sábado, janeiro 18, 2014

punk saturno




Um medley de Daft Punk pelos magistrais Pentatonix... para animar a noite de sábado.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

info solidária




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hoje, Cineteatro Paraíso, depois das 21h, entrada 2€, lucros a reverter para o CIRE (Centro de Integração e Reabilitação de Tomar)
Atuações da Nabantina e de Belito Campos.

domingo, janeiro 05, 2014

pantera transcendente


O grande Eusébio partiu hoje para o panteão dos imortais. Génio das artes futebolísticas, foi alma do Benfica e da Seleção, mas claro, mais importante, jogador do União de Tomar, clube onde jogava, curiosamente no ano em que nasci.

Não há razão para tristezas, foi grande e viveu em grande. Assim conseguíssemos todos alcançar uma pequena centelha da enorme luz que foi a sua vida. Celebremos agradecidos as alegrias e as memórias que, mesmo que como eu, já não o tenhamos visto jogar "em direto", nos deixou a todos e nos honram enquanto nação.

RIP

domingo, dezembro 22, 2013

natalício








“One can never have enough socks," said Dumbledore. "Another Christmas has come and gone and I didn't get a single pair. People will insist on giving me books.” 



sexta-feira, dezembro 13, 2013

azar










Para quem ainda não reparou hoje é sexta 13. A imagem serve apenas para recordar, ou fazer pesquisar quem por isso se interessar, de onde vem esta ideia destes dias serem azarados. Remonta a outubro de 1307.
Mas 7 séculos depois os assassinos movem-se pela mesma fome: fanatismo, ignorância e tirania.

terça-feira, novembro 26, 2013

segunda-feira, novembro 18, 2013

CPCJ de Tomar em encontro












Próxima sexta, ao longo do dia na Biblioteca Municipal.
(clique na imagem para ampliar)

As inscrições são gratuitas (mas obrigatórias) e devem ser feitas, até dia 20, através do preenchimento desta ficha.


sábado, novembro 16, 2013

quarta-feira, novembro 13, 2013

XXXVI

Sim, é verdade, atingi hoje a dupla maioridade, que é como quem diz, tenho agora tantos anos terrestres como tem de teclas pretas um piano (há sempre tempo para informações úteis).
O tempo voa, quando der por ela já me passou a adolescência...

Aos que via redes sociais têm perdido um instante para mo lembrar, obrigado. E retribuo a todos a lembrança que eu tantas vezes sou levado a esquecer: a vida é em si um instante. Tornemo-la significante.

segunda-feira, novembro 11, 2013

leituras

Porque aqui se promete falar de livros, o apontamento de quatro dos últimos. Pode sempre existir quem precise de uma dica.


De Mário Vargas Llosa, o escritor peruano prémio Nobel em 2010, exímio romancista e, vá-se lá saber porquê, este Travessuras da Menina Má, não só foi uma agradável surpresa como alvo de muita identificação pessoal.


Este Inferno é um normal género de leitura de verão, entre a esplanada e a areia ou uma qualquer sombra convidativa, mas acabou por ser, porque “verão” foi coisa que não tive, uma espécie de leitura de campanha.
O estilo thrilher cinematográfico já conhecido de Dan Brown, e apesar de uns pontos abaixo de O Código DaVinci ou O Símbolo Perdido, é um daqueles livros viciantes que se lê “enquanto o diabo esfrega um olho” e que para mim, sem querer revelar a história, se passa em três das mais magníficas cidades que pude já visitar: Florença, Veneza e Istambul.


Para quando o tempo para a leitura é menor, este livro de contos de Gabriel Garcia Marquez, (também prémio Nobel), A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e sua Avó Desalmada, no seu estilo entre o natural e surreal, sem esquecer os apontamentos cómicos, é um livro a ter em conta.


O Livro dos Homens sem Luz é uma boa leitura ao estilo habitual de um dos melhores jovens escritores nacionais, João Tordo.

domingo, outubro 27, 2013

requiem for Lou


Esta é uma das grandes músicas que está no meu top das preferidas (deu ainda mais interesse ao filme Trainspotting de Danny Boyle), aqui numa versão de índole solidário à época, onde vários grandes se juntaram ao seu compositor para a cantar.

O seu compositor, Lou Reed, partiu hoje para se juntar aos que perduram. RIP in a eternal perfet day.

sexta-feira, outubro 18, 2013

um, entre todos

Iniciando hoje novas funções de autarca que muito me honram, e muito além do compromisso inócuo de tomada de posse ontem proferido e que em todas as funções públicas somos obrigados a fazer, quero publicamente comprometer-me a, no contexto da equipa a que pertenço e sob a liderança da nossa Presidente Anabela Freitas, não deixar de ser quem sou – mas sim continuar a ser crítico e comprometido com Tomar e os tomarenses, como sempre até aqui. 
Muitas serão as dificuldades que encontraremos, mas isso só reforça a vontade de os enfrentar.
Cometerei, cometeremos, erros certamente. Conto com todos para o alerta sobre eles.
Comigo, bem sabem, poderão continuar sempre, por esta ou pelas demais vias, a fazer chegar as vossas críticas, opiniões, sugestões, ou o que bem entenderem.

