segunda-feira, julho 01, 2013

info musical




A partir de hoje na cidade nabantina. Percussão para todos os gostos. Ou, vá, para aprender e aprimorar gostos.
Um dos bons eventos culturais, com um elenco cada vez mais internacional, organizado pela SF Gualdim Pais.

Não posso deixar de referir no entanto, que apesar de intuir as razões, não consigo concordar com um evento cultural a realizar-se em Tomar de segunda a sexta.
Esta coisa de, por maiores que sejam as dificuldades, fazer da cultura algo aplicado aos "dias de trabalho" não me parece bom princípio.


mais aqui:
http://tomarimbando.sfgp.pt/pt-pt/evento-1680-1369221626

sexta-feira, junho 21, 2013

"Direito e dignidade"

A minha crónica de quarta na Hertz pode lá ser ouvida ou lida na íntegra no esquerdo capítulo.

«É absolutamente incompreensível as opiniões dos que acham que, sim sim, têm direito à greve, desde que não prejudique ninguém. E de uma enorme hipocrisia os que acham que a greve de segunda prejudicou os alunos!
O que prejudica os alunos são as condições cada vez piores existentes nas escolas, a falta de recursos humanos e outros apoios, o aumento do número de alunos por professor havendo muitos casos de docentes com duzentos ou trezentos alunos; as propinas elevadas e os custos generalizados da educação cada vez mais elevados, e mesmo a falta de saídas profissionais ou um governo que diz à geração melhor preparada de sempre para emigrar. Isso sim, prejudica os alunos!
E mais importante que isso, prejudica todo um país e o seu futuro.

(...)
Já era evidente que o governo se está nas tintas para os alunos, e quer lá saber da legalidade, da equidade ou da igualdade de oportunidades. O que aqui se provou com esta atitude é que o governo quis vincar uma vez mais, não aos docentes mas a toda a sociedade, que não está para cedências, diálogos ou reivindicações, quis mostrar basicamente que, não adianta a contestação e a luta dos cidadãos, o governo fará sempre o que quer, contra tudo e contra todos, mesmo que contra milhares de cidadãos, ou contra a lei e contra os tribunais.
E é essa atitude, digo eu, que não podemos aceitar vindo de qualquer governante. E é por essa essência de dignidade e de limiar mínimo do estado de direito onde os governantes não se impõem aos cidadãos, mas respeitam-nos e representam-nos verdadeiramente, que acho que todos devemos continuar, e muito mais do que até aqui, a lutar.
A Liberdade e a Democracia são daquelas coisas a que costumamos dar valor quando não as temos. Por isso espero que tenhamos todos a noção de que já estivemos mais longe de as perder

quinta-feira, junho 20, 2013

desencontrado


De que serviu ir correr mundo,
arrastar, de cidade em cidade, um amor
que pesava mais do que mil malas; mostrar
a mil homens o teu nome escrito em mil
alfabetos e uma estampa do teu rosto
... que eu julgava feliz? De que me serviu

recusar esses mil homens, e os outros mil
que fizeram de tudo para eu parar, mil
vezes me penteando as pregas do vestido
cansado de viagens, ou dizendo o seu nome
tão bonito em mil línguas que eu nunca
entenderia? Porque era apenas atrás de ti

que eu corria o mundo, era com a tua voz
nos meus ouvidos que eu arrastava o fardo
do amor de cidade em cidade, o teu nome
nos meus lábios de cidade em cidade, o teu
rosto nos meus olhos durante toda a viagem,

mas tu partias sempre na véspera de eu chegar.

Maria do Rosário PedreiraNenhum nome depois.

segunda-feira, junho 17, 2013

pela dignidade e pela escola pública

foto de aventar

«Considero importante que crianças, jovens, pais e professores, venham para a rua defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade"»
Cavaco Silva, durante o governo de Sócrates, claro

«O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.»
Immanuel Kant

Não sou por norma pessoa de aderir a greves. Desde que iniciei em 99 o meu percurso profissional terei feito umas duas. E sim, acho que os professores têm feito por vezes algumas greves desnecessárias e com lutas erradas, levados por alguns sindicatos com agendas que não são necessariamente as que mais interessam aos docentes, normalmente os ligados à Fenprof. (e para que fique mais claro, não acho nenhuma piada à postura, que muitas vezes como professor me deixa envergonhado, do conterrâneo e há vinte anos fora da escola, Mário Nogueira).
Por isso, as greves (somadas com ideias tão absurdas como generalizadas: que ganham bem, que fazem pouco, que têm muitas férias…), ajudaram a criar uma imagem negativa dos professores junto da opinião pública apesar de terem sido quase sempre inconsequentes.

Não é o que se passa agora. Temos, talvez pela primeira vez, uma greve que tem efeitos – como é suposto que uma greve tenha! Se não é para ter efeitos para que serve uma greve?
E não foram os professores que escolheram este calendário, foi e é o ministério que colocou estas questões agora em cima da mesa.
E, muito mais importante, as razões são profundamente legítimas. Sim está em causa a questão profissional de (mais uns) milhares de docentes a quem o governo quer despedir, metendo pelo meio o horário de trabalho. Mas mais importante ainda, está em causa a qualidade do ensino e a manutenção da escola pública, enquanto instrumento capaz de servir todos os portugueses em igualdade de oportunidades e garantir e construir o nosso futuro coletivo.

Mas vamos por partes. Para que se perceba melhor, o horário de trabalho semanal dos docentes está divido em três componentes: a letiva, que, simplificando, trata das aulas propriamente ditas, e que varia entre 22 a 25 horas; a não letiva de estabelecimento, que tem a ver com outras funções na escola, como aulas de apoio, coordenações, biblioteca e outras (3 a 5 horas); e a de trabalho individual do docente, que tem que ver com preparação de aulas, conteúdos e materiais, correção de testes, entre mais e que o docente pode e quase sempre faz em casa (o restante tempo para as atuais 35).
Claro que a generalidade dos docentes faz muito mais do que estas horas, não só porque passa muito mais horas na escola (para não falar dos que têm que lecionar em mais que uma), até porque há reuniões, visitas de estudo, outros projetos, que ficam de fora da contagem de tempo; e ainda porque, já não fora o caso de em poucas profissões se levar trabalho para casa (e não me recordo de nenhuma na função pública), como também aí se gasta muito mais tempo, além de usar os recursos materiais do próprio.

