terça-feira, abril 02, 2013

«Associar»


A minha "nota do dia" a 27 de março de 2013 na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode por lá ainda ser ouvida, ou lida no esquerdo capítulo.


«A cultura tem, nas suas mais diversas formas de manifestação – das artes dramáticas, à música, das artes plásticas, à literatura, entre tantas mais que a criatividade e multiplicidade humana entretanto criou – precisamente esse propósito e essa mais valia de nos fazer pensar, reflectir, criticar, duvidar, conhecer, viajar, divertir, e tanto mais, com a simples contemplação de uma obra de arte ou de uma performance artística.»

segunda-feira, abril 01, 2013

intemporalidades


Mário Viegas
(10 de Novembro de 1948 — 1 de Abril de 1996)

«Imprensa local: o futuro hoje.»


Texto solicitado pelo jornal Cidade de Tomar, publicado na edição de 22 de março.

Toda a comunicação social, nacional ou mundial, atravessa profundas mudanças provocadas pelas circunstâncias da crise que se reflete na redução do consumo e mais na quebra dos anunciantes (que verdadeiramente são quem paga os custos das publicações), além disso dispersos por um maior número de suportes informativos.
Esses novos suportes tecnológicos e a rapidez que estes imprimem à transmissão de informação, atraem todos os dias novos utilizadores que os consomem ainda em simultâneo e num crescendo gradual, em exclusivo.

Ainda assim a imprensa local tenderá, na perspetiva do leitor, a resistir um pouco mais à supremacia da internet, uma vez que boa parte dos leitores terá uma idade mais avançada, alguma aversão às novas tecnologias, e um apego maior ao suporte em papel.
Mas a evolução está a acontecer. Eu, que já não sou assim tão jovem, sou diário frequentador da comunicação social online, e apesar de continuar a ler a versão impressa dos dois jornais locais, faço-o, confesso, quase apenas por uma auto submetida obrigação de cidadania de quem quer estar informado e a par do que acontece e é dito.
Obrigada pela voraz evolução dos tempos, a imprensa terá que saber conjugar muito bem a sua atividade com os suportes de internet que serão cada vez mais o canal principal, e adequar aquilo que relega para o papel.
O papel tem apesar de tudo um outro, charme, chamemos-lhe assim. Como o livro, o ato de folhear e ler um jornal parece-nos mais afetuoso, desde que seja objeto interessante nos seus mais diversos aspetos.

Como é coloquialmente costume dizer-se, os olhos também comem, e por isso o primeiro aspeto é o da imagem. O design do jornal e tudo o que isso envolve, do layout às imagens, do tipo de letra à organização dos conteúdos, deve ser apelativo e bem cuidado. Um mau exemplo entre outros, é aquela tentação que os jornais locais têm por vezes de, pela limitação do espaço e do custo de impressão, “atafulhar” conteúdos.
Sobre o conteúdo propriamente dito não é preciso quanto a mim inventar muito, apenas apostar bem nas fórmulas conhecidas: sempre centrado nas questões locais, algumas notícias da atualidade; uma secção de notícias breves, pouco mais que o elencar de alguns assuntos ocorridos; uma ou outra reportagem mais desenvolvida; um conjunto de cronistas regulares que escrevam bem e sobre assuntos que os leitores desejem, criando fidelização; e, não menos importante, ter uma boa e inteligente secção humorística que verse sobre a atualidade.
E no fim, talvez o mais difícil, com um jornal atrativo, convencer os anunciantes de que a publicidade (que deve obedecer às mesmas regras de atratividade) compensa trazendo retorno.
De algo não tenho dúvidas, uma imprensa local proeminente continua a ser necessária para a identidade e consciência crítica de uma comunidade, e instrumento para avaliar do seu maior ou menor dinamismo.

Pelo 78º aniversário do Cidade de Tomar, os merecidos votos de Parabéns e os maiores desejos de bom e enérgico trabalho para enfrentar as dificuldades presentes. O Cidade de Tomar faz parte da história da comunidade nabantina e continua a ser nela importante.

segunda-feira, março 18, 2013

a cura



Porque há doenças que por muito que durem, são o tempero destes dias que separam dois essenciais: o de nascimento e o da morte. (Algo mais que "nascimento, cópula, morte" na conceção de vida de T.S.Eliot).

Boa semana a todos vós que navegais nas marés por vezes intempestuosas da internet.

sexta-feira, março 15, 2013

ouvir a "sociedade civil"


Amanhã.
Um debate certamente enriquecedor com um docente do IPT e entusiasta do voluntariado, um importantíssimo dirigente associativo e dinamizador cultural, e a empresária e presidente do Nersant. Em cima da mesa os seus contributos pessoais e a sua visão daquelas que devem ser as políticas autárquicas para o futuro.

quinta-feira, março 14, 2013

«A má educação»

A minha crónica de ontem na rádio Hertz pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.
Desta vez sobre o caminho que leva a educação em Portugal. Nem a propósito, a capa do Pasquim da Manhã de hoje, sempre a fazer o serviço aos governos de direita, como se as decisões que este toma não fossem responsabilidade e ideologia sua.

«Das alterações curriculares, à enorme diminuição de professores e outros técnicos bem como uma outra série de recursos, estão a fazer regressar a escola ao tempo em que só os mais favorecidos terão reais condições de poder ter uma escolaridade enriquecedora e capacitante para os futuros cidadãos e profissionais que agora se preparam. Estamos a voltar a uma sociedade de classes que, a par com outras condicionantes da sociedade, se intensificam na escola que deveria ser a base para a construção individual e coletiva de qualquer país.»

segunda-feira, março 11, 2013

Vergonha!


Publicado no jornal Cidade de Tomade 8 de março.
Entretanto, esta sexta pelas 17h, nova reunião da Assembleia Municipal de Tomar...

Já algumas vezes manifestei que sinto em momentos vergonha por ser autarca em Tomar. No último dia de Fevereiro, na reunião da Assembleia Municipal, foi mais um desses momentos.
O PSD nabantino e os seus principais dirigentes, agora encabeçados por Carlos Carrão, convivem mal com a democracia, e estão habituados a contornar, senão mesmo ignorar as Leis e regras da forma que melhor servir os seus intentos, e não aceitam que possam existir ideias, opiniões ou vontades diferentes e que essas possam ter supremacia sobre as suas.

Na última assembleia – e registe-se, esta não é de todo a questão mais importante que há para resolver em Tomar, mas ainda assim – deu entrada (ainda que não fosse a melhor forma de o fazer) um requerimento para destituir a mesa da assembleia e particularmente o até aqui presidente, Miguel Relvas.
A questão é maior que o simples ditame dos artigos e números da Lei x ou do regulamento y, até porque, como já referi, e se tem comprovado continuadamente e em questões bem mais graves (como na ilegal aprovação do último pedido empréstimo, o PAEL, feito com base na mentira), a “lei” que interessa a Carlos Carrão é a que der jeito às suas vontades.

