segunda-feira, novembro 28, 2011

o fado alfacinha e o "fado nabantino"


Como há muito se esperava, o Fado tornou-se este fim de semana na primeira inscrição portuguesa na lista da UNESCO do Património Imaterial da Humanidade. É importante para o mundo do fado, importante para Lisboa e para todo o país.
A candidatura do Fado envolveu dezenas de pessoas entre "artesãos da faina" e académicos que nada tinham que ver com fado, que ao longo dos 6 anos que a candidatura demorou a preparar fizeram investigação, recolheram o mais diverso tipo de documentos, entrevistaram, selecionaram, catalogaram...

As imagens que ilustram este texto são em primeiro as duas versões de "O Fado" (foto do DN), a mais célebre pintura de José Malhoa, quando o ano passado pela primeira vez foram expostos em conjunto, precisamente para comemorar o centenário da segunda versão (o mais antigo é um ano mais velho). A segunda é uma recriação desse quadro por Amália Rodrigues e um dos seus guitarristas de eleição, Jaime Santos.

Entretanto, um pouco por todo o país outras candidaturas se preparam, como a da cultura avieira em Santarém (também aqui) para usar um exemplo próximo.
Já sobre uma eventual e lógica candidatura da Festa dos Tabuleiros a verdade é que como há muito alerto, fala-se nisso há muito tempo, Corvêlo de Sousa chegou a responder-me repetidamente ao longo dos últimos dois anos, tanto em privado como em Assembleia Municipal que a coisa estava já ser tratada, mas todos sabemos que nada, absolutamente nada há iniciado nesse sentido. Isto apesar de eu saber e já o ter transmitido, que há pessoas cientificamente apetrechadas, algumas ligadas a esta candidatura do Fado, que estariam disponíveis para trabalhar numa para a Festa.
Só que nesta pedantice saloia que por vezes impera em Tomar, há até quem julgue que isto lá vai com dois ou três carolas auto designados conhecedores do assunto, que se juntam num fim de semana, improvisam um documento e pronto...
Porque cultura e património são das áreas que mais me apaixonam, e porque este caso concreto mostra bem do laxismo e da leviandade com que são tratados os assuntos na CMT, já aqui abordei várias vezes o tema. O mais completo desses textos republico-o em seguida:

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INTAGIBILIDADES (9.04.2010)
Hoje que, com a escolha do mordomo se dará o pontapé de saída para a próxima Festa dos Tabuleiros, é um bom dia para falar de património intangível, e da sua intangibilidade tanto em Tomar como genericamente no País.

Quando já se fala numa eventual candidatura da Festa dos Tabuleiros a tal designação é importante, sem a emoção que ofusca a razão com que por vezes (ou muitas) se discute a festa, ou a falta de conhecimento sobre as matérias que também abunda, perceber do que se fala, quais as vantagens e desvantagens, e o que fazer para poder ambicionar lá chegar.

Para tal é desde logo importante perceber que, em Portugal não existe nenhuma atribuição dessa designação embora já várias tenham sido tentadas. O que é que falhou? Bom, esse é um bom ponto de partida para analisar a coisa com profissionalismo, e perceber que quando se quer levar a cultura e o património, e o espectável turismo a sério, é preciso que nem se caia no amadorismo bacoco e inconsequente, nem na catedra pretensiosa e compremetida apenas com o soldo do projecto.
Fica o dado de que, embora se falem noutros, o processo que está aparentemente mais avançado e com possibilidades de vir a ser o primeiro aprovado para o nosso país, será a candidatura do Fado.
Diga-se ainda que os campeões de património intangível registado são a China com 29 elementos e o Japão com 16. A nossa vizinha Espanha já tem 4.

Embora trabalho básico de pesquisa para um paper académico que estou a preparar, deixo aqui para meu registo, mas também para todos os que quiserem ler e saber mais, alguns links sobre o assunto:
O que é o Património Intangível, a Convenção de 2003 que cria essa designação como uma das facetas do Património Mundial (World Heritage), os domínios em que podem ser apresentadas candidaturas, entre várias outras questões, podem ser encontradas aqui.

Também a lista completa dos 90 elementos já constantes como Património Intangível Mundial e alguns exemplos por mim escolhidos:
Samba de roda do Recôncavo da Baía (Brasil); Tango (Argentina e Uruguai); Royal Ballet (Cambodja) (2ª foto ilustrativa); Canto polifónico dos Pigmeus Aka (República Centro-Africana); vivência cultural da praça Jemaa el-Fna de Marraquexe (Marrocos) (3ª foto ilustrativa); Timbila dos Chopi (Moçambique);

e ainda:
Descrição sucinta das fases de candidatura; Formulário a ser apresentado pelo país com património candidato; guias gerais de implementação da Convenção do Património Mundial (que inclui entre mais, os critérios de selecção) e algumas notícias da Unesco sobre património intangível.

