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terça-feira, outubro 06, 2015

Rescaldo eleitoral

Agora que o frenesim  da campanha e dos seus resultados passou, algumas pequenas reflexões sobre a última contenda eleitoral, partilhadas com quem as quiser:

- Cada vez mais se prova que campanhas nacionais se fazem pelos media nacionais, e pouco relevante é o que se faça a nível local (ainda que cada pequeno universo possa ter influências do seu contexto).
Por exemplo, o PSD-CDS praticamente não andaram na rua, e quando o fizeram quase sempre em cenários controlados, e no entanto foram os mais votados.
O resultado do BE, não ignorando o bom trabalho de Catarina Martins e Mariana Mortágua (que conseguiram fazer esquecer algumas saídas) e a capacidade de eliminar qualquer outro "ruído", por contraponto ao cansaço e à imagem de mais do mesmo em relação à CDU e aos demais, não deixa ainda assim de ser a prova de como os media determinam o pensamento geral "do povo".

- As sondagens, ou a espécie de sondagens que foram surgindo em catadupa (e que aliás deviam ser fortemente regradas, a bem da democracia) provaram para que servem: condicionar o pensamento geral. Tornou-se evidente a ideia, por essas sondagens criada e veiculada pela comunicação social particularmente na última semana, que a coligação tinha ganho antes de o ter e que o PS não tinha qualquer hipótese.
Até o Ricardo Araújo Pereira ajudou...

- É mais que tempo de mudar a forma de fazer de campanha. Muitos dos estrategas continuam delinear campanhas como se estivéssemos em 1974...
Comícios onde todos os que lá estão são arregimentados, visitas a mercados, e coisas do género, que não valem um voto e por vezes ainda retiram.
É preciso acabar com os desperdícios financeiros e "ruidosos" das campanhas: Outdoors, merchandising, multiplicação de panfletos, etc, que também não valem votos antes pelo contrário.
Estive na Alemanha nas últimas eleições regionais desse país. Pensam que lá se gasta como cá?!
E claro, falar de mais e sobre demasiados assuntos prejudica qualquer campanha.

- Sobre o falar demais... há muito se provou que, como nos policiais americanos, tudo o que se diz pode ser usado contra nós, mas há muito quem teime em não aprender com isso. Que o diga por exemplo António Costa e as vitórias por poucochinho...

- Gerir a estratégia das redes sociais, nomeadamente o fcbk. Bom, isto era toda uma dissertação. Digamos apenas que, menos seria mais, e que era tão bom voltarmos ao tempo em que os telemóveis serviam apenas para telefonar... A vaidade e a ligeireza com que se colocam fotos e fazem afirmações irresponsáveis...

Está provado há muito, lamentavelmente, que programas eleitorais dizem pouco aos portugueses. O PS andou durante meses a preparar um programa que apresentou devidamente. A coligação quase não tinha programa, mas um conjunto de promessas do Governo que foi pondo na rua na fase final de campanha. Mais, o PS deixou que o seu programa se tornasse assunto de campanha, ao contrário de quem estava em juízo, a coligação.
(temos exemplos nabantinos que mostram o mesmo, por exemplo, o PSD ganhou e por maioria absoluta a câmara municipal em 2005, sem apresentar qualquer programa eleitoral).

- A coligação de direita foi a mais votada, mas muito longe de ter ganho, uma vez que mais de 63% dos eleitores votaram noutros partidos, na sua maioria de esquerda (falta ainda fechar os resultados da emigração). Ou seja, leiam-se os resultados ao jeito de cada um, facto é que a maioria dos votantes manifestou estar contra a política seguida nos últimos anos.
E, curiosidade interessante, PSD e PS têm o mesmo número de deputados.

- Como costume, o partido mais votado foi o dos abstencionistas, batendo um novo recorde. E depois reclamam. Mas os partidos também não querem tirar ilações...
Sobre isso, apesar do resto, há muito que urge a necessidade de implementação do voto eletrónico. Estou convencido que a abstenção reduziria drasticamente se - e o voto eletrónico permitiria isso - em vez de ter de ir à sua mesa de voto, o eleitor pudesse votar em qualquer uma no espaço do território nacional. São muitos os milhares de portugueses deslocados no território e que por várias razões não têm hipótese de ir votar. O que é muito diferente dos que se estão nas tintas.

- Como no país, também no meu partido parece existir dificuldade em aprender com os erros. Ainda não está o fogo totalmente rescaldado, e há já malta a querer novas fogueiras.