Na última assembleia, a oposição finalmente unida, disse basta e mostrou ao PSD o óbvio: se não querem aceitar a vontade da maioria, se não aceitam nenhuma opinião contrária, se tudo querem fazer à vossa maneira, então fiquem sozinhos a discutir!
Há na assembleia uma maioria que não se revê nas posições políticas, bem como nas ausências e falta de representação do órgão que a atuação pouco dignificante de Relvas tem provocado e, o essencial bom senso e a vontade de discutir e tentar resolver os maiores e mais importantes problemas deveria aceitar esse facto de forma natural e seguir em frente. Nesta como em qualquer assembleia, seja ela política, associativa ou do que quer que seja, é assim, a maioria decide.
Estou aliás perfeitamente convencido, que a larga maioria dos nabantinos também não reconhece nem quer ter Miguel Relvas como seu primeiro representante. E essa é a primeira e mais nobre função do Presidente de uma Assembleia Municipal.

Em Tomar o PSD não quer que assim seja e, tentando apenas protelar o que não tem retorno, com os seus conflitos próprios à mistura como ficou bem patente, envergonha todos os que têm vontade de fazer qualquer coisa por Tomar.
Percebemos todos essas dificuldades. Todos os efeitos da gestão ou falta dela que mancham a atuação da última década e meia e que se traduzem na realidade cinzenta que o concelho atravessa, confirmado com os dados estatísticos, por exemplo na fuga da população em particular dos mais jovens, na dívida do município, na obras inúteis e, traço geral, na pior qualidade de vida no concelho.
Mas também nos responsáveis que foram saindo deixando atrás de si este estado de coisas, de Paiva a Corvêlo, com o mandante Relvas e o permanente Carrão, que causam descrédito ao partido e desconforto, desde logo entre os próprios simpatizantes sociais democratas, além dos conflitos internos e divergências conhecidas.
Derrotaram Carrão e sempre afirmaram que este não seria o candidato, mas não só vai sê-lo como ao que consta será seguido pelo actual presidente de concelhia, seu até aqui adversário. Mas que grande flexibilidade de coluna que por ali vai… A realidade é como é, por mais que se tente mascará-la com diferentes cores. E os responsáveis têm rostos e nomes.

Mas tudo isto é mau para Tomar e para os tomarenses. O que Tomar precisa, e o exemplo deve vir em primeiro dos responsáveis políticos eleitos em nome de todos, é de se centrar nos consensos possíveis, de se focar nos principais (e grandes) problemas a resolver. Precisa que todos tenham a capacidade de se ouvir mutuamente, de se sentar e conversar, discutir, chegar a entendimentos, decidir e resolver. Inteligência, capacidade, vontade e bom senso.
A mim, o confronto apenas pelo confronto não me traz qualquer espécie de prazer. Enquanto se tratar quem tem ideias diferentes como inimigos a abater; enquanto se continuar a olhar para a política como se de um campeonato de futebol se tratasse, com claques inconscientes que apoiam ou condenam com base na cega fé; enquanto imperar a lógica de “o que é nosso é tudo bom, dos outros é tudo mau”, não sairemos deste ciclo e Tomar continuará a afundar-se.

E há tanto para resolver: emprego, comércio, revitalização do centro histórico, PDM, questões sociais; Flecheiro, Levada, Convento de Stª Iria, Mercado, apoio e coordenação estratégica do associativismo como motor de desenvolvimento económico e produção de eventos… Enfim, um elenco vário de reais problemas para os quais muito se fala mas nada se faz.
Não podemos estar sempre todos de acordo, não é possível e provavelmente, nem seria desejável. Mas é necessário que saibamos argumentar com responsabilidade mantendo a elevação e respeitabilidade das discussões, que saibamos distinguir o importante do acessório, que valorizemos quem de facto quer trabalhar com e para o bem comum.

A política e a gestão pública não pode ser uma mera e inconsequente feira de vaidades ou de egos inflamados, nem uma luta fratricida de meras siglas partidárias.
Saibamos todos, desde os eleitos e candidatos a sê-lo, bem como toda a restante comunidade, estar à altura dos desafios do nosso tempo no enfrentar consciente e responsável dos problemas presentes e na capaz construção de um futuro que, como aqueles que nos antecederam, nos permitam não só continuar a viver bem nesta terra, mas igualmente a nela ter orgulho.
Por Tomar e pelos tomarenses, das atitudes às ações, exige-se mudança.

sexta-feira, março 08, 2013

truca-truca

Natália Correia pintada por Bottelho (Carlos Botelho)
No dia da mulher (também ele um clichê), há clichês que se repetem todos os anos, como o relembrar de algumas figuras emblemáticas.

Nem tudo é mau. Natália Correia é um desses exemplos, que se não for noutros dias, ao menos seja lembrada neste, ela que política, poetisa, inteletual de primeira água, foi também destacada ativista pelos direitos das mulheres.

Da sua antologia que a tempos requisito à minha prateleira de poetas, retiro este seu poema tão célebre como o episódio em que foi criado e declamado.
Na Assembleia da República corria o ano de 1982, debatia-se (já então) a questão da IVG, quando um deputado do CDS, João Morgado, terá afirmado qualquer coisa como «o acto sexual serve apenas para fazer filhos».
Natália Correia respondeu-lhe na hora (a qualidade global dos parlamentares já conheceu melhores dias) com o "truca-truca":

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

quinta-feira, março 07, 2013

mitos e lugares comuns

Dez mandamentos do novo Evangelho Gnóstico por José Adelino Maltez:


1. Foram os judeus que mataram Cristo.
2. Foi a Carbonária que promoveu o regicídio.
3. Não foi a Maçonaria que assassinou Sidónio.
4. Foi a padralhada que provocou a Noite Santa Sangrenta.
5. Humberto Delgado foi morto pelo grupo de Argel.
6. Os maçons querem que o último papa seja enforcado nas tripas do último padre.
7. Os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço.
8. A desordem a que chegámos é produto de uma conspiração global provocada pelos neoliberais.
9. D. Sebastião morreu mesmo em Alcácer-Quibir.
10. Cavaco não chumbaria Gaspar na cadeira de Finanças Públicas.


Por vezes parece que a malta não percebe ironia, por isso sublinho, tudo isto acima é irónico.

terça-feira, março 05, 2013

Mudança!




A página ofical da candidatura socialista de Anabela Freitas à presidência da Câmara Municipal de Tomar em http://tomar2013.blogspot.pt/

E o grupo de apoio no facebook.

segunda-feira, março 04, 2013

cartoon









A jovem Mónica, criação do brasileiro Maurício Sousa, faz hoje 50 anos

Boa semana!

