quarta-feira, agosto 27, 2008

"A minha próxima vida" de Woody Allen

«Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa.
Ser expulso por que estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma.
Divertir-me, embebedar-me ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se.
Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos.
Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila!
Acaba como um orgasmo! I rest my case

pertinente contribuição de Dina Lopes

utilidades

Para quem necessite, aqui fica uma sugestão de procura.
Especialmente dedicada à malta que tem tempo para passar dias inteiros na má-lingua dos blogues tomarenses.

http://www.maisemprego.pt/

info cultural

Duas séries de posts em blogues tomarenses acabaram recentemente e valem uma visita. Sobre a nossa Mata Nacional dos Sete Montes no nabantia, e sobre o também "nosso" Regimento de Infantaria 15 no Tomar, a cidade.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Alguém sabe quem é?... dois anos depois.

Há uns tempos que não me debruço sobre a actualidade nabantina, e em rigor também não há muito para falar, como aliás é mais ou menos hábito.

E o assunto que me leva agora a fazê-lo em verdade não o merece, alguns me dirão com muita razão que nem deveria falar dele. Mas coisas há que me impedem de conter. Falo do folhetim dos paralelos da política, onde um convicto Luís Ferreira e um aflito Pedro Marques se têm digladiado com algumas palavras, e sobre o qual assistimos a uma malograda réplica na semana que passou, num artigo do senhor Pedro Vasconcelos no jornal O Templário – o que não é bem novidade e já noutro tempo me obrigou a escrever (Alguém sabe quem é... ).

O senhor Vasconcelos devia ter vergonha, mas há muito deixei de me iludir com a Ética que dos outros espero – de alguns ao menos. No caso deste senhor há já alguns anos que eu sei que não tem. E que ilustre personagem foi o vereador Pedro Marques escolher para seu advogado de defesa. Não é de estranhar, desde os tempos em que mesmo tendo perdido eleições contra o homem que agora acusa de “frustrado” e de quem diz não merecer “o mínimo de respeito de ordem política” (Luís Ferreira), esse que foi ainda assim, de espírito democrático quem depois de o ter vencido o convidou para o Secretariado do partido, que é diga-se, como que o governo do mesmo, e este aceitou para depois continuamente passar informações a outros, que Vasconcelos está habituado a fazer jogo sujo contra o PS. Já na altura mostrava pouco achego à inteligência, pois cedo percebendo nós o que se passava, rapidamente as informações que levava, eram exactamente as que queríamos que levasse.

E já agora senhor Vasconcelos, eu sei que já mostrou pouca capacidade de aprendizagem, mas aceite esta dica, que nem tem muito a ver com o facto de escrever mal, mas com o conteúdo do que escreve: leia bem as coisas antes de as escrever, ou peça a alguém para as ler. Alguém que acaba um texto com um «Descanse em paz. Até breve» estará a precisar de ajuda especializada?

O senhor Vasconcelos que é um dos “anónimos” dos blogues tomarenses (percebem tão pouco disto que pensam mesmo que são anónimos), é um daqueles exemplos tomarenses de alguém que sofre do complexo de achar que o seu sobrenome é muito importante, e lá no fundo perceber que está aquém da responsabilidade; é o senhor que tentou fazer uma espécie de compra de um lugar de vereador; o mesmo senhor que acha possível concorrer contra o partido onde militava e continuar a dele fazer parte, entre várias outras inenarráveis situações.
Aliás, não se percebe, este senhor que Marques e os “anónimos” usam para poder dizer que havia na altura entre os dirigentes do PS quem quisesse que o candidato fosse esse senhor do passado, não foi capaz de o propor no local próprio. Ele estava tão tão convicto da mais-valia de Pedro Marques, que só foi ter com ele, quando a Comissão Política do PS não o votou – a ele Vasconcelos – para o lugar que queria. Bizarro não? É o que se chama uma estranha conjugação de interesses. E que espírito democrático e de entrega ao colectivo que este auto intitulado “camarada” revelou demonstrar!

Bom, já que estamos nisto sejamos mais amplos; havia mais uns 4 ditos socialistas entre os apoiantes de Pedro Marques – o que em quase 400 militantes em Tomar, comprova o forte apoio que Marques reivindica! – e outro deles também há muito que merece e leva já agora por tabela. Chama-se José Neto, foi meu professor há vinte anos trás, e é outro dos “anónimos” dos blogues. O seu filho que também fez parte dessa lista, foi cerca de um ano meu colega de escola e alguns meses de casa no ensino superior, e este fundamentalista (no pior que a palavra pode significar, porque só assim se podem explicar algumas atitudes) apoiante de Marques gosta de, com alguma frequência, vir “anónimo” para os blogues contar um conversa descontextualizada e desvirtuada ocorrida entre mim e o seu filho na altura da campanha de 2005, obviamente dessa conversa só revelando o meu nome. Mais do mesmo, é preciso ter muita lata e das duas uma, ou uma total alienação da realidade ou mesmo alguma falta de amor-próprio (ou pelos próprios), porque se eu me pusesse para aqui a contar histórias, essas sim com todo o contexto e assinadas por baixo… Enfim, falta vergonha.

São senhores como estes que, tendo ouvido dizer dumas palavras como credibilidade e seriedade que ficavam bem, depois as reivindicam aos dirigentes do PS porque não sabem o que fazer com elas. São aliás, senhores como estes, que vêm para os blogues a coberto do anonimato, chamar todos os nomes, inventar todas as situações, julgando que tal nos afecta ou ofende. O vosso problema meus senhores, é que os actuais dirigentes do PS em Tomar, a começar por mim, não se afectam ou ofendem por qualquer disparate dito por frustrados com o complexo da rejeição. O vosso problema, é que os dirigentes do PS não fazem insinuações e outras maquinações "anónimas”.
Os dirigentes do PS em Tomar, podem até ser pouco conhecidos, podem até não ter currículos de exposição mediática, mas ao contrário do que vós exortais e é isso que vos irrita e não entendem, são impolutos, incorruptíveis, não cedem a pressões venham elas donde vierem, traçaram um caminho que pode até estar errado mas é o seu (e este seu é muita gente), têm a certeza e a força das suas convicções, dos seus ideais, das suas capacidades, do que ambicionam para Tomar e para o PS, e só estão disponíveis para abandonar a luta quando eles mesmos o decidirem.

Quem não deve nem teme, no que trata de “ligar alguma” a uma espécie de seres sem valores, só faz mais que ignorar ou ter pena, como quando no caso essas frustrações transbordam em muito o limite da sua própria flagelação, e se torna imperativo avisar por segurança que “eles andam por aí”.

domingo, agosto 24, 2008

Os Olímpicos terminaram...

... e apesar de poderem ter corrido melhor para os lusos, Nelson Évora fez ouvir o hino que não se ouvia há doze anos. Portugal lá ganhou duas medalhas e o Benfica três...

publicade

Pediram, eu faço.

Astrologia em Tomar: http://astrobalance.blogspot.com

sexta-feira, agosto 22, 2008

obras à portuguesa...

... é o que parece ter acontecido com este blogue, pois reinaugurado há mais duma semana, só agora houve tempo e vontade para fazer os acabamentos, o principal deles os comentários, uma vez que o blogue não estava a querer aceitá-los. Mas cá estão finalmente.

E por falar em comentários, ao último artigo que escrevi para o jornal "Fazer bem faz mal", que está uns posts mais abaixo, três comentaristas responderam ao desafio e escreveram quase tanto como eu no artigo, que sinto dever-lhes resposta. Como além disso passou algum tempo, faço-a aqui mesmo na página frontal do algures.

Sucintamente só algumas questões. Primeiro, caro Francisco Santos, ninguém me pede, pelo menos da forma como alvitra, para escrever sobre isto ou aquilo, ainda que cidadãos anónimos por vezes me sugeriam assuntos, que eu ainda assim raramente sigo, até porque só escrevo quando quero e não é assim com tanta regularidade. E não, não me pagam por escrever em qualquer jornal, mas é normal a confusão. Há muitos a pensar que sim.
Depois, não sei bem que responder ao seu comentário uma vez que ele é muito incoerente: ora me acusa de escrever "um hino à estupidez", como depois diz que sou "alguém com grande vontade de mudar as coisas"...
Francisco, isto lhe posso dizer, quase tudo o que escrevo tem um fim último, tentar levar aqueles que leiam, a pelo menos para si mesmo, fazerem uma análise crítica ao que se passar à sua volta. Já era muito bom. E sublinho sempre isto: criticar não significa apenas dizer mal.