Tomar somos todos e todos somos precisos para fazer a Mudança.  

quinta-feira, outubro 17, 2013

das eleições, das razões, e do mau perder

Sede do município nabantino (foto: Rádio Cidade de Tomar)
Aproveitando o facto deste blogue andar muito depauperado (por falta de tempo e vontade), e sentir dever deixar uma análise pública da minha leitura pessoal sobre as últimas eleições autárquicas, aqui fica então, hoje que é o último dia oficial do mandato 2009/2013, uma ainda assim pequena e pouco aprofundada análise, que não me apetece dizer mais que isto, sobre as eleições autárquicas no concelho de Tomar.

Os resultados eleitorais desta última contenda mostraram algumas coisas que a mim já me pareciam óbvias mas que agora parecem ter sido provadas.
Estas últimas eleições e a escolha dos eleitores, desconfiados e pouco motivados pela gestão local e nacional, cada vez mais descrentes dos políticos em geral, foi muito feita com base no «quem comete menos erros», e claramente o PSD e os IPT cometeram muitos.
É dos livros, o poder raramente se ganha, quase sempre se perde, e o PSD perdeu claramente. Pelas políticas e gestão errada e sinuosa destes dezasseis anos e pelo desgaste inerente, mas também muito por erros mais concretos.
Não falarei da composição das listas porque nesse capítulo ninguém está imaculado, mas a escolha de Carlos Carrão foi objetivamente um erro. Bem como a sua ligação a Relvas e a imposição à estrutura local (que em todo o caso rapidamente aceitou tudo como se tudo fosse normal);
As mentiras sucessivas, que começaram ainda antes do início deste mandato, quando todos sabiam que Corvêlo sairia a meio e no entanto negaram sempre o que depois se confirmou. Mas também muitas das que tanto Corvêlo como depois Carrão tentaram fazer passar.
Bem me lembro de Corvêlo a “jurar” em Assembleia Municipal que, claro que sim, claro que existe projeto museológico para a Levada – e hoje, quatro anos depois ainda ninguém o viu; ou Carrão a afirmar que tinha um parecer para poder candidatar o Município ao PAEL mesmo depois de chumbado em AM, entre várias outras. Foram tantas e quase regulares, que até parecia que mentir era normal, mas não o pode ser.
E depois esquecem o básico, os provérbios não existem por acaso, a mentira tem perna curta.

E os erros da campanha propriamente dita. O PSD, ou muitos nele, mostraram ter perdido a noção da realidade pela maneira como acreditaram que, particularmente a Câmara e a Freguesia da cidade estavam ganhas. Presunção cada um toma a que quer...
Mas no caso da Freguesia da cidade junta-se outro erro claro, e além disso eticamente deplorável. A forma como tentaram fazer passar para uma parte significativa do eleitorado, a ideia de que o candidato seria na verdade o ainda presidente António Rodrigues e não o real candidato Rui Costa. Ora, a maioria das pessoas, ao contrário do que alguns políticos pensam, não gosta de ser enganada.

Depois, além de mais, provou-se que:
Não adiantam grandes parafernálias de outdoors, como fez a lista “independente” (quantas largas dezenas seriam mesmo, espalhadas pelos recantos mais ínfimos do concelho?!);
Não adiantam as promessas de última hora de novas obras, investimentos e outras fantasias, ou obras apressadas e mal planeadas feitas quase no próprio dia das eleições;
Não adianta o folclore exagerado da campanha, como ter carros de som a correr a cidade o dia inteiro, todos os dias, ou ter o presidente de câmara a visitar lares ou candidatos seniores a distribuir jornais à porta de escolas;
Tudo isso e mais, não adianta nada como, estou totalmente seguro, só provoca e hostiliza a grande maioria dos eleitores, que não são os tolinhos que alguns políticos deles julgam.

Sobre as vitórias, do PS não falarei para não correr o risco de não ser isento, ressalvando apenas a mais que justa vitória de Augusto Barros e da sua equipa na freguesia da cidade. Os eleitores fizeram “justiça pelas próprias mãos”.
(Ressalvo também uma certa tristeza pelo que aconteceu em Além da Ribeira/Pedreira, onde uma lista independente apareceu apenas para dar a vitória a quem não a teria de outra forma. Mais um embuste)
Sobre a CDU e Bruno Graça em particular, que são vistos como grandes ganhadores, digo também apenas isto: sim, elegeram um vereador, mas uma análise fria mostrará que tiveram apenas mais 160 votos que há quatro anos atrás. Milagres do método de Hondt.

