Na Lisboa que amanhece, como na canção do Sérgio Godinho, e que hoje testa terramotos, bem que um professor vem para a escola todo contente e motivado, depois de absorver em passos demorados com gratuito prazer, as pela ímpar luz da capital ensolaradas fachadas da pombalina baixa, para prestar ensinamento às mentes disso sôfregas (...) dos jovens alfacinhas, senão quando, sem nada disso estar à espera (é que não estava mesmo nada!:) - hoje não há aulas porque os auxiliares estão em greve e quando assim é, a escola tem de dizer aos meninos que hoje têm folga, o que naturalmente muito os perturba.
Pronto, e este passa a ser uma dia de tentação, a dar despacho à papelada, enquanto pelas janelas e sobre os telhados de canudo, na escola hoje calma, pelas janelas chega essa luminosidade que mais parece voz a chamar para o sol, deste fim de Novembro atribulado e no estanto, cheio de doces ensejos.
Pronto, deu-me para isto...
e agora, aos papéis.
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sexta-feira, novembro 21, 2008
sexta-feira, junho 13, 2008
assim vai... o país.
O comboio vinha cheio de rostos cansados, sonolentos, mas pouco inquietos aposto, por exemplo com os resultados que da Irlanda se vão pressentindo. Joga-se ali o futuro da Europa, e se o “say no to Lisbon” ganhar, não é só esse futuro que se torna mais incerto, ou mesmo a “carreira política” de alguém, mas a par com um possível caos político nas organizações europeias, é também a possibilidade de Portugal inscrever uma vez mais e de forma decissiva, o seu nome nesse futuro que se eclipsa.
Entretanto, desde ontem que os camiões voltaram a circular, o que representa o fim destas tréguas no combate ao bom ambiente… Hum, bom, eu acho, ao contrário de alguns comentadores, que o Governo lidou bem com o assunto. Noutros tempos, com primeiro-ministro de “raça”, talvez as coisas tivessem sido resolvido à bastonada, mas como Pulido Valente hoje bem diz (“bem dizer” no caso dele, é algo que nem assenta bem…) esse exercício “com uma “aristocracia” como os camionistas” pode transformar-se numa guerra.
E no futebol, que parece ser para a maioria o país que interessa, a selecção dos nossos guerreiros lá ganhou a primeira batalha, à espera agora dos germânicos, que os suíços são só para entreter. Scolari também se passou, mas desta para os soldos do Abramovich.
Por mim, que vá. Sim, até já por duas vezes me cruzei demoradamente com ele, e parece-me fora dos holofotes pessoa simples, humilde. Mas nunca me pareceu que fosse, por muito que os resultados digam o contrário, especial treinador. Talvez seja neste campo muito conservador, mas para mim seleccionador deve ser português, e já agora, receber q.b.
Assim esperemos que seja o próximo.
Entretanto, os noticiários da uma abriram com a volta atrás da UEFA em relação ao FC Porto e à Liga dos Campeões… Temos novela para mais uns tempos.
E vá, a crise agora é no estômago, vamos ao almoço.
Entretanto, desde ontem que os camiões voltaram a circular, o que representa o fim destas tréguas no combate ao bom ambiente… Hum, bom, eu acho, ao contrário de alguns comentadores, que o Governo lidou bem com o assunto. Noutros tempos, com primeiro-ministro de “raça”, talvez as coisas tivessem sido resolvido à bastonada, mas como Pulido Valente hoje bem diz (“bem dizer” no caso dele, é algo que nem assenta bem…) esse exercício “com uma “aristocracia” como os camionistas” pode transformar-se numa guerra.
E no futebol, que parece ser para a maioria o país que interessa, a selecção dos nossos guerreiros lá ganhou a primeira batalha, à espera agora dos germânicos, que os suíços são só para entreter. Scolari também se passou, mas desta para os soldos do Abramovich.
Por mim, que vá. Sim, até já por duas vezes me cruzei demoradamente com ele, e parece-me fora dos holofotes pessoa simples, humilde. Mas nunca me pareceu que fosse, por muito que os resultados digam o contrário, especial treinador. Talvez seja neste campo muito conservador, mas para mim seleccionador deve ser português, e já agora, receber q.b.
Assim esperemos que seja o próximo.
Entretanto, os noticiários da uma abriram com a volta atrás da UEFA em relação ao FC Porto e à Liga dos Campeões… Temos novela para mais uns tempos.
