sábado, abril 27, 2013

«Antes da Democracia»

A minha nota do dia 24 de abril na rádio Hertz pode também ser lida na totalidade no esquerdo capítulo.


(...) «Nacionalismo bacoco, autoritarismo, censura, proteção de classes, ou melhor dizendo, proteção dos poucos muito ricos e favorecidos e mantendo todos os outros no seu lugar de origem, esta era a realidade de um país onde uma sardinha podia servir para a refeição de mais que uma pessoa e ter dois pares de sapatos era um luxo impossível para muitos.

Sem liberdade política, religiosa, ou qualquer outra afinal, os portugueses viviam “orgulhosamente sós” no mundo, “pobrezinhos mas honrados”, tendo como princípios basilares da sua vida “deus, pátria e família” como bem cedo na escola eram adestrados para acreditar.
Muitos jovens foram para a guerra do ultramar, lutar por terras e riquezas que não eram suas e contra os legítimos herdeiros seculares desses locais numa guerra espúria e suicida de onde muitos não voltaram e da qual os que voltaram trouxeram incuráveis cicatrizes físicas e psicológicas.
Outros foram forçados a fugir do país, para não entrar nessa guerra em nome de uma falsa pátria, ou para procurar as mínimas condições de vida que por cá não tinham.
Portugal era um país atrasado, onde se morria ainda aos milhares, fosse logo no nascimento fosse por doenças hoje praticamente erradicadas, e onde a esperança média de vida rondava os cinquenta anos. Apoios sociais, lazer, cultura e outras ideias hoje banalizadas eram palavras tão pouco conhecidas como usadas.» (...)

sexta-feira, abril 26, 2013

Atribuir parte do IRS a uma instituição

«Numa altura em que está a decorrer o prazo de entrega da declaração anual do IRS pela internet vale a pena lembrar que os contribuintes podem ajudar as entidades da nossa região (instituições particulares de solidariedade social e outras) com a entrega de 0,5 por cento do IRS.

Esta iniciativa solidária não acarreta qualquer pagamento adicional de imposto.
Basta identificar a instituição que quer apoiar indicando o respetivo número de contribuinte na declaração de IRS, como por exemplo:
CENTRO DE ASSISTENCIA SOCIAL DE TOMAR - 500851557
CIRE – CENTRO DE INTEGRAÇÃO E REABILITAÇÃO DE TOMAR – 501226010
SOCIEDADE FILARMONICA GUALDIM PAIS - 501136380
SOCIEDADE RECREATIVA E MUSICAL DA PEDREIRA - 501794182
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA FREGUESIA DE PAIALVO - 503050180
CENTRO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE OLALHAS - 504405810
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE ASSEICEIRA - 503834254»
(informação retirada do Tomar na Rede)

No meu caso, há vários anos que atribuo a parte possível do meu IRS, à SF Gualdim Pais.

«o caminho único...» II

Abaixo, a resposta de António Rebelo à minha pequena provocação no post "o caminho único...", que entendo dever publicar para promover a dualidade de pontos de vista.
Entretanto, sem grande tempo para mais alongada réplica, parece-me que a realidade vai demonstrando cada vez mais a evidência. Enquanto os EUA e outras partes do mundo pressionam a Europa (ou a parte dela) que ainda teima na ideologia da austeridade colocando em causa a economia mundial, alguns países, pelo menos dentro de portas próprias, vão alterando os caminhos, por exemplo reduzindo o IVA ou aumentando os apoios sociais, enquanto nos que estão com a corda mais apertada todos os números vão ficando piores, das falências ao desemprego  recorde, passando por todas as implicações sociais.
Veja-se o caso português (onde acresce o problema de termos um governo politicamente cadáver, sem capacidade ou visão), com um desemprego já acima dos 17% e tudo pior, excepto os números do IRS... pudera!
E depois, com todas a certezas e teimosias que o governo tenta tapar os olhos aos poucos que ainda nele acreditam, vemos afinal que aos poucos vão sendo forçados a dar razão ao PS ou ao simples bom senso. O último exemplo é a proposta da criação de um banco de fomento, coisa que o PS já defende há anos.
Quer tudo isto dizer que não é preciso mexer nas instituições e estrutura do Estado, readaptar serviços, repensar algumas funções, acabar com muitos desperdícios e terminar de vez com as impunidades de quem gere mal o que é dos outros? Claro que não, mas isso é outra conversa...

«Prezado amigo:
Bem haja pelo escrito que teve a amabilidade de me dedicar. Passo a tentar responder privadamente, para poder alargar-me mais. Pode no entanto, se assim o julgar conveniente, publicar no seu blogue.
Com ou sem prémios Nobel à mistura, o fulcro da questão parece-me extremamente fácil de explicar. Quem está habituado a viver a crédito, como é o caso de Portugal, Grécia, Itália, França e por aí fora, é forçado mais tarde ou mais cedo a mudar de vida. Não por vontade própria, mas por imposição implícita dos credores. Que simplesmente não emprestam mais em condições aceitáveis. É o que nos está a acontecer.
Claro que é sempre possível arranjar expedientes alternativos, os quais têm contudo um inconveniente: em vez de resolverem o problema de fundo (mesmo que parcialmente), pelo contrário agravam-no. É só reparar, numa escala mais pequena, no caso da Madeira.
Compreende-se que o PS tenha de arranjar a argumentação possível, garantindo por exemplo que há sempre alternativas. Pena é que não diga quais, indo até às respectivas consequências.
Excluindo os crentes socialistas, ninguém acredita já que Seguro tenha qualquer política alternativa, minimamente credível e realista.
Veja-se o caso Francês. Com o presidente mais diplomado de sempre (HEC, Sciences Po, ENA), um governo de estrelas, que inclui dois anteriores primeiros-ministros, e maioria absoluta na Assembleia e no Senado, anda pelas ruas da amargura. A popularidade de Hollande, oito meses apenas após ter tomado posse, é a mais baixa de sempre. Apenas 21% dos franceses se declaram satisfeitos com ele.
Tudo porque, lendo a mesma cartilha ideológica de Seguro, garantiu que tinha políticas alternativas, menos gravosas para os eleitores do que as da direita sarkozista. Uma vez eleito, rapidamente se concluiu que mentira. A realidade é sempre muito obstinada, como sabe.
O mesmo vai suceder, INFELIZMENTE, em Tomar. Ganhe quem ganhar -e neste momento ainda está tudo em aberto- sem um projecto sólido, bem assente na realidade local, os vencedores irão julgar que vão à lã, mas vão acabar tosquiados. E todos nós vamos ser fortemente prejudicados, devido à deliberada insistência no erro de quem não se consegue governar fora da política. Triste sina a nabantina!
Um abraço fraterno, com grande preocupação, porque se até os melhores (como o meu prezado amigo) continuam a acreditar em quimeras, o nosso futuro vai ser bem negro.»

