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sexta-feira, junho 21, 2013

"Direito e dignidade"

A minha crónica de quarta na Hertz pode lá ser ouvida ou lida na íntegra no esquerdo capítulo.

«É absolutamente incompreensível as opiniões dos que acham que, sim sim, têm direito à greve, desde que não prejudique ninguém. E de uma enorme hipocrisia os que acham que a greve de segunda prejudicou os alunos!
O que prejudica os alunos são as condições cada vez piores existentes nas escolas, a falta de recursos humanos e outros apoios, o aumento do número de alunos por professor havendo muitos casos de docentes com duzentos ou trezentos alunos; as propinas elevadas e os custos generalizados da educação cada vez mais elevados, e mesmo a falta de saídas profissionais ou um governo que diz à geração melhor preparada de sempre para emigrar. Isso sim, prejudica os alunos!
E mais importante que isso, prejudica todo um país e o seu futuro.

(...)
Já era evidente que o governo se está nas tintas para os alunos, e quer lá saber da legalidade, da equidade ou da igualdade de oportunidades. O que aqui se provou com esta atitude é que o governo quis vincar uma vez mais, não aos docentes mas a toda a sociedade, que não está para cedências, diálogos ou reivindicações, quis mostrar basicamente que, não adianta a contestação e a luta dos cidadãos, o governo fará sempre o que quer, contra tudo e contra todos, mesmo que contra milhares de cidadãos, ou contra a lei e contra os tribunais.
E é essa atitude, digo eu, que não podemos aceitar vindo de qualquer governante. E é por essa essência de dignidade e de limiar mínimo do estado de direito onde os governantes não se impõem aos cidadãos, mas respeitam-nos e representam-nos verdadeiramente, que acho que todos devemos continuar, e muito mais do que até aqui, a lutar.
A Liberdade e a Democracia são daquelas coisas a que costumamos dar valor quando não as temos. Por isso espero que tenhamos todos a noção de que já estivemos mais longe de as perder

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertzpode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

sexta-feira, maio 10, 2013

«deseducar por decreto»

Porque hoje foi dia de "exame de quarta classe" a Matemática (e difícil que ele era....), fica também a referência à minha nota do dia na Hertz na passada quarta, alusiva ao tema, passível de ser na íntegra ouvida no site da rádio ou lida no esquerdo capítulo.

«Na verdade este regresso aos “exames da quarta classe” só acontece por uma dualidade entre a cegueira e teimosia ideológica e, precisamente, o querer fazer de conta para agradar a uma população envelhecida e conservadora que poderá ver nisto um regresso a um suposto rigor e um saber fazer que estão mais que ultrapassados.
Se assim não fosse, porque será que só um país em toda a europa, para além agora de nós, realiza estes exames? E esse país sabem qual é? Um exemplo a seguir seguramente… Malta, o pequeno país do tamanho da nossa Madeira e que, quando o visitei, era bem mais atrasado que o nosso cantinho à beira mar plantado.»

segunda-feira, abril 15, 2013

"Quem nasceu para lagartixa..."

A minha "nota do dia" de 10 de abril na rádio Hertz, com o título em epígrafe, em parte dedicada a Miguel Relvas, pode ser lida na integra no esquerdo capítulo.

«o que em verdade quero sublinhar é apenas que este agora ex Ministro a quem o povo português cantou “grandôlas” e a quem retorquiu com veemência que “fosse estudar”, apelidado entre mais na comunicação social nacional como o “mosqueteiro de Tomar”, é desde 1997 Presidente da nossa Assembleia Municipal, e como tal primeiro representante dos nabantinos. E mais, o real mandante das principais decisões do partido que tem governado o município, como ainda agora se provou, com a escolha de Carlos Carrão para candidato, contra a vontade manifesta dos dirigentes locais.

(...) o que lhe aconteceu dá-nos a todos grandes lições sobre a vida, a personalidade, a ética, a política. Duas delas, muito importantes: primeiro, quanto maiores forem as responsabilidades que se assumem, maiores devem ser as capacidades comprovadas e mais impoluta a linha de conduta;
E segundo, todo aquele cuja função exista para o trabalho em prol dos demais e desses dependa a sua avaliação, não pode atuar contra a vontade desses e sobre eles usar de desdém e arrogância.»

terça-feira, abril 02, 2013

«Associar»


A minha "nota do dia" a 27 de março de 2013 na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode por lá ainda ser ouvida, ou lida no esquerdo capítulo.