Duas notas mais locais:
- As eleições devem ser feitas em torno de ideias e projetos, mas não deixo de salientar com tristeza a não eleição do nabantino Hugo Costa. Ainda assim, o futuro ninguém o sabe.
- O resultado na freguesia da Sabacheira, onde sabe-se-lá porquê o PSD nabantino muito tem investido, foi positivo para o PS, o que prova mais uma vez naquela freguesia que não vale tudo na política, e que a politiquice mesquinha e mentirosa mais que dar resultados, denuncia e castiga quem a faz.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Votar no Futuro, Votar em Portugal

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 25 de setembro.


«Hoje vivemos na sequência de uma revolução conseguida sem sangue, que nos abriu caminhos de liberdade. Para que os possamos percorrer é indispensável o respeito absoluto das liberdades públicas e dos direitos cívicos, que vamos vendo infelizmente postos em causa.»

«Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos.»
Francisco Sá-Carneiro

Dia 4 de outubro somos todos chamados a usar o nosso poder coletivo, o poder pelo qual tantos na nossa história lutaram para nos deixar como legado, o poder que tantos milhões por esse mundo fora ainda não têm, o poder de escolher quem tome decisões em nome do coletivo, o poder de eleger os governantes do nosso país.
É esse momento decisivo que me faz voltar a este hábito da escrita neste jornal, coisa que não faço há cerca de dois anos, desde que tenho outras responsabilidades e por continuar a achar que quem governa não comenta. Mas agora é tempo de escolhas, e é tempo de fazermos campanha pelas escolhas que entendemos mais apropriadas.
Comentadores televisivos e de outros suportes mediáticos, mesmo alguns políticos e muitos cidadãos têm definido estas eleições como de grande complexidade na escolha. Mas para mim nunca me pareceu tão fácil, tão óbvio, tão urgente decidir.

Temos um governo que apresenta como mote de campanha os supostos resultados, os resultados que agora diz serem resultado da “herança” e do estado em que encontraram o país, quando há quatro anos afirmavam que queriam “ir além da troika”. Um governo que apostou em “ser o bom aluno” na visão de quem faz depressa e sem questionar, um governo que, embora suportado largamente num partido social democrata e que tanto gosta de citar Sá-Carneiro, mas que tem aplicado fórmulas liberais ou mesmo ultra liberais não suportadas nem pela ideologia desse partido nem pelo programa sufragado, e por isso mesmo vê tantos desse partido a dele publicamente se afastarem.
Um governo que não teve qualquer problema a indicar a saída do país à sua população, particularmente os mais jovens e qualificados, nos quais o país investiu, e que os outros países tanto agradecem! – fala-se agora na possibilidade e até com discurso xenófobo de o país poder vir a receber 3 ou 4 mil refugiados migrantes… pois portugueses migrados foram mais de 350 mil no últimos 4 anos!!
Um governo que taxou tudo quanto pode, e cortou em mais ainda. E depois perguntamos, para quê? Estamos melhores, os tais resultados estão melhores? E é este o país que queremos? Não, este não é o país em que me revejo. Não, também não é a forma para que sinto servir a política.

A política nobre e útil é muitas coisas, entre elas a capacidade de envolver, de dialogar, de procurar os consensos (quando no nosso país cada vez mais se procura antes o conflito), mas não seguramente a arte do abandono. E abandono é o que mais temos visto: o abandono dos cidadãos, o abandono das empresas do Estado vendidas à pressa e ao desbarato, o abandono das políticas sociais de promoção da igualdade, o abandono da ideia de um Estado que promove a igualdade de oportunidades e a justiça (pois se até, diz Passos Coelho, é preciso uma subscrição para os enganados do BES poderem ir a tribunal…)

O apoio social é um verbo de encher para quem quer mostrar trabalho à conta dos “coitadinhos”, para além de nos quererem impingir novamente os tempos da caridadezinha, da sopa dos pobres, dos asilos. Não, isso não é verdadeiro trabalho social, isso é empurrar para fora da vista os problemas e tratar seres humanos como números ou “coisas”.