 (sim, ainda estou a recuperar da última Assembleia Municipal de Tomar, a qual não consigo bem denominar)









quinta-feira, fevereiro 28, 2013

"o tristonho dia de Tomar"

A minha nota de ontem na rádio Hertz, essencialmente sobre o dia de Tomar que amanhã, mais ou menos se comemora, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

«É na verdade apenas mais um espelho da mediocridade e da falta de ideias e capacidade de execução que tem liderado os destinos de Tomar. E sim, também espelho da falta de proatividade e capacidade crítica ativa da própria comunidade que há muito entrou num estado letárgico de alheamento para com quase tudo o que venha dos seus eleitos líderes.»

Hoje, não esquecer, reunião da Assembleia Municipal a partir das 15h. Com poucos assuntos de real interesse na Ordem de Trabalhos, mas com a destituição do presidente Miguel Relvas à vista.
E o provavelmente muita peixeirada até porque, como habitualmente se sabe ali muito de leis (e de as cumprir...), já estou a antecipar a confusão com requerimentos para cá e para lá...

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

day sleeper

Dizem uns estudos científicos que, divagar e sonhar acordado estímula a inteligência porque quem o faz treina e usa mais recursos do cérebro.

Eu sabia que havia boas razões para ser assim.
Apetecia-me dizer umas coisas aos meus pais, aos meus antigos professores, a umas amigas...




Bom dia, e bons sonhos! :)

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

eficácia...


A iniciativa é boa, até numa perspetiva da criação de eventos que contribuam para um cartaz continuado ao longo do ano, tendo aqui por base a cultura e a capacidade instalada no associativismo.

Mas, é quase sempre nos pormenores que mesmo as boas ideias falham. E entre outros começa logo no nome. Alguns conceitos básicos de marketing não fariam mal aos decisores políticos nabantinos (a responsabilidade nunca é dos técnicos mas sim de quem os chefia)... este nome é "pequenino", parece coisa organizada por uma aldeia ou uma associação de bairro, não fica no ouvido e podia ser igual a qualquer outra.
E já agora concelhia de onde? É que, lá está, pelo nome não se chega lá...

domingo, fevereiro 24, 2013

a noite de Hollywood

Está quase, café e snacks preparados, a cerimónia promete!
Ora, entre os nomeados que este ano já consegui ver, as minhas apostas em algumas categorias:

Argo - melhor filme
Steven Spielberg - melhor realizador
Daniel Day Lewis - melhor ator
Emmanuelle Riva - melhor atriz (mas com dúvidas)
Anne Hathaway - melhor atriz secundária
Christoph Waltz - melhor ator secundário (o Django é um grande filme!)
John Williams - melhor banda sonora
Adele - melhor canção

A Vida de Pi apesar de ser o segundo mais nomeado não deve ganhar nada de jeito, mas é um bom filme, e Ben Affleck (Argo) e Quentin Tarantino (Django) mereciam estar entre os nomeados a melhor realizador.


Mais em http://oscar.go.com/
Boa semana e bons filmes!

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

curtas

- A 14ª Mostra da Lampreia em Tomar começa este sábado e prolonga-se até dia 10 de Março nos restaurantes aderentes. Venha degustar ou provar algo diferente do dia-a-dia.

- Há pelo menos uma nabantina que é "aeromoça" da Ryanair, mas podem existir mais interessados, os tempos estão difíceis e sempre se faz umas viagens à borla. A empresa está à procura de mais portugueses para seus funcionários.

- O Mirante distingue hoje com os seus prémios de mérito, os nabantinos Quinta do Bill e Luís Ferreira (diretor artístico do Festival Bons Sons e atual Presidente do SCOCS).
Distinções mais que merecidas, entre tantas mais que o município de Tomar não é capaz de fazer.

- Um sintético e bom texto de Henrique Monteiro no Expresso, sobre grândolas, relvas, ditaduras e democracias... A ler, para refletir.

- O Estado do Mississipi nos EUA só agora aboliu oficialmente a escravatura. Ler n'O Público.
Em Portugal começa a existir cada vez mais, na prática e na Lei.




- A foto aqui do lado vai dedicada a algumas amigas que não gostam de me ver com barba por fazer. Há uma razão para tudo, dizem os crentes. :)

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

"grândola vila..."


Hoje, chegado a uma sala com uma turma para dar uma aula, não pudemos entrar porque algum aluno armado de equivalência a serralheiro tinha enfiado cola entretanto solidificada na fechadura. Uma moda recente, os alunos estão sempre a descobrir nóveis truques.
São enfim, coisas do dia-a-dia de uma escola um pouco maís atípica do que as outras. Ainda foram uns bons dez minutos até se resolver o problema e poder dar início à aula. Quebra logo um pouco o ritmo e cansa-nos mentalmente um bocadinho, mas por fim lá se diz o que se tem a dizer.

Bom mas, nada como ser ministro daqueles a que não deixam falar onde quer que vá, porque o mandam demitir-se e ir estudar, enquanto o apelidam de todo o tipo de nobres adjetivações, e o vão mantendo como ícone maior do anedotário nacional...

Algo também muito avisado e com hábito histórico para correr bem é quando políticos, como fez hoje o líder parlamentar do PSD, tentando defender o indefensável porque não aceite pela larga maioria dos cidadãos, compara as manifestações de jovens a grupos de extremismos políticos. Vai por aí que tens futuro...

terça-feira, fevereiro 19, 2013

políticas autárquicas em discussão


Amanhã. Não poderei estar presente por impossibilidade de me deslocar a Tomar, mas recomendo.

José Junqueiro é alguém que não só tem uma vasta experiência política (foi por exemplo, Secretário de Estado da Administração Local), como é também ele candidato a presidente de Câmara, no caso, de Viseu, o que lhe dá uma boa perspetiva dos problemas a enfrentar pelos autarcas nos tempos que virão depois de outubro próximo.

domingo, fevereiro 17, 2013

snapshoot de austeridade


A foto de Daniel Rodrigues, um jovem fotojornalista português desempregado, que até já vendeu o material fotográfico, premiada pelo World Press Photo.
O seu caso é mais uma crua imagem do país em que vamos vivendo, corre o ano de 2013.
Mais um jovem qualificado e talentoso, que provavelmente rumará a outras paragens.


Bom domingo.

sábado, fevereiro 16, 2013

Carnavais e outros folguedos

foto de O Templário
artigo publicado n'O Templário de 14 de fevereiro (embora já escrito há uns tempos)

A câmara rejeitou o apoio à organização do carnaval na cidade (tendo dos sete, apenas o vereador socialista Luís Ferreira votado favoravelmente, em acordo com aquela que é a posição do PS, coerentemente assumida há vários anos).
Enfim, a rejeição é uma decisão tão condenável como aceitável. Tudo depende da estratégia municipal para o desenvolvimento dos eventos com um cariz turístico e de contributo económico. A estratégia que em Tomar… não existe.