«A cultura tem, nas suas mais diversas formas de manifestação – das artes dramáticas, à música, das artes plásticas, à literatura, entre tantas mais que a criatividade e multiplicidade humana entretanto criou – precisamente esse propósito e essa mais valia de nos fazer pensar, reflectir, criticar, duvidar, conhecer, viajar, divertir, e tanto mais, com a simples contemplação de uma obra de arte ou de uma performance artística.»

quinta-feira, março 14, 2013

«A má educação»

A minha crónica de ontem na rádio Hertz pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.
Desta vez sobre o caminho que leva a educação em Portugal. Nem a propósito, a capa do Pasquim da Manhã de hoje, sempre a fazer o serviço aos governos de direita, como se as decisões que este toma não fossem responsabilidade e ideologia sua.

«Das alterações curriculares, à enorme diminuição de professores e outros técnicos bem como uma outra série de recursos, estão a fazer regressar a escola ao tempo em que só os mais favorecidos terão reais condições de poder ter uma escolaridade enriquecedora e capacitante para os futuros cidadãos e profissionais que agora se preparam. Estamos a voltar a uma sociedade de classes que, a par com outras condicionantes da sociedade, se intensificam na escola que deveria ser a base para a construção individual e coletiva de qualquer país.»

segunda-feira, março 11, 2013

Vergonha!


Publicado no jornal Cidade de Tomade 8 de março.
Entretanto, esta sexta pelas 17h, nova reunião da Assembleia Municipal de Tomar...

Já algumas vezes manifestei que sinto em momentos vergonha por ser autarca em Tomar. No último dia de Fevereiro, na reunião da Assembleia Municipal, foi mais um desses momentos.
O PSD nabantino e os seus principais dirigentes, agora encabeçados por Carlos Carrão, convivem mal com a democracia, e estão habituados a contornar, senão mesmo ignorar as Leis e regras da forma que melhor servir os seus intentos, e não aceitam que possam existir ideias, opiniões ou vontades diferentes e que essas possam ter supremacia sobre as suas.

Na última assembleia – e registe-se, esta não é de todo a questão mais importante que há para resolver em Tomar, mas ainda assim – deu entrada (ainda que não fosse a melhor forma de o fazer) um requerimento para destituir a mesa da assembleia e particularmente o até aqui presidente, Miguel Relvas.
A questão é maior que o simples ditame dos artigos e números da Lei x ou do regulamento y, até porque, como já referi, e se tem comprovado continuadamente e em questões bem mais graves (como na ilegal aprovação do último pedido empréstimo, o PAEL, feito com base na mentira), a “lei” que interessa a Carlos Carrão é a que der jeito às suas vontades.

Na última assembleia, a oposição finalmente unida, disse basta e mostrou ao PSD o óbvio: se não querem aceitar a vontade da maioria, se não aceitam nenhuma opinião contrária, se tudo querem fazer à vossa maneira, então fiquem sozinhos a discutir!
Há na assembleia uma maioria que não se revê nas posições políticas, bem como nas ausências e falta de representação do órgão que a atuação pouco dignificante de Relvas tem provocado e, o essencial bom senso e a vontade de discutir e tentar resolver os maiores e mais importantes problemas deveria aceitar esse facto de forma natural e seguir em frente. Nesta como em qualquer assembleia, seja ela política, associativa ou do que quer que seja, é assim, a maioria decide.
Estou aliás perfeitamente convencido, que a larga maioria dos nabantinos também não reconhece nem quer ter Miguel Relvas como seu primeiro representante. E essa é a primeira e mais nobre função do Presidente de uma Assembleia Municipal.

Em Tomar o PSD não quer que assim seja e, tentando apenas protelar o que não tem retorno, com os seus conflitos próprios à mistura como ficou bem patente, envergonha todos os que têm vontade de fazer qualquer coisa por Tomar.
Percebemos todos essas dificuldades. Todos os efeitos da gestão ou falta dela que mancham a atuação da última década e meia e que se traduzem na realidade cinzenta que o concelho atravessa, confirmado com os dados estatísticos, por exemplo na fuga da população em particular dos mais jovens, na dívida do município, na obras inúteis e, traço geral, na pior qualidade de vida no concelho.
Mas também nos responsáveis que foram saindo deixando atrás de si este estado de coisas, de Paiva a Corvêlo, com o mandante Relvas e o permanente Carrão, que causam descrédito ao partido e desconforto, desde logo entre os próprios simpatizantes sociais democratas, além dos conflitos internos e divergências conhecidas.
Derrotaram Carrão e sempre afirmaram que este não seria o candidato, mas não só vai sê-lo como ao que consta será seguido pelo actual presidente de concelhia, seu até aqui adversário. Mas que grande flexibilidade de coluna que por ali vai… A realidade é como é, por mais que se tente mascará-la com diferentes cores. E os responsáveis têm rostos e nomes.