Depois, caro Virgílio Alves, eu concordo com quase tudo o que diz, grande excepção feita às conclusões e a uma outra situação. Por exemplo, concordo absolutamente com a introdução do Inglês no primeiro ciclo; globalmente acho que nunca se fez em Portugal reformas tão profundas ainda que em muitos caso fosse preciso mais. Será sempre preciso mais.
Não posso de forma alguma concordar com a ideia fácil mas falsa de que os governos do pós 25 de Abril foram maus e a ideia a essa inerente, de que o Portugal de antigamente é que era bom, aí é que se geria bem, aí é que não havia "tachos", nesse tempo é que é que era bom viver... Sim eu nasci já em Democracia, e não tenho qualquer dúvida, por muito que tenham havido governos melhores ou piores, que uma pequena mas séria análise prova o contrário de qualquer teoria semelhante a essa.
E depois Virgílio, respeito a sua provável militância, mas não esqueça que o PC também já foi Governo por um tempito, e bem sei que eram tempos difíceis, mas parece que não correu lá muito bem.
Acha mesmo que se tivéssemos o PC ou o BE no Governo - acredito que fosse diferente - mas seria melhor?

Por fim, caro João Passos, também concordo com muito do que diz e partilho de alguma da sua utopia, mas há coisas que não são realizáveis, como acreditar que pode, ao menos por muitos anos ainda, existir Democracia sem partidos. Os partidos são com todas as suas vicissitudes, espaços de ideologia, espaços reconhecidos, com regras, e ainda que com falhas, espaços onde se faz seriação de pessoas, ao nível da sua competência, credibilidade, seriedade, etc.
Muito mais em risco coloca a Democracia esta moda de se dizer mal da política, dos políticos e dos partidos apenas porque sim, porque é "normal" dizer-se. Muito mais em risco coloca a Democracia, essas modas "independentistas" onde projectos pessoais, sem qualquer controle ou os predicados que enunciei para os partidos, seguras apenas por uma espécie de mediatismo independentemente das razões que o criaram, que permitem que uma só pessoa possa desvirtuar todo o que é o normal equilíbrio democrático numa qualquer comunidade.
E mesmo para acabar João, achar que os computadores portáteis ou o Simplex são "sinais de má gestão e administração" é, para ser gentil, não querer encarar o mundo em que vivemos, não será?

quinta-feira, agosto 21, 2008

coisas nossas

As coisas curiosas que aprendemos sobre nós enquanto povo, quando lemos umas coisas. Todos sabemos ou ao menos vamos dizendo, que este nosso "jeitinho" de ser português não é de agora, há muito que andamos a apurá-lo. A mim fascina-me descobrir novas coisas sobre este melting pot que é o "português".

Por exemplo, todos já ouvimos falar em moçárabes, e para não sabe quem fossem, eram os cristãos que, quando os árabes dominavam boa parte da península ibérica, se convertiam ou fingiam converter à religião muçulmana. Bom, mas as razões que levavam a essa conversão não teriam propriamente a ver com religião, é que os católicos pagavam impostos, e os muçulmanos... não.

Ainda derivado da religião, mas agora no campo da linguagem, também sabemos que há expressões que usamos que vêm desses tempos, como o "oxalá", mas outras porém têm proveniências mais insuspeitas, como o "se deus quiser". Diríamos que é uma expressão provinda do forte peso da igreja católica, certo? Errado!, é ao islamismo que ela se deve, e é no alcorão que se pode ler, versículos 23 e 24, capítulo 18: "E nunca digas de alguma coisa, sim, fá-la-ei amanhã, sem acrescentar: se Deus quiser."

Outra interessante é a teoria de que o tão conhecido sebastianismo português, o mito do desejado, aquele que virá para nos salvar e levar à glória, não é mais que uma apropriação adulterada provinda da enorme influência do judaísmo em Portugal. Afinal o cerne da religião judaica é a espera do messias...

quarta-feira, agosto 13, 2008

novo rosto

Depois de algumas promessas, cá está ainda pintado de fresco e a precisar de uns retoques aqui e ali, a nova cara do algures aqui.
Mais leve, permitindo uma leitura mais fácil, fresco, um pouco ao jeito do verão.
Uma das novidades é a listagem de etiquetas ali ao lado, que permite uma pesquisa por temas, de assuntos no blogue. Claro que entretanto terei que etiquetar os posts dos dois primeiros anos do blogue, quando tal coisa não existia.
Entretanto, ainda não há comentários disponíveis uma vez que o novo sistema do blogger não permite com facilidade o sistema de comentários antigo do algures, mas lá encontrarei uma solução.

terça-feira, agosto 12, 2008

sexta-feira, agosto 08, 2008

8.8.08 Olímpica




Daqui a alguns minutos, quando por lá forem 8h08, começam em Pequim os 29ºs Jogos Olímpicos da era moderna, e Tomar está mais uma vez representado na modalidade de trampolins, desta vez pela Ana Rente, a primeira portuguesa na modalidade.
Dia 16 pelas 4h será a sua primeira eliminatória.
Não tem que trazer uma medalha, mas ninguém se chateava...
Força ANA, Bom Trabalho!

Fazer bem faz mal

artigo publicado (com letras pequeninas :), no jornal Cidade de Tomar de hoje.

Nitidamente o Governo da República está amaldiçoado, é que esta coisa de decidir e fazer só trás chatices. Pronto, uma boa parte das pessoas que por acaso tivesse começado a ler este texto, acabou já aqui, na primeira linha; «ora, se este tipo está a dizer que o Governo decide e faz coisas não é bom da cabeça… Ah!, pois, é do PS, só podia!»
Contudo, para você que está disposto a conceder o benefício da dúvida, continuemos.
Inicio estas palavras a propósito da última que me chegou ao e-mail. Para os que não estejam totalmente embrenhados nas férias e demais delícias de verão, e salvem algum tempo para acompanhar as notícias, terão certamente ouvido falar no “Magalhães”. Sim, o computador portátil português, produzido em Matosinhos, que cria riqueza, postos de trabalho e afins, que o Governo vai distribuir a 500 mil alunos do 1º ciclo, e que vai muito provavelmente ser também exportado para o resto do mundo.
Se isto não é o Choque Tecnológico, não sei então o que possa ser; permitir aos jovens desde bem cedo a manipulação destas tecnologias que passarão para eles a ser tão banais como para mim era andar de bicicleta, apostando ainda no desenvolvimento nacional destas tecnologias com tudo o que tal acarreta.
Porém claro, já circula na internet que «é tudo uma intrujice», que «é um erro geracional», que esse computador «não é nada revolucionário», que não, não se está a desenvolver nacionalmente esta indústria, e os “por aí fora” do costume. Que dizer?!
Aliás, o mesmo aconteceu no “programa e.escola”, quando o Governo inundou o país com computadores portáteis, não só permitindo a sua aquisição a muitos alunos que não o poderiam ter ou aos professores que por prática imposição profissional dele necessitam, mas igualmente obrigando à óbvia descida de preços dos demais, logo se ouviram os «Ui, porque não são topo de gama, porque se vende gato por lebre, porque se tem de pagar o serviço de internet…» Enfim!
Mas continua. O Governo, no âmbito do “Simplex”, colocou muitos serviços totalmente disponíveis através da internet, investe nas Lojas do Cidadão (em Tomar não temos que a Câmara não quer, vá-se lá perceber!) e nos balcões únicos, como este último o “Casa Pronta”, a partir do qual num só balcão e duma vez, o cidadão pode tratar de toda a papelada relativa à compra de casa. Claro que para tudo isso se vai dizendo «mas como é que pode ser, que isso é lesivo dos interesses e vão ser enganados e não estão protegidos e blá blá blá».
Se cria o “Novas Oportunidades”, para chamar alunos jovens que saíram da escola demasiado cedo, e outros a quem não foi permitido estudar, também para qualificar a experiência adquirida, «Ai senhor, porque se está a banalizar o ensino, e a dar diplomas…» Nessa matéria aliás temos o clássico dos exames nacionais, se são fáceis «Ai Jesus!», se são difíceis «Ai nossa senhora!»
O Governo tira o monopólio dos medicamentos às farmácias ou investe nos genéricos, diminuindo os preços, «Epá, cuidado, porque as pessoas vão ser enganadas, não estão protegidas…» Aliás, mesmo agora que se anuncia a diminuição do preço dos genéricos em 30%, lá vêm os senhores das farmácias que não pode ser, que é um risco e é isto e aquilo…
Durante muito tempo, se foi dizendo que na Função Pública não existia controlo, entrava-se e pronto era só deixar o tempo passar e levar as coisas com calma, os próprios sindicatos diziam que era preciso distinguir os melhores, que era preciso novos mecanismos… pois. Cria-se um novo sistema de avaliação (SIADAP) e pronto «Onde é que já se viu, ter de prestar contas, ser avaliado, seriar as pessoas, só permitir que alguns subam na carreira…»
E tanto mais. O investimento nas energias renováveis que nos coloca no topo da Europa, não interessa. Novas barragens, «Mas para quê que desperdício! Que megalomania!». Portugal vai ser plataforma mundial do lançamento em massa do carro eléctrico, «Oh, ganhem juízo, isso nunca vai acontecer, nem interessa nada!»
Antes não havia fiscalização, era tudo “à vontade do freguês”; cria-se a ASAE que trabalha a sério, e pronto, é a “perseguição”, a “falta de respeito e sensibilidade”, o “abuso de poder”. Muitos outros exemplos haveria, mas por agora chega para a conclusão possível: ou nunca estamos bem com coisa nenhuma, ou

Tudo é bom desde que não nos toque no umbigo.

