domingo, outubro 10, 2010

Res Publica

(artigo publicado a 8 do presente no jornal Cidade de Tomar. Embora escrito há mais tempo.)


Com influência anterior da Grécia antiga, vem dos romanos a expressão que dá título a este texto. Quer dizer algo como “coisa pública” ou “coisa do povo” e anda normalmente de mãos dadas com outro termo muito importante: a Democracia.
Em Portugal, a Implantação da República cujo centenário comemoramos no próximo dia 5, resultou do golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português com forte influência e participação de outras forças progressistas como a Maçonaria ou a Carbonária, pondo assim fim ao sistema de Monarquia Constitucional então existente.
Além de razões ideológicas, várias eram as questões políticas e da governação que impeliram as vontades dos revolucionários e fizeram colapsar esse regime. A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos (a célebre questão do “mapa cor de rosa”, que veio a dar origem ao poema A Portuguesa, depois usado em parte para o hino da República); os gastos elevados da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social com a sucessão de governos fracos e que viria a findar na breve ditadura de João Franco que durou quase até ao fim da monarquia.
A República apresentava-se então como o regime que seria capaz de voltar a dar a Portugal algum do prestígio há muito perdido e um caminho de progresso que até então fugia ao país. É dificilmente contestável para quem analise a história, o facto de que foram as últimas décadas da monarquia, a par com os mais recentes quase cinquenta anos do regime salazarista, aqueles que mais atrasaram o país e o afastaram da frente de desenvolvimento europeu.
A passagem da monarquia para a República marca uma mudança essencial na filosofia da existência do ser humano: a passagem da condição de súbdito de alguém, tendo esse alguém adquirido essa condição de soberano apenas por ter “nascido rei”, para a condição de cidadão igual aos demais perante o Estado, em direitos e deveres, em liberdades e garantias – a filosofia difundida com a revolução francesa, em que todos os homens nascem livres e iguais. É verdade que esse caminho não foi imediato, várias têm sido as conquistas ao longo dos anos, algumas só já nos fins do século 20: a igualdade de género, por exemplo nas questões laborais ou mesmo entre cônjuges; a universalidade do direito de voto, a laicização do Estado.
E esse é um caminho em permanente construção, tal como a Liberdade não pode ser nunca entendida como uma verdade adquirida, mas como uma conquista que permanentemente deve ser defendida. Especialmente no que toca aos direitos e garantias de grupos minoritários, sempre mais difíceis de transmitir à maioria os cidadãos e que a todo o momento vão sendo alargados. Basta lembrar por exemplo, que só recentemente todos os cidadãos independentemente da sua orientação sexual, passaram a ser iguais perante a Lei no que toca ao casamento. Ou que para ter direito ao divórcio, basta que um dos cônjuges o deseje – o que a mim sempre me pareceu evidente, mas para a Lei não era.
É por isso e mais que todos sabemos ou deveríamos saber, que nos nossos 100 anos de República nem todos foram verdadeiramente de Democracia, nem todos foram de progresso. Foram conturbados os primeiros anos do século 20 português, também influenciados pelo que pelo mundo se passou: as guerras mundiais; a grave crise económica e social de 1929 (a Grande Depressão), a maior até à que agora vivemos; como foram conturbados os primeiros anos do pós 25 de Abril, especialmente durante o PREC. E temos de recordar que metade do século republicano que agora comemoramos foram vividos numa espécie de ditadura – e digo “espécie” porque para se fazer uma avaliação justa não poderemos dizer que tudo foi mau, admitindo que ao menos nos primeiros anos da governação de Salazar houve aspectos positivos, na estabilização económica do país por exemplo.
A centenária República do nosso já quase milenar país, esteve assim longe de ser perfeita. Mas é verdade que muito se passou nestes 100 anos e devemos lembrá-lo. No acesso universal à educação, à saúde, aos direitos laborais, no direito à reforma, no direito ao ócio ou lazer, no acesso à cultura, na liberdade religiosa, na qualidade de vida em geral. Claro que poderá ter havido alguns exageros, a todo o momento é preciso criar equilíbrios no sistema, é difícil pensar em alguns direitos se não houver dinheiro para comer. O Estado somos todos.
Talvez por isso, talvez por nada, os pessimistas do costume e um certo negativismo português dirá: isto está é cada vez pior, ganhamos mal, trabalhamos muito, reformamo-nos tarde, etc. Mas qualquer análise isenta mostrará que não é assim, basta a qualquer um de nós olhar à volta e reflectir, pensar como viviam os nossos pais, os nossos avós. Como eram as suas casas e o que lá tinham, o que comiam, o que vestiam, o que sabiam do mundo; quantas crianças morriam à nascença, quantos morriam por doenças estúpidas, quantos morriam em guerras que não entendiam; qual era a esperança média de vida; como eram as suas profissões, quantas horas trabalhavam, o que faziam nos (poucos) tempos livres, e por aí fora.
Há evidentemente muito a fazer, como redescobrir o papel de Portugal no mundo. Abandonar esta posição de periferia em que sistematicamente nos colocamos – durante a ditadura “orgulhosamente sós” a querer ser grandes com as colónias esquecendo o resto do mundo; depois de 1974 a querer muito ser europeus e só para aí voltados.
Esquecemos tantas vezes as lições da história, por exemplo que só fomos minimamente “grandes” quando fomos um dos centros do mundo, quando no tempo áureo das descobertas éramos porto de chegadas e partidas. Só o movimento produz algo. O mesmo podemos aplicar a qualquer região, cidade, aldeia. Como a Tomar, que por várias razões perdeu a sua centralidade e chegou ao século 21 numa espécie de periferia onde as pessoas se deslocam como a um museu. Felizmente parecem começar a existir a vários níveis, ainda ténues é certo, mas alguns sinais de mudança. Ou ao menos a consciência da necessidade de mudar. E assim é também no país, que não quer deixar de ser europeu, mas que cada vez mais tenta ser uma porta da velha Europa para África e para a América brasileira, tirando partido deste grande espaço mundial que é o da Língua Portuguesa.
Por tanto mais, a República deve ser comemorada, estimulada. “E pur si mouve”, diria Galileu, “e no entanto ela move-se”. Assim é com a nossa sociedade, lentamente, umas vezes mais que outras, mas o progresso existe.
Será sempre preciso defender a República, a Democracia, a Liberdade. Por vezes de ameaças veladas, mascaradas, como os que querem transformar direitos que devem ser de todos, em regalias que variam consoante a conta bancária. Basta ver o que alguns agora propõem para alterações na nossa lei fundamental, a Constituição.
Ou como algumas tendências demagógicas baseadas em populismo boçal, que pretendem fazer esquecer coisas essenciais: em Democracia somos governados por representantes eleitos – não por técnicos, não por conselhos de administração, não por homens providenciais, não por regras de mercados desregulados.
A todo o momento, sublinho, deve cada um de nós, no seio das nossas comunidades, nos nossos locais de trabalho, estimular a República e a Democracia, e só assim manteremos vivos e actuantes os ideais de 5 de Outubro de 1910, os da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, na demanda do timbre da Justiça e da Verdade, da Honra e do Progresso. E sonhando com o futuro, sempre, porque “sempre que o Homem sonha, o mundo pula e avança”.