«Adenda ao mail anterior
Há também o argumento, agora cada vez mais usado, de maturidades mais longas. Trata-se obviamente de arranjar mais uma vantagem para os detentores da dívida pública, dado que mais anos para pagar = mais juros a pagar, uma vez que os juros são anuais. Acresce que, tanto no caso do Estado como do Município, uma vez que ambos gastam mais do aquilo que cobram, mais anos = mais défices acumulados = mais empréstimos para cobrir os défices.
Neste momento a nossa dívida pública já vai nos 123% do PIB. Aos quais se vão acrescentar os 4,5% de défice para este ano. Se agora já andamos a pedir emprestado sobretudo para ir pagando os juros de empréstimos anteriores, sem austeridade nem redução drástica da despesa pública, o que implica naturalmente menos serviços públicos gratuitos ou a preços subsidiados, como vamos conseguir descalçar a bota?
Não, meu prezado amigo; não se trata no meu caso de meras posições ideológicas. Antes fossem! Desgraçadamente penso que é apenas o doloroso choque com a realidade económica, com esta a desmentir todos os dias verdades em que acreditámos durante anos e anos.
Será mero fruto do acaso que o actual presidente italiano, agora com 87 anos, tenha sido um dos principais dirigentes nacionais do PCI até aos 65, quando decidiu abandonar aquela formação comunista? Ou o tal choque?
Um abraço»

quinta-feira, abril 25, 2013

Sempre!... mas a precisar de reforço.






Revolução — Descobrimento 
 
Revolução isto é: descobrimento
Mundo recomeçado a partir da praia pura
Como poema a partir da página em branco
— Katharsis emergir verdade exposta
Tempo terrestre a perguntar seu rosto


Sophia de Mello Breyner, O Nome das Coisas, 1977

terça-feira, abril 23, 2013

ler = conhecer, viajar, viver outrem...

Porque hoje é o Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor (em memória de Shakespeare e Cervantes que morreram neste dia em 1616) publico este post que estava aqui em rascunho há uns dias.

Desde o início deste blogue se anunciou que sem peridodicidade certa, entre mais, aqui se falaria de livros. A verdade é que, se de tudo aqui se vai falando pouco, porque o facebook tem ganho espaço ao blogue pelo menos nos assuntos mais ligeiros, de livros então tem existido ainda mais défice. Por isso, uma referência aos últimos com que me enriqueci.

Primeiro, o último de João Tordo, o Ano Sabático |onde curiosamente a personagem principal se chama Hugo e é músico (não sou, mas estive para o ser), entre outras coincidências da história com a minha|.
Lido num ápice (ou, para ser mais exato, em duas viagens de comboio) o livro que é fruto de um dos melhores escritores da nova geração portuguesa, é daqueles em que adoramos até ao ponto em que pensamos, «pronto, agora estragou isto», depois voltamos a adorar, depois... ciclicamente até ao fim.
Muito bom, não vale a pena descrevê-lo. Leiam.

O Sentido do Fim, o mais recente romance de Julian Barnes (autor que desconhecia e que também li num ápice), é livro recém-galardoado com o Man Booker Prize 2011. A história de um homem que se confronta com o seu passado mutável. Um livro bem escrito e de grande reflexão sobre o percurso de cada uma das nossas vidas, das espetativa e das reviravoltas.

Foi leitura mais demorada, mas também é obra de outra complexidade, O Cemitério de Praga do grande Umberto Eco, um dos autores estrangeiros que mais tenho lido.
Este romance do autor do Nome da Rosa, é uma obra ousada, atual e pertinente para entendermos o processo das interacções histórico-culturais ecléticas que justificam a travessia europeia do século XX e, de certo modo, o nosso século XXI. Aqui, o autor coloca-nos no século XIX onde cruzando-se com grande figuras da história, entre jesuítas, maçons, o esoterismo, a emergência de ciências como a psicanálise e a grande discussão, à época, sobre os judeus, se edificaram as raízes do que sustentou o inconsciente colectivo europeu em que se alicerçou o nacional-socialismo de Hitler.
Umas vezes irónico, outras sádico, outras mesmo odioso, este não é um livro para os leitores mais impreparados mas, não só é essencial para poder entender muito da sociedade atual, como é um excelente ecercício literário.

Ainda não terminado, e exclusivamente nos momentos de leitura em Tomar (que nos tempos que correm são escassos) estou a ler este Herança de Traição, do jovem autor nabantino Jorge Subtil. Naturalmente uma obra diferente das anteriores, mas muito interessante pela pesquisa histórica e pela vivência social do século XIX português, estando a acção centrada particularmente na templária Quinta da Cardiga, ali a caminho da Golegã.



E porque leio sempre mais que um em simultâneo, vou já lendo um novo de João Tordo, Anatomia dos Mártires, e também um de contos do japonês Haruki Murakami, A Rapariga que Inventou um Sonho, mas desses falo, eventualmente, quando os terminar.

segunda-feira, abril 22, 2013

o caminho único...

Este post leva dedicatória para o meu caro colega blogger nabantino, António Rebelo, que no seu Tomar, a dianteira vai advogando a tese de que não há alternativa à austeridade, e que para o sustentar quase sempre utiliza opiniões de comentadores e outros protagonistas da direita. Apenas para evidenciar que há outras opiniões, e como não podia deixar de ser, há sempre alternativas.

Uma das muitas vozes discordantes do caminho atestadamente errado e cada vez mais contestado, seguido pela generalidade dos atuais líderes europeus (ou não fossem, atualmente, quase todos governos de direita), a opinião de Paul Krugman, prémio nobel da economia em 2008, e que há muito vai exprimindo, pode em parte  resumir-se a isto: “Os políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer”.

E acrescenta-se: “Devemos situar o fiasco de Reinhart e Rogoff no contexto mais amplo da obsessão pela austeridade: o evidente desejo dos legisladores, políticos e peritos de todo o mundo ocidental em contornarem o problema do desemprego e, como troca, utilizar a crise económica como desculpa para reduzir drasticamente os programas sociais”, afirma Krugman num artigo de opinião no “El País” – “A depressão do Excel”. (ler mais no Jornal de Negócios).

E acrescento eu, em Portugal tem dias em que a "austeridade sem alternativa" é desculpa para esconder a ideologia não sufragada, e outros em que não. Há alturas em que o atual governo está a "ir além da troika" e a cumprir o seu programa sem pressões do memorando. Outros em que afinal o memorando (já 7 vezes revisto) estava mal desenhado...

Claro que, mesmo os incompetentes declarados que nos governam atualmente já perceberam que isto assim não vai a lado nenhum - nem eles. Só que o princípio é simples e sempre igual: quando os políticos são maus mandam os técnicos/tecnocratas.
(É assim em qualquer parte do mundo, até em Tomar...)
E por isso, quando é nos momentos de crise que a Política é mais necessária, vivemos ao contrário por estes tempos assim, com um governo incapaz e politicamente morto há meses, dividido entre as suas ideologias ultra-liberais e a incapacidade de bater o pé à troika por um lado, e por outro a realidade que todos sentimos e que mesmo muitos dos apoiantes mais incontestáveis governo, já proclamam a bom som.

sexta-feira, abril 19, 2013

socializar

 
No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas.

40 anos volvidos, o PS foi o grande responsável por muito da nossa Democracia e de grandes conquistas do Estado Social que agora um governo ultra liberal e uma europa mercantilista querem destruir.

Em Tomar, o PS realiza hoje pelas 18 horas um pequeno lanche convívio na tasca (cujo nome agora me está a falhar, mas que que se sita na rua dos antigos "passarinhos") onde os primeiros socialistas se juntavam para debater e conviver, e que serviu de primeira sede não oficial nesses tempos idos.

quarta-feira, abril 17, 2013

reclicar, reabilitar, reabitar







Regeneração (ou reabilitação) Urbana. Um importantíssimo tema para os centros históricos das cidades, vilas e aldeias, importantíssimo para Tomar, não só para a (re)dinamização da vivência dos espaços e sua recuperação arquitetónica, mas também como estímulo à economia e à criação de emprego.

