domingo, fevereiro 28, 2010

Ponto Contra Ponto

À mesma hora que Pacheco Pereira (o que eu havia de invocar!!) está na SIC Notícias a apresentar o seu programa de mesmo nome que este post, onde aborda aspectos da comunicação social, faço-o eu também mais uma vez sobre a dita local.
Desta vez, tendo como fundo as eleições já ocorridas no PSD local. Não, não é para falar sobre essas mentes que andam para aí muito preocupadas sobre as supostas inquietações do PS derivadas do resultado. O que acontece no seio do PSD é problema no PSD, e a forma como o PSD agir externamente, será sempre problema em primeiro lugar, também do PSD.


A questão é mesmo sobre a comunicação social e sobre as suas funções e motivações.
Eu confesso que rádios locais praticamente não ouço a não ser quando de muito em vez, vou no carro a horas dos noticiários, e quanto aos jornais desfolho-os um pouco por obrigação, mas ainda assim quase sempre a correr - como julgo cada vez mais tomarenses o fazem, ou pelo menos assim mo dizem. Por alguma razão será.
Em todo o caso, e ressalvando a hipótese de me ter distraído, não dei por nenhuma entrevista aos dois candidatos a líderes do PSD local. Artigos de opinião dos próprios ou de apoiantes de um e de outro sim, mas entrevista em discurso directo não, e penso que na rádio também não.
Ora, quando quem são, o que pensam, o que fazem, os candidatos ao partido que detém a maioria na gestão da CMT, e a deteve em maioria absoluta nos últimos doze anos, não é importante a ponto de ser notícia, francamente não sei o que seja. Não é de agora, mas parece-me que a comunicação social local anda enganada, desde logo quanto à sua função, e depois quanto ao que aos tomarenses interessa.
Por muito que seja moda dizer que não se gosta e nada se quer ter com política, a verdade é que o assunto interessa às pessoas, até porque é assunto no dia-a-dia nabantino. Mas mesmo que não interesse, o relato e acompanhamento do que acontece na política (e não nas novelas paralelas), faz parte da obrigação cívica da comunicação social, até porque ela é um dos, se não o principal como vem sendo visto, e mesmo que não oficial, poderes do Estado.

circunspecto...

... é o que me chama, acabo de ler, António Rebelo no seu Tomar a Dianteira, referindo-se a um post deste 'algures'.
Bom, já me terá chamado pior. No caso presente, se embora em relação a este espaço (que já vai a caminho dos 7 anos) estará um pouco longe da realidade e uma leitura mais alongada dos posts poderá comprová-lo, já em relação com a minha postura no mundo real, em especial na minha existência política, terá alguma razão.
Circunspecto, cauteloso, prudente - são atributos que muitas vezes me tenho forçado a ser.
Nada mais a propósito, é que esse aspecto da minha forma de agir tem sido alvo das minhas mais recentes reflexões e auto-análises, e parece-me que essa forma de estar vai passar a ser menos frequente.

envergonhado?!!!

Estava aqui de volta de uns textos onde a dado momento aparece a palavra vergonha, e me lembro de uma frase que ficou sem resposta na última Assembleia Municipal. A dada altura o deputado João Simões acusa o PS (e portanto acusou-me a mim, pois fora eu que usara da palavra) de usar de uma postura envergonhada (não me lembro exactamente da frase) para defender o Orçamento do Município para 2010.
Ora, ficou sem resposta e dela não precisava, se há coisa que ficou demonstrada é que no PS nabantino (e eu seguramente) dizemos o que bem entendemos dizer quando entendemos importante, sem qualquer restrição, doa a quem doer, e por mais inoportuno ou politicamente incorrecto que possa parecer.

sábado, fevereiro 27, 2010

trovoada

Hoje em Tomar chove e faz muito vento, mas temporal ouvi dizer que foi ontem, parece que o estrago foi grande na cultura da laranja nabantina, bem capaz de afectar as colheitas dos próximos anos.

