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terça-feira, setembro 19, 2017

Pedras no caminho certo?

artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 15 de setembro

Se defendo que quem governa não comenta, fui coerente durante estes quatro anos em deixar de escrever opinião neste jornal. Agora, ao menos uma vez e porque se avizinha novo momento de decisões importantes para a nossa comunidade, sinto o dever de dizer algo.
Trabalhámos muito nestes 4 anos e com condições muito difíceis, e propomo-nos a continuar a fazê-lo. E há muito trabalho pela frente.
Internamente, continuar a reduzir a dívida e restruturar serviços, continuar a rever regulamentos e procedimentos, tendo sempre em vista a simplificação administrativa e a facilidade de acesso e economia dos munícipes.

Continuar e aumentar a promoção do concelho no exterior a vários níveis, aumentar e qualificar os eventos seja na cultura, no desporto ou noutras áreas, para que a indústria do turismo continue a crescer de forma sustentada, a criar postos de trabalho e a movimentar a economia local.
Rever os instrumentos de gestão do território que têm sido castrantes para o desenvolvimento urbano e levar o novo PDM a discussão pública. Continuar a apostar na reabilitação urbana e na requalificação de espaços da cidade (e nas aldeias) como as avenidas de acesso à cidade ou a Várzea Grande cujos projetos estão em andamento, ou a zona ribeirinha do Flecheiro após a saída total de quem ali foi colocado há mais de 40 anos.

Sobre isso, muito se falou ao longo desses 40 anos mas até este mandato, por iniciativa da Câmara nunca dali tinha saído uma família, nunca tinha sido derrubada uma barraca. Hoje, das 230 pessoas que ali encontrámos no início deste mandato, estão apenas cerca de 150 e vários projetos em curso para retirar as restantes. (E não, apesar dessa mentira ter pegado, nunca prometemos resolver o assunto em 100 dias).
Na área da habitação aliás, e depois do abandono a que os bairros sociais estiveram durante anos, no trabalho conjunto com a freguesia urbana foram reabilitadas e já entregues mais casas do que em qualquer outro mandato autárquico. E, não interessa nada porque não podemos olhar a isso, mas para que conste a verdade, ao contrário do que é dito, a maioria das famílias que iniciou nova vida não é cigana.

Apesar da redução da dívida, e com esforço de rigor e contenção, foi possível nestes 4 anos aumentar os apoios sociais, bem como os apoios na área da educação. As associações de pais por exemplo, recebem hoje a tempo e horas quando há 4 anos, existiam associações a quem o município devia refeições e ATL’s há 9 meses!
Isso é o que se passa também com a generalidade dos fornecedores que hoje recebem na casa dos 60 dias. Que diferença daquilo que encontrámos! O município de Tomar voltou a ter crédito na praça, quando há 4 anos muito fornecedores já só com dinheiro à frente.
E apesar desse rigor e contenção, aumentou-se o apoio ao associativismo e mudaram-se as regras tendo pela primeira vez todas as associações podido candidatar-se independentemente da área em que funcionam.
Aumentaram-se (e muito!) as transferências para as juntas de freguesia, e sempre por acordos de execução, ou seja, com destino previamente acordado, ou que permitiu muito mais obra por todo o concelho, com rigor e transparência.
Resolveram-se problemas de anos, como a ponte do Carril, a estrada da Serra e várias outras, a obra do mercado, o parque infantil ribeirinho, e tanto mais – tudo saído do orçamento municipal sem 1 cêntimo de fundos comunitários!

Cometemos erros, claro. Só quem não trabalha não erra. Particularmente na fase inicial do mandato houve um ou outro que são bem conhecidos. Mas foram resolvidos e servem de aprendizagem.
Não fizemos tudo o que gostaríamos de ter feito, nem ninguém o conseguiria fazer, muito menos com o estado de coisas que encontramos. A dívida sufocante (mais de 37 milhões); os 80 casos em tribunal; a desorganização dos serviços; os veículos, dos bombeiros às obras passando pelos camiões do lixo, em muitos casos a cair de podres.
Verdade por outro lado, é que tanto se inventou contra a câmara nestes quatro anos. É percetível, incomodámos alguns instalados e um certo sistema de hipocrisia social, mas não devemos ignorar e deve ser combatido quem tente manipular ou condicionar a opinião pública com recurso a mentiras ou meias verdades. E muito menos se forem pessoas que tenham ou já tenham tido responsabilidades.
Algumas forças conservadoras que nunca conseguiram aceitar o facto dos tomarenses terem preferido o Partido Socialista nas últimas eleições, um ou outro com ambições de vir para o município como eleito ou como “convidado”, um ou outro só porque gosta de ser do contra ou “dono da verdade”. Um ou outro que é já problema de saúde mental.

Poucas vezes nestes 4 anos se discutiu na praça pública política séria e com interesse para a comunidade e gestão municipal. Inventaram-se histórias, discutiram-se minudências, ameaçaram-se pessoas por não serem da mesma opinião.  E neste fim de campanha o que ainda estará para vir…
Quando se avalia o trabalho em termos da Presidente ou de algum de nós ir ou não à missa, ou estar melhor ou pior vestido, está tudo dito sobre como algumas pessoas ainda pensam sobre o que deve ser a avaliação do trabalho dos políticos e daquilo que deve ser a comunidade.

Só que, apesar de tudo isso, não há qualquer dúvida de quem é a liderança e a equipa melhor preparada para continuar este caminho, continuar a trabalhar em conjunto cada vez mais com a generalidade das instituições, combater um certo cinzentismo e bota abaixo militantes na comunidade, e ter como agora se sente cada vez mais, uma comunidade que olha para o que une e não para o que divide, uma comunidade que percebe que o fazemos juntos fazemos melhor, uma comunidade que olha para os obstáculos com vontade de os resolver e não de culpabilizar alguém por eles.
Por tudo isto, com pensamento sempre positivo e a olhar para o lado certo da vida, apetece terminar este texto com aquela velha frase popular: pedras no caminho? Apanhamo-las todas e ainda vamos fazer (mais) um castelo!
E dia 1, a decisão é de todos e de cada um. Que ninguém deixe de exercer o dever da escolha.

Hugo Cristóvão

Vereador

segunda-feira, setembro 28, 2015

Votar no Futuro, Votar em Portugal

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 25 de setembro.


