pertinente contribuição do José B. Vitorino.
terça-feira, julho 01, 2008
férias
Uma sugestão para quem (como eu, diga-se), anda menos bem de finanças...
pertinente contribuição do José B. Vitorino.
pertinente contribuição do José B. Vitorino.
domingo, junho 29, 2008
Delírio de Verão
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de Junho
O verão achega-se finalmente, possante, quente, e em Tomar o reboliço da época sente-se em cada esquina.
É o corrupio dos turistas subindo e descendo as calçadas da cidade para o Convento. Cá por baixo na cidade, é vê-los aos magotes, apinhando as esplanadas, fazendo filas nas lojas.
Nos cafés e nos restaurantes não há “mãos a medir” e já não há tomarenses que cheguem para tanta vaga de emprego. Está bom de ver porquê: os eventos desportivos, o cartaz de espectáculos e outros acontecimentos culturais, a par com a animação de rua, ou os roteiros turísticos específicos, sobre os Templários por exemplo. E a “cidade velha”? Ui!, a cidade velha, que chamariz! E ainda há quem diga que a dita “revitalização do centro histórico” que a Câmara tem levado a cabo, não passa de substituir pedras por pedras piores… que ingratidão!
Que tão pouca compreensão tendes pelos misteriosos desígnios da nossa Câmara!
Bom, Tomar faz jus ao seu eclético e nobre passado, e hoje é um destino de top em qualquer agência de viagens, ou na lista de destinos de qualquer português.
Os hotéis e as residenciais estão cheios, e no parque de campismo não cabe nem mais um saco de cama! Eles são casais apaixonados, eles são grupos de jovens à procura de diversão, ou excursões de jovens reformados relembrando a cidade de que ouviram falar nos tempos de escola. De todos podemos encontrar na enchente desta que só podia mesmo ser uma cidade turística.
Os tomarenses esses, sempre que têm uma folga, preferem a frescura de uma das suas praias fluviais. No Nabão ou no Zêzere, é só escolher a mais a jeito. Todas elas são referência na região: pelas comodidades, como os barzinhos de apoio, ou a segurança, ou os vários equipamentos para a pequenada. Até na cidade, todo o canto verde ou a formosa sombra é ocupada por gentes que repousam deslumbrando-se com os prodígios da nossa terra.
A Mata então é o ex-libris, ali passeiam os avós com os netos, os mais desportistas são às centenas no dia-a-dia aproveitando o ar puro, os jardins da entrada são cobiça para as aprimoradas donas de casa, e num ou outro doce recanto, enamorados pares aproveitam o embalar dos pássaros, para melosas juras de amor.
Ah! O encanto desta terra…
Bom, e os mais jovens, já se sabe, gostam de fruir do calor das noites. E Tomar é o destino predilecto dos boémios de toda esta região, por onde a nossa zona dos bares é continuamente mencionada. Esses competem avidamente entre si para as mais badaladas festas, chegando mesmo uma vez ou outra, a envergonhar os aprumadinhos da capital.
Ora, quando tudo se tem já, que poderemos nós querer mais?
Chega-se ao ponto de boa parte dos nabantinos lamentarem os dias em que se desloquem à praia ou a qualquer outro sítio, com o espírito no que estarão a perder por cá.
Nesta altura, é como se os habitantes triplicassem ou quadruplicassem, tal a quantidade de forasteiros que procuram o concelho e por cá ficam dois, três, muitas vezes mais dias, sendo sabido que quase todos, especialmente os nacionais, acabam por voltar.
O Convento olhando como nos tempos imemoriais pela cidade lá de cima, bate recordes de visitantes e os outros monumentos, um pouco aproveitando a onda, são de tal maneira procurados, que às suas portas se acercam vendedores de todo o tipo de souvenirs, artistas de rua, pintores e caricaturistas, vendeiros de flores, bolos, licores,… enfim, um mar de gente aproveitando aquele euro a mais que sempre pesa na carteira do veraneante turista.
Quando, não sem um olhar já de saudade, os visitantes nos deixam, vão sempre carregados: ele são postais para os amigos, a t-shirt para a irmã que não pode vir, os doces para os avós, os bonequinhos para os netos, não fossem já as iguarias levadas nos aprazidos estômagos dos próprios…
Quando partem vão infimamente refastelados. Cheios de recordações para fazer inveja aos amigos, e os nabantinos esses, inchados de orgulho, na referência e animação que é a nossa augusta terra.
Reconhecendo esse orgulho que por vezes nos cega um pouquito, admito ter exagerado qualquer coisita neste relato… mas não estou muito longe da realidade, ou estarei?
O verão achega-se finalmente, possante, quente, e em Tomar o reboliço da época sente-se em cada esquina.
É o corrupio dos turistas subindo e descendo as calçadas da cidade para o Convento. Cá por baixo na cidade, é vê-los aos magotes, apinhando as esplanadas, fazendo filas nas lojas.
Nos cafés e nos restaurantes não há “mãos a medir” e já não há tomarenses que cheguem para tanta vaga de emprego. Está bom de ver porquê: os eventos desportivos, o cartaz de espectáculos e outros acontecimentos culturais, a par com a animação de rua, ou os roteiros turísticos específicos, sobre os Templários por exemplo. E a “cidade velha”? Ui!, a cidade velha, que chamariz! E ainda há quem diga que a dita “revitalização do centro histórico” que a Câmara tem levado a cabo, não passa de substituir pedras por pedras piores… que ingratidão!
Que tão pouca compreensão tendes pelos misteriosos desígnios da nossa Câmara!
Bom, Tomar faz jus ao seu eclético e nobre passado, e hoje é um destino de top em qualquer agência de viagens, ou na lista de destinos de qualquer português.
Os hotéis e as residenciais estão cheios, e no parque de campismo não cabe nem mais um saco de cama! Eles são casais apaixonados, eles são grupos de jovens à procura de diversão, ou excursões de jovens reformados relembrando a cidade de que ouviram falar nos tempos de escola. De todos podemos encontrar na enchente desta que só podia mesmo ser uma cidade turística.
Os tomarenses esses, sempre que têm uma folga, preferem a frescura de uma das suas praias fluviais. No Nabão ou no Zêzere, é só escolher a mais a jeito. Todas elas são referência na região: pelas comodidades, como os barzinhos de apoio, ou a segurança, ou os vários equipamentos para a pequenada. Até na cidade, todo o canto verde ou a formosa sombra é ocupada por gentes que repousam deslumbrando-se com os prodígios da nossa terra.
A Mata então é o ex-libris, ali passeiam os avós com os netos, os mais desportistas são às centenas no dia-a-dia aproveitando o ar puro, os jardins da entrada são cobiça para as aprimoradas donas de casa, e num ou outro doce recanto, enamorados pares aproveitam o embalar dos pássaros, para melosas juras de amor.
Ah! O encanto desta terra…
Bom, e os mais jovens, já se sabe, gostam de fruir do calor das noites. E Tomar é o destino predilecto dos boémios de toda esta região, por onde a nossa zona dos bares é continuamente mencionada. Esses competem avidamente entre si para as mais badaladas festas, chegando mesmo uma vez ou outra, a envergonhar os aprumadinhos da capital.
Ora, quando tudo se tem já, que poderemos nós querer mais?
Chega-se ao ponto de boa parte dos nabantinos lamentarem os dias em que se desloquem à praia ou a qualquer outro sítio, com o espírito no que estarão a perder por cá.
Nesta altura, é como se os habitantes triplicassem ou quadruplicassem, tal a quantidade de forasteiros que procuram o concelho e por cá ficam dois, três, muitas vezes mais dias, sendo sabido que quase todos, especialmente os nacionais, acabam por voltar.
O Convento olhando como nos tempos imemoriais pela cidade lá de cima, bate recordes de visitantes e os outros monumentos, um pouco aproveitando a onda, são de tal maneira procurados, que às suas portas se acercam vendedores de todo o tipo de souvenirs, artistas de rua, pintores e caricaturistas, vendeiros de flores, bolos, licores,… enfim, um mar de gente aproveitando aquele euro a mais que sempre pesa na carteira do veraneante turista.
Quando, não sem um olhar já de saudade, os visitantes nos deixam, vão sempre carregados: ele são postais para os amigos, a t-shirt para a irmã que não pode vir, os doces para os avós, os bonequinhos para os netos, não fossem já as iguarias levadas nos aprazidos estômagos dos próprios…
Quando partem vão infimamente refastelados. Cheios de recordações para fazer inveja aos amigos, e os nabantinos esses, inchados de orgulho, na referência e animação que é a nossa augusta terra.