Durante três anos, com Durão Barroso e Ferreira Leite, depois com Santana e sempre com Portas, os portugueses tiverem um Governo que por entre as imensas trapalhadas, a venda absurda de património, a venda por tuta e meia de créditos da Segurança Social, entre outras, sempre a falar da tanga e do combate ao défice, acabou por o duplicar. Antes, durante seis anos o Governo de Guterres, acusado, a meu ver injustamente, de reunir demasiado e decidir pouco. Pois agora, temos um Governo que decide e faz, e no entanto a muitos parece que também não agrada. Confunde-se (sim, se calhar uma vez ou outra com alguma razão), a convicção e determinação de Sócrates com arrogância, e critica-se tudo, na maioria das vezes porque se ouviu dizer, porque é hábito dizer-se, ou totalmente sem saber do que se está a falar. Sim, somos portugueses, o que dizer mais?
Talvez, dizer apenas que, às vezes, o que apetece mesmo é não fazer nada; dá tão menos chatices não é? Ou, no lema confesso de um meu professor de curso, ilustre cronista dum diário nacional, e ex-Secretário de Estado de Cavaco, o que as pessoas no fundo pensam é: “Não te rales não te entales, a responsabilidade vem sempre de cima, e nunca ninguém foi condenado por não fazer nada”.
Ora, bem vistas as coisas, e até porque o antes tão invocado “deus” está cada vez mais em desuso, o que está mais acima é o GOVERNO, seja ele qual for, por isso está bom de ver que a filosofia é simples:

A culpa é sempre DELES. E tudo o que ELES façam, pois já se sabe, está mal feito e é para NOS tramar!

Esta concepção serve para qualquer outra coisa: uma associação, a empresa onde trabalhamos, o chefe seja lá do que for, ou aquele ou aqueles, aquela entidade que em qualquer momento detenha o poder de decisão (hum, até o presidente de um partido…). E esse é afinal o desporto favorito, falar mal, se não de todos, ao menos de quem “manda”. Mas em verdade, em qualquer sociedade, em qualquer comunidade, em qualquer organização, em qualquer sistema humano minimamente estabelecido; ora, até nos animais que se constituem em grupos; sempre tem de existir quem exerça num determinado momento, o poder de decisão, por muito interessante que seja a ideia do consenso e da deliberação colectiva. Onde quer que duas pessoas se juntem, sempre há-de chegar o momento em que têm opiniões diferentes.
E a essa capacidade caro leitor, de decidir entre opiniões divergentes, tomando portanto opções, chama-se Política. Assim, com letra maiúscula, porque é uma arte nobre.
Por mais idealisticamente aprazível que seja a imaginação de uma empresa sem chefe ou sem administração, de associações sem presidente ou direcção, de sociedades sem políticos ou governos, a verdade é que isso não existe. Se tal acontecesse o Homem não teria deixado as cavernas, e a simples assumpção da possibilidade dessa existência é caminho para sistemas, esses sim, de total ausência da partilha de decisão e concentração total da mesma: ditaduras. É para lá que caminharemos se continuar a perdurar e a crescer esta ideia consumada de dizermos que a Política não serve para nada, que os políticos não prestam, que os partidos nada servem e neles não queremos intervir. Essa relutância na participação cívica e política, essa generalizada má vontade para com os que elegemos é a negação da Democracia, e um passo largo para a perca da mesma; esse que talvez não seja o melhor sistema, mas é até hoje o mais perfeito que temos, sem vislumbre de outro.
Esta errada ideia do que é a Política, esta repulsa para com ela, para com os políticos e os partidos, esta permanente depreciação das governações muitas vezes leviana e constituída em desconhecimento, esta escassa vontade de participação e a mitigação das ideologias, a ignorância dos órgãos de soberania, do que fazem como e porquê, e acima de tudo, a não consciencialização da sua imprescindível importância, é também mostra evidente, das lacunas da educação e formação de um povo, do avanço e desenvolvimento cívico e a todos os meios de um país.
Mas contudo caro leitor, você que terá sido dos poucos que leu este texto até ao fim, dir-me-ia muito provavelmente que não tenho razão, e que só o digo porque afinal, também sou desses, dos políticos. Não é verdade?

segunda-feira, agosto 04, 2008

Assim vai, Tomar.

Uma vez cá, lá estive há pouco, a princípio com algum contragosto confesso, a passar em revista os jornais locais. Cá ficam alguns destaques.

O historiador (e meu antigo professor) Ernesto Jana, propôs em reunião de Câmara, um centro vivo de interpretação da história do homem, ou, por outras palavras, a conservação no local, junto à igreja de Santa Maria do Olival, de alguns dos túmulos da que dizem ser a maior necrópole da Penísula Ibérica, de forma a assim poderem ser apreciados.
A proposta foi aprovada por unanimidade. E bem.
Bom, mas apetece comentar que, realmente em Tomar a única coisa que se vai "encontrando" são coisas velhas, e particularmente, já mortas.

O mesmo Ernesto Jana coordenou a revista "Tomar: lugares e memórias" que esta semana (por mais um euro) acompanha O Templário. Mais uma iniciativa de mérito, desta feita contrapondo através de imagens e texto explicativo, o passado e o presente de vários locais de referência da nossa cidade.

A propósito, O Templário fez 20 anos. PARABÉNS!

Quem pegar n'O Templário também se pode inteirar de muitos eventos da região: a Feira de Petiscos de Ferreira do Zêzere; a Benção do Gado em Riachos, Torres Novas; a Feira de Enchidos em Vila de Rei.
Bom, e em Tomar, acabou este fim de semana a grande festa anual da cidade, a Festa de Cerveja organizada pelo União de Tomar... Significativo.

No Cidade de Tomar, fala-se ainda em extensa reportagem da "melhor superfície comercial do Médio Tejo", referindo-se ao Torreshopping.
Pois, melhor só mesmo se por ser a única daquelas dimensões, porque bom , bom...
Se é aquilo que queria o PSD na câmara fazer em Tomar; mais, se é por aquilo que querem deitar o mercado abaixo... Ó senhores, bom senso e bom gosto nunca fizeram mal a ninguém.

Também se fala da preparação da Feira de Stª Iria (ah! pois, estava a esquecer-me, esta é que é a festa anual da cidade), que diz-se por aí, parece que não está a correr muito bem, vá-se lá saber porquê; se eu fosse vendedor e me quissessem mandar para um baldio fora da cidade e sem condições nenhumas...
Enfim, veremos a continuação das notícias.

as maravilhas da tv

Pois é, cá estou de volta, depois de uns parcos dias de praia e afins e sem fim as noites, que bem vistas as coisas, ainda sou jovem... mas cada vez menos; a coisa antigamente parece que se fazia melhor!
Ainda assim, nada como uns bons dias sem computador, sem jornais, praticamente sem televisão, e telemóvel, olhar para ele só aí uma vez por dia... enfim, como que desconectado do mundo. Venham mais.

Mas se houve coisa que não pude perder na semana que passou, foi a oportunidade de ver a santa terrinha no longo programa da rtp; e é bem verdade, as coisas na televisão parecem totalmente diferentes. A televisão estava ligada, como outras vezes, mais para criar ambiente, mas por momentos tive que concentrar-me no aparelho para ter a certeza que era mesmo de Tomar que estavam a falar. Como quando o nosso presidente de Câmara arranca com esta: "(Em Tomar) O turismo é muito importante, e estamos a trabalhar para que seja mais importante ainda"...
Digam lá que não é brincalhão, hum?

E esta: "Há uma ligação intíma entre os tomarenses e o seu convento", quem disse, quem disse? A senhora directora do Convento, pois claro, mas vá, mas ela tem desculpa, está em funções há pouco tempo.

E mais desculpa tem a repórter que nem sequer é de cá quando disse: "Esta é a roda do mouchão, que em tempos ajudava à rega da ilha." - Pois, é que o "em tempos" foi até às obras do ano passado, em que foram destruidos os canais de inspiração mourisca, que distribuiam a água que a roda tirava do rio pela ilha. Cegas modernices.

