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sábado, fevereiro 11, 2012

não deixar morrer o hospital de Tomar

Agora que os objetivos principais para a petição iniciada pelos membros da comissão de saúde da Assembleia Municipal de Tomar estão próximos do esperado, 5000 assinaturas com grande envolvência dos cidadãos na recolha das mesmas, é tempo de permitir aos que por algum motivo não têm possibilidade de assinar em papel de o poderem fazer também, pelo que a petição passa a estar também online aquihttp://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N20629

Entretanto ela continua disponível para impresão aqui.
A entrega das petições assinadas em papel deve ser feita até dia 22 deste mês junto de qualquer dos elementos da comissão, que são os primeiros signatários, eu incluído, ou no correio da Casa Manuel Guimarães (antiga biblioteca). A comissão fará a entrega da petição na Assembleia da República dia 27.

Já para a próxima terça dia 14, pelas 8:00, manifestação junto à entrada do hospital de Tomar, para a qual se pede a adesão em massa da população. (este é o dia anunciado para a retirada da medicina interna).

Todos somos precisos para defender o que é justo.

terça-feira, junho 27, 2006

Para o Fernando Santos.

Em resposta ao comentário ao post "Óculos de cabedal II", e a quem interessar.

Caro Fernando,
Em primeiro lugar o âmbito deste blogue está bem expresso no topo do mesmo. É exclusivamente pessoal.
Sabe, porque me conhece ao menos um pouco, que não tenho qualquer pejo em exprimir as minhas opiniões, sobre e quando entenda útil, e sem receio de estas serem muitas vezes impopulares ou de difícil "digestão". O que me aflige são os que calam.
Segundo, o argumento que usa da associação deste blogue com a página do PS Tomar é, desculpe-me, absurdo. Nesta página tenho links para muitas outras páginas, algumas de reconhecidas personalidades, e de vários quadrantes polí­ticos e da vida social. Estarão também elas obrigadas por o que quer que aqui eu escreva?
Terceiro, não confunda "democracia musculada" com o exercí­cio mí­nimo de regras. Para mim não há Liberdade sem regras, e aqui elas existem. Se não deixo passar alguns comentários, é por entender que são eticamente reprováveis, ou que atingem de forma menos correcta terceiros, ou porque simplesmente são maldosos, não identificados, com o único fim de destruir. O que não impede que me divirta à brava a lê-los. De qualquer forma, aqueles que aqui gostariam que eu publicasse todos os disparates que muitas vezes escrevem, têm uma solução muito fácil, criar a sua própria página e lá dizerem o que bem entenderem. Os blogues são a expressão absoluta da democratização do espaço virtual. No que tem de bom, e no que tem de mau.

"A Liberdade sem virtudes nem sabedoria é o maior de todos os males." - Edmund Burkes

Depois Fernando, acho que não percebeu bem o que eu queria dizer no referido texto. De qualquer forma, é bem vindo a este espaço, e se passa por cá de vez em quando, saberá que não tenho qualquer problema com quem defende ideias diferentes das minhas, pelo contrário. Estimo quem defende ideias, e de forma alguma ao contrário de outros, tenho rancor ou ódio por quem não está do meu lado. É da discussão que nasce a sabedoria, é a discutir, ordeira e com mútuo respeito, que evoluí­mos e trilhamos novos e melhores caminhos.
Pena é que nem todos aceitem esta filosofia de vida, e que para alguns, quem está mesmo que ocasionalmente, numa posição contrária, seja visto como inimigo e alvo a destruir.

Todos nos esquecemos do essencial: tudo é uma passagem, tudo é efémero, e no todo, todos contamos tão pouco, todos somos tão pequenos.

