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segunda-feira, agosto 13, 2012

curtas

- José Sócrates foi eleito em votação do, insuspeito diário económico pois também costuma ser "próximo" da atual governança, como o melhor primeiro-ministro português. Ainda só passou um ano mas, é verdade, a distância costuma favorecer o julgamento político.

- Falando em Governo, foi mais ou menos notícia o "almoço secreto" entre Paulo Portas e António José Seguro. Primeiro, são absurdos alguns comentários que li na imprensa, com a óbvia tentavia de fazer dessa questão "um caso". É absolutamente normal, e mesmo importante, que os líderes partidários tenham conversas periódicas e não as divulguem sempre.
Eu próprio ao nível local, durante os quase 6 anos que fui líder do PS nabantino, tive muitas conversas com líderes partidários e políticos e outros atores da comunidade, sem que houvesse necessidade de disso fazer notícia. É salutar em Democracia que os responsáveis políticos dialoguem, sem que tal deva ser necessariamente do conhecimento público.
Seja como for, com o visível desgaste rápido que este governo leva, e que me leva a acreditar que vai bater em brevidade o de Durão Barroso, estou a imaginar a conversa: - "Ó Tozé, epá, sabes, o CDS está sempre disponível para ajudar na governação..."

- Afinal, ainda há alguma esperança que (muitas divergêngias à parte) exista algum bom senso na atual liderança do PSD nabantino. Relativamente às críticas que entre outros, também eu fiz no comentário anterior (O PSD nabantino revela-se), e acerca da questão da tauromaquia e do absurdo que seria se tal fosse em Tomar elevado à categoria de património cultural, surgiu um comunicado do PSD a desmentir anteriores notícias.
É claro que, como a Hertz bem diz, isso mostra que "algo fica claro: a concelhia do PSD não fala a uma só voz."

- O atual Governo da República, na senda da legalização de tudo o que seja disparate e promova particularmente o interesse dos grandes da economia, pretende legalizar (ainda mais) a plantação do eucalipto em Portugal.
Ora o eucalipto, que não é originário do nosso ecossistema é, além de um dos grandes contribuidores para a rápida propagação dos incêndios em Portugal, péssimo a vários níveis para a biodiversidade.
Está por isso a correr uma petição contra esse disparate, onde se pode também ler mais sobre o assunto. Assinem!


segunda-feira, julho 16, 2012

"agroal, quem te viu e quem te vê"


a foto não é suficiente ilustrativa, mas é bonita... 
A citação que uso no título deste post, serviu também de título, na última edição d'O Templário, a uma pertinente reportagem sobre o (bom) estado atual do Agroal, recuperado pelo município de Ourém no seu lado do rio, e abandonado como sempre esteve do lado de Tomar onde, à parte pequenos arranjos possíveis ao orçamento da junta de freguesia de Sabacheira, nenhum interesse alguma vez despertou na Câmara Municipal de Tomar.
Este espaço que durante um pouco mais de 3 anos e até à última sexta foi para mim local de passagem diária, foi alvo de recuperação no valor de 381.832€ dos quais a CMO só gastou 66000 porque o resto são fundos comunitários.
A reportagem compara e bem, com o exemplo nabantino da nova versão da polémica rotunda da Praceta Alves Redol, que já teve muitos nomes populares, de cibernética a pimba, atualmente rotunda das bonecas, e que para mim, continua a ser a rotunda do gosto duvidoso ou, mais importante, o melhor símbolo da gestão desastrosa e muitas vezes danosa destes 4 mandatos PSD em Tomar.
A reportagem compara assim as obras do Agroal com o caso da rotunda tomarense que custou mais de 500000€. Muito mais que isso digo eu, porque há a contabilizar as obras da primeira versão que foi muito mais dispendiosa e de toda a manutenção no entretanto, entre água (da rede!!!), luz e avarias constantes. Números por baixo, aquela rotunda já custou pelo menos uns 2 milhões de euros!