Mas tudo isto é mau para Tomar e para os tomarenses. O que Tomar precisa, e o exemplo deve vir em primeiro dos responsáveis políticos eleitos em nome de todos, é de se centrar nos consensos possíveis, de se focar nos principais (e grandes) problemas a resolver. Precisa que todos tenham a capacidade de se ouvir mutuamente, de se sentar e conversar, discutir, chegar a entendimentos, decidir e resolver. Inteligência, capacidade, vontade e bom senso.
A mim, o confronto apenas pelo confronto não me traz qualquer espécie de prazer. Enquanto se tratar quem tem ideias diferentes como inimigos a abater; enquanto se continuar a olhar para a política como se de um campeonato de futebol se tratasse, com claques inconscientes que apoiam ou condenam com base na cega fé; enquanto imperar a lógica de “o que é nosso é tudo bom, dos outros é tudo mau”, não sairemos deste ciclo e Tomar continuará a afundar-se.

E há tanto para resolver: emprego, comércio, revitalização do centro histórico, PDM, questões sociais; Flecheiro, Levada, Convento de Stª Iria, Mercado, apoio e coordenação estratégica do associativismo como motor de desenvolvimento económico e produção de eventos… Enfim, um elenco vário de reais problemas para os quais muito se fala mas nada se faz.
Não podemos estar sempre todos de acordo, não é possível e provavelmente, nem seria desejável. Mas é necessário que saibamos argumentar com responsabilidade mantendo a elevação e respeitabilidade das discussões, que saibamos distinguir o importante do acessório, que valorizemos quem de facto quer trabalhar com e para o bem comum.

A política e a gestão pública não pode ser uma mera e inconsequente feira de vaidades ou de egos inflamados, nem uma luta fratricida de meras siglas partidárias.
Saibamos todos, desde os eleitos e candidatos a sê-lo, bem como toda a restante comunidade, estar à altura dos desafios do nosso tempo no enfrentar consciente e responsável dos problemas presentes e na capaz construção de um futuro que, como aqueles que nos antecederam, nos permitam não só continuar a viver bem nesta terra, mas igualmente a nela ter orgulho.
Por Tomar e pelos tomarenses, das atitudes às ações, exige-se mudança.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

"o tristonho dia de Tomar"

A minha nota de ontem na rádio Hertz, essencialmente sobre o dia de Tomar que amanhã, mais ou menos se comemora, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

«É na verdade apenas mais um espelho da mediocridade e da falta de ideias e capacidade de execução que tem liderado os destinos de Tomar. E sim, também espelho da falta de proatividade e capacidade crítica ativa da própria comunidade que há muito entrou num estado letárgico de alheamento para com quase tudo o que venha dos seus eleitos líderes.»

Hoje, não esquecer, reunião da Assembleia Municipal a partir das 15h. Com poucos assuntos de real interesse na Ordem de Trabalhos, mas com a destituição do presidente Miguel Relvas à vista.
E o provavelmente muita peixeirada até porque, como habitualmente se sabe ali muito de leis (e de as cumprir...), já estou a antecipar a confusão com requerimentos para cá e para lá...

sábado, fevereiro 16, 2013

Carnavais e outros folguedos

foto de O Templário
artigo publicado n'O Templário de 14 de fevereiro (embora já escrito há uns tempos)

A câmara rejeitou o apoio à organização do carnaval na cidade (tendo dos sete, apenas o vereador socialista Luís Ferreira votado favoravelmente, em acordo com aquela que é a posição do PS, coerentemente assumida há vários anos).
Enfim, a rejeição é uma decisão tão condenável como aceitável. Tudo depende da estratégia municipal para o desenvolvimento dos eventos com um cariz turístico e de contributo económico. A estratégia que em Tomar… não existe.

No PS há muito defendemos – e não é nada original, apenas perceber o que tem de ser feito se se quiser fazer bem, e observar e aprender com o que outros já fazem – que o concelho precisa de apostar num conjunto de eventos, continuados, diversificados, com qualidade, que mantenham um cartaz permanente ao longo do ano, que contribua para uma efetiva evolução do turismo enquanto potenciador de desenvolvimento económico, contribuindo para a criação de empregos e produção de riqueza.

Basta pensarmos num exemplo que nos é próximo em vários aspetos: dimensão, património histórico e natural, boa localização geográfica – Óbidos – e perceber o que era há pouco mais de uma década, e o que é hoje depois dessa estratégia bem delineada e coerente ter sido e continuar a ser aplicada.
Ali a estratégia prova-se bem sucedida. De uma vila quase só conhecida pela sua ginga, temos hoje um concelho com atividades diversificadas e já estabelecidas, identitárias, que promovem a fixação e desenvolvimento de outras atividades na área cultural e artística, e também na área desportiva, entre outras. O turismo e a cultura provaram-se capazes de criar emprego e riqueza porque ao contrário de Tomar não se limitaram a mandar uns bitaites. Pensaram, planearam, executaram. Investiram, produziram.
E para que conste, para que não me acusem de só usar exemplos socialistas, falamos aqui de um concelho dirigido pelo PSD. A questão aqui não é ideológica ou partidária, é de bom senso, capacidade e vontade de trabalhar. Tudo o que em Tomar tem faltado aos dirigentes políticos.
Em Tomar, fala-se, promete-se, mas saber e fazer… pouco!