Reconhecendo esse orgulho que por vezes nos cega um pouquito, admito ter exagerado qualquer coisita neste relato… mas não estou muito longe da realidade, ou estarei?
domingo, junho 22, 2008
para fora cá dentro
Para quem gosta de conhecer os nossos lugares da história, no caso com um toque de mistério e esoterismo.
E também, o que alguns municípios fazem pela promoção do turismo e consequente desenvolvimento económico (perceptível logo no seu site), a envergonhar outros com mais possibilidades... Sim, porque concelhos há que, ao invés de deixar à vontade de outros e da sorte, decidem "tomar" o seu futuro nas mãos.
aqui fica Belmonte: http://www.roteirobelmonte.com/
bem vinda sugestão de António Freitas
E também, o que alguns municípios fazem pela promoção do turismo e consequente desenvolvimento económico (perceptível logo no seu site), a envergonhar outros com mais possibilidades... Sim, porque concelhos há que, ao invés de deixar à vontade de outros e da sorte, decidem "tomar" o seu futuro nas mãos.
aqui fica Belmonte: http://www.roteirobelmonte.com/
bem vinda sugestão de António Freitas
sábado, junho 21, 2008
"Governo cria duas divisões policiais em Santarém e Tomar
O comando da Polícia de Segurança Pública de Santarém está, desde esta quarta-feira, oficialmente dividido em duas divisões policiais, sedeadas na capital de distrito e em Tomar.
O comando de Santarém, considerado por portaria como um dos “comandos territoriais complexos” existentes no país, passa a ter duas divisões policiais. Uma na capital de distrito, que integra, como subunidades operacionais: a esquadra de Santarém, a esquadra de trânsito ali sediada e a esquadra do Cartaxo, além da esquadra de investigação criminal da 1ª divisão policial.
Em Tomar, onde a mudança das instalações policiais está prevista para Agosto, ficará com a segunda divisão policial do distrito, onde serão integradas, para além da esquadra da cidade, também as esquadras de Abrantes, Entroncamento, Ourém e Torres Novas. O diploma agora publicado cria também na cidade do Nabão a segunda esquadra de investigação criminal do distrito."
notícia n' o mirante online
Sim, sim, o Governo é muito mau para Tomar...
Adjudicação do IC3 até Coimbra, IC9, Comarca do Médio Tejo sediada em Tomar, novo Tribunal do Trabalho, Pavilhão da SF Gualdim Pais, Loja Ponto Já (hum, o que é isso?! onde? pois, mas isso já não é responsabilidade do Governo), etecetera, etecetera....
E isto sem Secretários de Estado, e deputados e afins, da "cor" do Governo como noutros tempos. Imagine-se se os houvesse...
O comando de Santarém, considerado por portaria como um dos “comandos territoriais complexos” existentes no país, passa a ter duas divisões policiais. Uma na capital de distrito, que integra, como subunidades operacionais: a esquadra de Santarém, a esquadra de trânsito ali sediada e a esquadra do Cartaxo, além da esquadra de investigação criminal da 1ª divisão policial.
Em Tomar, onde a mudança das instalações policiais está prevista para Agosto, ficará com a segunda divisão policial do distrito, onde serão integradas, para além da esquadra da cidade, também as esquadras de Abrantes, Entroncamento, Ourém e Torres Novas. O diploma agora publicado cria também na cidade do Nabão a segunda esquadra de investigação criminal do distrito."
notícia n' o mirante online
Sim, sim, o Governo é muito mau para Tomar...
Adjudicação do IC3 até Coimbra, IC9, Comarca do Médio Tejo sediada em Tomar, novo Tribunal do Trabalho, Pavilhão da SF Gualdim Pais, Loja Ponto Já (hum, o que é isso?! onde? pois, mas isso já não é responsabilidade do Governo), etecetera, etecetera....
E isto sem Secretários de Estado, e deputados e afins, da "cor" do Governo como noutros tempos. Imagine-se se os houvesse...
desculpas
A selecção faz-me lembrar Tomar, a culpa dos resultados é sempre dos outros!
Por lá, é sempre do árbitro ou da sorte, por muito que exista uma ou outra azelhice, uma ou outra falta de ideias, uma ou outra falta de energia, ou mesmo um ou outro frango - por cá é sempre do Governo, ou de outros quaisquer, por muito que não haja visão, por muito que não haja capacidade, vontade,... e tanto, tanto mais.
Por lá, é sempre do árbitro ou da sorte, por muito que exista uma ou outra azelhice, uma ou outra falta de ideias, uma ou outra falta de energia, ou mesmo um ou outro frango - por cá é sempre do Governo, ou de outros quaisquer, por muito que não haja visão, por muito que não haja capacidade, vontade,... e tanto, tanto mais.
sexta-feira, junho 13, 2008
assim vai... o país.
O comboio vinha cheio de rostos cansados, sonolentos, mas pouco inquietos aposto, por exemplo com os resultados que da Irlanda se vão pressentindo. Joga-se ali o futuro da Europa, e se o “say no to Lisbon” ganhar, não é só esse futuro que se torna mais incerto, ou mesmo a “carreira política” de alguém, mas a par com um possível caos político nas organizações europeias, é também a possibilidade de Portugal inscrever uma vez mais e de forma decissiva, o seu nome nesse futuro que se eclipsa.
Entretanto, desde ontem que os camiões voltaram a circular, o que representa o fim destas tréguas no combate ao bom ambiente… Hum, bom, eu acho, ao contrário de alguns comentadores, que o Governo lidou bem com o assunto. Noutros tempos, com primeiro-ministro de “raça”, talvez as coisas tivessem sido resolvido à bastonada, mas como Pulido Valente hoje bem diz (“bem dizer” no caso dele, é algo que nem assenta bem…) esse exercício “com uma “aristocracia” como os camionistas” pode transformar-se numa guerra.
E no futebol, que parece ser para a maioria o país que interessa, a selecção dos nossos guerreiros lá ganhou a primeira batalha, à espera agora dos germânicos, que os suíços são só para entreter. Scolari também se passou, mas desta para os soldos do Abramovich.
Por mim, que vá. Sim, até já por duas vezes me cruzei demoradamente com ele, e parece-me fora dos holofotes pessoa simples, humilde. Mas nunca me pareceu que fosse, por muito que os resultados digam o contrário, especial treinador. Talvez seja neste campo muito conservador, mas para mim seleccionador deve ser português, e já agora, receber q.b.
Assim esperemos que seja o próximo.
Entretanto, os noticiários da uma abriram com a volta atrás da UEFA em relação ao FC Porto e à Liga dos Campeões… Temos novela para mais uns tempos.
E vá, a crise agora é no estômago, vamos ao almoço.
Entretanto, desde ontem que os camiões voltaram a circular, o que representa o fim destas tréguas no combate ao bom ambiente… Hum, bom, eu acho, ao contrário de alguns comentadores, que o Governo lidou bem com o assunto. Noutros tempos, com primeiro-ministro de “raça”, talvez as coisas tivessem sido resolvido à bastonada, mas como Pulido Valente hoje bem diz (“bem dizer” no caso dele, é algo que nem assenta bem…) esse exercício “com uma “aristocracia” como os camionistas” pode transformar-se numa guerra.
E no futebol, que parece ser para a maioria o país que interessa, a selecção dos nossos guerreiros lá ganhou a primeira batalha, à espera agora dos germânicos, que os suíços são só para entreter. Scolari também se passou, mas desta para os soldos do Abramovich.
Por mim, que vá. Sim, até já por duas vezes me cruzei demoradamente com ele, e parece-me fora dos holofotes pessoa simples, humilde. Mas nunca me pareceu que fosse, por muito que os resultados digam o contrário, especial treinador. Talvez seja neste campo muito conservador, mas para mim seleccionador deve ser português, e já agora, receber q.b.
Assim esperemos que seja o próximo.
Entretanto, os noticiários da uma abriram com a volta atrás da UEFA em relação ao FC Porto e à Liga dos Campeões… Temos novela para mais uns tempos.
E vá, a crise agora é no estômago, vamos ao almoço.
crónica de santo antónio
Acordado – que é como quem diz, de novo abrindo os olhos, que dormir é outra coisa – despertei numa Lisboa cansada ou, ainda repousando de uma noite de folia, onde a luz matinal e ímpar do sol alfacinha, escorre densa pelos edifícios pombalinos.
