sábado, janeiro 15, 2011

O Presidente que eu quero para o meu país.

(artigo publicado no jornal da Cidade de Tomar de 14 de Janeiro)

Ora, parece que dia 23 temos eleições para Presidente da República. Bom, as coisas são como são – há seis candidatos – e até pode entender que não gosta de nenhum, mas são entre estes seis a hipótese de escolha.
Um vem da Madeira, José Manuel Coelho, com tiques de humorista diz algumas coisas por vezes pertinentes, e representa a possibilidade da direita ter uma alternativa ao sr. Cavaco.
Temos depois Francisco Lopes, o candidato do PCP - e dito isto não é preciso dizer mais nada. O PCP não podia, até na forma como o candidato se expressa, ter escolhido alguém que melhor representasse o estilo “disco antigo e riscado”, fechado e ultrapassado que simboliza a ideologia e a forma de actuar daquele partido.
Fernando Nobre é um homem com um percurso de vida muito interessante, com muito de si dedicado ao voluntariado em muitas partes do mundo. Mas a forma como se apresenta nesta campanha desilude-me. Muitas vezes egocêntrico, como se só ele tivesse mais-valias, além de muito vazio de conteúdo político, assenta o seu discurso na demagogia de ataque à política e aos partidos, como se não fosse também ele político no momento em que se candidata ao lugar político por excelência, o primeiro representante da nação, a Presidência da República.
Defensor de Moura, o ex-Presidente de Câmara de Viana do Castelo tem surpreendido muito pela positiva. Com um passado com provas dadas na governação local, tem tido uma postura correctíssima e introduzido temas pertinentes na campanha. Mas também aqui a realidade é como é, o seu resultado será residual.
Faltam naturalmente os dois entre os quais a eleição se decide: Manuel Alegre e o actual sr. Presidente, o sr. Cavaco.
Manuel Alegre é o candidato que apoio. Não tem a dimensão política dos anteriores presidentes Mário Soares ou Jorge Sampaio, mas está para mim muito à frente de todos os outros que se apresentam a estas eleições.
(Como vai sendo difícil nos tempos que correm distinguir entre Aníbal Cavaco Silva Presidente da República, e Aníbal Cavaco Silva candidato e para que não ajude também eu a essa confusão, estou a tratar o primeiro por sr. Presidente e o segundo por sr. Cavaco).

Ora, o Presidente que eu quero para o meu país diz o que pensa, particularmente dos assuntos importantes como na defesa do Sistema Nacional de Saúde, na Educação, nos valores progressistas, no equilíbrio entre Estado, Mercado e Economia; na Soberania Nacional. E de Manuel Alegre todos sabemos o que pensa e como defende estas matérias. Já no caso do sr. Cavaco ou não sabemos, ou do que sabemos livrai-nos!
E podemos bem ir por aí, é que o Presidente que eu quero para o meu país responde às perguntas importantes que lhe fazem, e não faz do silêncio uma forma de estar, nem com isso tenta fazer passar a ideia de estar acima dos políticos, acima dos partidos, acima dos comuns mortais como se fosse um qualquer santo exemplo de virtudes quando está mais que visto que não é;
O Presidente que eu quero sabe dizer coisas inteligentes sem que alguém lhas tenha escrito; e não passa a vida a dizer que é preciso confiar em quem já deu provas, fazendo especial referência ao ser economista, quando grande parte dos problemas estruturais do nosso país, como nas poucas habilitações dos portugueses e nos milhões de euros de fundos europeus mal gastos, e mesmo de comportamento facilitista da sociedade advêm da década da sua governação onde “nunca se enganava e raramente tinhas dúvidas”.
O Presidente que eu quero não faz declarações ridículas sobre assuntos que não interessam nada, e silêncios absurdos sobre matérias sobre as quais era importante que falasse;
Não faz casos disparatados sobre escutas no Palácio de Belém ou manda fechar o espaço aéreo da sua casa de férias no Algarve, como se algum paparazzi lá fosse de avião tirar fotografias ao topless da Primeira-dama.
O Presidente que eu quero não é o mais demagógico ou oportunista dos políticos, como esta coisa de fazer condecorações um mês antes das eleições, ou aproveitar a mensagem de Natal do sr. Presidente para fazer campanha;
O Presidente de República que eu queria não faz lembrar uma cópia desfocada de António Salazar, nem tem atrás de si as forças mais conservadoras e retrógradas da sociedade. Mas este é o sr. Cavaco.

E depois, o Presidente que eu quero não usa a sua influência política, para junto de instituições onde governam os amigos seus ex-membros de Governo, conseguir para si e família ganhos de 140% em muitos milhares de acções! Bem sei, este não é um tema pertinente, mas porque não o esclarece o sr. Cavaco? Foi ele que trouxe o BPN para a campanha quando tentou desviar as atenções para a actual administração!
Tudo o que fez até pode ser legal, mas não é ética e moralmente aceitável para um político, muito menos para um com as funções do sr. Cavaco. Lembram-se de tudo o que tem sido dito de José Sócrates, da perseguição e difamação de que tem sido alvo, através de meros boatos e insinuações? Neste caso do sr. Cavaco estamos a falar de concreto: há cartas, há facturas, há entrada e saída de dinheiro!
É por tudo isto e muito mais, que se eu não soubesse em quem iria votar, ao menos saberia seguramente em quem não o fazer: no sr. Cavaco.
Bem sei e muitas vezes o digo, que o voto negativo não é o mais razoável como intenção, mas também sei que boa parte dos portugueses é esse voto que muitas vezes usam; não o voto a favor de, mas o voto contra algo ou alguém. Pois bem, se não for por melhores razões, se nenhum candidato agradar verdadeiramente, pelo menos não se vote no mesmo que tantas provas já deu de não servir para a tarefa.