Na educação, a visão ideológica imposta aos currículos e aos horários dos alunos fez um retrocesso até “tempos da outra senhora”. Cortou-se no ensino artístico, nas expressões, na educação física e no desporto escolar, nos apoios pedagógicos, psicológicos e tudo o mais.
Porquê? Porque se entende que isso é para quem pode pagar, os outros, aguentem-se que isto não é para quem quer! Não ajam ilusões, é mesmo de ideologia que trata.
Poder-se-ia dizer, bom é falta de dinheiro, é preciso cortar em algum lado. Não é verdade! Basta ver que ao mesmo tempo que se corta no ensino público, na sua qualidade e nos serviços aí prestados, se aumentam, (e muito!) os subsídios aos colégios privados por esse país fora.
Da cultura nem vale a pena falar. Está em coma, não há qualquer trabalho feito nesta área.

Ora, como disse Churchill, se não lutamos pela cultura e pela educação, que são aquilo que nos dá identidade e futuro, vamos lutar para quê? Mais vale assumir e deixar os alemães ou quem quer que seja, fazer o que bem entenderem de nós. – e foi o que fizeram nos últimos anos!
Por isso reafirmo, não tenho qualquer dúvida onde votar.
Quem acha que está bem e deve continuar, escolha a direita coligada, quem acha que não, que o país precisa de outro rumo, de alma, de olhar para as pessoas e para as suas necessidades, e mais ainda quem defende um país regido numa ideologia de socialismo democrático (ou social democracia), só tem um partido que atualmente a defenda – é o PS liderado por António Costa.

Temos também, nabantinos, um interesse mais local nestas eleições. É na lista socialista que está o único tomarense com possibilidades de ser eleito. Hugo Costa será uma voz jovem, motivada e empenhada conhecendo de perto as realidades de Tomar e da região que pode ser a nossa voz na Assembleia da República e junto dos poderes de Lisboa.
Não ir votar, não é mostrar descontentamento, não é mostrar desagrado, é sim mostrar alheamento e deixar aos outros o poder da escolha. Mais, por força do mecanismo eleitoral, quase sempre quanto maior for a abstenção, maior o favorecimento de quem já detém o poder, por isso: Vote, vote em quem entender melhor, vote nulo se quiser, mas vote!

sexta-feira, junho 21, 2013

"Direito e dignidade"

A minha crónica de quarta na Hertz pode lá ser ouvida ou lida na íntegra no esquerdo capítulo.

«É absolutamente incompreensível as opiniões dos que acham que, sim sim, têm direito à greve, desde que não prejudique ninguém. E de uma enorme hipocrisia os que acham que a greve de segunda prejudicou os alunos!
O que prejudica os alunos são as condições cada vez piores existentes nas escolas, a falta de recursos humanos e outros apoios, o aumento do número de alunos por professor havendo muitos casos de docentes com duzentos ou trezentos alunos; as propinas elevadas e os custos generalizados da educação cada vez mais elevados, e mesmo a falta de saídas profissionais ou um governo que diz à geração melhor preparada de sempre para emigrar. Isso sim, prejudica os alunos!
E mais importante que isso, prejudica todo um país e o seu futuro.

(...)
Já era evidente que o governo se está nas tintas para os alunos, e quer lá saber da legalidade, da equidade ou da igualdade de oportunidades. O que aqui se provou com esta atitude é que o governo quis vincar uma vez mais, não aos docentes mas a toda a sociedade, que não está para cedências, diálogos ou reivindicações, quis mostrar basicamente que, não adianta a contestação e a luta dos cidadãos, o governo fará sempre o que quer, contra tudo e contra todos, mesmo que contra milhares de cidadãos, ou contra a lei e contra os tribunais.
E é essa atitude, digo eu, que não podemos aceitar vindo de qualquer governante. E é por essa essência de dignidade e de limiar mínimo do estado de direito onde os governantes não se impõem aos cidadãos, mas respeitam-nos e representam-nos verdadeiramente, que acho que todos devemos continuar, e muito mais do que até aqui, a lutar.
A Liberdade e a Democracia são daquelas coisas a que costumamos dar valor quando não as temos. Por isso espero que tenhamos todos a noção de que já estivemos mais longe de as perder

segunda-feira, junho 17, 2013

pela dignidade e pela escola pública

foto de aventar

«Considero importante que crianças, jovens, pais e professores, venham para a rua defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade"»
Cavaco Silva, durante o governo de Sócrates, claro

«O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.»
Immanuel Kant

Não sou por norma pessoa de aderir a greves. Desde que iniciei em 99 o meu percurso profissional terei feito umas duas. E sim, acho que os professores têm feito por vezes algumas greves desnecessárias e com lutas erradas, levados por alguns sindicatos com agendas que não são necessariamente as que mais interessam aos docentes, normalmente os ligados à Fenprof. (e para que fique mais claro, não acho nenhuma piada à postura, que muitas vezes como professor me deixa envergonhado, do conterrâneo e há vinte anos fora da escola, Mário Nogueira).
Por isso, as greves (somadas com ideias tão absurdas como generalizadas: que ganham bem, que fazem pouco, que têm muitas férias…), ajudaram a criar uma imagem negativa dos professores junto da opinião pública apesar de terem sido quase sempre inconsequentes.