Aqui e ali alguns fazem até render as últimas gotas de cerveja e como que ecoando os sons da noite, se ouve ainda um ou outro acorde de solitário guitarrista e alguns descompassados batuques.
A caminho do metro, lá estava no Chiado o aniversariante Pessoa, na sua sentada perpetuação de bronze, vigiando sereno os madrugadores e parcos turistas, a quem um dos seus heterónimos declamava mudos sonetos…
A véspera do dia de Santo António é noite obrigatória em Lisboa. Talvez a mais típica festa popular portuguesa, ela é hoje expressão não só de bairrismo, mas igualmente de multiculturalismo, e condensação do sentir e ser português, aqui multiplicado por todas as ruas e ruelas dos bairros históricos da capital.
Por todo o lado há barraquinhas improvisadas, ou simples bicas de imperial podem surgir ao virar da esquina, ou numa qualquer porta hoje especialmente aberta. A sardinha, rainha da festa, está cara e possivelmente devido aos bloqueios dos últimos dias, com duvidosa frescura e portanto de má cara; mas o vinho, a sangria, e especialmente a cerveja jorram sem parar e erguem-se em todo o par de mãos.
A par com o das sardinhas, os odores das febras e das entremeadas olvidam o dos manjericos, mas muitos outros há a invadir as narinas e a colar-se à roupa.
Aqui e ali, umas vezes mais eufórico, outras mais tímido, ouço um «Olá stôr!» dito por alguns dos meus discentes. A grande maioria dos meus alunos, para quem aliás, hoje fora o último dia de aulas, mora por ali, pelos muitos bairros da baixa lisboeta.
Os sons são ecléticos e diversos. Aos tradicionais fados e marchas juntam-se os ritmos brasileiros e em alguns pontos “mais jovens”, batidas recentes em imperceptíveis letras anglo-saxónicas. Há sítios onde andar se torna difícil tal o amontoado de gentes que circulam, circulam, como se circular fosse o imperativo da noite. O miradouro de Santa Luzia é um deles, assim como todas as ruas na zona da Sé ao Castelo e à Graça.
Cá em baixo, na Avenida, as marchas desfilam para os turistas e para os casais acompanhados de pequenos rebentos que procuram para esses maior segurança nestes espaços mais largos. A dar música aos refrões desafinados reconheço nos “cavalinhos” caras dos tempos em que também soprava essa arte. Tenho saudades do trombone.
Nos bairros mais a oeste, a agitação contínua. No Largo do Carmo, as barracas e bailarico estão entregues à trajada “estudantada” e mais acima, o Bairro Alto muda pouco a sua vida já sempre em festa no restante ano. De Santos a Alcântara e porque não à Ajuda, a alegria continua, mas para lá já não vou. A Bica contudo, é dos mais típicos e concorridos e por aqui fico mais um pouco, e no miradouro do Adamastor, ancoradouro maior da malta “cool” que se embala em fumos de outros cheiros, faz-se uma rave silenciosa, em que um grupo de gente ouvindo nos seus phones uma só batida, dança aos olhares distraídos, numa muda e louca coreografia. É, a tecnologia chegou aos santos populares.
E a noite continua, quente, assistida ao fundo pelo Tejo, acarinhada por um céu magnífico, e partir daí mais turva e sempre regada. Bom, como se diz noutras paragens, o que acontece em Lisboa, fica em Lisboa.
Em todo o caso, regressar a Tomar é quase sempre um bálsamo para todos os cansaços, e até cheguei a tempo de comprar no mercado as minhas primeiras cerejas do ano, que estão ali no frigorífico, agora já frescas e à minha espera…
Aqui e ali alguns fazem até render as últimas gotas de cerveja e como que ecoando os sons da noite, se ouve ainda um ou outro acorde de solitário guitarrista e alguns descompassados batuques.
A caminho do metro, lá estava no Chiado o aniversariante Pessoa, na sua sentada perpetuação de bronze, vigiando sereno os madrugadores e parcos turistas, a quem um dos seus heterónimos declamava mudos sonetos…
A véspera do dia de Santo António é noite obrigatória em Lisboa. Talvez a mais típica festa popular portuguesa, ela é hoje expressão não só de bairrismo, mas igualmente de multiculturalismo, e condensação do sentir e ser português, aqui multiplicado por todas as ruas e ruelas dos bairros históricos da capital.
Por todo o lado há barraquinhas improvisadas, ou simples bicas de imperial podem surgir ao virar da esquina, ou numa qualquer porta hoje especialmente aberta. A sardinha, rainha da festa, está cara e possivelmente devido aos bloqueios dos últimos dias, com duvidosa frescura e portanto de má cara; mas o vinho, a sangria, e especialmente a cerveja jorram sem parar e erguem-se em todo o par de mãos.
A par com o das sardinhas, os odores das febras e das entremeadas olvidam o dos manjericos, mas muitos outros há a invadir as narinas e a colar-se à roupa.
Aqui e ali, umas vezes mais eufórico, outras mais tímido, ouço um «Olá stôr!» dito por alguns dos meus discentes. A grande maioria dos meus alunos, para quem aliás, hoje fora o último dia de aulas, mora por ali, pelos muitos bairros da baixa lisboeta.
Os sons são ecléticos e diversos. Aos tradicionais fados e marchas juntam-se os ritmos brasileiros e em alguns pontos “mais jovens”, batidas recentes em imperceptíveis letras anglo-saxónicas. Há sítios onde andar se torna difícil tal o amontoado de gentes que circulam, circulam, como se circular fosse o imperativo da noite. O miradouro de Santa Luzia é um deles, assim como todas as ruas na zona da Sé ao Castelo e à Graça.
Cá em baixo, na Avenida, as marchas desfilam para os turistas e para os casais acompanhados de pequenos rebentos que procuram para esses maior segurança nestes espaços mais largos. A dar música aos refrões desafinados reconheço nos “cavalinhos” caras dos tempos em que também soprava essa arte. Tenho saudades do trombone.
Nos bairros mais a oeste, a agitação contínua. No Largo do Carmo, as barracas e bailarico estão entregues à trajada “estudantada” e mais acima, o Bairro Alto muda pouco a sua vida já sempre em festa no restante ano. De Santos a Alcântara e porque não à Ajuda, a alegria continua, mas para lá já não vou. A Bica contudo, é dos mais típicos e concorridos e por aqui fico mais um pouco, e no miradouro do Adamastor, ancoradouro maior da malta “cool” que se embala em fumos de outros cheiros, faz-se uma rave silenciosa, em que um grupo de gente ouvindo nos seus phones uma só batida, dança aos olhares distraídos, numa muda e louca coreografia. É, a tecnologia chegou aos santos populares.
E a noite continua, quente, assistida ao fundo pelo Tejo, acarinhada por um céu magnífico, e partir daí mais turva e sempre regada. Bom, como se diz noutras paragens, o que acontece em Lisboa, fica em Lisboa.
Em todo o caso, regressar a Tomar é quase sempre um bálsamo para todos os cansaços, e até cheguei a tempo de comprar no mercado as minhas primeiras cerejas do ano, que estão ali no frigorífico, agora já frescas e à minha espera…
Clã e Rádio Macau nas Festas da Barquinha
"Rádio Macau e Clã são este ano cabeças de cartaz nas Festas da Barquinha a decorrerem entre 12 e 15 de Junho. Para além das bandas musicais reconhecidas a nível nacional, este ano a autarquia revela no seu programa um novo formato de animação designado por “Barquinha Non Stop”. Trata-se de 24 horas ininterruptas entre os dias 14 e 15, com início ao final da tarde de sábado, de um conjunto de actividades diversas e destinadas a diferentes públicos. (...) no novo evento vão estar inseridas actividades nas áreas da saúde, da cultura, do desporto e da animação, uma forma de “dinamizar ainda mais os reconhecidos e já tradicionais festejos no concelho”.
notícia n´o mirante online
Tal e qual Tomar...
notícia n´o mirante online
Tal e qual Tomar...
quinta-feira, junho 05, 2008
sinais dos tempos
O cinema de Tomar exibe esta semana um filme que chegou ao video-clube há duas...
Os pequenos sinais a que ninguém dá importância, mas que bem mostram a cidadezinha em que nos tornámos. Tomar, capital da cultura...
Esta foi a pedido do João M Carvalheiro.
Os pequenos sinais a que ninguém dá importância, mas que bem mostram a cidadezinha em que nos tornámos. Tomar, capital da cultura...