E vá, a crise agora é no estômago, vamos ao almoço.
crónica de santo antónio
Acordado – que é como quem diz, de novo abrindo os olhos, que dormir é outra coisa – despertei numa Lisboa cansada ou, ainda repousando de uma noite de folia, onde a luz matinal e ímpar do sol alfacinha, escorre densa pelos edifícios pombalinos.
Aqui e ali alguns fazem até render as últimas gotas de cerveja e como que ecoando os sons da noite, se ouve ainda um ou outro acorde de solitário guitarrista e alguns descompassados batuques.
A caminho do metro, lá estava no Chiado o aniversariante Pessoa, na sua sentada perpetuação de bronze, vigiando sereno os madrugadores e parcos turistas, a quem um dos seus heterónimos declamava mudos sonetos…
A véspera do dia de Santo António é noite obrigatória em Lisboa. Talvez a mais típica festa popular portuguesa, ela é hoje expressão não só de bairrismo, mas igualmente de multiculturalismo, e condensação do sentir e ser português, aqui multiplicado por todas as ruas e ruelas dos bairros históricos da capital.
Por todo o lado há barraquinhas improvisadas, ou simples bicas de imperial podem surgir ao virar da esquina, ou numa qualquer porta hoje especialmente aberta. A sardinha, rainha da festa, está cara e possivelmente devido aos bloqueios dos últimos dias, com duvidosa frescura e portanto de má cara; mas o vinho, a sangria, e especialmente a cerveja jorram sem parar e erguem-se em todo o par de mãos.
A par com o das sardinhas, os odores das febras e das entremeadas olvidam o dos manjericos, mas muitos outros há a invadir as narinas e a colar-se à roupa.
Aqui e ali, umas vezes mais eufórico, outras mais tímido, ouço um «Olá stôr!» dito por alguns dos meus discentes. A grande maioria dos meus alunos, para quem aliás, hoje fora o último dia de aulas, mora por ali, pelos muitos bairros da baixa lisboeta.
Os sons são ecléticos e diversos. Aos tradicionais fados e marchas juntam-se os ritmos brasileiros e em alguns pontos “mais jovens”, batidas recentes em imperceptíveis letras anglo-saxónicas. Há sítios onde andar se torna difícil tal o amontoado de gentes que circulam, circulam, como se circular fosse o imperativo da noite. O miradouro de Santa Luzia é um deles, assim como todas as ruas na zona da Sé ao Castelo e à Graça.
Cá em baixo, na Avenida, as marchas desfilam para os turistas e para os casais acompanhados de pequenos rebentos que procuram para esses maior segurança nestes espaços mais largos. A dar música aos refrões desafinados reconheço nos “cavalinhos” caras dos tempos em que também soprava essa arte. Tenho saudades do trombone.
Nos bairros mais a oeste, a agitação contínua. No Largo do Carmo, as barracas e bailarico estão entregues à trajada “estudantada” e mais acima, o Bairro Alto muda pouco a sua vida já sempre em festa no restante ano. De Santos a Alcântara e porque não à Ajuda, a alegria continua, mas para lá já não vou. A Bica contudo, é dos mais típicos e concorridos e por aqui fico mais um pouco, e no miradouro do Adamastor, ancoradouro maior da malta “cool” que se embala em fumos de outros cheiros, faz-se uma rave silenciosa, em que um grupo de gente ouvindo nos seus phones uma só batida, dança aos olhares distraídos, numa muda e louca coreografia. É, a tecnologia chegou aos santos populares.
E a noite continua, quente, assistida ao fundo pelo Tejo, acarinhada por um céu magnífico, e partir daí mais turva e sempre regada. Bom, como se diz noutras paragens, o que acontece em Lisboa, fica em Lisboa.
Em todo o caso, regressar a Tomar é quase sempre um bálsamo para todos os cansaços, e até cheguei a tempo de comprar no mercado as minhas primeiras cerejas do ano, que estão ali no frigorífico, agora já frescas e à minha espera…
Aqui e ali alguns fazem até render as últimas gotas de cerveja e como que ecoando os sons da noite, se ouve ainda um ou outro acorde de solitário guitarrista e alguns descompassados batuques.
A caminho do metro, lá estava no Chiado o aniversariante Pessoa, na sua sentada perpetuação de bronze, vigiando sereno os madrugadores e parcos turistas, a quem um dos seus heterónimos declamava mudos sonetos…
A véspera do dia de Santo António é noite obrigatória em Lisboa. Talvez a mais típica festa popular portuguesa, ela é hoje expressão não só de bairrismo, mas igualmente de multiculturalismo, e condensação do sentir e ser português, aqui multiplicado por todas as ruas e ruelas dos bairros históricos da capital.