E por fim, vem o mau perder de alguns. A confirmar-se, é mais uma para mostrar que não, nós nunca podemos pensar que já vimos tudo por mais anedótico que seja. Parece que hoje o PSD e os IPT vão anunciar uma espécie de coligação. Mas uma coligação para quê? Uma coligação da oposição? Em torno de quê, de estar contra?!!
Os umbigos e o mau perder são um veneno poderosíssimo que tolda as mentes dos mais desesperados. Todos sabíamos que (tal como já o faziam) o fariam na prática, mas anunciá-lo?! Parece que estamos mesmo a viver numa dimensão qualquer surreal onde impera o disparate, não basta o que ouvimos todos dias do governo, parece que localmente para o PSD e também para Pedro Marques, o buraco em que ficaram não é suficientemente fundo.

E amanhã, tomada de posse da Assembleia de Freguesia da cidade onde se anuncia que poderemos assistir a mais algumas demonstrações desse umbiguismo e mau perder. Aguardemos.
E sobre eleições da minha parte estamos conversados. Agora é hora de trabalho.

segunda-feira, setembro 23, 2013

Uma voz na pedra

Não sei 
se respondo ou se pergunto. 
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio. 
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra. 
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho. 
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante. 
A minha ebriedade é a da sede e a da chama. 
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio. 
O que eu amo não sei. Amo em total abandono. 
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente. 
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim. 
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido. 
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença. 
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível. 
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra. 

António Ramos Rosa
(RIP)

se os nabantinos assim o desejarem...

sábado, setembro 07, 2013

Uma nova etapa?!!

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de ontem

«A mudança em todas as coisas é desejável»
Aristóteles

Setembro. Dia a dia mais próximos de um importante momento de escolhas. As que determinam o futuro próximo da nossa gestão municipal. Passará rápido, entre os sons e as cores de campanha; entre críticas, pedidos e promessas, pouco será já possível esclarecer das ideias e projetos apresentados por cada uma das várias equipas a apresentar-se à contenda.
E que contenda. Aquela que encerra a honra e a responsabilidade de planear, projetar, decidir, fazer em nome de todos os outros. Ou assim deve ser.
Nada portanto que possa ser encarado de forma leviana ou desinteressada. A escolha compete-nos a todos.

Bem sei que muitos ainda exercem essa escolha de forma clubística. “Este” é o meu partido e voto nele independentemente de quem nele se apresenta, com ou sem condições, com ou sem soluções. Felizmente, cada vez mais cidadãos percebem que, particularmente ao nível local, com base numa ideologia é certo, mas é preciso primeiro perceber o que cada um defende e que condições tem para o cumprir.
Cada um aferirá da sua responsabilidade.

Na minha opinião, que penso ser facilmente correspondível, das muitas equipas presentes há vários candidatos a vereadores, mas apenas dois candidatos a presidente de câmara: Carlos Carrão – a continuidade; e Anabela Freitas – a mudança.
Quem ao fim de dezasseis anos de governação promete agora “uma nova etapa”... ou quem afirma convicto querer mudar para algo novo, algo melhor, algo condigno com a terra e o tempo em que vivemos.
Como sempre acontece nestas coisas da política, todas as demais hipóteses, por dispersarem o voto contribuem para manter a continuidade. Igualmente o fará quem optar por se abster.
Cada um é livre e responsável pelas suas escolhas, mas é importante que tenha consciência delas.
Eu e muitos julgamos ser tempo de Mudança, e ela faz-se com todos. Não quero sequer considerar a possibilidade de que seja possível deixar tudo como está, e as queixas de como Tomar está mal recomeçarem logo no dia seguinte às eleições…
Estou convicto que como eu, a grande maioria deseja a mudança, acredita nela, e vai construí-la. Vamos todos, porque só com todos ela se faz.

Mas no entretanto assistamos às manobras costumeiras. Que não havia dinheiro, que era preciso mais uns milhões de empréstimo e afinal, de repente, são alcatroamentos à pressa (que daqui a um ano estão como estavam), são obras no mercado (exatamente as mesmas que podiam estar feitas há dois anos), no Convento de Santa Iria, o aluguer e as obras do pavilhão em frente ao Politécnico, na loja (da antiga PJ) na Alameda 1 de Março fechada há anos, etc, etc…
Genericamente obras necessárias é certo, mas que já podiam ter sido feitas em melhores condições. Porquê só agora?

E outras manobras de campanha. Ainda recentemente a colega de partido de Carlos Carrão, Isabel Damasceno (a ex presidente de Leiria que perdeu a câmara por causa de certas suspeitas, lembram-se?) veio até cá dizer o quanto estava satisfeita com os 27 milhões de obras do QREN em Tomar...
Pois, obras são sempre discutíveis, pelo que fiquemos por esta pergunta simples: quantos postos de trabalho no concelho foram criados com esses milhões todos que ninguém percebe onde estão enterrados?
A grande questão é mesmo, qual a cantiga que os tomarenses preferem desta vez – a do costume?