O Codex 632

O verão, a praia, o calor que inibe alguns pensamentos mais profundos, são estímulos propícios a leituras um pouco mais leves que o habitual, e O Codex 632 de José Rodrigues dos Santos, cabendo nesse formato, foi companhia de areia e espreguiçadeira de piscina nestes últimos dias. Leve no conteúdo (ainda que com passagens dignas da melhor literatura) mas um pesado calhamaço cujas quinhentas e muitas páginas há tempo o faziam descer na lista de espera das minhas leituras prometidas, por esse volume pouco se coadunar com as diárias viagens de comboio do último ano.
O romance que se desenrola em torno da polémica nacionalidade de Colombo (esse Cristóvão meu antepassado :))), acaba por ter em Tomar, ainda em passagem fugaz, um palco decisivo para a história. Aqui ficam alguns curtos trechos aí usados para descrever esta terra que em tempos foi, camuflado centro decisor dum império.

"O permanente arrulhar dos pombos enchia a Praça da República de uma musicalidade gorgulhante; eram pássaros gordos, bem alimentados, a debicarem pela calçada e a esvoaçarem em saltos, adejando de um lado para o outro, enchendo os telhados, cobrindo as pequenas saliências nas fachadas, pendurando-se na estátua de D. Gualdim Pais, a enorme figura de bronze erguida no ponto central do largo.
(…) apreciando o elegante edifício dos Paços do Concelho de Tomar e todo o terreiro central até prender a sua atenção na original igreja gótica à direita, era a igreja de São João Baptista; a fachada branca do santuário ostentava um elegante portal manuelino, muito trabalhado, rematado, por um coruchéu octogonal; sobre a igreja impunha-se a vizinha torre sineira amarelo-torrada, um imponente campanário cor de terra que ostentava com orgulho um trio simbólico por baixo dos sinos, reconheciam-se ali o brasão real, a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo.

(…) tratava-se de um espaço abrigado por entre árvores e dominado pela maciça Torre de Menagem, que se destacava por trás das altas muralhas do castelo templário, enormes muros de pedra recortados no céu azul pelo rendilhado das ameias. Deixaram o automóvel à sombra de uns pinheiros altos e seguiram pelo chão empedrado que circundava as muralhas da torre, a Alcáçova, em direcção à imponente Porta do Sol; deu-lhes, por momentos, a impressão de terem retornado à Idade Média, a um tempo rústico, simples, perdido na memória dos séculos e do qual só restavam aquelas orgulhosas ruínas. Um rude muro dentado por sólidas ameias estendia-se à esquerda, bordejando o caminho e delimitando a floresta densa; as folhas das árvores agitam-se ao vento pela encosta do monte, os galhos pareciam dançar ao ritmo de uma suave melodia natural, embalados talvez pelo animado zinzilular das recém-chegadas andorinhas e pelo permanente trinar dos alegres rouxinóis, aos quais respondiam as cigarras com agudos ziziares e as abelhas por com um azoinar laborioso, gulosas em torno das flores coloridas que espreitavam pela verdura. O lado direito do caminho quedava-se num silêncio seco, vazio, por essa banda apenas se elevava uma árida encosta de pedras, no topo das quais imperava o castelo, qual o senhor feudal, altivo e arrogante.

(…) Cruzaram a magnífica Porta do Sol e desembocaram na Praça de Armas, um vasto espaço com um belo jardim geométrico à esquerda, sobranceiro ao vale. Viam-se por ali sebes moldadas em meias-esferas, arbustos por aparar, ciprestes altos e esguios, plátanos, canteiros de flores.
(…) as muralhas à direita e as estruturas medievais em frente, dominadas pela escadaria e pelo enorme bloco cilíndrico da magnífica Charola, com o seu ar de fortaleza românica, a fachada marcada pelos maciços contrafortes dos vértices que alcançavam os telhados, a cobertura rematada por merlões quinhentistas e a torre sineira a coroar toda a estrutura; do outro lado do complexo destacavam-se as compactas paredes exteriores do Grande Claustro e, por trás de um gigantesco plátano que sobre o convento lançava a sua protectora sombra, as ruínas incompleta da Casa do Capítulo.

(…) Afinal de contas, vive em Tomar, no alto destas misteriosas muralhas medievais, o espírito puro do Santo Graal, a enigmática alma esotérica que encarnou a formação de Portugal e orientou a gesta dos Descobrimentos.”

quarta-feira, julho 23, 2008

mar

Embora longe nos últimos dias, de partida já a seguir para cumprir os mínimos, que as férias finalmente chegaram. Afinal de contas, depois de um ano inteiro a pensar nestes dias, é bom que eles sejam minimamente interessantes.


Por isso, e para já, até lá para os inícios de Agosto, é algures perto da praia que andarei, e este algures tem muita margem. Quanto a Agosto, enfim, logo se verá.

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Nasceu em terras de nabancia um novo blogue, o Serra de Tomar

Longevidade e boa escrita aqui se deseja de algures.

A festa de verão de Tomar

Bom, não há nenhum concurso, mas só que seja igual ao que foi há dois anos, este 2º Festival Bons Sons, a decorrer em Cem Soldos de 22 a 24 de Agosto, tem tudo para ser a melhor festa de Verão do nosso tristonho concelho. Não, não é porque o resto é mau, embora... vá, é porque esta é de facto boa.

Bem organizada, com gosto e bom senso, com juventude e dinamismo, aí está uma associação (SCOCS, Sport Club Operário de Cem Soldos) e uma aldeia, a mostrar a uma câmara e uma cidade como se faz.


E para reservar na agenda e aguçar o apetite, o melhor mesmo é passar pelo site em http://www.bonssons.com/

terça-feira, julho 15, 2008

Tenho andado de tal forma alheado da blogolândia, que até me esqueci que o algures fazia anos. Também, se eu me esqueço de pessoas, porque não havia de esquecer de um site?...

Pois é, no passado dia 7 este espaço fez 4 anos. Está aqui, está a ir para a escola...

quarta-feira, julho 09, 2008

Publicidade Cultural


O sardoalense colega e amigo Pedro Rosa, inaugura este sábado 12 pelas 17 horas na Biblioteca Municipal de Almeirim, a sua exposição de pintura intitulada "Morfismos".
Vale a pena concerteza.

Festas do Almonda

"SUZANNE VEGA - Cantora pop-folk e contadora de histórias que marcou a música internacional nos últimos 20 anos. Uma carreira em torno da guitarra e das suas líricas, e da forma como a música se relaciona com as pessoas. Autora de canções poéticas, urbanas e cheias de emoção, omo o conhecido tema ‘Luka’. Entre o suave e o agressivo, o sexy e o abrasivo, o tradicional e o experimental, a sua voz é simples e adapta-se às diferentes atmosferas, prometendo um concerto único em Torres Novas!"
notícia o mirante online

A notícia está já desactualizada, mas serve para ilustrar o que uns fazem e outros não. Torres Novas é mais um dos concelhos aqui da região que envergonha Tomar nesta coisa das festas e dos concertos (gratuitos, sempre). Ali se apresenta nestas Festas do Almonda que estão a decorrer, um excelente cartaz, que merece uma visita, pelo menos ao site da câmara de TN para se perceber porquê. Olhe-se nele também para a coluna da direita (agenda semanal) e pense-se em Tomar.

Por cá, bom, por cá temos o bom do Festival do Frango Assado, já ido, e a Festa da Cerveja que aí vem.
Hum, dito assim até parece brincadeira... Ah!, grande terra!

"Receita do Português"

"Coloque uma vasilha dentro de água. A massa só alcançará o ponto exacto se os ingredientes forem misturados em recipiente mergulhado na água salgada. Senão, a receita desanda.

Ingredientes:

- Homens pré-históricos do vale do Tejo e do Sado.
- Um punhado de povos indígenas, principlamente lusitanos. Se possível, da tribo liderada por Viriato.
- Celtas - apenas para polvilhar.
- Romanos.
- Bárbaros: alanos caucasianos, vândalos germânicos e escandinavos, suevos e visigodos germânicos- estes últimos dissolvidos na civilização romana.
- Mouros: tribos islamizadas do Marrocos e da Mauritânia.
- Uma pitada de árabes.
- Judeus sefarditas (ibéricos) - coloque um punhado entre um ingrediente e outro. Reserve a porção maior para o final da receita.
- Cristãos a gosto."

Excerto do primeiro capítulo do livro O Português Que Nos Pariu da brasileira Angela Dutra de Menezes, mais uma recomendação de leitura do jubilado professor nabantino AR, a quem agradeço, e que vale a leitura por essa visão do povo que somos, vista pelo povo que "produzimos".

terça-feira, julho 01, 2008

férias

Uma sugestão para quem (como eu, diga-se), anda menos bem de finanças...

pertinente contribuição do José B. Vitorino.

domingo, junho 29, 2008

Delírio de Verão

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de Junho

O verão achega-se finalmente, possante, quente, e em Tomar o reboliço da época sente-se em cada esquina.
É o corrupio dos turistas subindo e descendo as calçadas da cidade para o Convento. Cá por baixo na cidade, é vê-los aos magotes, apinhando as esplanadas, fazendo filas nas lojas.
Nos cafés e nos restaurantes não há “mãos a medir” e já não há tomarenses que cheguem para tanta vaga de emprego. Está bom de ver porquê: os eventos desportivos, o cartaz de espectáculos e outros acontecimentos culturais, a par com a animação de rua, ou os roteiros turísticos específicos, sobre os Templários por exemplo. E a “cidade velha”? Ui!, a cidade velha, que chamariz! E ainda há quem diga que a dita “revitalização do centro histórico” que a Câmara tem levado a cabo, não passa de substituir pedras por pedras piores… que ingratidão!