«Hoje vivemos na sequência de uma revolução conseguida sem sangue, que nos abriu caminhos de liberdade. Para que os possamos percorrer é indispensável o respeito absoluto das liberdades públicas e dos direitos cívicos, que vamos vendo infelizmente postos em causa.»

«Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos.»
Francisco Sá-Carneiro

Dia 4 de outubro somos todos chamados a usar o nosso poder coletivo, o poder pelo qual tantos na nossa história lutaram para nos deixar como legado, o poder que tantos milhões por esse mundo fora ainda não têm, o poder de escolher quem tome decisões em nome do coletivo, o poder de eleger os governantes do nosso país.
É esse momento decisivo que me faz voltar a este hábito da escrita neste jornal, coisa que não faço há cerca de dois anos, desde que tenho outras responsabilidades e por continuar a achar que quem governa não comenta. Mas agora é tempo de escolhas, e é tempo de fazermos campanha pelas escolhas que entendemos mais apropriadas.
Comentadores televisivos e de outros suportes mediáticos, mesmo alguns políticos e muitos cidadãos têm definido estas eleições como de grande complexidade na escolha. Mas para mim nunca me pareceu tão fácil, tão óbvio, tão urgente decidir.

Temos um governo que apresenta como mote de campanha os supostos resultados, os resultados que agora diz serem resultado da “herança” e do estado em que encontraram o país, quando há quatro anos afirmavam que queriam “ir além da troika”. Um governo que apostou em “ser o bom aluno” na visão de quem faz depressa e sem questionar, um governo que, embora suportado largamente num partido social democrata e que tanto gosta de citar Sá-Carneiro, mas que tem aplicado fórmulas liberais ou mesmo ultra liberais não suportadas nem pela ideologia desse partido nem pelo programa sufragado, e por isso mesmo vê tantos desse partido a dele publicamente se afastarem.
Um governo que não teve qualquer problema a indicar a saída do país à sua população, particularmente os mais jovens e qualificados, nos quais o país investiu, e que os outros países tanto agradecem! – fala-se agora na possibilidade e até com discurso xenófobo de o país poder vir a receber 3 ou 4 mil refugiados migrantes… pois portugueses migrados foram mais de 350 mil no últimos 4 anos!!
Um governo que taxou tudo quanto pode, e cortou em mais ainda. E depois perguntamos, para quê? Estamos melhores, os tais resultados estão melhores? E é este o país que queremos? Não, este não é o país em que me revejo. Não, também não é a forma para que sinto servir a política.

A política nobre e útil é muitas coisas, entre elas a capacidade de envolver, de dialogar, de procurar os consensos (quando no nosso país cada vez mais se procura antes o conflito), mas não seguramente a arte do abandono. E abandono é o que mais temos visto: o abandono dos cidadãos, o abandono das empresas do Estado vendidas à pressa e ao desbarato, o abandono das políticas sociais de promoção da igualdade, o abandono da ideia de um Estado que promove a igualdade de oportunidades e a justiça (pois se até, diz Passos Coelho, é preciso uma subscrição para os enganados do BES poderem ir a tribunal…)

O apoio social é um verbo de encher para quem quer mostrar trabalho à conta dos “coitadinhos”, para além de nos quererem impingir novamente os tempos da caridadezinha, da sopa dos pobres, dos asilos. Não, isso não é verdadeiro trabalho social, isso é empurrar para fora da vista os problemas e tratar seres humanos como números ou “coisas”.

Na educação, a visão ideológica imposta aos currículos e aos horários dos alunos fez um retrocesso até “tempos da outra senhora”. Cortou-se no ensino artístico, nas expressões, na educação física e no desporto escolar, nos apoios pedagógicos, psicológicos e tudo o mais.
Porquê? Porque se entende que isso é para quem pode pagar, os outros, aguentem-se que isto não é para quem quer! Não ajam ilusões, é mesmo de ideologia que trata.
Poder-se-ia dizer, bom é falta de dinheiro, é preciso cortar em algum lado. Não é verdade! Basta ver que ao mesmo tempo que se corta no ensino público, na sua qualidade e nos serviços aí prestados, se aumentam, (e muito!) os subsídios aos colégios privados por esse país fora.
Da cultura nem vale a pena falar. Está em coma, não há qualquer trabalho feito nesta área.

Ora, como disse Churchill, se não lutamos pela cultura e pela educação, que são aquilo que nos dá identidade e futuro, vamos lutar para quê? Mais vale assumir e deixar os alemães ou quem quer que seja, fazer o que bem entenderem de nós. – e foi o que fizeram nos últimos anos!
Por isso reafirmo, não tenho qualquer dúvida onde votar.
Quem acha que está bem e deve continuar, escolha a direita coligada, quem acha que não, que o país precisa de outro rumo, de alma, de olhar para as pessoas e para as suas necessidades, e mais ainda quem defende um país regido numa ideologia de socialismo democrático (ou social democracia), só tem um partido que atualmente a defenda – é o PS liderado por António Costa.

Temos também, nabantinos, um interesse mais local nestas eleições. É na lista socialista que está o único tomarense com possibilidades de ser eleito. Hugo Costa será uma voz jovem, motivada e empenhada conhecendo de perto as realidades de Tomar e da região que pode ser a nossa voz na Assembleia da República e junto dos poderes de Lisboa.
Não ir votar, não é mostrar descontentamento, não é mostrar desagrado, é sim mostrar alheamento e deixar aos outros o poder da escolha. Mais, por força do mecanismo eleitoral, quase sempre quanto maior for a abstenção, maior o favorecimento de quem já detém o poder, por isso: Vote, vote em quem entender melhor, vote nulo se quiser, mas vote!

quinta-feira, setembro 25, 2014

Seguro Compromisso

Há um processo partidário que se arrasta há uns tempos e que começou mal, desde logo porque inesperado, e sobre o qual me tenho mantido em público silêncio, por vontade e por outras prioridades. Mas agora que a tempestade voluptuosa da contenda parece amainar, e de parte a parte os mais turbulentos parecem ser calados pela decência da ponderação e da elevação, é tempo de dizer que, apoio António J. Seguro.