Nota à margem: Não deixa de ser revelador que os links no site da UNESCO para o Convento de Cristo e Castelo Templário não funcionem. (Mais de um ano e meio depois, continuam sem funcionar)

sábado, novembro 26, 2011

amarras soltas

Ontem o PSD colheu o que, com as mesmas causas estéreis dos 3 mandatos anteriores, andou a semear nestes dois anos: os frutos da suas enormes e diversas incapacidades.

A incapacidade para ouvir, a incapacidade para dialogar, a incapacidade para trabalhar em conjunto.
Desperdiçou todas as oportunidades que lhe foram dadas, perdeu definitivamente o contacto com a realidade, vive fechado nas ideias gastas e comprovadamente erradas para o concelho.
Desnorteado com as indecisões e os ziguezagues no interior do partido, a sua possibilidade de resolver o que quer que seja na gestão municipal há se muito se gostou. Não têm uma ideia capaz para resolver um que seja dos problemas estruturais do concelho, muitos desses criados pelos seus gravosos erros de gestão.

Aquilo que poderia ter sido um novo capítulo na forma de fazer política autárquica e trabalho em prol do coletivo, transformou-se por culpa dos maus protagonistas que há 14 anos governam Tomar, numa novela de mau gosto e maus resultados, falta de senso e muitas vezes de carácter ou ética, falta de visão ou estratégia para gerir o município, total irresponsabilidade e alheamento na defesa dos interesses públicos e coletivos.

Por maior boa-fé, por maior capacidade de abnegação, maior vontade em trabalhar, a tolerância não é sinónimo de burrice nem a paciência é infinita. O PS tinha que dizer BASTA!

Ontem, confesso, foi dos dias mais felizes da minha vida política. Só não festejei com champanhe, porque infelizmente há um concelho que há anos morre lentamente. E o futuro é cada vez mais cinzento, aqueles protagonistas já nos mostraram que só podemos esperar o pior.


E já agora, um pouco à margem mas...
há uma semana o ainda presidente Corvêlo referiu uma qualquer necessidade de consequências políticas, a consequência foi o seu partido mandá-lo de baixa para casa. Ontem o vice-presidente Carrão (que até acusou o órgão democraticamente eleito para o fiscalizar de estar a cometer uma ilegalidade, tal o desvario que devia estar a sentir) voltou a falar em consequências políticas. O que lhe fará o seu partido?



O comunicado do PS pode ser consultado aqui.

quinta-feira, novembro 24, 2011

o nó da gravata


Uma vez que hoje até é dia de greve pronto, retorno mais cedo para Tomar. 
Além disso amanhã é dia de Assembleia Municipal e tenho de ir fazer o nó da gravata...

Uma informação sempre útil, que agradeço a um dos vários amigos e amigas que me enchem diariamente o email com informações desta índole de pertinência. De apenas um desses amigos, tenho apenas um pouco mais de 600 emails à espera de ser abertos... Obrigado!

quarta-feira, novembro 23, 2011

drama&beiço em concerto

É já no próximo sábado dia 26 pelas 21:30h, no auditório da Canto Firme em Tomar, que a Fanfarra Drama&Beiço nos oferece concerto integrado no Ciclo Cantar Natal que aquela associação promove.

É verdade que é dia de derby alfacinha, mas mesmo que queiram ver o jogo ainda vão a tempo que eles vão atrasar seguramente o início. A não perder, é do melhor que nos dias que correm se faz musicalmente pelas margens do nabão.

terça-feira, novembro 22, 2011

o planeta de Corvêlo

foto em www.cidadetomar.pt 
Quase uma semana passada, deixar passar não posso  a entrevista de Corvêlo de Sousa na rádio Hertz no passado dia 18, que consegui ouvir quase na totalidade na viagem no conforto do intercidades. Ainda bem que as novas tecnologias nos permitem mesmo a alguma distância, não perder momentos hilariantes.
Grande parte da entrevista girou em torno das questões da coligação e do caso mais recente de autoritarismo do Presidente.

Comecemos pela retirada da carrinha do castelo (que, já o disse antes, é um questão menor quando comparada com muitas outras, mas importante por deixar de forma clara aquilo que é uma atitude perante uma generalidade de assuntos). Como é costume, quando se vê apertado, lá dispara com os gastos argumentos do costume. Desta vez centrou-se mais na lei e nos técnicos.