Que tão pouca compreensão tendes pelos misteriosos desígnios da nossa Câmara!

Bom, Tomar faz jus ao seu eclético e nobre passado, e hoje é um destino de top em qualquer agência de viagens, ou na lista de destinos de qualquer português.
Os hotéis e as residenciais estão cheios, e no parque de campismo não cabe nem mais um saco de cama! Eles são casais apaixonados, eles são grupos de jovens à procura de diversão, ou excursões de jovens reformados relembrando a cidade de que ouviram falar nos tempos de escola. De todos podemos encontrar na enchente desta que só podia mesmo ser uma cidade turística.
Os tomarenses esses, sempre que têm uma folga, preferem a frescura de uma das suas praias fluviais. No Nabão ou no Zêzere, é só escolher a mais a jeito. Todas elas são referência na região: pelas comodidades, como os barzinhos de apoio, ou a segurança, ou os vários equipamentos para a pequenada. Até na cidade, todo o canto verde ou a formosa sombra é ocupada por gentes que repousam deslumbrando-se com os prodígios da nossa terra.
A Mata então é o ex-libris, ali passeiam os avós com os netos, os mais desportistas são às centenas no dia-a-dia aproveitando o ar puro, os jardins da entrada são cobiça para as aprimoradas donas de casa, e num ou outro doce recanto, enamorados pares aproveitam o embalar dos pássaros, para melosas juras de amor.
Ah! O encanto desta terra…
Bom, e os mais jovens, já se sabe, gostam de fruir do calor das noites. E Tomar é o destino predilecto dos boémios de toda esta região, por onde a nossa zona dos bares é continuamente mencionada. Esses competem avidamente entre si para as mais badaladas festas, chegando mesmo uma vez ou outra, a envergonhar os aprumadinhos da capital.

Ora, quando tudo se tem já, que poderemos nós querer mais?

Chega-se ao ponto de boa parte dos nabantinos lamentarem os dias em que se desloquem à praia ou a qualquer outro sítio, com o espírito no que estarão a perder por cá.
Nesta altura, é como se os habitantes triplicassem ou quadruplicassem, tal a quantidade de forasteiros que procuram o concelho e por cá ficam dois, três, muitas vezes mais dias, sendo sabido que quase todos, especialmente os nacionais, acabam por voltar.
O Convento olhando como nos tempos imemoriais pela cidade lá de cima, bate recordes de visitantes e os outros monumentos, um pouco aproveitando a onda, são de tal maneira procurados, que às suas portas se acercam vendedores de todo o tipo de souvenirs, artistas de rua, pintores e caricaturistas, vendeiros de flores, bolos, licores,… enfim, um mar de gente aproveitando aquele euro a mais que sempre pesa na carteira do veraneante turista.
Quando, não sem um olhar já de saudade, os visitantes nos deixam, vão sempre carregados: ele são postais para os amigos, a t-shirt para a irmã que não pode vir, os doces para os avós, os bonequinhos para os netos, não fossem já as iguarias levadas nos aprazidos estômagos dos próprios…
Quando partem vão infimamente refastelados. Cheios de recordações para fazer inveja aos amigos, e os nabantinos esses, inchados de orgulho, na referência e animação que é a nossa augusta terra.
Reconhecendo esse orgulho que por vezes nos cega um pouquito, admito ter exagerado qualquer coisita neste relato… mas não estou muito longe da realidade, ou estarei?

domingo, junho 22, 2008

para fora cá dentro

Para quem gosta de conhecer os nossos lugares da história, no caso com um toque de mistério e esoterismo.
E também, o que alguns municípios fazem pela promoção do turismo e consequente desenvolvimento económico (perceptível logo no seu site), a envergonhar outros com mais possibilidades... Sim, porque concelhos há que, ao invés de deixar à vontade de outros e da sorte, decidem "tomar" o seu futuro nas mãos.

aqui fica Belmonte: http://www.roteirobelmonte.com/

bem vinda sugestão de António Freitas

sábado, junho 21, 2008

"Governo cria duas divisões policiais em Santarém e Tomar

O comando da Polícia de Segurança Pública de Santarém está, desde esta quarta-feira, oficialmente dividido em duas divisões policiais, sedeadas na capital de distrito e em Tomar.
O comando de Santarém, considerado por portaria como um dos “comandos territoriais complexos” existentes no país, passa a ter duas divisões policiais. Uma na capital de distrito, que integra, como subunidades operacionais: a esquadra de Santarém, a esquadra de trânsito ali sediada e a esquadra do Cartaxo, além da esquadra de investigação criminal da 1ª divisão policial.
Em Tomar, onde a mudança das instalações policiais está prevista para Agosto, ficará com a segunda divisão policial do distrito, onde serão integradas, para além da esquadra da cidade, também as esquadras de Abrantes, Entroncamento, Ourém e Torres Novas. O diploma agora publicado cria também na cidade do Nabão a segunda esquadra de investigação criminal do distrito."
notícia n' o mirante online


Sim, sim, o Governo é muito mau para Tomar...
Adjudicação do IC3 até Coimbra, IC9, Comarca do Médio Tejo sediada em Tomar, novo Tribunal do Trabalho, Pavilhão da SF Gualdim Pais, Loja Ponto Já (hum, o que é isso?! onde? pois, mas isso já não é responsabilidade do Governo), etecetera, etecetera....


E isto sem Secretários de Estado, e deputados e afins, da "cor" do Governo como noutros tempos. Imagine-se se os houvesse...

desculpas

A selecção faz-me lembrar Tomar, a culpa dos resultados é sempre dos outros!

Por lá, é sempre do árbitro ou da sorte, por muito que exista uma ou outra azelhice, uma ou outra falta de ideias, uma ou outra falta de energia, ou mesmo um ou outro frango - por cá é sempre do Governo, ou de outros quaisquer, por muito que não haja visão, por muito que não haja capacidade, vontade,... e tanto, tanto mais.

sexta-feira, junho 13, 2008

assim vai... o país.

O comboio vinha cheio de rostos cansados, sonolentos, mas pouco inquietos aposto, por exemplo com os resultados que da Irlanda se vão pressentindo. Joga-se ali o futuro da Europa, e se o “say no to Lisbon” ganhar, não é só esse futuro que se torna mais incerto, ou mesmo a “carreira política” de alguém, mas a par com um possível caos político nas organizações europeias, é também a possibilidade de Portugal inscrever uma vez mais e de forma decissiva, o seu nome nesse futuro que se eclipsa.

Entretanto, desde ontem que os camiões voltaram a circular, o que representa o fim destas tréguas no combate ao bom ambiente… Hum, bom, eu acho, ao contrário de alguns comentadores, que o Governo lidou bem com o assunto. Noutros tempos, com primeiro-ministro de “raça”, talvez as coisas tivessem sido resolvido à bastonada, mas como Pulido Valente hoje bem diz (“bem dizer” no caso dele, é algo que nem assenta bem…) esse exercício “com uma “aristocracia” como os camionistas” pode transformar-se numa guerra.

E no futebol, que parece ser para a maioria o país que interessa, a selecção dos nossos guerreiros lá ganhou a primeira batalha, à espera agora dos germânicos, que os suíços são só para entreter. Scolari também se passou, mas desta para os soldos do Abramovich.
Por mim, que vá. Sim, até já por duas vezes me cruzei demoradamente com ele, e parece-me fora dos holofotes pessoa simples, humilde. Mas nunca me pareceu que fosse, por muito que os resultados digam o contrário, especial treinador. Talvez seja neste campo muito conservador, mas para mim seleccionador deve ser português, e já agora, receber q.b.
Assim esperemos que seja o próximo.


