A perspectiva e o interesse com que olhamos um determinado assunto, ou mesmo um objecto, faz-nos dele retirar impressões que são únicas e pessoais, e naturalmente variam exactamente consoante a posição e até mesmo o (pre)conceito com que olhamos.
O mesmo se aplica por exemplo em política. Não percebo tanto alarmismo em volta da falta do vereador do PS a uma reunião da Câmara de Tomar. Acontece. A verdade é que em dois anos do actual mandato eu sei e é fácil que qualquer pessoa saiba exactamente quantas vezes o lugar do vereador do PS não esteve ocupado: duas.
O que eu já não sei, e duvido que alguém saiba, é quantas vezes já faltou o Presidente da Câmara, e não vejo grande alarido em relação a isso.
Pronto, tenho de ficar feliz, deve ser a confirmação que se nota mais a ausência do vereador do PS que a do Presidente...
quinta-feira, setembro 27, 2007
Santana em grande
Não imaginava que tão cedo aqui homenageasse Santana Lopes, mas impõe-se.
Ontem às 22.30 na SIC Notícias Santana começa uma entrevista sobre as directas no PSD, e dois ou três minutos depois é interrompido para o directo da chegada de Mourinho.
Quando o directo termina Santana diz à pivôt do jornal que Mourinho é certamente muito importante, aceita e compreende as regras do jornalismo, mas que tem também as suas, e não aceita ser interrompido por um treinador de futebol, pelo que não continua a entrevista.
Teve-os no sítio. Aplausos para Santana.
Ontem às 22.30 na SIC Notícias Santana começa uma entrevista sobre as directas no PSD, e dois ou três minutos depois é interrompido para o directo da chegada de Mourinho.
Quando o directo termina Santana diz à pivôt do jornal que Mourinho é certamente muito importante, aceita e compreende as regras do jornalismo, mas que tem também as suas, e não aceita ser interrompido por um treinador de futebol, pelo que não continua a entrevista.
Teve-os no sítio. Aplausos para Santana.
quinta-feira, setembro 20, 2007
Concerto dos Quinta, 2º round
Depois de São Pedro ter estragado a festa, o concerto que marca os 20 anos dos Quinta e que será gravado para DVD, está agora agendado para dia 4 no mesmo local, a Praça da República.Se chover, será no Pavilhão Municipal.
É mesmo bom que não chova, não só porque o espectáculo terá outra envolvência, mas também porque o Pavilhão como os tomarenses sabem, não gosta muito de chuva...
Valha-nos São Gregório

A pequena ermida de São Gregório ali bem às portas do Hotel dos Templários e do recém "liftado" jardim da Várzea (jardim do coreto para os amigos), já conheceu dias mais resplandecentes.
Não só apresenta evidentes sinais de degradação, para não dizer abandono, como ainda é objecto de falta de bom senso, ou bom gosto, ou sabe-se lá, como aquele identificativo de alarme colocado no local que a foto mostra.
sábado, setembro 15, 2007
Quinta do Bill - 20 anos
quinta-feira, setembro 13, 2007
De volta à capital do império


Sim, sem muito tempo ou condições, e a já habitual falta de vontade para escrever por aqui, fica a informação para os amigos e também a algumas mentes muito preocupadas, que desde o início de Setembro, e cinco anos depois, voltei a Lisboa.
Pronto, por este ano, de segunda a sexta, é entre o Chiado e São Bento, que me podeis encontrar.