Em discussão esta quarta tendo Anabela Freitas, candidata socialista à presidência da Câmara de Tomar, convidado para orador principal, Rui Paulo Figueiredo, presidente da concelhia socialista de Lisboa, e deputado na AR, membro da Comissão de Economia e Obras Públicas.

terça-feira, abril 16, 2013

sem remédio

foto rádio Cidade de Tomar
 
 
 
 
 
Comunicado conjunto da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar e da Comissão de Utentes do Médio Tejo pode ser lido ou descarregado aqui.

segunda-feira, abril 15, 2013

"Quem nasceu para lagartixa..."

A minha "nota do dia" de 10 de abril na rádio Hertz, com o título em epígrafe, em parte dedicada a Miguel Relvas, pode ser lida na integra no esquerdo capítulo.

«o que em verdade quero sublinhar é apenas que este agora ex Ministro a quem o povo português cantou “grandôlas” e a quem retorquiu com veemência que “fosse estudar”, apelidado entre mais na comunicação social nacional como o “mosqueteiro de Tomar”, é desde 1997 Presidente da nossa Assembleia Municipal, e como tal primeiro representante dos nabantinos. E mais, o real mandante das principais decisões do partido que tem governado o município, como ainda agora se provou, com a escolha de Carlos Carrão para candidato, contra a vontade manifesta dos dirigentes locais.

(...) o que lhe aconteceu dá-nos a todos grandes lições sobre a vida, a personalidade, a ética, a política. Duas delas, muito importantes: primeiro, quanto maiores forem as responsabilidades que se assumem, maiores devem ser as capacidades comprovadas e mais impoluta a linha de conduta;
E segundo, todo aquele cuja função exista para o trabalho em prol dos demais e desses dependa a sua avaliação, não pode atuar contra a vontade desses e sobre eles usar de desdém e arrogância.»

terça-feira, abril 09, 2013

o cubismo e a vida










Pablo Picasso, o enorme artista, morreu neste dia há 40 anos.

Ao lado, Girl before a mirror, patente no MoMA (cujo atual curador é português) e cuja reprodução mora na minha sala.

segunda-feira, abril 08, 2013
















Almada Negreiros, um dos maiores e mais completos artistas do século vinte português, e um dos meus favoritos, nasceu há cento e vinte anos.

quarta-feira, abril 03, 2013

info contabilística










Hoje, pelas 18:30h, na Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC - Avenida Barbosa du Bocage, 45, Lisboa), com apresentação da obra a cargo do Bastonário da OTOC, Dr. António Domingues Azevedo, o mais recente livro dos meus caros amigos e camaradas António Gameiro e Nuno Moita da Costa, Manual de Contabilidade para Juristas.

terça-feira, abril 02, 2013

fora hábitos

Diz que a senhora aqui já ao lado na foto que anda a correr mundo, é a toda poderosa fraulein Merkell.
E aqui se prova, ao contrário do que tentam afirmar pessoas normalmente grisalhas, que o passar dos anos é muito danoso. Mais que físico, para o intelecto.

Ou então não, mostra coerência, a senhora gosta de andar em pelota e está a ajudar a pôr grande parte dos europeus do jeito que mais lhe apraz...

«Associar»


A minha "nota do dia" a 27 de março de 2013 na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode por lá ainda ser ouvida, ou lida no esquerdo capítulo.


«A cultura tem, nas suas mais diversas formas de manifestação – das artes dramáticas, à música, das artes plásticas, à literatura, entre tantas mais que a criatividade e multiplicidade humana entretanto criou – precisamente esse propósito e essa mais valia de nos fazer pensar, reflectir, criticar, duvidar, conhecer, viajar, divertir, e tanto mais, com a simples contemplação de uma obra de arte ou de uma performance artística.»

segunda-feira, abril 01, 2013

intemporalidades


Mário Viegas
(10 de Novembro de 1948 — 1 de Abril de 1996)

«Imprensa local: o futuro hoje.»


Texto solicitado pelo jornal Cidade de Tomar, publicado na edição de 22 de março.

Toda a comunicação social, nacional ou mundial, atravessa profundas mudanças provocadas pelas circunstâncias da crise que se reflete na redução do consumo e mais na quebra dos anunciantes (que verdadeiramente são quem paga os custos das publicações), além disso dispersos por um maior número de suportes informativos.
Esses novos suportes tecnológicos e a rapidez que estes imprimem à transmissão de informação, atraem todos os dias novos utilizadores que os consomem ainda em simultâneo e num crescendo gradual, em exclusivo.

Ainda assim a imprensa local tenderá, na perspetiva do leitor, a resistir um pouco mais à supremacia da internet, uma vez que boa parte dos leitores terá uma idade mais avançada, alguma aversão às novas tecnologias, e um apego maior ao suporte em papel.
Mas a evolução está a acontecer. Eu, que já não sou assim tão jovem, sou diário frequentador da comunicação social online, e apesar de continuar a ler a versão impressa dos dois jornais locais, faço-o, confesso, quase apenas por uma auto submetida obrigação de cidadania de quem quer estar informado e a par do que acontece e é dito.
Obrigada pela voraz evolução dos tempos, a imprensa terá que saber conjugar muito bem a sua atividade com os suportes de internet que serão cada vez mais o canal principal, e adequar aquilo que relega para o papel.
O papel tem apesar de tudo um outro, charme, chamemos-lhe assim. Como o livro, o ato de folhear e ler um jornal parece-nos mais afetuoso, desde que seja objeto interessante nos seus mais diversos aspetos.

Como é coloquialmente costume dizer-se, os olhos também comem, e por isso o primeiro aspeto é o da imagem. O design do jornal e tudo o que isso envolve, do layout às imagens, do tipo de letra à organização dos conteúdos, deve ser apelativo e bem cuidado. Um mau exemplo entre outros, é aquela tentação que os jornais locais têm por vezes de, pela limitação do espaço e do custo de impressão, “atafulhar” conteúdos.
Sobre o conteúdo propriamente dito não é preciso quanto a mim inventar muito, apenas apostar bem nas fórmulas conhecidas: sempre centrado nas questões locais, algumas notícias da atualidade; uma secção de notícias breves, pouco mais que o elencar de alguns assuntos ocorridos; uma ou outra reportagem mais desenvolvida; um conjunto de cronistas regulares que escrevam bem e sobre assuntos que os leitores desejem, criando fidelização; e, não menos importante, ter uma boa e inteligente secção humorística que verse sobre a atualidade.
E no fim, talvez o mais difícil, com um jornal atrativo, convencer os anunciantes de que a publicidade (que deve obedecer às mesmas regras de atratividade) compensa trazendo retorno.
De algo não tenho dúvidas, uma imprensa local proeminente continua a ser necessária para a identidade e consciência crítica de uma comunidade, e instrumento para avaliar do seu maior ou menor dinamismo.

Pelo 78º aniversário do Cidade de Tomar, os merecidos votos de Parabéns e os maiores desejos de bom e enérgico trabalho para enfrentar as dificuldades presentes. O Cidade de Tomar faz parte da história da comunidade nabantina e continua a ser nela importante.

segunda-feira, março 18, 2013

a cura



Porque há doenças que por muito que durem, são o tempero destes dias que separam dois essenciais: o de nascimento e o da morte. (Algo mais que "nascimento, cópula, morte" na conceção de vida de T.S.Eliot).