Entretanto, os noticiários da uma abriram com a volta atrás da UEFA em relação ao FC Porto e à Liga dos Campeões… Temos novela para mais uns tempos.
E vá, a crise agora é no estômago, vamos ao almoço.

crónica de santo antónio

Acordado – que é como quem diz, de novo abrindo os olhos, que dormir é outra coisa – despertei numa Lisboa cansada ou, ainda repousando de uma noite de folia, onde a luz matinal e ímpar do sol alfacinha, escorre densa pelos edifícios pombalinos.
Aqui e ali alguns fazem até render as últimas gotas de cerveja e como que ecoando os sons da noite, se ouve ainda um ou outro acorde de solitário guitarrista e alguns descompassados batuques.
A caminho do metro, lá estava no Chiado o aniversariante Pessoa, na sua sentada perpetuação de bronze, vigiando sereno os madrugadores e parcos turistas, a quem um dos seus heterónimos declamava mudos sonetos…

A véspera do dia de Santo António é noite obrigatória em Lisboa. Talvez a mais típica festa popular portuguesa, ela é hoje expressão não só de bairrismo, mas igualmente de multiculturalismo, e condensação do sentir e ser português, aqui multiplicado por todas as ruas e ruelas dos bairros históricos da capital.
Por todo o lado há barraquinhas improvisadas, ou simples bicas de imperial podem surgir ao virar da esquina, ou numa qualquer porta hoje especialmente aberta. A sardinha, rainha da festa, está cara e possivelmente devido aos bloqueios dos últimos dias, com duvidosa frescura e portanto de má cara; mas o vinho, a sangria, e especialmente a cerveja jorram sem parar e erguem-se em todo o par de mãos.

A par com o das sardinhas, os odores das febras e das entremeadas olvidam o dos manjericos, mas muitos outros há a invadir as narinas e a colar-se à roupa.
Aqui e ali, umas vezes mais eufórico, outras mais tímido, ouço um «Olá stôr!» dito por alguns dos meus discentes. A grande maioria dos meus alunos, para quem aliás, hoje fora o último dia de aulas, mora por ali, pelos muitos bairros da baixa lisboeta.
Os sons são ecléticos e diversos. Aos tradicionais fados e marchas juntam-se os ritmos brasileiros e em alguns pontos “mais jovens”, batidas recentes em imperceptíveis letras anglo-saxónicas. Há sítios onde andar se torna difícil tal o amontoado de gentes que circulam, circulam, como se circular fosse o imperativo da noite. O miradouro de Santa Luzia é um deles, assim como todas as ruas na zona da Sé ao Castelo e à Graça.

Cá em baixo, na Avenida, as marchas desfilam para os turistas e para os casais acompanhados de pequenos rebentos que procuram para esses maior segurança nestes espaços mais largos. A dar música aos refrões desafinados reconheço nos “cavalinhos” caras dos tempos em que também soprava essa arte. Tenho saudades do trombone.
Nos bairros mais a oeste, a agitação contínua. No Largo do Carmo, as barracas e bailarico estão entregues à trajada “estudantada” e mais acima, o Bairro Alto muda pouco a sua vida já sempre em festa no restante ano. De Santos a Alcântara e porque não à Ajuda, a alegria continua, mas para lá já não vou. A Bica contudo, é dos mais típicos e concorridos e por aqui fico mais um pouco, e no miradouro do Adamastor, ancoradouro maior da malta “cool” que se embala em fumos de outros cheiros, faz-se uma rave silenciosa, em que um grupo de gente ouvindo nos seus phones uma só batida, dança aos olhares distraídos, numa muda e louca coreografia. É, a tecnologia chegou aos santos populares.

E a noite continua, quente, assistida ao fundo pelo Tejo, acarinhada por um céu magnífico, e partir daí mais turva e sempre regada. Bom, como se diz noutras paragens, o que acontece em Lisboa, fica em Lisboa.
Em todo o caso, regressar a Tomar é quase sempre um bálsamo para todos os cansaços, e até cheguei a tempo de comprar no mercado as minhas primeiras cerejas do ano, que estão ali no frigorífico, agora já frescas e à minha espera…

Clã e Rádio Macau nas Festas da Barquinha

"Rádio Macau e Clã são este ano cabeças de cartaz nas Festas da Barquinha a decorrerem entre 12 e 15 de Junho. Para além das bandas musicais reconhecidas a nível nacional, este ano a autarquia revela no seu programa um novo formato de animação designado por “Barquinha Non Stop”. Trata-se de 24 horas ininterruptas entre os dias 14 e 15, com início ao final da tarde de sábado, de um conjunto de actividades diversas e destinadas a diferentes públicos. (...) no novo evento vão estar inseridas actividades nas áreas da saúde, da cultura, do desporto e da animação, uma forma de “dinamizar ainda mais os reconhecidos e já tradicionais festejos no concelho”.
notícia n´o mirante online

Tal e qual Tomar...

quinta-feira, junho 05, 2008

sinais dos tempos

O cinema de Tomar exibe esta semana um filme que chegou ao video-clube há duas...
Os pequenos sinais a que ninguém dá importância, mas que bem mostram a cidadezinha em que nos tornámos. Tomar, capital da cultura...

Esta foi a pedido do João M Carvalheiro.

Geração de Ideias

Geração livre
"A democracia portuguesa viu nascer uma nova geração de portugueses. Uma geração que tem, e reconhece ter, condições e oportunidades únicas, de que não beneficiaram as gerações anteriores. É a mais capacitada e qualificada da história portuguesa. É uma geração livre, que cresce e vive em paz, liberdade e em democracia, que não se confrontou com guerras, ditaduras ou privações extremas. Esta geração melhorou os indicadores de educação, acesso à cultura e conhecimento científico. Defronta-se com oportunidades de vida, níveis de bem-estar e possibilidades de exercício da cidadania que não têm paralelo em momentos anteriores da nossa história."

Começa assim o manifesto da Geração de Ideias, "uma iniciativa que reúne uma geração com um propósito: gerar ideias capazes de sustentar o processo modernizador do país."

conveniente teoria


veio cair tantas vezes no e-mail, que o melhor mesmo é publicá-lo aqui...
a teoria, de facto, é boa...

quinta-feira, maio 29, 2008

os dias cinzentos

Hoje, vou ter que ficar por Lisboa, e tendo já terminado as aulas por hoje, aqui estou na sala dos prof's a aproveitar um tempinho para pôr alguns email's em dia e também aqui escrever qualquer coisa, que essas coisas de tempo e vontades não têm estado para internet's.

O país anda cinzento, não fosse o verão, que cada vez mais se anuncia fraquito fraquito, o outro tempo, o financeiro também não está fácil, sendo disso a face mais evidente o preço dos combustíveis, como evidente era o ter que acontecer, assim como evidente é que, por algo que atenue pontualmente, a tendência será sempre para agravar. Quando o dizia há uns tempos, chamavam-me maluco...
Portugal não tem dimensão nem meios para fazer frente a isso, e a única forma de atenuar esse crescente problema, é a de reduzir a sua dependência face aos combustíveis fósseis, seja pela procura de outras energias, seja pela diminuição do uso, particularmente do automóvel.
Infelizmente, os portugueses gostam de andar de carro e fazem-no para tudo, às vezes para se deslocarem cinquenta metros. Quando se usa exemplo de outros países, por exemplo para o preço dos combustíveis ou o imposto sobre estes, era bom também que se usasse os exemplos que não dão jeito ver, como a utilização dos transportes públicos ou outros, como a bicicleta.
Em Portugal, é chavão dizer que os transportes públicos são maus... está bem, mas então vão andar de metro em Paris ou Londres a ver se lá é que é bom...
Andar de bicicleta é irrealista? Então mas porque é que em França, na Holanda, ou outros que gostamos tantas vezes de usar como exemplo, se usa tanto esse transporte, será porque têm condições atmosféricas mais atractivas?
Tomar é para isto um bom exemplo. Uma cidade pequena, que não é plana, mas ainda assim com desnível de pouco significado e apenas entre as duas margens, e no entanto a maioria das pessoas usa o carro nas pequenas deslocações.
Dir-me-ão: isso não resolve o problema. Talvez, mas resolverá mais do que fazer boicotes saloios à GALP, ideias que mostram o que as pessoas se informam sobre os assuntos. Pois se é a GALP que abastece as outras companhias em Portugal...

Bom, as eleições do PSD estão aí para colorir um bocadito, mesmo que por pouco tempo, o cinzento destes dias. Enfim, não sei quem vai ganhar, nem me preocupa muito, provavelmente Ferreira Leite. Há contudo apenas uma relevância: Passos Coelho é o único a levar a sério, destes quatro, e se nenhuma hecatombe acontecer, o único com futuro. Futuro entenda-se, no que à condução do PSD e relevância para o país possa implicar. É também, na minha análise, o mais perigoso pois é, ao menos no discurso, o mais neo-liberal, e o mais populista e por isso mesmo o mais disposto a todas as promessas, independentemente da responsabilidade do estado e da realidade do país.