quinta-feira, outubro 07, 2010

a tão pedida responsabilidade

Acabei de escrever este comentário no facebook dirigido ao PSD Tomar e em particular ao vice-presidente Ricardo Lopes, e fica aqui para memória futura:

Ó Ricardo, eu não gosto de discutir assuntos sérios neste tipo de espaços, mas começa a ser demais. Francamente esperava mais de vocês, pensava que trouxessem uma lufada de ar fresco ao PSD, quando afinal estão a fazer pior do que estava.
Se se deixassem de palhaçada e quisessem assumir as responsabilidades com seriedade.
Há um ano que o PS espera que o PSD cumpra aquilo com que se comprometeu quando convidou o PS para trabalhar em conjunto: discutir, mediar, trabalhar.
Mas até hoje, da parte da direcção política do PSD em Tomar veio ZERO.
Talvez devessem ler o acordo que pediram e assinaram, está na página do PS.

Que direcção política são vocês que até para dialogar com os vossos autarcas têm constantemente de mandar recados via comunicação social? Estão mesmo convencidos que é assim que se faz política séria? Que vão chegar a bom porto?
Estão-se a meter num beco sem saída é o que é. E a responsabilidade é exclusiva da direcção do PSD de Tomar.

Se não estão interessados em cumprir com aquilo a que se comprometeram, e em ver além das disputas e das divergêngias, mas se estão interessados apenas em jogos de política menor, pronto, é problema vosso e arcarão com as consequências.
Mas ao menos assumam as coisas, com responsabilidade, com coragem, e sem meias palavras.Os tomarenses e a causa pública merecem outra atitude e outro respeito. Porque ganhar eleições queremos todos, mas isso é outro assunto.

.

informar em tempos de poupança

Na última Assembleia Municipal o PS apresentou por minha voz a proposta de extinguir o Boletim Informativo, a que a rádio Hertz agora faz eco, no momento em que é lançado a edição de Outubro, focando ainda o facto de todas as outras bancadas terem votado contra (dá que pensar!) com os argumentos que conseguiram inventar.

A questão fundamental nem tem que ver com quem aparece ou deixa de aparecer no boletim, ou se ele serve para propaganda política ou não, como o PSD tentou alegar. Basta ler a proposta para ver que nada disso se lá refere.


A questão é muito simples, de dedução lógica, e tem que ver coms princípios que devem ser subjacentes à Administração Pública e à boa e moderna gestão: Eficácia, Eficiência, Economia.


Ora, não parece evidente que a publicação de uma página de responsabilidade da autarquia nos dois jornais locais serve melhor estes três princípios? Será que não é mais eficaz e eficiente (não, em termos técnicos não são a mesma coisa) e sai mais barato, com a vantagem paralela de ajudar duas pequenas empresas locais?



A mim parece-me óbvio, e só mesmo Victor Gil e o PSD é que podem ver truques onde eles não existem.


.

terça-feira, outubro 05, 2010

nas ondas da rádio


A quem interesse, a partir de amanhã, quinzenalmente às quartas, a nota do dia da
rádio Hertz tem a minha voz.

disparates

Acabei de fazer a minha pausa anti-stress, que é como quem diz, este exercício que às vezes faço, que é passar os olhos pelos comentários dos blogues tomarenses, que é como quem diz, de uma assentada passar os olhos pelos comentários de vários dias do "Tomar a dianteira" que é o único local onde ainda há comentários desta índole. O que é pena, porque rir é o melhor remédio e não há como ler disparates escritos por profissionais dos mesmos. Profissionais porque há anos que blogue atrás de blogue andam nisto e ainda não aprenderam.

Eu sei que ninguém acredita, mas é mesmo das melhoras receitas anti-stress ler tais dislates, especialmente quando alguns dos autores são bem conhecidos, tal como é a sua cobardia em assinar o que escrevem.

Ora, podia cair na vontade básica de comentar aqueles disparates de gente que ainda não percebeu que a vida real não está na internet, nem nada passa a ser verdade só porque o escrevem muitas vezes, assinado ou não, com o mesmo nome ou com outro. Como já há quase uma década digo: gente que em vida já foi esquecida, e que iludida julga aí encontrar um sítio onde lhe dão valor. Mas se nem assinam...




Bom, como a vontade de escrever não é já muita que o dia mesmo feriado foi longo, e ainda me esperam ao menos duas horas de leitura, mais vale deixar aqui uma daquelas preciosidades que me mandam para o mail, aberta ao acaso entre as centenas que não chegam a ser abertos (na verdade o meu email principal indica quase 5000 mail's não abertos). Disparate por disparate sempre se aprende mais com estes.



(clicar na imagem para alargar)

penacho

A Escola dos Templários homenageia Saramago, a 8 de Outubro, noticia a rádio Cidade de Tomar.

Eu sou um enorme fã de Saramago, já li mais de metade da sua obra e é o autor português ou estrangeiro que mais li. No entanto o espírito crítico é algo que devemos cultivar, e confesso que não percebo bem porque organiza uma escola de Primeiro Ciclo do Ensino Básico uma iniciativa sobre um escritor cujos livros, todos excepto um, só conseguem ser lidos a partir de uma idade bem mais avançada que a das crianças que frequentam essa escola.


Eu aceito a questão da abertura à comunidade mas ainda assim, será que por vezes não se esquecem as funções essenciais da escola, e se promovem outras coisas (ou outras pessoas...) que não os interesses das crianças/alunos?

segunda-feira, outubro 04, 2010

outros tempos

Amanhã, enquanto comemoramos o Centenário da apesar de tudo, imberbe República Portuguesa, uma viagem no tempo na Praça  da "dita"  em Tomar.


A não perder!








mais  em 
www.descobretomar.com/

info cultural

O amigo e camarada António Gameiro, Deputado da AR, e Luís Pereira lançam na próxima quinta-feira pelas 19h no ISCAD em Lisboa, a obra JusPrático - Laboral e Segurança Social 2010, com apresentação de José Pereira Forte, Inspector-geral do Trabalho.


