sexta-feira, dezembro 30, 2011

para 2012: acreditar num mundo melhor

O marketing é outro daqueles mundos maravilhosos nos quais ainda adolescente, embora hesitante, decidi não entrar porque me levaria para longe de Tomar.
Mas o bicho ficou. Adoro inventar slogans tanto como gosto de um anúncio bem feito e ultimamente têm aparecido vários.
Este, da sempre nestas coisas consistente Coca-cola, é acima de tudo um exemplo de serviço público (com uma grande dose de hipocrisia é certo, se fossemos bem analisar o que essa multinacional capitalista faz...).

A maioria dos portugueses vê as coisas sempre pelo lado pessimista e de quando em vez é bom que algo apareça a mostrar que nem tudo é mau. Coisas há que são até muito boas.
Com esse espírito entranhado, nem vou falar (também não tenho tempo) de muitas coisas menos boas, por exemplo a maneira deprimente e nada optimista como chega ao fim de 2011 a situação no município de Tomar. Os próximos meses, ou os próximos dois anos, não vão ser nada positivos nem para o munícipio nem para o concelho, se nada se fizer para alterar tanto desnorte, tanta inabilidade, tanta demagogia, cinismo, baixa política, teimosia, e tudo mais que esconde o grande vazio de ideias e soluções.

Ao contrário de tudo isto, que o espírito para 2012 seja apesar de tudo optimista: enfrentar as adversidades com um sorriso, ver o lado bom das coisas. A humanidade já enfrentou muitas crises, olhemos para esta como apenas mais uma, e com esforço e trabalho, mas igualmente com alegria e motivação, enfrentemos as adversidades e delas façamos oportunidades.
Há sempre um dia melhor à nossa frente se acreditarmos nele.

A TODOS, BOM ANO NOVO CHEIO DE SUCESSOS PESSOAIS E COLETIVOS!!



E pronto, prestes a rumar a sul para uma alongada passagem de ano um pouco mais quente, não há tempo para mais. Até para o ano.

descomprometido

Cristóvão Colombo pôde descobrir a América porque…
ERA SOLTEIRO

Se Cristóvão Colombo tivesse tido uma mulher, teria ouvido:
- E porque é que tens que ir?
- E porque é que não mandam outro?
- Vês tudo redondo!?!?... Estás louco ou és parvo?
- Não conheces nem a minha família e vais descobrir o novo mundo?!! ...
- E vão viajar só homens? Achas que sou estúpida?
- Porque é que eu não posso ir, se tu és o chefe?
- Desgraçado... já não sabes o que inventar para estar fora de casa!
- Se saíres por essa porta vou-me embora para a casa da minha mãe!
- E quem é essa tal Maria..? Que Pinta..?! De que Santa estás a falar?! Qual Nina...?
- Tinhas tudo planeado, maldito!
- Vais-me enganar?
- A Rainha Isabel vai vender as jóias dela para poderes viajar? Achas-me parva ou quê? O que é que tu tens com essa velha..?
- TU... não vais a lugar nenhum!
- Não vai acontecer nada se o mundo continuar plano. Não te vistas...
- Tu NÃO VAIS..................NÃO VAIS....................NÃO VAIS.............!!!

Definitivamente...
ERA SOLTEIRO!!!


Por acaso não era solteiro, mas anedota é anedota...
com solteiros agradecimentos à Ana P. - ainda por cima soubemos esta semana que a idade média para casar em Portugal está nos 34. A minha mãe já pode deixar de chatear, ainda não passei a média!

terça-feira, dezembro 27, 2011

e "agora"... o mesmo PSD de sempre

Hoje, a partir das 15h no salão nobre dos Paços do Concelho, a 5ª sessão ordinária da Assembleia Municipal de Tomar. Se não poder assistir (ou participar) no local, pode sempre fazê-lo através da emissão da rádio Hertz.

A direcção do PSD de Tomar. (foto rádio Hertz)
Também a rádio Hertz nos dá conta do mais recente comunicado do PSD de Tomar (que não está ainda disponível na página própria).

Ora este comunicado merece referência para memória futura.
Vamos até deixar de lado a hipocrisia gritante quando em relação ao suspenso Presidente de Câmara, Corvêlo de Sousa, "consideram" (considerar é um verbo interessante, nada dúbio...) "ser de relevar a forma dedicada e empenhada como desenvolveu o cargo para que foi eleito em 2009", quando todos sabem os esforços, ainda que envergonhados ou pouco assumidos, que fizeram para que se fosse embora.
Hipocrisia, cinismo... a concelhia local do PSD continua a dar-nos mais do mesmo.

Mas vamos ao que politicamente interessa, vamos ao parágrafo que convém guardar para memória futura e que estou certo, vou citar deliciado inúmeras vezes:

"entendemos estarem reunidas as condições para imprimir um novo rumo no destino do Concelho de Tomar, tendo por mote a capacidade de planear atempadamente, de executar com rigor e interagir e ouvir os intervenientes, tendo em vista o desenvolvimento económico e em especial, a sustentabilidade em termos sociais. O PSD de Tomar, considera estarem agora reunidas as condições para se avançar para uma nova governação liderada pelo PSD, onde haverá lugar à participação e intervenção de todas as forças políticas representadas na Assembleia e Câmara Municipal de Tomar. O PSD de Tomar, estará na primeira linha para discutir e defender os interesses de Tomar, com todos os que de uma forma construtiva, queiram contribuir para o desenvolvimento e o bem-estar da população, tendo por referências a defesa intransigente dos valores e princípios democráticos, e a defesa de uma matriz de desenvolvimento com a criação de condições para o relançamento económico do concelho».

Conseguem não se desmanchar a rir?! Atentem bem nos pormenores: "O PSD de Tomar, considera estarem agora reunidas as condições"... "agora"?!!! 14 anos depois, os mesmos protagonistas dizem "agora"!!! 

"O PSD de Tomar, estará na primeira linha para discutir e defender os interesses de Tomar...", pois... só se for "agora", porque até aqui, bem diz o povo, o PSD têm-se estado "bem lixando" para os interesses de Tomar. É que exemplos não faltam.

"tendo por referências a defesa intransigente dos valores e princípios democráticos"... são uns pândegos!! Então não se está mesmo a ver? Por isso é que, por exemplo, respeitam o órgão Assembleia Municipal e aplicam as decisões que toma... como o Orçamento Participativo e o Conselho Municipal de Juventude, entre outras.

"a defesa de um matriz de desenvolvimento blá, blá, blá...", mas eles saberão sequer o que isto quer dizer? Então agora em menos de dois anos, em minoria tanto na câmara como na assembleia, é que vão defender uma matriz?! E qual é ela, com quem já a partilharam, quem já envolveram na sua construção, quem já conquistaram para a sua implementação?

Ganhem juízo, sejam sérios, deixem-se de patranhas que já não enganam ninguém!!

Não há uma linha de contrição, não há um esboçar de pedido de desculpa, não há um ténue que fosse reconhecimento de incapacidade ou despropósito da acção tida ao longo dos anos. Nada. 
Ao menos Carlos Carrão na última AM ainda reconheceu várias vezes a incapacidade da CMT dizendo inclusive "a câmara não fez o seu trabalho"!
Mas da concelhia nada, só a velha conversa da treta, treta não porque aquilo que afirmam não fosse o desejável, mas porque já deram mais do que provas que não só não o sabem nem tem condições para o fazer como não tem qualquer intenção de o fazer.

E claro, coerência também não é com eles. Então se "agora" estão reunidas as condições, o que andaram a fazer antes? Não vão tentar aquela do "ah e tal... não fomos nós que escolhemos estes autarcas!" pois não? Sabem que ninguém cai nessa, certo?
E aquela do agora estreante vereador, sem nunca antes ter ocupado um lugar de político eleito, saltar logo para vice-presidente? Que grande atestado de incompetência! Não, não é atestado para a vereadora Rosário, é atestado de incompetência para quem compôs as listas do PSD - ou seja, o PSD!