Nada me move contra António Costa, e esse é o primeiro sublinhado. Na vida, na política, ou dentro de um partido, apoiar alguém não é estar contra outrem! Grow up kids!
Mas admito que não gostei particularmente da forma como surge, quase que endeusada, a candidatura do camarada Costa. As regras são a base da democracia e os partidos, sem os quais ela não existe, devem ser os primeiros a dar o exemplo e por isso, todo este decurso foi estranho e prejudicial ao PS, aliviando as atenções de quem as deve ter sempre, o governo.
E os cidadãos, já tão fartos e alheados da política e dos políticos, não precisam de mais exemplos que possam alimentar a má vontade contra quem elegem.

Mas pronto, as regras foram redefinidas, o processo avançou e há neste, como em tudo, danos e benefícios sendo que o mais relevante parece já ser inegável: as primárias, há tempo defendidas por muitos onde me incluo, vieram para ficar e será mais uma vez o PS – como aconteceu com a eleição direta do secretário geral ou com as quotas de paridade, por exemplo – a marcar a forma de funcionamento dos partidos na sua modernização e abertura à sociedade.
 Agora, além dos militantes, muitos outros terão a oportunidade de exprimir a sua opinião sobre aquele que sem grandes dúvidas será o próximo primeiro-ministro deste país.

E voltando ao início, apoio Seguro. Porque na política como na vida, a palavra, e com ela o compromisso, e com eles a confiança, são prática e valores que é só sei respeitar. Para mim, sempre.
A palavra é um contrato, e se nada mais houvesse, seria razão inteira para apoiar Seguro.
Tudo o demais, das qualidades e das ideias dispenso por agora, até porque duvido que alguém ainda se deixe convencer, a maioria saberá quem escolher.
Há de qualquer forma para mim algo evidente, ou não seria militante e tudo o mais, convicto socialista. Salvo alguma exceção grave, o secretário geral, bem como o candidato a que quer que seja do meu partido será a pessoa que apoio. Goste mais ou menos do estilo, do nome, dos amigos e de quem o rodeie, será sempre a pessoa que mais se aproxima dos valores que defendo, e estranho seria se assim não fosse!

Com Costa, ou com Seguro como espero, a partir de segunda todos somos precisos para continuar a lutar por este país. Saibamos sarar feridas e fortalecermo-nos com elas.
De 29 em diante, Avançamos Juntos.

 

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Ofensas&Galhardetes

Assinalam-se hoje os primeiros 4 meses de mandato da atual Câmara Municipal de Tomar, da qual muito me honra fazer parte.
Durante estes quatro meses pouco tenho tenho dito publicamente. Não é por acaso, mas por entender que a quem governa, compete mais ouvir que falar (que é diferente de comunicar), fazer que propor.
Além disso, as áreas em que tenho responsabilidade mais direta - Educação, Ação e Habitação Social - entendo-as como precisando de contenção, descrição, planeamento, diálogo construtivo "fora dos holofotes" com as muitas entidades envolvidas nesses setores.
Mais, cada um tem o seu estilo e, no exercício de responsabilidades de gestão, este sempre foi e será o meu.
 
E, durante estes 4 meses, até ontem, no mesmo espírito de contenção, não proferi uma só palavra, fosse nas reuniões dos órgãos, fosse na comunicação social, fosse sequer nos meus espaços pessoais que são este blogue e a página facebook, sobre o trabalho da oposição.
Trabalho esse que entendo difícil e meritório. Com muitas horas, dias, semanas, anos de labuta com muitas perdas a diferentes níveis desde logo o pessoal, e quase sempre sem sequer a recompensa mínima que é o reconhecimento da valia desse esforço.
E bem sei do que falo, durante mais de uma década em Tomar estive na política (muito!) ativa, sempre na oposição.
 
Ora, por isso mesmo bem percebo da dificuldade que o PSD está a sentir, e é notória. Mas como diria o outro é da vida. Ela é mesmo assim, feita de ciclos e repetições de ciclos.
Ora, vem isto a propósito do infeliz comentário (todos temos dias maus) que o meu caro companheiro de percurso político (companheiro no tempo, mas enfim, sempre em campos opostos), vereador e presidente do PSD local, João Tenreiro, fez ontem em resposta a uma intervenção minha acerca da postura do PSD, instando-me a qualquer coisa como me abster, ou não voltar a atrever, ou coisa assim, a comentar as declarações ou as posições de voto suas e do seu partido.
Ora, porque na reunião de câmara poderia não ser suficiente público e definitivo, e para que fique bem claro que penso sempre antes de proferir afirmações, cá vai a minha resposta:
 
ERA O QUE MAIS FALTAVA!
Direi, opinarei, comentarei, criticarei, sugestionarei, tudo aquilo que BEM ME APETEÇA, como sempre fiz.
E, se bem que (a experiência ensina-nos) não diga tudo aquilo que penso, o que digo é sempre o que penso.
Também falho, também erro, como todos, e aqui ou ali, em tantos anos de exposição pública com certeza já terei, levado pela exaltação ou revolta de um qualquer momento, exagerado em alguma crítica ou comentário. E não tenho como já muitas vezes confirmei, qualquer problema em reconhecer um erro e pedir desculpa por isso.
Não foi seguramente o caso ontem.
Ontem, fi-lo da mesma forma que sempre tento fazer, com responsabilidade e ponderação, tentando compreender as perspetivas contrárias, aceitando-as concordando ou não com elas, sem ofensa ou crítica fácil mas sim de forma que tento sempre ser construtiva e mesmo pedagógica.
 
Voltando ao ponto, o senhor vereador até me acusou de ter sido sarcástico, que é coisa que, sim, por vezes gosto de ser numa perspetiva de levar a vida com algum humor, mas que estou bastante convencido não ter sido ontem. Mas já agora aviso, sim, no que resta deste texto talvez venha a ser.

Mas então, que comentário fiz eu que levou a tão grande ofensa e inflamada declaração de propriedade divina, de quem se entende acima de comentário dos mortais?
O PSD acabava de votar contra a aplicação do regulamento de apoio ao associativismo por parte da atual câmara, que recordo novamente, completa hoje 4 meses de mandato, regulamento esse aprovado no mandato anterior e assim em aplicação desde 2011, apenas com os votos favoráveis do então partido que detinha o poder, o PSD!
Bom, após 4 meses  de reuniões de câmara e assembleia onde uma aparente amnésia súbita e fulminante, em que o agora opositor PSD tem votado contra tudo o que é importante; 4 meses de crítica fácil, de prospostas por vezes irrealistas e de quem parece nunca ter estado na governação e desconhecer as suas condicionantes, particularmente derivadas do estado em que deixaram as coisas, dizer como eu disse, que é estranho ver o PSD votar contra a aplicação de um regulamento que o próprio criou e igualmente aplicou, quando o atual mandato ainda mal começou, parece sarcástico e assim tão ofensivo?!