Esta foi a pedido do João M Carvalheiro.
Geração de Ideias
Geração livre
"A democracia portuguesa viu nascer uma nova geração de portugueses. Uma geração que tem, e reconhece ter, condições e oportunidades únicas, de que não beneficiaram as gerações anteriores. É a mais capacitada e qualificada da história portuguesa. É uma geração livre, que cresce e vive em paz, liberdade e em democracia, que não se confrontou com guerras, ditaduras ou privações extremas. Esta geração melhorou os indicadores de educação, acesso à cultura e conhecimento científico. Defronta-se com oportunidades de vida, níveis de bem-estar e possibilidades de exercício da cidadania que não têm paralelo em momentos anteriores da nossa história."
Começa assim o manifesto da Geração de Ideias, "uma iniciativa que reúne uma geração com um propósito: gerar ideias capazes de sustentar o processo modernizador do país."
conveniente teoria
quinta-feira, maio 29, 2008
os dias cinzentos
Hoje, vou ter que ficar por Lisboa, e tendo já terminado as aulas por hoje, aqui estou na sala dos prof's a aproveitar um tempinho para pôr alguns email's em dia e também aqui escrever qualquer coisa, que essas coisas de tempo e vontades não têm estado para internet's.
O país anda cinzento, não fosse o verão, que cada vez mais se anuncia fraquito fraquito, o outro tempo, o financeiro também não está fácil, sendo disso a face mais evidente o preço dos combustíveis, como evidente era o ter que acontecer, assim como evidente é que, por algo que atenue pontualmente, a tendência será sempre para agravar. Quando o dizia há uns tempos, chamavam-me maluco...
Portugal não tem dimensão nem meios para fazer frente a isso, e a única forma de atenuar esse crescente problema, é a de reduzir a sua dependência face aos combustíveis fósseis, seja pela procura de outras energias, seja pela diminuição do uso, particularmente do automóvel.
Infelizmente, os portugueses gostam de andar de carro e fazem-no para tudo, às vezes para se deslocarem cinquenta metros. Quando se usa exemplo de outros países, por exemplo para o preço dos combustíveis ou o imposto sobre estes, era bom também que se usasse os exemplos que não dão jeito ver, como a utilização dos transportes públicos ou outros, como a bicicleta.
Em Portugal, é chavão dizer que os transportes públicos são maus... está bem, mas então vão andar de metro em Paris ou Londres a ver se lá é que é bom...
Andar de bicicleta é irrealista? Então mas porque é que em França, na Holanda, ou outros que gostamos tantas vezes de usar como exemplo, se usa tanto esse transporte, será porque têm condições atmosféricas mais atractivas?
Tomar é para isto um bom exemplo. Uma cidade pequena, que não é plana, mas ainda assim com desnível de pouco significado e apenas entre as duas margens, e no entanto a maioria das pessoas usa o carro nas pequenas deslocações.
Dir-me-ão: isso não resolve o problema. Talvez, mas resolverá mais do que fazer boicotes saloios à GALP, ideias que mostram o que as pessoas se informam sobre os assuntos. Pois se é a GALP que abastece as outras companhias em Portugal...
Bom, as eleições do PSD estão aí para colorir um bocadito, mesmo que por pouco tempo, o cinzento destes dias. Enfim, não sei quem vai ganhar, nem me preocupa muito, provavelmente Ferreira Leite. Há contudo apenas uma relevância: Passos Coelho é o único a levar a sério, destes quatro, e se nenhuma hecatombe acontecer, o único com futuro. Futuro entenda-se, no que à condução do PSD e relevância para o país possa implicar. É também, na minha análise, o mais perigoso pois é, ao menos no discurso, o mais neo-liberal, e o mais populista e por isso mesmo o mais disposto a todas as promessas, independentemente da responsabilidade do estado e da realidade do país.
E sobre Tomar, enfim, o que dizer? A começar na virtualidade dos já costumeiros (sinistros, dementes, pacóvios,... é acrescentar a gosto!) de grande parte dos comentários bloguísticos, continuando pelo esbanjar de dinheiro por parte da câmara, como na bancada para o campo sintético dito estádio, ou no apagar do erro fonte cibernética, responsabilidade dessa câmara, a par de tantos outros, Tomar afunda-se, afunda-se, afunda-se, e os responsáveis são sempre os outros.
Sempre os outros: para a Câmara o Governo, para a generalidade dos cidadãos os políticos. Porque aos concelhos vizinhos são dadas melhores condições, ou tem melhores acessibilidades, ou... sei lá! Nunca a responsabilidade é "nossa".
Os milhões que têm sido gastos em obras erradas, em obras mal planeadas, em obras feitas e desfeitas; em processos judiciais, em acessorias de amigos ou das suas empresas, as oportunidades perdidas e deixadas a outros, quem é responsável?
E se a câmara faz todos estes disparates, quem é responsável?
Podia continuar, tanto há para dizer... mas por agora mais vale acabar com esta frase que muitas vezes uso, em especial no partido onde me cabem responsabilidades, e que devia ser lema de todos: pessoas individuais, instituições, concelhos, países...
Não esperem que façam os outros, o que nós por nós não soubermos fazer.
O país anda cinzento, não fosse o verão, que cada vez mais se anuncia fraquito fraquito, o outro tempo, o financeiro também não está fácil, sendo disso a face mais evidente o preço dos combustíveis, como evidente era o ter que acontecer, assim como evidente é que, por algo que atenue pontualmente, a tendência será sempre para agravar. Quando o dizia há uns tempos, chamavam-me maluco...
Portugal não tem dimensão nem meios para fazer frente a isso, e a única forma de atenuar esse crescente problema, é a de reduzir a sua dependência face aos combustíveis fósseis, seja pela procura de outras energias, seja pela diminuição do uso, particularmente do automóvel.
Infelizmente, os portugueses gostam de andar de carro e fazem-no para tudo, às vezes para se deslocarem cinquenta metros. Quando se usa exemplo de outros países, por exemplo para o preço dos combustíveis ou o imposto sobre estes, era bom também que se usasse os exemplos que não dão jeito ver, como a utilização dos transportes públicos ou outros, como a bicicleta.
Em Portugal, é chavão dizer que os transportes públicos são maus... está bem, mas então vão andar de metro em Paris ou Londres a ver se lá é que é bom...
Andar de bicicleta é irrealista? Então mas porque é que em França, na Holanda, ou outros que gostamos tantas vezes de usar como exemplo, se usa tanto esse transporte, será porque têm condições atmosféricas mais atractivas?
Tomar é para isto um bom exemplo. Uma cidade pequena, que não é plana, mas ainda assim com desnível de pouco significado e apenas entre as duas margens, e no entanto a maioria das pessoas usa o carro nas pequenas deslocações.
Dir-me-ão: isso não resolve o problema. Talvez, mas resolverá mais do que fazer boicotes saloios à GALP, ideias que mostram o que as pessoas se informam sobre os assuntos. Pois se é a GALP que abastece as outras companhias em Portugal...
Bom, as eleições do PSD estão aí para colorir um bocadito, mesmo que por pouco tempo, o cinzento destes dias. Enfim, não sei quem vai ganhar, nem me preocupa muito, provavelmente Ferreira Leite. Há contudo apenas uma relevância: Passos Coelho é o único a levar a sério, destes quatro, e se nenhuma hecatombe acontecer, o único com futuro. Futuro entenda-se, no que à condução do PSD e relevância para o país possa implicar. É também, na minha análise, o mais perigoso pois é, ao menos no discurso, o mais neo-liberal, e o mais populista e por isso mesmo o mais disposto a todas as promessas, independentemente da responsabilidade do estado e da realidade do país.
E sobre Tomar, enfim, o que dizer? A começar na virtualidade dos já costumeiros (sinistros, dementes, pacóvios,... é acrescentar a gosto!) de grande parte dos comentários bloguísticos, continuando pelo esbanjar de dinheiro por parte da câmara, como na bancada para o campo sintético dito estádio, ou no apagar do erro fonte cibernética, responsabilidade dessa câmara, a par de tantos outros, Tomar afunda-se, afunda-se, afunda-se, e os responsáveis são sempre os outros.
Sempre os outros: para a Câmara o Governo, para a generalidade dos cidadãos os políticos. Porque aos concelhos vizinhos são dadas melhores condições, ou tem melhores acessibilidades, ou... sei lá! Nunca a responsabilidade é "nossa".