E aqui chegamos ao ponto importante. Não importa o que eu penso ou o que o leitor pensa. Interessa sim o que todos nós individualmente pensamos sobre o assunto, e por isso, o que importa mesmo é que ninguém deixe de ir cumprir aquele que é um direito mas também dever mais basilar: votar.
Não se abstenha, não deixe que os outros decidam por si, faça parte da decisão. Dia 23 de Janeiro não falte à chamada. Vote. Por si, pelo país, por todos nós.

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sexta-feira, janeiro 14, 2011

estou tão feliz!

Desde ontem sou administrador do meu condomínio. O que é se pode desejar mais na vida?!

Finalmente encontrei algo com que ocupar o meu tempo...

o tempo que o tempo tem

A minha "nota do dia" da última quarta-feira na rádio Hertz, desta fez um "crónica sobre nada", pode ser ouvida como sempre no sítio do costume.




Amanhã, na rádio Cidade de Tomar, estarei também entre as 10h e as 13h no programa "Praça Pública", amanhã essencialmente em torno das medidas de combate à crise no município.

resquícios do animal que há no Homem

Existem vários em todo o mundo, mas é o combate a esses resquícios barbários que se traduz por evolução humana e nos faz melhores pessoas e cidadãos.
Em Portugal temos como grande exemplo disso mesmo, as touradas. É tempo de acabar com isso.
Assinem a petição:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=010BASTA

Mais de 26000 pessoas já assinaram, mas são precisas muito mais, até porque nos principais lugares de decisão a mentalidade ainda é muito conservadora. Nestas e noutras matérias um encolher de ombros não basta, é preciso vincular uma posição.

uma questão de nome

Um angolano residente em Portugal quer registar o seu filho recém-nascido:

- Bô dia! Eu quer registrar meu minino que nasceu ontem.
- Muito bem. O seu filho nasceu ontem, é do sexo masculino… e qual é o nome? – Marmequer Bicicreta..
- Desculpe! Quer chamar ao seu filho Malmequer Bicicleta?
- É.
- Desculpe, mas não posso aceitar esse nome.
- Não pode, porque tu é racista! Si meu minino fosse branco, tu punha.
- Não tem nada a ver com racismo. Esse não é um nome admitido em Portugal.
- Tu é racista. Si meu minino fosse branco, tu punha esse nome a ele.
Tu não põe, porque meu minino é preto.
- Já lhe disse que não tem nada a ver com racismo. Malmequer Bicicleta não é nome de gente.
- Ai não! Então porque é que tu tem uma branca chamada Rosa Mota?

Uma contribuição do Armando F.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

quando a coisa corre mal, contrata-se mais chefes...

Tal como noticia O Templário, foi hoje publicado em Diário da república o novo Quadro de Pessoal e a nova estrutura orgânica do Município, aprovados no fim de ano em Câmara e Assembleia Municipal. sendo a estrutura esta:

DAF - Departamento de Administração e Finanças
DOGT - Departamento de Ordenamento e Gestão do Território
DOM - Departamento de Obras Municipais
1 - Divisão Administrativa e de Apoio aos Órgãos Autárquicos
2 - Divisão Financeira
3 - Divisão de Ordenamento do Território
4 - Divisão de Gestão do Território
5 - Divisão de Obras de Construção Civil e Infra-Estruturas Eléctricas
6 - Divisão de Estradas, Trânsito e Mobilidade
7 - Divisão de Manutenção, Oficinas e Transportes
8 - Divisão de Assuntos Jurídicos
9 - Divisão de Recursos Humanos
10 - Divisão de Desenvolvimento Económico, de Apoio às Empresas e de Comunicação
11- Divisão de Serviços Urbanos e Espaços Verdes
12 - Divisão de Turismo, Cultura e Museologia
13 - Divisão de Educação e Acção Social
14 - Divisão de Desporto e Juventude
15 - Divisão de Protecção Civil

Ora, eu podia (e já o fiz nos locais próprios) comentar muita coisa sobre o assunto como, baseado em quê esta estrutura e não outra, ou será por exemplo a área Administrativa e Financeira a função mais importante de uma autarquia a ponto de ter um Departamento? É que não me lembro de algum partido ou político fazer dessa temática assunto de campanha...
Mas enfim, ignorando essas e muitas outras questões, deixo apenas esta para reflexão:

Será que um munícípio com pouco mais de 41000 habitantes (querias! deixa lá vir os novos censos...) precisa mesmo de 3 Departamentos e 15 Divisões?