Está bonito o PSD de Tomar está! E depois admiram-se que já tantos digam (sociais-democratas incluídos) que para aqueles lados a coisa daqui a dois anos só lá vai com o padre Mário.
Ponha-se a jeito Carrão que eu quase que tenho pena sua! Vão ser tantos a querer o mesmo osso...

segunda-feira, dezembro 26, 2011

portugueses, emigrem

A minha crónica da passada quarta-feira na rádio Hertz, com o título em epígrafe, pode como sempre ser ouvida aqui.
Entretanto, alguns estão já a aproveitar a mensagem do governo português para aliciar os quadros portugueses a emigrar para os seus países.
Passos Coelho como lhe compete, pega em sua valise en carton e dá o exemplo... 









Não sei já quem me enviou as imagens por isso não faço referência, chegaram várias vezes ao email. Temos que rir um pouco, aliás, se não rirmos do que este governo anda a dizer e fazer, fazemos o quê?

aqui tão perto...

"Praia fluvial de Carvoeiro volta a ganhar prémio internacional", noticia O Mirante online.

"A Praia Fluvial de Carvoeiro, no concelho de Mação, voltou a ser galardoada com um certificado internacional pela atribuição consecutiva, nos últimos cinco anos (2006-2011), da Bandeira Azul, respeitando os critérios de qualidade da água, de informação e educação ambiental, de gestão ambiental e de equipamentos e segurança.(...)

(...) situa-se na localidade que lhe dá o nome, a cerca de 25 minutos de Mação. Dispõe de vários equipamentos como balneários, bar, parque de merendas, churrasqueiras, posto médico, parque de estacionamento e está dividida com zona de banhos para adultos e para crianças. Em 2011 foi distinguida com Bandeira Azul pelo sexto ano consecutivo. Foi ainda galardoada, pela terceira vez, com Bandeira de Praia Acessível."

Faz lembrar Tomar não é verdade?
Não?! Então não estão a ver... Tomar tem aquela praia fluvial... aquela ali ao pé do... hum... agora também não me lembro, mas há uma de certeza num dos nossos dois rios!! 
É que só pode mesmo existir, é impossível que nenhum governante tenha ainda feito uma coisa tão óbvia!...

sábado, dezembro 24, 2011

ali mesmo ao lado


Não é Jesus, mas nasceu no mesmo dia e mesmo ao lado, é o Brian.

É provavelmente a melhor comédia já realizada, este A Vida de Brian de 1979, dos Monty Python's.
E que melhor forma de acabar a noite de natal, que a rir em famílía?

Eu já sei praticamente todas as falas de cor, mas o que é bom vê-se sempre mais uma vez e está no topo das minhas escolhas para mais logo.
E neste blogue que sempre anunciou entre os seus temas, os filmes e os livros, tem-se na verdade disso falado muito pouco aqui ficando esta sugestão natalícia como pequena compensação.
Uma recomendação literária na mesma linha, seria o excepcional Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago, mas essa é uma leitura demasiado extensa para noite de natal...
Seja como for, quem nunca leu, não sabe o que está a perder.

"all I want for christmas"...

Inquérito do jornal Cidade de Tomar, publicado ontem, 23 de Dezembro.

1 – Como vai ser o seu Natal este ano?
2 – Com quem costuma passar?
3 – Gosta de manter as tradições habituais?
4 – Gosta de trocar presentes (mantém os mesmos presentes ou houve uma redução)?
5 – Uma mensagem de Natal…


1 – Essencialmente igual aos outros. Simples, passado em família.

2 – Com a família mais próxima. Em casa dos meus pais, com irmãs, avós… e a minha sobrinha que é a novidade deste ano.

3 – As minhas tradições são sempre as mesmas: estar com a família, ter um bom jantar com os pratos e as guloseimas da época, conversa, muitos cálices de Porto, umas horas de lareira que se prolongam noite dentro, um bom filme pela madrugada quiçá a puxar o sono, e no dia de natal que correndo bem nasce chuviscado e envolto em neblina a pedir mais lareira, continuar com o mesmo espírito para o almoço.

4 – Para mim o Natal nunca foi sinónimo de prendas dispendiosas, tanto a receber como a dar, é aliás um dos aspectos que menos me agradam no Natal, essa “obrigatoriedade” em dar prendas. Gosto das prendas de aniversário porque são “únicas” e gosto das prendas inesperadas. Por isso para o natal, com mais ou menos crise, não há necessidade de alterar grande coisa.
Além disso é preciso relativizar. Sim o meu salário é o de um professor, sim além dos congelamentos e dos cortes anteriores, levaram-me mais meio subsídio de natal. Mas a verdade é que é sempre preciso perceber quem esteja pior, e há de facto quem esteja muito pior, e pessoas que passam sim por dificuldades. Muitos passam por grandes dificuldades. E por isso jamais me iria lamentar ou alegar poder oferecer menos isto ou aquilo com a justificação da crise.

5 – De alguma forma a mesma de todos os anos. Que independentemente das religiões, o natal seja uma época de encontro e partilha com aqueles de quem mais gostamos, mas também de preocupação e solidariedade para com os outros que nos rodeiam.
Que toda a parafernália consumista do natal não nos desvie do essencial: a paz uns com os outros, a alegria, a celebração da vida. Que consigamos transportar o mais possível desse espírito para o resto do ano, e que para aquele que se avizinha o consigamos fazer ainda mais porque vai ser bem preciso.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

a meio do jogo

o cabeçalho de um conjunto de crónicas de CC no jornal Cidade de Tomar
É já quase oficial. Passado pouco mais de meio do mandato, temos novo Presidente de Câmara em Tomar.
É verdade que formalmente é só por 60 dias... Corvêlo de Sousa ainda está convencido que tudo não passa de um mal entendido, que afinal gostam muito do seu desempenho e ainda vão fazer uma procissão a casa a pedir-lhe que volte.

Carlos Carrão, o autarca tomarense há mais tempo no ativo (a par com Pedro Marques), vai agora ter de descobrir uma nova desculpa de uso pessoal (Ah e tal... "se a decisão fosse minha"...) e provar sem rede que os últimos 14 anos foram um equívoco e que afinal pode mesmo fazer qualquer coisa mais que olhar para a gestão pública como se fosse uma questão de contabilidade ou de simplesmente "fazer presenças" (que é uma "profissão" em grande expansão), em aniversários e passeios de idosos.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Boas Festas


Não estavam a pensar que me esquecia pois não?
Bem ao estilo já tradicional do "algures aqui", cá está o postal deste ano convenientemente surripado na net.
E pronto, que a quadra seja do melhor agrado de todos junto de quem vos faça feliz.
A todos e em toda a parte, BOAS FESTAS!

os desconcertos da CMT

Estive no domingo à tarde a assistir na Igreja de São João ao concerto de natal da banda da SF Gualdim Pais, que uns dias antes tinha também realizado o espetáculo de natal das escolas de música e dança no auditório do IPT.

Eu não me recordo se aquela ideia absurda da Câmara Municipal de Tomar em cobrar a utilização do Cine-teatro e outros espaços está já em execução (pelo menos na AM não foi nada aprovado, mas também não era a primeira vez) mas a resposta está aí.

Será assim tão difícil na CMT perceberem a razoabilidade lógica e prática das "ideias" que lhes atravessam o vácuo espírito, e deixam de fazer gestão contabilística (provado está que nem essa sabem fazer) passando sim a fazer gestão público/política com tudo o que isso implica (planeamento, estratégia, definição de objetivos e prioridades,...)?
E depois talvez percebessem que nenhuma opção, nenhuma medida pode ser avulsa, mas tem de estar integrada, tem de ser coerente com a estratégia definida.

No caso concreto, não se pode estar permanentemente a dizer que se quer apostar na cultura e na vertente de criação de eventos como um dos pilares de desenvolvimento, e depois cobrar a quem localmente produz e promove a cultura e os eventos (cria públicos, cria ofertas, cria postos de trabalho...) a utilização dos espaços que ainda por cima, não servem para grande coisa mais.
É óbvio que é preciso encontrar formas de financiar a manutenção, e particularmente os recursos humanos desses espaços. Mas não pode ser a cobrar às associações, política não é matemática!
Até porque como é evidente para qualquer testa que funcione, as associações simplesmente deixarão de utilizar os espaços - ou então, como algumas têm feito noutros casos, "ficam em pagar"....

Quando é que na CMT percebem que não são as associações, particularmente as que efetivamente trabalham, que estão ao serviço da CMT, mas sim a CMT que está ao serviço das associações, da generalidade das instituições e dos cidadãos do seu concelho?