E sobre Tomar, enfim, o que dizer? A começar na virtualidade dos já costumeiros (sinistros, dementes, pacóvios,... é acrescentar a gosto!) de grande parte dos comentários bloguísticos, continuando pelo esbanjar de dinheiro por parte da câmara, como na bancada para o campo sintético dito estádio, ou no apagar do erro fonte cibernética, responsabilidade dessa câmara, a par de tantos outros, Tomar afunda-se, afunda-se, afunda-se, e os responsáveis são sempre os outros.
Sempre os outros: para a Câmara o Governo, para a generalidade dos cidadãos os políticos. Porque aos concelhos vizinhos são dadas melhores condições, ou tem melhores acessibilidades, ou... sei lá! Nunca a responsabilidade é "nossa".
Os milhões que têm sido gastos em obras erradas, em obras mal planeadas, em obras feitas e desfeitas; em processos judiciais, em acessorias de amigos ou das suas empresas, as oportunidades perdidas e deixadas a outros, quem é responsável?
E se a câmara faz todos estes disparates, quem é responsável?

Podia continuar, tanto há para dizer... mas por agora mais vale acabar com esta frase que muitas vezes uso, em especial no partido onde me cabem responsabilidades, e que devia ser lema de todos: pessoas individuais, instituições, concelhos, países...
Não esperem que façam os outros, o que nós por nós não soubermos fazer.

e o burro sou eu...

"Fonte cibernética de Tomar vai ser remodelada
A Câmara de Tomar vai retirar 752 mil euros do montante global destinado aos projectos de requalificação da Estrada Nacional 110 (1,880.250 euros) para pagar a remodelação da rotunda cibernética e os honorários dos advogados envolvidos no litígio entre a autarquia e a Parqt, concessionária do parque de estacionamento atrás do edifício dos Paços do Concelho. A justificação do executivo camarário para esta alteração orçamental é a de que não foi possível prever estas despesas à data da elaboração do orçamento para este ano."


notícia n'o mirante online

quarta-feira, maio 28, 2008

terça-feira, maio 13, 2008

"Visitar Museu dá descontos no comércio em Tomar

... a autarquia, em parceria com a ACITOFEBA, associação local de comerciantes, estabeleceu um acordo com 130 estabelecimentos comerciais da cidade, que se comprometem a proporcionar 10% de desconto em compras, até 31 de Maio, a quem apresentar o cartão comprovativo de ter visitado nesse dia o Núcleo de Arte Contemporânea. ..."
notícia O Mirante Online

Em primeiro lugar convém dizer que aquilo não é um museu, mas um núcleo, mas vá, adiante...
À primeira vista a ideia parece boa, mas reflectindo nela, percebemos como mal anda o mundo.
Enquanto por todo o lado há promoções para ganhar bilhetes para o futebol, para concertos de rock, etc; em Tomar, ao invés, a cultura dá desconto para ir às compras...

Aplicando isto a um problema nacional, qualquer dia quem for votar, ganha vales de compras no hipermercado!

por lá se faz, por cá faz de conta

Depois de Abrantes, também em Santarém se fala já do projecto de "centro comercial de ar livre" para dinamizar o seu centro histórico.
Em Tomar, continuamos na mesma, a caminho do fundo. Sim, porque por fundo que pareça que possamos estar, há sempre mais para descer.


Fica ao menos a satisfação de saber que a ideia é boa, e que se não cá, outros há que a implementam.

Mação é o concelho com menos desemprego

"Com uma taxa de desemprego de 1,1%, Mação é o concelho que tem menos desempregados em Portugal continental, segundo um estudo realizado pela Marktest...."
notícia d' O Ribatejo Online


e nós aqui tão perto...

sábado, maio 10, 2008

tanta sopa!


Hoje, 12h30, no mouchão parque ou ilha do mouchão como preferirem, o XV congresso da sopa com os lucros a reverterem para o CIRE.
Ui, já falta pouco e já estou com uma fome!...

terça-feira, maio 06, 2008

por lá azul, negro por cá

No mastro da praia fluvial de Carvoeiro, concelho de Mação, sobe quinta-feira a bandeira azul, única no distrito de Santarém, e uma das apenas 6 em praias fluviais do país.

Em Tomar, 2008, um concelho dito virado para o turismo, atravessado por dois rios, um dos quais com uma das albufeiras mais conhecidas do país, a do Castelo de Bode no Zêzere, naturalmente não poderíamos ter nenhuma bandeira azul porque, claro está, nem sequer nenhuma praia fluvial à qual esse nome se possa atribuir temos ainda!
Certamente não tem havido tempo para tratar disso...

domingo, maio 04, 2008

Hugo... quem?

Esta coisa de ser um figura semi pública, seja lá isso o que for, e naturalmente enquadrado à escala da média dimensão do concelho de Tomar (todos somos personagens no palco da sociedade) tem coisas curiosas, como esta, que não resisto a aqui contar.

Na sexta de manhã, para me deslocar para Lisboa afim de dar aulas à porção reduzida de alunos que nesse dia apareceram, entrei, por razões que agora não vêm ao caso, no comboio em Santarém.
Aí, por casualidade, fiquei sentado num banco pararelo a um outro par de homens. Preparava-me para uma pequena sestinha, e estava mesmo já com um pé para lá da porta do reino dos sonhos, quando a conversa ao lado me prende nesse limbo: falava-se de um tal Hugo Cristóvão.
Fazendo lentamente o regresso ao mundo dos acordados lá fui ouvindo:
... mas é novo ainda. - Pois aquilo também não é fácil, andam lá muitos à procura, mas ele tem garra. - É, escreve umas coisas engraçadas... - E verdades! - É, é..
Entretanto já desperto lá percebi que um deles tinha o Cidade de Tomar nas mãos, e onde a acompanhar texto sobre o almoço de 25 de Abril do PS de Tomar está uma foto onde apareço.
- Pois mas é novo, e aquilo tem lá muitos velhos - (convem agora dizer que eles também já não eram propriamente novos)
Entra-se depois no reino da efabulação, sempre presente nestas conversas:
- Ele não é filho do dono do ... - É é, mas isso também não é pecado. - Não, pois, mas então é diferente, assim a história é outra. - Então claro, achas que com aquela idade era qualquer um que ia para lá... - ( o "lá", entenda-se como presidência do PS) - Ah...

Enfim, as palavras não serão ipsis verbis estas e a conversa foi mais extensa, mas a minha memória é como qualquer outra, e falaram-se de outras pessoas e de outro partido que não o PS, mas esses naturalmente não reproduzo aqui, além de muitas outras teorias e filosofias, que sempre acontecem nas conversas do comboio.
Eu era para me ter apresentado, mas acabei mesmo por voltar lá onde ainda não tinha chegado (:) - ao sono, e depois disso já não fazia sentido.
Para a próxima, olhem para a fotografia...:)

sexta-feira, abril 25, 2008

informação cívica

No dia da Liberdade, nasce o novo site da casa da Democracia.

Conhece aqui o novo Parlamento Global.

Volta Salazar!

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 24 de Abril

Chegados que somos a mais um feriado, que é, para a maioria, o único ponto de interesse desse dia de Abril que aí está, há ainda quem, mais que noutros momentos, relembre essa figura que convoco em epígrafe e aquilo que representa: a dita dura.
Bem sei que quando nesse dia vinte e cinco do quarto mês do ano de setenta e quatro do século passado, se colocaram cravos onde balas de costume uma ou outra vez saíram, o senhor já tinha caído da cadeira, pois que se estava na marcelista primavera, que em todo caso dizem, era feita de uma espécie de um morno a caminho de gélido.
Mas não me culpem a mim, tantas vezes acusado desse crime de que me confesso, não ter vivido nessa época (adoro aliás esse argumento fascinante e inteligente do: – quem és tu ó miúdo, que da tua idade já estava farto de lutar contra o fascismo?!), por agora aqui nomear o senhor que tão bem lá estará, no céu ou no inferno, consoante o gosto e a devoção.
A verdade é que, “condenado” por esse tempo não ter experimentado, e tantas vezes ouvindo dizer a pessoas certamente esclarecidas que nesse “é que era bom”, que por vezes me ponho a adivinhar como fosse afinal.