modas

As redes sociais na internet estão e estarão cada vez mais na moda. Facebook, HI5, Orkut, Plaxo, Twitter, entre outras.
Para divulgação de eventos ou de causas, para promoção pessoal e profissional, para promoção de instituições, ou simplesmente numa forma fácil de eliminar distâncias entre amigos e conhecidos.
Como todas as modas, como todas as tecnologias, também esta tem coisas melhores e piores.
Uma das que não é propriamente má, mas a mim que gosto das coisas da psicologia e da sociologia, parece particularmente interessante, é aquela faceta que que se revela em muitos, dos que não pretendem mais de que por um qualquer sintoma, mostrar que têm muitos amigos.
Claro, amigos virtuais (e ainda assim fica um pouco aquém do conceito de amigo virtual). No meu caso chegam-me convites ao HI5 (plataforma à qual nunca achei grande interesse, por ser até no aspecto, demasiado pro-teenager) e ao Facebook de pessoas que nunca vi na vida! Por norma não aceito esses convites, a não ser quando por análise ao perfil da pessoa, fique a dúvida se até já num qualquer contexto, social, profissional ou mais provavelmente político, possa ter cruzado com essa pessoa e não me recorde. Não tenho em todo caso muitas desses casos desses no Facebook (no HI5 nem sei bem, praticamente nunca lá vou).


Mas é evidente que há pessoas com mãos cheias de "amigos" nessas redes com quem nunca trocaram uma palavra, ou mesmo nunca viram. Há muita gente "amiga" na internet que é bem capaz de se cruzar na rua e não se conhecer. Para mim, como disse, isto é estranho, mas igualmente muito interessante, pois muito revela da personalidade genérica do ser humano.
Além de fazer lembrar aquela coisa muito adolescente, de por exemplo quando íamos a uma visita de estudo na escola, andarmos a pedir o número às raparigas todas que víamos (e elas a nós) simplesmente para chegar ao fim do dia e dizermos que tínhamos mais números de "novas amigas" que o nosso melhor amigo. (e quando fui adolescente os telemóveis ainda eram mais ou menos ficção científica, o mais parecido que havia eram uns tijolos enormes, tínhamos que nos contentar com números de rede fixa).

há dias assim...


...desafinados, desajeitados, desajustados.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

prevenção

Ora, descobri há pouco que há um novo blogue de má língua cá na terra (anónimo, como é costume). Investigando um pouco o espaço descubro que é seguidor do "algures aqui", sendo aliás este o único blogue por lá identificado.
Como eu já ando por cá há uns tempos, e já sei do que a casa gasta, serve este post apenas para garantir que nada tenho que ver com a autoria desse blogue.


Aproveitando esclareço: eu nada tenho contra a má-língua, pelo contrário, se inteligente e com algum humor pode ser um excelente serviço, pelo o qual tenho aliás particular gosto. Na TV por exemplo, tenho canais que nunca mais acabam, mas é quase como se só tivesse um (até porque vejo pouco), que é a SIC Notícias, onde sempre que posso vejo o "Eixo do Mal" que é exactamente desta índole (já para não falar no novo programa dos marretas, o "Plano Inclinado" - Medina Carreira e Mário Crespo havia de dar o quê?). A "contra-informação" na RTP é outro bom exemplo, embora já não consiga perceber quando é que é transmitido. E é inevitável falar nos Gato Fedorento (que têm férias muito longas!).
Ainda nesta onda, aconselha-se por exemplo o "governo sombra" na TSF, ou na escrita jornalística, por exemplo os artigos de Miguel Esteves Cardoso (embora noutros tempos fossem melhores).

Não há portanto, nada contra a má-língua, desde que percebendo que até esta tem regras.
O que não não é costume acontecer por Tomar, onde, certamente por incapacidade para mais, se confunde má-lingua com falar mal, onde se confunde ironia ou humor, com parvoíce e calúnia.