Boa semana a todos vós que navegais nas marés por vezes intempestuosas da internet.

sexta-feira, março 15, 2013

ouvir a "sociedade civil"


Amanhã.
Um debate certamente enriquecedor com um docente do IPT e entusiasta do voluntariado, um importantíssimo dirigente associativo e dinamizador cultural, e a empresária e presidente do Nersant. Em cima da mesa os seus contributos pessoais e a sua visão daquelas que devem ser as políticas autárquicas para o futuro.

quinta-feira, março 14, 2013

«A má educação»

A minha crónica de ontem na rádio Hertz pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.
Desta vez sobre o caminho que leva a educação em Portugal. Nem a propósito, a capa do Pasquim da Manhã de hoje, sempre a fazer o serviço aos governos de direita, como se as decisões que este toma não fossem responsabilidade e ideologia sua.

«Das alterações curriculares, à enorme diminuição de professores e outros técnicos bem como uma outra série de recursos, estão a fazer regressar a escola ao tempo em que só os mais favorecidos terão reais condições de poder ter uma escolaridade enriquecedora e capacitante para os futuros cidadãos e profissionais que agora se preparam. Estamos a voltar a uma sociedade de classes que, a par com outras condicionantes da sociedade, se intensificam na escola que deveria ser a base para a construção individual e coletiva de qualquer país.»

segunda-feira, março 11, 2013

Vergonha!


Publicado no jornal Cidade de Tomade 8 de março.
Entretanto, esta sexta pelas 17h, nova reunião da Assembleia Municipal de Tomar...

Já algumas vezes manifestei que sinto em momentos vergonha por ser autarca em Tomar. No último dia de Fevereiro, na reunião da Assembleia Municipal, foi mais um desses momentos.
O PSD nabantino e os seus principais dirigentes, agora encabeçados por Carlos Carrão, convivem mal com a democracia, e estão habituados a contornar, senão mesmo ignorar as Leis e regras da forma que melhor servir os seus intentos, e não aceitam que possam existir ideias, opiniões ou vontades diferentes e que essas possam ter supremacia sobre as suas.

Na última assembleia – e registe-se, esta não é de todo a questão mais importante que há para resolver em Tomar, mas ainda assim – deu entrada (ainda que não fosse a melhor forma de o fazer) um requerimento para destituir a mesa da assembleia e particularmente o até aqui presidente, Miguel Relvas.
A questão é maior que o simples ditame dos artigos e números da Lei x ou do regulamento y, até porque, como já referi, e se tem comprovado continuadamente e em questões bem mais graves (como na ilegal aprovação do último pedido empréstimo, o PAEL, feito com base na mentira), a “lei” que interessa a Carlos Carrão é a que der jeito às suas vontades.

Na última assembleia, a oposição finalmente unida, disse basta e mostrou ao PSD o óbvio: se não querem aceitar a vontade da maioria, se não aceitam nenhuma opinião contrária, se tudo querem fazer à vossa maneira, então fiquem sozinhos a discutir!
Há na assembleia uma maioria que não se revê nas posições políticas, bem como nas ausências e falta de representação do órgão que a atuação pouco dignificante de Relvas tem provocado e, o essencial bom senso e a vontade de discutir e tentar resolver os maiores e mais importantes problemas deveria aceitar esse facto de forma natural e seguir em frente. Nesta como em qualquer assembleia, seja ela política, associativa ou do que quer que seja, é assim, a maioria decide.
Estou aliás perfeitamente convencido, que a larga maioria dos nabantinos também não reconhece nem quer ter Miguel Relvas como seu primeiro representante. E essa é a primeira e mais nobre função do Presidente de uma Assembleia Municipal.

Em Tomar o PSD não quer que assim seja e, tentando apenas protelar o que não tem retorno, com os seus conflitos próprios à mistura como ficou bem patente, envergonha todos os que têm vontade de fazer qualquer coisa por Tomar.
Percebemos todos essas dificuldades. Todos os efeitos da gestão ou falta dela que mancham a atuação da última década e meia e que se traduzem na realidade cinzenta que o concelho atravessa, confirmado com os dados estatísticos, por exemplo na fuga da população em particular dos mais jovens, na dívida do município, na obras inúteis e, traço geral, na pior qualidade de vida no concelho.
Mas também nos responsáveis que foram saindo deixando atrás de si este estado de coisas, de Paiva a Corvêlo, com o mandante Relvas e o permanente Carrão, que causam descrédito ao partido e desconforto, desde logo entre os próprios simpatizantes sociais democratas, além dos conflitos internos e divergências conhecidas.
Derrotaram Carrão e sempre afirmaram que este não seria o candidato, mas não só vai sê-lo como ao que consta será seguido pelo actual presidente de concelhia, seu até aqui adversário. Mas que grande flexibilidade de coluna que por ali vai… A realidade é como é, por mais que se tente mascará-la com diferentes cores. E os responsáveis têm rostos e nomes.

Mas tudo isto é mau para Tomar e para os tomarenses. O que Tomar precisa, e o exemplo deve vir em primeiro dos responsáveis políticos eleitos em nome de todos, é de se centrar nos consensos possíveis, de se focar nos principais (e grandes) problemas a resolver. Precisa que todos tenham a capacidade de se ouvir mutuamente, de se sentar e conversar, discutir, chegar a entendimentos, decidir e resolver. Inteligência, capacidade, vontade e bom senso.
A mim, o confronto apenas pelo confronto não me traz qualquer espécie de prazer. Enquanto se tratar quem tem ideias diferentes como inimigos a abater; enquanto se continuar a olhar para a política como se de um campeonato de futebol se tratasse, com claques inconscientes que apoiam ou condenam com base na cega fé; enquanto imperar a lógica de “o que é nosso é tudo bom, dos outros é tudo mau”, não sairemos deste ciclo e Tomar continuará a afundar-se.

E há tanto para resolver: emprego, comércio, revitalização do centro histórico, PDM, questões sociais; Flecheiro, Levada, Convento de Stª Iria, Mercado, apoio e coordenação estratégica do associativismo como motor de desenvolvimento económico e produção de eventos… Enfim, um elenco vário de reais problemas para os quais muito se fala mas nada se faz.
Não podemos estar sempre todos de acordo, não é possível e provavelmente, nem seria desejável. Mas é necessário que saibamos argumentar com responsabilidade mantendo a elevação e respeitabilidade das discussões, que saibamos distinguir o importante do acessório, que valorizemos quem de facto quer trabalhar com e para o bem comum.

A política e a gestão pública não pode ser uma mera e inconsequente feira de vaidades ou de egos inflamados, nem uma luta fratricida de meras siglas partidárias.
Saibamos todos, desde os eleitos e candidatos a sê-lo, bem como toda a restante comunidade, estar à altura dos desafios do nosso tempo no enfrentar consciente e responsável dos problemas presentes e na capaz construção de um futuro que, como aqueles que nos antecederam, nos permitam não só continuar a viver bem nesta terra, mas igualmente a nela ter orgulho.
Por Tomar e pelos tomarenses, das atitudes às ações, exige-se mudança.

sexta-feira, março 08, 2013

truca-truca

Natália Correia pintada por Bottelho (Carlos Botelho)
No dia da mulher (também ele um clichê), há clichês que se repetem todos os anos, como o relembrar de algumas figuras emblemáticas.

Nem tudo é mau. Natália Correia é um desses exemplos, que se não for noutros dias, ao menos seja lembrada neste, ela que política, poetisa, inteletual de primeira água, foi também destacada ativista pelos direitos das mulheres.