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novo site do município de ourém

Nós sabemos que a Câmara de Tomar (convém sempre lembrar que câmara é uma coisa, município é outra) pelo menos na última década, nunca foi muito chegada às tecnologias. Mas é bom ir lembrando para não esquecer.
Façam por isso o favor de consultar a página do Município de Tomar (que é lentinha a abrir, para estar em consonância...) e a nova página do Município de Ourém, re-inaugurada há poucos dias e ainda em crescimento - é conveniente lembrar que a nova Câmara de Ourém está em funções apenas desde as últimas eleições, tendo tomado posse há cerca de um ano. Além disso deve-se perceber que há coisas que não são comparáveis, como no património e sua vertente turística, por exemplo.
E agora façam alguns exercícios de comparação entre as duas páginas:

Encontrar uma acta de uma reunião de Câmara ou mesmo de Assembleia Municipal;
Encontrar o mapa de pessoal dos dois municípios, e tudo o mais que conseguirem relativo a recursos humanos;
Descobrir numa e noutra o espaço jovem "Loja Ponto Já" (só em 3 concelhos do nosso distrito existem estes espaços, e só em 2 eles são responsabilidade da autarquia: Tomar e Ourém);
Ver como é o Gabinete de Apoio Autárquico ao Consumidor (GIAC) lá, e tentar descobrir se existe e em que condições cá.
Visite-se também o espaço dedicado às freguesias em ambas as páginas.
E depois, navegar à vontade numa e noutra página.

Dir-me-ia o Presidente de Câmara anterior, e o actual que usa normalmente os mesmos argumentos: «Ah e tal e isso era um projecto da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que não correu lá muito bem...»
pois, quando não sabemos ou não queremos saber mais, as culpas são sempre dos outros.
E convém lembrar que o Município de Tomar foi o penúltimo do distrito e um dos últimos do país a ter uma página web.

Mas já que estamos nisto, procurem ainda na página de Tomar temas como "Tomarpolis", "Estudo de Mobilidade", "Associativismo", entre outros, e façam as vossas reflexões sobre o assunto.
Por fim, atente-se ainda à selecção de notícias colocadas na página de Tomar.

tão perto e no entanto...

...tão longe! Outras formas de estar e fazer política, de estar e fazer serviço público.
Se em Tomar, em algum universo paralelo se colocasse algo semelhante à AM de Lisboa, lá iam os senhores da velha política dizer que era ilegal, ou contra o regulamento, ou outra coisa qualquer. É que eu continuo estupefacto com a forma como decorreu a última Assembleia Municipal, peróla ainda mais rara nas já geralmente absolutamente irrelevantes reuniões daquele que é o orgão máximo do município. 




"A discussão do orçamento da câmara de Lisboa foi hoje suspensa na Assembleia Municipal para que o presidente da autarquia pudesse analisar as propostas apresentadas pela oposição.".
Notícia desenvolvida no SOl

terça-feira, janeiro 11, 2011

"e o burro sou eu"

Tanta desorientação, tanta urgência em reunir a Assembleia Municipal que nem houve tempo de previamente discutir nada com jeito e vamos a ver outras há, com calma, que reunem em Janeiro.

É claro que não se compara connosco, é só a capital do país...

Assembleia Municipal discute orçamento da CML

info solidária

Não custa relembrar, que até 30 de Janeiro pode fazer o seu depósito na conta oficial de solidariedade para com as vítimas do tornado no concelho de Tomar. As info's abaixo foram retiradas da página da CGD

Cruz Vermelha Portuguesa - Vítimas Tornado Tomar

Conta nº 0813056830230
NIB: 003508130005683023058
IBAN: PT50003508130005683023058
Finalidade: Apoio às vítimas do tornado em Tomar
Prazo: de 10 de Dezembro de 2010 a 30 de Janeiro de 2011

Associação Nacional Municipios Portugueses...

... está reunida em Tomar, noticia a rádio Cidade de Tomar.

O que é muito bom! Talvez expliquem ao sr. Presidente de Câmara e ao PSD local qual é a realidade das autarquias, particularmente no terem de cortar em obras, como outros autarcas e o próprio Presidente da ANMP, Fernando Ruas já avisou.

É que as margens do nabão têm propriedades muito etéreas - sonha-se muito com quimeras!

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Nox

Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Antero de Quental, in "Sonetos"




domingo, janeiro 09, 2011

procrastinar...

... é um termo que significa provavelmente, a generalidade dos problemas do nosso país reunidos numa só palavra.
Pois nos dias que correm nunca me senti tão procrastinador. Só o estar a colocar este post em vez de estar a ler as densas teorias de Administração Pública, do Pitchas ao Peters, do Giauque ao Majone, do Pollit ao Flora, do Esping-Andersen ao Chevalier, do Rosenbloom ao Mintzberg,  com passagem por Weber, Habermas ou Giddens, sem esquecer os nossos Bilhim, Rocha, Araújo ou Mozzicafreddo, já é prova suficiente.

A visão tão humorística quanto pertinente, dos também eles procrastinadores ou já teriam regressado à TV, Gato Fedorento.
"Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade; um optimista vê uma oportunidade em cada dificuldade."
Winston Churchill


Porque Janeiro é todo ele um mês desejos e votos para o ano que começa, aqui fica mais um excelente pensamento para recordar ao longo do ano difícil que chega.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

«Se a Universidade de Goa deu um doutoramento honoris causa em Literatura a Cavaco Silva, a mim podem dar-me um doutoramento honoris causa em Medicina, para as coisas ficarem equilibradas».
José Saramago

debate

Amanhã, entre as 10 e as 13h, estarei no debate do programa "praça pública" na rádio Cidade de Tomar, desta vez tendo como tema o Orçamento Municipal para 2011.


quarta-feira, janeiro 05, 2011

parece simples

“A única coisa que fiz neste País foi o óbvio, o que todo mundo deveria ter feito, mas não fez até hoje. Aprendi que fazer o óbvio é a coisa mais tranquila porque todo mundo sabe que é preciso fazer, não dá para inventar.”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente do Brasil, homem do povo.