Diz o sr Presidente da Câmara que (como se o cumprimento da lei tivesse alguma coisa que ver com o caso…) "ninguém pode deixar de cumprir a lei". E diz muito bem. Mas e quando é a Câmara a primeira a dar o mau exemplo?
Esqueceu-se que da cobrança ilegal que está a ser feita no estacionamento tarifado? Onde está a decisão da Assembleia que suporta essa decisão?
Ou, a cobrança dos terrados na Feira de Stª Iria (coisa da qual nunca ninguém fala), é legal? Corvêlo de Sousa, que a determinado ponto até puxou dos galões de advogado ao dizer que não se sente mal num tribunal, deve saber responder a esta pergunta...
E estes são apenas alguns exemplos mais visíveis...

Ainda nos meandros da desculpas esfarrapadas para a decisão acerca do caso "carrinha do castelo", pergunta o jornalista algo como "então mas e não era possível mudar a carrinha de local para outro junto à passagem dos visitantes?” – “Ah, não porque a obra abrange toda a zona de acesso ao Castelo”!!
Ao que o jornalista pergunta e muito bem, “então os turistas estão em perigo?”.
Não, não...”, diz Corvêlo. E consegue dizer sem se engasgar ou rir, é d’homem!

Depois lá diz que, ah e tal, “o que foi decidido em reunião de Câmara não foi bem o que passou cá para fora” e mais uns contorcionismos e, claro, lá chega ao do costume que foi subentender, como se essa fosse uma verdade insofismável, que os técnicos é que decidiram.
Todos já sabemos que quando os políticos são fracos ou não sabem o que fazer, quem decide são os técnicos e que isso é o que se passa no município nabantino, mas alguém que explique ao sr. Presidente que isso não é o que é suposto acontecer. A decisão é sempre política.

E lá foi dizendo mais umas coisas engraçadas, do tipo “Paiva governou em circunstâncias difíceis”.
Bolas, circunstâncias difíceis?! Três maiorias absolutas coincidentes com o período de maior afluxo de fundos europeus; uma série de benesses entre as quais um programa Polis; decidir tudo ao seu bel prazer, sem sequer com o seu partido discutir o que quer que fosse – isto são circunstâncias difíceis?!
Difícil era com tanto conseguir fazer pior! António Paiva é, com todas as questões enquadradas, o pior presidente que já passou por Tomar. (Mas Corvêlo bem tenta ganhar esse campeonato).

Disse ainda que “não foi possível outra solução para o Parque T”. Mentira. Outras soluções eram possíveis, o PS por exemplo apresentou alternativas.
E que “foi uma decisão dos juízes”. Mentira. A solução resultou de um acordo entre as partes, sendo que por parte da Câmara, a decisão foi exclusiva de Corvêlo de Sousa, que apanhou inclusive os outros dois vereadores sociais democratas de surpresa. Foi depois ratificada em reunião do órgão, apenas com os votos do PSD.
Pergunta o jornalista António Feliciano (que esteve muito bem, são precisos mais jornalistas em Tomar que de quando em vez tenham “vontade de ir ao osso”), neste caso “a câmara foi enganada ou deixou-se enganar?”. Não percebi a resposta…

E por fim, sobre a coligação, a sua eventual saída e afins, também disse umas coisas giras. Primeiro que a coligação é coisa dos partidos, já a distribuição de pelouros é consigo.
Mentira. Tudo foi acordado, como sempre foi público, entre os dois partidos. A divisão de pelouros tal como existiu até acerca de um ano atrás, a eleição para a mesa da Assembleia Municipal, e o Conselho de Administração dos SMAS.

Diz depois que não se sente desacompanhado, e que não sabe de quem surge essa ideia de que não termine o mandato, coisa de pessoas sem mais para fazer.
Bom, mas essas hipóteses sempre surgiram em primeiro lugar do PSD e ainda durante a própria campanha. E no decurso do mandato, mais do que uma vez a direcção local do PSD fez saber que ia analisar essa situação!!!
Mas enfim, lá vai dizendo que “não há nenhum prazo” para a sua saída, o que é já um discurso diferente de há uns meses, e por fim lá confessa: “a minha posição em relação à concelhia (do PSD) é muito ligeira”!!

Dizer mais o quê? Ele próprio admite por meias palavras que ser presidente de câmara foi uma espécie de acaso!! 
Apesar disso, sendo notório que ninguém a começar no seu partido o quer lá mas mesmo assim não vai embora, deve estar a gostar. Será possível que julgue que está a fazer alguma coisa de jeito?


As citações são de memória e a sequência dos assuntos pode não ser bem esta.

sim, morrer há-de ser pior

"PSD de Ourém afirma que herança deixada na câmara não foi assim tão má", noticia O Mirante.


"não foi assim tão má"!!!.................

Bem, pelo menos não são "assim tão" alheados da realidade.
E apesar disso, no concelho de Ourém (que desde 2009 até é o meu local de trabalho) foram muitos os disparates, mas mesmo assim (que eu saiba!) não conseguiram numa só obra deixar um prejuízo de, tudo somado, qualquer coisa como 10 milhões de euros.