Lá estarei.




(clicar na imagem para alargar)

sexta-feira, outubro 01, 2010

chícharo


A Assembleia Municipal já acabou há umas horas, mas só agora consegui chegar a casa, é o costume.
Daqui a umas horas saio para o Porto, com paragem prévia na Freixianda.
É que hoje é o Dia Mundial da Música, e os alunos da Freixianda vão até à Casa da Música ouvir concertos, aproveitando para visitar também o Museu de Serralves.


À noite a música continua. Os nabantinos drama&beiço actuam hoje pelas 22h30 no Festival Gastronómico do Chícharo em Alvaiázere, precedidos às 21h por Fernando Tordo. Lá estarei a provar umas iguarias.



acordeonar em Tomar

Este fim de semana há mais eventos em Tomar. Desta vez a 1ª Gala Internacional de Acordeão dos Templários.
Para quem gostar, por exemplo, de um bom tango de Astor Piazzolla, sabe o que tem de fazer. É no Cine-teatro hoje e sábado.

E entre alguns dos melhores acordeonistas do mundo, estará o camarada e amigo Bruno Gomes. Abra horizontes e vá ouvir.


mais em
 http://www.descobretomar.com//

quarta-feira, setembro 29, 2010

terça-feira, setembro 28, 2010

nabantinos de qualidade

A jovem designer da Pedreira - Tomar, Rita Clara, vestiu as concorrentes da Miss Portugal Mundo (fatos de banho e vestidos de noite), tal como noticiou O Ribatejo, uma gala que ocorreu no Teatro Camões no Parque das Nações e foi transmitida pela SIC e SIC Internacional.

Rita Clara é uma jovem dinâmica, empresária e preocupada com a sua comunidade, e foi a mais jovem cabeça de lista do PS nas últimas autárquicas em Tomar, tendo concorrido à Junta de Freguesia da Pedreira.

segunda-feira, setembro 27, 2010

desacordo ortográfico

Estava aqui a descarregar fotos do tlmv e dei com esta, duma minha ida recente às festas do Avelar (ando cá um festivaleiro!), onde encontrei esta preciosidade
Lá são muito ciosos com o seu lugar de estacionamento... com a Língua Portuguesa é que não.

sábado, setembro 25, 2010

o riso

Em Portugal fazem falta políticos que saibam rir e que o mostrem. Este ministro suíço, sem querer, mostra como é. O homem bem tenta falar de assuntos sérios...

quinta-feira, setembro 23, 2010

os poderzinhos e a mania de controlar

Há dias entrei na Igreja de São João Baptista (sim, fui rezar...) e deparei-me com este estranho aviso na porta. Eu julgo que isto até já foi falado algures, provavelmente no blogue de António Rebelo, pelo menos tenho ideia de ter lido sobre o assunto.
Em todo o caso a questão, que pode parecer um pormenor sem importância mas não é, é suficientemente pertinente para perguntar: Mas quem é que é a "paróquia de Santa Maria dos Olivais e São João Baptista" para proibir alguma coisa, particularmente naquilo que não é seu?

reabilitação

A concelhia local do PSD realiza amanhã um debate, ou palestra, sobre reabilitação urbana. 
Para mostrar fair play, e enquanto cidadão, sem me poder pronunciar sobre o conteúdo devo ainda assim dizer: boa iniciativa.
No meio do disparate em que têm andado, sempre surge alguma coisa potencialmente útil. Talvez porque o PSD local também precise de reabilitação... pronto, não me me consigo conter com estes considerandos!

E dito isto, tenho igualmente de elogiar a JSD que no dia seguinte organiza na Estalagem de Santa Iria, uma sessão sobre o empreendedorismo jovem. Olhando para o painel de oradores, não percebo bem onde estão os jovens ou anteriormente jovens empreendedores...
e lá estou eu outra vez!
Seja como for a iniciativa é boa. A JSD local tem aliás, na comparação daquilo a que cada entidade está "obrigada", revelado mais pertinência política que os seus séniores.

É que francamente não esperava a linha de actuação que esta direcção do PSD local tem seguido, especialmente tendo uma composição globalmente jovem, e de quem se esperava que olhasse em frente, com novas capacidades e atitudes, ao invés desta coisa requentada e desnorteada com que nos tem brindado:

- incapacidade para mostrar postura política responsável, começando por cumprir o que foi acordado com o partido que convidou para a coligação, ou seja, diálogo, discussão, trabalho; tácticas políticas copiadas a partidos sem responsabilidade de poder; diálogo com os seus autarcas através da comunicação social; etc, etc.

Diferenças ideológicas são uma coisa, brincar à política é outra.

bikepaper

Começo por dizer que o cartaz está, embora simples, muito interessante.
Como é aliás habitual do que vem dos técnicos de artes gráficas da autarquia. Do melhor que por aí se encontra nas autarquias.

Quanto ao que aqui interessa, a iniciativa é excelente. E noutros tempos participava em muitas coisas destas. De há uns tempos (bem largos!) parece não haver tempo para nada, além daquele pormenor de já nem ter bibicleta...

Mas ainda vou ver se consigo ir.

quarta-feira, setembro 22, 2010

leccionar em Timor

Aos colegas de Primeiro Ciclo ou Pré-escolar ainda não colocados e interessados em trabalhar, lá naquele ponto do outro lado do mundo onde também se fala português, têm informações aqui.

debater II

Já sabia, que há sempre alguém (ou vários) que avisa, mas só agora pude realmente sentar mais de cinco minutos ao computador com tempo para "navegar", e por isso só agora li o repto que me lança António Rebelo no seu Tomar a dianteira, a propósito da minha ausência declarada do debate da rádio Hertz do passado sábado. Debate esse cuja iniciativa, repito, deve ser elogiado e faz falta em Tomar.
Ora, como AR é alguém que escreve e assina o que pensa e isso é infelizmente raro, sinto dever esclarecer, por muito que a mim a razão me pareça clara.

Tal como AR em tempos se referiu à alegada ausência do Presidente de Câmara, de um almoço pós assinatura da constituição da "Mosteiros de Portugal", 
estamos na minha opinião aqui a falar da mesma esfera: aquilo a que nos obriga a "farda" de uma determinada função, o que podemos ou devemos, o que não podemos ou não devemos fazer por força do contexto e da ocasião, independentemente de quem somos sem essa "farda". Como que as regras em nenhum lado escritas da etiqueta "funcional" inerente a uma dada responsabilidade.
E na minha opinião (que não é só minha, mas sim prática corrente) um líder partidário não se deve sentar na plateia de um debate deste género - salvo excepções, como seja em contexto de campanha eleitoral autárquica. Aí um líder político pode e deve estar, caso não seja ele próprio, a apoiar o seu candidato.

