Texto publicado hoje no jornal Cidade de Tomar.
"O progresso é
impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não
conseguem mudar nada."
Bernard Shaw
A comissão política do PS de Tomar – o seu órgão máximo – escolhe este dia 24,
num movimento igual ao que está a acontecer por todo o país, o seu candidato às
eleições autárquicas do próximo ano.
Eu apoio e votarei em Anabela Freitas.
Bem sei que sou suspeito, a Anabela foi a minha sucessora na liderança do PS
nabantino. E só deixei a liderança quando estava certo que essa liderança
ficaria em boas mãos.
Mas além das evidências partidárias, Anabela reúne logo à partida duas
excelentes condições:
- A primeira é a de que será a candidata que reunirá maior consenso entre os
dirigentes socialistas desde que me
recordo em Tomar.
Sendo certo que, independentemente da votação que venha a
ter na próxima sexta, a unanimidade real é impossível de atingir. E ainda bem,
da diversidade nascem melhores decisões.
Há sempre quem ache que poderia haver melhor. Algumas vezes
porque de facto acredita noutro candidato; outras porque por algum motivo não
gosta da pessoa em causa; tantas porque acha que o melhor candidato é ele
mesmo. (Por cá acrescenta-se o facto de sempre existirem uns ódios gratuitos e
umas invejas à mistura – coisas da sociologia tomarense);
- A segunda condição é a de ser a candidata melhor preparada
de sempre no seio do partido socialista – e provavelmente no seio de qualquer
força política em Tomar.
Larga experiência política, foi presidente da federação distrital das mulheres
socialistas, foi deputada na Assembleia da República (à qual regressou agora
por um mês em substituição), e é atualmente membro da Assembleia Municipal de
Tomar. Conhece bem a administração pública, e os meandros do estado central em
Lisboa. É técnica superior do Instituto de Emprego e Formação Profissional,
tendo dirigido o Centro de Emprego em Tomar.
Tem efetivas capacidades de liderança e decisão, sem contudo deixar de ouvir
aqueles que a rodeiam e com quem trabalha. E incorpora cumulativamente três
coisas essenciais que tanto têm faltado a quem tem governado os tomarenses:
capacidade, vontade e bom senso!
Claro que estamos em Tomar. Terra conservadora, onde existe
por várias razões uma certa aversão aos socialistas, e onde os socialistas (que
malandros!) se preparam para escolher uma mulher para sua candidata à liderança
dos destinos do município.
Como vão reagir os nabantinos? Não sei.
Por todo o lado a Mulher tem emergido socialmente. Também nas autarquias há
excelentes exemplos com bom trabalho em prol das comunidades – Edite Estrela
foi das primeiras, no maior concelho do país, Sintra. Mas Tomar, ao contrário
de outros tempos, tem-se mostrado na atualidade um concelho retrógrado e
conservador em quase todos os aspetos económicos, sociais, cívicos.
Estarão neste âmbito os nabantinos disponíveis para a
mudança?
Sei, e parece que boa parte dos cidadãos também sabe, Tomar
precisa de uma mudança urgente no tal “rumo” que o PSD promete em campanha há
15 anos e que nos trouxe a este estado comatoso. Um município desorganizado, excessivamente burocrático, desatualizado, cristalizado;
Um concelho onde se gastaram milhões de fundos nacionais e europeus, e que não
soube definir prioridades, com obras inúteis e dispendiosas, uma dívida alta,
uma câmara incapaz de fazer alguma coisa de jeito, e menos ainda, planeada e
com horizontes de futuro.
Falta de trabalho com as freguesias, com as associações, com
o Politécnico, com a comunidade em geral. Uma câmara mandato após mandato pior.
Um concelho com muitas potencialidades, ainda, mas cheio de
oportunidades perdidas, de investidores mal tratados e afugentados, de cidadãos
e instituições desconsideradas.
Não se trata apenas da necessidade de trocar de partido ou pessoas na liderança
do município. É todo o comportamento anterior que é preciso inverter. É todo o
método ou a falta dele. É toda a filosofia de atuação que está totalmente
ultrapassada. É preciso ouvir, discutir, pensar, planear, priorizar, trabalhar,
decidir, fazer. Sem arrogâncias e fantasias megalómanas, com realismo e
razoabilidade, com os poucos meios e as muitas dívidas.
Com uma ideia alicerçada, com um projeto, com uma equipa, sei que Anabela
Freitas é a pessoa certa para liderar a mudança.
A grande questão que em Tomar sempre se coloca, é saber se
os tomarenses querem mudar, ou estão bem assim. Se estão bem, é simples, é
fazer o que tem sido feito: é deixar tudo como está, dizer que são todos
iguais, e queixar-se no dia seguinte.