Já em Tomar, o PSD que até reune hoje, o que terá a dizer sobre a herança dos seus já 14 anos de governação?

Querem apostar que vão dizer que a culpa é do PS?

segunda-feira, novembro 21, 2011

hortas municipais

"Câmara de Rio Maior abre inscrições para interessados em cultivar 50 hortas urbanas", informa O Mirante.
Assim como vários outros concelhos do distrito e um pouco por todo o país, basta fazer uma pesquisa no google por hortas urbanas ou comunitárias, para terem uma clara perceção de algo que se está a tornar exemplo seguido por uma grande generalidade de municípios e sê-lo-á cada vez mais, também como forma de encontrar pequenas soluções para ajudar algumas famílias.

É mais uma daquelas coisas onde Tomar podia ter sido pioneiro, se as propostas do PS fossem acolhidas pelas inteligências sociais-democratas na Câmara e na Assembleia. Infelizmente, e este é apenas mais um exemplo, a reação às propostas do PS costuma ser o riso ignorante e o consequente chumbo, ou então quando após várias tentativas são finalmente aprovadas, continuam a ser ignoradas pela Câmara.
Câmara essa presidida por Corvêlo de Sousa, o mesmo que disse em entrevista a semana passada que a retirada de pelouros a um vereador socialista há sensivelmente um ano, foi com base numa decisão da Assembleia...

Como é possível não rir quando nos servem disparates em catadupa? Toda a atuação do PSD e seus eleitos no município de Tomar seria mesmo uma comédia sublime... se não fosse tão triste.

Como curiosidade, a foto que ilustra este texto veio da página do Município do Funchal ("Funchal Cidade Jardim" é o slogan que usam. Será que diz alguma coisa aos tomarenses?) que merece uma visita pois explica muito bem as virtudes do tema. Claro, todos sabem que o Funchal, como atualmente Rio Maior, são concelhos governados pelo PSD. Será que é só em Tomar que não aprendem nada?

info jurídica


António Gameiro, amigo oureense, ex-deputado e recente doutorado, lança com Rui Januário o seu último livro, quarta dia 23 pelas 18h na Univ. Lusófuna em Lisboa, numa sessão que terá apresentação de António José Seguro.

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jovens sábios

Estes questionários de rua, onde se apanham pessoas desprevenidas e são selecionados e editados à posteriori, nem sempre são bem o que parecem mas não deixam de originar respostas com piada. Eu por exemplo, sou um grande fã daquele tipo que pintou a Mona Lisa, o Leonardo Di Caprio...
Vistas bem as coisas, não é de admirar que existam pessoas carregadas de esteróides e silicone fechadas em casas da TVI, que não saibam qual é a capital de Espanha...


Uma sábia contribuição do AR, do LS, e de não sei quantos mais. Este vídeo já chegou mais de 10 vezes ao meu email...

quinta-feira, novembro 17, 2011

extemporaneidade

Ontem quando me deslocava de carro para Tomar, ouvi uma parte do programa da rádio Hertz "A semana em revista", no momento em que os dois comentadores falavam do último caso da coligação que nunca o foi. (que eu também comentei no post anterior).
E disse António Cruz (deputado municipal independente, ex PSD) a determinado momento que questões mais complicadas já aconteceram anteriormente sem que isso tenha significado o fim da dita, referindo como exemplo as "eventualmente extemporâneas declarações do anterior presidente" da concelhia do PS de Tomar. Traduzindo: quando há uns meses escrevi que em Tomar não existia uma Câmara mas sim uma cambada, não um coletivo mas um grupo desorganizado de pessoas cada um a puxar para seu lado.
Por mais estranho que a mim me pareça, não é a primeira vez que alguém acha que nesse episódio usei palavras irrefletidas.

Então para que conste saibam que, não estando livre disso, não tenho de qualquer forma o hábito de fazer "declarações extemporâneas", muito menos quando falo de política, e menos ainda quando essas declarações são na forma escrita.
O problema de alguma hipocrisia reinante é que parece que há muito quem se preocupe com palavras, mas pouco com as ações. Pois eu, já deviam saber, não tenho medo nem do significado das palavras nem das usar sempre que entender apropriadas.

E para que fique ainda mais claro cá vai uma súmula, sem qualquer tipo de extemporaneidade, das muitas que tenho usado nos últimos meses para com a Câmara de Tomar e respetivas vísceras:

- Esta ficará para a história imediata como a pior Câmara nabantina do pós 25 de Abril. Não há liderança, não há estratégia, não há planeamento, não há uma ideia coletiva do que quer que seja. Desta forma, o Presidente de Câmara e os 4 vereadores com pelouros limitam-se a gerir o dia a dia de cada um dos seus quintais, com mais 2 vereadores a assistir.
Resumindo: Isto não é uma Câmara é uma cambada.