No PS há muito defendemos – e não é nada original, apenas perceber o que tem de ser feito se se quiser fazer bem, e observar e aprender com o que outros já fazem – que o concelho precisa de apostar num conjunto de eventos, continuados, diversificados, com qualidade, que mantenham um cartaz permanente ao longo do ano, que contribua para uma efetiva evolução do turismo enquanto potenciador de desenvolvimento económico, contribuindo para a criação de empregos e produção de riqueza.

Basta pensarmos num exemplo que nos é próximo em vários aspetos: dimensão, património histórico e natural, boa localização geográfica – Óbidos – e perceber o que era há pouco mais de uma década, e o que é hoje depois dessa estratégia bem delineada e coerente ter sido e continuar a ser aplicada.
Ali a estratégia prova-se bem sucedida. De uma vila quase só conhecida pela sua ginga, temos hoje um concelho com atividades diversificadas e já estabelecidas, identitárias, que promovem a fixação e desenvolvimento de outras atividades na área cultural e artística, e também na área desportiva, entre outras. O turismo e a cultura provaram-se capazes de criar emprego e riqueza porque ao contrário de Tomar não se limitaram a mandar uns bitaites. Pensaram, planearam, executaram. Investiram, produziram.
E para que conste, para que não me acusem de só usar exemplos socialistas, falamos aqui de um concelho dirigido pelo PSD. A questão aqui não é ideológica ou partidária, é de bom senso, capacidade e vontade de trabalhar. Tudo o que em Tomar tem faltado aos dirigentes políticos.
Em Tomar, fala-se, promete-se, mas saber e fazer… pouco!

Não podemos ficar-nos por um monumento mais ou menos visitado, e por um ou dois eventos anuais ou nem isso, como os Tabuleiros ou as Estátuas Vivas, que sim, são importantes como figura de cartaz e grande atratividade, mas que enchem a cidade em curtos dias, e de onde verdadeiramente se retira pouco mais.
Precisamos de mais eventos, mais pequenos, mas mais continuados. Que tragam menos pessoas de cada vez, mas mais vezes ao ano, que promovam o alojamento e os gastos na restauração, tendo assim verdadeira capacidade para serem sustentáveis.

Voltando ao ponto inicial, apesar da recusa no apoio, a entidade que pretende organizar o Carnaval vai avançar mesmo assim. E isso é muito importante. Tomar não tem sabido aproveitar a sua capacidade instalada: naturalmente os já abordados património histórico, cultural e natural, a sua localização geográfica, e também, o que muitos não têm, um importante movimento associativo que nas mais diferentes áreas muito produz, mas ao qual falta um olhar por cima, um olhar coordenador, um olhar estratégico.
E também por isso, temos instituições importantes, mas que raras vezes trabalham em conjunto ou com desenvolvimento de atividades comuns.
O desenvolvimento de atividades que resultem da iniciativa associativa ou comunitária é algo que não pode ser inventado, tem que existir para ser real. É o exemplo do carnaval da Linhaceira, que não depende de subsídios para se realizar e que tem esse enorme e importante cariz de envolvência da comunidade. O mesmo se passa com o Festival Bons Sons em Cem Soldos, um evento já de dimensão nacional e com qualidade reconhecida nos mais diversos fóruns.

Ao longo dos últimos anos faltou sempre esse acarinhar das instituições existentes, a capacidade de as envolver em objetivos comuns e maiores, de as envolver numa estratégia concelhia da qual sejam verdadeiros parceiros e executores. Ao invés, temos uma filosofia de subsídio mais ou menos indiscriminado, casuístico, em função apenas da dimensão maior ou menor das migalhas sobrantes do orçamento municipal. Uma espécie de subsídio caritativo institucional.
Não é isso que nos serve, e não é isso que nos permitirá o desenvolvimento tão propalado mas sempre vazio, do turismo enquanto real vetor estratégico do desenvolvimento económico e identitário do concelho.
Mas é o que temos, resta saber até quando. Não é apenas no turismo e nos eventos, é em praticamente tudo o resto. Fala-se, promete-se, fala-se de novo, promete-se mais… Mas estamos sempre na mesma. Ou pior.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

"No Estado, o absurdo não paga impostos?"

Não andei muito atento às notícias nos últimos dias, até porque andei offline e a net é cada vez mais a minha forma priveligiada de "ligação com o mundo", se bem que até me tinha já chegado qualquer coisa aos ouvidos, pensando ainda assim que fosse brincadeira de carnaval...

Então não é que os senhores do Governo mais as suas ideias estapafúrdias, agora querem multar os consumidores que não pedirem fartura?!!! Mas endoideceram de vez?!

Não só a ideia é totalmente absurda, e provavelmente ilegal, como me parece que vai ter o efeito contrário ao desejado. É que como este Governo há muito tempo está morto no que diz respeito à legitimidade democrática percetida e delegada pelos cidadãos, a vontade destes é precisamente fazer tudo ao contrário daquilo que o governo disser.
(É essa a diferença que alguns não querem entender entre legitimidade institucional e legitimidade democrática. A diferença entre ter real poder para agir ou estar apenas na posse de um poder ilusório - que ainda assim, acaba quase sempre por sê-lo).

Adiante. Eu nem sou grande fã de Francisco José Viegas que como político e comentador diz por vezes umas grandes barbaridades (e como escritor conheço pouco), mas sendo ele um ex-elemento do atual Governo, (e mesmo que alinhe na sua continuada estratégia pessoal de reganhar alguma simpatia do seu público, perdida depois dessa má experiência governativa, à qual teve ainda assim a decência de abandonar) parece-me o melhor para nos dizer como proceder em relação a esta ideia tonta.
No seu blogue publica dois textos seguidos sobre o assunto, o último com o mesmo título que aqui se usou (o primeiro intitulado "um monumental manguito para o Estado"), onde avisa o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que caso alguém o tente fiscalizar "à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel" para saber se pediu fatura, terá "de lhe pedir para ir tomar no cu".
Ora toma que já almoçaste!

Entretanto, notícia de última hora, e porque se fala tanto em "tomar", o presidente da Assembleia Municipal da dita, Miguel Relvas, recusa-se a comentar...

A propósito, sublinho que quem usa esta linguagem, excessiva quanto a mim, é um ex-secretário de Estado.
Já na conservadora e comatosa sociedade nabantina, há uns poucos que ficam muito ofendidos quando alguém usa linguagem um pouco mais forte.
Eu por exemplo, quando em tempos que parecem já longíquos me limitei a dizer o óbvio e mais que reconfirmado com o tempo, que a câmara de Tomar não o é, é uma cambada.
E repito as vezes que forem precisas até porque, dizê-lo assim ainda é ser simpático.

booty call


Feliz dia de consumo... oh! perdão, de são valentim. A economia agradece.
E uma rosa virtual para a MR, pela divertida sugestão.