Tudo isto são questões de simples bom senso...
mas bom senso é coisa que falta muito ali pela Praça da República!

.

cromos de coleção


Meninas, quando se estiverem a babar por alguma vedeta de Hollywood, lembrem-se que eles tiveram passados tristes como todos nós....

Obrigado à Helena T. por esta contribuição, e por me fazer lembrar deste bom filme de 1983 que há muito não revejo, "Os Marginais"  de Francis Ford Coppola - mas apesar disso, destas não precisas enviar mais, OK? :)

terça-feira, dezembro 20, 2011

5 de Outubro

A extinção do feriado da implantação da República é das maiores parvoíces que já ouvi a qualquer governo de que me recorde.



Pela defesa do 5 de Outubro, assine a petição online:
http://www.peticoesonline.com.pt/peticao/manifesto-viva-a-republica/16

segunda-feira, dezembro 19, 2011

remember

Ainda com os sons e demais sentimentos revivalistas da madrugada deste domingo na memória, nessa grande festa "remember pim-pim", em linha com esse revivalismo e também porque aqui algures se vai timidamente comemorando o sétimo aniversário deste blogue, republico o artigo abaixo.

As fotos do passado sábado no Rio Bar são o que é possível via telemóvel... se clicarem nelas sempre as vêem maiores.
Também não interessava que estivem muito melhores, que isto não é o Big Brother!


"Os trintões nabantinos 
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 5 de Outubro de 2007


“Ter trinta anos em Portugal” foi o tema de capa e excelente reportagem da revista Visão de 20 de Setembro. Ao ler esse trabalho sobre “o retrato da geração pós-25 de Abril que está a mudar o país”, não sei se por pouco mais de um mês me separar dessa efeméride, dei por mim a pensar e a transpor para a visão nabantina do assunto: como é ter trinta anos no concelho de Tomar?
Nessa reportagem são em primeiro lugar focadas as referências, desde as séries infanto-juvenis como a Abelha Maya, o Tom Sawer ou o excelente Verão Azul (que comemorou inclusive 20 anos no ano transacto), ou o facto de sermos do tempo em que o computador era uma coisa chamada Spectrum e que funcionava a cassetes; e telemóvel, digo eu, só nos filmes do 007.

Sendo certo que esses anos da infância e da adolescência são por norma aqueles que definem a nossa personalidade, os gostos, e muito do tipo de vida que vamos seguir, que referências temos para além dessas cá pelas margens do Nabão? As matinés de Quarta ou Sexta-feira no Pim-Pim ou, naqueles tempos em que eram os de outros concelhos que a Tomar se deslocavam, as noites da Excêntrica que acabavam mesmo bem com um mergulho no Zêzere ainda antes do nascer do sol. Um copo de “Mouchão” fresquinho, que só nos já idos nas cinzas da memória “Passarinhos” é que sabia daquela forma. Enfim, sobra felizmente o Paraíso pouso de todas as gerações, e vêm ainda de parte desse tempo o Casablanca ou o Lá Calha. Bebemos as primeiras imperiais com umas moelas a acompanhar no Noite e Sol, e era ao Texas que íamos comer o bitoque.

Acompanhámos o nascimento e a evolução dos Quinta do Bill, assistimos ao fecho do Cine-Teatro (reaberto já mas onde o cinema já não tem o fulgor desses tempos), onde antes íamos às sessões infantis de domingo de manhã e lembramo-nos do Festival de Cinema que nesses tempos do Vasco Granja na RTP, emprestava a Tomar reconhecimento. Lembramo-nos de andar de barco no rio, jogar à bola no pelado da nabância (não eu, que nunca fui dado a essas artes!); os passeios na mata, e até fazer o percurso de manutenção que em tempos lá existiu. (Quantos tomarenses entram hoje na mata?)
Perdíamos tempo nos snookers da Gualdim Pais ou do Académico, ambos ainda por lá, mas que já não são a mesma coisa porque, como será seguramente para todos os adolescentes, o tal tempo parecia ter outro tempo.
Muito mais poderia ser lembrado e cada um terá as suas memórias, os seus lugares, e a forma como as guarda ou as esquece, é um exercício que a cada um se reserva.

Mas revividas as memórias, que perspectivas, que ambições, que presente e futuro têm os trintões nabantinos? Nós que, talvez mais despertos, talvez menos apegados a um outro passado, vimos crescer os concelhos à nossa volta, vimos essas terras desenvolverem-se, e já pouco chegámos a conhecer o tempo em que Tomar era a referência e o líder incontestado da região. Há no entanto quem não consiga ver ou aceitar que essa é a realidade. Tomar está em degradação, e a continuar o actual rumo só poderá agravar-se.

Ainda este domingo, quando ajudava nas mudanças da minha irmã para a sua casa nova em Abrantes pensava: como se consegue convencer os mais novos a ficar? Todos os dias parte alguém, esta terra envelhece cada vez mais, mas que razões podemos encontrar para mudar isso?
Empregos, difíceis; qualidade de vida, alguma sim, mas cada vez menos, ou cada vez menos tem algo que se destaque doutros locais, e em muitos aspectos já está a perder, e ainda por cima uma cidade bonita não nos mata a fome.

Eu… tenho um gato, mas dizem as estatísticas que uma boa parte dos da minha idade estarão casados e com um filho, mas essas estatísticas também não jogam a favor dos Tomarenses. Se para um é difícil, para dois é-o (obviamente) a dobrar. Onde arranjar uma casa? Construir uma nas aldeias? Mas nos poucos sítios onde é possível, só para a licença, além do que custa demora uns dois anos. Comprar apartamento? Seja novo ou usado, os preços são o que sabemos em Tomar, iguais aos de Lisboa, não falando nos preços da água, do saneamento. É que até os supermercados em Tomar, parecem ter preços acima da média dos outros concelhos!
Além dos poucos que não enxergam a realidade, e dos que a vendo a tentam esconder, há quem ache não ser possível dar volta isto, outros que assim mesmo é que deve ser, que esta deve ser uma terra “pacatinha”, onde deve morar quem paga para ter sossego, quem tem dinheiro para pagar a tarifa de viver numa espécie de museu, que é de facto para onde nos encaminhamos.

Eu acredito em algo distinto, que não precisamos mudar o que somos, nem alterar a nossa identidade, essa marca que ainda faz de Tomar algo diferente, e no entanto encontrarmos formas de poder sobreviver a nos tornarmos uma vilazinha engraçada nos subúrbios de outra coisa qualquer. Acredito que há quem queira investir, assim os deixem; que há quem queira trabalhar, assim lhes dêem oportunidade; que a maioria prefere continuar a viver por cá, assim consiga. Mas para isso é preciso que se assumam responsabilidades, responsabilidades que começam em cada um de nós, que sejamos críticos e interventivos, e que Tomar perca esta característica quase genética de deixar que dois ou três (ou nos últimos tempos um), decidam por todos os outros. O presente e o futuro está nas mãos dos tomarenses, e muito nas mãos desses trintões, é preciso que o assumam e que o exerçam.
Senão, bom, senão os trintões nabantinos terão cada vez menos problemas, porque em verdade serão cada vez mais uma “espécie” em extinção, porque a maioria abandonará Tomar antes de completar essa idade, ficando apenas os que podem e os que como eu têm o seu quê de teimosos.
Estarei errado?"

para onde vai este país?


a imagem chegou-me várias vezes ao email, mas desconheço a sua autoria exata
O Ministro da Saúde diz-nos que se queremos saúde que façamos seguros;
o da Segurança Social que se quisermos reformas façamos PPR's;
o Secretário de Estado da Juventude diz aos jovens para emigrar;
e agora até o Primeiro-ministro, que já nos tinha dito que o país precisa de empobrecer, diz agora que também os professores devem emigrar...

E depois fica tudo muito escandalizado quando Sócrates diz em Paris numa palestra o óbvio: "os países sempre tiveram dívida, e é uma ideia infantil os pequenos países pagarem-na de uma vez"; ou quando o Pedro Nuno Santos diz num jantar de militantes socialistas, e diz muito bem algo que também devia ser óbvio, que entre o povo português e os banqueiros alemães se está a marimbar para os banqueiros alemães.