Que fique claro, sublinho, o papel da oposição é determinante em democracia, e uma oposição forte, construtiva, organizada é muito importante, até porque obriga a quem governa a fazê-lo melhor, mas francamente (lá vai o senhor vereador ficar chateado) se continuar a fazer como tem feito, quem é que se vai preocupar com a oposição?!

Bem percebo, percebemos todos, esta tentativa assumida de querer dizer que nada têm que ver com o passado, que não estão obrigados ou comprometidos com ele, e que só lhes interessa o futuro, nem que seja para propor castelos e utopias, ou as mesmas propostas que nós socialistas propusemos ao longo dos anos;
mas, convenhamos, o atual líder do PSD é-o há cerca de três anos, ou coisa que o valha, e antes disso era vice-presidente do partido. Ao longo dos 16 anos de governação do seu partido foi autarca na Assembleia Municipal e na 2ª maior freguesia do concelho, período durante o qual não se ouviram críticas suas à governação. Mesmo agora, não se tem ouvido publicamente nenhum reconhecimento do estado em que essa governação deixou o Município e o Concelho;
e, nas últimas autárquicas das quais resultou a sua eleição como vereador, foi o número 2 da lista encabeçada pelo anterior Presidente de Câmara que é tão somente o político nabantino que mais tempo esteve em funções políticas a tempo inteiro no município de Tomar.
Por isso, convenhamos, quem é que devia ter mais cuidado com o que diz?
 
Concluindo, tenhamos todos mais contenção no que dizemos. As dificuldades do Município são muitas, e dos munícipes ainda mais. Há muito trabalho sério a fazer, não nos percamos com questiúnculas que aos cidadãos nada dizem, e saibamos todos, a cada dia, questionar-mo-nos sobre que matérias valem realmente o nosso esforço, e sobre aquilo pelo qual vale mesmo a pena lutar.

As contas, fazem-se no fim. Para todos, na política e na vida.

quinta-feira, outubro 17, 2013

das eleições, das razões, e do mau perder

Sede do município nabantino (foto: Rádio Cidade de Tomar)
Aproveitando o facto deste blogue andar muito depauperado (por falta de tempo e vontade), e sentir dever deixar uma análise pública da minha leitura pessoal sobre as últimas eleições autárquicas, aqui fica então, hoje que é o último dia oficial do mandato 2009/2013, uma ainda assim pequena e pouco aprofundada análise, que não me apetece dizer mais que isto, sobre as eleições autárquicas no concelho de Tomar.

Os resultados eleitorais desta última contenda mostraram algumas coisas que a mim já me pareciam óbvias mas que agora parecem ter sido provadas.
Estas últimas eleições e a escolha dos eleitores, desconfiados e pouco motivados pela gestão local e nacional, cada vez mais descrentes dos políticos em geral, foi muito feita com base no «quem comete menos erros», e claramente o PSD e os IPT cometeram muitos.
É dos livros, o poder raramente se ganha, quase sempre se perde, e o PSD perdeu claramente. Pelas políticas e gestão errada e sinuosa destes dezasseis anos e pelo desgaste inerente, mas também muito por erros mais concretos.
Não falarei da composição das listas porque nesse capítulo ninguém está imaculado, mas a escolha de Carlos Carrão foi objetivamente um erro. Bem como a sua ligação a Relvas e a imposição à estrutura local (que em todo o caso rapidamente aceitou tudo como se tudo fosse normal);
As mentiras sucessivas, que começaram ainda antes do início deste mandato, quando todos sabiam que Corvêlo sairia a meio e no entanto negaram sempre o que depois se confirmou. Mas também muitas das que tanto Corvêlo como depois Carrão tentaram fazer passar.
Bem me lembro de Corvêlo a “jurar” em Assembleia Municipal que, claro que sim, claro que existe projeto museológico para a Levada – e hoje, quatro anos depois ainda ninguém o viu; ou Carrão a afirmar que tinha um parecer para poder candidatar o Município ao PAEL mesmo depois de chumbado em AM, entre várias outras. Foram tantas e quase regulares, que até parecia que mentir era normal, mas não o pode ser.
E depois esquecem o básico, os provérbios não existem por acaso, a mentira tem perna curta.

E os erros da campanha propriamente dita. O PSD, ou muitos nele, mostraram ter perdido a noção da realidade pela maneira como acreditaram que, particularmente a Câmara e a Freguesia da cidade estavam ganhas. Presunção cada um toma a que quer...
Mas no caso da Freguesia da cidade junta-se outro erro claro, e além disso eticamente deplorável. A forma como tentaram fazer passar para uma parte significativa do eleitorado, a ideia de que o candidato seria na verdade o ainda presidente António Rodrigues e não o real candidato Rui Costa. Ora, a maioria das pessoas, ao contrário do que alguns políticos pensam, não gosta de ser enganada.

Depois, além de mais, provou-se que:
Não adiantam grandes parafernálias de outdoors, como fez a lista “independente” (quantas largas dezenas seriam mesmo, espalhadas pelos recantos mais ínfimos do concelho?!);
Não adiantam as promessas de última hora de novas obras, investimentos e outras fantasias, ou obras apressadas e mal planeadas feitas quase no próprio dia das eleições;
Não adianta o folclore exagerado da campanha, como ter carros de som a correr a cidade o dia inteiro, todos os dias, ou ter o presidente de câmara a visitar lares ou candidatos seniores a distribuir jornais à porta de escolas;
Tudo isso e mais, não adianta nada como, estou totalmente seguro, só provoca e hostiliza a grande maioria dos eleitores, que não são os tolinhos que alguns políticos deles julgam.

Sobre as vitórias, do PS não falarei para não correr o risco de não ser isento, ressalvando apenas a mais que justa vitória de Augusto Barros e da sua equipa na freguesia da cidade. Os eleitores fizeram “justiça pelas próprias mãos”.
(Ressalvo também uma certa tristeza pelo que aconteceu em Além da Ribeira/Pedreira, onde uma lista independente apareceu apenas para dar a vitória a quem não a teria de outra forma. Mais um embuste)
Sobre a CDU e Bruno Graça em particular, que são vistos como grandes ganhadores, digo também apenas isto: sim, elegeram um vereador, mas uma análise fria mostrará que tiveram apenas mais 160 votos que há quatro anos atrás. Milagres do método de Hondt.