Não é o que se passa agora. Temos, talvez pela primeira vez, uma greve que tem efeitos – como é suposto que uma greve tenha! Se não é para ter efeitos para que serve uma greve?
E não foram os professores que escolheram este calendário, foi e é o ministério que colocou estas questões agora em cima da mesa.
E, muito mais importante, as razões são profundamente legítimas. Sim está em causa a questão profissional de (mais uns) milhares de docentes a quem o governo quer despedir, metendo pelo meio o horário de trabalho. Mas mais importante ainda, está em causa a qualidade do ensino e a manutenção da escola pública, enquanto instrumento capaz de servir todos os portugueses em igualdade de oportunidades e garantir e construir o nosso futuro coletivo.

Mas vamos por partes. Para que se perceba melhor, o horário de trabalho semanal dos docentes está divido em três componentes: a letiva, que, simplificando, trata das aulas propriamente ditas, e que varia entre 22 a 25 horas; a não letiva de estabelecimento, que tem a ver com outras funções na escola, como aulas de apoio, coordenações, biblioteca e outras (3 a 5 horas); e a de trabalho individual do docente, que tem que ver com preparação de aulas, conteúdos e materiais, correção de testes, entre mais e que o docente pode e quase sempre faz em casa (o restante tempo para as atuais 35).
Claro que a generalidade dos docentes faz muito mais do que estas horas, não só porque passa muito mais horas na escola (para não falar dos que têm que lecionar em mais que uma), até porque há reuniões, visitas de estudo, outros projetos, que ficam de fora da contagem de tempo; e ainda porque, já não fora o caso de em poucas profissões se levar trabalho para casa (e não me recordo de nenhuma na função pública), como também aí se gasta muito mais tempo, além de usar os recursos materiais do próprio.

Ora, a qualidade do ensino está cada vez mais deteriorada, com os professores atolados de alunos e papelada, além de acossados por todos os governos e pela sociedade em geral, desrespeitados enquanto classe por alunos, pais e demais comunidade. É assim fácil perceber o estado de espírito que vai nas escolas por esse país. E isto apesar de não só a opinião pública, como mesmo alguns docentes não terem ainda a real noção do que está este governo a fazer, até porque se contradiz e falta à verdade com regularidade.
Uma sociedade que não valoriza os seus professores, o seu sistema de ensino, não se valoriza a si própria e compromete o seu destino – é da história, aprenda-se com ela.

Se, de qualquer forma, for difícil de compreender a razão dos professores que deve ser de toda a sociedade, atentemos na incompetência do ministro e do governo (que sim, tem sido apanágio de quase todos os ministros da educação, normalmente porque não percebem nada da prática daquilo que ministram) bastando apenas isto: a comissão arbitral propôs a alteração da data do exame – o ministro mostrou-se inflexível. O primeiro-ministro foi ainda mais longe, se o tribunal não nos der razão, mudamos a lei.
Eu não sei em que país e em que espécie de ditadura julgam estes senhores estar a governar, mas parece-me ser claro algo, a escola falhou na formação cívica destes senhores. Talvez tenha sido por isso uma das primeiras coisas que cortaram do atual currículo…

Por fim, e para que fique clara a minha declaração de interesses, sim sou professor, e se calhar tenho uma visão parcial e implicada da questão (não creio, mas aceito essa opinião). Mas sou professor do quadro e com horário, e assim sem a perspetiva do despedimento; como a todos o dinheiro recebido a menos por conta da greve faz falta; e, apesar de até fazer parte do secretariado de exames na minha escola nem sequer há ensino secundário logo não há qualquer exame marcado para hoje, pelo que tinha boas desculpas para encolher os ombros e fazer de conta que não é comigo.