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

"Aqui"

Aqui, neste misérrimo desterro
Onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.

O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma - quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.

Fernando Pessoa


Não, não emigrei, não viajei, não coisa nenhuma, tive apenas uns saborosos dias offline, findados por um par de outros em condição que felizmente me tem sido rara: doente. Assim a ponto de que, mexer um braço era já uma olímpica contenda.
Mas pronto, já passou e como sempre, produtivamente, os meus raros dias de enfermo calham sempre em dias de não trabalho...
O poema não tem nada a ver? Talvez... mas então, toda a ocasião serve para ler boa poesia.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

curtas

A posição preferida de muitos nabantinos,
particularmente responsáveis  políticos, 
sobre a generalidade dos problemas
- «Biblioteca de Tomar já tem jornais mas são emprestados» pela Escola Secundária Jâcome Ratton, Tomar na rede.
Uma câmara que gasta milhares em desperdício, regalias, medidas casuísticas, mas depois precisa que lhe emprestem os jornais para a sua biblioteca municipal.
Se isto não é o cúmulo do ridículo e da vergonha...

- «Comércio em Mudança», lê-se no Tomar na rede, acerca de novos espaços comerciais na Praça da República, na rua de Coimbra, e na rua de S.João. E segundo julgo saber, também o Stª Iria reabrirá entretanto.
Enfim, nem tudo é mau. Para todos o melhor sucesso, Tomar bem precisa.

- «Câmara de Abrantes aposta na criação de hortas», lê-se n'O Templário.
Quantas vezes já propusémos isto? Mas em Tomar as doutas opiniões sociais democratas reinantes na câmara e na assembleia acham estas ideias risíveis. É o riso da ignorância e da falta de ideias próprias.

- «Deputados querem respostas do Governo sobre efeitos da crise na região. Deputados |socialistas| referem que Santarém, Tomar e Benavente são os concelhos onde o encerramento de empresas é mais preocupante.» Lê-se n'O Mirante
Que exagero, em Tomar pelo menos, todos sabemos que tudo vai pelo melhor. Pelo menos a acreditar na Câmara...

- Noticia-se na comunicação social que o grupo denominado IPT liderado por Pedro Marques apresentou alguns candidatos, entre os quais para a junta de freguesia de Santa Maria dos Olivais e para São João Batista. Tudo bem mas, estando essas freguesias já agregadas, o que é que me está aqui a falhar?

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

o povo é quem mais ordena

- Cada vez são mais...
«Presidente da Câmara de Bragança julgado por abuso de poder», lê-se na RTP.
«Presidente da Câmara de Salvaterra de Magos acusada pelo Ministério Público de falsificação de documentos», lê-se n'O Mirante.

Mais o caso do agora demitido Paulo Júlio, pelas prevaricações enquanto Presidente da Câmara de Penela, e tantos outros por esse país. (Lembremos a perda de mandato de Macário, ou que lá vai por Mafra, por exemplo...)
E a tendência é para aumentar, não porque os casos sejam mais, estou convencido que não, mas porque a fiscalização e a justiça estão a apertar e finalmente a atuar a sério.

em Tomar, há tanto por onde pegar. O nosso maior escândalo, comparável à escala autárquica com a mega fraude do BPN e muitos dos contornos ilícitos que começam a ser aflorados (vejam a reportagem da SIC), com moldes muito parecidos entre a empresa e figuras políticas comuns em várias autarquias, falo do Parque T, está bem elencado no Tomar a dianteira.
Como é possível que, contra a vontade de todos e contra o simples bom senso, capítulo a capítulo, asneira atrás de asneira, o PSD nabantino tenha permitido tamanha dimensão de danosa gestão?!
E há, seguramente, muito ali a descobrir.

Mas em Tomar a questão começa em coisas aparentemente bem mais simples. Ainda em Dezembro último se provou na Assembleia Municipal que o presidente de Câmara, além das demais ilegalidades, mentiu descaradamente à AM, à comunicação social e aos tomarenses, ao ter afirmado antes que tinha um parecer jurídico que lhe permitia candidatar o município ao PAEL, parecer que evidentemente e como se provou, não tinha. Chamei-lhe várias vezes nessa reunião, olhos nos olhos, aquilo que se provou ser: mentiroso.
Ninguém achou sequer estranho ou anormal...
Noutros locais ou com outros protagonistas seria manchete de primeira página, mas em Tomar e no que toca à imprensa, que me tenha apercebido, não houve sequer uma linha em letra miudinha na página mais escondida de um jornal.

Será tão normal que um presidente de câmara minta, que já não lhe ligamos nenhuma?
Estamos assim tão alienados?
É a terra onde vivemos. Somos como somos. E depois queixamo-nos...

Ainda assim, é deste género de autarcas que as populações parecem gostar. Basta lembrar casos como Isaltino ou Valentim, mais que evidentes e afastados pelo próprio partido, e ainda assim, concorrendo como independentes e eleitos novamente.
Os cidadãos queixam-se da justiça e dos partidos, mas quando estes tomam decisões, o que fazem? Desautorizam as instituições e aprovam os prevaricadores.

E depois é muito fácil dizer em jeito de desculpabilização própria que os políticos são todos iguais. Pois... os não políticos (se tal existisse) também devem ser.

domingo, fevereiro 03, 2013

na gramática e no país

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Mais uma das deliciosas crónicas de RAP na última página da Visão, que para mim é sempre a primeira. Esta semana, mais uma dedicada a Miguel Relvas.


Porque faz sol, e está tudo bem em Tomar (a bem dizer este fim de semana fiquei pela capital, mas Tomar está sempre na mesma: em percurso descendente), no país e no mundo, façam o favor de ter um bom domingo, que seja "bem visto e ouvisto".

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

«ai aguenta, aguenta»



«Portugal está no bom caminho»
Pedro Passos Coelho, Primeiro-ministro, 1 de Fevereiro de 2013


Entre este e o do "se os sem abrigo aguentam, porque não aguentam os outros?!", venha o diabo e escolha.

a troika ao jeito


«Portugal cortou em Saúde o dobro do exigido pela troika», lê-se no site da RTP, dados da OCDE.

Grande novidade, os mais atentos e não partidária ou ideologicamente alinhados com este governo, bem sabem que a troika e a crise são apenas bem convenientes desculpas para a receita totalmente ideológica que está a ser aplicada no nosso país.

Na educação então, estamos a assistir a um desastre que se não for rapidamente alterado, só daqui a uma década começaremos a ver e sentir as consequências profundas.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

"sem emprego"



A minha crónica de ontem na Hertz sobre o tema em epígrafe pode lá ser ouvida, e lida no esquerdo capítulo.