É aquilo de que muito boa gente e em particular os políticos normalmente se esquece: o óbvio.

os lobos na pele de cordeiros

"João César das Neves (JCN) faz hoje, ao contrário do habitual, uma mistura de religião e política na sua homilia no DN. Aproveita para zurzir o primeiro-ministro com alguma leviandade e má fé nos aspectos pessoais e com legitimidade democrática, nos aspectos  políticos.

A homilia intitula-se «A sombra da falsidade» e serve para bolçar a raiva transportada com os avanços civilizacionais na legislação sobre Família.

JCN, um beato amigo do peito e da hóstia de qualquer cardeal a quem o espírito Santo e o Opus Dei enfiem a tiara, não digere a legislação sobre o divórcio, o aborto e os casamentos entre as pessoas do mesmo sexo.

JCN sabe que mente ao acusar o Governo de «enveredar impudentemente pelo partido mais extremista» no que se refere, por exemplo, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, pois fazia parte do programa com que o PS se apresentou a eleições. Mas o que é uma mentira quando se está convencido de que há um deus com um caderno a apontar todas as tolices que dizem ser do seu gosto?

Quando JCN afirma que «Agora a crise faz a impostura descer a canalhice» não é o troglodita que parece, é o beato sequioso de água benta, o catecúmeno ávido de bênçãos e o beato ansioso por indulgências.

JCN está sempre tão impaciente para defender as tolices da sua Igreja como para atacar a modernidade e os direitos individuais."


Foi escrito por Carlos Esperança no Ponte Europa. E eu queria tanto, tanto, ter sido eu a escrever este texto.

terça-feira, janeiro 04, 2011

info cultural

A pintora tomarense Engrácia Cardoso prepara-se para inaugurar mais uma exposição, desta feita denominada "Enciclopédia, um projecto de desenho".

É dia 14 de Janeiro, às 22h na Galeria Gomes Alves, em Guimarães. Sempre um bom pretexto para dar um salto ao norte do país.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

diz que é uma espécie de cultura...

Ainda não me inteirei bem do assunto, mas parece que a "nova gestão" do pelouro da cultura já fez estragos. É a coerência e a capacidade política dos que têm temas como a Cultura ou o Turismo, entre outros, na ponta da língua do discurso, mas nada percebem e fazem na prática.



Eu já assinei a petição, e depois de melhor perceber o que se passa, é natural que o PS tome posição sobre o assunto.

autarquias que inovam II

No concelho de Ourém, abrem hoje os serviços de atendimento de proximidade ao cidadão nas freguesias de Freixianda, Caxarias e Olival, noticia a rádio Hertz e também o presidente da Câmara, Paulo Fonseca, no seu facebook.

Ali tão próximo, e no entanto tão distante. E esta nova realidade no concelho de Ourém tem apenas a duração que este mandato leva: um ano. Um exemplo do que se pode e deve fazer não só na melhoria dos serviços na perspectiva do cidadão, mas igualmente na parceria com outras entidades, em particular com as juntas de freguesia, aqui nas margens do nabão sempre tratadas como pedintes.
Em Tomar, para todas as propostas de iniciativas do género ou de tudo o que seja inovação e saída do "conforto da rotina", como eu pessoalmente e o PS defendemos, a resposta é sempre a mesma: não é possível, os serviços não estão preparados, não há vantagens seguras, ou qualquer outra desculpa do género.
Tem sido ao longo dos anos em casos como a Loja do Cidadão, a Loja Social, o protocolar com as freguesias e as associações, ou ainda na última Assembleia Municipal com a reformulação do horário de atendimento ao munícipe, também chumbada. A exemplo do que aconteceu com a Rede Social e outras temáticas, mais tarde ou mais cedo estas mudanças acontecerão, mas é pena que com a Câmara de Tomar seja sempre tudo por arrasto, de má vontade, e quando já não é possível impedir ou negar mais.

Quando falha a sabedoria e a vontade tudo é díficil. Há uma maneira mais popular de dizer isto, mas a boa educação não permite aqui transcrevê-la. Fiquemos apenas assim: quando não se sabe... tudo atrapalha.

autarquias que inovam

ABRANTES - Pedidos de licenciamento de obras particulares em formato digital, noticia a rádio Hertz.


E em Tomar?...

desejos de ano novo

Votos para 2011 solicitados pelo jornal Cidade de Tomar e publicados na sua edição de 31 de Dezembro. (presumo, uma vez que ainda não vi os jornais locais da passada semana)

Nunca gostei, ainda para mais neste tipo de solicitações, de formular desejos materiais. Apesar de sabermos que o próximo ano vai ser ainda difícil nacional e mundialmente. Localmente, além das questões relacionadas com a crise temos também as estruturais que há anos afectam o nosso concelho. E este ano temos ainda a lamentar o tornado que atravessou Tomar e que fará mais difícil o Natal de muitas famílias, com efeitos em muitas delas a prolongarem-se por 2011. Por isso, porque apesar da ambição não devemos sucumbir à ilusão, é realista que os nossos desejos se centrem em que esse que chega, ao menos não seja pior do que este que termina. Por muito que, por exemplo ao nível salarial, boa parte de nós vá sentir já em Janeiro o cinto apertar mais uma vez.