Da sua antologia que a tempos requisito à minha prateleira de poetas, retiro este seu poema tão célebre como o episódio em que foi criado e declamado.
Na Assembleia da República corria o ano de 1982, debatia-se (já então) a questão da IVG, quando um deputado do CDS, João Morgado, terá afirmado qualquer coisa como «o acto sexual serve apenas para fazer filhos».
Natália Correia respondeu-lhe na hora (a qualidade global dos parlamentares já conheceu melhores dias) com o "truca-truca":

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

quinta-feira, março 07, 2013

mitos e lugares comuns

Dez mandamentos do novo Evangelho Gnóstico por José Adelino Maltez:


1. Foram os judeus que mataram Cristo.
2. Foi a Carbonária que promoveu o regicídio.
3. Não foi a Maçonaria que assassinou Sidónio.
4. Foi a padralhada que provocou a Noite Santa Sangrenta.
5. Humberto Delgado foi morto pelo grupo de Argel.
6. Os maçons querem que o último papa seja enforcado nas tripas do último padre.
7. Os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço.
8. A desordem a que chegámos é produto de uma conspiração global provocada pelos neoliberais.
9. D. Sebastião morreu mesmo em Alcácer-Quibir.
10. Cavaco não chumbaria Gaspar na cadeira de Finanças Públicas.


Por vezes parece que a malta não percebe ironia, por isso sublinho, tudo isto acima é irónico.

terça-feira, março 05, 2013

Mudança!




A página ofical da candidatura socialista de Anabela Freitas à presidência da Câmara Municipal de Tomar em http://tomar2013.blogspot.pt/

E o grupo de apoio no facebook.

segunda-feira, março 04, 2013

cartoon









A jovem Mónica, criação do brasileiro Maurício Sousa, faz hoje 50 anos

Boa semana!

 (sim, ainda estou a recuperar da última Assembleia Municipal de Tomar, a qual não consigo bem denominar)









quinta-feira, fevereiro 28, 2013

"o tristonho dia de Tomar"

A minha nota de ontem na rádio Hertz, essencialmente sobre o dia de Tomar que amanhã, mais ou menos se comemora, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

«É na verdade apenas mais um espelho da mediocridade e da falta de ideias e capacidade de execução que tem liderado os destinos de Tomar. E sim, também espelho da falta de proatividade e capacidade crítica ativa da própria comunidade que há muito entrou num estado letárgico de alheamento para com quase tudo o que venha dos seus eleitos líderes.»

Hoje, não esquecer, reunião da Assembleia Municipal a partir das 15h. Com poucos assuntos de real interesse na Ordem de Trabalhos, mas com a destituição do presidente Miguel Relvas à vista.
E o provavelmente muita peixeirada até porque, como habitualmente se sabe ali muito de leis (e de as cumprir...), já estou a antecipar a confusão com requerimentos para cá e para lá...

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

day sleeper

Dizem uns estudos científicos que, divagar e sonhar acordado estímula a inteligência porque quem o faz treina e usa mais recursos do cérebro.

Eu sabia que havia boas razões para ser assim.
Apetecia-me dizer umas coisas aos meus pais, aos meus antigos professores, a umas amigas...




Bom dia, e bons sonhos! :)

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

eficácia...


A iniciativa é boa, até numa perspetiva da criação de eventos que contribuam para um cartaz continuado ao longo do ano, tendo aqui por base a cultura e a capacidade instalada no associativismo.

Mas, é quase sempre nos pormenores que mesmo as boas ideias falham. E entre outros começa logo no nome. Alguns conceitos básicos de marketing não fariam mal aos decisores políticos nabantinos (a responsabilidade nunca é dos técnicos mas sim de quem os chefia)... este nome é "pequenino", parece coisa organizada por uma aldeia ou uma associação de bairro, não fica no ouvido e podia ser igual a qualquer outra.
E já agora concelhia de onde? É que, lá está, pelo nome não se chega lá...

domingo, fevereiro 24, 2013

a noite de Hollywood

Está quase, café e snacks preparados, a cerimónia promete!
Ora, entre os nomeados que este ano já consegui ver, as minhas apostas em algumas categorias:

Argo - melhor filme
Steven Spielberg - melhor realizador
Daniel Day Lewis - melhor ator
Emmanuelle Riva - melhor atriz (mas com dúvidas)
Anne Hathaway - melhor atriz secundária
Christoph Waltz - melhor ator secundário (o Django é um grande filme!)
John Williams - melhor banda sonora
Adele - melhor canção

A Vida de Pi apesar de ser o segundo mais nomeado não deve ganhar nada de jeito, mas é um bom filme, e Ben Affleck (Argo) e Quentin Tarantino (Django) mereciam estar entre os nomeados a melhor realizador.


Mais em http://oscar.go.com/
Boa semana e bons filmes!

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

curtas

- A 14ª Mostra da Lampreia em Tomar começa este sábado e prolonga-se até dia 10 de Março nos restaurantes aderentes. Venha degustar ou provar algo diferente do dia-a-dia.

- Há pelo menos uma nabantina que é "aeromoça" da Ryanair, mas podem existir mais interessados, os tempos estão difíceis e sempre se faz umas viagens à borla. A empresa está à procura de mais portugueses para seus funcionários.

- O Mirante distingue hoje com os seus prémios de mérito, os nabantinos Quinta do Bill e Luís Ferreira (diretor artístico do Festival Bons Sons e atual Presidente do SCOCS).
Distinções mais que merecidas, entre tantas mais que o município de Tomar não é capaz de fazer.

- Um sintético e bom texto de Henrique Monteiro no Expresso, sobre grândolas, relvas, ditaduras e democracias... A ler, para refletir.

- O Estado do Mississipi nos EUA só agora aboliu oficialmente a escravatura. Ler n'O Público.
Em Portugal começa a existir cada vez mais, na prática e na Lei.




- A foto aqui do lado vai dedicada a algumas amigas que não gostam de me ver com barba por fazer. Há uma razão para tudo, dizem os crentes. :)

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

"grândola vila..."


Hoje, chegado a uma sala com uma turma para dar uma aula, não pudemos entrar porque algum aluno armado de equivalência a serralheiro tinha enfiado cola entretanto solidificada na fechadura. Uma moda recente, os alunos estão sempre a descobrir nóveis truques.
São enfim, coisas do dia-a-dia de uma escola um pouco maís atípica do que as outras. Ainda foram uns bons dez minutos até se resolver o problema e poder dar início à aula. Quebra logo um pouco o ritmo e cansa-nos mentalmente um bocadinho, mas por fim lá se diz o que se tem a dizer.

Bom mas, nada como ser ministro daqueles a que não deixam falar onde quer que vá, porque o mandam demitir-se e ir estudar, enquanto o apelidam de todo o tipo de nobres adjetivações, e o vão mantendo como ícone maior do anedotário nacional...

Algo também muito avisado e com hábito histórico para correr bem é quando políticos, como fez hoje o líder parlamentar do PSD, tentando defender o indefensável porque não aceite pela larga maioria dos cidadãos, compara as manifestações de jovens a grupos de extremismos políticos. Vai por aí que tens futuro...

terça-feira, fevereiro 19, 2013

políticas autárquicas em discussão


Amanhã. Não poderei estar presente por impossibilidade de me deslocar a Tomar, mas recomendo.

José Junqueiro é alguém que não só tem uma vasta experiência política (foi por exemplo, Secretário de Estado da Administração Local), como é também ele candidato a presidente de Câmara, no caso, de Viseu, o que lhe dá uma boa perspetiva dos problemas a enfrentar pelos autarcas nos tempos que virão depois de outubro próximo.

domingo, fevereiro 17, 2013

snapshoot de austeridade


A foto de Daniel Rodrigues, um jovem fotojornalista português desempregado, que até já vendeu o material fotográfico, premiada pelo World Press Photo.
O seu caso é mais uma crua imagem do país em que vamos vivendo, corre o ano de 2013.
Mais um jovem qualificado e talentoso, que provavelmente rumará a outras paragens.