As últimas linhas desta missiva têm de ser dedicadas à freguesia onde quase sempre vivi: os Casais, agora agregada a Alviobeira.
Parece que por lá a malta do PSD e os seus agentes andaram muito divertidos com a gralha tipográfica que num postal lá distribuído pelo PS menciona a freguesia de São Pedro.
Devo dizer que não cabe a Arménio Breia (que é para mim e muitos um exemplo a seguir), ou à equipa socialista que lidera nestas freguesias, qualquer responsabilidade por essa gralha. A responsabilidade é apenas de um: minha. E por isso antes de mais, a eles as minhas desculpas, bem como a todos os restantes cidadãos das duas freguesias agora unidas.

De qualquer forma, essa gralha é apenas isso, uma troca de nome num texto, passível de acontecer a todos os que produzem alguma coisa. Assunto irrelevante.
Fico por isso contente que seja este tipo de argumentos que se usa para atacar a lista socialista. É bom sinal.
Ainda assim, parvoíce por parvoíce, se quiséssemos entrar por essa via, haveria tanto onde criticar e glosar com os vinte anos de gestão PSD e a lista que agora por lá se apresenta.
Não entro nesses caminhos, os socialistas nabantinos primam pela discussão de ideias e alternativas, a olhar sempre com esperança no futuro, e não pelo achincalhar as pessoas e outras técnicas mesquinhas de “politiquice”.

Para os próximos dias desejo a todos os candidatos nas muitas listas à câmara, assembleia municipal e assembleias de freguesia, uma campanha sã, elevada e responsável. A todos os demais nabantinos, paciência, reflexão, e decisão.
Tomar somos todos, e eu Acredito na Mudança.

terça-feira, setembro 03, 2013

o papel, qual papel, o papel


Bem vistas as coisas, este sketch brilhante dos primórdios dos agora endinheirados e preguiçosos Gato Fedorento, podia ser resumo simbólico de grande parte do meu agosto... e já em setembro estamos e parece que o meu agosto não se quer ir embora!

segunda-feira, agosto 26, 2013

Carlos Paião


A sua escrita bem humorada de música e palavra extinguiu-se estupidamente há 25 anos.
Este, com Herman José, é um daqueles momentos que sempre achei genial.

quarta-feira, agosto 14, 2013


O "algures aqui" tem andando muito parado, não só porque este agosto é por quem nele escreve, algures dedicado a Tomar, mas como entre mais, muito porque o que agora mais importa vai passando por AQUI. Passe por lá também.

sábado, julho 27, 2013

«Transformarmo-nos naquilo que somos»

texto publicado no jornal O Templário de ontem

"A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro."
John Kennedy

«Na última década e meia, Tomar apostou em ser uma cidade para “ricos”, apostou em obras faraónicas sem qualquer rentabilidade para a economia do concelho ou sequer, na maioria, para a qualidade de vida dos nabantinos. Obras muitas delas mal explicadas e devastadoramente onerosas para as finanças municipais.
Pelo meio, um maltratar e afugentar dos investidores; um desinteresse pelas questões sociais indo sempre a reboque e quando obrigado, daquilo que os outros concelhos foram fazendo; uma política de alheamento e por vezes hostilização da maioria das instituições associativas e corporativas do concelho; uma realização de eventos avulsa; um sentimento de asco pelas regras da democracia, particularmente na falta de diálogo, de prestação de contas, e da transparência.

De quem planeou e conduziu estas políticas erradas – de Paiva a Corvêlo, com a presença omnipotente de Relvas – fica aquele que lá está desde o início, sempre um dos principais e hoje o líder imposto, Carlos Carrão.
Numa atabalhoada tentativa de alteração de imagem e apagar do passado, mantendo no essencial as mesmas figuras, quem há dezasseis anos está no poder promete agora aos tomarenses “uma nova etapa”, naquela lógica de quem apesar de ter falhado, querer agora começar algo novo, tentando que os outros ignorem o que fez, não reconhecendo os pesados erros e fracassos. Tal como acontece no governo do país.

Não é isso que Tomar precisa. Tomar precisa de uma nova liderança, uma nova atitude, baseada na competência, na responsabilidade, e no mais elementar bom senso. Tomar precisa para a maioria das questões de algo muito simples: fazer o óbvio.
Mas tal aparente simplicidade requer uma grande alteração de paradigma que começa nas atitudes e nas mentalidades. Tomar precisa aí, para seguir a tudo o resto, de uma verdadeira Mudança.
Precisava dela há dez anos, precisava dela há cinco, precisa da Mudança Agora.

Tomar precisa de cumprir o seu desígnio, e como na máxima filosófica de Nietzsche, Tomar precisa de se transformar naquilo que é. Não esta existência envergonhada em função de um passado glorioso e de um presente tornado medíocre, mas sim saber quem somos, o que temos, e o que podemos com tudo isso fazer. Sermos quem somos sem necessidade de inventar. Muito ao contrário do que se tem, falhando, tentado fazer ao longo da última década e meia. E em muitos aspetos copiando para pior o que outros sem as nossas condições naturais precisaram fazer, fazendo-o bem.