Por todo o lado há barraquinhas improvisadas, ou simples bicas de imperial podem surgir ao virar da esquina, ou numa qualquer porta hoje especialmente aberta. A sardinha, rainha da festa, está cara e possivelmente devido aos bloqueios dos últimos dias, com duvidosa frescura e portanto de má cara; mas o vinho, a sangria, e especialmente a cerveja jorram sem parar e erguem-se em todo o par de mãos.
A par com o das sardinhas, os odores das febras e das entremeadas olvidam o dos manjericos, mas muitos outros há a invadir as narinas e a colar-se à roupa.
Aqui e ali, umas vezes mais eufórico, outras mais tímido, ouço um «Olá stôr!» dito por alguns dos meus discentes. A grande maioria dos meus alunos, para quem aliás, hoje fora o último dia de aulas, mora por ali, pelos muitos bairros da baixa lisboeta.
Os sons são ecléticos e diversos. Aos tradicionais fados e marchas juntam-se os ritmos brasileiros e em alguns pontos “mais jovens”, batidas recentes em imperceptíveis letras anglo-saxónicas. Há sítios onde andar se torna difícil tal o amontoado de gentes que circulam, circulam, como se circular fosse o imperativo da noite. O miradouro de Santa Luzia é um deles, assim como todas as ruas na zona da Sé ao Castelo e à Graça.
Cá em baixo, na Avenida, as marchas desfilam para os turistas e para os casais acompanhados de pequenos rebentos que procuram para esses maior segurança nestes espaços mais largos. A dar música aos refrões desafinados reconheço nos “cavalinhos” caras dos tempos em que também soprava essa arte. Tenho saudades do trombone.
Nos bairros mais a oeste, a agitação contínua. No Largo do Carmo, as barracas e bailarico estão entregues à trajada “estudantada” e mais acima, o Bairro Alto muda pouco a sua vida já sempre em festa no restante ano. De Santos a Alcântara e porque não à Ajuda, a alegria continua, mas para lá já não vou. A Bica contudo, é dos mais típicos e concorridos e por aqui fico mais um pouco, e no miradouro do Adamastor, ancoradouro maior da malta “cool” que se embala em fumos de outros cheiros, faz-se uma rave silenciosa, em que um grupo de gente ouvindo nos seus phones uma só batida, dança aos olhares distraídos, numa muda e louca coreografia. É, a tecnologia chegou aos santos populares.
E a noite continua, quente, assistida ao fundo pelo Tejo, acarinhada por um céu magnífico, e partir daí mais turva e sempre regada. Bom, como se diz noutras paragens, o que acontece em Lisboa, fica em Lisboa.
Em todo o caso, regressar a Tomar é quase sempre um bálsamo para todos os cansaços, e até cheguei a tempo de comprar no mercado as minhas primeiras cerejas do ano, que estão ali no frigorífico, agora já frescas e à minha espera…
quarta-feira, janeiro 09, 2008
O mundo. Ou uma miúda parte da parte que avisto
Pois é, 2007 lá se foi e 2008 chegou de mansinho com os habituais aumentos de preços e os costumeiros prognósticos de vida melhor, dizem uns, pior dizem outros, e isso já se sabe, é apenas igual a todos os anos.
Janeiro é aquele mês que cheira a chuva e a frio, e a tormentos auto-infligidos por compensação a todos os excessos cometidos em Dezembro. O mundo enfim, segue com “dranquilidade”, ou seja, o Sporting parece que acabou de perder no Bonfim. Aliás, futebol bom bom, mas mesmo do bom, é na Liga dos Últimos na RTP-N, a incontestável prova que até na comédia, a realidade é muitas vezes melhor que a ficção.
Nos EUA Obama ganhou o primeiro round para os Democratas, Hillary o segundo. Eu prefiro Obama, parece-me mais sincero, mais capaz de algo novo, pois por muito que uma mulher Presidente do país mais poderoso do mundo fosse interessante, a senhora Clinton ao contrário do marido, parece-me demasiado uma produção american style.
Por cá, a comunicação social entretém-nos com o pequeno frisson de contestação contra o inevitável, a restrição ao tabaco; com o referendo que alguns pedem mas que em verdade a ninguém interessa, até porque o resultado seria mais evidente que os dotes de actriz da Soraia Chaves; e a expectativa em relação ao campeonato que este ano importa, ganha Ota ou Alcochete?