Não podemos ficar-nos por um monumento mais ou menos visitado, e por um ou dois eventos anuais ou nem isso, como os Tabuleiros ou as Estátuas Vivas, que sim, são importantes como figura de cartaz e grande atratividade, mas que enchem a cidade em curtos dias, e de onde verdadeiramente se retira pouco mais.
Precisamos de mais eventos, mais pequenos, mas mais continuados. Que tragam menos pessoas de cada vez, mas mais vezes ao ano, que promovam o alojamento e os gastos na restauração, tendo assim verdadeira capacidade para serem sustentáveis.

Voltando ao ponto inicial, apesar da recusa no apoio, a entidade que pretende organizar o Carnaval vai avançar mesmo assim. E isso é muito importante. Tomar não tem sabido aproveitar a sua capacidade instalada: naturalmente os já abordados património histórico, cultural e natural, a sua localização geográfica, e também, o que muitos não têm, um importante movimento associativo que nas mais diferentes áreas muito produz, mas ao qual falta um olhar por cima, um olhar coordenador, um olhar estratégico.
E também por isso, temos instituições importantes, mas que raras vezes trabalham em conjunto ou com desenvolvimento de atividades comuns.
O desenvolvimento de atividades que resultem da iniciativa associativa ou comunitária é algo que não pode ser inventado, tem que existir para ser real. É o exemplo do carnaval da Linhaceira, que não depende de subsídios para se realizar e que tem esse enorme e importante cariz de envolvência da comunidade. O mesmo se passa com o Festival Bons Sons em Cem Soldos, um evento já de dimensão nacional e com qualidade reconhecida nos mais diversos fóruns.

Ao longo dos últimos anos faltou sempre esse acarinhar das instituições existentes, a capacidade de as envolver em objetivos comuns e maiores, de as envolver numa estratégia concelhia da qual sejam verdadeiros parceiros e executores. Ao invés, temos uma filosofia de subsídio mais ou menos indiscriminado, casuístico, em função apenas da dimensão maior ou menor das migalhas sobrantes do orçamento municipal. Uma espécie de subsídio caritativo institucional.
Não é isso que nos serve, e não é isso que nos permitirá o desenvolvimento tão propalado mas sempre vazio, do turismo enquanto real vetor estratégico do desenvolvimento económico e identitário do concelho.
Mas é o que temos, resta saber até quando. Não é apenas no turismo e nos eventos, é em praticamente tudo o resto. Fala-se, promete-se, fala-se de novo, promete-se mais… Mas estamos sempre na mesma. Ou pior.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

"sem emprego"



A minha crónica de ontem na Hertz sobre o tema em epígrafe pode lá ser ouvida, e lida no esquerdo capítulo.

«a grande missão dos autarcas municipais nos próximos anos será a capacidade de potenciar o emprego nos seus concelhos.
Este é efetivamente o novo e obrigatório paradigma da gestão municipal. O tempo das obras vistosas e das rotundas passou, agora é o tempo dos autarcas que ao invés de betão edificam pessoas

domingo, janeiro 20, 2013

"a candidatura do sistema"

A minha crónica da última quarta na rádio Hertz, sobre a candidatura de Carlos Carrão, PSD, a presidente da câmara municipal de Tomar e as reflexões sobre os últimos 15 anos que a mesma impõe, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

sábado, dezembro 22, 2012

Pantomineiros e sua plateia.


artigo publicado no jornal O Templário de 20 de dezembro.

Em 1997, quando o PSD chegou ao poder municipal, fizeram-no prometendo rumo certo. E o “rumo” foi sempre o slogan da era Paiva. E o rumo é o que se tem visto, em frente e sem hesitar rumo ao abismo.
Em 2009, garantiram que “Tomar não pode parar”, e de facto não parou. Continuou a piorar.
Quando este mandato se iniciou todos sabiam que Corvêlo sairia a meio e deixaria Carrão no seu lugar. Mentiram descaradamente negando sempre essa evidência.

Nas últimas legislativas, andaram a dizer aos nabantinos para votar PSD, porque Relvas ia para o governo ajudar Tomar. Tomar foi dos primeiros locais a ter cortes no hospital, e hoje até tem uma “nova” autoestrada com portagens para a qual até o provedor de justiça recomenda os cidadão a recorrer aos tribunais…
E agora, depois de tudo, como se fosse a coisa mais normal do mundo, temos o ainda Presidente da Assembleia Municipal a dizer que nas próximas eleições vota em Lisboa. Eu chamo a isso fazer chacota dos tomarenses.