A principal causa da situação deve-se ao PSD nabantino, não só pelo comprometimento óbvio sobre a escolha dos autarcas, a começar pelo presidente de câmara, claramente incapaz para o exercício de tão relevantes funções, mas também pela forma como trataram a situação, desde logo como têm tratado o PS a quem convidaram para ajudar a gerir o município, mas com quem, como é público, sempre se recusaram até hoje a dialogar.
À direção do PSD de Tomar não afetam os interesses do coletivo, os interesses e as dificuldades dos munícipes, e estão focados apenas nos espúrios jogos partidários, muito por incapacidade para gerir politicamente o que quer que seja, sendo que distintamente nem para esses estão à altura, uma vez que a atual situação da autarquia só pode ser desprestigiante para o partido que ganhou as eleições e que desde 1997 governa em Tomar. Ou seja, não é só com os tomarenses em geral que a direção do PSD anda a brincar à política, na minha opinião está a fazê-lo em primeiro lugar com os militantes e simpatizantes sociais-democratas. Mas esse é problema que a mim já não me diz muito.
O PSD nabantino está a prestar um péssimo serviço a Tomar, à democracia, à imagem da política e dos políticos.
Resumindo: Corvêlo de Sousa é incapaz para o desempenho das funções de Presidente de Câmara, e o PSD nabantino é irresponsável e anda a brincar com os tomarenses.

Pronto, agora quem discordar ou achar que estou a ser extemporâneo, chegue-se à frente e contraponha. Talvez alguém acredite.

Importante em todo o caso seria que nos deixássemos todos de hipocrisias e cinismos, pruridos de semântica e enredos novelísticos de fraquíssima qualidade e passássemos sim a dedicar a atenção à gravosa, aviltante, degradante, situação que se vive no município de Tomar, expondo as coisas como elas são e fazendo o possível para que a situação se altere. Seja preciso usar que palavras forem.

Sobre isso contudo, infelizmente, vejo muito poucos preocupados.

quarta-feira, novembro 16, 2011

de gota em gota até ao charco final

Segundo a rádio Hertz parece que a coligação que nunca o foi (por culpa quase exclusiva do PSD de Tomar), pode para esse partido ter conhecido a última gota.

Calma, não pensem que isto é como o Berlusconi, não gastem já os foguetes e quanto às garrafas de champanhe, mantenham-nas no frio. É que já todos sabemos que para o PSD nabantino é sempre a última gota de água... até à próxima.
Quer dizer, a principal coisa que sabemos deste PSD é que nem eles sabem o que querem, depende das condições atmosféricas...

foto de arquivo de José Pacheco Pereira
http://ephemerajpp.wordpress.com/2009/09/26/eleicoes-autarquicas-de-2009-tomar/
Curiosamente também n'O Mirante se fala em última gota, mas aqui no copo de Côrvelo de Sousa, ele que de quando em quando deixa cair a máscara da "boa pessoa".

Surge isto agora porque quando Corvêlo finalmente se decide a decidir qualquer coisa, a coisa não costuma correr bem. Foi o que aconteceu com a questão da carrinha que há muitos anos servia de ponto de venda aos turistas do castelo/convento - a única coisa aliás que por ali alguma vez se viu que lembrasse comércio para turistas, coisa muito estranha quando falamos de um monumento património mundial. (o assunto foi mais que falado, não vou voltar a ele, podem ler o discurso direto de Luís Ferreira, e a análise de António Rebelo).

Ora, diz Corvêlo (como se alguém ligasse ao que diz) que "a posição de Luís Ferreira vai ter consequências políticas em breve", enquanto que a concelhia de Tomar do PSD afirma que «não se revê nesse tido de declarações...» por o vereador LF ter dito, bem, que a atitude de Corvêlo foi autocrática.
Mas e na atuação de Corvêlo, revê-se? Isso é que era importante saber.

Claro, é difícil saber porque a verdade é que a concelhia do PSD não existe (isto apesar de terem um presidente e dois vices), não se lhe conhece uma acção política concreta sobre questões locais, a não ser de quando em vez quando algum jornalista os chateia, responder que «O PSD irá analisar a situação e, na devida altura, iremos fazer as nossas declarações»;
mas também não existe na Câmara onde o seu único real representante (mas pouco apreciado pela direção) é o eterno candidato Carrão que, convenhamos, com 14 anos de vereação já deveria ter algo mais para mostrar que passeios de idosos e aniversários de associações;
e não existe na Assembleia onde muitas vezes são votadas posições contrárias às que se julgam (julga-se, porque não se sabe bem) ter a direção do partido, e onde cada vez mais vozes assumem publicamente a divergência, a desconfiança, o descrédito em Corvêlo de Sousa, e até na própria direção.