Sobre o blogue que dá origem a este post, deseja-se melhor sorte que os muitos que o antecederam cá pela nabância, para o qual será necessário julgo eu, aceitar a diferença entre os dois estados que antes enunciei, e praticar apenas o primeiro.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

sábado, fevereiro 20, 2010

consternação


«As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros» 

Oscar Wilde




Envolvido em várias outras actividades até ao meio da tarde, onde nunca o assunto surgiu, e depois disso enfiado na minha actual labuta entre "papéis académicos", só há pouco me apercebi ao ligar a televisão para as (minhas) primeiras notícias do dia, do que se passou/está a passar na Madeira.
É verdade que não é o Haiti, mas ver imagens como as que as TVs estão a passar, mostrando como a natureza além de imprevisível, pode ser avassaladora (e às vezes ajudada pelo desmazelo ou irresponsabilidade do Homem), é sempre razão para nos sentirmos insignificantes no mundo, e horrificamente deslumbrados por ele.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

info cultural


A tomarense e amiga Engrácia Cardoso tem patente em Lisboa mais uma exposição de pintura. Desta feita com o título animalidades na  Galeria Corrente d'Arte.
A visita obviamente recomenda-se.

(Galeria Corrente d'Arte, Av. D. Carlos I, 109 - ali a subir de Santos para São Bento.)

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Deontologia... às vezes.

Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional. O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.

Dado o circo instalado na actualidade (pão e circo, já sabiam os romanos, é o que a malta gosta), e no preciso momento em que alguém que eu considerava um jornalista minimamente profissional (e não isento, que isso ninguém é), está na comissão de ética da AR a comportar-se como o menino a quem tiraram o chupa-chupa (e em troco ganhou um saco cheio!...), tive curiosidade em ir relembrar o que dizem os mandamentos da profissão jornalística.
Não deixa de ser muito interessante... ler o que (já) pouco é respeitado, a começar logo pelos primeiros dois pontos. 

E depois, haja ou não razão, lá vêm os corporativismos, como agora é bem perceptível em relação aos jornalistas. Já se sabe que em relação a estes, como a qualquer outro grupo de interesses, os malandros são sempre os mesmos: os políticos. (Sim, hoje os do PS, mas amanhã serão os do PSD, ou quaisquer outros que estejam no poder - calha a todos).
Como diria outro que também teve a sua quota de alfinetadas, e acabou por mandar tudo às urtigas, como se calhar embora menos provável, o actual primeiro acabará por fazer: É A VIDA!

E depois queixam-se que este país não tem emenda.



Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses
1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.

6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.

9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

regabofe

"Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário"
George Orwell


Este país parece apostado a mostrar que não sabe ou não gosta de viver em Democracia. Confunde-se Liberdade com libertinagem.
Está tudo apostado em mandar o primeiro-ministro para casa, a começar pelos amigos dele que só metem argoladas.
Por mais que isso possa vir a satisfazer os egos, os ódios, e todos os demais sentimos ruins que perpassam na nossa sociedade carente de valores, o que se está a passar é muito grave, e se o Governo cair será muito pior.
Muito mais que as questões da economia, e o que isso poderá agravar da credibilidade do Estado, da pressão das agências de rating, etc, o que é grave em tudo isto é o Estado de Direito que se está a esvanecer.
Acabaram-se os direitos individuais, a presunção de inocência, o respeito pelas leis e pelas regras. Os julgamentos são feitos na comunicação social e nas ruas.
Ao contrário da imagem que muitos conseguem fazer passar, não é a liberdade de expressão que está em risco, mas o exacto contrário. Em Portugal todos dizem o que querem, fazem o que bem entendem, que nada lhes acontece; por maior que seja o disparate, a mentira, a calúnia, enfim...
Já nem os tribunais de nada valem. Todo o país sabe hoje, que um tribunal decretou uma providência cautelar sobre a publicação de escutas que envolvam um cidadão em particular, dando-lhe razão sobre os seus direitos individuais. Pois todos sabemos já que esse jornal ignorará essa ordem. É razão para estarmos felizes? Eu acho que não, a partir daqui tudo é possível. Se nem aos tribunais atribuirmos autoridade, quem zelará pelo Estado?