Vão agora contrair um empréstimo, mais um, mas este ilegal porque não foi aprovado dentro das normas na Assembleia Municipal. Curiosamente, por exemplo, na mesma semana em que aprovaram em Câmara, manter as despesas de representação aos dirigentes da autarquia, num valor a rondar os 50000€ anuais.
Apesar das ilegalidades e irresponsabilidades, montaram o circo a ponto de vir o Secretário de Estado da Administração Local a Tomar ajudar a gozar com a democracia, os eleitos na oposição que votaram legal, responsável e conscientemente, e com todos os tomarenses que não concordam com a atuação vergonhosa do PSD e de Carlos Carrão nesta matéria.
Mentiram e continuam a mentir, com o falso argumento de que sem aquele empréstimo não conseguem pagar as dívidas aos fornecedores locais. Não é verdade, e vamos ver durante 2013, como de repente vai começar a haver dinheiro para fazer algumas obras. Pudera! As eleições são em outubro…

Isto é apenas uma gota de todo o rio de pantominices que quem tem gerido o município nos tem brindado.
O PSD é culpado? Sim. Mas é o principal culpado? Não. Como dizia um presidente de junta desse partido numa das últimas assembleias, “os culpados são os tomarenses que votaram em nós”.
Tomar, terra conservadora e ostentadora de emblemas cada vez mais ocos, parece gostar de estar como está, cada vez mais vazia, parada, triste, envelhecida. E gozada à descarada por quem tem mais responsabilidade.

E serão os nabantinos muito diferentes dos outros portugueses? Talvez não. Os portugueses reclamam da justiça e dos políticos, e usam aqueles chavões de que “são todos iguais”, “querem todos tacho”, “só lá estão para se encher” e “ninguém é condenado”. Mas quando a justiça atua e condena, os cidadãos acabam por a desacreditar e agir contra ela.
Há vários concelhos deste país onde autarcas foram condenados em tribunal e ainda assim novamente eleitos pelos cidadãos. Muitos outros onde, apesar de serem difíceis de provar há suspeitas demasiado evidentes, e onde apesar disso os cidadãos elegem repetidamente quem não os respeita e abusa da sua confiança para interesses menos legítimos.
Há depois outros concelhos, menos, onde podem até não existir autarcas deliberada e objetivamente a proteger interesses particulares, mas onde claramente o interesse coletivo também não é acautelado, onde a gestão é danosa e onde os efeitos da errada administração do município prejudicam irremediavelmente o presente e o progresso da comunidade.

Tomar está, pelo menos, neste grupo. Os efeitos da gestão da última década e meia são evidentes. Tomar está pior em todos os números, em todos os índices das estatísticas.
E isso qualquer um consegue observar. Na economia, com destaque na indústria e comércio; no galopante desemprego; nos jovens e menos jovens que fogem do concelho; na desorganizada, desadequada, alienada gestão dos serviços municipais – entre tantos mais setores. Nas obras inúteis, na dívida, na falta de estratégia para o concelho.

Há apesar disso quem não reconheça o que passa com Tomar. Há até quem objetivamente goste do estado em que isto está. 
A realidade é como é, a opinião pública é como é. Aliás, se não fosse, Tomar seria seguramente muito diferente, que isto é fácil culpar os políticos, mas estes são apenas a escolha e o espelho das comunidades a que pertencem. E em Tomar têm sido escolhidos sempre os mesmos.
Será porque isto deve estar bem assim. A mim e a outros resta-nos dizer que, não, parece-me que isto não está bem assim.

E assim, política à parte, aproveito para desejar um Natal repleto de Amizade e Solidariedade, e um 2013 que, mesmo difícil, seja cheio de Esperança e energias renovadoras. Um ano para fazer a Mudança.

sexta-feira, novembro 23, 2012

"vontade e bom senso"


Texto publicado hoje no jornal Cidade de Tomar.