Isso começa no próprio Município. Arrumar a casa, readaptar recursos, reorganizar, modernizar, reorientar para o serviço público à comunidade, com celeridade, economia eficácia e eficiência.
Apoiar, sem boicotar ou complicar os investidores, maiores ou menores que ainda acreditam nas potencialidades do concelho;
Fazer do turismo, alicerçado na cultura, no património e no eventos daí e de outras bases decorrentes, um verdadeiro eixo de desenvolvimento capaz de gerar riqueza e emprego;
Potenciar e reforçar aquilo que nos faz diferentes, que nos faz atrativos, que nos faz competitivos;
Aproveitar verdadeiramente a nossa posição geográfica, criando condições de centralidade, com efetivas condições para uma melhor captação de turismo que cá deixe dinheiro; mas também para a fixação de empresas, ligadas a este e a outros setores. Como os ligados à agricultura, à floresta, aos rios, à logística, ao desenvolvimento tecnológico, sem para isso esquecermos da existência do mal aproveitado hospital de Tomar e do ainda maior contribuidor direto e indireto para a economia local, até hoje não totalmente potencializado ou integrado: o Instituto Politécnico.

Como sempre, a responsabilidade e a capacidade para nos transformarmos, ou para tudo deixarmos na mesma, começa em cada um de nós. Individual e coletivamente, saibamos assumir quem somos, saibamos assumir quem queremos ser.
«Nada é permanente, salvo a mudança», disse o sábio Heráclito. Tomar somos todos e julgo, quase todos desejamos essa mudança. Saibamos cumpri-la com inteligência, ela faz-se agora.
Agora é novamente tempo de escolhas. Aproveitemos estes tempos de verão e eventuais férias para nelas refletir com sabedoria. Aos tomarenses cabe a decisão. Podemos ficar a lamentarmo-nos e a criticar genericamente tudo e todos, mais ou menos alheados, e com isso contribuir, com maior ou menor abstenção, para que tudo fique na mesma.
Ou podemos conscientemente saber que a mudança é possível, só depende de nós. De todos, e de cada um de nós. Assim é uma comunidade: a soma de todas as partes.»

quarta-feira, julho 17, 2013

propostas de fim de semana





















O próximo fim de semana vai ser animado na cidade de Tomar. Mesmo ao jeito do meu início de férias! Ainda que prejudique a minha ida até ao Músicas do Mundo em Sines, felizmente lá prolonga-se até ao fim de semana seguinte. mais aqui.

Esta sexta, pelas 22h, Concerto dos Quinta do Bill acompanhados pela banda da SF Gualdim Pais.
Tive o privilégio de assistir na passada semana a um pouco dos ensaios e gostei do que ouvi. Além disso o entusiasmo dos músicos de ambas as formações é grande, o que ajudará seguramente ao espetáculo a não perder na cidade nabantina, que para mais se realiza num espaço muit mal aproveitado e que devia acolher mais eventos deste género. mais aqui.

Também em Tomar mas no sábado, a importação de um modelo de sucesso por outras paragens, uma Noite Branca a decorrer na Praça da República que promote muita animação.
mais aqui.

E claro, como em todos os fins de semana, festas populares um pouco por todo o concelho. Tomar vai acontecendo.

quarta-feira, julho 10, 2013

há sempre



 
 
 
 
 
 
 
 
 
E há sempre uma razão para um blogue pouco atualizado. Falta de vontade ou ter melhor que fazer, por exemplo...

quarta-feira, julho 03, 2013

«Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece»




«O tempo é teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida.»

«Desde que alberguemos uma única vez o mal, este não volta a dar-se ao trabalho de pedir que lhe concedamos a nossa confiança.»

«Na tua luta contra o resto do mundo, aconselho-te que te ponhas do lado do resto do mundo.»




Hoje comemora-se o 130º aniversário de Franz Kafka (Praga, 3.7.1883), um dos grandes e incontornáveis escritores do século 20, e um dos eternos na cronologia da humanidade que, entre tanto, descreveu os problemas existenciais e a solidão do ser humano, quase sempre derivando na paranoia e nos delírios.
Autor, entre outros, de A Metamorfose e de O Processo, sendo este último tão conhecido como tantas vezes mal citado para tudo o que é "processo kafkiano".

Precisamente a propósito do "processo" e assinalando a data, hoje pelas 18:30 na Casa Fernando Pessoa em Lisboa, Teolinda Gersão presta uma seguramente interessante conferência sobre o tema. Quem estiver por perto...
mais aqui: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/642935.html

segunda-feira, julho 01, 2013

info musical




A partir de hoje na cidade nabantina. Percussão para todos os gostos. Ou, vá, para aprender e aprimorar gostos.
Um dos bons eventos culturais, com um elenco cada vez mais internacional, organizado pela SF Gualdim Pais.