E Sócrates, é culpado de alguma coisa? Não sei. Que mexeu em muitos interesses não tenho dúvidas, alguns mexem-se na sombra.
A ele será cada vez mais difícil a sobrevivência política, provavelmente sem culpas naquilo que o acusam, ou se algumas tiver, provavelmente nunca o saberemos, porque cada vez mais é a vontade de o sacrificar, e com ele o seu Governo. Mas o que os seus opositores não percebem, ou não querem perceber alimentados pelos seus desejos mais imediatos, desde logo caindo muitas vezes em atitudes e afirmações que a si próprios negam (por exemplo quando políticos comentam decisões judiciais, esquecendo os princípios fundamentais que regem a nossa Constituição e a Lei),  é que Sócrates quando muito perderá na imagem pessoal, mas quem perde verdadeiramente com todo o disparate instalado é a Política, são os políticos, os partidos, a credibilidade das instituições e a confiança nelas, todas sem excepção - Presidente da República, Governo, Parlamento, Tribunais - mas também a própria comunicação social, o Estado de Direito, os princípios da legalidade, e por aí fora, até chegar a cada um de nós, e aos nossos direitos individuais que deixam de estar protegidos, e disponíveis para qualquer fome mediática.


Ditadura? Não é. Mas Democracia também não me parece. É a realidade de um país cada vez mais sem sentido, onde rareia cultura, educação, inteligência e bom senso. Onde faltam valores. Um país cada vez mais anárquico, onde falta responsabilidade, animado por bobos da corte que nos enchem as televisões de afirmações que são insultos à inteligência; um país que não sabe pensar por si, precisando de manadas de comentadores que nos "explicam" como bem entendem a suposta realidade que vivemos.
A Sócrates talvez não reste muito tempo como Primeiro-ministro, mas depois virá outro a quem acusarão das mesmas ou de similares culpas, e a seguir outro e por aí fora.
Somos um país ingénuo e assim sem emenda. Praticamente sem experiência (quanto mais maturidade!) democrática.
E depois fazemos esgares hipócritas de admiração, quando alguns pedem um novo Salazar!
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segunda-feira, fevereiro 08, 2010


"A man who knows the price of everything and the value of nothing"
assim define Lord Darlington um cínico, em O Leque de Lady Windermere de Oscar Wilde, tão aplicável a tantos nos nossos dias.



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__por mais um final

E na inutilidade dos dias que passam
não descubro mais razão ou sorte em mim
não no jejuar dos lírios em gotas frias do orvalho matutino
não no piar doce das rolas ao fechar os olhos com o deitar do sol
entre esses dias
e entre todo o renascer das virgens flores
e o cair das folhas amarelas crispadas, mortas, por onde já vivi
sou apenas a mesma massa de disformidade humana
crasso molde inacabado que ninguém ao certo deseja completar.

O vazio constante cresce abrupto
sugando-me a dentro, sempre
as marés de algo meu que seja vida
enchem e escoam sem areia molhar
assim cheguei, sem pensar, a mais um final
talvez prematuro ainda que ansiado
algo dei, algo fiz, cheguei julgar saber
e quando caem as últimas folhas
ainda que apenas as andorinhas se baptizem no voo
amigo feitos, amigos idos, e a estação é só mais uma...
- Alguém sabe quem sou?

no baú de silêncios, com já mais de uma década, encontrei um guião para esta hora. Naquele dia o contexto era outro e irrepetível, mas a questão acompanhar-me-á sempre. 
- porque está este post às cores? Hum, uma pergunta difícil de cada vez se faz favor!...

um herói português...

... que os suecos já descobriram.
É não permite comentários, deve mesmo ser visto, com bom som e mesmo até ao fim. Demora um pouco a carregar mas vale a pena.

http://en.tackfilm.se/?id=1263505032304RA96

terça-feira, fevereiro 02, 2010

censura ou sem lisura ou sem vergonha

Esta questão da alegada conversa do Primeiro-ministro acerca do jornalista Mário Crespo inquieta-me.
Para já, contínuo convencido que ou não será verdade, ou, não sendo falsa, será muito diferente da forma como se apresenta.
Esta convicção baseia-se numa questão de lógica e de presumido bom senso. Primeiro porque não acredito que o que diga ou não a comunicação social preocupe assim tanto Sócrates; depois, porque mesmo que preocupasse não o imagino a ter essas conversas ao restaurante onde todos pudessem ouvir; por fim, porque mesmo que o fizesse, não me parece que a sua grande preocupação, convenhamos, fosse Mário Crespo, que por bom jornalista que seja, está quase reduzido a um simples moderador dos frente-a-frente entre os vários convidados do jornal das 9 da SIC Notícias.
Quer-me por isso parecer que muito disparate existe, nesta como noutras notícias similares que têm ocorrido.