"O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada."
Bernard Shaw


A comissão política do PS de Tomar – o seu órgão máximo – escolhe este dia 24, num movimento igual ao que está a acontecer por todo o país, o seu candidato às eleições autárquicas do próximo ano.
Eu apoio e votarei em Anabela Freitas.
Bem sei que sou suspeito, a Anabela foi a minha sucessora na liderança do PS nabantino. E só deixei a liderança quando estava certo que essa liderança ficaria em boas mãos.
Mas além das evidências partidárias, Anabela reúne logo à partida duas excelentes condições:

- A primeira é a de que será a candidata que reunirá maior consenso entre os dirigentes socialistas desde que me recordo em Tomar.
Sendo certo que, independentemente da votação que venha a ter na próxima sexta, a unanimidade real é impossível de atingir. E ainda bem, da diversidade nascem melhores decisões.
Há sempre quem ache que poderia haver melhor. Algumas vezes porque de facto acredita noutro candidato; outras porque por algum motivo não gosta da pessoa em causa; tantas porque acha que o melhor candidato é ele mesmo. (Por cá acrescenta-se o facto de sempre existirem uns ódios gratuitos e umas invejas à mistura – coisas da sociologia tomarense);

- A segunda condição é a de ser a candidata melhor preparada de sempre no seio do partido socialista – e provavelmente no seio de qualquer força política em Tomar.
Larga experiência política, foi presidente da federação distrital das mulheres socialistas, foi deputada na Assembleia da República (à qual regressou agora por um mês em substituição), e é atualmente membro da Assembleia Municipal de Tomar. Conhece bem a administração pública, e os meandros do estado central em Lisboa. É técnica superior do Instituto de Emprego e Formação Profissional, tendo dirigido o Centro de Emprego em Tomar.
Tem efetivas capacidades de liderança e decisão, sem contudo deixar de ouvir aqueles que a rodeiam e com quem trabalha. E incorpora cumulativamente três coisas essenciais que tanto têm faltado a quem tem governado os tomarenses: capacidade, vontade e bom senso!

Claro que estamos em Tomar. Terra conservadora, onde existe por várias razões uma certa aversão aos socialistas, e onde os socialistas (que malandros!) se preparam para escolher uma mulher para sua candidata à liderança dos destinos do município.
Como vão reagir os nabantinos? Não sei.
Por todo o lado a Mulher tem emergido socialmente. Também nas autarquias há excelentes exemplos com bom trabalho em prol das comunidades – Edite Estrela foi das primeiras, no maior concelho do país, Sintra. Mas Tomar, ao contrário de outros tempos, tem-se mostrado na atualidade um concelho retrógrado e conservador em quase todos os aspetos económicos, sociais, cívicos.
Estarão neste âmbito os nabantinos disponíveis para a mudança?

Sei, e parece que boa parte dos cidadãos também sabe, Tomar precisa de uma mudança urgente no tal “rumo” que o PSD promete em campanha há 15 anos e que nos trouxe a este estado comatoso. Um município desorganizado, excessivamente burocrático, desatualizado, cristalizado;
Um concelho onde se gastaram milhões de fundos nacionais e europeus, e que não soube definir prioridades, com obras inúteis e dispendiosas, uma dívida alta, uma câmara incapaz de fazer alguma coisa de jeito, e menos ainda, planeada e com horizontes de futuro.
Falta de trabalho com as freguesias, com as associações, com o Politécnico, com a comunidade em geral. Uma câmara mandato após mandato pior.
Um concelho com muitas potencialidades, ainda, mas cheio de oportunidades perdidas, de investidores mal tratados e afugentados, de cidadãos e instituições desconsideradas.
Não se trata apenas da necessidade de trocar de partido ou pessoas na liderança do município. É todo o comportamento anterior que é preciso inverter. É todo o método ou a falta dele. É toda a filosofia de atuação que está totalmente ultrapassada. É preciso ouvir, discutir, pensar, planear, priorizar, trabalhar, decidir, fazer. Sem arrogâncias e fantasias megalómanas, com realismo e razoabilidade, com os poucos meios e as muitas dívidas.
Com uma ideia alicerçada, com um projeto, com uma equipa, sei que Anabela Freitas é a pessoa certa para liderar a mudança.

A grande questão que em Tomar sempre se coloca, é saber se os tomarenses querem mudar, ou estão bem assim. Se estão bem, é simples, é fazer o que tem sido feito: é deixar tudo como está, dizer que são todos iguais, e queixar-se no dia seguinte.

quinta-feira, novembro 22, 2012

"alma e borras de café"

A minha crónica de ontem na Hertz, sobre o café Stª Iria e outras crises anunciadas
A ler no esquerdo capítulo e a ouvir no site da rádio.

segunda-feira, novembro 12, 2012

"devolutos"

A minha nota da passada semana na rádio Hertz, com o título em epígrafe,, sobre os edifícios das encerradas escolas do 1º ciclo do concelho e outro património do município nabantino, pode como sempre ser ouvida no site da rádio, e lida no esquerdo capítulo.

domingo, novembro 04, 2012

Epístola a António

texto publicado no jornal O Templário de 31 de outubro


"Sou velho de mais para censurar, mas suficientemente jovem para agir."
Goethe

Quando me disseram que o senhor presidente da junta de freguesia de Santa Maria dos Olivais, António Rodrigues, me havia escrito através dos jornais, fiquei feliz.
Logo imaginei que viesse, finalmente, abordar os tantos problemas que afetam a nossa grande freguesia. Sei lá, o estado deplorável e terceiro mundista do mercado municipal, anunciar que ia finalmente promover a reabilitação da rua principal de Palhavã, falar dos problemas das empresas da freguesia, anunciar algum evento cultural dinamizado pela junta. De alguma forma, dar voz a estas e outras preocupações e anseios dos seus fregueses.
Sim, se isso alguma vez aconteceu não se deu por isso, mas intentei que me tivesse escolhido, agora que está no fim da sua longa como discreta passagem pela política, para uma espécie de correspondente virtual com quem falasse para dar a público o que lhe vai na alma.