Não posso deixar de referir no entanto, que apesar de intuir as razões, não consigo concordar com um evento cultural a realizar-se em Tomar de segunda a sexta.
Esta coisa de, por maiores que sejam as dificuldades, fazer da cultura algo aplicado aos "dias de trabalho" não me parece bom princípio.


mais aqui:
http://tomarimbando.sfgp.pt/pt-pt/evento-1680-1369221626

sexta-feira, junho 21, 2013

"Direito e dignidade"

A minha crónica de quarta na Hertz pode lá ser ouvida ou lida na íntegra no esquerdo capítulo.

«É absolutamente incompreensível as opiniões dos que acham que, sim sim, têm direito à greve, desde que não prejudique ninguém. E de uma enorme hipocrisia os que acham que a greve de segunda prejudicou os alunos!
O que prejudica os alunos são as condições cada vez piores existentes nas escolas, a falta de recursos humanos e outros apoios, o aumento do número de alunos por professor havendo muitos casos de docentes com duzentos ou trezentos alunos; as propinas elevadas e os custos generalizados da educação cada vez mais elevados, e mesmo a falta de saídas profissionais ou um governo que diz à geração melhor preparada de sempre para emigrar. Isso sim, prejudica os alunos!
E mais importante que isso, prejudica todo um país e o seu futuro.

(...)
Já era evidente que o governo se está nas tintas para os alunos, e quer lá saber da legalidade, da equidade ou da igualdade de oportunidades. O que aqui se provou com esta atitude é que o governo quis vincar uma vez mais, não aos docentes mas a toda a sociedade, que não está para cedências, diálogos ou reivindicações, quis mostrar basicamente que, não adianta a contestação e a luta dos cidadãos, o governo fará sempre o que quer, contra tudo e contra todos, mesmo que contra milhares de cidadãos, ou contra a lei e contra os tribunais.
E é essa atitude, digo eu, que não podemos aceitar vindo de qualquer governante. E é por essa essência de dignidade e de limiar mínimo do estado de direito onde os governantes não se impõem aos cidadãos, mas respeitam-nos e representam-nos verdadeiramente, que acho que todos devemos continuar, e muito mais do que até aqui, a lutar.
A Liberdade e a Democracia são daquelas coisas a que costumamos dar valor quando não as temos. Por isso espero que tenhamos todos a noção de que já estivemos mais longe de as perder

quinta-feira, junho 20, 2013

desencontrado


De que serviu ir correr mundo,
arrastar, de cidade em cidade, um amor
que pesava mais do que mil malas; mostrar
a mil homens o teu nome escrito em mil
alfabetos e uma estampa do teu rosto
... que eu julgava feliz? De que me serviu

recusar esses mil homens, e os outros mil
que fizeram de tudo para eu parar, mil
vezes me penteando as pregas do vestido
cansado de viagens, ou dizendo o seu nome
tão bonito em mil línguas que eu nunca
entenderia? Porque era apenas atrás de ti

que eu corria o mundo, era com a tua voz
nos meus ouvidos que eu arrastava o fardo
do amor de cidade em cidade, o teu nome
nos meus lábios de cidade em cidade, o teu
rosto nos meus olhos durante toda a viagem,

mas tu partias sempre na véspera de eu chegar.

Maria do Rosário PedreiraNenhum nome depois.

segunda-feira, junho 17, 2013

pela dignidade e pela escola pública

foto de aventar

«Considero importante que crianças, jovens, pais e professores, venham para a rua defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade"»
Cavaco Silva, durante o governo de Sócrates, claro

«O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.»
Immanuel Kant

Não sou por norma pessoa de aderir a greves. Desde que iniciei em 99 o meu percurso profissional terei feito umas duas. E sim, acho que os professores têm feito por vezes algumas greves desnecessárias e com lutas erradas, levados por alguns sindicatos com agendas que não são necessariamente as que mais interessam aos docentes, normalmente os ligados à Fenprof. (e para que fique mais claro, não acho nenhuma piada à postura, que muitas vezes como professor me deixa envergonhado, do conterrâneo e há vinte anos fora da escola, Mário Nogueira).
Por isso, as greves (somadas com ideias tão absurdas como generalizadas: que ganham bem, que fazem pouco, que têm muitas férias…), ajudaram a criar uma imagem negativa dos professores junto da opinião pública apesar de terem sido quase sempre inconsequentes.

Não é o que se passa agora. Temos, talvez pela primeira vez, uma greve que tem efeitos – como é suposto que uma greve tenha! Se não é para ter efeitos para que serve uma greve?
E não foram os professores que escolheram este calendário, foi e é o ministério que colocou estas questões agora em cima da mesa.
E, muito mais importante, as razões são profundamente legítimas. Sim está em causa a questão profissional de (mais uns) milhares de docentes a quem o governo quer despedir, metendo pelo meio o horário de trabalho. Mas mais importante ainda, está em causa a qualidade do ensino e a manutenção da escola pública, enquanto instrumento capaz de servir todos os portugueses em igualdade de oportunidades e garantir e construir o nosso futuro coletivo.