Resumindo e para concluir: ninguém está a ver o Sócrates, o Passos Coelho, o Louçã, o Portas ou o Jerónimo de Sousa sentados na plateia do
Prós&Contras  pois não? À escala, é exactamente a mesma coisa.

Mas ainda assim, admitindo que possa estar errado e devesse ter ido ao debate, devolvo o repto ao prof. Rebelo (que a internet com regras também é bom auxílio de debate). 

- Tendo de um lado o Presidente da Câmara e o vereador socialista cujas ideias e argumentos tenho pela imposição da "farda" obrigação de conhecer, e do outro lado, dos três ao menos dois comentadores cuja filosofia de ideias e princípios de argumentação é sobejamente conhecida, o que poderia eu ter ouvido que não soubesse já que assim seria?
.

parabenizar

O jornal O Templário comemorou 8 anos de existência com a actual gestão.

Não aprecio tanto, e já tive oportunidade de o dizer ao seu Director, a linha mais tablóide que vem ganhando espaço no jornal. Mas é uma opção válida, a escolha deve ser dos leitores.

Bem percebo que não será fácil, e isto é válido para os dois jornais nabantinos, como para todos os outros regionais (até os nacionais!), manter uma pequena empresa com as difuldades óbvias do mercado, sabendo bem que a venda directa dos mesmos pouco importa para o negócio, estando em causa sim a publicidade neles publicada. E em tempos difíceis, e num concelho como Tomar, é espectável que não abunde nas empresas o dinheiro para publicidade.

Ao contrário do que por vezes possa transparecer numa ou outra crítica, tenho grande respeito pelos jornalistas. Um dos meus sonhos de adolescente (mas eu tinha muitos!), acho que já aqui o escrevi em tempo, era ser jornalista. Investigar, viajar e escrever, eram três ímans fortes para essa actividade, mas das muitas vontades, as artes e depois o ensino foram mais fortes. 

É claro que esses ímans vou preservando como possível. Viajar, sempre que possível. Escrever, lá vou fazendo o gosto ao dedo, se mais não for neste blogue.
E apesar de tudo continuo e espero continuar com uma filosofia base: experimentar, diversificar o mais possível - até prova em contrário só se vive uma vez e é um desperdício passar a vida a fazer a mesma coisa.

Bom, isto tudo para dizer
a O Templário e aos que o fazem sair todas as semanas: Parabéns!
.

domingo, setembro 19, 2010

para desanuviar...

... que hoje é dia de derby, e para começar bem o dia a mostrar como tenho espírito tolerante.
(É que o rementente da anedota não só é sportinguista como é social democrata, e ainda para mais, abrantino! Muito obrigado Armando)




Qual a diferença entre o Benfica e uma joaninha?
Ambos são vermelhos mas a joaninha tem mais pontos...

sábado, setembro 18, 2010

de passagem pela aldeia

Agora que as festas populares estão em fim de época, não quero deixar de colocar no algures aqui o Tabuleiro que tanto sucesso alcançou nas festas de Poço Redondo onde estive no domingo passado.

É mais uma prova de que a maioria das vezes, as ideias mais simples são as melhores.


De positivo também a presença de muita malta nova na organização da festa. É sempre um sinal de vitalidade e continuidade.

E eu que nem sou grande apreciador destas festas populares mais "populares", especialmente pelo excesso de decibéis que normalmente acompanha um certo gosto musical, gostei do ambiente, e particularmente da tarde ao som dos Drama&Beiço, que puseram miúdos e graúdos a dançar. E o frango estava muito bem assado.

sexta-feira, setembro 17, 2010

debater

A rádio Hertz promove este sábado um debate sobre "o estado do concelho".
A ideia elogia-se, faz falta em Tomar, e é aliás a meu ver uma das responsabilidades da comunicação social a promoção deste tipo de iniciativas, não devendo acontecer só durante as campanhas eleitorais autárquicas.


É pena que a generalidade dos responsáveis pelos orgãos de comunicação social tenham a opinião, que depois se materializa na linha editorial, de que a política não interessa aos leitores, e que como tal não vende jornais.
Tenho uma grande convicção de que isso não é verdade. Tudo resulta do "como"... neste caso, do como se questiona a opinião às pessoas. É evidente, graças ao infeliz "politicamente correcto" instalado, que se se perguntar directamente à generalidade dos cidadãos (o uso da palavra "cidadãos" não é acaso - como se por acaso fosse acaso a escolha de palavras que normalmente uso...) o que pensam da política, responderão algo como: não sei, não quero saber, não interessa para nada, são todos iguais, etc, etc - aqueles chavões generalizados e baseados na ideia de que a Política é uma coisa má, quando na verdade é das mais nobres actividades do Ser Humano, e verdadeiramente na acepção pura do termo, a mais antiga do Homem enquanto tal.
A verdade contudo, bem verificável na nossa comunidade, é que não é assim. A verdade é que a generalidade dos cidadãos sabe sobre todas as afirmações, sobre todas as medidas, todos os disparates, todas as tricas, tudo o que acontece no mundo autárquico, ou de forma mais abrangente, tudo o que acontece no mundo político nabantino. E depois convenhamos, que outro tema em Tomar pode interessar mais à globalidade dos cidadãos nabantinos?


Escrito isto, e porque hipocrisia é das atitudes que mais abomino nas pessoas e é para mim impensável praticá-la, sinto-me obrigado a acrescentar que: agradeço o convite mas, obviamente, o presidente do PS Tomar não estará presente.
Incoerente? De forma alguma.

(Escrevi isto na quarta-feira e só agora reparei que não o tinha publicado, o que acontece muitas vezes, umas intencionalmente outras por lapso, o que no caso ainda vai a tempo de ser corrigido. Fica o registo)

o fado do coitadinho

O nosso país já é o que é, para agora ainda termos o futebol a ajudar.
Não bastava a trapalhada infeliz e lamentável com o caso Carlos Queiróz, que pode ter muitas culpas, mas não serão aqui tantas como as do insigne político Laurentino Dias, e principalmente daquela tralha de bengalas da direcção da FPF (que anda lá desde que eu sou gente a fazer trapalhice atrás de trapalhice, e não há meio de se irem embora), para agora ainda faltar o episódio da peregrinação atrás do desejado, o salvador que nos há-de levar ao celestial apuramento, o santo Mourinho.
Ó triste pequenez lusitana, teremos sempre de nos auto retratarmos como miseráveis?
Não fosse o fado não ser muito mediático (e ter intérpretes de elevado nível), e continuávamos com a triologia dos f's completa.