Atravessamos a maior crise económica e social de que há memória na história humana, mas como em todas as outras temos apesar de tudo, de conseguir encontrar as forças necessárias para superarmos as dificuldades. E é possível fazê-lo, sem cedermos ao pessimismo, melhorando a capacidade de gestão das nossas vidas pessoais, centrarmo-nos nas coisas realmente importantes da vida, focando-nos mais na vivência comunitária, na partilha, na efectiva existência social, com desapego às questões materiais e consumistas que infelizmente se tornaram primordiais para tantos.

É nas horas mais difíceis ainda mais importante apelar àquilo que nos faz mais humanos: à Solidariedade, à Tolerância, à Disponibilidade de uns para os outros. Mas também à Cidadania, à participação, ao combate ao alheamento generalizado dos cidadãos perante as questões políticas e sociais, que só agrava as contrariedades.

Se criarmos e potenciarmos em cada um de nós estes valores, por maiores que sejam as dificuldades materiais individuais, vamos colectivamente ser uma melhor comunidade, com melhor qualidade de vida, obrigando além do mais as entidades públicas a ter melhores prestações naquele que é e deve ser o seu serviço à sociedade.

E o que se aplica genericamente para o país, aplica-se muito em particular a este concelho médio/pequeno, amorfo e conservador que somos e que, ao contrário de ficarmos à espera do que outros possam fazer por nós, começará por ser sim, aquilo que nós que cá vivemos dele fizermos.

Numa frase, o que desejo é que todos queiramos e nos disponibilizemos para fazer mais.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

festa encharcada

Está um dia tão bom... tão convidativo à grande noite de amanhã que enfim... até tremo só de pensar! Não!, não tem nada a ver com frio...

Bom, aqui na Freixianda sim, faz muito frio, de maneira que um pouco mais logo, vou passar por Tomar só por uns instantes, a caminho de paragens mais a sul.
Pronto, se precisarem de mim estou algures junto à praia. Só porque enfim, é giro beber champanhe (espumante vá) enrolado às mantas a ver chover sobre o mar...

Até para o ano, cuidado com os excessos!

um pouco mais de pele

Este algures aqui, que por cá vai andando ano após ano com a sua irregularidade certa, teve no dia 23 deste mês uma audiência como há algum tempo não se via de 450 visitas e 675 vistas de página!
Sem nenhuma especial razão, até porque não escrevi nada muito polémico nos últimos tempos, só posso mesmo concluir que tal afluência se deve ao meu postal de natal!

Querem que eu ponha mais? :)

para o ano novo

A minha nota do dia de ontem na Rádio Hertz, essencialmente sobre o tema em epígrafe, está como sempre audível online na página da rádio.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

dores natalícias

Bom, os dias de natal já passaram e os meus não podiam ter sido piores... o pai natal este ano decidiu presentear-me com uma magnífica dor de dentes que dura há quase uma semana, a ponto de eu finalmente (que a juventude já lá vai e a resistência à dor também), me ter atirado aos comprimidos. Ainda por cima, não sei  se por não estar habituado, o certo é que não fazem lá grande efeito. Se não fosse a velha aguardente para ajudar a suportar um bocadinho o passar das noites...

Enfim, tudo tem um lado positivo. Ao menos, quilos a mais por todas as costumeiras tentações do natal foi coisa que seguramente não me afectou este ano. Srª Drª trate-me lá disto que eu já não aguento!!

A foto, de aspecto delicioso para quem consegue comer, fui sonegá-la ali ao Olhares do Carlos Silva.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Feliz Natal

Estavam a pensar que eu me esquecia não?!
Ora para não fugir ao hábito, cá está o postal do algures aqui e os meus votos:
Boas festas e em toda a parte!

algures em NY

Eu era para aqui colocar umas fotos de Nova Iorque bem como umas histórias de locais, peripécias, curiosidades, celebridades junto de quem estive, os locais mais interessantes, os espectáculos...
mas o volume de trabalho, o tornado, e outros temas que se foram intrometendo deixaram este na caixa de rascunhos do Blogger, e agora já não me apetece.

De maneira que só para não passar em claro, e também para a malta que tem pedido, deixo apenas os links para as fotos na Galeria que está sempre ali na coluna ao lado, ou no facebook aqui e aqui. São apenas uma pequena porção (menos de um décimo) porque seria impossível publicá-las todas, pelo que seleccionei só algumas, mais ou menos ao acaso, mas já bem para ter uma ideia da surpreendente ilha de Manhattan ou cidade de Nova Iorque, como preferirem.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

a caridadezinha



Nesta época natalícia, uma música de José Barata Moura que embora de outros tempos é muito actual. Aqui a dedico a todos os que confundem Solidariedade com caridade, muito em particular ao nosso Presidente da República, Cavaco Silva.

jantar de natal dos funcionários da autarquia

Eu sou, por princípio, pela contenção dos gastos e a sua utilização fundamentada, particularmente quando se trata de dinheiros públicos, desde que essa contenção não caia na demagogia.
Ora, é precismamente o que penso acontecer com a não realização (notícia n'O Templário online) do tradicional jantar dos funcionários da autarquia. Demagogia pura.
Esse pequeno gasto é absolutamente insignificante, especialmente quando comparado com tantos outros feitos por aquela entidade. Por outro lado, esta seria porventura no ano a única ocasião em que os todos os funcionários do município se encontram, sendo que essa "reunião geral" tem muito mais prós, até em termos de gestão dos recursos humanos, que o contra do custo. Mesmo fazendo um lanche a substituir, é evidente que não é a mesma coisa.