I Encontro da CPCJ de Tomar
"Prevenir, Intervir e Proteger a Criança"
Hoje, Biblioteca Municipal de Tomar
9.00h – Abertura do Secretariado
9.30h – Sessão de Abertura
- Armando Leandro – Presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco
- António Paiva – Presidente da Câmara Municipal de Tomar
- Paulo Fonseca – Governador Civil de Santarém
- Sandra Mata – Presidente da CPCJ
10.45h – I Painel – A CPCJ (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens) de Tomar
″ Composição e Funcionamento da CPCJ
- Sandra Mata – Presidente da CPCJ de Tomar
″ O Papel das Forças de Segurança
- José Nascimento (Sargento) –
Comandante de Posto da GNR de Tomar
- Luís Soares (Subcomissário) –
Comandante da Esquadra da PSP de Tomar
Moderador: Carlos Trincão (Professor)
Debate
Pausa para café
11.45h – II Painel – A Justiça
″ Enquadramento Jurídico
- Filomena Saúde
Procuradora Adjunta na Comarca de Tomar
″ O Juiz no Processo de Promoção e Protecção
- Miguel Ferreira Vaz – Juiz de Direito na Comarca de Tomar
Moderador: Anabela Estanqueiro (Advogada)
Debate
13.00h – Pausa para Almoço
14.30h – III Painel Maus–Tratos – Sinais de Alerta
- Otília Fonseca Branco – Médica Pediatra – CHMT – Hospital Nossa Senhora da Graça Tomar
- Ema Maria Moreira Leitão Santos – Médica Pediatra – CHMT – Hospital Nossa Senhora da Graça Tomar
Moderadora: Margarida Arnaut (Enfermeira)
Debate
15.45h IV Painel – A Escola: " A Indisciplina no Espaço Escolar"
- Presidentes de Conselhos Executivos:
Agrupamento Gualdim Pais – Luísa Oliveira – Professora
Agrupamento Sta. Iria – Paulo Macedo – Professor
Agrupamento D. Nuno Álvares Pereira – Fernanda Correia – Professora
Escola Secundária Santa Maria do Olival – Mª Celeste Sousa – Professora
Escola Secundária Jácome Ratton – Helena Escudeiro – Professora
Moderador: Ivo Santos (Professor)
17.30h – Sessão de Encerramento
Café
Até há pouco tempo fiz parte da CPCJ de Tomar, e não só por isso, mas pela relevância da entidade, tenho pena de não poder participar hoje nesta inicitiava. Desde que há não muito tempo atrás, a CPCJ de Tomar era das com pior imagem no seu funcionamento ao nível distrital, até ao dinamismo que agora já mostra, muito mudou em pouco mais de um ano pelo que os seus membros e a sua presidente Sandra Mata estão de parabéns.
Continuem nesse caminho.
Hoje, Biblioteca Municipal de Tomar
9.00h – Abertura do Secretariado
9.30h – Sessão de Abertura
- Armando Leandro – Presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco
- António Paiva – Presidente da Câmara Municipal de Tomar
- Paulo Fonseca – Governador Civil de Santarém
- Sandra Mata – Presidente da CPCJ
10.45h – I Painel – A CPCJ (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens) de Tomar
″ Composição e Funcionamento da CPCJ
- Sandra Mata – Presidente da CPCJ de Tomar
″ O Papel das Forças de Segurança
- José Nascimento (Sargento) –
Comandante de Posto da GNR de Tomar
- Luís Soares (Subcomissário) –
Comandante da Esquadra da PSP de Tomar
Moderador: Carlos Trincão (Professor)
Debate
Pausa para café
11.45h – II Painel – A Justiça
″ Enquadramento Jurídico
- Filomena Saúde
Procuradora Adjunta na Comarca de Tomar
″ O Juiz no Processo de Promoção e Protecção
- Miguel Ferreira Vaz – Juiz de Direito na Comarca de Tomar
Moderador: Anabela Estanqueiro (Advogada)
Debate
13.00h – Pausa para Almoço
14.30h – III Painel Maus–Tratos – Sinais de Alerta
- Otília Fonseca Branco – Médica Pediatra – CHMT – Hospital Nossa Senhora da Graça Tomar
- Ema Maria Moreira Leitão Santos – Médica Pediatra – CHMT – Hospital Nossa Senhora da Graça Tomar
Moderadora: Margarida Arnaut (Enfermeira)
Debate
15.45h IV Painel – A Escola: " A Indisciplina no Espaço Escolar"
- Presidentes de Conselhos Executivos:
Agrupamento Gualdim Pais – Luísa Oliveira – Professora
Agrupamento Sta. Iria – Paulo Macedo – Professor
Agrupamento D. Nuno Álvares Pereira – Fernanda Correia – Professora
Escola Secundária Santa Maria do Olival – Mª Celeste Sousa – Professora
Escola Secundária Jácome Ratton – Helena Escudeiro – Professora
Moderador: Ivo Santos (Professor)
17.30h – Sessão de Encerramento
Café
Até há pouco tempo fiz parte da CPCJ de Tomar, e não só por isso, mas pela relevância da entidade, tenho pena de não poder participar hoje nesta inicitiava. Desde que há não muito tempo atrás, a CPCJ de Tomar era das com pior imagem no seu funcionamento ao nível distrital, até ao dinamismo que agora já mostra, muito mudou em pouco mais de um ano pelo que os seus membros e a sua presidente Sandra Mata estão de parabéns.