E por fim, vem o mau perder de alguns. A confirmar-se, é mais uma para mostrar que não, nós nunca podemos pensar que já vimos tudo por mais anedótico que seja. Parece que hoje o PSD e os IPT vão anunciar uma espécie de coligação. Mas uma coligação para quê? Uma coligação da oposição? Em torno de quê, de estar contra?!!
Os umbigos e o mau perder são um veneno poderosíssimo que tolda as mentes dos mais desesperados. Todos sabíamos que (tal como já o faziam) o fariam na prática, mas anunciá-lo?! Parece que estamos mesmo a viver numa dimensão qualquer surreal onde impera o disparate, não basta o que ouvimos todos dias do governo, parece que localmente para o PSD e também para Pedro Marques, o buraco em que ficaram não é suficientemente fundo.

E amanhã, tomada de posse da Assembleia de Freguesia da cidade onde se anuncia que poderemos assistir a mais algumas demonstrações desse umbiguismo e mau perder. Aguardemos.
E sobre eleições da minha parte estamos conversados. Agora é hora de trabalho.

sábado, setembro 07, 2013

Uma nova etapa?!!

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de ontem

«A mudança em todas as coisas é desejável»
Aristóteles

Setembro. Dia a dia mais próximos de um importante momento de escolhas. As que determinam o futuro próximo da nossa gestão municipal. Passará rápido, entre os sons e as cores de campanha; entre críticas, pedidos e promessas, pouco será já possível esclarecer das ideias e projetos apresentados por cada uma das várias equipas a apresentar-se à contenda.
E que contenda. Aquela que encerra a honra e a responsabilidade de planear, projetar, decidir, fazer em nome de todos os outros. Ou assim deve ser.
Nada portanto que possa ser encarado de forma leviana ou desinteressada. A escolha compete-nos a todos.

Bem sei que muitos ainda exercem essa escolha de forma clubística. “Este” é o meu partido e voto nele independentemente de quem nele se apresenta, com ou sem condições, com ou sem soluções. Felizmente, cada vez mais cidadãos percebem que, particularmente ao nível local, com base numa ideologia é certo, mas é preciso primeiro perceber o que cada um defende e que condições tem para o cumprir.
Cada um aferirá da sua responsabilidade.

Na minha opinião, que penso ser facilmente correspondível, das muitas equipas presentes há vários candidatos a vereadores, mas apenas dois candidatos a presidente de câmara: Carlos Carrão – a continuidade; e Anabela Freitas – a mudança.
Quem ao fim de dezasseis anos de governação promete agora “uma nova etapa”... ou quem afirma convicto querer mudar para algo novo, algo melhor, algo condigno com a terra e o tempo em que vivemos.
Como sempre acontece nestas coisas da política, todas as demais hipóteses, por dispersarem o voto contribuem para manter a continuidade. Igualmente o fará quem optar por se abster.
Cada um é livre e responsável pelas suas escolhas, mas é importante que tenha consciência delas.
Eu e muitos julgamos ser tempo de Mudança, e ela faz-se com todos. Não quero sequer considerar a possibilidade de que seja possível deixar tudo como está, e as queixas de como Tomar está mal recomeçarem logo no dia seguinte às eleições…
Estou convicto que como eu, a grande maioria deseja a mudança, acredita nela, e vai construí-la. Vamos todos, porque só com todos ela se faz.

Mas no entretanto assistamos às manobras costumeiras. Que não havia dinheiro, que era preciso mais uns milhões de empréstimo e afinal, de repente, são alcatroamentos à pressa (que daqui a um ano estão como estavam), são obras no mercado (exatamente as mesmas que podiam estar feitas há dois anos), no Convento de Santa Iria, o aluguer e as obras do pavilhão em frente ao Politécnico, na loja (da antiga PJ) na Alameda 1 de Março fechada há anos, etc, etc…
Genericamente obras necessárias é certo, mas que já podiam ter sido feitas em melhores condições. Porquê só agora?

E outras manobras de campanha. Ainda recentemente a colega de partido de Carlos Carrão, Isabel Damasceno (a ex presidente de Leiria que perdeu a câmara por causa de certas suspeitas, lembram-se?) veio até cá dizer o quanto estava satisfeita com os 27 milhões de obras do QREN em Tomar...
Pois, obras são sempre discutíveis, pelo que fiquemos por esta pergunta simples: quantos postos de trabalho no concelho foram criados com esses milhões todos que ninguém percebe onde estão enterrados?
A grande questão é mesmo, qual a cantiga que os tomarenses preferem desta vez – a do costume?

As últimas linhas desta missiva têm de ser dedicadas à freguesia onde quase sempre vivi: os Casais, agora agregada a Alviobeira.
Parece que por lá a malta do PSD e os seus agentes andaram muito divertidos com a gralha tipográfica que num postal lá distribuído pelo PS menciona a freguesia de São Pedro.
Devo dizer que não cabe a Arménio Breia (que é para mim e muitos um exemplo a seguir), ou à equipa socialista que lidera nestas freguesias, qualquer responsabilidade por essa gralha. A responsabilidade é apenas de um: minha. E por isso antes de mais, a eles as minhas desculpas, bem como a todos os restantes cidadãos das duas freguesias agora unidas.

De qualquer forma, essa gralha é apenas isso, uma troca de nome num texto, passível de acontecer a todos os que produzem alguma coisa. Assunto irrelevante.
Fico por isso contente que seja este tipo de argumentos que se usa para atacar a lista socialista. É bom sinal.
Ainda assim, parvoíce por parvoíce, se quiséssemos entrar por essa via, haveria tanto onde criticar e glosar com os vinte anos de gestão PSD e a lista que agora por lá se apresenta.
Não entro nesses caminhos, os socialistas nabantinos primam pela discussão de ideias e alternativas, a olhar sempre com esperança no futuro, e não pelo achincalhar as pessoas e outras técnicas mesquinhas de “politiquice”.