Será que estamos num longo episódio daquela grande série "a 5ª dimensão"?

sábado, dezembro 17, 2011

Remember Pim Pim


É já hoje à noite, a grande e aguardada festa em que a malta aí entre os "30 e os 40 e..." vai poder lembrar os seus tempos de adolescência e de "nascimento para a vida", na mítica discoteca nabantina que existia ali junto ao início das escadas da Ermida de Nossa Srª da Piedade. Saudades....
Espero vir de Lisboa a tempo de ainda lá dar um salto.

Hoje à noite, no Rio Bar.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

as desculpas que saem na rifa

A rádio Hertz e o jornal O Templário, noticiam hoje que Corvêlo de Sousa se demitiu da presidência da mesa da Assembleia Geral da Misericórdia de Tomar porque, vejam bem, alega que essa função é incompatível com a de Presidente de Câmara!

Ora, cada vez estou mais abismado com as palermices que se dizem nesta terra.
É que não só não há incompatibilidade nenhuma como nem é bem certo que ele ainda seja efetivamente presidente de câmara. Mas vá, suponhamos que existia de facto uma incompatibilidade...
Então e só se lembrou disso agora!!! Há quantos anos é que ocupa a função?!


Ele não é ou foi também presidente da AG da Canto Firme? E António Paiva não era presidente da AG do CALMA?

quinta-feira, dezembro 15, 2011

ontem já era tarde

"Independentes propõem ao restante executivo que o processo da ParqT seja enviado à Procuradoria-geral da República", lê-se na rádio Hertz.

Essa vergonha chamada Parque T (foto rádio Hertz).
E propõem muito bem. Aliás, várias pessoas do PS incluindo eu, já o disseram também várias vezes.
Só não percebo porque não foi feito ainda.

Um caso com contornos muito estranhos como este sempre teve ao longo das suas diversas fases; iniciado logo com um contrato teimosamente defendido por António Paiva abissalmente lesivo para o município; com mais algumas situações posteriores igualmente lesivas, particularmente o acordo "final" que Corvêlo de Sousa definiu com os senhores da BragaParques; e depois os intervenientes já referidos e bem conhecidos: a BragaParques!

Tudo isto são mais do que razões para que há muito tempo a coisa devesse ser devidamente investigada e esclarecida.
O grande problema é a dificuldade em provar algumas coisas...

agradece a um professor

Não é só em Portugal. Em Espanha, nos EUA, um pouco por todo o mundo dito civilizado, os professores são vítimas dos mesmos ataques, dos mesmos preconceitos, das mesmas más línguas, e tantas vezes das mesmas invejas.
Que são em demasia, que trabalham pouco, que não são aplicados, que têm muitas férias, que gozam de muitas regalias... tudo vindo de quem não faz a mínima ideia do que é ser professor, do que faz realmente um professor.
(E isso não quer dizer que, como em todas as outras atividades da sociedade, não existam maus professores. São a excepção).
E muitas vezes os governos, particularmente quando precisam de fazer cortes fáceis ou criar imagens de moralidade, aproveitam-se de todos esses preconceitos e ideias feitas para "agir sobre" os professores.

Felizmente que de quando em vez alguns se lembram que sem professores... Bom, sem professores não existiria sequer sociedade. Não existe evolução ou sociedade humana sem transmissão de conhecimento e valores.
Aqui fica o reconhecimento por parte de um grupo de bem conhecidas personalidades americanas (onde o ataque aos professores tem sido grande).

quarta-feira, dezembro 14, 2011

o discurso da treta

O último comunicado do PSD de Tomar, relativo à reprovação do orçamento municipal para 2012 em sede de Câmara, podia ser um texto humorístico. De fraca qualidade é certo, cheio de generalidades vãs, que em vez de um comunicado mais parece um desabafo qualquer num comentário de facebook. Só que só o poderia ser se porventura alguém lhes denotasse humor ou qualidades mínimas para isso, uma vez que o humor sério não está ao alcance de qualquer inapto.
Uma vez que a hipótese do humor está excluída, só resta outra: Cinismo. 
Puro, básico, tão arrogante como deprimente - cinismo.

O conteúdo da coisa nem merece grande análise de tão pobre que é, começando nas questões de pormenor como dar a entender que a oposição é o PS (o que o PS agradece, mas não corresponde à verdade - se não estou em erro há mais uma força política na câmara).

Depois, só podem mesmo estar a confirmar a minha tese de que andam a brincar com os tomarenses julgando que somos todos estúpidos. Acusar a oposição (leia-se PS) de incoerência, só pode mesmo ser para brincar. Será preciso lembrar que já o ano passado o PS se absteve e argumentou muito bem porque o fez? Será preciso lembrar quantas vezes dissemos que o PSD, fazendo de conta que continua com a maioria absoluta, não discute, não reune, não quer alterar uma linha de sua fraquíssima atuação? Será preciso lembrar quantas vezes apelámos ao bom senso, quantas vezes apontámos alternativas, quantas vezes gritámos com esperanças mínimas de que nos ouvissem?

Dizer depois que o voto de reprovação é "contra a contenção de despesas e apoio social da Câmara Municipal de Tomar, em especial, nas áreas da educação, saúde, desporto e transportes (...) representam o apoio directo aos idosos, às crianças e aos jovens", é de uma desonestidade inteletual que não é sequer digna de pessoas que devem estar ao serviço dos cidadãos. 
Mas para o PSD sim, parece que o interesse de Tomar e dos tomarenses nunca foi, e cada vez mais o demonstram, muito importante para aquilo que fazem ou deixam de fazer.

"Uma oportunidade perdida" dizem no comunicado sem que se perceba bem porquê. Mas oportunidades perdidas, muitas e muitas, foi o que os 14 anos de governação social-democrata têm significado para o concelho. E factos são factos: o decréscimo da população, gritante no caso dos jovens; a já quase inexistência de empresas com mais de uma dúzia de trabalhadores e a fuga de investidores, as dificuldades sempre crescentes do comércio, a perda exponencial da importância do concelho na região; as dificuldades criadas pela própria câmara a particulares, investidores e instituições; as opções erradas e as obras mal planeadas e inúteis; a dívida sempre crescente sem qualquer hipótese de recuperação financeira; a desorganização dos serviços; a falta de transparência e alguns processos pouco claros; a falta de capacidade política; a inexistência de uma só ideia para resolver o que quer que seja - e as vergonhas gritantes: o mal conduzido caso do alambor, o Convento de Santa Iria, o Polis, o mercado, o parque T.

Sobre tudo isto e mais, sim, era interessante ouvir o que tem a dizer o PSD. Mas eles continuam convencidos (mas só eles mesmo, e pouco) que fizeram e estão a fazer alguma coisa de jeito. 
Interessante também era que nos dissessem afinal quem é o primeiro responsável por este orçamento rejeitado. Quem é afinal o Presidente de Câmara de Tomar? Apoiam Corvêlo ou querem que saia? E onde é que ele está e por quanto tempo?

E depois, qual cereja em cima do bolo, acabam com isto que se mais nada dissessem, esta pérola da insensibilidade política e da incapacidade autocrítica diria tudo:
"Reforça-se ainda que o PSD irá governar num sistema de partilha de ideias e valores, onde todos os que se apresentem com ideias positivas e válidas, serão ouvidos e convidados a participar, tendo em vista reforçar a imagem e posicionamento de Tomar ao nível regional e nacional".

Eles serão mesmo inconscientes de tudo o que têm feito, ou estarão apenas a gozar connosco à descarada?!

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terça-feira, dezembro 13, 2011

o que é bom, acaba depressa




Pois é, voltei.

Mas como por agora não há tempo para escolher fotografias (e nem sequer as tenho comigo) ficam apenas estas duas do meu fiel e provavelmente moribundo telemóvel, só para aguçar a curiosidade.

Desta vez pode dizer-se que andei a observar como vivem aqueles a quem a crise "não assiste".

E tentei fazer de conta que era como eles.

a pior câmara do mundo

A minha nota de dia 7 de Dezembro na Hertz, com o título em epígrafe, pode ser ouvida no sítio do costume.

Também por lá está a do dia 23 de Novembro, à qual aqui não tinha feito referência, intitulada “Requiem pelos nossos subsídios”.