Mas voltando ao por todos indesejado Corvêlo, não é, afirme-se, a primeira vez que tem atitudes "à lá Paiva". Todos sabem que foi isso que se passou por exemplo na condução das negociações com o Parque T que levaram a Câmara a aceitar o pagamento dos sei já lá quantos milhões. Corvêlo decidiu sozinho sem passar cavaco a ninguém, principal razão aliás que levou o PS a votar contra em reunião de câmara e que obrigou Corvêlo a usar o voto de qualidade para conseguir desempatar e aprovar esse desfecho.

E sobre as atabalhoadas explicações que dá depois das trapalhadas como também neste caso fez, recorrendo muitas vez à, chamemos-lhe distorção da realidade para não gastarmos a palavra mentira, não é sequer recorrente, é mesmo o seu habitual modus operandi.
Basta lembrar o que sucedeu no caso do alambor, aí infeliz e inexplicavelmente acompanhado por outros, e em muitos outros caso, como no projeto para exploração do "museu da levada" que sempre diz existir mas que nunca ninguém viu (não confundir com projeto de arquitetura); a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património da Humanidade à qual há quase dois anos responde estar a ser tratada...

enfim, o que todos sabemos sobre tudo isto, mesmo os que não o admitem em público, é simples de resumir: para Corvêlo qualquer assunto que se coloque "estava previsto", ou "está a ser tratado", ou "decorre do que manda a Lei", isto se não usar as cartas nº1 e nº2, vindas já do mentor Paiva e cegamente usadas por muitos, "a responsabilidade não é nossa, não podemos fazer nada" ou pode-se ou não se pode fazer algo porque "é o que está no projeto e não se pode alterar o projeto".

Sobre tudo isto, sim, interessava muito ouvir o que tem a dizer o PSD de Tomar, mas seguramente vão continuar a preferir atirar as culpas para cima do PS, como se alguém "deslanrajizado" acreditasse, enquanto depois "ao ouvido" dizem que não têm nada a ver com a malta que lá está na câmara em nome do PSD. "Ah e tal... não fomos nós que os escolhemos" - pois, devo ter sido eu!
Isto, enquanto tentam perceber o que Miguel Relvas deseja ou os deixa fazer .

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chovem papéis


Já tem um tempo mas só agora chegou à minha atenção, este musical de colegas professores de Torres Novas. Muito bom.

segunda-feira, novembro 14, 2011

nós falamos, os outros fazem

- Ó Zezé, estou aqui a ler n'O Mirante que a CCDR Centro quer melhor divulgação turística do Agroal, isto depois do investimento que já foi e vai ser lá feito.

- E tem toda a razão Totó. Olha, e já que parte do Agroal fica no concelho de Tomar, o melhor é começarem por divulgar junto da Câmara porque esses nem fazem ideia de como se vai até lá, quanto mais lá fazer alguma coisa!

o elixir da eterna juventude


Obrigado a todos os que pessoalmente ou pelas mais diversas vias, enviaram os seus votos de parabéns, e um obrigado especial aos que mais de perto vão sendo companheiros das aventuras do passar do tempo.
A todos dedico este elixir criado pelo grande SG. Elixir este que muitas vezes me sopra aos ouvidos, e muito ao longo dos últimos meses em que decidi fazer um pouco de conta que ainda agora fiz vinte anos, tentando recuperar algumas coisas que deixei um pouco mais para trás ao longo da década que passou.

O meu elixir da eterna juventude há muito que sei qual é: estar com os amigos e tentar fazer a todos os níveis mais daquilo em que acredito e me dá gozo, e cada vez menos de tudo o resto.

Apesar disso, às vezes particularmente em algumas madrugadas ou manhãs mais cinzentas, fruto normalmente de noites bem mais coloridas vem-me à memória, não "uma frase batida" mas os versos sábios do SG...

"Estou velho!
Dói-me o joelho
Dói-me parte do antebraço
Dói-me a parte interna
De uma perna
E parte amiga
Da barriga
Que fadiga
O que é que eu faço?..."

sexta-feira, novembro 11, 2011

nós e os outros

Eu e o PS em Tomar há muito defendemos a extinção do boletim municipal tal como existe, por razões várias já mais do que explicadas e apresentadas em local próprio, que são de simples bom senso e que por isso não vou novamente abordar (sobre o assunto pode ler-se aqui e aqui, e já agora aqui, aqui, aqui e ainda aqui).
Ignorando o que se passa um pouco por todo o lado, o PSD e não só, continuam a teimar em algo que é um gasto muito exagerado para uma quase total inutilidade. É mais um exemplo da dispendiosa e inútil forma de gestão da Câmara nabantina.
Enfim, mantém-se a tendência do PS propor, pedir, avisar com tempo, e a câmara recusar, recusar, recusar, até mais tarde ou mais cedo ter que nos dar razão.