Já eu, cá vou andado neste lufa-lufa de casa-comboio-metro-chiado-escola, escola-chiado-metro-comboio-casa, sendo que casa para mim é um conceito vasto que se objectiva numa palavra: Tomar. Aí, aqui, outras tarefas me competem, mas sobre essas por norma aqui não falo muito. Também para quê, se os anónimos de outros blogues cá do sítio já dizem saber tudo?
Por falar em escola, aquela onde lecciono numa encosta do eclético Chiado, completou hoje 97 anos sobre a primeira aula que aí se deu. Uma idade provecta que me faz pensar por um lado na perenidade da vida, por outro na sua incontornável finitude. Que o termo dela venha longe para todos é o que se ambiciona, e se não puder ser para todos que seja pelo menos para Alberto João que para mim sempre foi o rei da comédia, e eu adoro rir. Nem sei porque a TVI não o convidou já para um reality show, agora que os 'gatos' vão para a SIC não tenho dúvidas que seria a melhor arma para as audiências.
Entretanto por terras de Iria e Gualdim, a par ainda com as reacções à mais que (mais que quase todos, pelo próprio) desejada partida de Paiva, uma das grandes notícias da semana que passou, a julgar pela capa do 'Cidade' foi a domesticação de um javali… o que prova a tese de alguém que afirmou que a pior pobreza, é a de espírito. Ou seja, nada de especialmente novo aqui pelas margens do Nabão.
Mas calma, 2008 é ainda pouco mais que uma erva daninha, ansiemos pelo jardim de singulares novidades que nos trará.
Pois, hoje ‘tou pouco inspirado para as metáforas, é o que faz ter a televisão ligada há algumas três horas o que para mim é muito tempo e adormece a inteligência. Melhores noites virão...
Janeiro é aquele mês que cheira a chuva e a frio, e a tormentos auto-infligidos por compensação a todos os excessos cometidos em Dezembro. O mundo enfim, segue com “dranquilidade”, ou seja, o Sporting parece que acabou de perder no Bonfim. Aliás, futebol bom bom, mas mesmo do bom, é na Liga dos Últimos na RTP-N, a incontestável prova que até na comédia, a realidade é muitas vezes melhor que a ficção.
Nos EUA Obama ganhou o primeiro round para os Democratas, Hillary o segundo. Eu prefiro Obama, parece-me mais sincero, mais capaz de algo novo, pois por muito que uma mulher Presidente do país mais poderoso do mundo fosse interessante, a senhora Clinton ao contrário do marido, parece-me demasiado uma produção american style.
Por cá, a comunicação social entretém-nos com o pequeno frisson de contestação contra o inevitável, a restrição ao tabaco; com o referendo que alguns pedem mas que em verdade a ninguém interessa, até porque o resultado seria mais evidente que os dotes de actriz da Soraia Chaves; e a expectativa em relação ao campeonato que este ano importa, ganha Ota ou Alcochete?
Já eu, cá vou andado neste lufa-lufa de casa-comboio-metro-chiado-escola, escola-chiado-metro-comboio-casa, sendo que casa para mim é um conceito vasto que se objectiva numa palavra: Tomar. Aí, aqui, outras tarefas me competem, mas sobre essas por norma aqui não falo muito. Também para quê, se os anónimos de outros blogues cá do sítio já dizem saber tudo?
Por falar em escola, aquela onde lecciono numa encosta do eclético Chiado, completou hoje 97 anos sobre a primeira aula que aí se deu. Uma idade provecta que me faz pensar por um lado na perenidade da vida, por outro na sua incontornável finitude. Que o termo dela venha longe para todos é o que se ambiciona, e se não puder ser para todos que seja pelo menos para Alberto João que para mim sempre foi o rei da comédia, e eu adoro rir. Nem sei porque a TVI não o convidou já para um reality show, agora que os 'gatos' vão para a SIC não tenho dúvidas que seria a melhor arma para as audiências.
Entretanto por terras de Iria e Gualdim, a par ainda com as reacções à mais que (mais que quase todos, pelo próprio) desejada partida de Paiva, uma das grandes notícias da semana que passou, a julgar pela capa do 'Cidade' foi a domesticação de um javali… o que prova a tese de alguém que afirmou que a pior pobreza, é a de espírito. Ou seja, nada de especialmente novo aqui pelas margens do Nabão.
Mas calma, 2008 é ainda pouco mais que uma erva daninha, ansiemos pelo jardim de singulares novidades que nos trará.
Pois, hoje ‘tou pouco inspirado para as metáforas, é o que faz ter a televisão ligada há algumas três horas o que para mim é muito tempo e adormece a inteligência. Melhores noites virão...
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