A puberdade do PSD nabantino

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 9 de Dezembro

“Se não sabes para onde vais, então qualquer caminho serve - disse o gato à Alice.”
Lewis Carrol, em Alice no País da Maravilhas

Há dois anos atrás o PSD precisou encontrar quem lhe pudesse auxiliar na governação. Reticentes é certo, com muitas dúvidas sobre as mais que provadas incapacidades desses protagonistas, o PS aceitou ainda assim, com empenho, esse desafio e fê-lo com o comprometimento de, na procura dos melhores interesses para os tomarenses, o fazer no respeito para com os princípios há muito defendidos e as opções assumidas em compromisso eleitoral.
Só que o PSD e os seus autarcas a começar por Corvêlo de Sousa nunca compreenderam ou aceitaram ter perdido a maioria absoluta, e continuaram a governar como se a tivessem. E governar assim, mesmo se a tendo como aconteceu nos três mandatos anteriores, é governar mal! E com tantos erros acumulados ao longo dos anos, exigia-se ao menos a capacidade de aprender e querer mudar qualquer coisinha.
Ao invés, o PSD nunca aceitou sequer fazer aquilo que estando bem claro no acordo nem precisaria de estar pois é o mínimo que se exige em política: dialogar.
Passados dois anos sobre o início do atual mandato autárquico, e depois de toda a inaptidão, deslealdade, irresponsabilidade demonstrada pelo PSD na governação, era mais que tempo do PS dizer basta!
Ao longo destes dois anos o PS provou que há outras formas de estar e fazer na gestão da coisa pública, e que há outras soluções mais consonantes com as dificuldades e oportunidades que se colocam ao nosso concelho. Apesar de todos os entraves colocados, os vereadores socialistas demonstraram nas responsabilidades que lhe estiveram confiadas capacidade de decisão e trabalho, eficácia e transparência, responsabilidade e determinação.
Já o PSD, sem tão-pouco querer ouvir uma opinião contrária, cada vez mais fechados sobre si mesmos e sobre suas indecisões e divergências internas, é o grande responsável por uma sucessiva degradação da gestão municipal, a que acresce um evidente desfasamento para com as reais necessidades do concelho e o alheamento deliberado às dificuldades presentes.
É pena, e para Tomar é muito grave. Perdeu-se uma boa oportunidade para abrir um novo capítulo na gestão municipal, perdeu-se uma grande oportunidade de mostrar que a velha política do tudo contra ou tudo a favor consoante se está no poder ou na oposição não pode continuar a fazer sentido, e poder-se-ia ter mostrado que é possível fazer política de uma forma diferente, moderna, evoluída, apostando essencialmente no diálogo, na construção coletiva, na mitigação dos contrários e no reforço das ideias que unem.
Mas como disse Carlos Carrão (um dos principais protagonistas de todo este triste enredo de década e meia) ainda que se referindo a um só assunto na última Assembleia Municipal, “a Câmara Municipal não fez o seu trabalho”. Há muito que não faz e entre tanto mais, isso prova-se no contínuo crescimento da despesa e dívida do município, como se pode ler no documento de revisão orçamental que tentaram fazer aprovar mas que foi, muito bem, reprovado por todas as demais forças políticas. E a grande questão é, onde está legitimada a imensa dívida do município de Tomar?
À primeira vista até se poderá dizer: fez-se e está-se a fazer alguma coisa em Tomar. Sim, de todos os disparates anteriores, estão ainda as obras dos antigos lagares del rei/moagens da Mendes Godinho. Mas para quê, com que propósitos, com que meios para tornar aquilo útil? Não sei, não sabe ninguém…
Nem vale a pena repisar nas obras falhadas ou mal planeadas já tanto faladas e à vista de todos, falemos apenas do mais recente. Tanto que insistimos para que as verbas destinadas à terceira fase do flecheiro fossem alteradas para recuperação da vergonhosa situação do mercado. O PSD não quis.
O Polis foi em Tomar, como tanto mais, de uma extrema inutilidade e esbanjamento. Como estão as contas do Polis? Porque não estão fechadas? O que há aí ainda a revelar?
Onde estão os projetos de dinamização do centro histórico, de apoio aos investidores, de revitalização da economia local ou de incentivo à criação de emprego?
Quais são as medidas para apoio à juventude, ou para verdadeiramente fazer do turismo cultural uma aposta séria e estratégica, ou de envolvimento das enormes potencialidades do associativismo nabantino na capacidade de criação de emprego e desenvolvimento económico?
Nada, nada, nada, e se em mais falasse a conclusão seria a mesma, nada. E depois há ainda o Parque T e além dos milhões já lá gastos, os seis mil e quinhentos milhões que o PSD quer pôr o município a pagar à BragaParques, o que se acontecesse, levaria definitivamente o município à bancarrota.
Tudo isto não pode ser estranho para os tomarenses. Corvêlo e os restantes limitaram-se a seguir aquilo que têm feito desde 1997, e nas raras vezes que chegam a tentar justificar as suas falhas, usam as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre: porque foi o parecer dos técnicos, porque é o que a lei diz, porque é o que está no projeto, ou simplesmente, porque a responsabilidade é de outros.
Corvêlo de Sousa não tem nem nunca teve condições para exercer as funções que ocupa, e por isso o próprio PSD se mostra envergonhado em defendê-lo, sendo mais que sabido que desde o início deseja que saia. O grande problema é que os que o seguem na lista não são melhores, nem podem, se estão lá há tanto tempo e não aprenderam ainda…
Catorze anos na governação de um concelho é muito tempo. Mas em vez de sair da puberdade, o PSD nabantino continua sim preso à mesma teimosia infantil, visão limitada e a irresponsabilidade de quem julga que tudo pode fazer sem consequências.
O PSD tem tentado a tão subtil como falsa, estratégia de dizer que não tem nada que ver com estes autarcas como se não fosse responsável por os ter escolhido. Irremediavelmente sem retorno, não mais poderão tentar esse embuste. Há muito que afirmámos que se não mudasse de atitude, o PSD teria de carregar sozinho o menino nos braços. Essa realidade confirmou-se por exclusiva culpa de quem não soube trabalhar, e seria importante saber que soluções tem agora o PSD. Eu não tenho dúvidas em afiançar: não tem nenhuma.
A gestão do PSD com António Paiva foi ruinosa para o município e para Tomar. Criminosa é até provavelmente o adjetivo mais correto. A gestão do PSD com Corvêlo de Sousa continuou, de forma ainda mais atabalhoada esse rumo. O que pode fazer acreditar que, seja lá com que protagonistas for, de futuro o PSD poderá fazer diferente?
E ainda faltam dois anos para o fim deste mandato. Com a situação tão grave que o município atravessa, este é um daqueles momentos em que a coragem e a responsabilidade dos políticos deveria ser posta à prova. O PS acabou de dar um importante exemplo.
Tomar já perdeu muito tempo, Tomar precisa de eleições antecipadas, precisa de novos protagonistas.
Sei que as condições para que tal aconteçam são muito remotas. Seja com que justificações for, poucos se mostram desprendidos dos lugares que julgam seus.
Se tivermos mesmo que perder mais dois anos, ao menos que se tirem lições de todo este emaranhado de disparates.
Que os partidos, a começar no PSD, tirem lições na forma como escolhem as pessoas que colocam nas listas, e os cidadãos que passem a escolher melhor na hora de votar, que não olhem apenas ao símbolo do partido mas que olhem às pessoas que compõem as listas e aquilo que entendem ser as suas capacidades.
Que olhem para o projeto (não esquecer que em 2005 o PSD ganhou as eleições em Tomar sem sequer ter apresentado um programa eleitoral); e por favor (esta não devia ser uma condição, mas a realidade local tem demonstrado a sua necessidade), na hora de escolher, escolham pessoas que conheçam o concelho, que gostem de Tomar e dos tomarenses, que sintam os seus problemas e que queiram convictamente tentar resolvê-los.
A política e a gestão pública democrática devem fazer-se com base no diálogo, na discussão construtiva e na procura dos consensos alargados. Sei que do lado da alternativa possível a este estado de coisas, o PS, continuará como sempre a existir a capacidade crítica e a convicção das ideias, reafirmando-se incessantemente como a opção credível para trabalhar por Tomar e pelos tomarenses.
Embora muito austera a situação a que foi trazido, o concelho de Tomar terá sempre opções. Assim nos seja confiado demonstrá-las.
Lewis Carrol, autor que cito no início deste texto, disse bem que “as pessoas podem duvidar do que dizes, mas acreditarão no que fizeres”. Ora, em Tomar, do que diz e do que faz o PSD já todos temos obrigação de saber muito bem: fez muito mal, aprendeu muito pouco, não mostra qualquer vontade séria de querer mudar.
Estarão os tomarenses disponíveis para continuar a aprovar tão mau executante?

terça-feira, dezembro 06, 2011


Pronto, só dois dias em Tomar (em Tomar é uma forma de dizer, o mais correto é dizer Freixianda), tanto que há para falar e não tive tempo para falar de nada. 
Se ainda temos ou não o mesmo presidente de Câmara, como vai a preparação do orçamento municipal para 2012, como pensam resolver o problema da BragaParques, que soluções tem o PSD nabantino para as várias crises em que meteu a autarquia...