«a grande missão dos autarcas municipais nos próximos anos será a capacidade de potenciar o emprego nos seus concelhos.
Este é efetivamente o novo e obrigatório paradigma da gestão municipal. O tempo das obras vistosas e das rotundas passou, agora é o tempo dos autarcas que ao invés de betão edificam pessoas

terça-feira, janeiro 29, 2013

curtas

- «A Câmara de Abrantes vai arrendar espaços nas coberturas de infra-estruturas municipais para a implementação de unidades de mini produção de eletricidade solar fotovoltaica, até uma potência máxima de 20 KW.» lê-se n'O Templário.
Em Tomar, hum... bom, penso que a câmara já ouviu falar de energias renováveis.
Pelo menos eu e outros já abordámos o tema algumas vezes em Assembleia Municipal, mas é falar para surdos sem vontade de o deixar de ser.

- "O município de Oleiros, conjuntamente com os outros quatro municípios que constituem o Pinhal Interior Sul (Mação, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei) e integram a Associação de Desenvolvimento Pinhal Maior, vai fazer-se representar, de 30 de janeiro a 3 de fevereiro, em Madrid, numa das maiores Feiras Internacionais de Turismo: a FITUR 2013". lê-se na Hertz.
Tomar também está no eixo de influência e possível benefício da grande área de Madrid e devia fazer este tipo de ações. Mas era preciso desde logo saber... promover o quê?
Em Tomar, trabalhar estrategicamente o turismo como factor de desenvolvimento é uma miragem.
Lembram-se da polémica estúpida, quando o vereador socialista Luís Ferreira no curto período em que teve responsabilidade sobre o turismo, levou a promoção dos Tabuleiros a Vigo?
Em Tomar não se sabe para onde se quer ir e por isso é para o lado em que estiver o vento. Como normalmente vento não há, não se vai para lado nenhum.

- «Câmara Braga desafiada a candidatar Semana Santa a Património Imaterial da Humanidade», lê-se no site da RTP.
Outro assunto do qual já me cansei de falar. Em Tomar, Festas dos Tabuleiros, conversa, conversa, conversa...

- Tudo sobre as autárquicas 2013 no site com o mesmo nome.
Lá estão, entre mais, informações sobre os candidatos a presidente de câmara em Tomar já oficiais Anabela Freitas (PS) e Carlos Carrão (PSD). Lá está também Ivo Santos (CDS), mas parece-me que há um erro qualquer, ou o CDS não vai coligado?...

segunda-feira, janeiro 28, 2013

hardcore

Estava eu para glosar o "óscar" para a Érica Fontes (óscar é como quem diz, o prémio XBIZ para a melhor atriz pornográfica do ano) quando vejo que o Luís Ferreira já abordou o assunto no seu blogue.
Pertinente a abordagem, mas quanto a mim o vereador não apanhou todos os ângulos da notícia.
A mim, parece-me que este prémio para a Érica é também prova do sucesso da política de emigração do governo de Passos e Relvas. - "Emigrai jovens, fazei a outros lá fora o que vos fazemos cá dentro!"...
Conciliando isto com a notícia que o Leonardo Jardim, que estava a treinar o Olimpiakos liderando o campeonato grego com 10 pontos de avanço, foi despedido porque andava a dar treinos particulares à mulher do presidente, está visto qual o grande desígnio dos portugueses para o séc.21!

Continuando a falar em pornografia... Paulo Júlio demitiu-se das funções de secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa em resultado da acusação pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em concreto por ter, alegadamente, favorecido um primo num concurso para chefe de divisão no município de Penela onde era Presidente de Câmara.
Ora, lembram-se quem é este senhor? Ainda há dias falei nele, é o senhor que autorizou ilegalmente o pedido de empréstimo da câmara municipal de Tomar, ilegal porque reprovado pela assembleia municipal.
É o costume, a malta que julga que é dono e senhor das instituições e que a lei só se aplica aos outros. No governo e nas autarquias ainda há muito disso. E em Tomar então!...
Mas acaba, e mais tarde ou mais cedo as responsabilidades apuram-se.

A este caso acrescem outros contornos, nem podia deixar de ser. Leia-se este trecho para se perceber como isto gira sempre em torno dos mesmos protagonistas e dos seus métodos:
«A participação formal ao Ministério Público foi feita pela IGAL em Julho de 2011, poucas semanas depois de Paulo Júlio ter integrado a equipa do ministro Miguel Relvas, assumido a pasta de secretário de Estado da Administração Local. A IGAL era então liderada pelo juiz desembargador Orlando Nascimento. Dois meses depois, o gabinete de Miguel Relvas emitia uma nota determinando a cessação de funções do inspector-geral alegando "quebra de lealdade institucional".» no Público.

domingo, janeiro 27, 2013

templos

Sara, Lea, Rebeca e Raquel,
as quatro colunas dos templos judaicos.
Aqui, a sinagoga de Tomar.
Sim, bem sei que hoje se comemora a chegada das tropas russas a Auschwitz, mas como já falei nisso por aqui várias vezes, prefiro destacar que também hoje, comemora 75 anos a maior sinagoga da península Ibérica, a sinagoga do Porto.

Mas a mais antiga sinagoga portuguesa* ainda existente, também sede do Museu Hebraico Abrãao Zacuto (importante figura da história hebraica, e que viveu em Portugal nos tempos do Infante D. Henrique) sabe onde fica?
Já a visitou?



*Pronto, eu não tenho a certeza se é mesmo a mais antiga, mas é o que habitualmente dizemos, e não conheço nenhuma anterior. Se estiver errado corrijam-me.
É, pelo menos, a única existente deste importante período da história portuguesa, o séc.XV.

o colosso


A 27 de janeiro de 1751 nascia o pianista, o compositor, o maestro, o ativista (à sua época), o maçon, o génio, Wolfgang Amadeus Mozart.

Esta semana por duas vezes, o coro e orquestra da Gulbenkian proporcionaram a rara possibilidade de assistir ao vivo em Portugal ao seu Requiem - uma das obras mais notáveis da Humanidade.
Infelizmente quando me apercebi, mesmo com os meus contactos naquela casa, já era tarde para arranjar bilhetes, uma vez que tão raro e brilhante acontecimento rapidamente esgotou.
Espero que a Gulbenkian repita o evento e enquanto isso, aqui o deixo para quem não conheça, executado pela Filarmónica e Coro de Viena, dirigido pelas mãos sábias do já falecido Herbert von Karajan.

Apreciem que vale a pena. Os que acham que não gostam de música clássica (que neste caso é mesmo do período denominado clássico) experimentem. Vão ver que não só não dói, como sabe bem. Ponham bem alto e fechem os olhos.