(para quem não liga a estas coisas, a pintura que aqui ilustra é de um grande pintor português de seu nome José Malhoa - mas não é o do "24 rosas numa jarra..."!)

quarta-feira, setembro 15, 2010

SNS

Nesta época em particular, em que por via de revisões constitucionais e afins, alguns tentam acabar com o Serviço Nacional de Saúde, quando o que acontece pelo mundo fora é precisamente o contrário, convém lembrar que este organismo a que muito criticamos mas que é referência internacional, faz hoje 31 anos. Era então no Governo liderado por Mário Soares, Ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, para sempre conhecido como o pai do SNS.

terça-feira, setembro 14, 2010

o maior cego é o que não quer ver

Na mesma edição do Cidade de Tomar que invoco no texto anterior, leio na última página que o executivo da CMT na reunião da mesma, "revela desconhecer que o Açude de Pedra está vedado ao acesso público". Diz o CT que "o presidente da câmara comentou apenas que, a existir impedimento no acesso público, será certamente por questão jurídica."
É caso para dizer: PORRA! 
Desconhecimento!? Questão jurídica!?
A única questão que há aqui, herança do estilo Paiviano, é a câmara a sacudir a água do capote de tudo o que não dá jeito ou não sabe resolver!

É preciso continuamente lembrar o que não deveria ser necessário lembrar: para todos os assuntos que importem a Tomar e aos tomarenses, a Câmara Municipal enquanto primeira responsável TEM de se importar igualmente . E o caso Açude de Pedra é obviamente um desses assuntos.


.

uma questão de bocas

Invoca o Cidade de Tomar de 3 de Setembro (que só hoje folheei) na sua "página das bocas", uma declaração de voto do PS, de Outubro de 2008, onde se refere o estado lastimável e a necessidade de requalificação do Largo do Pelourinho, acrescentando que agora em 2010 tudo continua na mesma à excepção do PS que por integrar agora o executivo "já não pode fazer declarações deste teor".
Esclarecimento ao Cidade de Tomar e a todos: 
- O PS pode, o PS deve e o PS falará em todos os assuntos que entender, no momento que entender, da forma que entender.
É verdade que nem sempre a comunicação social dá a melhor atenção a todos os assuntos focados, por exemplo na Assembleia Municipal, mas isso já é outra matéria.
Em todo caso voltamos a uma velha questão - é que não me lembro (e naturalmente aceito ser lembrado) deste tipo de "bocas" existir em relação ao PSD, que recordemos, (des)governa Tomar desde 1997.

.

I Festival de Estátuas Vivas

Este fim de semana realiza-se em Tomar o I Festival de Estátuas Vivas.

É mais uma excelente iniciativa que está a conseguir promover Tomar fora de portas. Ainda hoje de manhã foi assunto bem tratado na SIC Notícias.

Da iniciativa, destaco do programa (consultável aqui) no sábado à noite na Praça da República, o Concerto de Sons e 21 Silêncios que permitirá ouvir as vozes da soprano Ana Paula Russo e do tenor Frederico Almendra, acompanhados pela Banda Militar do Porto e pela Orquestra Sinfónica Ginásio Ópera, com direcção do maestro Kodo Yamagishi.

sábado, setembro 11, 2010

coloridas diferenças

Aquilo são?... pintaínhos, em Tetouan - Marrocos.
Imaginem as galinhas. E os camelos? Ui!...

terça-feira, setembro 07, 2010

algures em Marrocos

A pedido de muitas famílias, finalmente cá está a lembrança de Marrocos, uma curta viagem de 2000km (ainda tenho vestígios de areia do deserto no carro, se alguém precisar) em solo africano, com passagem por, entre mais: Tânger, Rabat, Casablanca, Meknés, Fes, Tetouan e regresso a Ceuta (que para os mais distraídos, é em África, mas de domínio espanhol/UE), onde já havia estado há uma década atrás.

Da anarquia do trânsito, ao negociante que há em cada marroquino; da predilecção pelo chá e o olhar mortífero que nos fazem quando perguntamos se vendem cerveja; o mercado em cada esquina estendido a todo espaço disponível, a imensa confusão das cidades e vivência da rua até altas horas da noite, entre tanto mais de um país com tanto de diferente e mesmo aqui ao lado. A viajem de carro faz-se muito bem, e é só preciso algum espírito de aventura.

Marrocos é um país fascinante ao qual terei de voltar, em especial para visitar a zona sul que ficou a faltar: em particular Marraquexe, a zona do Atlas, e o deserto puro e duro.

A súmula de fotos aqui + aqui.


sexta-feira, setembro 03, 2010

diz que é uma espécie de organização

"Trânsito caótico em Tomar" noticia o Templário online e vemos todos (quer dizer, todos não, que eu saí cedinho e vou chegar noite dentro).


É que há coisas assim, com dois dias previstos para alcatroar a malfadada rotunda (antes cibernética, agora não sei o quê, espelho e símbolo máximo dos disparates e total desastre da década de governação António Paiva/PSD na CMT) ponto central e preponderante em toda a circulação de tráfego dentro da cidade, tinha logo de calhar com uma semana de sete dias, a uma sexta-feira, dia de mercado municipal!
Mas será que são todos desprovidos de inteligência?!

quarta-feira, setembro 01, 2010

de evidência em evidência...

"O investimento no ténis não atingiu o que era aguardado" diz Corvêlo de Sousa à rádio Hertz.

Acho que está enganado sr. presidente, quanto a mim acho que atingiu na plenitude.
O objectivo não era satisfazer o gosto pessoal nessa modalidade do anterior presidente de câmara?

terça-feira, agosto 31, 2010

fim de agosto

O Cidade de Tomar veio procurar alguma inspiração aqui ao algures para a sua página cómica na semana que passou, incluindo a citação de Guerra Junqueiro que postei mais abaixo, com algumas gaffes contudo. A já usual de chamar ao blogue "algures por aqui", atribuindo depois a autoria ao grande inspirador dos jornais locais António Rebelo. Não tem mal nenhum, afinal até hoje, ainda estamos em Agosto e já sabemos que neste mês é tudo muito ligth.