Ora, recebi hoje no meu email o boletim municipal de Torres Novas que não só é trimestral como, adivinhem, tal como em muitos outros municípios, também já não é impresso.  (Os boletins de TN podem ser consultados aqui e é bom ver, para se perceber melhor a diferença de conteúdo entre quem faz e quem diz fazer).
Felizmente que em Tomar somos um concelho rico....

Dois factos curiosos:
- Eu recebo, sem ter pedido, o boletim de Torres Novas (e de outros locais), mas o de Tomar, por mais que me inscreva, não recebo...
- Torres Novas deixou de imprimir por questões óbvias o seu boletim trimestral, Tomar insiste em fazê-lo todos os meses e vai deixar os custos de impressão a uma gráfica de... Torres Novas.

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quinta-feira, novembro 10, 2011

a chuva e a folga

A minha nota de ontem na Hertz, com o título em epígrafe, pode ser ouvida no sítio do costume.

velhos hábitos

"A Igreja Católica aceitou renunciar a dois feriados religiosos, caso o Governo renuncie também a dois feriados civis. "Esta é a condição"", lê-se no JN.

Ora, independentemente do que pense sobre a questão dos feriados, expliquem-me lá como se eu fosse burro: Mas Portugal não é um país laico? Isso não está consagrado na Constituição da República Portuguesa?
Então mas quem é a Igreja Católica para aceitar ou deixar de aceitar e ainda impor condições?!

Ainda por cima a mesma instituição que faz coisas destas.

É como aquela do pároco de Tomar (nalguns meandros apontado como putativo candidato do PSD local para 2013, desejo confirmado em off por sociais-democratas locais) de propor a mudança de feriado para o dia de Santa Iria...
Boa resposta do arqº Costa Rosa. (se não estou em erro n'O Templário).

A césar o que é de césar, a deus o que é de deus, lê-se na biblia, o livro que a instituição igreja produziu e por onde supostamente se rege. Porque não seguem as suas próprias orientações?

quarta-feira, novembro 09, 2011

estranho mundo

"Jogador de râguebi sofre AVC e acorda gay".... noticia, como só podia, o Correio da Manhã.

"Parece estranho, mas quando acordei senti-me imediatamente diferente. Já não estava interessado em mulheres. Definitivamente era gay e ainda sou”, afirmou o jovem britânico".

Pronto, a partir de agora, sou gordo e guloso porque acordei assim depois de uma gripe.

geminações

Há mais de um ano que solicitei em Assembleia Municipal que me fosse entregue a lista da geminações do Município de Tomar, uma vez que a mesma não se encontra disponível em nenhum local oficial do município (ou não fosse a página do município uma vergonha), isto para depois questionar para que servem e que razões lhes estão inerentes.
Até hoje não me foi entregue, como todas as outras solicitações que fiz, por exemplo a listagem dos edifícios devolutos das escolas de 1º ciclo desativadas. Não é estranho que tal aconteça porque, além de outras razões, a Câmara mostra continuamente um total desrespeito pela Assembleia Municipal.

Ora, enquanto procurava outra coisa o que encontro eu na página da Associação Nacional dos Municípios Portugueses? (Informação que apesar de tudo julgo não estar correta)

Será possível que a ANMP saiba mais sobre o nosso Município que os seus autarcas e os seus munícipes, ou é apenas a Câmara de Tomar que além da má vontade não sabe trabalhar?

segunda-feira, novembro 07, 2011

só é derrotado quem desiste...

foto d'O Templário
Tenho muita pena pelos trabalhadores da empresa, mas ainda bem que entrou em insolvência, é graças a isso e não ao bom senso dos políticos "responsáveis" que estão as "obras na envolvente do Convento de Cristo em risco de pararem", como informa O Templário.


Ou seja, com tempo talvez ainda seja possível salvar o alambor e dotar aquele espaço de obra mais dignificante e inteligente. Se eu fosse crente até diria que deus escreve direito por linhas tortas, mas como falamos do Convento de Cristo digo: graças aos deuses.

Entretanto a petição online que conta atualmente com mais de 2100 assinaturas continua aí à distância de um clique.

quinta-feira, novembro 03, 2011

viram-se gregos para ser gregos

Georges Papandreou, o Primeiro-ministro grego, é o meu mais recente herói.