Depois, li o texto, fiquei triste. A exemplo de outros protagonistas do PSD local, o meu caro presidente não está habituado a ser colocado em causa ou a conviver com a crítica democrática. E afinal, no seu texto ofendido não escreveu sequer uma resposta, pareceu mais uma justificação, uma desculpa.
Quando li aquela enigmática expressão que usou referindo-se às dívidas causadas pela construção do parque de estacionamento atrás do edifício da câmara municipal,“embora não concordando com elas”, logo me suscitou o óbvio: por fim um autarca nabantino em ato de contrição! A reconhecer que grande parte daquilo que andou a votar cegamente ao longo de mais de uma década, tudo o que ajudou a aprovar sem ler, é afinal uma inutilidade para os nabantinos e contributo largo para os milhões da dívida do município.
Mas não, sei que assim não é, atesto a sua coerência. Das parcas vezes que nestes anos o ouvimos, foi para defender o seu PSD e o presidente de câmara, qualquer que fosse. A amizade e lealdade partidária pode ser assim: contra todas as evidências, cega e clubística. E fê-lo uma vez mais, no escrito que me dirigiu.

Não pense que estou chateado consigo por me ter apelidado de mentiroso ou demagógico. Separo sempre das relações pessoais, os excessos que alguns usam no debate político. Como comentava comigo alguém da sua família partidária: “não lhe ligues, é a política”.
E não posso mesmo ficar chateado consigo. Então se os fregueses de SMO lhe perdoam que, na prática, não tenham junta, bastando-lhes ter um presidente simpático, havia eu agora de ficar chateado por meia dúzia de palavras vãs?

Agradeço, comovido, a sua preocupação com a minha “carreira política”. Compreendo que, vindo de um dos autarcas nabantinos com mais responsabilidade e longevidade, essa preocupação possa revestir-se de maior importância. Quantos nabantinos se podem lisonjear de há tanto tempo desempenharem tão bem remunerada função para tão pouca ação?
Agradeço, mas não gosto de política a pensar em nenhum cargo ou nenhuma carreira, já ando por aqui há tempo suficiente para que isso se saiba. Independentemente da política, sou professor e, apesar da interferência direta do seu partido no meu caso pessoal, sou dos que, ainda que cada vez menos, temos o privilégio de continuar a sê-lo,
Agradeço, ainda, a sua chamada de atenção para a minha juventude. Desde bem cedo na minha adolescência, há uns vinte anos, estou habituado a que quando alguém mais velho fica sem argumentos venha com a carta da juventude. E como me regozijo por isso!

De qualquer forma senhor presidente, eu percebo a sua necessidade de entrar pelos jogos florais: - ah, e tal, eu não disse o que o senhor diz que eu disse, o que eu disse foi que alguém disse...
Pois... Conceda-me esta simpatia. Na próxima vez que quiser dizer que não disse o que disse, diga-o na hora, diga-o no local. É que perante a inflamada intervenção que o senhor teve na Assembleia Municipal, que todos ouviram, e à qual de imediato eu intervi, o senhor respondeu: nada.
Disse Madame de Stael que “as ideias novas desagradam às pessoas de idade; elas gostam de se convencer de que, depois de haverem deixado de ser novas, o mundo, em vez de se enriquecer, só se perdeu."
Eu não quero acreditar nisso. Acredito sim que, independentemente da idade, formação, ideologia política, credo, todos temos alguma coisa a aprender com todos. E que da discussão séria e frontal nascem melhores soluções para o coletivo.
Saibamos fazê-lo de forma destemida. E com apego à verdade.

quinta-feira, outubro 25, 2012

"uns sem tecto, outros sem vergonha"

A minha crónica de ontem nos noticiários da rádio Hertz, esta dedicada às questões sociais e particularmente à habitação, pode ser lida no blogue coletivo esquerdo capítulo, e como sempre, ouvida no site da rádio.


segunda-feira, outubro 22, 2012

Mentirosos!

artigo publicado no jornal O Templário de 18 de outubro

Ao longo das últimas semanas, o PSD e o seu presidente de câmara (há 15 anos responsável pelas finanças municipais!) têm feito uma campanha de vitimização, na premissa que os tomarenses não sabem distinguir a verdade e acreditam em tudo o que a Câmara lhes diz.
E a mentira é simples: a de que o PS e restante oposição votaram contra o PAEL, o tal empréstimo de 3,600 milhões €, e que isso vai prejudicar a economia local, e os fornecedores locais que assim não podem ver pagas as dívidas que o município tem para com eles, e blá, blá, blá.
Ora isto é totalmente FALSO! É uma patranha.