Ora, a qualidade do ensino está cada vez mais deteriorada, com os professores atolados de alunos e papelada, além de acossados por todos os governos e pela sociedade em geral, desrespeitados enquanto classe por alunos, pais e demais comunidade. É assim fácil perceber o estado de espírito que vai nas escolas por esse país. E isto apesar de não só a opinião pública, como mesmo alguns docentes não terem ainda a real noção do que está este governo a fazer, até porque se contradiz e falta à verdade com regularidade.
Uma sociedade que não valoriza os seus professores, o seu sistema de ensino, não se valoriza a si própria e compromete o seu destino – é da história, aprenda-se com ela.

Se, de qualquer forma, for difícil de compreender a razão dos professores que deve ser de toda a sociedade, atentemos na incompetência do ministro e do governo (que sim, tem sido apanágio de quase todos os ministros da educação, normalmente porque não percebem nada da prática daquilo que ministram) bastando apenas isto: a comissão arbitral propôs a alteração da data do exame – o ministro mostrou-se inflexível. O primeiro-ministro foi ainda mais longe, se o tribunal não nos der razão, mudamos a lei.
Eu não sei em que país e em que espécie de ditadura julgam estes senhores estar a governar, mas parece-me ser claro algo, a escola falhou na formação cívica destes senhores. Talvez tenha sido por isso uma das primeiras coisas que cortaram do atual currículo…

Por fim, e para que fique clara a minha declaração de interesses, sim sou professor, e se calhar tenho uma visão parcial e implicada da questão (não creio, mas aceito essa opinião). Mas sou professor do quadro e com horário, e assim sem a perspetiva do despedimento; como a todos o dinheiro recebido a menos por conta da greve faz falta; e, apesar de até fazer parte do secretariado de exames na minha escola nem sequer há ensino secundário logo não há qualquer exame marcado para hoje, pelo que tinha boas desculpas para encolher os ombros e fazer de conta que não é comigo.

Mas dividir para reinar parece cada vez mais a aposta clara da desesperada tentativa de se manter no poder e na senda ideológica de destruição do estado social destes senhores liberais que, depois de se apoderarem do seu partido, se apoderaram do governo. Essas divisões na sociedade sentem-se em crescendo de tensão, e esta da opinião pública contra os professores é apenas mais uma.
Por isso, se a sociedade no seu todo mais global não perceber a necessidade enquanto nação de apoiar e de se juntar aos professores, pelo menos que o saibamos fazer nós.
Por isso faço greve, por isso quero Crato, Gaspar e Passos longe da gestão do país.

sexta-feira, junho 14, 2013

acima das nuvens o céu está sempre limpo


Com uma história passada à beira mar, também o li quase todo sobre a areia... o meu presente conselho literário vai para o livro que ganhou o Prémio LeYa no passado ano.
O segundo livro de um autor que deve já figurar entre os melhores novos autores portugueses.
Muito bem escrito, profundo, com uma acção fluída, quase cinematográfica, e personagens bem desenvolvidas, um tocante retrato das vidas diárias de tantos de nós, dos sucessos e das frustrações, das amizades, dos amores, da solidão de tantos.

No prólogo, um resumo que define bem o que se segue, escreve o autor:
«Uma história são pessoas num lugar por algum tempo. As margens da página, como o silêncio, estabelecem limites certos para que um conto não se confunda com o que não lhe pertence. Pode contar-se uma história enchendo uma caixa vazia ou desenhando paredes à volta de gente. Esta é uma história de portas adentro.»

E entre tantas frases deliciosas e certeiras destaco ainda esta algures no livro que, independentemente do contexto em que lá surge, se aplica a tanto da vida dos homens...
«Aos rebanhos pouco lhes interessa se o pastor acredita no pastoreio. Basta que os leve aos pastos, que os proteja do frio e os assista na doença.»

Debaixo de algum céu, Nuno Camarneiro, LeYa.

Greve! Para que o país não pare.

Apesar de ser perigoso este tipo de argumentação - quem não quer fazer greve tem todo o direito em não o fazer (eu, regra geral, não faço, mas o governo ultrapassou todos os limites da razoabilidade) - não deixo de publicar este texto para contribuir com um pouco de luz sobre alguns comentários que oiço contra as greves.

«DECLARACÃO ANTIGREVE:

Eu,.............................................. , NIF . ..........................., Trabalhador/a da empresa.................................................,

DECLARO:

QUE estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.
QUE, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

QUE por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades,
EXIJO:

1 º. QUE me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2 º. QUE me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este beneficio foi obtido, por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3 º. QUE me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4 º. QUE me seja retirado o benefício dos Subsídios de Férias e de Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5 º. QUE me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja a plicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6 º. QUE me seja retirado o benefício de Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7 º. QUE me seja retirado o direito ao Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8 º. E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9 º. DECLARO, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício actual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 17 de Junho de 2013.

Alice Vieira»

quinta-feira, junho 13, 2013

a multiplicidade do ser

Neste dia em 1888 nasceu o génio dos múltiplos heterónimos (mais de 100 nas últimas contagens). O enorme Pessoa.
(Aqui, alguns dos seus livros para download grátis)

Não sei quantas almas tenho

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu."

              Fernando Pessoa


(adenda: um artigo muito interessante no I sobre os 125 anos de Pessoa)

segunda-feira, junho 10, 2013

«Queria que os Portugueses»

Queria que os portugueses 
tivessem senso de humor 
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio 
que se afirma como tal 
só porque sabendo ler 
o que lê entende mal 

todos os que são formados 
deviam ter que fazer 
exame de analfabeto 
para provar que sem ler 

teriam sido capazes 
de constituir cultura 
por tudo que a vida ensina 
e mais do que livro dura 

e tem certeza de sol 
mesmo que a noite se instale 
visto que ser-se o que se é 
muito mais que saber vale 

até para aproveitar-se 
das dúvidas da razão 
que a si própria se devia 
olhar pura opinião 

que hoje é uma manhã outra 
e talvez depois terceira 
sendo que o mundo sucede 
sempre de nova maneira 

alfabetizar cuidado 
não me ponham tudo em culto 
dos que não citar francês 
consideram puro insulto 

se a nação analfabeta 
derrubou filosofia 
e no jeito aristotélico 
o que certo parecia 

deixem-na ser o que seja 
em todo o tempo futuro 
talvez encontre sozinha 
o mais além que procuro. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertzpode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

quinta-feira, junho 06, 2013

os miseráveis


Victor Hugo, lindo e intemporal na história que deu musical e que do musical deu filme.
Podia ser hoje, em Portugal e em tantos outros cantos do mundo.