sábado, agosto 28, 2010

Da aldeia, Bons Sons

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 26 de Agosto

Fugindo à banalidade que faz escola, procurando o genuíno e não se furtando ao trabalho, há seis anos atrás Cem Soldos brindou-nos com o primeiro Festival (bienal) Bons Sons. Um sucesso desde a primeira hora.
E, em tempos onde só a crítica fácil, negativa, tantas vezes destrutiva, pejorativa, parece importar a dizentes e a ouvintes, é indispensável elogiar quem faz algo novo, quem faz por gosto quem faz, não em espera do retorno pessoal mas da alegria colectiva de construir algo – um prazer que do “produto acabado da sociedade de consumo imediato” poucos têm a felicidade de conhecer.
É por isso que o Sport Clube Operário de Cem Soldos não é uma associação como a maioria infelizmente se está a tornar, não é um mero prestador de serviços, não é um local onde se labora em função do ordenado, nem eternamente à espera do subsídio público sem o qual o trabalho não aparece. O SCOCS é uma daquelas boas associações que ainda fazem jus ao nome, e onde o espírito associativo se congrega ao espírito jovem da iniciativa que nasce da própria aldeia e das suas gentes. E é assim, que uma aldeia e uma “associação de aldeia” mostram como se faz a muita cidade e a muita gente que apenas procura protagonismo e nem para isso tem jeito; mostra a quem se limita a copiar sem chama o que outros já fazem melhor; ou a quem apenas produz receitas antigas e falidas que já ninguém quer consumir.
Nos Bons Sons toda uma aldeia se une e se coordena para que, tal como nos convidam no slogan do evento, somados a possamos ir viver. E conseguem-no. Durante três dias, jovens e menos jovens, residentes e forasteiros, enchem Cem Soldos de um colorido castiço, como numa alegria contagiante e um comunitário inebriante olvidar do tempo que corre lá fora, que não é possível imitar noutro local e não seguramente numa cidade, onde são muito mais os que criticam do que os que têm vontade de fazer alguma coisa.

E aqui merece umas linhas (além da Junta de Freguesia, nas suas mais moderadas capacidades) a Câmara Municipal, em particular os serviços de cultura e turismo, por ter finalmente, nesta terceira edição, apoiado condignamente este evento que tem evidentemente um grande potencial turístico, como foi visível no número de pessoas que circulavam pela cidade facilmente identificáveis pelas pulseiras do Festival, entre mais enchendo restaurantes; e pela imensa difusão que esta edição alcançou nacionalmente antes e após o evento – E como é bom ouvir falar de Tomar em órgãos sociais nacionais sem ser por maus motivos!
Apoiar com estratégia, com objectivos, destrinçando o trigo do joio, encorajando quem procura a diferenciação positiva, a inovação, a criação de eventos ímpares, quem faz com qualidade e com capacidade de desenvolvimento da comunidade, deve ser o papel da autarquia em especial quando as condições económicas não são favoráveis, e quando a racionalidade e eficiência do uso dos dinheiros públicos devem ser exemplarmente rigorosas (E nos últimos anos em Tomar foi tudo menos isso!).
Como bem disse Luís Ferreira (o mestre obreiro da organização) ao jornal 2 da RTP algures durante a semana que antecedeu, são estes eventos promotores de envolvimento e desenvolvimento local, capacitadores dessas comunidades. E a verdade é que, de mansinho, sem bajulices ou pretensiosismos, chegou-nos de Cem Soldos aquele que é já o maior evento do concelho a seguir à Festa dos Tabuleiros. Em envolvimento de cidadãos, em público, em projecção do concelho. E só o pode negar quem lá não esteve, ou os mesmos que negam que Tomar já não é o que foi, que perdeu protagonismo, que perdeu liderança, que perde todos os dias em muitas matérias para vários concelhos da região, e que muito raramente já, consegue aparecer no mapa das notícias relevantes.
O Festival estava tão bom que nem a ASAE quis faltar (todos percebemos, quando alguém de fora descobre o caminho para Tomar não quer outra coisa!...). Pronto, e fez muito bem que assim o que comemos e bebemos tinha “qualidade certificada”!

Um parágrafo para os Drama&Beiço, o jovem grupo que representou Tomar no cartaz do evento, e que ao início da tarde de domingo no seu estilo bem disposto electrizaram os ouvintes e dançantes com os sons ecléticos que do leste às arábias, surpreendem quem pela primeira vez escuta e renovam o feitiço dos que já esperam o que ouvem. Com trabalho e perseverança poderão ser uma grande banda, também aqui, com o toque da singularidade e do autêntico.

Pelo excelente cartaz que “encheu casa” em todos os palcos, pelo trabalho motivado e profícuo dos organizadores em particular dos mais jovens; pela abertura e disponibilidade dos habitantes, em particular dos mais seniores à multiculturalidade e proveniência e até mesmo alguma excentricidade dos festivaleiros; pelo excelente trabalho de promoção; pelo que contribuíram para algum dinamismo da cidade no fim-de-semana; pela receptividade e uma muito “boa onda” que só pode deixar nos visitantes vontade de voltar, está de parabéns o SCOCS, os seus dirigentes e obreiros, e a aldeia de Cem Soldos.
Será difícil fazer melhor, e como será possível fazer crescer o evento, certamente uma questão a debater pela associação nos próximos tempos, mas o importante é dizer: Está bom, e queremos mais!

quarta-feira, agosto 25, 2010

"Quem será, quem será, o pai da criança..."

Será de ser Agosto? Será das altas temperaturas? Ou da cinza dos incêndios?
Será rodopios a mais nalgum bailarico de verão? Será um novo hit da música pimba? Ou foi uma prolongada noite de minis agarrados à quermese?

Será de excesso de sal na água do mar? Será de alguma amêijoa estragada? Ou do excesso de vinho verde?
Queres ver que é falta de assunto? Ou confusão de identidade, pensam agora que são o PCP ou o BE?

Será que se esqueceram que são o partido que ganhou as eleições em Tomar? Será que se esqueceram que são responsáveis pelos últimos 13 anos de governação? Ou será que ninguém lhes liga na autarquia?
Ter-se-ão esquecido da falta de desenvolvimento económico? Ou da incapacidade para fixar pessoas, em especial os mais jovens? E de que ser capaz de puxar habitantes para Tomar nem se fala?
Não saberão que tudo isso implica na localização dos serviços públicos para os quais todos pagamos impostos?
Ninguém lhes terá dito ainda que são responsáveis pelo desnorte, pelas resmas de dinheiro esbanjado, pelas obras mal planeadas, pela atrofia mental, pela falta de rumo ou estratégia, pela destruição de oportunidades, pelo afundanço abismal a que o concelho esteve votado nos três mandatos anteriores? E querem continuar a insistir no erro?

Arranjar malta da cor que construa umas notícias, dar-lhes difusão, comentá-las, agitar as pessoas com elas, continuar a insitir nelas mesmo depois de desmentidas, querer obrigar os outros a comentar boatos... Será mesmo nisto que o PSD de Tomar se tornou?!!