Quando numa empresa se iniciam estes sintomas é sinal que a falência está eminente... que diagnóstico se fará numa autarquia?

Aos outros e dos outros

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 17 de Dezembro

“Qualquer um pode tomar o leme quando o mar está calmo.”
Públio Siro, poeta do império romano

A época festiva que vai chegando, está para muitas famílias no nosso concelho (e em Ferreira do Zêzere e na Sertã) definitivamente marcada pela calamidade. Foram, só em Tomar 20 kms, 400 casas, e muito mais pessoas afectadas material, física e psicologicamente pelo tornado que no dia 7 por aqui passou. Casas umas sem telhado, outras sem janelas ou portas, outras onde as mobílias desapareceram, outras simplesmente uma amálgama de restos; carros atingidos com detritos, árvores arrancadas ou partidas, torres de alta tensão, postes, muros, barracões… enfim, “tudo o vento levou”, e no epicentro mediático um jardim-escola com 140 miúdos cujas educadoras e auxiliares passaram a ser para mim, e seguramente para a generalidade dos outros professores do nosso país, heroínas.
Certamente temos todos, ou pelo menos nós os que não fomos directamente afectados, de concordar que apesar de tudo houve uma pontinha de sorte. Não houve vítimas mortais, e mesmo a dimensão dos feridos quando comparada com os números da tormenta é reduzido. Não é difícil para ninguém imaginar que se o percurso do tornado fosse um pouco mais a sul, atravessando a cidade, a situação até nos estragos materiais seria certamente diferente.

Voltando ao concreto, a primeira coisa que se constata não é novidade. Nestas situações drásticas revela-se normalmente o melhor e o pior do ser humano – o melhor, aqueles que logo acorrem altruisticamente para prestar auxílio; e o pior, os que vão como nos acidentes na estrada abrandar para ver, ou seja, armados em mirones com máquinas fotográficas e tudo, vão encher de carros e pessoas os locais onde o que é mesmo preciso é fluidez e capacidade de mobilidade; vão egoisticamente porque para satisfazer a sua curiosidade mórbida, indo além do mais atrapalhar quem está a trabalhar ou quem precisa de auxílio.
Nestes momentos de ocorrências extremas pedimos (quase) todos o que deve ser pedido, que assumam as suas responsabilidades nas operações quem as tem, e que ajam as instituições públicas nos apoios posteriores a ser prestados, com a capacidade e agilidade equivalente à necessidade.

Não há contudo, é preciso dizê-lo com responsabilidade, sistema que numa situação destas não tenha falhas, aqui ou em qualquer parte do mundo. Não podemos ter recursos infinitos, não se podem ter meios materiais e humanos permanentemente ao dispor a pensar numa situação extraordinária que possa acontecer. Não há impostos que paguem isso, e mesmo que houvesse haveria sempre lacunas. Não é possível ter um carro de bombeiros, uma ambulância e um agente de polícia ao pé de cada casa. Portanto, falhas terá havido com certeza, mas é preciso dizer que genericamente as coisas correram bem, os profissionais e os responsáveis estiveram à altura do momento difícil.

Apesar disso já se levantaram as críticas, umas naturalmente compreensíveis, porque vindas de quem possa não ter recebido ajuda imediata; mas outras lamentáveis, vindas de quem “ouviu umas bocas”, de quem julga ser dono do conhecimento, ou até mesmo muitas baseadas em histórias mal contadas, como aquela de dizer que os militares não ajudaram porque a câmara recusou – críticas que além do mais mostram que quem as profere nada sabe da forma como funciona o sistema de protecção civil, como são as regras estabelecidas entre entidades, ou em que circunstâncias actua o exército. O que não quer dizer que eu não ache que o exército devia ter auxiliado, não se pode é dizer que a culpa disso é da câmara.

O pior das críticas acaba por ser quando elas vêm de quem tem mais responsabilidade. Como aquele autarca sempre pródigo nas aparições para a comunicação social, que no próprio dia começou a criticar a câmara e a protecção civil por não terem ido ao local, esquecendo que os bombeiros fazem parte da protecção civil, e que ele próprio além de responsável político, é enquanto presidente de junta também elemento do sistema de protecção civil.
E depois há também os partidos e forças políticas que se põem a fazer comunicados e a anunciar reuniões e mais não sei o quê. Tudo isso se resume numa palavra: Demagogia. Parece que a alguns políticos ainda não foi dado a perceber que vivemos num tempo novo, as pessoas estão fartos de teatro desempenhado por maus actores – deixemo-nos de fitas, questões como a catástrofe que ocorreu na passada semana não podem servir para politiquice!
É nos momentos difíceis que melhor se vê o carácter e a capacidade das pessoas, e a seriedade na política é tratar os assuntos com sentido de dever, e nestes momentos é preciso deixar trabalhar quem sabe e tem essa obrigação. Há regras estipuladas, há estruturas de comando, há pessoas experimentadas. Aquilo que podemos fazer (e devemos!) é individualmente, segundo a consciência e a disponibilidade de cada um, apresentarmo-nos para ajudar se for preciso, sem pretensões de sabermos mais, sem querer dar “bitaites” mas numa postura franca de, com voluntariedade e solidariedade, querermos ajudar.