«Do you hear the people sing?
Singing a song of angry men?
It is the music of a people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!»

sexta-feira, maio 31, 2013

enxame


Vem aí mais um enxame este fim de semana, mas é dos bons não há risco de picadas.
É o 17º Encontro Ibérico de Vespas que poisa em Tomar.
mais na rádio Hertz.



(que saudades de andar de scooter... e parada na garagem a apodrecer...)

Bom fim de semana!

quarta-feira, maio 22, 2013

em festa


A ideia não é má, bons eventos precisam-se, a ver vamos como foi colada a coisa.
Mais em www.festatemplaria.pt

terça-feira, maio 21, 2013

traição presidencial

"ménage" - ilustração de André Carrilho

Pois... quando se tem alguém a ocupar a função de Presidente da República que não liga nenhuma à sua primeira obrigação que é fazer respeitar a Constituição, e que confunde Democracia e República laica com religião, dá nisto.

segunda-feira, maio 20, 2013

a pessoa e o mito






Porque ontem se assinalou o 59º aniversário do assassinato de Catarina Eufémia (a ceifeira alentejana assassinada por um GNR quando protestava por melhor "salário" e assim feita mártir e ícone para os comunistas), deixo a referência ao Anatomia dos Mártires do João Tordo, que li recentemente.

Neste livro (que não é dos meus favoritos do autor), além da habitual boa e fluída escrita, o autor parte precisamente da personagem mítica de Catarina Eufémia para criar um romance onde reflete sobre, e desconstrói a ideia de mártir, não deixando de apimentar com a crise que atravessamos, bem como com as crises pessoais e amorosas que pontuam os seus livros.

sexta-feira, maio 17, 2013

prenúncio de cinzento fim de semana

sonhando o retrato

Jogando no escuro
com luzes que não vejo
sons do teu rosto, do teu sorriso.
Há vezes que me não contenho
anseio morder o som do teu retrato
e nesse acto
irrompe a loucura da minha condição
paixão, por um corpo que não conheço
uma alma sobre si fechada
é a hora, o desvario
sonho, sobre a imagem de ti anunciada
.


Lá do fundo do baú, que é como quem diz, do disco rígido.
Bom fim de semana gentes sorridentes.

quinta-feira, maio 16, 2013

terça-feira, maio 14, 2013

odisseia espacial


Chris Hadfield, o mais mediático dos austronautas, desceu hoje à Terra.
Sim, porque para além das crises, coletivas ou pessoais, visto de fora, o mundo continua a girar todos os dias.

segunda-feira, maio 13, 2013

tomar outros pontos de vista

Tomar Hoje. Um novo blogue coletivo nas margens do Nabão de iniciativa de Alfredo Caiano Silvestre, que enviou também convite aqui a este vosso amigo. (já adicionado ao separador dos links nabantinos ali em cima).
A inciativa aplaude-se porque a multiplicidade de pontos de vista é sempre salutar em qualquer comunidade. Desde que frontal e honesta, responsável e tolerante.

Quanto a mim tentarei corresponder com a periodicidade possível que nos tempos correntes vai sendo curta, até porque cada vez mais o facebook vai servindo para as coisas mais rápidas e ligeiras.


sexta-feira, maio 10, 2013

«deseducar por decreto»

Porque hoje foi dia de "exame de quarta classe" a Matemática (e difícil que ele era....), fica também a referência à minha nota do dia na Hertz na passada quarta, alusiva ao tema, passível de ser na íntegra ouvida no site da rádio ou lida no esquerdo capítulo.

«Na verdade este regresso aos “exames da quarta classe” só acontece por uma dualidade entre a cegueira e teimosia ideológica e, precisamente, o querer fazer de conta para agradar a uma população envelhecida e conservadora que poderá ver nisto um regresso a um suposto rigor e um saber fazer que estão mais que ultrapassados.
Se assim não fosse, porque será que só um país em toda a europa, para além agora de nós, realiza estes exames? E esse país sabem qual é? Um exemplo a seguir seguramente… Malta, o pequeno país do tamanho da nossa Madeira e que, quando o visitei, era bem mais atrasado que o nosso cantinho à beira mar plantado.»

«Insónia»

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.

Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.

Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!

Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...

Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!

Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.

Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!

Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.

Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.


Álvaro de Campos, in "Poemas"

terça-feira, maio 07, 2013

santos da casa...

No passado domingo à noite estive no belo São Luíz em Lisboa a assistir ao concerto da Orquestra Sinfónica da ESML onde perfilaram três músicos nabantinos: João Carvalheiro, João Ribeiro e Mafalda Rodrigues.

Já na tarde de 25 de Abril assistira no Q
uartel do Carmo ao concerto da Banda da GNR onde perfilam os nabantinos Hugo Figueiredo e Filipe Freitas (na foto, a solar com o seu oboé). Diga-se aliás que, no que toca a músicos, existem nabantinos em praticamente todas as bandas e orquestras civis e militares de índole nacional.

Na música, como noutras áreas da cultura existem nabantinos brilhantes um pouco por todo o lado (para além do muito bom que se faz localmente) mas que tão pouco reconhecimento recebem na sua terra natal.

terça-feira, abril 30, 2013

sopa e dança

No próximo sábado, a 20ª edição do Congresso da Sopa, como habitual na Ilha do Mouchão, ali bem no centro de Tomar.
Serão algumas dezenas de sopas para contento do estômago, e eu já estou a salivar.

saber mais aqui.







Entretanto na véspera, sexta dia 3, um mega Flash Mob (inicialmente marcado para hoje, mas adiado pelo tempo) na Corredoura (Rua Serpa Pinto), pelas 21h30, para alimentar o espírito e ganhar apetite para o dia seguinte :)
Devem vir vestidos à anos 70. O evento será gravado para posterior divulgação.

saber mais em: www.soradidance.weebly.com/

sábado, abril 27, 2013

«Antes da Democracia»

A minha nota do dia 24 de abril na rádio Hertz pode também ser lida na totalidade no esquerdo capítulo.


(...) «Nacionalismo bacoco, autoritarismo, censura, proteção de classes, ou melhor dizendo, proteção dos poucos muito ricos e favorecidos e mantendo todos os outros no seu lugar de origem, esta era a realidade de um país onde uma sardinha podia servir para a refeição de mais que uma pessoa e ter dois pares de sapatos era um luxo impossível para muitos.