.

terça-feira, agosto 24, 2010

o rato da cidade e o rato da aldeia.

O Jornal Público diz que o Festival Bons Sons colocou Cem Soldos no mapa.
E Tomar? Será que quando aparece é sempre por maus motivos? Como fábricas que fecham, encerramentos de mercados ou escritores que falham compromissos por entenderem que estão a ser usados para exibicionismos pessoais...

Bem que numas eleições passadas um partido político entendia importante "pôr Tomar no mapa" (Quem era mesmo?), mas parece que a maioria gosta disto como está. Devem ter uns mapas antigos onde Tomar ainda aparece com umas letras grandes.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Para os amantes de boa escrita, não esquecer que Lobo Antunes vai estar este sábado pelas 21h30 em Tomar no Café Paraíso.

Quanto a mim, apesar de Lobo Antunes não ser no que toca ao romance dos meus autores preferidos (já das crónicas gosto bastante) seguramente gostaria de o ir ouvir.

Mas acontece que desde daqui a um par de horas, até domingo, que é como quem diz segunda bem cedinho, a minha morada é Cem Soldos.

Por lá há Festival Bons Sons.




(clicar na imagem para alargar)

diz que era antigamente...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
...um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.


É Agosto, apeteceu-me, e às vezes convém lembrar o país que (há tanto tempo) somos...
Eternamente divido (além de tantas outras categorias) entre os pessimistas e os utopistas.
Eu sou mais dos que acham que, aos poucos é certo, e com o trabalho dos que não se ficam por lamúrias,"o mundo pula e avança, como bola colorida"...

.

terça-feira, agosto 17, 2010

o festival de verão nabantino


É já este fim de semana. Tudo em http://www.bonssons.com/
Entre muito mais, actuam na tarde de domingo os nabantinos drama&beiço.

.

A cor do horto gráfico

Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Testículo : Texto pequeno
Abismado : Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor : Colocar preço em alguma coisa
Biscoito : Fazer sexo duas vezes
Coitado : Pessoa vítima de coito
Padrão : Padre muito alto
Estouro : Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia : Sistema de governo do inferno
Barracão : Proíbe a entrada de caninos
Homossexual : Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério : Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente : Acto de prender seres humanos
Eficiência : Estudo das propriedades da letra F
Conversão : Conversa prolongada
Halogéneo : Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor : Mendigo que mudou de classe social
Luz solar : Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco : Mania por Eric Clapton
Tripulante : Especialista em salto triplo
Contribuir : Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado : Carta de baralho completamente maluca
Assaltante : Um 'A' que salta
Determine : Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente:  Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico : Horta feita com letras
Destilado : do lado contrário a esse
Pornográfico : O mesmo que colocar no desenho
Coordenada : Que não tem cor
Presidiário : Aquele que é preso diariamente
Ratificar : Tornar-se um rato
Violentamente : Viu com lentidão


Em tempos de silly season, uma grama tical u mor e estíca contra ebulição do Ar mando F.

segunda-feira, agosto 16, 2010

doloroso regresso


Regressar ao trabalho a meio de Agosto é doloroso, não só o corpo está desabituado dos afazeres com o seu quê de rotineiros, como o espírito está constantemente a pensar no que estão os amigos de férias a fazer.
Nem me apetece escrever mais nada que isto já foi uma grande esfrega de computador por hoje. Como não convém abusar e já estou todo dorido, vou mas é voltar a Tomar para ver o que se aproveita do resto do dia.

.

segunda-feira, agosto 02, 2010


Livros, calções, chinelos, máquina fotográfica, passaporte... certo
Telemóvel, computador, "tomarices", política... sem espaço.

até... breve concerteza.

avanços civilizacionais

Aos poucos, o mundo fica mais civilizado. 
Não podia ir de férias sem fazer referência a isto. O Governo da Catalunha aboliu as touradas. Afinal, no país da 'afición' dá-se mostras de se ser mais evoluído que outros país com "tradições" copiadas há "meia dúzia" de décadas.
Mas é assim a evolução humana, lenta. Em Portugal também municípios como Viana do Castelo, Braga, Cascais e Sintra já aboliram estas práticas pouco dignas do ser humano, mas outros vão insistindo nessa manifestação bárbara que além do mais é nacionalmente um disfarçado sorvedouro de dinheiros públicos.
Nem a propósito, esta semana há tourada em Tomar.

candidatura imaterial

"Candidatura da Festa dos Tabuleiros, em breve haverá novidades!", diz Corvêlo de Sousa à rádio Cidade de Tomar.

Pois, mas também já me disse o mesmo em reunião de Assembleia Municipal a 30 de Abril...

Por este andar, talvez lá para 2020.

sexta-feira, julho 30, 2010

Adeus "Toni"
Obrigado por tantas horas de bom humor.
Os bons não morrem. Com a bagagem de uma vida plena e inspiração para tantos, partem para novas aventuras.

quarta-feira, julho 28, 2010

quimeras e vitupérios

No seu blogue Tomar a Dianteira, António Rebelo, aposentado colega de profissão e profícuo bloguista nabantino, interpreta a citação que uso e o que sobre ela escrevo aqui no algures, no post anterior a este.
É verdade que quando escrevemos algo e o tornamos público, estamos sujeitos às interpretações que, tal como as opiniões, cada um tem sobre o que quiser e assim, tanto António Rebelo como qualquer outro têm, por mais divergentes, por mais imaginativas, ou mesmo absurdas que possam ser essas acepções, direito a elas. E António Rebelo concorde-se ou não com ele, tem a preeminência de escrever e assumir o que pensa.


No caso concreto todavia, penso que todos os de boa fé (não estou a acusar AR de má fé, apenas não me chega agora melhor expressão) terão alguma dificuldade em ser tão "assertivos" como o comentador em causa parece querer ser. Ler das minhas palavras que "Hugo Cristóvão dá a entender, citando Leonardo da Vinci, que tem sérias divergências com Luís Ferreira" é de uma liberdade de leitura muito ampla, ou, mais exacto, muito de acordo com o que porventura se gostaria de ler, mas não com o que está escrito.
Até porque, convenhamos, a assim ser, ou Luís Ferreira é o meu único amigo, ou é o único com quem tenho "sérias divergências".