Resto de bom domingo!

quarta-feira, janeiro 23, 2013

(des)aparições




Há dias foi noticiado que um funcionário público português recebeu salário durante 20 anos sem nunca ter posto pé no local de trabalho e alguém tenha perguntado onde andava.

Hoje soube-se que um organismo inexistente da administração pública teve um diretor nomeado durante ano e meio a dirigir... nada nem ninguém.

E também hoje se soube que, o espanhol co-autor do recente e polémico relatório pedido pelo nosso governo ao FMI tinha uma segunda identidade, a qual ele mesmo chegou a contratar para produzir trabalhos para a instituição que dirigia....

E depois não acreditam em fantasmas!!!!

terça-feira, janeiro 22, 2013

a Lei e a lei ao jeito

foto do Público
Paulo Júlio, atual secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, foi acusado pelo Ministério Público do crime de prevaricação, em circunstância que remonta ao tempo em que era presidente da câmara de Penela. (no Público)

Entre mais, a notícia releva porque foi este senhor quem autorizou recentemente o empréstimo aprovado ilegalmente pelo município de Tomar, e em cuja palavra o presidente da câmara nabantina tanto confia que até a "confunde" com um parecer jurídico.

Chamo a atenção de quem na câmara e assembleia nabantina continua a aprovar de cruz e de cor, e a ignorar que o tempo do regabofe vai terminando, e que as leis mais tarde ou mais cedo fazem-se cumprir.

A notícia deve ser lida, até para se perceber que em todas estas matérias, de uma forma ou de outra, lá se sente a santa mão do senhor....
Do sr dr Relvas, claro.

prandium

Entre atropelos e interrompidas conversas e a mescla de aromas, as marmitas e os tupperwares espalham-se nas mesas entre dossiês, garrafas de água vazias, malas de senhora, e todo o tipo de pequenos utensílios de escritório, enquanto os despojos já usados de alfaias da função de comer se acumulam desorganizadas em redor do exíguo lava-loiça.
As falsas gémeas chaleiras apitam em agudo aviso entre vapores ali bem junto à lotada torradeira, enquanto uma mesa mais organizada vai ganhando jeitos de superfície de repasto.
A fila cresce para o microondas mesmo ao lado do atulhado frigorífico que com roncos ajuda na cacofonia do local, e na espécie de bimby colocam-se os últimos legumes cortados para a sopa do dia.
Outros menos afortunados ou mais práticos sacam do iogurte líquido e da sandes de alface, espalhados por esta ou aquela cadeira, entre outros sons e retratos de mais um quotidiano âgape docente.

Mais um apenas, período de almoço numa das muitas salas de professores de Portugal, 2013.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

curtas

- "Câmara de Tomar quer acabar com processos em papel", lê-se no Tomar na rede.
Fala ainda na possível criação de um balcão único de atendimento, Carlos Carrão referiu-se a este dia como “Um dia histórico para Tomar”. E se ele diz, todos acreditamos não é verdade?...
Foi em Março 2007 que propus esta medida em reunião de câmara pela primeira vez. Daí para cá, na câmara e na assembleia, foram várias as vezes que o assunto foi abordado e proposto. Como muitos outros.
Mas tudo aquilo que sempre foi recusado, aprovado mas não cumprido, ou mesmo ridicularizado pelos sociais democratas nabantinos, parece agora CC tudo querer fazer. Atabalhoadamente, à pressa e sem critério, e na maioria dos casos não vai pasar de conversa, claro.

- "Câmaras de Torres Novas e Entroncamento reduzem chefias", lê-se também no Tomar na rede.
Já em Tomar... nem vou comentar mais este assunto.

- Ainda no Tomar na rede: "Governo condecora José-Augusto França", uma personalidade ímpar no mundo da crítica, estudo e ensino das artes plásticas e afins em Portugal, que além de ser nabantino, é entre mais responsável pela existência do núcleo de arte moderna na cidade, uma vez que a maioria das obras eram sua propriedade.
Mais uma daquelas personalidades de mérito que já deveriam ter sido distinguidas pelo munípio de Tomar, coisa que a câmara ainda não soube fazer, por mais que o propunhamos desde, sei lá, há uns anos... ainda devem andar à procura do regulamento que em 2010 argumentaram ser necessário e ainda não existir.
Querem apostar que de um dia para outro, vamos ouvir Carrão a dizer vai avançar com isto?

- Por cá, estranhamente, quase não se falou do assunto (e não venham com a "vida privada" que isso é outra coisa) mas em França parece que as luxuosas férias cariocas de Miguel Relvas, Dias Loureiro e outras figuras em ensemble não passaram despercebidas e são vistas como um escândalo. A ler no orange.

Anabela Freitas e Basílio Horta no debate de sexta.

- Basílio Horta, uma das poucas personalidades com estatura de homem de Estado ainda na política ativa, passou por Tomar na última sexta a convite da Anabela Freitas, e permitiu um excelente serão de discussão essencialmente em torno do desenvolvimento económico local e do papel do município nesse âmbito, sendo lançadas muitas pistas para sobreviver à crise e ao Governo.
Aqui o comunicado do PS nabantino sobre o evento.

domingo, janeiro 20, 2013

pós tempestade, pró sofá



É bem verdade, e domingos de chuva são excelentes para preguiça "ensofarada".
Eu até tenho a desculpa de já ter feito a minha corridinha à chuva, um pequeno prazer (que tomo em doses muitos espaçadas para não estragar o meu porte atlético...), aproveitando para espreitar alguns dos retratos pós tempestade ainda existentes em algumas zonas da cidade nabantina: árvores partidas ou tombadas, mobiliário de cidade danificado, telhas levantadas ou partidas pelo chão, chaminés e antenas tombadas... enfim, apesar de tudo e contexto geral, nada de muito grave.

No fim da corridinha, claro, nada melhor que o café e o pastel de nata, para repor os mínimos energéticos...
E agora, banho de água fria e venha de lá esse sofá precedido de almoço.

Bom domingo!!!

"a candidatura do sistema"

A minha crónica da última quarta na rádio Hertz, sobre a candidatura de Carlos Carrão, PSD, a presidente da câmara municipal de Tomar e as reflexões sobre os últimos 15 anos que a mesma impõe, pode lá ser ouvida e lida no esquerdo capítulo.

quarta-feira, janeiro 16, 2013

curtas

foto de Tomar a dianteira
- "Carlos Carrão diz que investimento na tenda [do mercado] «não foi dinheiro mal gasto», lê-se na Hertz. Mas no entanto vai fazer agora o que o PS propôs e foi aprovado a tempo de evitar o fecho pela ASAE em 2010, obras básicas no mercado.
Então os milhares que foram gastos na tenda, outros equipamentos, pessoal de segurança e mais foram para quê?!
Podiam, como alertá-mos, ter sido evitados!
É esta a capacidade de gestão e planeamento existente no município nabantino.
Vergonha!