Sem liberdade política, religiosa, ou qualquer outra afinal, os portugueses viviam “orgulhosamente sós” no mundo, “pobrezinhos mas honrados”, tendo como princípios basilares da sua vida “deus, pátria e família” como bem cedo na escola eram adestrados para acreditar.
Muitos jovens foram para a guerra do ultramar, lutar por terras e riquezas que não eram suas e contra os legítimos herdeiros seculares desses locais numa guerra espúria e suicida de onde muitos não voltaram e da qual os que voltaram trouxeram incuráveis cicatrizes físicas e psicológicas.
Outros foram forçados a fugir do país, para não entrar nessa guerra em nome de uma falsa pátria, ou para procurar as mínimas condições de vida que por cá não tinham.
Portugal era um país atrasado, onde se morria ainda aos milhares, fosse logo no nascimento fosse por doenças hoje praticamente erradicadas, e onde a esperança média de vida rondava os cinquenta anos. Apoios sociais, lazer, cultura e outras ideias hoje banalizadas eram palavras tão pouco conhecidas como usadas.» (...)

sexta-feira, abril 26, 2013

Atribuir parte do IRS a uma instituição

«Numa altura em que está a decorrer o prazo de entrega da declaração anual do IRS pela internet vale a pena lembrar que os contribuintes podem ajudar as entidades da nossa região (instituições particulares de solidariedade social e outras) com a entrega de 0,5 por cento do IRS.

Esta iniciativa solidária não acarreta qualquer pagamento adicional de imposto.
Basta identificar a instituição que quer apoiar indicando o respetivo número de contribuinte na declaração de IRS, como por exemplo:
CENTRO DE ASSISTENCIA SOCIAL DE TOMAR - 500851557
CIRE – CENTRO DE INTEGRAÇÃO E REABILITAÇÃO DE TOMAR – 501226010
SOCIEDADE FILARMONICA GUALDIM PAIS - 501136380
SOCIEDADE RECREATIVA E MUSICAL DA PEDREIRA - 501794182
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA FREGUESIA DE PAIALVO - 503050180
CENTRO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE OLALHAS - 504405810
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE ASSEICEIRA - 503834254»
(informação retirada do Tomar na Rede)

No meu caso, há vários anos que atribuo a parte possível do meu IRS, à SF Gualdim Pais.

«o caminho único...» II

Abaixo, a resposta de António Rebelo à minha pequena provocação no post "o caminho único...", que entendo dever publicar para promover a dualidade de pontos de vista.
Entretanto, sem grande tempo para mais alongada réplica, parece-me que a realidade vai demonstrando cada vez mais a evidência. Enquanto os EUA e outras partes do mundo pressionam a Europa (ou a parte dela) que ainda teima na ideologia da austeridade colocando em causa a economia mundial, alguns países, pelo menos dentro de portas próprias, vão alterando os caminhos, por exemplo reduzindo o IVA ou aumentando os apoios sociais, enquanto nos que estão com a corda mais apertada todos os números vão ficando piores, das falências ao desemprego  recorde, passando por todas as implicações sociais.
Veja-se o caso português (onde acresce o problema de termos um governo politicamente cadáver, sem capacidade ou visão), com um desemprego já acima dos 17% e tudo pior, excepto os números do IRS... pudera!
E depois, com todas a certezas e teimosias que o governo tenta tapar os olhos aos poucos que ainda nele acreditam, vemos afinal que aos poucos vão sendo forçados a dar razão ao PS ou ao simples bom senso. O último exemplo é a proposta da criação de um banco de fomento, coisa que o PS já defende há anos.
Quer tudo isto dizer que não é preciso mexer nas instituições e estrutura do Estado, readaptar serviços, repensar algumas funções, acabar com muitos desperdícios e terminar de vez com as impunidades de quem gere mal o que é dos outros? Claro que não, mas isso é outra conversa...

«Prezado amigo:
Bem haja pelo escrito que teve a amabilidade de me dedicar. Passo a tentar responder privadamente, para poder alargar-me mais. Pode no entanto, se assim o julgar conveniente, publicar no seu blogue.
Com ou sem prémios Nobel à mistura, o fulcro da questão parece-me extremamente fácil de explicar. Quem está habituado a viver a crédito, como é o caso de Portugal, Grécia, Itália, França e por aí fora, é forçado mais tarde ou mais cedo a mudar de vida. Não por vontade própria, mas por imposição implícita dos credores. Que simplesmente não emprestam mais em condições aceitáveis. É o que nos está a acontecer.
Claro que é sempre possível arranjar expedientes alternativos, os quais têm contudo um inconveniente: em vez de resolverem o problema de fundo (mesmo que parcialmente), pelo contrário agravam-no. É só reparar, numa escala mais pequena, no caso da Madeira.
Compreende-se que o PS tenha de arranjar a argumentação possível, garantindo por exemplo que há sempre alternativas. Pena é que não diga quais, indo até às respectivas consequências.
Excluindo os crentes socialistas, ninguém acredita já que Seguro tenha qualquer política alternativa, minimamente credível e realista.
Veja-se o caso Francês. Com o presidente mais diplomado de sempre (HEC, Sciences Po, ENA), um governo de estrelas, que inclui dois anteriores primeiros-ministros, e maioria absoluta na Assembleia e no Senado, anda pelas ruas da amargura. A popularidade de Hollande, oito meses apenas após ter tomado posse, é a mais baixa de sempre. Apenas 21% dos franceses se declaram satisfeitos com ele.
Tudo porque, lendo a mesma cartilha ideológica de Seguro, garantiu que tinha políticas alternativas, menos gravosas para os eleitores do que as da direita sarkozista. Uma vez eleito, rapidamente se concluiu que mentira. A realidade é sempre muito obstinada, como sabe.
O mesmo vai suceder, INFELIZMENTE, em Tomar. Ganhe quem ganhar -e neste momento ainda está tudo em aberto- sem um projecto sólido, bem assente na realidade local, os vencedores irão julgar que vão à lã, mas vão acabar tosquiados. E todos nós vamos ser fortemente prejudicados, devido à deliberada insistência no erro de quem não se consegue governar fora da política. Triste sina a nabantina!
Um abraço fraterno, com grande preocupação, porque se até os melhores (como o meu prezado amigo) continuam a acreditar em quimeras, o nosso futuro vai ser bem negro.»