segunda-feira, novembro 15, 2004

Sentido sentimento

Desde o meu último post até este passaram não apenas 4 dias mas, na minha vida pelo menos, mais um ano foi ultrapassado. É verdade que como me dizia um amigo, no dia do nosso aniversário é apenas um dia a mais que temos, mas aquela barreira psicológica, como tantas outras que inventámos foi ultrapassada, é mais um ciclo que se fecha. E pensamos: bem, foi mais um ano, ou, é menos um ano. E eu, que não era muito de saudosismos nem de lamechices baratas, começo realmente a preocupar-me por vezes, ao ter que aceitar que não é possível voltar atrás para refazer coisas, ou fazer as que não foram feitas. E começo a achar que há tanto que gostava de fazer, e cada vez terei menos tempo para tal.
E depois, mais grave que isso, é o tempo perdido com coisas que não valem a pena, que não fazem qualquer sentido. Por vezes são pessoas, pessoas que parecem que nasceram só para dificultar a vida dos outros, pessoas cujo propósito é destruir, manchar o trabalho, a determinação, a integridade desses outros. E não são assim tão poucos, em cada esquina parece que há alguém que só se sente feliz a pisar outrém, pessoas tristes que se alguma vez forem lembradas, será apenas pelo que de mal foram fazendo aos seus semelhantes. Sim, porque há vida depois da morte, mas não para todos. Sobrevivem à morte apenas aqueles que na memória de outros forem subsistindo. Há pessoas assim, que pelos seus valores, pelas suas causas, pelas suas determinações, pelas suas lutas, pelos seus projectos; que por sua bondade, sua entrega, sua amizade, sua inteligência, sua visão, e outros atributos tantos haveria ainda para catalogar, ficam na nossa memória colectiva, na história duma comunidade, dum paí­s, duma civilização. Chamamo-lhes modelos, chamamo-lhes heróis, chamamo-lhes génios, beneméritos... às vezes não lhes chamamos nada, mas em pequenas coisas, pequenos hábitos, pequenos gestos da nossa vida podemos sentir a sua presença.
Eu gostava de ser um desses. E tenho para mim que a humanidade poderá evoluir tanto mais, quanto pessoas mais assim mesmo pensarem, assim sentirem. O querer fazer algo pelos outros, pela sua comunidade, pelo mundo.
Mas infelizmente não são muitos os que assim se encontram, também é verdade que não é fácil, somos educados, treinados, amestrados, para valorizar coisas que não significam nada mas que para muitos parecem ser razões de vida: o dinheiro, o estatuto social, a aparência, o poder.
Muitos correm atrás destas coisas e não olham a meios para as alcançar: mentem, fingem, maltratam, e tantos mais predicados quantos os necessários, não interessa quem derrubam, não interessa o que destroem, todo o mundo gira em torno do seu umbigo, do seu cego egocentrismo. Por vezes tão cego, que nem se apercebem realmente que assim são. Não se apercebem que onde passam deixam uma gosma, um rasto de mediocridade, de maldade.
E depois ainda, quando muitas vezes alcançam esses intuitos, não sabem realmente o que fazer com eles, pois se de mediocridade foi o percurso feito, pouca substância há para lhe dar significado.
Ficam ricos de dinheiro mas pobres de amigos, e esse dinheiro não lhes compra a felicidade, estamos fartos de saber; atingem estatuto social mas são apontados como desprezíveis, aparentam ser algo que não são e são chamados de vaidosos, atingem o poder e não sabem o que fazer com ele, um poder vazio, sem sentido, ao qual se agarram como fosse a coisa última que os prendesse à vida, quando o único e verdadeiro poder é o de genuinamente ser chamado de amigo, é o de ser amado, é o de ser respeitado, é o de ser lembrado.
Nisto, esses seres não acreditam ou desconhecem a existência. E eu gosto de pensar positivamente, e assim olhar as pessoas e os acontecimentos, e acredito, que lentamente é certo, mas que no resultado final a humanidade tem evoluído para melhor. Mas também sinto, quando olho à minha volta, quando ouço muito do que me dizem, quando vejo muito do que fazem, quando racionalizo e vejo o estado das coisas e o que vai acontecendo no mundo, ou na porta ao lado da nossa, que a humanidade vai mal, que o Homem é porventura o mais desprezível dos seres, por ser capaz das mais incríveis façanhas, e tantas vezes das mais horripilantes atrocidades.
Conceitos como Ética, Moral, Honra, Verdade, Integridade, Humanismo, são cada vez mais desconhecidos, ignorados, ou mesmo repudiados por cada um de nós. Como é que a Humanidade pode desejar a Liberdade, a Democracia, a Igualdade, a Fraternidade, se cada um de nós, se cada ser humano, não tiver bem presente em si os valores anteriores, e os praticar?

Não pretendo ser mais que aquilo que sou, e não sei porque me apeteceu escrever tudo isto. Às vezes acontece-me quando me sento em frente ao computador, ou tenho na mão um papel e uma caneta. Bem sei que o alcance destas palavras é diminuto, e poucos se darão sequer ao trabalho de as ler, mas na verdade, mesmo que todos, mas todos, nós escrevesse-mos algo assim só para nós mesmos, talvez o mundo já fosse um lugar melhor.

segunda-feira, julho 19, 2004

inquietudes e certezas

Este fim de semana fui obrigado a reflectir sobre algumas palavras, palavras que como quase todas representam algo, mas que neste caso são ainda mais importantes porque representam valores, porque representam qualidades, infelizmente, nem todas boas. Palavras como ética, verticalidade, dignidade, rigor, orgulho, honra e simplesmente palavra, mas também mesquinhez, hipocrisia, cinismo, egoísmo e egocentrismo.
É triste quando encontramos nos adversários as qualidades que defendemos, e vamos encontrar nos amigos, ou nos que nos seriam mais próximos, essas outras negativas. É triste, mas sempre em algum momento da vida isso acontece, e eu, que tenho por convicção saber reconhecer nas pessoas essas qualidades, ainda às vezes me engano, ainda às vezes me espanto. Felizmente, ainda às vezes pela positiva.
Felizmente também, que a justiça na vida tem tendência a repor a verdade, e a premiar quem tem essas características que fazem a Ética, assim como pelo contrário, fazer pagar quem as não tem, quem não honra a sua palavra, quem não pratica aquilo que apregoa, quem rasteja, quem chafurda na lama atrás do melhor lugar, quem pisa para poder subir. Esses tem têndencia a cair um dia, e quem muito anda de cócoras normalmente fica marreco. E um marreco vê-se à distância.
Há sempre tempo para emendar, há sempre tempo para endireitar a coluna, mas talvez seja verdade que quem nasce torto, dificilmente se endireita.
E não há melhor ganho na vida, que poder encher o peito de dignidade, andar de cabeça erguida e poder olhar os outros nos olhos e sorrir. E depois sabe tão bem, ouvir aqui e ali, o reconhecimento dessa nobreza de espírito e de alma.