A dívida aos fornecedores locais é de cerca de 200 mil €, paga-se facilmente se a Câmara quiser. Os documentos deviam ser públicos, mas a verdade é que a sua disponibilização acaba por ser difícil, e mesmo muitos dos que os deviam ler não o fazem. Façam as contas, é matemática simples!
Então, a câmara que ainda há dias decidiu manter as regalias aos dirigentes da autarquia por uma função que não desempenham; a mesma que gasta milhares num boletim municipal que não serve para nada; a que mantém alugueres de espaços de milhares de euros, quando tem espaços próprios devolutos ou que cede gratuitamente; a que gasta dinheiro em música pimba sem qualquer retorno para o município; e mais, e mais…
- Queria agora mais uma folga de 3,6 milhões de euros para estragar em ano de eleições e ficarem os outros a pagar durante 14 anos?! Tenham vergonha.

A atitude é muito grave, e quanto a mim, não quero acreditar que os tomarenses ainda se deixem levar por este tipo de atuação. Os tomarenses podem (compreensivelmente!) ligar pouco à sua câmara, mas têm interesse no que se passa. Afinal é da sua terra que se trata, e daquilo que a má gestão municipal influencia nas suas vidas.
Ora, desesperado com as suas manifestas incapacidades, o PSD local enveredou por um novo caminho, o do “coitadinhos de nós que os malandros da oposição não nos deixam governar”. E para passar essa mensagem, mentem.
Os que não o fazem conscientemente mas sim porque, não lendo os documentos, acreditam naquilo que o PSD afirma, já deviam saber, não dá bons resultados, é o que nos trouxe a este estado, a este buraco em que Tomar está metido.

Incapazes de dialogar, habituados a tudo fazer sem passar cavaco a ninguém, o PSD está acomodado à falta de contraditório, o que está bem espelhado na afirmação do presidente da junta de Santa Maria dos Olivais: «quem votar contra isto devia ser preso»! Ou seja, quem votar contra a vontade do PSD…
Ora, quem provavelmente devia ir preso são aqueles que andaram a tomar as decisões criminosas que custaram os milhões de dívida do município de Tomar, dívida essa que na sua maioria, não trouxe retorno para a qualidade de vida dos tomarenses.
E que mal vai o PSD, entre o mais que vai dizendo, quando coloca a fazer a defesa da câmara… o filho do presidente de câmara!
Eu sei que as palavras duras chocam muito uma certa hipocrisia que reina no conservadorismo nabantino, mas não há outra forma de dizer isto, o estado medíocre a que chegou a governação do concelho não permite que se digam as coisas com paninhos quentes, a verdade é esta: são incapazes, são incompetentes, e são mentirosos!

Ora, o que todos os que são responsáveis têm de fazer, e foi o que o PS e toda a oposição unida fizeram na Assembleia Municipal, é impedir que esta câmara moribunda possa fazer mais estragos. O que a Câmara deve fazer é tentar acabar o mandato com um mínimo de dignidade; tentem sim, pagar o possível das dívidas que criaram sem inventarem folgas para mais danos, para mais dívidas que outros ficarão a pagar.
E tentem também ter o mínimo de respeito pelos cidadãos, façam política dizendo a verdade, e não nos queiram julgar a todos por parvos. Discutam-se opções e não falsidades.
A política e a gestão pública, seja com muito ou pouco dinheiro, tem sempre que ver com a definição de prioridades, tem que ver com opções, com escolhas. O PSD em Tomar tem feito, e com legitimidade repetida nas urnas, todas as opções que entende. Eu e muitos consideramos que a generalidade dessas opções tem sido errada, e a realidade tem vindo sistematicamente a comprová-lo. Mas, a maioria dos tomarenses tem vindo ainda assim a dar ao PSD a continuidade na governação.

Assim, o PSD faz as opções que quer, assuma-as, não tente responsabilizar os outros por elas, não queira passar pelo ridículo de achar que os tomarenses não sabem quem os governa. Os tomarenses sabem-no, foram os tomarenses que os escolheram.  
Quem está há 15 anos no poder não pode esconder-se atrás de desculpas! Quer dizer, até pode… como aquele presidente de junta do PSD que disse baixinho na assembleia: "os tomarenses é que têm a culpa, votaram em nós"!