Enfim, fica para a semana, Tomar ainda deve existir entretanto...
Até já.

sábado, dezembro 03, 2011

o segredo dos outros

Pormenor da rua interior do Centro de Artes de Sines
Desde quinta-feira entregue aqui por Sines e arredores aos deleites gastro-vinícolas e afins, e aproveitando um compasso de espera junto a um computador, enquanto aguardo que outros consigam acordar da noite longa a tempo do almoço agendado para Porto Côvo, reparo que esta semana tenho deixado "o algures" algo abandonado.

E aproveito para refletir como (ando a fazê-lo há três dias) uma cidade bastante desorganizada e pouco interessante, essencialmente piscatória e de serviços ligados à refinaria e ao porto, se tem aos poucos, com estratégia certeira e planeamento rigoroso, transformado em mais uma referência turístico-cultural no país.

Tal como Tomar, Sines apostou no Turismo Cultural (naturalmente aliado à natureza e ao seu posicionamente na costa alentejana) como um dos vetores estratégicos de desenvolvimento.
Só que ao contrário de Tomar, em Sines não se limitam a falar no assunto, foram criadas infrastruturas como o espetacular Centro de Artes, dinâmico, multifacetado, diariamente utilizado; recuperaram-se velhos edifícios, dos quais destaco a antiga estação da CP, hoje sede da Escola de Artes, escola essa que é também uma forte aposta e que transforma com naturalidade o ambiente da terra com músicos e outros artistas frequentando e animando o centro histórico com a simples presença.
(Tomar tem duas escolas de música e uma de dança, mas curiosamente isso não se sente na vivência da cidade).
A dedicação do município de Sines em relação à cultura, às artes e particularmente no trabalho e potencial da juventude sente-se efetivamente. Tome-se o exemplo da Casa da Juventude, que embora já existindo, muda agora ainda para maior e melhor edifício. Em Tomar nem sequer a obrigatoriedade da existência do Conselho Municipal de Juventude é respeitada.

"o segredo" do Vasco da Gama, em Sines
Atividades diversificadas, regulares e repartidas ao longo do ano, tendo como âncora principal o já internacional Festival Músicas do Mundo, que faz de Sines paragem obrigatória no Verão.
Os edifícios públicos estão à disposição dos eventos, como o Castelo de Sines (que não se compara nem de longe com o de Tomar) mas que é palco regular das mais diversas atividades.
Em tudo se sente, se não a gestão direta do município, pelo menos a sua envolvência e coordenação, e por isso mesmo as coisas parecem resultar e ter uma concordância e entrega da população em geral.

Porque é que em Tomar falta esta capacidade de trabalho e visão, e se desperdiça tanto em imbecilidades? Porque falta a tantos o simples bom senso? Porque é que tendo tanto, em Tomar há pelo menos 20 anos que praticamente a única coisa que se faz é estragar?

Será que é porque até o segredo do Gualdim Pais é mais pequeno que o segredo dos outros?

segunda-feira, novembro 28, 2011

o fado alfacinha e o "fado nabantino"


Como há muito se esperava, o Fado tornou-se este fim de semana na primeira inscrição portuguesa na lista da UNESCO do Património Imaterial da Humanidade. É importante para o mundo do fado, importante para Lisboa e para todo o país.
A candidatura do Fado envolveu dezenas de pessoas entre "artesãos da faina" e académicos que nada tinham que ver com fado, que ao longo dos 6 anos que a candidatura demorou a preparar fizeram investigação, recolheram o mais diverso tipo de documentos, entrevistaram, selecionaram, catalogaram...

As imagens que ilustram este texto são em primeiro as duas versões de "O Fado" (foto do DN), a mais célebre pintura de José Malhoa, quando o ano passado pela primeira vez foram expostos em conjunto, precisamente para comemorar o centenário da segunda versão (o mais antigo é um ano mais velho). A segunda é uma recriação desse quadro por Amália Rodrigues e um dos seus guitarristas de eleição, Jaime Santos.

Entretanto, um pouco por todo o país outras candidaturas se preparam, como a da cultura avieira em Santarém (também aqui) para usar um exemplo próximo.
Já sobre uma eventual e lógica candidatura da Festa dos Tabuleiros a verdade é que como há muito alerto, fala-se nisso há muito tempo, Corvêlo de Sousa chegou a responder-me repetidamente ao longo dos últimos dois anos, tanto em privado como em Assembleia Municipal que a coisa estava já ser tratada, mas todos sabemos que nada, absolutamente nada há iniciado nesse sentido. Isto apesar de eu saber e já o ter transmitido, que há pessoas cientificamente apetrechadas, algumas ligadas a esta candidatura do Fado, que estariam disponíveis para trabalhar numa para a Festa.
Só que nesta pedantice saloia que por vezes impera em Tomar, há até quem julgue que isto lá vai com dois ou três carolas auto designados conhecedores do assunto, que se juntam num fim de semana, improvisam um documento e pronto...
Porque cultura e património são das áreas que mais me apaixonam, e porque este caso concreto mostra bem do laxismo e da leviandade com que são tratados os assuntos na CMT, já aqui abordei várias vezes o tema. O mais completo desses textos republico-o em seguida:

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INTAGIBILIDADES (9.04.2010)
Hoje que, com a escolha do mordomo se dará o pontapé de saída para a próxima Festa dos Tabuleiros, é um bom dia para falar de património intangível, e da sua intangibilidade tanto em Tomar como genericamente no País.

Quando já se fala numa eventual candidatura da Festa dos Tabuleiros a tal designação é importante, sem a emoção que ofusca a razão com que por vezes (ou muitas) se discute a festa, ou a falta de conhecimento sobre as matérias que também abunda, perceber do que se fala, quais as vantagens e desvantagens, e o que fazer para poder ambicionar lá chegar.

Para tal é desde logo importante perceber que, em Portugal não existe nenhuma atribuição dessa designação embora já várias tenham sido tentadas. O que é que falhou? Bom, esse é um bom ponto de partida para analisar a coisa com profissionalismo, e perceber que quando se quer levar a cultura e o património, e o espectável turismo a sério, é preciso que nem se caia no amadorismo bacoco e inconsequente, nem na catedra pretensiosa e compremetida apenas com o soldo do projecto.
Fica o dado de que, embora se falem noutros, o processo que está aparentemente mais avançado e com possibilidades de vir a ser o primeiro aprovado para o nosso país, será a candidatura do Fado.
Diga-se ainda que os campeões de património intangível registado são a China com 29 elementos e o Japão com 16. A nossa vizinha Espanha já tem 4.

Embora trabalho básico de pesquisa para um paper académico que estou a preparar, deixo aqui para meu registo, mas também para todos os que quiserem ler e saber mais, alguns links sobre o assunto:
O que é o Património Intangível, a Convenção de 2003 que cria essa designação como uma das facetas do Património Mundial (World Heritage), os domínios em que podem ser apresentadas candidaturas, entre várias outras questões, podem ser encontradas aqui.