Os milhões que têm sido gastos em obras erradas, em obras mal planeadas, em obras feitas e desfeitas; em processos judiciais, em acessorias de amigos ou das suas empresas, as oportunidades perdidas e deixadas a outros, quem é responsável?
E se a câmara faz todos estes disparates, quem é responsável?
Podia continuar, tanto há para dizer... mas por agora mais vale acabar com esta frase que muitas vezes uso, em especial no partido onde me cabem responsabilidades, e que devia ser lema de todos: pessoas individuais, instituições, concelhos, países...
Não esperem que façam os outros, o que nós por nós não soubermos fazer.
e o burro sou eu...
"Fonte cibernética de Tomar vai ser remodelada
A Câmara de Tomar vai retirar 752 mil euros do montante global destinado aos projectos de requalificação da Estrada Nacional 110 (1,880.250 euros) para pagar a remodelação da rotunda cibernética e os honorários dos advogados envolvidos no litígio entre a autarquia e a Parqt, concessionária do parque de estacionamento atrás do edifício dos Paços do Concelho. A justificação do executivo camarário para esta alteração orçamental é a de que não foi possível prever estas despesas à data da elaboração do orçamento para este ano."
notícia n'o mirante online
A Câmara de Tomar vai retirar 752 mil euros do montante global destinado aos projectos de requalificação da Estrada Nacional 110 (1,880.250 euros) para pagar a remodelação da rotunda cibernética e os honorários dos advogados envolvidos no litígio entre a autarquia e a Parqt, concessionária do parque de estacionamento atrás do edifício dos Paços do Concelho. A justificação do executivo camarário para esta alteração orçamental é a de que não foi possível prever estas despesas à data da elaboração do orçamento para este ano."
notícia n'o mirante online
terça-feira, maio 13, 2008
"Visitar Museu dá descontos no comércio em Tomar
... a autarquia, em parceria com a ACITOFEBA, associação local de comerciantes, estabeleceu um acordo com 130 estabelecimentos comerciais da cidade, que se comprometem a proporcionar 10% de desconto em compras, até 31 de Maio, a quem apresentar o cartão comprovativo de ter visitado nesse dia o Núcleo de Arte Contemporânea. ..."
notícia O Mirante Online
Em primeiro lugar convém dizer que aquilo não é um museu, mas um núcleo, mas vá, adiante...
À primeira vista a ideia parece boa, mas reflectindo nela, percebemos como mal anda o mundo.
Enquanto por todo o lado há promoções para ganhar bilhetes para o futebol, para concertos de rock, etc; em Tomar, ao invés, a cultura dá desconto para ir às compras...
Aplicando isto a um problema nacional, qualquer dia quem for votar, ganha vales de compras no hipermercado!
notícia O Mirante Online
Em primeiro lugar convém dizer que aquilo não é um museu, mas um núcleo, mas vá, adiante...
À primeira vista a ideia parece boa, mas reflectindo nela, percebemos como mal anda o mundo.
Enquanto por todo o lado há promoções para ganhar bilhetes para o futebol, para concertos de rock, etc; em Tomar, ao invés, a cultura dá desconto para ir às compras...
Aplicando isto a um problema nacional, qualquer dia quem for votar, ganha vales de compras no hipermercado!
por lá se faz, por cá faz de conta
Depois de Abrantes, também em Santarém se fala já do projecto de "centro comercial de ar livre" para dinamizar o seu centro histórico.
Em Tomar, continuamos na mesma, a caminho do fundo. Sim, porque por fundo que pareça que possamos estar, há sempre mais para descer.
Fica ao menos a satisfação de saber que a ideia é boa, e que se não cá, outros há que a implementam.
Em Tomar, continuamos na mesma, a caminho do fundo. Sim, porque por fundo que pareça que possamos estar, há sempre mais para descer.
Fica ao menos a satisfação de saber que a ideia é boa, e que se não cá, outros há que a implementam.
Mação é o concelho com menos desemprego
"Com uma taxa de desemprego de 1,1%, Mação é o concelho que tem menos desempregados em Portugal continental, segundo um estudo realizado pela Marktest...."
notícia d' O Ribatejo Online
e nós aqui tão perto...
notícia d' O Ribatejo Online
e nós aqui tão perto...
sábado, maio 10, 2008
tanta sopa!
terça-feira, maio 06, 2008
por lá azul, negro por cá
No mastro da praia fluvial de Carvoeiro, concelho de Mação, sobe quinta-feira a bandeira azul, única no distrito de Santarém, e uma das apenas 6 em praias fluviais do país.
Em Tomar, 2008, um concelho dito virado para o turismo, atravessado por dois rios, um dos quais com uma das albufeiras mais conhecidas do país, a do Castelo de Bode no Zêzere, naturalmente não poderíamos ter nenhuma bandeira azul porque, claro está, nem sequer nenhuma praia fluvial à qual esse nome se possa atribuir temos ainda!
Certamente não tem havido tempo para tratar disso...
Em Tomar, 2008, um concelho dito virado para o turismo, atravessado por dois rios, um dos quais com uma das albufeiras mais conhecidas do país, a do Castelo de Bode no Zêzere, naturalmente não poderíamos ter nenhuma bandeira azul porque, claro está, nem sequer nenhuma praia fluvial à qual esse nome se possa atribuir temos ainda!
Certamente não tem havido tempo para tratar disso...
domingo, maio 04, 2008
Hugo... quem?
Esta coisa de ser um figura semi pública, seja lá isso o que for, e naturalmente enquadrado à escala da média dimensão do concelho de Tomar (todos somos personagens no palco da sociedade) tem coisas curiosas, como esta, que não resisto a aqui contar.
Na sexta de manhã, para me deslocar para Lisboa afim de dar aulas à porção reduzida de alunos que nesse dia apareceram, entrei, por razões que agora não vêm ao caso, no comboio em Santarém.
Aí, por casualidade, fiquei sentado num banco pararelo a um outro par de homens. Preparava-me para uma pequena sestinha, e estava mesmo já com um pé para lá da porta do reino dos sonhos, quando a conversa ao lado me prende nesse limbo: falava-se de um tal Hugo Cristóvão.
Fazendo lentamente o regresso ao mundo dos acordados lá fui ouvindo:
... mas é novo ainda. - Pois aquilo também não é fácil, andam lá muitos à procura, mas ele tem garra. - É, escreve umas coisas engraçadas... - E verdades! - É, é..
Entretanto já desperto lá percebi que um deles tinha o Cidade de Tomar nas mãos, e onde a acompanhar texto sobre o almoço de 25 de Abril do PS de Tomar está uma foto onde apareço.
- Pois mas é novo, e aquilo tem lá muitos velhos - (convem agora dizer que eles também já não eram propriamente novos)
Entra-se depois no reino da efabulação, sempre presente nestas conversas:
- Ele não é filho do dono do ... - É é, mas isso também não é pecado. - Não, pois, mas então é diferente, assim a história é outra. - Então claro, achas que com aquela idade era qualquer um que ia para lá... - ( o "lá", entenda-se como presidência do PS) - Ah...
Enfim, as palavras não serão ipsis verbis estas e a conversa foi mais extensa, mas a minha memória é como qualquer outra, e falaram-se de outras pessoas e de outro partido que não o PS, mas esses naturalmente não reproduzo aqui, além de muitas outras teorias e filosofias, que sempre acontecem nas conversas do comboio.
Eu era para me ter apresentado, mas acabei mesmo por voltar lá onde ainda não tinha chegado (:) - ao sono, e depois disso já não fazia sentido.
Para a próxima, olhem para a fotografia...:)
Na sexta de manhã, para me deslocar para Lisboa afim de dar aulas à porção reduzida de alunos que nesse dia apareceram, entrei, por razões que agora não vêm ao caso, no comboio em Santarém.
Aí, por casualidade, fiquei sentado num banco pararelo a um outro par de homens. Preparava-me para uma pequena sestinha, e estava mesmo já com um pé para lá da porta do reino dos sonhos, quando a conversa ao lado me prende nesse limbo: falava-se de um tal Hugo Cristóvão.
Fazendo lentamente o regresso ao mundo dos acordados lá fui ouvindo:
... mas é novo ainda. - Pois aquilo também não é fácil, andam lá muitos à procura, mas ele tem garra. - É, escreve umas coisas engraçadas... - E verdades! - É, é..
Entretanto já desperto lá percebi que um deles tinha o Cidade de Tomar nas mãos, e onde a acompanhar texto sobre o almoço de 25 de Abril do PS de Tomar está uma foto onde apareço.