Obviamente não é verdade. A verdade é que o quis dizer é o que se pode depreender do que escrevi: ser amigo de alguém é conhecer as suas qualidades mas também os defeitos, lembrá-lo desses defeitos, encorajá-lo a tentar se possível corrigi-los (ou no exemplo clássico que se explica aos meninos pequeninos na escola, o amigo é quem nos diz que estamos ranhosos!), mas perante outros olvidar os defeitos e enaltecer sim as qualidades.
Sem me referir a ninguém em concreto, não deixa de ser evidente que também quis dizer que quando temos a responsabilidade por exemplo, de liderar um partido político, esse ser bom amigo (ou mesmo que não se seja) passa a ser obrigação: entre muito mais, apontar em privado os defeitos, louvar em público os atributos.

divergências – é da vida e acontece a todos os que pensam sobre um qualquer tema – tenho muitas, umas pontuais, outras mais prolongadas, tanto com amigos como colegas de profissão, camaradas e adversários políticos, e mesmo com simples bloguistas, como no caso do autor que motiva estas linhas.

A verdade é que AR, com as motivações e perspectivas a que tem direito, escreve sobre muita coisa, e das partes que leio umas vezes concordo, mas provavelmente na maioria das vezes não, essencialmente pela forma como muitas vezes o faz: como se escrevesse de um pedestal de superioridade intelectual, cívica, académica, e por aí fora. Habituei-me bem jovem em muitos sítios por onde tenho passado, e de há uns anos já largos muito na política e no seio do PS, a combater essas atitudes se prejudiciais, a ignorá-las se inócuas.

É a segunda atitude que tanto em relação a AR, como a outros autores de blogues nabantinos entretanto extintos, principalmente tenho tido.
AR (que afirme-se, se apresentou em tempos à Comissão Política do PS Tomar como candidato a candidato à CMT, com primeira e quase única responsabilidade minha – e depois acusam-me outros de ditador!) escreve muitas vezes sobre o PS Tomar do qual sou o primeiro responsável; lesto a catalogar e rotular pessoas, escreve sobre os seus dirigentes, os seus autarcas, as suas estratégias, as suas motivações, não só muitas vezes distanciado da evidente realidade de um partido cuja vivência e dinâmica não conhece, mas chegando mesmo muitas vezes próximo dos limites do insulto.

Veja-se no texto que aqui abordo, por exemplo esta expressão que se refere ao PS Tomar: "porque os seus militantes, quaisquer que sejam os acidentes de percurso, não vão abandonar o seu ganha-pão, em todos os sentidos da expressão -do aspecto material ao âmbito político-eleitoral".
Além de totalmente desfasado da realidade, como o podem interpretar os 400 militantes do PS em Tomar? Os, entre CPC e Secretariado, mais de 50 dirigentes? As várias dezenas de autarcas socialistas no concelho? Insulto é o mínimo.

Que fique claro que não pretendo acudir a todos os fogos que pretendam por aí lançar, que é como dizer, não estou para responder a todos os dislates que por aí se vão dizendo por actores mais ou menos comprometidos, mas por agora se esclareçam os cegos de espírito, que aos outros basta ver:
– Os 4 socialistas (2 vereadores + 2 secretários) que estão actualmente em nome dos tomarenses e do PS, em funções renumeradas a tempo inteiro na Câmara Municipal têm profissão à qual voltar, e ao contrário de outros sabem que a política é sempre passageira;
E mesmo sabendo-o, a todo o momento lhes é recordado;
Sabem que não foram eleitos como individualidades mas como membros de uma equipa e sob a égide dos valores de um partido ao qual prestam contas, partido esse que no dia em que entender, tal como sempre foi assumido, se falharem os pressupostos acordados com o parceiro de coligação ou as condições para ser fiel tanto aos princípios políticos como para com os tomarenses, imediatamente cessa esse acordo;
O que, desenganem-se os que ficarem já a esfregar as mãos, SÓ acontecerá SE o que antes afirmei efectivamente se verificar.

E já agora entenda-se que: no Partido Socialista em Tomar há princípios e valores, há regras e Estatutos a ser cumpridos, há hierarquias e há colectivo, e há muita serenidade e confiança para continuar a acreditar nas nossas capacidades, nas nossas ideias, nos nossos projectos para o concelho, independentemente do amorfismo estabelecido, do pessimismo militante, das elites caducas, e sobretudo da opinião pública construída sobre as vontades individuais de meia dúzia.

O caminho faz-se caminhando – dizemos há muito no PS nabantino.
.

terça-feira, julho 27, 2010

"Repreende o amigo em segredo e elogia-o em público"
Leonardo da Vinci

Se tiver algum ídolo, seguramente o Leonardo é um deles. O verdadeiro Homem da Renascença que tocou em praticamente todas as áreas do conhecimento e arte humana até então existentes, deixando um legado que ainda hoje é pertinente, e em algumas áreas preponderante.
Como esta frase que é útil para todos, mas seguramente mais para aquelas pessoas que têm a ingrata missão de ser líderes partidários... se é que me entendem.

sexta-feira, julho 23, 2010

parque público

Ontem, embora já aos últimos minutos, estive a assistir à reunião de câmara nabantina, mas o que por agora me merece mais destaque acontece ainda cá fora do edifício.
Bem sei que o assunto já foi mencionado por um dos jornais locais (não me lembro qual) mas a verdade é que quando o exemplo vem de cima dá nisto, ontem eram já três os carros estacionados na Praça da República, transformada assim em parque de estacionamento sempre que há reunião de câmara.
Pudera, se o exemplo vem de cima, até parece que o vereador não tem dinheiro para parquear o carro no parque existente a vinte metros, ou mora longe e não pode vir a pé.
Como o jornal, revelando dualidade de critérios, não soube de que vereador era o carro eu informo, chama-se Pedro Marques. Não é contudo de estranhar essa dualidade de critérios, parece que a PSP também a tem na hora de passar multas.

Apreciando tanto esta ideia inovadora, vou em próxima Assembleia Municipal propor que todos os deputados municipais possam em dias de reunião, passar a estacionar também os seus veículos na praça.


Outra coisa que muito impressiona nas reuniões de câmara, é o da dificuldade que alguns vereadores e/ou presidente de câmara têm em se fazer ouvir, é que tanto eu como as outras três pessoas a assistir na sala, a quatro metros dos protagonistas, não conseguíamos ouvir nada mesmo com os microfones ligados...

Mas parece só acontecer com alguns timbres de voz... tenho também em reunião de AM propor que se estude a acústica da sala...

Falando de assuntos mais sérios, para que não se pense que estou a deixar passar em claro, foi ontem aprovado em reunião de câmara algo que considero bastante grave, mas sobre isso tomarei posição depois de reunir a direcção do PS.


(apetece-me voltar a citar outra vez a frase de Jefferson que está já aqui em baixo!!!)

.

terça-feira, julho 20, 2010

"Quando um homem assume uma função pública, deve considerar-se propriedade do público."
Thomas Jefferson

.