Mas dividir para reinar parece cada vez mais a aposta clara da desesperada tentativa de se manter no poder e na senda ideológica de destruição do estado social destes senhores liberais que, depois de se apoderarem do seu partido, se apoderaram do governo. Essas divisões na sociedade sentem-se em crescendo de tensão, e esta da opinião pública contra os professores é apenas mais uma.
Por isso, se a sociedade no seu todo mais global não perceber a necessidade enquanto nação de apoiar e de se juntar aos professores, pelo menos que o saibamos fazer nós.
Por isso faço greve, por isso quero Crato, Gaspar e Passos longe da gestão do país.

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertzpode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

sexta-feira, maio 10, 2013

«deseducar por decreto»

Porque hoje foi dia de "exame de quarta classe" a Matemática (e difícil que ele era....), fica também a referência à minha nota do dia na Hertz na passada quarta, alusiva ao tema, passível de ser na íntegra ouvida no site da rádio ou lida no esquerdo capítulo.

«Na verdade este regresso aos “exames da quarta classe” só acontece por uma dualidade entre a cegueira e teimosia ideológica e, precisamente, o querer fazer de conta para agradar a uma população envelhecida e conservadora que poderá ver nisto um regresso a um suposto rigor e um saber fazer que estão mais que ultrapassados.
Se assim não fosse, porque será que só um país em toda a europa, para além agora de nós, realiza estes exames? E esse país sabem qual é? Um exemplo a seguir seguramente… Malta, o pequeno país do tamanho da nossa Madeira e que, quando o visitei, era bem mais atrasado que o nosso cantinho à beira mar plantado.»

segunda-feira, abril 22, 2013

o caminho único...

Este post leva dedicatória para o meu caro colega blogger nabantino, António Rebelo, que no seu Tomar, a dianteira vai advogando a tese de que não há alternativa à austeridade, e que para o sustentar quase sempre utiliza opiniões de comentadores e outros protagonistas da direita. Apenas para evidenciar que há outras opiniões, e como não podia deixar de ser, há sempre alternativas.

Uma das muitas vozes discordantes do caminho atestadamente errado e cada vez mais contestado, seguido pela generalidade dos atuais líderes europeus (ou não fossem, atualmente, quase todos governos de direita), a opinião de Paul Krugman, prémio nobel da economia em 2008, e que há muito vai exprimindo, pode em parte  resumir-se a isto: “Os políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer”.

E acrescenta-se: “Devemos situar o fiasco de Reinhart e Rogoff no contexto mais amplo da obsessão pela austeridade: o evidente desejo dos legisladores, políticos e peritos de todo o mundo ocidental em contornarem o problema do desemprego e, como troca, utilizar a crise económica como desculpa para reduzir drasticamente os programas sociais”, afirma Krugman num artigo de opinião no “El País” – “A depressão do Excel”. (ler mais no Jornal de Negócios).

E acrescento eu, em Portugal tem dias em que a "austeridade sem alternativa" é desculpa para esconder a ideologia não sufragada, e outros em que não. Há alturas em que o atual governo está a "ir além da troika" e a cumprir o seu programa sem pressões do memorando. Outros em que afinal o memorando (já 7 vezes revisto) estava mal desenhado...

Claro que, mesmo os incompetentes declarados que nos governam atualmente já perceberam que isto assim não vai a lado nenhum - nem eles. Só que o princípio é simples e sempre igual: quando os políticos são maus mandam os técnicos/tecnocratas.
(É assim em qualquer parte do mundo, até em Tomar...)
E por isso, quando é nos momentos de crise que a Política é mais necessária, vivemos ao contrário por estes tempos assim, com um governo incapaz e politicamente morto há meses, dividido entre as suas ideologias ultra-liberais e a incapacidade de bater o pé à troika por um lado, e por outro a realidade que todos sentimos e que mesmo muitos dos apoiantes mais incontestáveis governo, já proclamam a bom som.

segunda-feira, abril 15, 2013

"Quem nasceu para lagartixa..."

A minha "nota do dia" de 10 de abril na rádio Hertz, com o título em epígrafe, em parte dedicada a Miguel Relvas, pode ser lida na integra no esquerdo capítulo.

«o que em verdade quero sublinhar é apenas que este agora ex Ministro a quem o povo português cantou “grandôlas” e a quem retorquiu com veemência que “fosse estudar”, apelidado entre mais na comunicação social nacional como o “mosqueteiro de Tomar”, é desde 1997 Presidente da nossa Assembleia Municipal, e como tal primeiro representante dos nabantinos. E mais, o real mandante das principais decisões do partido que tem governado o município, como ainda agora se provou, com a escolha de Carlos Carrão para candidato, contra a vontade manifesta dos dirigentes locais.