Até porque é impossível resolver uma situação destas sem contar com a solidariedade de muitos, sem a mobilização dos civis, e se calhar menos do que desejável, mas houve-a apesar de tudo. Ora, estamos em Dezembro, o mês do Natal, celebração que costuma dizer-se, é a época em que mais se sente o espírito de amizade, solidariedade, entre-ajuda, enfim, quando o ser humano é efectivamente mais humano.
Bom, em Tomar esse espírito foi posto à prova, muitos foram os que se entregaram à tarefa e deram do seu tempo e do seu suor para ajudar outros, em boa parte das vezes sem sequer os conhecer. É bom sinal que muitos fossem jovens. E é preciso agradecer particularmente aos voluntários que vieram de outros locais do país, e segundo sei até do estrangeiro. Claro, a grande maioria dos 40000 tomarenses nada fez, foi como se fosse apenas mais uma notícia no telejornal de mais uma coisa qualquer acontecida algures noutro sítio do mundo.

Pois, é muito fácil falar de espírito natalício quando isso trata de comprar umas prendas, ou continua a ser ainda assim fácil falar de solidariedade, quando se trata de dar um saco de arroz à saída do supermercado, ou uns trocos quando vão pedir lá a casa. Mas dar do seu tempo… ou do seu esforço… pois, é mais difícil.
Enfim, há ainda trabalho a fazer, mas se lições houverem já a retirar, entre seguramente uma ou outra falha do sistema a corrigir, essas lições devem começar em cada um de nós de forma muito simples. Primeiro que as “coisas” não acontecem sempre aos outros e nunca se sabe quando precisamos nós de ajuda; e depois, que a responsabilidade, a indisponibilidade, as falhas não estão sempre nos outros, começam sim em nós. Quando começamos a criticar, comecemos por nos olhar ao espelho. Sendo a época propícia, parece-me um excelente exercício para descobrir que valores residem afinal em cada um de nós.
E com este registo, que tenham todos o melhor Natal possível.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

radiofónico

A minha última nota do dia na rádio Hertz (e as anteriores), esta sobre o incontornável tornado, pode ser ouvida online aquiÉ só seleccionar entre os vários cronistas.





Amanhã, entre as 10 e as 13h, debate no programa "praça pública" na rádio Cidade de Tomar, também em vídeo online.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

o inverno...

...aqui no blogue começa mais cedo, fartei-me das cores pastel que aqui abundavam. Além disso as cores escuras nos ecrãs são mais amigas do ambiente pois poupam energia. Cores ainda sujeitas a experimentação contudo.

O "algures aqui" entra agora na sua versão 3.1
3.1 porque é praticamente apenas uma alteração de cores e não de layout, coisa que se fez em apenas alguns minutos. Porventura lá para Julho quando este blogue entrar na idade da mestria, se houver tempo e paciência, aí sim haverá novo design.
O sistema de comentários passa agora a ser o do próprio Blogger, que é mais simples de incorporar no esquema de blogue e além disso gratuito, ao contrário do Eccho até aqui usado. A desvantagem é que o acesso ao histórico de comentários deixa de estar acessível aos leitores, como se até aqui todos os posts tivessem tido 0 comentários. Mas também não há lá grande coisa a ler.

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Tornado:

... apoios já publicados no Diário da República, noticia O Templário Online

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Carlos Pinto Coelho
(1944-2010)


Jornalista da televisão e da rádio, exímio fotógrafo (aquela foto atrás dele serviu-me para um trabalho escolar algures no meu secundário), foi durante vários anos o apresentador do então único jornal televisivo de cultura da Europa, o Acontece na RTP2 - esse perigoso programa esquerdista que o então Ministro Morais Sarmento entendeu exterminar. Faleceu hoje, vítima de ataque cardíaco.

Nocturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental, in "Sonetos"

terça-feira, dezembro 14, 2010

Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'

Tu à Noite

Tu à noite havias de escutar
A trovoada e o ar ambulante.
Tu nessa margem hás-de virar
Para onde estão as intempéries dominantes.

Toda essa honrada esperança
Ruirá na ardósia,
E destroçará o inverno
Que vocifera a teus pés.

Se bem que ardam os altares apaixonantes,
E que o sol deliberado
Faça ladrar a águia,
Tu avançarás na corda bamba.

Harold Pinter, in "Várias Vozes"

sábado, dezembro 11, 2010

debate

Daqui a pouco dá-se início a um novo programa de debate político em Tomar, desta feita na rádio Cidade de Tomar.
A partir de hoje, aos sábados entre as 10 e as 13h, o "Praça Pública" conta com a presença de representantes das forças políticas representadas na Assembleia Municipal de Tomar a debater entre si temas diversos relacionados com o nosso concelho.
Lá estarei.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Como ajudar as vítimas do tornado

Todas as ofertas deverão ser comunicadas para 249324030 de forma a serem organizadas, tríadas pelos serviços sociais e chegarem a quem efectivamente precisa de apoio.