Bom domingo.

sábado, fevereiro 16, 2013

Carnavais e outros folguedos

foto de O Templário
artigo publicado n'O Templário de 14 de fevereiro (embora já escrito há uns tempos)

A câmara rejeitou o apoio à organização do carnaval na cidade (tendo dos sete, apenas o vereador socialista Luís Ferreira votado favoravelmente, em acordo com aquela que é a posição do PS, coerentemente assumida há vários anos).
Enfim, a rejeição é uma decisão tão condenável como aceitável. Tudo depende da estratégia municipal para o desenvolvimento dos eventos com um cariz turístico e de contributo económico. A estratégia que em Tomar… não existe.

No PS há muito defendemos – e não é nada original, apenas perceber o que tem de ser feito se se quiser fazer bem, e observar e aprender com o que outros já fazem – que o concelho precisa de apostar num conjunto de eventos, continuados, diversificados, com qualidade, que mantenham um cartaz permanente ao longo do ano, que contribua para uma efetiva evolução do turismo enquanto potenciador de desenvolvimento económico, contribuindo para a criação de empregos e produção de riqueza.

Basta pensarmos num exemplo que nos é próximo em vários aspetos: dimensão, património histórico e natural, boa localização geográfica – Óbidos – e perceber o que era há pouco mais de uma década, e o que é hoje depois dessa estratégia bem delineada e coerente ter sido e continuar a ser aplicada.
Ali a estratégia prova-se bem sucedida. De uma vila quase só conhecida pela sua ginga, temos hoje um concelho com atividades diversificadas e já estabelecidas, identitárias, que promovem a fixação e desenvolvimento de outras atividades na área cultural e artística, e também na área desportiva, entre outras. O turismo e a cultura provaram-se capazes de criar emprego e riqueza porque ao contrário de Tomar não se limitaram a mandar uns bitaites. Pensaram, planearam, executaram. Investiram, produziram.
E para que conste, para que não me acusem de só usar exemplos socialistas, falamos aqui de um concelho dirigido pelo PSD. A questão aqui não é ideológica ou partidária, é de bom senso, capacidade e vontade de trabalhar. Tudo o que em Tomar tem faltado aos dirigentes políticos.
Em Tomar, fala-se, promete-se, mas saber e fazer… pouco!

Não podemos ficar-nos por um monumento mais ou menos visitado, e por um ou dois eventos anuais ou nem isso, como os Tabuleiros ou as Estátuas Vivas, que sim, são importantes como figura de cartaz e grande atratividade, mas que enchem a cidade em curtos dias, e de onde verdadeiramente se retira pouco mais.
Precisamos de mais eventos, mais pequenos, mas mais continuados. Que tragam menos pessoas de cada vez, mas mais vezes ao ano, que promovam o alojamento e os gastos na restauração, tendo assim verdadeira capacidade para serem sustentáveis.

Voltando ao ponto inicial, apesar da recusa no apoio, a entidade que pretende organizar o Carnaval vai avançar mesmo assim. E isso é muito importante. Tomar não tem sabido aproveitar a sua capacidade instalada: naturalmente os já abordados património histórico, cultural e natural, a sua localização geográfica, e também, o que muitos não têm, um importante movimento associativo que nas mais diferentes áreas muito produz, mas ao qual falta um olhar por cima, um olhar coordenador, um olhar estratégico.
E também por isso, temos instituições importantes, mas que raras vezes trabalham em conjunto ou com desenvolvimento de atividades comuns.
O desenvolvimento de atividades que resultem da iniciativa associativa ou comunitária é algo que não pode ser inventado, tem que existir para ser real. É o exemplo do carnaval da Linhaceira, que não depende de subsídios para se realizar e que tem esse enorme e importante cariz de envolvência da comunidade. O mesmo se passa com o Festival Bons Sons em Cem Soldos, um evento já de dimensão nacional e com qualidade reconhecida nos mais diversos fóruns.

Ao longo dos últimos anos faltou sempre esse acarinhar das instituições existentes, a capacidade de as envolver em objetivos comuns e maiores, de as envolver numa estratégia concelhia da qual sejam verdadeiros parceiros e executores. Ao invés, temos uma filosofia de subsídio mais ou menos indiscriminado, casuístico, em função apenas da dimensão maior ou menor das migalhas sobrantes do orçamento municipal. Uma espécie de subsídio caritativo institucional.
Não é isso que nos serve, e não é isso que nos permitirá o desenvolvimento tão propalado mas sempre vazio, do turismo enquanto real vetor estratégico do desenvolvimento económico e identitário do concelho.
Mas é o que temos, resta saber até quando. Não é apenas no turismo e nos eventos, é em praticamente tudo o resto. Fala-se, promete-se, fala-se de novo, promete-se mais… Mas estamos sempre na mesma. Ou pior.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

"No Estado, o absurdo não paga impostos?"

Não andei muito atento às notícias nos últimos dias, até porque andei offline e a net é cada vez mais a minha forma priveligiada de "ligação com o mundo", se bem que até me tinha já chegado qualquer coisa aos ouvidos, pensando ainda assim que fosse brincadeira de carnaval...

Então não é que os senhores do Governo mais as suas ideias estapafúrdias, agora querem multar os consumidores que não pedirem fartura?!!! Mas endoideceram de vez?!

Não só a ideia é totalmente absurda, e provavelmente ilegal, como me parece que vai ter o efeito contrário ao desejado. É que como este Governo há muito tempo está morto no que diz respeito à legitimidade democrática percetida e delegada pelos cidadãos, a vontade destes é precisamente fazer tudo ao contrário daquilo que o governo disser.
(É essa a diferença que alguns não querem entender entre legitimidade institucional e legitimidade democrática. A diferença entre ter real poder para agir ou estar apenas na posse de um poder ilusório - que ainda assim, acaba quase sempre por sê-lo).

Adiante. Eu nem sou grande fã de Francisco José Viegas que como político e comentador diz por vezes umas grandes barbaridades (e como escritor conheço pouco), mas sendo ele um ex-elemento do atual Governo, (e mesmo que alinhe na sua continuada estratégia pessoal de reganhar alguma simpatia do seu público, perdida depois dessa má experiência governativa, à qual teve ainda assim a decência de abandonar) parece-me o melhor para nos dizer como proceder em relação a esta ideia tonta.
No seu blogue publica dois textos seguidos sobre o assunto, o último com o mesmo título que aqui se usou (o primeiro intitulado "um monumental manguito para o Estado"), onde avisa o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que caso alguém o tente fiscalizar "à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel" para saber se pediu fatura, terá "de lhe pedir para ir tomar no cu".
Ora toma que já almoçaste!

Entretanto, notícia de última hora, e porque se fala tanto em "tomar", o presidente da Assembleia Municipal da dita, Miguel Relvas, recusa-se a comentar...

A propósito, sublinho que quem usa esta linguagem, excessiva quanto a mim, é um ex-secretário de Estado.
Já na conservadora e comatosa sociedade nabantina, há uns poucos que ficam muito ofendidos quando alguém usa linguagem um pouco mais forte.
Eu por exemplo, quando em tempos que parecem já longíquos me limitei a dizer o óbvio e mais que reconfirmado com o tempo, que a câmara de Tomar não o é, é uma cambada.
E repito as vezes que forem precisas até porque, dizê-lo assim ainda é ser simpático.

booty call


Feliz dia de consumo... oh! perdão, de são valentim. A economia agradece.
E uma rosa virtual para a MR, pela divertida sugestão.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

"Aqui"

Aqui, neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.