Mas vamos por partes. Para que se perceba melhor, o horário de trabalho semanal dos docentes está divido em três componentes: a letiva, que, simplificando, trata das aulas propriamente ditas, e que varia entre 22 a 25 horas; a não letiva de estabelecimento, que tem a ver com outras funções na escola, como aulas de apoio, coordenações, biblioteca e outras (3 a 5 horas); e a de trabalho individual do docente, que tem que ver com preparação de aulas, conteúdos e materiais, correção de testes, entre mais e que o docente pode e quase sempre faz em casa (o restante tempo para as atuais 35).
Claro que a generalidade dos docentes faz muito mais do que estas horas, não só porque passa muito mais horas na escola (para não falar dos que têm que lecionar em mais que uma), até porque há reuniões, visitas de estudo, outros projetos, que ficam de fora da contagem de tempo; e ainda porque, já não fora o caso de em poucas profissões se levar trabalho para casa (e não me recordo de nenhuma na função pública), como também aí se gasta muito mais tempo, além de usar os recursos materiais do próprio.

Ora, a qualidade do ensino está cada vez mais deteriorada, com os professores atolados de alunos e papelada, além de acossados por todos os governos e pela sociedade em geral, desrespeitados enquanto classe por alunos, pais e demais comunidade. É assim fácil perceber o estado de espírito que vai nas escolas por esse país. E isto apesar de não só a opinião pública, como mesmo alguns docentes não terem ainda a real noção do que está este governo a fazer, até porque se contradiz e falta à verdade com regularidade.
Uma sociedade que não valoriza os seus professores, o seu sistema de ensino, não se valoriza a si própria e compromete o seu destino – é da história, aprenda-se com ela.

Se, de qualquer forma, for difícil de compreender a razão dos professores que deve ser de toda a sociedade, atentemos na incompetência do ministro e do governo (que sim, tem sido apanágio de quase todos os ministros da educação, normalmente porque não percebem nada da prática daquilo que ministram) bastando apenas isto: a comissão arbitral propôs a alteração da data do exame – o ministro mostrou-se inflexível. O primeiro-ministro foi ainda mais longe, se o tribunal não nos der razão, mudamos a lei.
Eu não sei em que país e em que espécie de ditadura julgam estes senhores estar a governar, mas parece-me ser claro algo, a escola falhou na formação cívica destes senhores. Talvez tenha sido por isso uma das primeiras coisas que cortaram do atual currículo…

Por fim, e para que fique clara a minha declaração de interesses, sim sou professor, e se calhar tenho uma visão parcial e implicada da questão (não creio, mas aceito essa opinião). Mas sou professor do quadro e com horário, e assim sem a perspetiva do despedimento; como a todos o dinheiro recebido a menos por conta da greve faz falta; e, apesar de até fazer parte do secretariado de exames na minha escola nem sequer há ensino secundário logo não há qualquer exame marcado para hoje, pelo que tinha boas desculpas para encolher os ombros e fazer de conta que não é comigo.

Mas dividir para reinar parece cada vez mais a aposta clara da desesperada tentativa de se manter no poder e na senda ideológica de destruição do estado social destes senhores liberais que, depois de se apoderarem do seu partido, se apoderaram do governo. Essas divisões na sociedade sentem-se em crescendo de tensão, e esta da opinião pública contra os professores é apenas mais uma.
Por isso, se a sociedade no seu todo mais global não perceber a necessidade enquanto nação de apoiar e de se juntar aos professores, pelo menos que o saibamos fazer nós.
Por isso faço greve, por isso quero Crato, Gaspar e Passos longe da gestão do país.

sexta-feira, junho 14, 2013

acima das nuvens o céu está sempre limpo


Com uma história passada à beira mar, também o li quase todo sobre a areia... o meu presente conselho literário vai para o livro que ganhou o Prémio LeYa no passado ano.
O segundo livro de um autor que deve já figurar entre os melhores novos autores portugueses.
Muito bem escrito, profundo, com uma acção fluída, quase cinematográfica, e personagens bem desenvolvidas, um tocante retrato das vidas diárias de tantos de nós, dos sucessos e das frustrações, das amizades, dos amores, da solidão de tantos.

No prólogo, um resumo que define bem o que se segue, escreve o autor:
«Uma história são pessoas num lugar por algum tempo. As margens da página, como o silêncio, estabelecem limites certos para que um conto não se confunda com o que não lhe pertence. Pode contar-se uma história enchendo uma caixa vazia ou desenhando paredes à volta de gente. Esta é uma história de portas adentro.»

E entre tantas frases deliciosas e certeiras destaco ainda esta algures no livro que, independentemente do contexto em que lá surge, se aplica a tanto da vida dos homens...
«Aos rebanhos pouco lhes interessa se o pastor acredita no pastoreio. Basta que os leve aos pastos, que os proteja do frio e os assista na doença.»