(...) o que lhe aconteceu dá-nos a todos grandes lições sobre a vida, a personalidade, a ética, a política. Duas delas, muito importantes: primeiro, quanto maiores forem as responsabilidades que se assumem, maiores devem ser as capacidades comprovadas e mais impoluta a linha de conduta;
E segundo, todo aquele cuja função exista para o trabalho em prol dos demais e desses dependa a sua avaliação, não pode atuar contra a vontade desses e sobre eles usar de desdém e arrogância.»

quinta-feira, março 14, 2013

«A má educação»

A minha crónica de ontem na rádio Hertz pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.
Desta vez sobre o caminho que leva a educação em Portugal. Nem a propósito, a capa do Pasquim da Manhã de hoje, sempre a fazer o serviço aos governos de direita, como se as decisões que este toma não fossem responsabilidade e ideologia sua.

«Das alterações curriculares, à enorme diminuição de professores e outros técnicos bem como uma outra série de recursos, estão a fazer regressar a escola ao tempo em que só os mais favorecidos terão reais condições de poder ter uma escolaridade enriquecedora e capacitante para os futuros cidadãos e profissionais que agora se preparam. Estamos a voltar a uma sociedade de classes que, a par com outras condicionantes da sociedade, se intensificam na escola que deveria ser a base para a construção individual e coletiva de qualquer país.»

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

"grândola vila..."


Hoje, chegado a uma sala com uma turma para dar uma aula, não pudemos entrar porque algum aluno armado de equivalência a serralheiro tinha enfiado cola entretanto solidificada na fechadura. Uma moda recente, os alunos estão sempre a descobrir nóveis truques.
São enfim, coisas do dia-a-dia de uma escola um pouco maís atípica do que as outras. Ainda foram uns bons dez minutos até se resolver o problema e poder dar início à aula. Quebra logo um pouco o ritmo e cansa-nos mentalmente um bocadinho, mas por fim lá se diz o que se tem a dizer.

Bom mas, nada como ser ministro daqueles a que não deixam falar onde quer que vá, porque o mandam demitir-se e ir estudar, enquanto o apelidam de todo o tipo de nobres adjetivações, e o vão mantendo como ícone maior do anedotário nacional...

Algo também muito avisado e com hábito histórico para correr bem é quando políticos, como fez hoje o líder parlamentar do PSD, tentando defender o indefensável porque não aceite pela larga maioria dos cidadãos, compara as manifestações de jovens a grupos de extremismos políticos. Vai por aí que tens futuro...

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

"No Estado, o absurdo não paga impostos?"

Não andei muito atento às notícias nos últimos dias, até porque andei offline e a net é cada vez mais a minha forma priveligiada de "ligação com o mundo", se bem que até me tinha já chegado qualquer coisa aos ouvidos, pensando ainda assim que fosse brincadeira de carnaval...

Então não é que os senhores do Governo mais as suas ideias estapafúrdias, agora querem multar os consumidores que não pedirem fartura?!!! Mas endoideceram de vez?!

Não só a ideia é totalmente absurda, e provavelmente ilegal, como me parece que vai ter o efeito contrário ao desejado. É que como este Governo há muito tempo está morto no que diz respeito à legitimidade democrática percetida e delegada pelos cidadãos, a vontade destes é precisamente fazer tudo ao contrário daquilo que o governo disser.
(É essa a diferença que alguns não querem entender entre legitimidade institucional e legitimidade democrática. A diferença entre ter real poder para agir ou estar apenas na posse de um poder ilusório - que ainda assim, acaba quase sempre por sê-lo).

Adiante. Eu nem sou grande fã de Francisco José Viegas que como político e comentador diz por vezes umas grandes barbaridades (e como escritor conheço pouco), mas sendo ele um ex-elemento do atual Governo, (e mesmo que alinhe na sua continuada estratégia pessoal de reganhar alguma simpatia do seu público, perdida depois dessa má experiência governativa, à qual teve ainda assim a decência de abandonar) parece-me o melhor para nos dizer como proceder em relação a esta ideia tonta.
No seu blogue publica dois textos seguidos sobre o assunto, o último com o mesmo título que aqui se usou (o primeiro intitulado "um monumental manguito para o Estado"), onde avisa o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que caso alguém o tente fiscalizar "à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel" para saber se pediu fatura, terá "de lhe pedir para ir tomar no cu".
Ora toma que já almoçaste!