«Adenda ao mail anterior
Há também o argumento, agora cada vez mais usado, de maturidades mais longas. Trata-se obviamente de arranjar mais uma vantagem para os detentores da dívida pública, dado que mais anos para pagar = mais juros a pagar, uma vez que os juros são anuais. Acresce que, tanto no caso do Estado como do Município, uma vez que ambos gastam mais do aquilo que cobram, mais anos = mais défices acumulados = mais empréstimos para cobrir os défices.
Neste momento a nossa dívida pública já vai nos 123% do PIB. Aos quais se vão acrescentar os 4,5% de défice para este ano. Se agora já andamos a pedir emprestado sobretudo para ir pagando os juros de empréstimos anteriores, sem austeridade nem redução drástica da despesa pública, o que implica naturalmente menos serviços públicos gratuitos ou a preços subsidiados, como vamos conseguir descalçar a bota?
Não, meu prezado amigo; não se trata no meu caso de meras posições ideológicas. Antes fossem! Desgraçadamente penso que é apenas o doloroso choque com a realidade económica, com esta a desmentir todos os dias verdades em que acreditámos durante anos e anos.
Será mero fruto do acaso que o actual presidente italiano, agora com 87 anos, tenha sido um dos principais dirigentes nacionais do PCI até aos 65, quando decidiu abandonar aquela formação comunista? Ou o tal choque?
Um abraço»

quinta-feira, abril 25, 2013

Sempre!... mas a precisar de reforço.






Revolução — Descobrimento 
 
Revolução isto é: descobrimento
Mundo recomeçado a partir da praia pura
Como poema a partir da página em branco
— Katharsis emergir verdade exposta
Tempo terrestre a perguntar seu rosto


Sophia de Mello Breyner, O Nome das Coisas, 1977

terça-feira, abril 23, 2013

ler = conhecer, viajar, viver outrem...

Porque hoje é o Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor (em memória de Shakespeare e Cervantes que morreram neste dia em 1616) publico este post que estava aqui em rascunho há uns dias.

Desde o início deste blogue se anunciou que sem peridodicidade certa, entre mais, aqui se falaria de livros. A verdade é que, se de tudo aqui se vai falando pouco, porque o facebook tem ganho espaço ao blogue pelo menos nos assuntos mais ligeiros, de livros então tem existido ainda mais défice. Por isso, uma referência aos últimos com que me enriqueci.

Primeiro, o último de João Tordo, o Ano Sabático |onde curiosamente a personagem principal se chama Hugo e é músico (não sou, mas estive para o ser), entre outras coincidências da história com a minha|.
Lido num ápice (ou, para ser mais exato, em duas viagens de comboio) o livro que é fruto de um dos melhores escritores da nova geração portuguesa, é daqueles em que adoramos até ao ponto em que pensamos, «pronto, agora estragou isto», depois voltamos a adorar, depois... ciclicamente até ao fim.
Muito bom, não vale a pena descrevê-lo. Leiam.

O Sentido do Fim, o mais recente romance de Julian Barnes (autor que desconhecia e que também li num ápice), é livro recém-galardoado com o Man Booker Prize 2011. A história de um homem que se confronta com o seu passado mutável. Um livro bem escrito e de grande reflexão sobre o percurso de cada uma das nossas vidas, das espetativa e das reviravoltas.

Foi leitura mais demorada, mas também é obra de outra complexidade, O Cemitério de Praga do grande Umberto Eco, um dos autores estrangeiros que mais tenho lido.
Este romance do autor do Nome da Rosa, é uma obra ousada, atual e pertinente para entendermos o processo das interacções histórico-culturais ecléticas que justificam a travessia europeia do século XX e, de certo modo, o nosso século XXI. Aqui, o autor coloca-nos no século XIX onde cruzando-se com grande figuras da história, entre jesuítas, maçons, o esoterismo, a emergência de ciências como a psicanálise e a grande discussão, à época, sobre os judeus, se edificaram as raízes do que sustentou o inconsciente colectivo europeu em que se alicerçou o nacional-socialismo de Hitler.
Umas vezes irónico, outras sádico, outras mesmo odioso, este não é um livro para os leitores mais impreparados mas, não só é essencial para poder entender muito da sociedade atual, como é um excelente ecercício literário.

Ainda não terminado, e exclusivamente nos momentos de leitura em Tomar (que nos tempos que correm são escassos) estou a ler este Herança de Traição, do jovem autor nabantino Jorge Subtil. Naturalmente uma obra diferente das anteriores, mas muito interessante pela pesquisa histórica e pela vivência social do século XIX português, estando a acção centrada particularmente na templária Quinta da Cardiga, ali a caminho da Golegã.



E porque leio sempre mais que um em simultâneo, vou já lendo um novo de João Tordo, Anatomia dos Mártires, e também um de contos do japonês Haruki Murakami, A Rapariga que Inventou um Sonho, mas desses falo, eventualmente, quando os terminar.

segunda-feira, abril 22, 2013

o caminho único...

Este post leva dedicatória para o meu caro colega blogger nabantino, António Rebelo, que no seu Tomar, a dianteira vai advogando a tese de que não há alternativa à austeridade, e que para o sustentar quase sempre utiliza opiniões de comentadores e outros protagonistas da direita. Apenas para evidenciar que há outras opiniões, e como não podia deixar de ser, há sempre alternativas.

Uma das muitas vozes discordantes do caminho atestadamente errado e cada vez mais contestado, seguido pela generalidade dos atuais líderes europeus (ou não fossem, atualmente, quase todos governos de direita), a opinião de Paul Krugman, prémio nobel da economia em 2008, e que há muito vai exprimindo, pode em parte  resumir-se a isto: “Os políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer”.

E acrescenta-se: “Devemos situar o fiasco de Reinhart e Rogoff no contexto mais amplo da obsessão pela austeridade: o evidente desejo dos legisladores, políticos e peritos de todo o mundo ocidental em contornarem o problema do desemprego e, como troca, utilizar a crise económica como desculpa para reduzir drasticamente os programas sociais”, afirma Krugman num artigo de opinião no “El País” – “A depressão do Excel”. (ler mais no Jornal de Negócios).

E acrescento eu, em Portugal tem dias em que a "austeridade sem alternativa" é desculpa para esconder a ideologia não sufragada, e outros em que não. Há alturas em que o atual governo está a "ir além da troika" e a cumprir o seu programa sem pressões do memorando. Outros em que afinal o memorando (já 7 vezes revisto) estava mal desenhado...