- Pois mas é novo, e aquilo tem lá muitos velhos - (convem agora dizer que eles também já não eram propriamente novos)
Entra-se depois no reino da efabulação, sempre presente nestas conversas:
- Ele não é filho do dono do ... - É é, mas isso também não é pecado. - Não, pois, mas então é diferente, assim a história é outra. - Então claro, achas que com aquela idade era qualquer um que ia para lá... - ( o "lá", entenda-se como presidência do PS) - Ah...
Enfim, as palavras não serão ipsis verbis estas e a conversa foi mais extensa, mas a minha memória é como qualquer outra, e falaram-se de outras pessoas e de outro partido que não o PS, mas esses naturalmente não reproduzo aqui, além de muitas outras teorias e filosofias, que sempre acontecem nas conversas do comboio.
Eu era para me ter apresentado, mas acabei mesmo por voltar lá onde ainda não tinha chegado (:) - ao sono, e depois disso já não fazia sentido.
Para a próxima, olhem para a fotografia...:)
sexta-feira, abril 25, 2008
Volta Salazar!
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 24 de Abril
Chegados que somos a mais um feriado, que é, para a maioria, o único ponto de interesse desse dia de Abril que aí está, há ainda quem, mais que noutros momentos, relembre essa figura que convoco em epígrafe e aquilo que representa: a dita dura.
Bem sei que quando nesse dia vinte e cinco do quarto mês do ano de setenta e quatro do século passado, se colocaram cravos onde balas de costume uma ou outra vez saíram, o senhor já tinha caído da cadeira, pois que se estava na marcelista primavera, que em todo caso dizem, era feita de uma espécie de um morno a caminho de gélido.
Mas não me culpem a mim, tantas vezes acusado desse crime de que me confesso, não ter vivido nessa época (adoro aliás esse argumento fascinante e inteligente do: – quem és tu ó miúdo, que da tua idade já estava farto de lutar contra o fascismo?!), por agora aqui nomear o senhor que tão bem lá estará, no céu ou no inferno, consoante o gosto e a devoção.
A verdade é que, “condenado” por esse tempo não ter experimentado, e tantas vezes ouvindo dizer a pessoas certamente esclarecidas que nesse “é que era bom”, que por vezes me ponho a adivinhar como fosse afinal.
Nesse tempo a sociedade assentava em valores muito mais consistentes, as moçoilas casadoiras tinham aulas de economia doméstica e eram hábeis na costura. E ora pois, assim é que estava bem. Se as mulheres tivessem todas em casa já não havia desemprego, não havia por aí tanto rapaz de calças rotas e camisas por passajar, nem a malta perdia tempo nas esplanadas a ver as mini-saias!
Depois diz-se que evoluímos, veja-se por exemplo aquela do Plano Estratégico para a cidade de Tomar que a câmara agora aprovou, onde se diz, lá noutras palavras mais rebuscadas, que se abrirmos mais lojas no centro histórico estamos a elevar as senhoras à igualdade…
Nessa altura faziam-se as conversas em família trazidas por esse Caetano de primeiro nome Marcelo. Já hoje seria impensável que algum Marcelo nos viesse pespegar com teorias com as quais fosse muitas vezes claro nem o próprio acreditar.
Agora, veja-se lá bem!, a malta até se pode divorciar se um dos conjugues estiver farto do casamento! Mas onde é que isto já se viu, que libertinagem!
Depois dizem que nesse tempo não havia alunos mal comportados – nenhum, garantiram-me já, se atrevia a levar telemóvel para as aulas, e igualmente algum sabia mais, por exemplo, de computadores que o seu professor.
E os políticos? Tudo da melhor água, primeiríssima linha, duma qualidade que nem valia a pena haver eleições porque melhor… impossível!
Nessa altura, por exemplo numa câmara, as decisões a tomar competiam ao chefe e pronto, ninguém mais era importunado com isso, fosse implicado com isso fosse um qualquer outro indivíduo. Hoje? Inventaram esta coisa de programas eleitorais, referendos, períodos de discussão pública, audições às entidades, auscultação dos cidadãos – só complicações!
Graças a Deus que em Tomar a tradição ainda é o que era! Programa eleitoral?, isso não são mais que pormenores – o que é que interessa o que se pensa fazer, se o cabeça de lista for jeitoso e bem falante? Parque de campismo, fecha-se, então ninguém vai acampar na sua terra! Mercado… vamos mas é ver se o deitamos abaixo enquanto ninguém vê, depois quando lá não estiver já ninguém dá por falta! Carta Educativa, fechar escolas… pois claro, é como queremos, pôr os miúdos a levantar-se uma hora mais cedo só faz é bem, e vão conhecer outras terras! Plano Estratégico para o futuro do concelho… ora, só nós que é que sabemos, o povo nem de estratégia futebolística, vamos agora pedir-lhes opinião! Apoio aos investidores, criação de riqueza, promoção de emprego, fixação dos jovens… deixem lá isso, depois faz-se aí mais uns passeios para a terceira idade e fica tudo bem, isto precisa é de festa!
E falando em festa, os bonitos costumes que têm acabado? Já não se vêm por aí daquelas lúcidas homenagens a presidentes de junta ou de câmara, por fazerem mesmo que com muito atraso, aquilo que é a sua função! Felizmente que temos a freguesia dos Casais, valha-nos isso…
Isto anda tudo ao contrário! E depois vêm dizer que se lutou muito pela Democracia, e pelo direito de votar, e ter opinião e não sei quê mais… mas para quê, se isso é uma chatice tão grande?! É que ainda por cima fazem isso quase sempre ao domingo! Onde é que já se viu, profanar assim o dia de descanso, ainda mais em épocas de saldos ou de mergulhos! É que ainda se fosse de semana e se faltasse ao trabalho…
Há coisas no entanto que não mudam, como significados das palavras, como desporto que em Portugal quer dizer futebol, ou religião que significa por cá igreja católica. Mas desta diz que agora a sua acção está diferente e que o tanto que pregam, são mesmo pregos nos templos antigos. Em Tomar causou alguma polémica, mas não vejo porquê. A igreja já está velha, e ora, a pedra é como o vinho, precisa de abertura para respirar!
Outras por outro lado são muito diferentes, as câmaras por exemplo, privilegiam a educação, a cultura, o apoio social, ao invés da obra pomposa, do penacho, da fachada. E os cidadãos sabem dar valor a isso…
Como as coisas mudaram… não é que agora até encontramos presidentes de junta ditos comunistas e eleitos por esse partido, a fazer o jeito a câmaras de direita em matérias essenciais como a educação? Longe vai o tempo da Paz, o pão,… a… como era mesmo a lengalenga?
Bom, fale-se agora a sério. É evidente que coisas há que são intemporais, mas o que quero evidenciar é que há matérias em que em verdade pouco evoluímos desde esse tempo, e outras até, onde parece que voltamos atrás. Pessoas boas e más, mais ou menos responsáveis, mais ou menos competentes sempre houve e sempre haverá. Há, contudo, uma diferença substancial. Se noutros tempos as coisas aconteciam sem que tal se pudesse discutir, mas porque alguém o decidia; hoje, acontece porque todos deixamos que aconteça, porque muitos de nós estamos convencidos que o fantasma do tal Salazar por aí anda ainda, porque se tem medo ainda de criticar, ou porque se é comodista, porque às vezes não apetece votar, mesmo que em branco; porque todos no conjunto da comunidade que somos, aqui ou ali, e muitas vezes, nos demitimos dos deveres e direitos, e das responsabilidades mais basilares que nos garantam a Liberdade e Democracia possível. Porque a maioria continua a preferir que por si decidam, e persiste ainda a bajulação aos “senhores importantes”. Porque deixamos que seja verdade entre a colectiva cegueira que seja rei quem tiver olho, porque criticamos muitas vezes sem seriedade, ou nada fazemos para alterar as coisas, gostamos de dizer mal de qualquer coisa, de quase tudo, de ser do contra nas palavras – e no entanto, nos actos, quase sempre a favor.
Por vezes parece que a aurora da Liberdade, transformou a falta total de Liberdade em liberdade total. Isto não pode acontecer, é preciso a assumpção de que a Liberdade total de alguém será sempre a liberdade reduzida de outrem.