Debaixo de algum céu, Nuno Camarneiro, LeYa.

Greve! Para que o país não pare.

Apesar de ser perigoso este tipo de argumentação - quem não quer fazer greve tem todo o direito em não o fazer (eu, regra geral, não faço, mas o governo ultrapassou todos os limites da razoabilidade) - não deixo de publicar este texto para contribuir com um pouco de luz sobre alguns comentários que oiço contra as greves.

«DECLARACÃO ANTIGREVE:

Eu,.............................................. , NIF . ..........................., Trabalhador/a da empresa.................................................,

DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.
QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,
EXIJO:

1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5 º. QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.

Alice Vieira»

quinta-feira, junho 13, 2013

a multiplicidade do ser

Neste dia em 1888 nasceu o génio dos múltiplos heterónimos (mais de 100 nas últimas contagens). O enorme Pessoa.
(Aqui, alguns dos seus livros para download grátis)

Não sei quantas almas tenho

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu."

              Fernando Pessoa


(adenda: um artigo muito interessante no I sobre os 125 anos de Pessoa)

segunda-feira, junho 10, 2013

«Queria que os Portugueses»

Queria que os portugueses 
tivessem senso de humor 
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio 
que se afirma como tal 
só porque sabendo ler 
o que lê entende mal 

todos os que são formados 
deviam ter que fazer 
exame de analfabeto 
para provar que sem ler 

teriam sido capazes 
de constituir cultura 
por tudo que a vida ensina 
e mais do que livro dura 

e tem certeza de sol 
mesmo que a noite se instale 
visto que ser-se o que se é 
muito mais que saber vale 

até para aproveitar-se 
das dúvidas da razão 
que a si própria se devia 
olhar pura opinião 

que hoje é uma manhã outra 
e talvez depois terceira 
sendo que o mundo sucede 
sempre de nova maneira 

alfabetizar cuidado 
não me ponham tudo em culto 
dos que não citar francês 
consideram puro insulto 

se a nação analfabeta 
derrubou filosofia 
e no jeito aristotélico 
o que certo parecia 

deixem-na ser o que seja 
em todo o tempo futuro 
talvez encontre sozinha 
o mais além que procuro. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertzpode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

quinta-feira, junho 06, 2013

os miseráveis


Victor Hugo, lindo e intemporal na história que deu musical e que do musical deu filme.
Podia ser hoje, em Portugal e em tantos outros cantos do mundo.


«Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!»

sexta-feira, maio 31, 2013

enxame


Vem aí mais um enxame este fim de semana, mas é dos bons não há risco de picadas.
É o 17º Encontro Ibérico de Vespas que poisa em Tomar.
mais na rádio Hertz.



(que saudades de andar de scooter... e parada na garagem a apodrecer...)

Bom fim de semana!

quarta-feira, maio 22, 2013

em festa


A ideia não é má, bons eventos precisam-se, a ver vamos como foi colada a coisa.
Mais em www.festatemplaria.pt

terça-feira, maio 21, 2013

traição presidencial

"ménage" - ilustração de André Carrilho

Pois... quando se tem alguém a ocupar a função de Presidente da República que não liga nenhuma à sua primeira obrigação que é fazer respeitar a Constituição, e que confunde Democracia e República laica com religião, dá nisto.

segunda-feira, maio 20, 2013

a pessoa e o mito






Porque ontem se assinalou o 59º aniversário do assassinato de Catarina Eufémia (a ceifeira alentejana assassinada por um GNR quando protestava por melhor "salário" e assim feita mártir e ícone para os comunistas), deixo a referência ao Anatomia dos Mártires do João Tordo, que li recentemente.

Neste livro (que não é dos meus favoritos do autor), além da habitual boa e fluída escrita, o autor parte precisamente da personagem mítica de Catarina Eufémia para criar um romance onde reflete sobre, e desconstrói a ideia de mártir, não deixando de apimentar com a crise que atravessamos, bem como com as crises pessoais e amorosas que pontuam os seus livros.

sexta-feira, maio 17, 2013

prenúncio de cinzento fim de semana

sonhando o retrato

Jogando no escuro
com luzes que não vejo
sons do teu rosto, do teu sorriso.
Há vezes que me não contenho
anseio morder o som do teu retrato
e nesse acto
irrompe a loucura da minha condição
paixão, por um corpo que não conheço
uma alma sobre si fechada
é a hora, o desvario
sonho, sobre a imagem de ti anunciada
.


Lá do fundo do baú, que é como quem diz, do disco rígido.
Bom fim de semana gentes sorridentes.

quinta-feira, maio 16, 2013

educação low cost


Apenas um dos aspetos cinzentos da educação em Portugal nos dias que correm.




terça-feira, maio 14, 2013

odisseia espacial


Chris Hadfield, o mais mediático dos austronautas, desceu hoje à Terra.
Sim, porque para além das crises, coletivas ou pessoais, visto de fora, o mundo continua a girar todos os dias.