Para os próximos dias desejo a todos os candidatos nas muitas listas à câmara, assembleia municipal e assembleias de freguesia, uma campanha sã, elevada e responsável. A todos os demais nabantinos, paciência, reflexão, e decisão.
Tomar somos todos, e eu Acredito na Mudança.

quarta-feira, agosto 14, 2013


O "algures aqui" tem andando muito parado, não só porque este agosto é por quem nele escreve, algures dedicado a Tomar, mas como entre mais, muito porque o que agora mais importa vai passando por AQUI. Passe por lá também.

segunda-feira, abril 22, 2013

o caminho único...

Este post leva dedicatória para o meu caro colega blogger nabantino, António Rebelo, que no seu Tomar, a dianteira vai advogando a tese de que não há alternativa à austeridade, e que para o sustentar quase sempre utiliza opiniões de comentadores e outros protagonistas da direita. Apenas para evidenciar que há outras opiniões, e como não podia deixar de ser, há sempre alternativas.

Uma das muitas vozes discordantes do caminho atestadamente errado e cada vez mais contestado, seguido pela generalidade dos atuais líderes europeus (ou não fossem, atualmente, quase todos governos de direita), a opinião de Paul Krugman, prémio nobel da economia em 2008, e que há muito vai exprimindo, pode em parte  resumir-se a isto: “Os políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer”.

E acrescenta-se: “Devemos situar o fiasco de Reinhart e Rogoff no contexto mais amplo da obsessão pela austeridade: o evidente desejo dos legisladores, políticos e peritos de todo o mundo ocidental em contornarem o problema do desemprego e, como troca, utilizar a crise económica como desculpa para reduzir drasticamente os programas sociais”, afirma Krugman num artigo de opinião no “El País” – “A depressão do Excel”. (ler mais no Jornal de Negócios).

E acrescento eu, em Portugal tem dias em que a "austeridade sem alternativa" é desculpa para esconder a ideologia não sufragada, e outros em que não. Há alturas em que o atual governo está a "ir além da troika" e a cumprir o seu programa sem pressões do memorando. Outros em que afinal o memorando (já 7 vezes revisto) estava mal desenhado...

Claro que, mesmo os incompetentes declarados que nos governam atualmente já perceberam que isto assim não vai a lado nenhum - nem eles. Só que o princípio é simples e sempre igual: quando os políticos são maus mandam os técnicos/tecnocratas.
(É assim em qualquer parte do mundo, até em Tomar...)
E por isso, quando é nos momentos de crise que a Política é mais necessária, vivemos ao contrário por estes tempos assim, com um governo incapaz e politicamente morto há meses, dividido entre as suas ideologias ultra-liberais e a incapacidade de bater o pé à troika por um lado, e por outro a realidade que todos sentimos e que mesmo muitos dos apoiantes mais incontestáveis governo, já proclamam a bom som.

quarta-feira, abril 17, 2013

reclicar, reabilitar, reabitar







Regeneração (ou reabilitação) Urbana. Um importantíssimo tema para os centros históricos das cidades, vilas e aldeias, importantíssimo para Tomar, não só para a (re)dinamização da vivência dos espaços e sua recuperação arquitetónica, mas também como estímulo à economia e à criação de emprego.

Em discussão esta quarta tendo Anabela Freitas, candidata socialista à presidência da Câmara de Tomar, convidado para orador principal, Rui Paulo Figueiredo, presidente da concelhia socialista de Lisboa, e deputado na AR, membro da Comissão de Economia e Obras Públicas.

segunda-feira, abril 15, 2013

"Quem nasceu para lagartixa..."

A minha "nota do dia" de 10 de abril na rádio Hertz, com o título em epígrafe, em parte dedicada a Miguel Relvas, pode ser lida na integra no esquerdo capítulo.

«o que em verdade quero sublinhar é apenas que este agora ex Ministro a quem o povo português cantou “grandôlas” e a quem retorquiu com veemência que “fosse estudar”, apelidado entre mais na comunicação social nacional como o “mosqueteiro de Tomar”, é desde 1997 Presidente da nossa Assembleia Municipal, e como tal primeiro representante dos nabantinos. E mais, o real mandante das principais decisões do partido que tem governado o município, como ainda agora se provou, com a escolha de Carlos Carrão para candidato, contra a vontade manifesta dos dirigentes locais.

(...) o que lhe aconteceu dá-nos a todos grandes lições sobre a vida, a personalidade, a ética, a política. Duas delas, muito importantes: primeiro, quanto maiores forem as responsabilidades que se assumem, maiores devem ser as capacidades comprovadas e mais impoluta a linha de conduta;
E segundo, todo aquele cuja função exista para o trabalho em prol dos demais e desses dependa a sua avaliação, não pode atuar contra a vontade desses e sobre eles usar de desdém e arrogância.»

sexta-feira, março 15, 2013

ouvir a "sociedade civil"


Amanhã.
Um debate certamente enriquecedor com um docente do IPT e entusiasta do voluntariado, um importantíssimo dirigente associativo e dinamizador cultural, e a empresária e presidente do Nersant. Em cima da mesa os seus contributos pessoais e a sua visão daquelas que devem ser as políticas autárquicas para o futuro.

terça-feira, março 05, 2013

Mudança!




A página ofical da candidatura socialista de Anabela Freitas à presidência da Câmara Municipal de Tomar em http://tomar2013.blogspot.pt/

E o grupo de apoio no facebook.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

políticas autárquicas em discussão


Amanhã. Não poderei estar presente por impossibilidade de me deslocar a Tomar, mas recomendo.

José Junqueiro é alguém que não só tem uma vasta experiência política (foi por exemplo, Secretário de Estado da Administração Local), como é também ele candidato a presidente de Câmara, no caso, de Viseu, o que lhe dá uma boa perspetiva dos problemas a enfrentar pelos autarcas nos tempos que virão depois de outubro próximo.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

a caminho de 2013, mudar, mudar!

Toda a entrevista de Anabela Freitas, candidata a presidente da câmara municipal de Tomar publicada hoje no jornal Cidade de Tomar, pode ser lida aqui.