Quanto meia dúzia de fracos dirigentes europeus, sem uma ideia de Europa que não passe por resolver os seus quintais e os outros que se lixem, que não souberam atuar com rapidez e eficácia deixando que pequenos problemas se tornassem gigantes, julgam que mandam e desmandam nos pequenos países, deixando ainda que os mercados mandem na política, eis que contra todas as "lógicas" e numa manobra de altíssimo risco, o Primeiro-ministro desse pequeno país que nos ensinou o que é a democracia, endireita a coluna e grita: - Calma! Andam a brincar connosco, vamos lá então todos brincar um bocadinho. Nós agradecemos o dinheiro que nos vendem com alto lucro, mas primeiro vamos ouvir o povo!

É realmente arriscado, nunca se sabe no que pode resultar um referendo, mas se correr bem este primeiro-ministro passará a ter uma legitimidade como poucos outros no contexto europeu.

E entre aqueles que acham que se devia suspender a democracia por uns tempos, e os que mesmo sabendo que às vezes a democracia apresenta muitos riscos contra si mesma e ainda assim têm a coragem de arriscar, eu prefiro os segundos. E acima de tudo não gosto daqueles que "à lá Portas" vêm falar da vantagem da unidade e estabilidade, querendo em verdade dizer, "mantenham-se mansos que é melhor para vocês!". A esses prefiro os que dizem: - "manso é a tua tia pá!"

Bom, eu não sei se o referendo chegará a ir para a frente (vai depender muito da moção de confiança de amanhã), se o Papandreou vai resistir muito tempo, se a Grécia se safa ou acaba por abandonar o euro e atrás de si outros como Portugal, mas Georges Papandreou para mim já figura como um dos poucos líderes europeus que os tem no sítio.

ADENDA: Pronto, afinal parece que não é preciso esperar até amanhã, o referendo já era e assim sendo Papandreou também não deve demorar muito. É o mundo em que vivemos, coitados dos pequeninos...

a ideologia escondida

A minha última nota do dia (de 26 de Outubro) na rádio Hertz, intitulada com a epígrafe acima, sobre algumas medidas do governo e as suas razões, pode ser ouvida como sempre aqui.

os pupilos da direita europeia


Cada vez mais me convenço que este Governo está rapidamente a ficar desgovernado. Será possível bater o recorde do Durão Barroso?

uma pedagógica contribuição da JN e de mais uns quantos.

quarta-feira, novembro 02, 2011

a incapacidade para aprender...

A Câmara vai lançar novo concurso de exploração do Cine-teatro Paraíso para exibição de cinema, como noticia O Mirante. Uma vez mais apenas alguns dias por semana.

Não só demonstram que não percebem nada do assunto como pior, que não aprendem com os erros.
Não seria preciso fazê-lo, basta perceber porquê e como as pessoas vão ao cinema, mas mesmo que não saibam, este modelo já foi experimentado e teve os resultados catastróficos que se sabem: cinema à moscas.

E é preciso relembrar que tudo isto começou quando a Câmara deliberadamente acabou com o cinema comercial, num daqueles processos de teimosia/ódio gratuito do anterior Presidente de Câmara, aquele que tudo sabia e a quem todos à sua volta veneraram sem questionar.
A Câmara iniciou um processo de concorrência desleal com o cinema comercial, obrigando-o na prática a fechar o que veio a acontecer, e nesse processo acabou-se com o hábito de ida ao cinema em Tomar. E não só se acabou com o negócio da empresa nacional que explorava esse cinema, mas também com o pequeno empresário local que explorava o bar e seguramente teve reflexos em outras lojas do agora quase defunto Centro Comercial Os Templários.
Não estão assim tão longe, os tempos em que havia filas para compra de bilhete que desciam as escadas e saíam mesmo para a rua do antigo cinema. Muitas vezes a sessão esgotava. Eu cheguei a ver filmes sentado no chão, de extra-lotada que estava a sala.

Obviamente que há outras razões globais para o decréscimo de espetadores, mas essas nada têm que ver com o caso em Tomar. A sala do Paraíso não tem as condições físicas hoje necessárias e atrativas para a exibição de cinema comercial, exibe quase sempre os filmes muito fora de prazo (várias vezes já depois de terem chegado ao video-clube), e muito importante, quem gosta e tem por hábito ir ao cinema não quer saber se naquele dia há ou não sessão, ou se a mesma foi suspensa porque nesse dia a sala está a ser utilizada para outra coisa qualquer.

Muito tomarenses continuam a ir ao cinema, uns fazem-no em Lisboa aproveitando que estão lá durante a semana, outros fazem-no... em Torres Novas.

afinal... (2)

Que o Sócrates aparicava, e bajulava e não sei quê mais o Chávez, e vamos a ver...

Paulo Portas em visita à venezuela diz que "a relação bilateral entre Portugal e a Venezuela «é para consolidar e para avançar»", noticia a TVI24, a mesma estação que confirma: "Portugal vai exportar mil milhões para a Venezuela em troca de petróleo".

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