De qualquer forma inquieta-me, por um lado porque a ser verdade, não numa perspectiva de opinião, porque opiniões sobre os outros todos temos e com direito a tê-las sejam elas positivas ou negativas, mas na linha de tentar influenciar ou mesmo condicionar a comunicação social, seria grave; por outro porque não sendo, confirma esta tendência cada vez maior de vivermos na base do boato (tudo, mas principalmente este ponto muito se aplica a Tomar), da calúnia, da falsa notícia ou opinião que passa a facto, e não sendo provada também nunca verdadeiramente se consegue contestar, persistindo no tempo como uma insinuação de veracidade.

Seja como for, isto é certo: Mário Crespo deve como jornalista responsável que acredito ser, formalizar o que acusa com uma queixa na ERC, sob pena de ser acusado de estar apenas a "mandar bitaites"; o Primeiro-ministro se está isento do que é acusado deve apresentar queixa por difamação nos tribunais, porque se o estiver, nada disto tem que ver com liberdade de informação mas com simples calúnia.

Uma nota final para o Director do JN. Na minha opinião esteve absolutamente correcto ao não publicar aquilo que não era um artigo de opinião de Mário Crespo, mas incontestavelmente uma suposta notícia (ainda para mais em causa própria), sem ter para a mesma qualquer contraditório.
Assim procedessem sempre todos os responsáveis pelos orgãos da comunicação social.
(e lá voltamos a Tomar: entre tantos exemplos ao longo dos anos, principalmente nos jornais, o que dizer na actualidade de um certo programa semanal da rádio Hertz, onde sem qualquer contraditório se confundem factos com opinião, e que não tem qualquer outro propósito que não seja o ataque aos alvos dos comentadores residentes?)

gestão à tuga

Nos dois jornais da cidade nabantina encontramos na semana que passou uma nota dos funcionários dos Serviços de Higiene e Limpeza da Câmara Municipal de Tomar, a agradecer publicamente "o gesto" da Junta de Freguesia de Casais. O gesto não é mais que um jantar oferecido não sabemos onde, e onde estiveram 50 pessoas diz o Cidade de Tomar, 70 diz O Templário, (apostemos nas 60).
Ora, este gesto vindo sabe-se lá a que propósito, é aquilo a que eu chamaria de despesismo, infelizmente muito habitual em muitas destas (mini) autarquias (e ao que parece naquela em particular), cuja existência é posta em causa por atitudes destas, uma vez que muitas gastam os seus orçamentos exactamente em almoços, jantares e passeios. Mas dizem sempre que precisam de mais dinheiro. Se é para isto, ainda bem que não têm.
É que os dinheiros que pagam estes jantares, por muito justificados que possam ser, são públicos, e o combate ao enorme desperdício do Estado, e à colossal má gestão que tem imperado, começa nestas coisas, por mais insignifcantes que possam parecer. (é como o Alberto João a dizer que as transferências a mais que quer na Madeira não têm significado orçamental!).
E agora imaginemos: que todas as juntas do concelho decidem fazer o mesmo (porque senão as outras é que são más juntas); mas depois não pode ser só a estes serviços, o que vão dizer os outros?, portanto no caso do município de Tomar são cerca de 400 funcionários; e depois as outras 4244 freguesias do país - continuaria a parecer pouca coisa?
A verdade é que uma análise à execução orçamental a muitas juntas, verificaria que boa parte do orçamento, por curto que ele seja, é desperdício neste tipo de coisas. E assim, é difícil sairmos da cepa torta.