«O mais difícil vai ser precisamente motivar as pessoas. Quanto a mim, as pessoas estão fartas de grandes promessas, de grandes discursos que depois resultam em nada. É preciso sermos assertivos e falar com verdade. Mudar a forma, mudar o estilo, mudar Tomar. Tem de haver a coragem para dizer que não podemos fazer grandes projetos, temos de falar verdade quando afirmamos o que podemos fazer.»

quarta-feira, dezembro 26, 2012

curtas

A rainha visualiza a sua mensagem...
- Uma reportagem sobre o único exemplo declarado de turismo médico em Portugal, existente na vila de Unhais da Serra, que visitei no verão passado.
Um bom exemplo de algo que, com as devidas adaptações, pode e deve ser um nicho de mercado a apostar em Tomar.
Vejam a curtinha reportagem na RTP.

- Vera Baboune, é a primeira mulher presidente de câmara de Belém, na Palestina. Até por lá os tempos mudam.
(ver pelo meio desta reportagem na SIC Notícias.)

- A CIMT cria rede patrimonial com 27 bens certificados onde se incluem, em Tomar a Sinagoga e o Núcleo de Arte Contemporânea.
Ver mais na rádio Cidade de Tomar

- A rainha de Inglaterra é um símbolo de como os políticos têm de se adaptar aos instrumentos de comunicação. (Sim, ela também é política, tem continuamente de convencer os ingleses de que é normal nascer súbdito de alguém a quem pagam para existir...).
Começou com a rádio, estreou a TV, este ano inaugurou o 3D na sua mensagem de natal.
Um exemplo para políticos adversos à mudança nas formas de comunicação e trabalho... (ver a reportagem na RTP)

domingo, dezembro 02, 2012

curtas

- Entre sexta e sábado em Tomar, passaram por mim em momentos diferentes, 3 pessoas a chorar na rua. E numa pastelaria/padaria nabantina onde doravante me esforçarei para entrar pouco, assisti a uma envergonhada idosa pedir pão duro, e ser-lhe recusado com muita antipatia e arrogância.
O mundo é um lugar estranho.

- A concelhia socialista de Santarém, aprovou também por unanimidade, Idália Serrão como candidata à capital do distrito. Depois do desvario despesista e sem nexo dos últimos dois mandatos do PSD de Moita Flores, são boas notícias para Santarém.

- Entretanto, para quem não pode estar presente, é sempre bom de ler o discurso de Anabela Freitas, a candidata socialista a presidente da Câmara M. de Tomar. Mudança é para já o mote geral, e é com todas as evidências, aquilo que os tomarenses que acreditam na necessidade de futuro, mais sentem ser necessário para a sua terra. (ler aqui)

- A Palestina foi finalmente aprovada como membro observador da ONU. É para já algo pouco mais que simbólico. Mas há questões simbólicas muito importantes, e este é um grande passo para a paz num dos mais antigos tabuleiros de xadrez da guerra e das forças que se digladiam no mundo.

- O Foral de Tomar foi concedido há 850 anos por Gualdim Pais. A ler no vamos por aqui.

- "Provedor de Justiça aconselha cidadãos a recorrer aos tribunais face à colocação de portagens na A13", a mais pequena e estúpida autoestrada do país e que, claro, tinha que estar às portas de Tomar. O provedor mostrou mesmo "repúdio pela forma como foram introduzidas taxas de portagem na subconcessão Pinhal Interior". A ler tudo na Hertz.

- Foi o congresso do BE, agora o do PCP, a demonstrar que o seu grande adversário é o PS. Não falam de outra coisa. Mas depois acreditam ou querem fazer acreditar na fantasia de que possa ser possível um governo de esquerda sem o PS.
Eu acredito em coligações e gostaria de ver um governo de coligação de esquerda no país (como não me importava de o ver no município de Tomar).
Infelizmente nunca foi possível nem acredito que o seja nos anos mais próximos, porque BE e PCP acreditam apenas no protesto, e esse é um dos problemas do sistema político do nosso país.
E óbvia e felizmente, para PCP e BE, o discurso e acção do PS, sendo o grande partido da esquerda moderna e democrática, nunca será suficientemente radical e estará sempre à sua direita.

terça-feira, novembro 06, 2012

dia d

foto de Spencer Tunick, o mundialmente famoso fotógrafo de nús em massa, também apoiante de Obama.

Hoje, lá pelos EUA é dia de eleições para a presidência (e não só, dependendo dos estados há várias eleições e referendos a decorrer).

Aquilo que para o resto do mundo civilizado parece mais ou menos evidente, na conservadora e em tantos aspetos fundamentalista América não é assim tanto - pelo menos na sua faceta mais profunda, aquela a que nós cá chamaríamos rural.

Assim, conseguirá Obama ser o quase único governante mundial a ser reeleito durante a travessia desta crise, e continuar as reformas em curso por lá, bem como continuar a manter os EUA fora de novas guerras "preventivas"; ou o conservadorismo e retórica "variável" da versão melhorada de W.Bush, Mitt Romney, ganharão levando aquele país e o mundo com ele, a voltar a dar uns passos atrás?

Lá mais pela madrugada saberemos. O mundo segue dentro de momentos.

quarta-feira, outubro 03, 2012

o congresso e os congressistas

Só pude estar no "1º Congresso de Tomar" organizado pela Casa do Concelho no sábado à tarde e, por razões que na minha opinião devem ser evidentes para quem desempenhe as funções de autarca, só assisti ao primeiro painel, precisamente o que tinha a participação da "vedeta" José Gomes Ferreira.

Como é evidente - e eu que sempre apelei nos sítios por onde passei, à participação e discussão coletiva dos problemas, sejam eles numa associação, num grupo de amigos, ou num município, não poderia dizer outra coisa - a iniciativa é de louvar.
Apesar disso, é natural que existam críticas a apontar, e só pode levar a mal que se façam críticas quem não tem vontade de melhorar ou verdadeiramente encontrar soluções para problemas.
Eu podia não dizer nada sobre o assunto? Podia, e provavelmente "ganhava mais com isso", mas como tenho ouvido tantos a comentar, não consigo deixar de dar a minha opinião.

Por isso, mesmo que vá contra a corrente ou o cinismo de quem só as aponta em sussurro, cá vai:
Relativamente à organização, desde logo o óbvio: querer discutir os problemas do concelho sem convidar devidamente aqueles que o fazem diariamente - os políticos - é evidentemente não querer realmente encontrar soluções, mas sim colocarem-se à margem. Se não todos, julgo saber que pelo menos a grande maioria, desde logo dos autarcas, não terá sido convidada - e não, convites pelo facebook não contam para estas coisas.

