de eleições autárquicas, o mais útil que se pode oferecer em campanha aos tomarenses, se não bóias de salvação, bilhetes de comboio... só de ida.
Afinal de contas, é para isso que a câmara de Tomar tem trabalhado e agora com igual concordância no Governo. Governam para pôr as pessoas a mexer... daqui para fora!

quarta-feira, outubro 24, 2012

economia de cantiga

A Câmara de Abrantes "vai apoiar projetos que estimulem a inovação na atividade empresarial", lê-se no Entroncamento Online.

Tal e qual em Tomar....
Por terras nabantinas, que genericamente e particularmente no que toca ao Município, ainda vive em 1973, inovação é um daqueles neologismos que nem se sabe bem o que significa.
Quando muito, por vezes, ainda recentemente, fala-se de estímulos à economia local e de ajuda aos empresários, mas não passa do chamado "31 de boca" para tentar enganar o povo que ainda quer ser enganado.
Porque depois é preciso um revisor de contas, contrata-se no Entroncamento; é preciso imprimir boletins municipais (que não servem para nada), contrata-se em Torres Novas; para o PDM (vá-se lá perceber para quê) contrata-se o Instituto Superior Técnico; para serviços jurídicos vai-se ter com o Morais Sarmento, e etc, etc...

Sim, estou a ser injusto, pronto. Por vezes também fazem muita questão de contratar em Tomar, e com muita inovação!... a robótica  nas AEC's, por exemplo.
O curioso é que Tomar foi o único município do país a inventar... perdão, oferecer robótica como Atividade Extra Curricular às crianças do 1º Ciclo, quando o que o Ministério da Educação aconselhava e apoiava financeiramente, era a Educação Física, o Inglês, a Música.
Estranho não é? Esse interesse na robótica, que a câmara decidiu sozinha, terá sido baseado em algum estudo encomendado pelo município? Algum desígnio de futuro para o concelho? Fenómenos nabantinos...