Continuem nesse caminho.
quarta-feira, setembro 12, 2007
sábado, setembro 08, 2007
Numa terra longínqua…
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 7 de Setembro
Era uma vez uma pequena terra, presa num formoso vale entre um rio serpenteante e um antigo castelo. Uma terra de histórias e lendas, de feitos e feitiços, e de acontecimentos que em mais lado nenhum se viam.
Nessa terra governava um homem que se entendia iluminado. Outrora estrangeiro, chegara com promessas de coisas novas e de progresso. Conquistado o poder, pensou criar uma obra que fosse a sua imagem, que mostrasse a todos a sua capacidade de governar, que fizesse as pessoas sonhar e admirar. Depois de pouco pensar decidiu, «Vou construir uma fonte!». «As fontes tem o seu quê de mágico, todos gostam de água, então se for água a saltar e a cair, e com luzes e tudo mais, o sucesso é garantido» pensou. Pensou, decidiu e mandou fazer. Mas a coisa não correu bem ao desventurado governante, pois apesar das arcas carregadas de moedas de ouro que gastou, o povo da terra não percebeu o engenho e arte da sua criação, e além do mais havia um bruxedo qualquer que enguiçava a obra que não parava de avariar.
É preciso outra coisa, outra obra magicou, «O que é que eu posso fazer que seja o espelho da minha mestria e mostre como estou muito à frente dos incultos cá da terra? Já sei, coisa inovadora, vou fazer um palácio onde as pessoas possam guardar as suas carruagens do sol e da chuva, enquanto fazem compras aqui no centro deste malfadado sítio». Dito e feito, contra todas as dificuldades que alguns locais com a mania que sabiam alguma coisa de governação lhe tentaram colocar, e com um grande carregamento de arcas de moedas, a obra nasceu.
Mas triste sina de quem tem razão mesmo que sozinho, nasceu torta, parece que as pessoas não iam lá pôr as carruagens, mais, até parece que nem sequer iam fazer compras ali perto, é que até parece que faziam de propósito!
O governante desesperava, mais sorte tiveram os seus antepassados que podiam simplesmente obrigar as pessoas a cumprir a sua vontade, mas agora corriam aqui e ali aquelas ideias diabólicas de conferir às pessoas a ideia de que podiam escolher e tomar decisões, e isto só complica a vida de quem tem tamanhas responsabilidades.
«Mas não me dou por vencido», pensou, «se não vai lá com um palácio, faço outro, e desta vez será ainda mais engenhoso, será subaquático! E se dez arcas de ouro não chegarem, que sejam vinte!»
Ora está-se mesmo a ver, uma vez mais, o povo da terra não colaborou e a coisa não correu bem. Achavam que aquilo não estava bem, que estava mal planeado, mal localizado. Ainda não era aquela a obra pela qual seria lembrado nos anais da história.
«Maldição! Mas que preciso fazer para contentar esta gente?!» Chateado, contra tudo e todos e até a própria corte, que embora não o dissesse não gostava da ideia, mandou fechar um pequeno parque onde peregrinos e visitantes vinham apreciar a terra – chamavam-lhe campistas e traziam moedas que por lá deixavam. Fê-lo pensando «nesta terra ninguém dorme ao relento, aqui só nas melhores hospedarias», mas claro, mais uma vez foi incompreendido. Parece que as pessoas gostavam mesmo de dormir no chão debaixo dumas tendas.
«Mas onde é já se viu isto, eu trago-lhes conforto e é assim que me tratam?!» exasperava, «Mas porque será que não consigo fazer nada que não dê buraco?! Vou-me embora, vou procurar outros que mereçam mais!».
Mas faltava a obra, faltava aquela marca que o tornasse imortal, que tornasse o seu nome merecedor das mais exuberantes homenagens e das mais doces memórias. Não era apenas isso, para dar lugar a novas e boas memórias era preciso primeiro apagar as que lembravam da má governação, as pessoas regem-se por símbolos e imagens, então, era preciso eliminar os maus símbolos e substituí-los por outros. Por muito que isso custasse!