Há depois outras questões: foi comentado nos últimos dias por muita gente, de todos os âmbitos do espectro político e não político - aliás, foi praticamente o único comentário que ouvi a todos os que falassem do assunto - que parecem existir outras intenções na organização do evento, como a de, chamemos-lhes, "promover alternativas" para as autárquicas do próximo ano.
Bom mas, se é isso, um pouco por aquilo que disse em relação à organização e mais que não digo, não irão longe. Está tudo farto de iluminados aparecidos sabe-se lá de onde para resolver os problemas dos nabantinos. Um, talvez dos maiores, problemas dos nabantinos tem sido precisamente o de acreditar em salvadores da pátria, tipo Paiva e Relvas e companhia.
Se os tomarenses não encontrarem em si a resolução e melhor caminho para as suas causas e a sua terra, ninguém mais o fará, serão sempre soluções condicionadas a outras vontades.
E, é por demais evidente que, sejam quaisquer que sejam as vontades escondidas, ou mesmo que nenhumas, houve quem se tentasse por em bicos de pés neste evento. Como de costume, não convencem muita gente, e seguramente não por muito tempo.

Seja como for, nunca confundo instituições com a pessoa x ou y, e por isso repito, a Casa do Concelho de Tomar e os seus dirigentes estão globalmente de parabéns pela iniciativa a que devem dar sequência.
Mais, o público era diverso a muitos níveis e percebendo-se que estavam muitos com genuína vontade de discutir ou pelo menos ouvir, propostas de soluções sobre esta terra que definha.

Por fim, sobre a prestação do nosso conterrâneo economista, jornalista e aparentemente, político frustrado, podia comentar apenas isto: - mas porque é que quando uma personagem da TV diz um conjunto de banalidades a maioria as louva como se fossem geniais?!

Perceba-se que não tenho nada contra o senhor, pelo contrário, também costumo ouvi-lo, e apesar de não concordar com as suas teses ideológicas liberais - que o são! - reconheço a qualidade da intervenção mediática e a legitima vontade de denunciar aquilo que lhe possam parecer os podres da governação, no que toca a negócios menos claros feitos pelo Estado.
Mas, sobre a sua prestação neste evento, a verdade é a que referi. Pelo menos a sua intervenção inicial (a parte de resposta a questões do público teve um pouco mais qualidade e argumentação, particularmente nas vezes em que defendeu a SIC) foi, além de um ou outro ponto ideológico e de defesa do Governo (a que tem direito opinativo, mas que não deve ser confundido com factos), o restante foi um conjunto de banalidades e generalidades que qualquer pessoa minimamente formada e critica sobre o seu país deve saber dizer. E mais isso... não sendo importante, mas a sua intervenção baseou-se no país e não na anunciada discussão sobre Tomar.

E pelo meio ainda disse alguns disparates graves, como aquele evidente para quem perceba alguma coisa de gestão pública e ordenamento do território, que era a proposta de alargar para 70% do território a área de expansão urbana de um qualquer concelho para baixar preços de construção - o que significa basicamente que todos construiriam onde quisessem - e isso é não entender que precisamente muitos dos problemas do país, das autarquias e dos gastos públicos derivam de tal ter acontecido durante muito tempo e boa parte do nosso país ser uma manta de retalhos com quilómetros e quilómetros de redes viárias, e redes eléctricas, e redes de esgotos, e de recolha de lixos, e etc, etc, muitas vezes para servir uma só casa, e mais à frente outra, e lá ao fundo outra - e tudo isso pago pelos impostos que depois não chegam!


E já agora, só para nos entendermos sobre os conceitos, já que há por vezes por aí uma malta muito preocupada com as significâncias da linguagem, só uma nota final:
congresso |é| 
(latim congressus, -uss. m.
1. Reunião de chefes de Estado ou dos seus representantes para tratarem de assuntos internacionais.
2. Reunião de peritos em determinada matéria para tratarem do que a ela interessa.
3. Reunião de delegados de um partido.
4. Câmaras legislativas.
5. Parlamento.

quinta-feira, setembro 13, 2012

curtas

- A chuva de meteoritos sobre os disparates do Governo é tamanha que, como já referi em texto anterior, a sua legitimidade para governar é cada vez mais reduzida e poucos serão os que ainda a reconhecem, a começar por muitos dirigentes do PSD. Como alguém dizia na SIC Notícias, o governo parece um daqueles condutores em fora de mão na autoestrada - os outros é que vão todos mal!...
É claro que eu nunca esqueço a responsabilidade que a todos nos compete e perante a chuva de críticas pergunto: mas será que as figuras de proa deste Governo eram assim tão desconhecidas para os portugueses? Não sabiam em quem estavam a votar? Ou agora, como costume, ninguém votou neles?

- O Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida (CDS) (que conheço e tenho como pessoa séria e competente... mas não quer dizer que concorde com as suas opções ou isso o livra das críticas) inaugurou na terça passada uma escola que funciona há 13 anos.... dizer mais o quê?

- Um homem foi abordado e identificado pela PSP por fotografar o carro público ao serviço do ministro Pedro Aguiar Branco, quando este estava, e ao que parece é costume, parado em cima do passeio em frente ao escritório do ministro. (ler aqui)
Além de se perceber melhor porque aparece tão pouco este governante (provavelmente pela mesma razão que muitos outros), pequenos episódios como este dizem tudo sobre quem está no Governo e de como vai este país.
Bom e, se tal acontecesse com alguém dum governo socialista, ui!... isto era notícia para abrir telejornais!

- Lá longe no Brasil, Miguel Relvas disse que Portugal não precisa de uma crise política.
Ora, em 2011, ainda sem a troika que podia ter sido evitada, o PSD como fuga para a frente na crescente instabilidade interna e com sede de poder, recusou-se com muita demagogia a assinar o PEC4, o que veio a causar tudo o resto.
Portanto, nessa altura o ideólogo mor da coisa, achava que Portugal precisava duma crise política...

- O Peru é o mais recente país a dar passos certos na questão das touradas. Foi aprovado o projeto-lei que proíbe menores de entrar nas arenas. (ler no LaRepublica)

- Concorreram mais pessoas à próxima edição daquela coisa da TVI chamada Casa dos Segredos, que ao ensino superior. Não nenhum comentário a fazer sobre isto...