Só quando percebermos e praticarmos, que a Liberdade e a Democracia, assim como uma existência social fraterna, solidária e progressista, em apego à Verdade e à Justiça, não são chavões adquiridos mas conquistas para as quais temos individual e colectivamente, caminhos contínuos a percorrer, enquanto seres sociais de Cidadania consciente e plena, então Abril será em Portugal um mês com significado, quer existíssemos quer não, quer não lembremos já, o que era esta país dito adiado antes de 1974.
A bem da nação!...
Chegados que somos a mais um feriado, que é, para a maioria, o único ponto de interesse desse dia de Abril que aí está, há ainda quem, mais que noutros momentos, relembre essa figura que convoco em epígrafe e aquilo que representa: a dita dura.
Bem sei que quando nesse dia vinte e cinco do quarto mês do ano de setenta e quatro do século passado, se colocaram cravos onde balas de costume uma ou outra vez saíram, o senhor já tinha caído da cadeira, pois que se estava na marcelista primavera, que em todo caso dizem, era feita de uma espécie de um morno a caminho de gélido.
Mas não me culpem a mim, tantas vezes acusado desse crime de que me confesso, não ter vivido nessa época (adoro aliás esse argumento fascinante e inteligente do: – quem és tu ó miúdo, que da tua idade já estava farto de lutar contra o fascismo?!), por agora aqui nomear o senhor que tão bem lá estará, no céu ou no inferno, consoante o gosto e a devoção.
A verdade é que, “condenado” por esse tempo não ter experimentado, e tantas vezes ouvindo dizer a pessoas certamente esclarecidas que nesse “é que era bom”, que por vezes me ponho a adivinhar como fosse afinal.
Nesse tempo a sociedade assentava em valores muito mais consistentes, as moçoilas casadoiras tinham aulas de economia doméstica e eram hábeis na costura. E ora pois, assim é que estava bem. Se as mulheres tivessem todas em casa já não havia desemprego, não havia por aí tanto rapaz de calças rotas e camisas por passajar, nem a malta perdia tempo nas esplanadas a ver as mini-saias!
Depois diz-se que evoluímos, veja-se por exemplo aquela do Plano Estratégico para a cidade de Tomar que a câmara agora aprovou, onde se diz, lá noutras palavras mais rebuscadas, que se abrirmos mais lojas no centro histórico estamos a elevar as senhoras à igualdade…
Nessa altura faziam-se as conversas em família trazidas por esse Caetano de primeiro nome Marcelo. Já hoje seria impensável que algum Marcelo nos viesse pespegar com teorias com as quais fosse muitas vezes claro nem o próprio acreditar.
Agora, veja-se lá bem!, a malta até se pode divorciar se um dos conjugues estiver farto do casamento! Mas onde é que isto já se viu, que libertinagem!
Depois dizem que nesse tempo não havia alunos mal comportados – nenhum, garantiram-me já, se atrevia a levar telemóvel para as aulas, e igualmente algum sabia mais, por exemplo, de computadores que o seu professor.
E os políticos? Tudo da melhor água, primeiríssima linha, duma qualidade que nem valia a pena haver eleições porque melhor… impossível!
Nessa altura, por exemplo numa câmara, as decisões a tomar competiam ao chefe e pronto, ninguém mais era importunado com isso, fosse implicado com isso fosse um qualquer outro indivíduo. Hoje? Inventaram esta coisa de programas eleitorais, referendos, períodos de discussão pública, audições às entidades, auscultação dos cidadãos – só complicações!
Graças a Deus que em Tomar a tradição ainda é o que era! Programa eleitoral?, isso não são mais que pormenores – o que é que interessa o que se pensa fazer, se o cabeça de lista for jeitoso e bem falante? Parque de campismo, fecha-se, então ninguém vai acampar na sua terra! Mercado… vamos mas é ver se o deitamos abaixo enquanto ninguém vê, depois quando lá não estiver já ninguém dá por falta! Carta Educativa, fechar escolas… pois claro, é como queremos, pôr os miúdos a levantar-se uma hora mais cedo só faz é bem, e vão conhecer outras terras! Plano Estratégico para o futuro do concelho… ora, só nós que é que sabemos, o povo nem de estratégia futebolística, vamos agora pedir-lhes opinião! Apoio aos investidores, criação de riqueza, promoção de emprego, fixação dos jovens… deixem lá isso, depois faz-se aí mais uns passeios para a terceira idade e fica tudo bem, isto precisa é de festa!
E falando em festa, os bonitos costumes que têm acabado? Já não se vêm por aí daquelas lúcidas homenagens a presidentes de junta ou de câmara, por fazerem mesmo que com muito atraso, aquilo que é a sua função! Felizmente que temos a freguesia dos Casais, valha-nos isso…
Isto anda tudo ao contrário! E depois vêm dizer que se lutou muito pela Democracia, e pelo direito de votar, e ter opinião e não sei quê mais… mas para quê, se isso é uma chatice tão grande?! É que ainda por cima fazem isso quase sempre ao domingo! Onde é que já se viu, profanar assim o dia de descanso, ainda mais em épocas de saldos ou de mergulhos! É que ainda se fosse de semana e se faltasse ao trabalho…
Há coisas no entanto que não mudam, como significados das palavras, como desporto que em Portugal quer dizer futebol, ou religião que significa por cá igreja católica. Mas desta diz que agora a sua acção está diferente e que o tanto que pregam, são mesmo pregos nos templos antigos. Em Tomar causou alguma polémica, mas não vejo porquê. A igreja já está velha, e ora, a pedra é como o vinho, precisa de abertura para respirar!
Outras por outro lado são muito diferentes, as câmaras por exemplo, privilegiam a educação, a cultura, o apoio social, ao invés da obra pomposa, do penacho, da fachada. E os cidadãos sabem dar valor a isso…
Como as coisas mudaram… não é que agora até encontramos presidentes de junta ditos comunistas e eleitos por esse partido, a fazer o jeito a câmaras de direita em matérias essenciais como a educação? Longe vai o tempo da Paz, o pão,… a… como era mesmo a lengalenga?
Bom, fale-se agora a sério. É evidente que coisas há que são intemporais, mas o que quero evidenciar é que há matérias em que em verdade pouco evoluímos desde esse tempo, e outras até, onde parece que voltamos atrás. Pessoas boas e más, mais ou menos responsáveis, mais ou menos competentes sempre houve e sempre haverá. Há, contudo, uma diferença substancial. Se noutros tempos as coisas aconteciam sem que tal se pudesse discutir, mas porque alguém o decidia; hoje, acontece porque todos deixamos que aconteça, porque muitos de nós estamos convencidos que o fantasma do tal Salazar por aí anda ainda, porque se tem medo ainda de criticar, ou porque se é comodista, porque às vezes não apetece votar, mesmo que em branco; porque todos no conjunto da comunidade que somos, aqui ou ali, e muitas vezes, nos demitimos dos deveres e direitos, e das responsabilidades mais basilares que nos garantam a Liberdade e Democracia possível. Porque a maioria continua a preferir que por si decidam, e persiste ainda a bajulação aos “senhores importantes”. Porque deixamos que seja verdade entre a colectiva cegueira que seja rei quem tiver olho, porque criticamos muitas vezes sem seriedade, ou nada fazemos para alterar as coisas, gostamos de dizer mal de qualquer coisa, de quase tudo, de ser do contra nas palavras – e no entanto, nos actos, quase sempre a favor.
Por vezes parece que a aurora da Liberdade, transformou a falta total de Liberdade em liberdade total. Isto não pode acontecer, é preciso a assumpção de que a Liberdade total de alguém será sempre a liberdade reduzida de outrem.
Só quando percebermos e praticarmos, que a Liberdade e a Democracia, assim como uma existência social fraterna, solidária e progressista, em apego à Verdade e à Justiça, não são chavões adquiridos mas conquistas para as quais temos individual e colectivamente, caminhos contínuos a percorrer, enquanto seres sociais de Cidadania consciente e plena, então Abril será em Portugal um mês com significado, quer existíssemos quer não, quer não lembremos já, o que era esta país dito adiado antes de 1974.
A bem da nação!...
sexta-feira, abril 18, 2008
tempestades
O tempo é de facto algo avassalador, na quarta à noite começou um vendadal aqui em Lisboa na zona da 2a circular, ontem continuou forte ali pelos lados da Lapa, e parece que ainda não acabou...
Os Luís Filipes são rapazes complicados!
Os Luís Filipes são rapazes complicados!
quinta-feira, abril 17, 2008
publicidade cultural
Mais uma apresentação do romance de Virgílio Saraiva, A Onze de Setembro, desta feita na Biblioteca de Almeirim, dia 23 pelas 21h.