Entretanto, notícia de última hora, e porque se fala tanto em "tomar", o presidente da Assembleia Municipal da dita, Miguel Relvas, recusa-se a comentar...

A propósito, sublinho que quem usa esta linguagem, excessiva quanto a mim, é um ex-secretário de Estado.
Já na conservadora e comatosa sociedade nabantina, há uns poucos que ficam muito ofendidos quando alguém usa linguagem um pouco mais forte.
Eu por exemplo, quando em tempos que parecem já longíquos me limitei a dizer o óbvio e mais que reconfirmado com o tempo, que a câmara de Tomar não o é, é uma cambada.
E repito as vezes que forem precisas até porque, dizê-lo assim ainda é ser simpático.

domingo, fevereiro 03, 2013

na gramática e no país

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Mais uma das deliciosas crónicas de RAP na última página da Visão, que para mim é sempre a primeira. Esta semana, mais uma dedicada a Miguel Relvas.


Porque faz sol, e está tudo bem em Tomar (a bem dizer este fim de semana fiquei pela capital, mas Tomar está sempre na mesma: em percurso descendente), no país e no mundo, façam o favor de ter um bom domingo, que seja "bem visto e ouvisto".

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

«ai aguenta, aguenta»



«Portugal está no bom caminho»
Pedro Passos Coelho, Primeiro-ministro, 1 de Fevereiro de 2013


Entre este e o do "se os sem abrigo aguentam, porque não aguentam os outros?!", venha o diabo e escolha.

a troika ao jeito


«Portugal cortou em Saúde o dobro do exigido pela troika», lê-se no site da RTP, dados da OCDE.

Grande novidade, os mais atentos e não partidária ou ideologicamente alinhados com este governo, bem sabem que a troika e a crise são apenas bem convenientes desculpas para a receita totalmente ideológica que está a ser aplicada no nosso país.

Na educação então, estamos a assistir a um desastre que se não for rapidamente alterado, só daqui a uma década começaremos a ver e sentir as consequências profundas.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

hardcore

Estava eu para glosar o "óscar" para a Érica Fontes (óscar é como quem diz, o prémio XBIZ para a melhor atriz pornográfica do ano) quando vejo que o Luís Ferreira já abordou o assunto no seu blogue.
Pertinente a abordagem, mas quanto a mim o vereador não apanhou todos os ângulos da notícia.
A mim, parece-me que este prémio para a Érica é também prova do sucesso da política de emigração do governo de Passos e Relvas. - "Emigrai jovens, fazei a outros lá fora o que vos fazemos cá dentro!"...
Conciliando isto com a notícia que o Leonardo Jardim, que estava a treinar o Olimpiakos liderando o campeonato grego com 10 pontos de avanço, foi despedido porque andava a dar treinos particulares à mulher do presidente, está visto qual o grande desígnio dos portugueses para o séc.21!

Continuando a falar em pornografia... Paulo Júlio demitiu-se das funções de secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa em resultado da acusação pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em concreto por ter, alegadamente, favorecido um primo num concurso para chefe de divisão no município de Penela onde era Presidente de Câmara.
Ora, lembram-se quem é este senhor? Ainda há dias falei nele, é o senhor que autorizou ilegalmente o pedido de empréstimo da câmara municipal de Tomar, ilegal porque reprovado pela assembleia municipal.
É o costume, a malta que julga que é dono e senhor das instituições e que a lei só se aplica aos outros. No governo e nas autarquias ainda há muito disso. E em Tomar então!...
Mas acaba, e mais tarde ou mais cedo as responsabilidades apuram-se.

A este caso acrescem outros contornos, nem podia deixar de ser. Leia-se este trecho para se perceber como isto gira sempre em torno dos mesmos protagonistas e dos seus métodos:
«A participação formal ao Ministério Público foi feita pela IGAL em Julho de 2011, poucas semanas depois de Paulo Júlio ter integrado a equipa do ministro Miguel Relvas, assumido a pasta de secretário de Estado da Administração Local. A IGAL era então liderada pelo juiz desembargador Orlando Nascimento. Dois meses depois, o gabinete de Miguel Relvas emitia uma nota determinando a cessação de funções do inspector-geral alegando "quebra de lealdade institucional".» no Público.

terça-feira, janeiro 22, 2013

a Lei e a lei ao jeito

foto do Público
Paulo Júlio, atual secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, foi acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em circunstância que remonta ao tempo em que era presidente da câmara de Penela. (no Público)

Entre mais, a notícia releva porque foi este senhor quem autorizou recentemente o empréstimo aprovado ilegalmente pelo município de Tomar, e em cuja palavra o presidente da câmara nabantina tanto confia que até a "confunde" com um parecer jurídico.