Claro que, mesmo os incompetentes declarados que nos governam atualmente já perceberam que isto assim não vai a lado nenhum - nem eles. Só que o princípio é simples e sempre igual: quando os políticos são maus mandam os técnicos/tecnocratas.
(É assim em qualquer parte do mundo, até em Tomar...)
E por isso, quando é nos momentos de crise que a Política é mais necessária, vivemos ao contrário por estes tempos assim, com um governo incapaz e politicamente morto há meses, dividido entre as suas ideologias ultra-liberais e a incapacidade de bater o pé à troika por um lado, e por outro a realidade que todos sentimos e que mesmo muitos dos apoiantes mais incontestáveis governo, já proclamam a bom som.

sexta-feira, abril 19, 2013

socializar

 
No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas.

40 anos volvidos, o PS foi o grande responsável por muito da nossa Democracia e de grandes conquistas do Estado Social que agora um governo ultra liberal e uma europa mercantilista querem destruir.

Em Tomar, o PS realiza hoje pelas 18 horas um pequeno lanche convívio na tasca (cujo nome agora me está a falhar, mas que que se sita na rua dos antigos "passarinhos") onde os primeiros socialistas se juntavam para debater e conviver, e que serviu de primeira sede não oficial nesses tempos idos.

quarta-feira, abril 17, 2013

reclicar, reabilitar, reabitar







Regeneração (ou reabilitação) Urbana. Um importantíssimo tema para os centros históricos das cidades, vilas e aldeias, importantíssimo para Tomar, não só para a (re)dinamização da vivência dos espaços e sua recuperação arquitetónica, mas também como estímulo à economia e à criação de emprego.

Em discussão esta quarta tendo Anabela Freitas, candidata socialista à presidência da Câmara de Tomar, convidado para orador principal, Rui Paulo Figueiredo, presidente da concelhia socialista de Lisboa, e deputado na AR, membro da Comissão de Economia e Obras Públicas.

terça-feira, abril 16, 2013

sem remédio

foto rádio Cidade de Tomar
 
 
 
 
 
Comunicado conjunto da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar e da Comissão de Utentes do Médio Tejo pode ser lido ou descarregado aqui.

segunda-feira, abril 15, 2013

"Quem nasceu para lagartixa..."

A minha "nota do dia" de 10 de abril na rádio Hertz, com o título em epígrafe, em parte dedicada a Miguel Relvas, pode ser lida na integra no esquerdo capítulo.

«o que em verdade quero sublinhar é apenas que este agora ex Ministro a quem o povo português cantou “grandôlas” e a quem retorquiu com veemência que “fosse estudar”, apelidado entre mais na comunicação social nacional como o “mosqueteiro de Tomar”, é desde 1997 Presidente da nossa Assembleia Municipal, e como tal primeiro representante dos nabantinos. E mais, o real mandante das principais decisões do partido que tem governado o município, como ainda agora se provou, com a escolha de Carlos Carrão para candidato, contra a vontade manifesta dos dirigentes locais.

(...) o que lhe aconteceu dá-nos a todos grandes lições sobre a vida, a personalidade, a ética, a política. Duas delas, muito importantes: primeiro, quanto maiores forem as responsabilidades que se assumem, maiores devem ser as capacidades comprovadas e mais impoluta a linha de conduta;
E segundo, todo aquele cuja função exista para o trabalho em prol dos demais e desses dependa a sua avaliação, não pode atuar contra a vontade desses e sobre eles usar de desdém e arrogância.»

terça-feira, abril 09, 2013

o cubismo e a vida










Pablo Picasso, o enorme artista, morreu neste dia há 40 anos.

Ao lado, Girl before a mirror, patente no MoMA (cujo atual curador é português) e cuja reprodução mora na minha sala.

segunda-feira, abril 08, 2013
















Almada Negreiros, um dos maiores e mais completos artistas do século vinte português, e um dos meus favoritos, nasceu há cento e vinte anos.

quarta-feira, abril 03, 2013

info contabilística










Hoje, pelas 18:30h, na Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC - Avenida Barbosa du Bocage, 45, Lisboa), com apresentação da obra a cargo do Bastonário da OTOC, Dr. António Domingues Azevedo, o mais recente livro dos meus caros amigos e camaradas António Gameiro e Nuno Moita da Costa, Manual de Contabilidade para Juristas.

terça-feira, abril 02, 2013

fora hábitos

Diz que a senhora aqui já ao lado na foto que anda a correr mundo, é a toda poderosa fraulein Merkell.
E aqui se prova, ao contrário do que tentam afirmar pessoas normalmente grisalhas, que o passar dos anos é muito danoso. Mais que físico, para o intelecto.

Ou então não, mostra coerência, a senhora gosta de andar em pelota e está a ajudar a pôr grande parte dos europeus do jeito que mais lhe apraz...

«Associar»


A minha "nota do dia" a 27 de março de 2013 na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode por lá ainda ser ouvida, ou lida no esquerdo capítulo.


«A cultura tem, nas suas mais diversas formas de manifestação – das artes dramáticas, à música, das artes plásticas, à literatura, entre tantas mais que a criatividade e multiplicidade humana entretanto criou – precisamente esse propósito e essa mais valia de nos fazer pensar, reflectir, criticar, duvidar, conhecer, viajar, divertir, e tanto mais, com a simples contemplação de uma obra de arte ou de uma performance artística.»

segunda-feira, abril 01, 2013

intemporalidades


Mário Viegas
(10 de Novembro de 1948 — 1 de Abril de 1996)

«Imprensa local: o futuro hoje.»


Texto solicitado pelo jornal Cidade de Tomar, publicado na edição de 22 de março.

Toda a comunicação social, nacional ou mundial, atravessa profundas mudanças provocadas pelas circunstâncias da crise que se reflete na redução do consumo e mais na quebra dos anunciantes (que verdadeiramente são quem paga os custos das publicações), além disso dispersos por um maior número de suportes informativos.
Esses novos suportes tecnológicos e a rapidez que estes imprimem à transmissão de informação, atraem todos os dias novos utilizadores que os consomem ainda em simultâneo e num crescendo gradual, em exclusivo.