Também a lista completa dos 90 elementos já constantes como Património Intangível Mundial e alguns exemplos por mim escolhidos:
Samba de roda do Recôncavo da Baía (Brasil); Tango (Argentina e Uruguai); Royal Ballet (Cambodja) (2ª foto ilustrativa); Canto polifónico dos Pigmeus Aka (República Centro-Africana); vivência cultural da praça Jemaa el-Fna de Marraquexe (Marrocos) (3ª foto ilustrativa); Timbila dos Chopi (Moçambique);

e ainda:
Descrição sucinta das fases de candidatura; Formulário a ser apresentado pelo país com património candidato; guias gerais de implementação da Convenção do Património Mundial (que inclui entre mais, os critérios de selecção) e algumas notícias da Unesco sobre património intangível.

Nota à margem: Não deixa de ser revelador que os links no site da UNESCO para o Convento de Cristo e Castelo Templário não funcionem. (Mais de um ano e meio depois, continuam sem funcionar)

sábado, novembro 26, 2011

amarras soltas

Ontem o PSD colheu o que, com as mesmas causas estéreis dos 3 mandatos anteriores, andou a semear nestes dois anos: os frutos da suas enormes e diversas incapacidades.

A incapacidade para ouvir, a incapacidade para dialogar, a incapacidade para trabalhar em conjunto.
Desperdiçou todas as oportunidades que lhe foram dadas, perdeu definitivamente o contacto com a realidade, vive fechado nas ideias gastas e comprovadamente erradas para o concelho.
Desnorteado com as indecisões e os ziguezagues no interior do partido, a sua possibilidade de resolver o que quer que seja na gestão municipal há se muito se gostou. Não têm uma ideia capaz para resolver um que seja dos problemas estruturais do concelho, muitos desses criados pelos seus gravosos erros de gestão.

Aquilo que poderia ter sido um novo capítulo na forma de fazer política autárquica e trabalho em prol do coletivo, transformou-se por culpa dos maus protagonistas que há 14 anos governam Tomar, numa novela de mau gosto e maus resultados, falta de senso e muitas vezes de carácter ou ética, falta de visão ou estratégia para gerir o município, total irresponsabilidade e alheamento na defesa dos interesses públicos e coletivos.

Por maior boa-fé, por maior capacidade de abnegação, maior vontade em trabalhar, a tolerância não é sinónimo de burrice nem a paciência é infinita. O PS tinha que dizer BASTA!

Ontem, confesso, foi dos dias mais felizes da minha vida política. Só não festejei com champanhe, porque infelizmente há um concelho que há anos morre lentamente. E o futuro é cada vez mais cinzento, aqueles protagonistas já nos mostraram que só podemos esperar o pior.


E já agora, um pouco à margem mas...
há uma semana o ainda presidente Corvêlo referiu uma qualquer necessidade de consequências políticas, a consequência foi o seu partido mandá-lo de baixa para casa. Ontem o vice-presidente Carrão (que até acusou o órgão democraticamente eleito para o fiscalizar de estar a cometer uma ilegalidade, tal o desvario que devia estar a sentir) voltou a falar em consequências políticas. O que lhe fará o seu partido?



O comunicado do PS pode ser consultado aqui.

quinta-feira, novembro 24, 2011

o nó da gravata


Uma vez que hoje até é dia de greve pronto, retorno mais cedo para Tomar. 
Além disso amanhã é dia de Assembleia Municipal e tenho de ir fazer o nó da gravata...

Uma informação sempre útil, que agradeço a um dos vários amigos e amigas que me enchem diariamente o email com informações desta índole de pertinência. De apenas um desses amigos, tenho apenas um pouco mais de 600 emails à espera de ser abertos... Obrigado!

quarta-feira, novembro 23, 2011

drama&beiço em concerto

É já no próximo sábado dia 26 pelas 21:30h, no auditório da Canto Firme em Tomar, que a Fanfarra Drama&Beiço nos oferece concerto integrado no Ciclo Cantar Natal que aquela associação promove.

É verdade que é dia de derby alfacinha, mas mesmo que queiram ver o jogo ainda vão a tempo que eles vão atrasar seguramente o início. A não perder, é do melhor que nos dias que correm se faz musicalmente pelas margens do nabão.

terça-feira, novembro 22, 2011

o planeta de Corvêlo

foto em www.cidadetomar.pt 
Quase uma semana passada, deixar passar não posso  a entrevista de Corvêlo de Sousa na rádio Hertz no passado dia 18, que consegui ouvir quase na totalidade na viagem no conforto do intercidades. Ainda bem que as novas tecnologias nos permitem mesmo a alguma distância, não perder momentos hilariantes.
Grande parte da entrevista girou em torno das questões da coligação e do caso mais recente de autoritarismo do Presidente.

Comecemos pela retirada da carrinha do castelo (que, já o disse antes, é um questão menor quando comparada com muitas outras, mas importante por deixar de forma clara aquilo que é uma atitude perante uma generalidade de assuntos). Como é costume, quando se vê apertado, lá dispara com os gastos argumentos do costume. Desta vez centrou-se mais na lei e nos técnicos.

Diz o sr Presidente da Câmara que (como se o cumprimento da lei tivesse alguma coisa que ver com o caso…) "ninguém pode deixar de cumprir a lei". E diz muito bem. Mas e quando é a Câmara a primeira a dar o mau exemplo?
Esqueceu-se que da cobrança ilegal que está a ser feita no estacionamento tarifado? Onde está a decisão da Assembleia que suporta essa decisão?
Ou, a cobrança dos terrados na Feira de Stª Iria (coisa da qual nunca ninguém fala), é legal? Corvêlo de Sousa, que a determinado ponto até puxou dos galões de advogado ao dizer que não se sente mal num tribunal, deve saber responder a esta pergunta...
E estes são apenas alguns exemplos mais visíveis...

Ainda nos meandros da desculpas esfarrapadas para a decisão acerca do caso "carrinha do castelo", pergunta o jornalista algo como "então mas e não era possível mudar a carrinha de local para outro junto à passagem dos visitantes?” – “Ah, não porque a obra abrange toda a zona de acesso ao Castelo”!!
Ao que o jornalista pergunta e muito bem, “então os turistas estão em perigo?”.
Não, não...”, diz Corvêlo. E consegue dizer sem se engasgar ou rir, é d’homem!

Depois lá diz que, ah e tal, “o que foi decidido em reunião de Câmara não foi bem o que passou cá para fora” e mais uns contorcionismos e, claro, lá chega ao do costume que foi subentender, como se essa fosse uma verdade insofismável, que os técnicos é que decidiram.
Todos já sabemos que quando os políticos são fracos ou não sabem o que fazer, quem decide são os técnicos e que isso é o que se passa no município nabantino, mas alguém que explique ao sr. Presidente que isso não é o que é suposto acontecer. A decisão é sempre política.

E lá foi dizendo mais umas coisas engraçadas, do tipo “Paiva governou em circunstâncias difíceis”.
Bolas, circunstâncias difíceis?! Três maiorias absolutas coincidentes com o período de maior afluxo de fundos europeus; uma série de benesses entre as quais um programa Polis; decidir tudo ao seu bel prazer, sem sequer com o seu partido discutir o que quer que fosse – isto são circunstâncias difíceis?!
Difícil era com tanto conseguir fazer pior! António Paiva é, com todas as questões enquadradas, o pior presidente que já passou por Tomar. (Mas Corvêlo bem tenta ganhar esse campeonato).

Disse ainda que “não foi possível outra solução para o Parque T”. Mentira. Outras soluções eram possíveis, o PS por exemplo apresentou alternativas.
E que “foi uma decisão dos juízes”. Mentira. A solução resultou de um acordo entre as partes, sendo que por parte da Câmara, a decisão foi exclusiva de Corvêlo de Sousa, que apanhou inclusive os outros dois vereadores sociais democratas de surpresa. Foi depois ratificada em reunião do órgão, apenas com os votos do PSD.
Pergunta o jornalista António Feliciano (que esteve muito bem, são precisos mais jornalistas em Tomar que de quando em vez tenham “vontade de ir ao osso”), neste caso “a câmara foi enganada ou deixou-se enganar?”. Não percebi a resposta…

E por fim, sobre a coligação, a sua eventual saída e afins, também disse umas coisas giras. Primeiro que a coligação é coisa dos partidos, já a distribuição de pelouros é consigo.
Mentira. Tudo foi acordado, como sempre foi público, entre os dois partidos. A divisão de pelouros tal como existiu até acerca de um ano atrás, a eleição para a mesa da Assembleia Municipal, e o Conselho de Administração dos SMAS.