E qual era o grande símbolo, bem à vista de todos, do desastre do seu comando? A fonte, a velha fonte, que velha não era pelo contrário, mas vil feitiço, parecia velha e podre. Era preciso eliminar aquilo, fazer outra. Tudo o que é novo, mesmo que por pouco tempo contenta as pessoas. «Arrase-se isto e uma nova se faça!», ordenou. E se calhar, se calhar até o parque, aquela coisa de pobres, se calhar até aquilo podia abrir outra vez…
Mas a obra, a obra que perdurasse faltava ainda. «Já sei, eureka! Uma ponte, uma ponte pelo altíssimo!» As pontes também têm o seu quê de mágico, servem para unir coisas, pessoas, são como elos, e são obras que impressionam, mesmo que colocadas num sítio onde não servem para grande coisa.
Naturalmente, por esta altura as finanças do sítio já não andavam muito bem, mas isso seria problema que outros resolveriam, importante importante era a sua obra e o governante, já não tão jovem, já pouco amado, mesmo que ninguém mais o entendesse, e que a própria corte lhe dissesse sim pela frente e o contrário às escondidas, precisava dessa obra.
Mas, uma ponte seria pouco, havia ainda muitas marcas negativas, a obra tem que ser muito impressionante para fazer esquecer o resto. «O que hei eu de fazer mais?…». Pois havia lá no centro do lugar, um mercado já um pouco antigo, esquecido até aí pelo governante mas apreciado pelos habitantes, onde iam vender os produtos da terra, onde se encontravam com os amigos, e onde mesmo os só de passagem gostavam de entrar, por muito sujo e decadente a que tivesse chegado.
Nem mais. O governante, que o que gostava mesmo era de demolições delirava «É isso, é mesmo isso, vou deitar aquela coisa bafienta e a cheirar a peixe abaixo, e fazer ali mais um palácio, um palácio onde entrem pessoas finas, onde se vendam os melhores linhos e se façam os melhores gourmets! E como vou fazer a bela ponte mesmo ali ao lado, aquilo vai ser uma das sete maravilhas que a terra não tem! Vamos lá ver se se lembram de mim ou não!»
O governante rejubilava, inchava de orgulho com a sua imaginação e capacidade de ver o que mais ninguém via. Pois, é que, está-se mesmo a ver não é? Há coisas que não mudam, e o resultado… bom, o resultado fica como a moral desta história, passada lá nessa terra longínqua esquecida no tempo e no território, para o entendimento de cada um. Não é assim tão difícil de lá chegar, pois não?…
Era uma vez uma pequena terra, presa num formoso vale entre um rio serpenteante e um antigo castelo. Uma terra de histórias e lendas, de feitos e feitiços, e de acontecimentos que em mais lado nenhum se viam.
Nessa terra governava um homem que se entendia iluminado. Outrora estrangeiro, chegara com promessas de coisas novas e de progresso. Conquistado o poder, pensou criar uma obra que fosse a sua imagem, que mostrasse a todos a sua capacidade de governar, que fizesse as pessoas sonhar e admirar. Depois de pouco pensar decidiu, «Vou construir uma fonte!». «As fontes tem o seu quê de mágico, todos gostam de água, então se for água a saltar e a cair, e com luzes e tudo mais, o sucesso é garantido» pensou. Pensou, decidiu e mandou fazer. Mas a coisa não correu bem ao desventurado governante, pois apesar das arcas carregadas de moedas de ouro que gastou, o povo da terra não percebeu o engenho e arte da sua criação, e além do mais havia um bruxedo qualquer que enguiçava a obra que não parava de avariar.
É preciso outra coisa, outra obra magicou, «O que é que eu posso fazer que seja o espelho da minha mestria e mostre como estou muito à frente dos incultos cá da terra? Já sei, coisa inovadora, vou fazer um palácio onde as pessoas possam guardar as suas carruagens do sol e da chuva, enquanto fazem compras aqui no centro deste malfadado sítio». Dito e feito, contra todas as dificuldades que alguns locais com a mania que sabiam alguma coisa de governação lhe tentaram colocar, e com um grande carregamento de arcas de moedas, a obra nasceu.
Mas triste sina de quem tem razão mesmo que sozinho, nasceu torta, parece que as pessoas não iam lá pôr as carruagens, mais, até parece que nem sequer iam fazer compras ali perto, é que até parece que faziam de propósito!
O governante desesperava, mais sorte tiveram os seus antepassados que podiam simplesmente obrigar as pessoas a cumprir a sua vontade, mas agora corriam aqui e ali aquelas ideias diabólicas de conferir às pessoas a ideia de que podiam escolher e tomar decisões, e isto só complica a vida de quem tem tamanhas responsabilidades.