Nesse tempo a sociedade assentava em valores muito mais consistentes, as moçoilas casadoiras tinham aulas de economia doméstica e eram hábeis na costura. E ora pois, assim é que estava bem. Se as mulheres tivessem todas em casa já não havia desemprego, não havia por aí tanto rapaz de calças rotas e camisas por passajar, nem a malta perdia tempo nas esplanadas a ver as mini-saias!
Depois diz-se que evoluímos, veja-se por exemplo aquela do Plano Estratégico para a cidade de Tomar que a câmara agora aprovou, onde se diz, lá noutras palavras mais rebuscadas, que se abrirmos mais lojas no centro histórico estamos a elevar as senhoras à igualdade…
Nessa altura faziam-se as conversas em família trazidas por esse Caetano de primeiro nome Marcelo. Já hoje seria impensável que algum Marcelo nos viesse pespegar com teorias com as quais fosse muitas vezes claro nem o próprio acreditar.
Agora, veja-se lá bem!, a malta até se pode divorciar se um dos conjugues estiver farto do casamento! Mas onde é que isto já se viu, que libertinagem!
Depois dizem que nesse tempo não havia alunos mal comportados – nenhum, garantiram-me já, se atrevia a levar telemóvel para as aulas, e igualmente algum sabia mais, por exemplo, de computadores que o seu professor.
E os políticos? Tudo da melhor água, primeiríssima linha, duma qualidade que nem valia a pena haver eleições porque melhor… impossível!
Nessa altura, por exemplo numa câmara, as decisões a tomar competiam ao chefe e pronto, ninguém mais era importunado com isso, fosse implicado com isso fosse um qualquer outro indivíduo. Hoje? Inventaram esta coisa de programas eleitorais, referendos, períodos de discussão pública, audições às entidades, auscultação dos cidadãos – só complicações!
Graças a Deus que em Tomar a tradição ainda é o que era! Programa eleitoral?, isso não são mais que pormenores – o que é que interessa o que se pensa fazer, se o cabeça de lista for jeitoso e bem falante? Parque de campismo, fecha-se, então ninguém vai acampar na sua terra! Mercado… vamos mas é ver se o deitamos abaixo enquanto ninguém vê, depois quando lá não estiver já ninguém dá por falta! Carta Educativa, fechar escolas… pois claro, é como queremos, pôr os miúdos a levantar-se uma hora mais cedo só faz é bem, e vão conhecer outras terras! Plano Estratégico para o futuro do concelho… ora, só nós que é que sabemos, o povo nem de estratégia futebolística, vamos agora pedir-lhes opinião! Apoio aos investidores, criação de riqueza, promoção de emprego, fixação dos jovens… deixem lá isso, depois faz-se aí mais uns passeios para a terceira idade e fica tudo bem, isto precisa é de festa!
E falando em festa, os bonitos costumes que têm acabado? Já não se vêm por aí daquelas lúcidas homenagens a presidentes de junta ou de câmara, por fazerem mesmo que com muito atraso, aquilo que é a sua função! Felizmente que temos a freguesia dos Casais, valha-nos isso…

Isto anda tudo ao contrário! E depois vêm dizer que se lutou muito pela Democracia, e pelo direito de votar, e ter opinião e não sei quê mais… mas para quê, se isso é uma chatice tão grande?! É que ainda por cima fazem isso quase sempre ao domingo! Onde é que já se viu, profanar assim o dia de descanso, ainda mais em épocas de saldos ou de mergulhos! É que ainda se fosse de semana e se faltasse ao trabalho…
Há coisas no entanto que não mudam, como significados das palavras, como desporto que em Portugal quer dizer futebol, ou religião que significa por cá igreja católica. Mas desta diz que agora a sua acção está diferente e que o tanto que pregam, são mesmo pregos nos templos antigos. Em Tomar causou alguma polémica, mas não vejo porquê. A igreja já está velha, e ora, a pedra é como o vinho, precisa de abertura para respirar!
Outras por outro lado são muito diferentes, as câmaras por exemplo, privilegiam a educação, a cultura, o apoio social, ao invés da obra pomposa, do penacho, da fachada. E os cidadãos sabem dar valor a isso…
Como as coisas mudaram… não é que agora até encontramos presidentes de junta ditos comunistas e eleitos por esse partido, a fazer o jeito a câmaras de direita em matérias essenciais como a educação? Longe vai o tempo da Paz, o pão,… a… como era mesmo a lengalenga?

Bom, fale-se agora a sério. É evidente que coisas há que são intemporais, mas o que quero evidenciar é que há matérias em que em verdade pouco evoluímos desde esse tempo, e outras até, onde parece que voltamos atrás. Pessoas boas e más, mais ou menos responsáveis, mais ou menos competentes sempre houve e sempre haverá. Há, contudo, uma diferença substancial. Se noutros tempos as coisas aconteciam sem que tal se pudesse discutir, mas porque alguém o decidia; hoje, acontece porque todos deixamos que aconteça, porque muitos de nós estamos convencidos que o fantasma do tal Salazar por aí anda ainda, porque se tem medo ainda de criticar, ou porque se é comodista, porque às vezes não apetece votar, mesmo que em branco; porque todos no conjunto da comunidade que somos, aqui ou ali, e muitas vezes, nos demitimos dos deveres e direitos, e das responsabilidades mais basilares que nos garantam a Liberdade e Democracia possível. Porque a maioria continua a preferir que por si decidam, e persiste ainda a bajulação aos “senhores importantes”. Porque deixamos que seja verdade entre a colectiva cegueira que seja rei quem tiver olho, porque criticamos muitas vezes sem seriedade, ou nada fazemos para alterar as coisas, gostamos de dizer mal de qualquer coisa, de quase tudo, de ser do contra nas palavras – e no entanto, nos actos, quase sempre a favor.
Por vezes parece que a aurora da Liberdade, transformou a falta total de Liberdade em liberdade total. Isto não pode acontecer, é preciso a assumpção de que a Liberdade total de alguém será sempre a liberdade reduzida de outrem.
Só quando percebermos e praticarmos, que a Liberdade e a Democracia, assim como uma existência social fraterna, solidária e progressista, em apego à Verdade e à Justiça, não são chavões adquiridos mas conquistas para as quais temos individual e colectivamente, caminhos contínuos a percorrer, enquanto seres sociais de Cidadania consciente e plena, então Abril será em Portugal um mês com significado, quer existíssemos quer não, quer não lembremos já, o que era esta país dito adiado antes de 1974.
A bem da nação!...

sexta-feira, abril 18, 2008

tempestades

O tempo é de facto algo avassalador, na quarta à noite começou um vendadal aqui em Lisboa na zona da 2a circular, ontem continuou forte ali pelos lados da Lapa, e parece que ainda não acabou...
Os Luís Filipes são rapazes complicados!

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

saiba mais aqui

quinta-feira, abril 17, 2008

publicidade cultural

(carregue na imagem para aumentar)

Mais uma apresentação do romance de Virgílio Saraiva, A Onze de Setembro, desta feita na Biblioteca de Almeirim, dia 23 pelas 21h.
Quem ainda não leu, ou quem ainda não comprou, que se apresse porque a primeira edição está quase esgotada.

Hum... soa-me familiar!...

"Teleférico ou ascensor para acesso ao castelo de Ourém

O presidente da Câmara Municipal de Ourém anunciou que o projecto de requalificação do castelo medieval vai incluir um teleférico ou ascensor do lado poente para retirar carros do centro histórico da cidade. “Queremos colocar um meio de acesso mecânico ao local", para que os visitantes não se desloquem ao monumento apenas de automóvel, (...)"

notícia n'O Mirante Online.

De facto, em que outra cidade com castelo num monte, aqui assim pelo Ribatejo norte, é que eu ouvirei, desde que me lembro, de um qualquer projecto assim ou assado...

domingo, abril 13, 2008

a política dos fracos

"O BRANQUINHO DE NEVE E OS OUTROS MATULÕES

(...) Branquinho lançou no último fim-de-semana o grande escândalo, que o PSD queria transformar num facto político revelador da "falta de qualidade da democracia": Fernanda Câncio iria fazer uma série de programas para a RTP2 sobre bairros degradados. Branquinho insurgiu-se: a contratação era "pornográfica". Fernanda, alegava Branquinho do alto da sua ignorância, não tinha "experiência televisiva" (seis anos na SIC não valiam um avo). Mais: Branquinho achava que a RTP não podia contratar programas com produtoras externas (mais uma enormidade) enquanto tivesse um só jornalista subaproveitado. Autoproclamado farol da classe operária jornalística, Branquinho queria obrigar a produtora (???) ou a RTP a escolher um jornalista do quadro que estivesse com menos que fazer. (...)

Qual o problema de Branquinho? Incapaz, pela vergonha que lhe resta, de dirigir um requerimento ao primeiro-ministro a perguntar se "é verdade que namora com Fernanda Câncio?", Branquinho insinua. De resto, apesar das revistas cor-de-rosa, Branquinho nem sequer pode jurar se é verdade que Sócrates namora com a Fernanda. Apesar de ter sofrido uma campanha negra com insinuações sobre a sua sexualidade (vinda dos mesmos branquinhos de neve e matulões que hoje tomam conta do PSD), Sócrates resistiu a aparecer com a namorada ao lado para espantar os espíritos.(...)"
artigo de opinião de Ana Sá Lopes no DN de ontem, e que deve ser lido na totalidade. aqui

sexta-feira, abril 11, 2008

o mundo

Na Venezuela a série "Os Simpsons" foi proíbida e em seu lugar irá ser exibida a série "Marés Vivas".
Calma, os que estão já a rir com o suposto disparate reflictam... é assim tão desabitual que se prefira o silicone à inteligência?