O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma - quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.

Fernando Pessoa


Não, não emigrei, não viajei, não coisa nenhuma, tive apenas uns saborosos dias offline, findados por um par de outros em condição que felizmente me tem sido rara: doente. Assim a ponto de que, mexer um braço era já uma olímpica contenda.
Mas pronto, já passou e como sempre, produtivamente, os meus raros dias de enfermo calham sempre em dias de não trabalho...
O poema não tem nada a ver? Talvez... mas então, toda a ocasião serve para ler boa poesia.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

curtas

A posição preferida de muitos nabantinos,
particularmente responsáveis  políticos, 
sobre a generalidade dos problemas
- «Biblioteca de Tomar já tem jornais mas são emprestados» pela Escola Secundária Jâcome Ratton, Tomar na rede.
Uma câmara que gasta milhares em desperdício, regalias, medidas casuísticas, mas depois precisa que lhe emprestem os jornais para a sua biblioteca municipal.
Se isto não é o cúmulo do ridículo e da vergonha...

- «Comércio em Mudança», lê-se no Tomar na rede, acerca de novos espaços comerciais na Praça da República, na rua de Coimbra, e na rua de S.João. E segundo julgo saber, também o Stª Iria reabrirá entretanto.
Enfim, nem tudo é mau. Para todos o melhor sucesso, Tomar bem precisa.

- «Câmara de Abrantes aposta na criação de hortas», lê-se n'O Templário.
Quantas vezes já propusémos isto? Mas em Tomar as doutas opiniões sociais democratas reinantes na câmara e na assembleia acham estas ideias risíveis. É o riso da ignorância e da falta de ideias próprias.

- «Deputados querem respostas do Governo sobre efeitos da crise na região. Deputados |socialistas| referem que Santarém, Tomar e Benavente são os concelhos onde o encerramento de empresas é mais preocupante.» Lê-se n'O Mirante
Que exagero, em Tomar pelo menos, todos sabemos que tudo vai pelo melhor. Pelo menos a acreditar na Câmara...

- Noticia-se na comunicação social que o grupo denominado IPT liderado por Pedro Marques apresentou alguns candidatos, entre os quais para a junta de freguesia de Santa Maria dos Olivais e para São João Batista. Tudo bem mas, estando essas freguesias já agregadas, o que é que me está aqui a falhar?

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

o povo é quem mais ordena

- Cada vez são mais...
«Presidente da Câmara de Bragança julgado por abuso de poder», lê-se na RTP.
«Presidente da Câmara de Salvaterra de Magos acusada pelo Ministério Público de falsificação de documentos», lê-se n'O Mirante.

Mais o caso do agora demitido Paulo Júlio, pelas prevaricações enquanto Presidente da Câmara de Penela, e tantos outros por esse país. (Lembremos a perda de mandato de Macário, ou que lá vai por Mafra, por exemplo...)
E a tendência é para aumentar, não porque os casos sejam mais, estou convencido que não, mas porque a fiscalização e a justiça estão a apertar e finalmente a atuar a sério.

em Tomar, há tanto por onde pegar. O nosso maior escândalo, comparável à escala autárquica com a mega fraude do BPN e muitos dos contornos ilícitos que começam a ser aflorados (vejam a reportagem da SIC), com moldes muito parecidos entre a empresa e figuras políticas comuns em várias autarquias, falo do Parque T, está bem elencado no Tomar a dianteira.
Como é possível que, contra a vontade de todos e contra o simples bom senso, capítulo a capítulo, asneira atrás de asneira, o PSD nabantino tenha permitido tamanha dimensão de danosa gestão?!
E há, seguramente, muito ali a descobrir.

Mas em Tomar a questão começa em coisas aparentemente bem mais simples. Ainda em Dezembro último se provou na Assembleia Municipal que o presidente de Câmara, além das demais ilegalidades, mentiu descaradamente à AM, à comunicação social e aos tomarenses, ao ter afirmado antes que tinha um parecer jurídico que lhe permitia candidatar o município ao PAEL, parecer que evidentemente e como se provou, não tinha. Chamei-lhe várias vezes nessa reunião, olhos nos olhos, aquilo que se provou ser: mentiroso.
Ninguém achou sequer estranho ou anormal...
Noutros locais ou com outros protagonistas seria manchete de primeira página, mas em Tomar e no que toca à imprensa, que me tenha apercebido, não houve sequer uma linha em letra miudinha na página mais escondida de um jornal.

Será tão normal que um presidente de câmara minta, que já não lhe ligamos nenhuma?
Estamos assim tão alienados?
É a terra onde vivemos. Somos como somos. E depois queixamo-nos...

Ainda assim, é deste género de autarcas que as populações parecem gostar. Basta lembrar casos como Isaltino ou Valentim, mais que evidentes e afastados pelo próprio partido, e ainda assim, concorrendo como independentes e eleitos novamente.
Os cidadãos queixam-se da justiça e dos partidos, mas quando estes tomam decisões, o que fazem? Desautorizam as instituições e aprovam os prevaricadores.

E depois é muito fácil dizer em jeito de desculpabilização própria que os políticos são todos iguais. Pois... os não políticos (se tal existisse) também devem ser.

domingo, fevereiro 03, 2013

na gramática e no país

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Mais uma das deliciosas crónicas de RAP na última página da Visão, que para mim é sempre a primeira. Esta semana, mais uma dedicada a Miguel Relvas.


Porque faz sol, e está tudo bem em Tomar (a bem dizer este fim de semana fiquei pela capital, mas Tomar está sempre na mesma: em percurso descendente), no país e no mundo, façam o favor de ter um bom domingo, que seja "bem visto e ouvisto".

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

«ai aguenta, aguenta»



«Portugal está no bom caminho»
Pedro Passos Coelho, Primeiro-ministro, 1 de Fevereiro de 2013


Entre este e o do "se os sem abrigo aguentam, porque não aguentam os outros?!", venha o diabo e escolha.

a troika ao jeito


«Portugal cortou em Saúde o dobro do exigido pela troika», lê-se no site da RTP, dados da OCDE.

Grande novidade, os mais atentos e não partidária ou ideologicamente alinhados com este governo, bem sabem que a troika e a crise são apenas bem convenientes desculpas para a receita totalmente ideológica que está a ser aplicada no nosso país.

Na educação então, estamos a assistir a um desastre que se não for rapidamente alterado, só daqui a uma década começaremos a ver e sentir as consequências profundas.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

"sem emprego"



A minha crónica de ontem na Hertz sobre o tema em epígrafe pode lá ser ouvida, e lida no esquerdo capítulo.

«a grande missão dos autarcas municipais nos próximos anos será a capacidade de potenciar o emprego nos seus concelhos.
Este é efetivamente o novo e obrigatório paradigma da gestão municipal. O tempo das obras vistosas e das rotundas passou, agora é o tempo dos autarcas que ao invés de betão edificam pessoas

terça-feira, janeiro 29, 2013

curtas

- «A Câmara de Abrantes vai arrendar espaços nas coberturas de infra-estruturas municipais para a implementação de unidades de mini produção de eletricidade solar fotovoltaica, até uma potência máxima de 20 KW.» lê-se n'O Templário.
Em Tomar, hum... bom, penso que a câmara já ouviu falar de energias renováveis.
Pelo menos eu e outros já abordámos o tema algumas vezes em Assembleia Municipal, mas é falar para surdos sem vontade de o deixar de ser.