Ora, a política e a gestão pública são isto, a definição de prioridades e a tomada de decisões. Em Tomar, a mediocridade dessas decisões está à vista, e os seus efeitos vão sentir-se por muito tempo.

quarta-feira, junho 20, 2012

desenvolvimento (in)sustentável

a minha nota de hoje na rádio Hertz

Começa hoje e durará até sexta dia 22, no Rio de Janeiro a conferência 20 Mais, assim chamada precisamente porque se realiza 20 anos depois da célebre conferência do Rio que teve como principal tema a discussão sobre o desenvolvimento sustentável e sobre como reverter o processo de degradação ambiental, bem como o encontrar soluções para o desenvolvimento sustentável das populações mais carentes do planeta. Na altura, a conferência foi a maior reunião de chefes de Estado da história da humanidade. O evento foi acompanhado por todo o mundo e contou com a participação da sociedade civil organizada. Cerca de 22 mil pessoas, pertencentes a mais de 9 mil organizações não-governamentais estiveram presentes na Conferência.
Foram assinadas uma série de convenções, acordos e protocolos, com grande destaque para a conhecida Agenda 21, que compromete as nações signatárias a adotar métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência económica, agenda essa que veio a ser depois aplicada não só nos países mas também nas regiões e nos munícípios.

Refira-se que em Tomar, o PS lutou alguns anos pela aprovação da agenda 21 local, mas só em 2007 conseguiu que o PSD a aceitasse aprovar em Assembleia Municipal. Até hoje, não saiu do papel.
É lamentável, porque, como se lê na proposta aprovada nessa assembleia a implementação da Estratégia do Desenvolvimento Sustentável, é aquela “que procura satisfazer as necessidades da geração actual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias (…), significando possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais”.
Acrescenta-se ainda que “a Agenda XXI local, procura uma acção conjunta, onde se procuram conciliar os vários grupos de interesse, formando-se parcerias entre actores, capazes de tomar decisões que combinem: Crescimento económico, com equidade social e protecção ambiental, assentes nos seguintes domínios estratégicos: garantir o desenvolvimento integrado do território; melhorar a qualidade do ambiente; promover a produção e o consumo sustentáveis; caminhar em direcção a uma sociedade solidária e do conhecimento”.
Para que isto possa acontecer são essencialmente precisas duas coisas, infelizmente as duas das três que mais faltam na Câmara de Tomar de há uns anos largos a esta parte: vontade e trabalho. A terceira é o bom senso.
Neste caso concreto, é preciso criar a comissão de acompanhamento, analisar e integrar os vários documentos orientadores do concelho, como o famigerado PDM, os planos de mobilidade, os diagnósticos da rede social, entre muitos outros, depois selecionar prioridades de atuação, tudo isto feito em parceria com as diversas entidades significativas, sejam elas instituições públicas, associações, agentes económicos, ambientais, entre todos os outros que se entenda pertinente, e tudo sempre feito de forma pública e transparente. Não é preciso inventar nada, está tudo previsto desde 1992 nessa conferência que o estado português também assinou.

Em Tomar infelizmente, desenvolvimento sustentável, agenda 21, trabalho conjunto, estratégia de desenvolvimento integrado, entre muitos outros conceitos da gestão pública moderna e responsável, continuam a ser apenas palavrões de significado desconhecido para a maioria dos responsáveis políticos e públicos, que continuam a pensar no modelo da política do betão e do cimento, e na gestão da folha de merceiro.
Entre hoje e sexta, lá no Rio, cerca de 100 chefes de Estado e Governo estarão reunidos para negociar politicamente o documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e, sem esquecer que o mundo vive a mais grave crise económica e social da história, conseguir ainda assim apontar caminhos e modelos capazes de criar futuro.
Em Tomar, enquanto reinar a mentalidade que nos tem governado, o futuro continuará a passar muito longe. Nem desenvolvimento, quanto mais sustentável.