Ainda assim a imprensa local tenderá, na perspetiva do leitor, a resistir um pouco mais à supremacia da internet, uma vez que boa parte dos leitores terá uma idade mais avançada, alguma aversão às novas tecnologias, e um apego maior ao suporte em papel.
Mas a evolução está a acontecer. Eu, que já não sou assim tão jovem, sou diário frequentador da comunicação social online, e apesar de continuar a ler a versão impressa dos dois jornais locais, faço-o, confesso, quase apenas por uma auto submetida obrigação de cidadania de quem quer estar informado e a par do que acontece e é dito.
Obrigada pela voraz evolução dos tempos, a imprensa terá que saber conjugar muito bem a sua atividade com os suportes de internet que serão cada vez mais o canal principal, e adequar aquilo que relega para o papel.
O papel tem apesar de tudo um outro, charme, chamemos-lhe assim. Como o livro, o ato de folhear e ler um jornal parece-nos mais afetuoso, desde que seja objeto interessante nos seus mais diversos aspetos.

Como é coloquialmente costume dizer-se, os olhos também comem, e por isso o primeiro aspeto é o da imagem. O design do jornal e tudo o que isso envolve, do layout às imagens, do tipo de letra à organização dos conteúdos, deve ser apelativo e bem cuidado. Um mau exemplo entre outros, é aquela tentação que os jornais locais têm por vezes de, pela limitação do espaço e do custo de impressão, “atafulhar” conteúdos.
Sobre o conteúdo propriamente dito não é preciso quanto a mim inventar muito, apenas apostar bem nas fórmulas conhecidas: sempre centrado nas questões locais, algumas notícias da atualidade; uma secção de notícias breves, pouco mais que o elencar de alguns assuntos ocorridos; uma ou outra reportagem mais desenvolvida; um conjunto de cronistas regulares que escrevam bem e sobre assuntos que os leitores desejem, criando fidelização; e, não menos importante, ter uma boa e inteligente secção humorística que verse sobre a atualidade.
E no fim, talvez o mais difícil, com um jornal atrativo, convencer os anunciantes de que a publicidade (que deve obedecer às mesmas regras de atratividade) compensa trazendo retorno.
De algo não tenho dúvidas, uma imprensa local proeminente continua a ser necessária para a identidade e consciência crítica de uma comunidade, e instrumento para avaliar do seu maior ou menor dinamismo.

Pelo 78º aniversário do Cidade de Tomar, os merecidos votos de Parabéns e os maiores desejos de bom e enérgico trabalho para enfrentar as dificuldades presentes. O Cidade de Tomar faz parte da história da comunidade nabantina e continua a ser nela importante.

segunda-feira, março 18, 2013

a cura



Porque há doenças que por muito que durem, são o tempero destes dias que separam dois essenciais: o de nascimento e o da morte. (Algo mais que "nascimento, cópula, morte" na conceção de vida de T.S.Eliot).

Boa semana a todos vós que navegais nas marés por vezes intempestuosas da internet.

sexta-feira, março 15, 2013

ouvir a "sociedade civil"


Amanhã.
Um debate certamente enriquecedor com um docente do IPT e entusiasta do voluntariado, um importantíssimo dirigente associativo e dinamizador cultural, e a empresária e presidente do Nersant. Em cima da mesa os seus contributos pessoais e a sua visão daquelas que devem ser as políticas autárquicas para o futuro.

quinta-feira, março 14, 2013

«A má educação»

A minha crónica de ontem na rádio Hertz pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.
Desta vez sobre o caminho que leva a educação em Portugal. Nem a propósito, a capa do Pasquim da Manhã de hoje, sempre a fazer o serviço aos governos de direita, como se as decisões que este toma não fossem responsabilidade e ideologia sua.

«Das alterações curriculares, à enorme diminuição de professores e outros técnicos bem como uma outra série de recursos, estão a fazer regressar a escola ao tempo em que só os mais favorecidos terão reais condições de poder ter uma escolaridade enriquecedora e capacitante para os futuros cidadãos e profissionais que agora se preparam. Estamos a voltar a uma sociedade de classes que, a par com outras condicionantes da sociedade, se intensificam na escola que deveria ser a base para a construção individual e coletiva de qualquer país.»

segunda-feira, março 11, 2013

Vergonha!


Publicado no jornal Cidade de Tomade 8 de março.
Entretanto, esta sexta pelas 17h, nova reunião da Assembleia Municipal de Tomar...

Já algumas vezes manifestei que sinto em momentos vergonha por ser autarca em Tomar. No último dia de Fevereiro, na reunião da Assembleia Municipal, foi mais um desses momentos.
O PSD nabantino e os seus principais dirigentes, agora encabeçados por Carlos Carrão, convivem mal com a democracia, e estão habituados a contornar, senão mesmo ignorar as Leis e regras da forma que melhor servir os seus intentos, e não aceitam que possam existir ideias, opiniões ou vontades diferentes e que essas possam ter supremacia sobre as suas.

Na última assembleia – e registe-se, esta não é de todo a questão mais importante que há para resolver em Tomar, mas ainda assim – deu entrada (ainda que não fosse a melhor forma de o fazer) um requerimento para destituir a mesa da assembleia e particularmente o até aqui presidente, Miguel Relvas.
A questão é maior que o simples ditame dos artigos e números da Lei x ou do regulamento y, até porque, como já referi, e se tem comprovado continuadamente e em questões bem mais graves (como na ilegal aprovação do último pedido empréstimo, o PAEL, feito com base na mentira), a “lei” que interessa a Carlos Carrão é a que der jeito às suas vontades.

Na última assembleia, a oposição finalmente unida, disse basta e mostrou ao PSD o óbvio: se não querem aceitar a vontade da maioria, se não aceitam nenhuma opinião contrária, se tudo querem fazer à vossa maneira, então fiquem sozinhos a discutir!
Há na assembleia uma maioria que não se revê nas posições políticas, bem como nas ausências e falta de representação do órgão que a atuação pouco dignificante de Relvas tem provocado e, o essencial bom senso e a vontade de discutir e tentar resolver os maiores e mais importantes problemas deveria aceitar esse facto de forma natural e seguir em frente. Nesta como em qualquer assembleia, seja ela política, associativa ou do que quer que seja, é assim, a maioria decide.
Estou aliás perfeitamente convencido, que a larga maioria dos nabantinos também não reconhece nem quer ter Miguel Relvas como seu primeiro representante. E essa é a primeira e mais nobre função do Presidente de uma Assembleia Municipal.