- "O município de Oleiros, conjuntamente com os outros quatro municípios que constituem o Pinhal Interior Sul (Mação, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei) e integram a Associação de Desenvolvimento Pinhal Maior, vai fazer-se representar, de 30 de janeiro a 3 de fevereiro, em Madrid, numa das maiores Feiras Internacionais de Turismo: a FITUR 2013". lê-se na Hertz.
Tomar também está no eixo de influência e possível benefício da grande área de Madrid e devia fazer este tipo de ações. Mas era preciso desde logo saber... promover o quê?
Em Tomar, trabalhar estrategicamente o turismo como factor de desenvolvimento é uma miragem.
Lembram-se da polémica estúpida, quando o vereador socialista Luís Ferreira no curto período em que teve responsabilidade sobre o turismo, levou a promoção dos Tabuleiros a Vigo?
Em Tomar não se sabe para onde se quer ir e por isso é para o lado em que estiver o vento. Como normalmente vento não há, não se vai para lado nenhum.

- «Câmara Braga desafiada a candidatar Semana Santa a Património Imaterial da Humanidade», lê-se no site da RTP.
Outro assunto do qual já me cansei de falar. Em Tomar, Festas dos Tabuleiros, conversa, conversa, conversa...

- Tudo sobre as autárquicas 2013 no site com o mesmo nome.
Lá estão, entre mais, informações sobre os candidatos a presidente de câmara em Tomar já oficiais Anabela Freitas (PS) e Carlos Carrão (PSD). Lá está também Ivo Santos (CDS), mas parece-me que há um erro qualquer, ou o CDS não vai coligado?...

segunda-feira, janeiro 28, 2013

hardcore

Estava eu para glosar o "óscar" para a Érica Fontes (óscar é como quem diz, o prémio XBIZ para a melhor atriz pornográfica do ano) quando vejo que o Luís Ferreira já abordou o assunto no seu blogue.
Pertinente a abordagem, mas quanto a mim o vereador não apanhou todos os ângulos da notícia.
A mim, parece-me que este prémio para a Érica é também prova do sucesso da política de emigração do governo de Passos e Relvas. - "Emigrai jovens, fazei a outros lá fora o que vos fazemos cá dentro!"...
Conciliando isto com a notícia que o Leonardo Jardim, que estava a treinar o Olimpiakos liderando o campeonato grego com 10 pontos de avanço, foi despedido porque andava a dar treinos particulares à mulher do presidente, está visto qual o grande desígnio dos portugueses para o séc.21!

Continuando a falar em pornografia... Paulo Júlio demitiu-se das funções de secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa em resultado da acusação pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em concreto por ter, alegadamente, favorecido um primo num concurso para chefe de divisão no município de Penela onde era Presidente de Câmara.
Ora, lembram-se quem é este senhor? Ainda há dias falei nele, é o senhor que autorizou ilegalmente o pedido de empréstimo da câmara municipal de Tomar, ilegal porque reprovado pela assembleia municipal.
É o costume, a malta que julga que é dono e senhor das instituições e que a lei só se aplica aos outros. No governo e nas autarquias ainda há muito disso. E em Tomar então!...
Mas acaba, e mais tarde ou mais cedo as responsabilidades apuram-se.

A este caso acrescem outros contornos, nem podia deixar de ser. Leia-se este trecho para se perceber como isto gira sempre em torno dos mesmos protagonistas e dos seus métodos:
«A participação formal ao Ministério Público foi feita pela IGAL em Julho de 2011, poucas semanas depois de Paulo Júlio ter integrado a equipa do ministro Miguel Relvas, assumido a pasta de secretário de Estado da Administração Local. A IGAL era então liderada pelo juiz desembargador Orlando Nascimento. Dois meses depois, o gabinete de Miguel Relvas emitia uma nota determinando a cessação de funções do inspector-geral alegando "quebra de lealdade institucional".» no Público.

domingo, janeiro 27, 2013

templos

Sara, Lea, Rebeca e Raquel,
as quatro colunas dos templos judaicos.
Aqui, a sinagoga de Tomar.
Sim, bem sei que hoje se comemora a chegada das tropas russas a Auschwitz, mas como já falei nisso por aqui várias vezes, prefiro destacar que também hoje, comemora 75 anos a maior sinagoga da península Ibérica, a sinagoga do Porto.

Mas a mais antiga sinagoga portuguesa* ainda existente, também sede do Museu Hebraico Abrãao Zacuto (importante figura da história hebraica, e que viveu em Portugal nos tempos do Infante D. Henrique) sabe onde fica?
Já a visitou?



*Pronto, eu não tenho a certeza se é mesmo a mais antiga, mas é o que habitualmente dizemos, e não conheço nenhuma anterior. Se estiver errado corrijam-me.
É, pelo menos, a única existente deste importante período da história portuguesa, o séc.XV.

o colosso


A 27 de janeiro de 1751 nascia o pianista, o compositor, o maestro, o ativista (à sua época), o maçon, o génio, Wolfgang Amadeus Mozart.

Esta semana por duas vezes, o coro e orquestra da Gulbenkian proporcionaram a rara possibilidade de assistir ao vivo em Portugal ao seu Requiem - uma das obras mais notáveis da Humanidade.
Infelizmente quando me apercebi, mesmo com os meus contactos naquela casa, já era tarde para arranjar bilhetes, uma vez que tão raro e brilhante acontecimento rapidamente esgotou.
Espero que a Gulbenkian repita o evento e enquanto isso, aqui o deixo para quem não conheça, executado pela Filarmónica e Coro de Viena, dirigido pelas mãos sábias do já falecido Herbert von Karajan.

Apreciem que vale a pena. Os que acham que não gostam de música clássica (que neste caso é mesmo do período denominado clássico) experimentem. Vão ver que não só não dói, como sabe bem. Ponham bem alto e fechem os olhos.

Resto de bom domingo!

quarta-feira, janeiro 23, 2013

(des)aparições




Há dias foi noticiado que um funcionário público português recebeu salário durante 20 anos sem nunca ter posto pé no local de trabalho e alguém tenha perguntado onde andava.

Hoje soube-se que um organismo inexistente da administração pública teve um diretor nomeado durante ano e meio a dirigir... nada nem ninguém.

E também hoje se soube que, o espanhol co-autor do recente e polémico relatório pedido pelo nosso governo ao FMI tinha uma segunda identidade, a qual ele mesmo chegou a contratar para produzir trabalhos para a instituição que dirigia....

E depois não acreditam em fantasmas!!!!

terça-feira, janeiro 22, 2013

a Lei e a lei ao jeito

foto do Público
Paulo Júlio, atual secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, foi acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em circunstância que remonta ao tempo em que era presidente da câmara de Penela. (no Público)

Entre mais, a notícia releva porque foi este senhor quem autorizou recentemente o empréstimo aprovado ilegalmente pelo município de Tomar, e em cuja palavra o presidente da câmara nabantina tanto confia que até a "confunde" com um parecer jurídico.

Chamo a atenção de quem na câmara e assembleia nabantina continua a aprovar de cruz e de cor, e a ignorar que o tempo do regabofe vai terminando, e que as leis mais tarde ou mais cedo fazem-se cumprir.

A notícia deve ser lida, até para se perceber que em todas estas matérias, de uma forma ou de outra, lá se sente a santa mão do senhor....
Do sr dr Relvas, claro.