Está também disponível o número da UNICA conta bancária autorizada para recepção de DONATIVOS, titulada pela CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, que é NIB 0035 0813 000 5683023 058.

Qualquer outra conta ou solicitação de ajuda NÃO é oficial. (Estas acções de angariação de fundos carecem de autorização da entidade administrativa - neste caso o Município).

A mão de obra disponível para ajuda, que se pretende organizada, poderá apresentar-se no Quartel de Bombeiros, para integração na bolsa de voluntariado à disposição do comandante operacional para operações de apoio às populações.

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Tornado em Tomar

Município divulga contactos para quem precisa de ajuda e para quem quer ajudar
Na sequência do tornado que fustigou o concelho de Tomar na terça-feira, os Serviços Municipais de Protecção Civil estão a centralizar as operações no Quartel dos Bombeiros. Quem queira contribuir com a oferta de materiais de construção, móveis ou electrodomésticos, bem como os voluntários que estejam disponíveis para ajudar na reconstrução, deve contactar o Posto de Comando Municipal pelo telefone 249 324 030.
Quem tenha alguma situação de emergência relacionada com os danos causados pelo tornado pode também contactar aquele número ou o 249 329 140.

Por outro lado, todas as pessoas que tenham sido vítimas da intempérie e que tenham necessidades de apoio de âmbito social devem dirigir-se a um dos seguintes serviços ou contactá-lo pelos meios indicados:
Serviços Municipais de Habitação e Acção Social – Praça da República – telefone 249 329 887 – e-mail: accaosocial@cm-tomar.pt
Serviço Local de Acção Social de Tomar (Segurança Social) – Av. Ângela Tamagnini, 3 - telefone 249 310 560 ou 563 – cdsssantarem@seg-social.pt
Centro de Dia da Venda Nova – Bairro do Fojo – Venda Nova – telefone 249 301 534 – e-mail:acrsvendanova@gmail.com
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quarta-feira, dezembro 08, 2010

solidariedade

"A concelhia de Tomar do PS solidariza-se com os nossos concidadãos afectados pelo tornado de ontem, do qual pela sua gravidade devemos ainda assim louvar a não existência de vítimas mortais, não podendo nesta hora fazer mais do que apelar às instituições responsáveis que cumpram as suas obrigações, o que foi hoje de manhã já garantido pelos Srs Ministro da Administração Interna e Presidente da Câmara.
A hora é de limpeza e reconstrução e do retorno possível à normalidade, e também de contabilização de custos, seguramente avultados.
Uma palavra particular de força e solidariedade para o camarada e vereador José Vitorino, patrimonialmente um dos grandes atingidos pela catástrofe de ontem."

na página do PS Tomar

... as palavras são minhas e não consigo agora acrescentar outras.

imortalidade


Faz hoje 30 anos que John Lennon foi assassinado por um louco, ali à porta do edifício Dakota do lado oeste de Central Park.

Na foto ao meio, mesmo em frente ao Dakota mas já dentro de Central Park numa zona intitulada Strawberry Fields como a música de Lennon que lembra o orfanato onde brincava na infância, existia uma das 3 estátuas do músico no mundo. Yoko Ono contudo, que ainda mora no Dakota, não gostava de abrir a janela e ver a cara do falecido marido ainda para mais coberta de excremento de pombo e por isso exigiu a sua retirada. Hoje existe apenas um ladrilho com a palavra IMAGINE, todos os dias decorado de forma diferente por um fã que disso faz vida e visitado por centenas de outros todos os dias.

A estátua está agora junto a uma escadaria do aeroporto de Liverpool, a segunda está em Havana, e a terceira é esta em baixo, também em Liverpool, à entrada do The Cavern, o bar que deu início à carreira dos Beattles.

terça-feira, dezembro 07, 2010

info cultural

info associativo

Encontro Regional de Juventude

mais informações aqui

concordo

"A Câmara de Tomar necessita de «rever e planear as despesas, analisando de forma rigorosa as necessidades reais do Concelho, tendo em vista a distinção clara entre o acessório e o essencial, mesmo que para isso se tenha que parar alguns projectos» disse José Delgado, Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD.",  noticia a rádio Cidade de Tomar.

Absolutamente de acordo. Aconselho aliás a leitura do último texto da Anabela Freitas no Esquerdo Capítulo que ficam com pistas sobre mais um projecto que vai custar rios de dinheiro e cuja prioridade e pertinência, e principalmente a capacidade de execução com base em estratégia mais global são muito duvidosas. (quer dizer, eu não tenho dúvida nenhuma!).


Se o PSD local tivesse em matérias políticas a mesma capacidade de "aconselhamento" ao Presidente da Câmara que em questões de politiquice, talvez fosse possível ver alguma mudança de filosofia na gestão da autarquia, mas nesta fase do campeonato já não tenho grandes ilusões...



sexta-feira, dezembro 03, 2010

"Independência ou Identidade?"

A minha última nota do dia na rádio Hertz (e as anteriores), esta sobre o tema em epígrafe, pode ser ouvida online aqui. É só seleccionar entre os vários cronistas.