- É oficial, Cavaco Silva promolgou a lei de extinção de freguesias. E sem equivalências, Miguel Relvas conseguiu o seu grande objetivo. Mesmo que muito triste na forma, já tem na história do país uma página assinada por si.

- Se é dos cada vez menos portugueses que ainda tem trabalho pelo qual aufere um salário, pode depois de descarregar esta tabela, verificar quanto mais o Estado lhe vai "desviar".

- Nos EUA surge, sinal dos tempos, a primeira biblioteca sem um único livro. Lê-se no Público.

terça-feira, janeiro 15, 2013

santidade sacramental




Esta tarde uma aluna minha celebra a sua união matrimonial. Casa-se.
Não é a primeira e não será a última este ano letivo.
Mas esta tem 13 anos.
Será que por ser de uma etnia específica se aceita que se contorne, tanto, as convenções morais e de civilidade de um país?


Estranho mundo.

segunda-feira, janeiro 14, 2013


«Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.»

Ruy Barbosa


sexta-feira, janeiro 11, 2013

Carlos Carrão, a candidatura mais que anunciada

O cabeçalho das crónicas de CC no Cidade de Tomar em tempos idos
É já definitivo aquilo que era evidente para quem percebe alguma coisa do funcionamento dos partidos e particularmente de como funciona o PSD e a sua concelhia local. Carlos Carrão será o seu candidato a presidente da câmara nabantina.
Apetece dizer, nunca me engano e raramente tenho dúvidas, como dizia o outro.
E agora, como ficam os dirigentes locais sociais democratas que sempre negaram a evidência?
Aqueles que diziam (e me diziam em privado): jamais, nem pensar... e eu retorquía: pois, pois, vai uma aposta?

Carlos Carrão tem um historial longo que convém recordar, ele é mesmo o político há mais tempo no poder em Tomar:
Vereador desde 1997, já teve pelouros vários, entre os quais o das obras municipais, e sempre, a responsabilidade pelas finanças locais.
Ainda sem ser conhecido como político foi, sem ter de explicar como para quem nessa altura andou minimamente atento, o grande empreendedor e talvez o principal obreiro por si só, daquela que viria a ser a chegada do PSD e António Paiva ao poder.

Apesar disto, e até a presidência lhe cair nas mãos a meio deste mandato (como ainda antes do mandato se iniciar já sabíamos que aconteceria, apesar de ter sido sempre negado - a propensão pela mentira já vem de longe) nenhuma causa, nenhuma bandeira, nenhuma obra ou acção em particular lhe é reconhecida. Sempre foi como quase todos os que passaram pelas governações de António Paiva, submisso e silencioso.
E assim foi também durante os quatro anos de Corvêlo de Sousa. Basta recordar o triste episódio em que este decidiu sem passar cavaco a ninguém, sabe-se lá inspirado porque vontades, chegar a acordo com a empresa ParqueT no capítulo final duma novela longa, capítulo este que só por si adicionou 6,5 milhões de euros às dívidas da autarquia.

A única acção consistente reconhecida a CC ao longo destes anos, foi a presença em tudo o que foi passeios de idosos, aniversários de associações, bailaricos de aldeia, torneios de chinquilho e da sueca, encontros em torno do copo e do porco assado.

Ora, nem a propósito, informa a Hertz pertinentemente que, no estudo sobre qualidade de vida realizado pela UBI, Tomar está na cauda do país ocupando o 202º lugar em 308 concelhos. Tomar é o penúltimo do distrito de Santarém!!
Mas quando confrontado na última Assembleia Municipal por mim e outros, com estes e outros índices oficiais que demonstram a queda do concelho nos últimos 15 anos, particularmente quando comparado com os concelhos da região, Carrão foi lapidar:
- Isso é demagogia da oposição que quer ver o concelho em mau estado, e não é verdade, porque "todos os dias encontro pessoas de fora que me dizem estar encantados com Tomar"!!!
Palavras para quê, é um artista nabantino!

O que dizer mais, quando um presidente de câmara responde a assuntos graves com argumentos deste calibre? O que dizer quando recorre sem pudor à mentira para justificar os seus propósitos, como ainda na última AM se provou?

Ainda assim, para ser totalmente franco, devo dizer que reconheço que CC tem uma vantagem em relação aos dois antecessores, acredito que goste de facto da nossa terra, e conhece-a bem (tanto bailarico também há-de servir para alguma coisa!).
E acredito que seja honesto no que diz respeito a não ter "benefícios" resultantes das funções que ocupa, que não sejam os legal e legitimamente devidos.
Mas francamente, isso é muito pouco! Ser honesto, boa pessoa e gostar da sua terra, é o mínimo que se exige a todos os que ocupam ou queiram ocupar lugares públicos.

Na minha opinião falta-lhe tudo o resto: desprendimento do poder e de tudo o que o envolve, visão estratégica, capacidade de diálogo e de entrosamento dos vários atores da comunidade, carisma, capacidade de liderança, afirmação pessoal e política, capacidade de se fazer ouvir e respeitar se não desde logo no concelho, seguramente em tudo o resto fora dele.
E sabe quem acompanha a evolução dos tempos, que o futuro imediato das governações locais vai decidir-se em grande parte fora e acima dos limites políticos de qualquer município.
Alguém acredita que CC seria capaz de fazer ouvir os interesses do concelho, desde logo no seio da Comunidade Intermunicipal, com o tudo o que novo por aí vem?

Enfim, a procissão ainda agora vai no adro, daqui até outubro ainda muita água levará o Nabão, só espero que não leve a memória dos tomarenses...

terça-feira, janeiro 08, 2013

janeiro

Afrodisia, Turquia. Maio 2012.





"Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê."
Luís de Camões

sábado, janeiro 05, 2013

vida

foto de Gordon Welters









Haja ruído haja gente haja lume
Haja sujo haja lixo haja nojo
Haja negro haja terra haja asco
Haja tudo haja quase haja nada
Haja só haja tanto ou o que houver
O que há somos nós.




Bom fim de semana, gentes que por aqui navegais e o sol não aproveitais! :)

quinta-feira, janeiro 03, 2013

calorias


Já sei que para muitos, janeiro vai ser ocupado a pensar como contrariar os excessos de dezembro.
Aqui ficam várias sugestões quotidianas. Não digam que não sou vosso amigo.
E não façam como alguns amigos meus, que acham que basta dormir...

"2013: continuar ou mudar?"

A minha crónica de ontem na Hertz, pode ser lida no esquerdo capítulo.

sábado, dezembro 29, 2012

a insustentável leveza do ser


"Nós não somos duas pessoas"
Disse ontem Passos Coelho, ou o Pedro, não estou bem certo qual....


Um grande último fim de semana de 2012 para todos, até para o Pedro e para o Passos!!!!