«Mas não me dou por vencido», pensou, «se não vai lá com um palácio, faço outro, e desta vez será ainda mais engenhoso, será subaquático! E se dez arcas de ouro não chegarem, que sejam vinte!»
Ora está-se mesmo a ver, uma vez mais, o povo da terra não colaborou e a coisa não correu bem. Achavam que aquilo não estava bem, que estava mal planeado, mal localizado. Ainda não era aquela a obra pela qual seria lembrado nos anais da história.
«Maldição! Mas que preciso fazer para contentar esta gente?!» Chateado, contra tudo e todos e até a própria corte, que embora não o dissesse não gostava da ideia, mandou fechar um pequeno parque onde peregrinos e visitantes vinham apreciar a terra – chamavam-lhe campistas e traziam moedas que por lá deixavam. Fê-lo pensando «nesta terra ninguém dorme ao relento, aqui só nas melhores hospedarias», mas claro, mais uma vez foi incompreendido. Parece que as pessoas gostavam mesmo de dormir no chão debaixo dumas tendas.
«Mas onde é já se viu isto, eu trago-lhes conforto e é assim que me tratam?!» exasperava, «Mas porque será que não consigo fazer nada que não dê buraco?! Vou-me embora, vou procurar outros que mereçam mais!».
Mas faltava a obra, faltava aquela marca que o tornasse imortal, que tornasse o seu nome merecedor das mais exuberantes homenagens e das mais doces memórias. Não era apenas isso, para dar lugar a novas e boas memórias era preciso primeiro apagar as que lembravam da má governação, as pessoas regem-se por símbolos e imagens, então, era preciso eliminar os maus símbolos e substituí-los por outros. Por muito que isso custasse!
E qual era o grande símbolo, bem à vista de todos, do desastre do seu comando? A fonte, a velha fonte, que velha não era pelo contrário, mas vil feitiço, parecia velha e podre. Era preciso eliminar aquilo, fazer outra. Tudo o que é novo, mesmo que por pouco tempo contenta as pessoas. «Arrase-se isto e uma nova se faça!», ordenou. E se calhar, se calhar até o parque, aquela coisa de pobres, se calhar até aquilo podia abrir outra vez…
Mas a obra, a obra que perdurasse faltava ainda. «Já sei, eureka! Uma ponte, uma ponte pelo altíssimo!» As pontes também têm o seu quê de mágico, servem para unir coisas, pessoas, são como elos, e são obras que impressionam, mesmo que colocadas num sítio onde não servem para grande coisa.
Naturalmente, por esta altura as finanças do sítio já não andavam muito bem, mas isso seria problema que outros resolveriam, importante importante era a sua obra e o governante, já não tão jovem, já pouco amado, mesmo que ninguém mais o entendesse, e que a própria corte lhe dissesse sim pela frente e o contrário às escondidas, precisava dessa obra.
Mas, uma ponte seria pouco, havia ainda muitas marcas negativas, a obra tem que ser muito impressionante para fazer esquecer o resto. «O que hei eu de fazer mais?…». Pois havia lá no centro do lugar, um mercado já um pouco antigo, esquecido até aí pelo governante mas apreciado pelos habitantes, onde iam vender os produtos da terra, onde se encontravam com os amigos, e onde mesmo os só de passagem gostavam de entrar, por muito sujo e decadente a que tivesse chegado.
Nem mais. O governante, que o que gostava mesmo era de demolições delirava «É isso, é mesmo isso, vou deitar aquela coisa bafienta e a cheirar a peixe abaixo, e fazer ali mais um palácio, um palácio onde entrem pessoas finas, onde se vendam os melhores linhos e se façam os melhores gourmets! E como vou fazer a bela ponte mesmo ali ao lado, aquilo vai ser uma das sete maravilhas que a terra não tem! Vamos lá ver se se lembram de mim ou não!»
O governante rejubilava, inchava de orgulho com a sua imaginação e capacidade de ver o que mais ninguém via. Pois, é que, está-se mesmo a ver não é? Há coisas que não mudam, e o resultado… bom, o resultado fica como a moral desta história, passada lá nessa terra longínqua esquecida no tempo e no território, para o entendimento de cada um. Não é assim tão difícil de lá chegar, pois não?…
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