Diz depois que não se sente desacompanhado, e que não sabe de quem surge essa ideia de que não termine o mandato, coisa de pessoas sem mais para fazer.
Bom, mas essas hipóteses sempre surgiram em primeiro lugar do PSD e ainda durante a própria campanha. E no decurso do mandato, mais do que uma vez a direcção local do PSD fez saber que ia analisar essa situação!!!
Mas enfim, lá vai dizendo que “não há nenhum prazo” para a sua saída, o que é já um discurso diferente de há uns meses, e por fim lá confessa: “a minha posição em relação à concelhia (do PSD) é muito ligeira”!!

Dizer mais o quê? Ele próprio admite por meias palavras que ser presidente de câmara foi uma espécie de acaso!! 
Apesar disso, sendo notório que ninguém a começar no seu partido o quer lá mas mesmo assim não vai embora, deve estar a gostar. Será possível que julgue que está a fazer alguma coisa de jeito?


As citações são de memória e a sequência dos assuntos pode não ser bem esta.

sim, morrer há-de ser pior

"PSD de Ourém afirma que herança deixada na câmara não foi assim tão má", noticia O Mirante.


"não foi assim tão má"!!!.................

Bem, pelo menos não são "assim tão" alheados da realidade.
E apesar disso, no concelho de Ourém (que desde 2009 até é o meu local de trabalho) foram muitos os disparates, mas mesmo assim (que eu saiba!) não conseguiram numa só obra deixar um prejuízo de, tudo somado, qualquer coisa como 10 milhões de euros.

Já em Tomar, o PSD que até reune hoje, o que terá a dizer sobre a herança dos seus já 14 anos de governação?

Querem apostar que vão dizer que a culpa é do PS?

segunda-feira, novembro 21, 2011

hortas municipais

"Câmara de Rio Maior abre inscrições para interessados em cultivar 50 hortas urbanas", informa O Mirante.
Assim como vários outros concelhos do distrito e um pouco por todo o país, basta fazer uma pesquisa no google por hortas urbanas ou comunitárias, para terem uma clara perceção de algo que se está a tornar exemplo seguido por uma grande generalidade de municípios e sê-lo-á cada vez mais, também como forma de encontrar pequenas soluções para ajudar algumas famílias.

É mais uma daquelas coisas onde Tomar podia ter sido pioneiro, se as propostas do PS fossem acolhidas pelas inteligências sociais-democratas na Câmara e na Assembleia. Infelizmente, e este é apenas mais um exemplo, a reação às propostas do PS costuma ser o riso ignorante e o consequente chumbo, ou então quando após várias tentativas são finalmente aprovadas, continuam a ser ignoradas pela Câmara.
Câmara essa presidida por Corvêlo de Sousa, o mesmo que disse em entrevista a semana passada que a retirada de pelouros a um vereador socialista há sensivelmente um ano, foi com base numa decisão da Assembleia...

Como é possível não rir quando nos servem disparates em catadupa? Toda a atuação do PSD e seus eleitos no município de Tomar seria mesmo uma comédia sublime... se não fosse tão triste.

Como curiosidade, a foto que ilustra este texto veio da página do Município do Funchal ("Funchal Cidade Jardim" é o slogan que usam. Será que diz alguma coisa aos tomarenses?) que merece uma visita pois explica muito bem as virtudes do tema. Claro, todos sabem que o Funchal, como atualmente Rio Maior, são concelhos governados pelo PSD. Será que é só em Tomar que não aprendem nada?

info jurídica


António Gameiro, amigo oureense, ex-deputado e recente doutorado, lança com Rui Januário o seu último livro, quarta dia 23 pelas 18h na Univ. Lusófuna em Lisboa, numa sessão que terá apresentação de António José Seguro.

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jovens sábios

Estes questionários de rua, onde se apanham pessoas desprevenidas e são selecionados e editados à posteriori, nem sempre são bem o que parecem mas não deixam de originar respostas com piada. Eu por exemplo, sou um grande fã daquele tipo que pintou a Mona Lisa, o Leonardo Di Caprio...
Vistas bem as coisas, não é de admirar que existam pessoas carregadas de esteróides e silicone fechadas em casas da TVI, que não saibam qual é a capital de Espanha...


Uma sábia contribuição do AR, do LS, e de não sei quantos mais. Este vídeo já chegou mais de 10 vezes ao meu email...

quinta-feira, novembro 17, 2011

extemporaneidade

Ontem quando me deslocava de carro para Tomar, ouvi uma parte do programa da rádio Hertz "A semana em revista", no momento em que os dois comentadores falavam do último caso da coligação que nunca o foi. (que eu também comentei no post anterior).
E disse António Cruz (deputado municipal independente, ex PSD) a determinado momento que questões mais complicadas já aconteceram anteriormente sem que isso tenha significado o fim da dita, referindo como exemplo as "eventualmente extemporâneas declarações do anterior presidente" da concelhia do PS de Tomar. Traduzindo: quando há uns meses escrevi que em Tomar não existia uma Câmara mas sim uma cambada, não um coletivo mas um grupo desorganizado de pessoas cada um a puxar para seu lado.
Por mais estranho que a mim me pareça, não é a primeira vez que alguém acha que nesse episódio usei palavras irrefletidas.

Então para que conste saibam que, não estando livre disso, não tenho de qualquer forma o hábito de fazer "declarações extemporâneas", muito menos quando falo de política, e menos ainda quando essas declarações são na forma escrita.
O problema de alguma hipocrisia reinante é que parece que há muito quem se preocupe com palavras, mas pouco com as ações. Pois eu, já deviam saber, não tenho medo nem do significado das palavras nem das usar sempre que entender apropriadas.

E para que fique ainda mais claro cá vai uma súmula, sem qualquer tipo de extemporaneidade, das muitas que tenho usado nos últimos meses para com a Câmara de Tomar e respetivas vísceras:

- Esta ficará para a história imediata como a pior Câmara nabantina do pós 25 de Abril. Não há liderança, não há estratégia, não há planeamento, não há uma ideia coletiva do que quer que seja. Desta forma, o Presidente de Câmara e os 4 vereadores com pelouros limitam-se a gerir o dia a dia de cada um dos seus quintais, com mais 2 vereadores a assistir.
Resumindo: Isto não é uma Câmara é uma cambada.

A principal causa da situação deve-se ao PSD nabantino, não só pelo comprometimento óbvio sobre a escolha dos autarcas, a começar pelo presidente de câmara, claramente incapaz para o exercício de tão relevantes funções, mas também pela forma como trataram a situação, desde logo como têm tratado o PS a quem convidaram para ajudar a gerir o município, mas com quem, como é público, sempre se recusaram até hoje a dialogar.
À direção do PSD de Tomar não afetam os interesses do coletivo, os interesses e as dificuldades dos munícipes, e estão focados apenas nos espúrios jogos partidários, muito por incapacidade para gerir politicamente o que quer que seja, sendo que distintamente nem para esses estão à altura, uma vez que a atual situação da autarquia só pode ser desprestigiante para o partido que ganhou as eleições e que desde 1997 governa em Tomar. Ou seja, não é só com os tomarenses em geral que a direção do PSD anda a brincar à política, na minha opinião está a fazê-lo em primeiro lugar com os militantes e simpatizantes sociais-democratas. Mas esse é problema que a mim já não me diz muito.
O PSD nabantino está a prestar um péssimo serviço a Tomar, à democracia, à imagem da política e dos políticos.
Resumindo: Corvêlo de Sousa é incapaz para o desempenho das funções de Presidente de Câmara, e o PSD nabantino é irresponsável e anda a brincar com os tomarenses.

Pronto, agora quem discordar ou achar que estou a ser extemporâneo, chegue-se à frente e contraponha. Talvez alguém acredite.

Importante em todo o caso seria que nos deixássemos todos de hipocrisias e cinismos, pruridos de semântica e enredos novelísticos de fraquíssima qualidade e passássemos sim a dedicar a atenção à gravosa, aviltante, degradante, situação que se vive no município de Tomar, expondo as coisas como elas são e fazendo o possível para que a situação se altere. Seja preciso usar que palavras forem.

Sobre isso contudo, infelizmente, vejo muito poucos preocupados.