Em Tomar o PSD não quer que assim seja e, tentando apenas protelar o que não tem retorno, com os seus conflitos próprios à mistura como ficou bem patente, envergonha todos os que têm vontade de fazer qualquer coisa por Tomar.
Percebemos todos essas dificuldades. Todos os efeitos da gestão ou falta dela que mancham a atuação da última década e meia e que se traduzem na realidade cinzenta que o concelho atravessa, confirmado com os dados estatísticos, por exemplo na fuga da população em particular dos mais jovens, na dívida do município, na obras inúteis e, traço geral, na pior qualidade de vida no concelho.
Mas também nos responsáveis que foram saindo deixando atrás de si este estado de coisas, de Paiva a Corvêlo, com o mandante Relvas e o permanente Carrão, que causam descrédito ao partido e desconforto, desde logo entre os próprios simpatizantes sociais democratas, além dos conflitos internos e divergências conhecidas.
Derrotaram Carrão e sempre afirmaram que este não seria o candidato, mas não só vai sê-lo como ao que consta será seguido pelo actual presidente de concelhia, seu até aqui adversário. Mas que grande flexibilidade de coluna que por ali vai… A realidade é como é, por mais que se tente mascará-la com diferentes cores. E os responsáveis têm rostos e nomes.

Mas tudo isto é mau para Tomar e para os tomarenses. O que Tomar precisa, e o exemplo deve vir em primeiro dos responsáveis políticos eleitos em nome de todos, é de se centrar nos consensos possíveis, de se focar nos principais (e grandes) problemas a resolver. Precisa que todos tenham a capacidade de se ouvir mutuamente, de se sentar e conversar, discutir, chegar a entendimentos, decidir e resolver. Inteligência, capacidade, vontade e bom senso.
A mim, o confronto apenas pelo confronto não me traz qualquer espécie de prazer. Enquanto se tratar quem tem ideias diferentes como inimigos a abater; enquanto se continuar a olhar para a política como se de um campeonato de futebol se tratasse, com claques inconscientes que apoiam ou condenam com base na cega fé; enquanto imperar a lógica de “o que é nosso é tudo bom, dos outros é tudo mau”, não sairemos deste ciclo e Tomar continuará a afundar-se.

E há tanto para resolver: emprego, comércio, revitalização do centro histórico, PDM, questões sociais; Flecheiro, Levada, Convento de Stª Iria, Mercado, apoio e coordenação estratégica do associativismo como motor de desenvolvimento económico e produção de eventos… Enfim, um elenco vário de reais problemas para os quais muito se fala mas nada se faz.
Não podemos estar sempre todos de acordo, não é possível e provavelmente, nem seria desejável. Mas é necessário que saibamos argumentar com responsabilidade mantendo a elevação e respeitabilidade das discussões, que saibamos distinguir o importante do acessório, que valorizemos quem de facto quer trabalhar com e para o bem comum.

A política e a gestão pública não pode ser uma mera e inconsequente feira de vaidades ou de egos inflamados, nem uma luta fratricida de meras siglas partidárias.
Saibamos todos, desde os eleitos e candidatos a sê-lo, bem como toda a restante comunidade, estar à altura dos desafios do nosso tempo no enfrentar consciente e responsável dos problemas presentes e na capaz construção de um futuro que, como aqueles que nos antecederam, nos permitam não só continuar a viver bem nesta terra, mas igualmente a nela ter orgulho.
Por Tomar e pelos tomarenses, das atitudes às ações, exige-se mudança.

sexta-feira, março 08, 2013

truca-truca

Natália Correia pintada por Bottelho (Carlos Botelho)
No dia da mulher (também ele um clichê), há clichês que se repetem todos os anos, como o relembrar de algumas figuras emblemáticas.

Nem tudo é mau. Natália Correia é um desses exemplos, que se não for noutros dias, ao menos seja lembrada neste, ela que política, poetisa, inteletual de primeira água, foi também destacada ativista pelos direitos das mulheres.

Da sua antologia que a tempos requisito à minha prateleira de poetas, retiro este seu poema tão célebre como o episódio em que foi criado e declamado.
Na Assembleia da República corria o ano de 1982, debatia-se (já então) a questão da IVG, quando um deputado do CDS, João Morgado, terá afirmado qualquer coisa como «o acto sexual serve apenas para fazer filhos».
Natália Correia respondeu-lhe na hora (a qualidade global dos parlamentares já conheceu melhores dias) com o "truca-truca":

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

quinta-feira, março 07, 2013

mitos e lugares comuns

Dez mandamentos do novo Evangelho Gnóstico por José Adelino Maltez:


1. Foram os judeus que mataram Cristo.
2. Foi a Carbonária que promoveu o regicídio.
3. Não foi a Maçonaria que assassinou Sidónio.
4. Foi a padralhada que provocou a Noite Santa Sangrenta.
5. Humberto Delgado foi morto pelo grupo de Argel.
6. Os maçons querem que o último papa seja enforcado nas tripas do último padre.
7. Os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço.
8. A desordem a que chegámos é produto de uma conspiração global provocada pelos neoliberais.
9. D. Sebastião morreu mesmo em Alcácer-Quibir.
10. Cavaco não chumbaria Gaspar na cadeira de Finanças Públicas.


Por vezes parece que a malta não percebe ironia, por isso sublinho, tudo isto acima é irónico.

terça-feira, março 05, 2013

Mudança!




A página ofical da candidatura socialista de Anabela Freitas à presidência da Câmara Municipal de Tomar em http://tomar2013.blogspot.pt/

E o grupo de apoio no facebook.

segunda-feira, março 04, 2013

cartoon









A jovem Mónica, criação do brasileiro Maurício Sousa, faz hoje 50 anos

Boa semana!

 (sim, ainda estou a recuperar da última Assembleia Municipal de Tomar, a qual não consigo bem denominar)









quinta-feira, fevereiro 28, 2013

"o tristonho dia de Tomar"

A minha nota de ontem na rádio Hertz, essencialmente sobre o dia de Tomar que amanhã, mais ou menos se comemora, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

«É na verdade apenas mais um espelho da mediocridade e da falta de ideias e capacidade de execução que tem liderado os destinos de Tomar. E sim, também espelho da falta de proatividade e capacidade crítica ativa da própria comunidade que há muito entrou num estado letárgico de alheamento para com quase tudo o que venha dos seus eleitos líderes.»

Hoje, não esquecer, reunião da Assembleia Municipal a partir das 15h. Com poucos assuntos de real interesse na Ordem de Trabalhos, mas com a destituição do presidente Miguel Relvas à vista.
E o provavelmente muita peixeirada até porque, como habitualmente se sabe ali muito de leis (e de as cumprir...), já estou a antecipar a confusão com requerimentos para cá e para lá...