Chamo a atenção de quem na câmara e assembleia nabantina continua a aprovar de cruz e de cor, e a ignorar que o tempo do regabofe vai terminando, e que as leis mais tarde ou mais cedo fazem-se cumprir.

A notícia deve ser lida, até para se perceber que em todas estas matérias, de uma forma ou de outra, lá se sente a santa mão do senhor....
Do sr dr Relvas, claro.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

curtas

- "Câmara de Tomar quer acabar com processos em papel", lê-se no Tomar na rede.
Fala ainda na possível criação de um balcão único de atendimento, Carlos Carrão referiu-se a este dia como “Um dia histórico para Tomar”. E se ele diz, todos acreditamos não é verdade?...
Foi em Março 2007 que propus esta medida em reunião de câmara pela primeira vez. Daí para cá, na câmara e na assembleia, foram várias as vezes que o assunto foi abordado e proposto. Como muitos outros.
Mas tudo aquilo que sempre foi recusado, aprovado mas não cumprido, ou mesmo ridicularizado pelos sociais democratas nabantinos, parece agora CC tudo querer fazer. Atabalhoadamente, à pressa e sem critério, e na maioria dos casos não vai pasar de conversa, claro.

- "Câmaras de Torres Novas e Entroncamento reduzem chefias", lê-se também no Tomar na rede.
Já em Tomar... nem vou comentar mais este assunto.

- Ainda no Tomar na rede: "Governo condecora José-Augusto França", uma personalidade ímpar no mundo da crítica, estudo e ensino das artes plásticas e afins em Portugal, que além de ser nabantino, é entre mais responsável pela existência do núcleo de arte moderna na cidade, uma vez que a maioria das obras eram sua propriedade.
Mais uma daquelas personalidades de mérito que já deveriam ter sido distinguidas pelo munípio de Tomar, coisa que a câmara ainda não soube fazer, por mais que o propunhamos desde, sei lá, há uns anos... ainda devem andar à procura do regulamento que em 2010 argumentaram ser necessário e ainda não existir.
Querem apostar que de um dia para outro, vamos ouvir Carrão a dizer vai avançar com isto?

- Por cá, estranhamente, quase não se falou do assunto (e não venham com a "vida privada" que isso é outra coisa) mas em França parece que as luxuosas férias cariocas de Miguel Relvas, Dias Loureiro e outras figuras em ensemble não passaram despercebidas e são vistas como um escândalo. A ler no orange.

Anabela Freitas e Basílio Horta no debate de sexta.

- Basílio Horta, uma das poucas personalidades com estatura de homem de Estado ainda na política ativa, passou por Tomar na última sexta a convite da Anabela Freitas, e permitiu um excelente serão de discussão essencialmente em torno do desenvolvimento económico local e do papel do município nesse âmbito, sendo lançadas muitas pistas para sobreviver à crise e ao Governo.
Aqui o comunicado do PS nabantino sobre o evento.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

curtas

foto de Tomar a dianteira
- "Carlos Carrão diz que investimento na tenda [do mercado] «não foi dinheiro mal gasto», lê-se na Hertz. Mas no entanto vai fazer agora o que o PS propôs e foi aprovado a tempo de evitar o fecho pela ASAE em 2010, obras básicas no mercado.
Então os milhares que foram gastos na tenda, outros equipamentos, pessoal de segurança e mais foram para quê?!
Podiam, como alertá-mos, ter sido evitados!
É esta a capacidade de gestão e planeamento existente no município nabantino.
Vergonha!

- É oficial, Cavaco Silva promolgou a lei de extinção de freguesias. E sem equivalências, Miguel Relvas conseguiu o seu grande objetivo. Mesmo que muito triste na forma, já tem na história do país uma página assinada por si.

- Se é dos cada vez menos portugueses que ainda tem trabalho pelo qual aufere um salário, pode depois de descarregar esta tabela, verificar quanto mais o Estado lhe vai "desviar".

- Nos EUA surge, sinal dos tempos, a primeira biblioteca sem um único livro. Lê-se no Público.