Quem ainda não leu, ou quem ainda não comprou, que se apresse porque a primeira edição está quase esgotada.
Hum... soa-me familiar!...
"Teleférico ou ascensor para acesso ao castelo de Ourém
O presidente da Câmara Municipal de Ourém anunciou que o projecto de requalificação do castelo medieval vai incluir um teleférico ou ascensor do lado poente para retirar carros do centro histórico da cidade. “Queremos colocar um meio de acesso mecânico ao local", para que os visitantes não se desloquem ao monumento apenas de automóvel, (...)"
notícia n'O Mirante Online.
De facto, em que outra cidade com castelo num monte, aqui assim pelo Ribatejo norte, é que eu ouvirei, desde que me lembro, de um qualquer projecto assim ou assado...
O presidente da Câmara Municipal de Ourém anunciou que o projecto de requalificação do castelo medieval vai incluir um teleférico ou ascensor do lado poente para retirar carros do centro histórico da cidade. “Queremos colocar um meio de acesso mecânico ao local", para que os visitantes não se desloquem ao monumento apenas de automóvel, (...)"
notícia n'O Mirante Online.
De facto, em que outra cidade com castelo num monte, aqui assim pelo Ribatejo norte, é que eu ouvirei, desde que me lembro, de um qualquer projecto assim ou assado...
domingo, abril 13, 2008
a política dos fracos
"O BRANQUINHO DE NEVE E OS OUTROS MATULÕES
(...) Branquinho lançou no último fim-de-semana o grande escândalo, que o PSD queria transformar num facto político revelador da "falta de qualidade da democracia": Fernanda Câncio iria fazer uma série de programas para a RTP2 sobre bairros degradados. Branquinho insurgiu-se: a contratação era "pornográfica". Fernanda, alegava Branquinho do alto da sua ignorância, não tinha "experiência televisiva" (seis anos na SIC não valiam um avo). Mais: Branquinho achava que a RTP não podia contratar programas com produtoras externas (mais uma enormidade) enquanto tivesse um só jornalista subaproveitado. Autoproclamado farol da classe operária jornalística, Branquinho queria obrigar a produtora (???) ou a RTP a escolher um jornalista do quadro que estivesse com menos que fazer. (...)
Qual o problema de Branquinho? Incapaz, pela vergonha que lhe resta, de dirigir um requerimento ao primeiro-ministro a perguntar se "é verdade que namora com Fernanda Câncio?", Branquinho insinua. De resto, apesar das revistas cor-de-rosa, Branquinho nem sequer pode jurar se é verdade que Sócrates namora com a Fernanda. Apesar de ter sofrido uma campanha negra com insinuações sobre a sua sexualidade (vinda dos mesmos branquinhos de neve e matulões que hoje tomam conta do PSD), Sócrates resistiu a aparecer com a namorada ao lado para espantar os espíritos.(...)"
artigo de opinião de Ana Sá Lopes no DN de ontem, e que deve ser lido na totalidade. aqui
(...) Branquinho lançou no último fim-de-semana o grande escândalo, que o PSD queria transformar num facto político revelador da "falta de qualidade da democracia": Fernanda Câncio iria fazer uma série de programas para a RTP2 sobre bairros degradados. Branquinho insurgiu-se: a contratação era "pornográfica". Fernanda, alegava Branquinho do alto da sua ignorância, não tinha "experiência televisiva" (seis anos na SIC não valiam um avo). Mais: Branquinho achava que a RTP não podia contratar programas com produtoras externas (mais uma enormidade) enquanto tivesse um só jornalista subaproveitado. Autoproclamado farol da classe operária jornalística, Branquinho queria obrigar a produtora (???) ou a RTP a escolher um jornalista do quadro que estivesse com menos que fazer. (...)
Qual o problema de Branquinho? Incapaz, pela vergonha que lhe resta, de dirigir um requerimento ao primeiro-ministro a perguntar se "é verdade que namora com Fernanda Câncio?", Branquinho insinua. De resto, apesar das revistas cor-de-rosa, Branquinho nem sequer pode jurar se é verdade que Sócrates namora com a Fernanda. Apesar de ter sofrido uma campanha negra com insinuações sobre a sua sexualidade (vinda dos mesmos branquinhos de neve e matulões que hoje tomam conta do PSD), Sócrates resistiu a aparecer com a namorada ao lado para espantar os espíritos.(...)"
artigo de opinião de Ana Sá Lopes no DN de ontem, e que deve ser lido na totalidade. aqui
sexta-feira, abril 11, 2008
o mundo
Na Venezuela a série "Os Simpsons" foi proíbida e em seu lugar irá ser exibida a série "Marés Vivas".
Calma, os que estão já a rir com o suposto disparate reflictam... é assim tão desabitual que se prefira o silicone à inteligência?
Calma, os que estão já a rir com o suposto disparate reflictam... é assim tão desabitual que se prefira o silicone à inteligência?
sábado, abril 05, 2008
quinta-feira, abril 03, 2008
ter razão é uma chatice...
(algo estranho se passou com este post, agora sim, era isto que era suposto aqui estar)
"Câmara de Tomar condenada a pagar 750 mil euros a concessionária de parque de estacionamento
A Câmara de Tomar foi condenada por um tribunal arbitral a pagar 750 mil euros à empresa ParqT, concessionária do parque de estacionamento situado atrás dos Paços do Concelho, no decurso de um litígio iniciado há quatro anos. A decisão não é passível de recurso e foi anunciada segunda-feira às partes envolvidas. Em causa estava a discrepância de valores sobre o custo real da obra. O município sempre argumentou que o parque construído ficou sensivelmente mais barato que o valor indicado na proposta do concurso ganho pela ParqT. A empresa, por seu lado, contrapunha, afirmando que a construção do equipamento ficou bastante mais cara que o inicialmente previsto.
O presidente do município, Corvelo de Sousa (PSD), afirma que “obviamente” a autarquia vai pagar a verba, admitindo que poderá ter de ser feita uma alteração orçamental para o efeito, uma vez que o valor não está cabimentado no orçamento da câmara para este ano. Do lado da ParqT, o sentimento é de que foi feita justiça. José Santa Clara, administrador da empresa, refere que ambas as partes terão agora de se sentar novamente à mesa para delinear os procedimentos em relação ao contrato assinado em 2001. Um acordo que previa, além da construção do parque de estacionamento atrás da câmara, a requalificação da Várzea Grande (espaço junto ao tribunal) e 1.200 lugares tarifados à superfície em toda a cidade. (...)"
no Mirante Online
Todo este processo do parque e o parque em si, foi, é, e será muito útil para a cidade...
"Câmara de Tomar condenada a pagar 750 mil euros a concessionária de parque de estacionamento
A Câmara de Tomar foi condenada por um tribunal arbitral a pagar 750 mil euros à empresa ParqT, concessionária do parque de estacionamento situado atrás dos Paços do Concelho, no decurso de um litígio iniciado há quatro anos. A decisão não é passível de recurso e foi anunciada segunda-feira às partes envolvidas. Em causa estava a discrepância de valores sobre o custo real da obra. O município sempre argumentou que o parque construído ficou sensivelmente mais barato que o valor indicado na proposta do concurso ganho pela ParqT. A empresa, por seu lado, contrapunha, afirmando que a construção do equipamento ficou bastante mais cara que o inicialmente previsto.
O presidente do município, Corvelo de Sousa (PSD), afirma que “obviamente” a autarquia vai pagar a verba, admitindo que poderá ter de ser feita uma alteração orçamental para o efeito, uma vez que o valor não está cabimentado no orçamento da câmara para este ano. Do lado da ParqT, o sentimento é de que foi feita justiça. José Santa Clara, administrador da empresa, refere que ambas as partes terão agora de se sentar novamente à mesa para delinear os procedimentos em relação ao contrato assinado em 2001. Um acordo que previa, além da construção do parque de estacionamento atrás da câmara, a requalificação da Várzea Grande (espaço junto ao tribunal) e 1.200 lugares tarifados à superfície em toda a cidade. (...)"
no Mirante Online
Todo este processo do parque e o parque em si, foi, é, e será muito útil para a cidade...
quarta-feira, março 19, 2008
o uso dos dias

Tanto para dizer e vontade nenhuma de o fazer. Chove, e a chuva, pelo menos para mim, nunca é boa companheira para o trabalho, convida mais ao conforto do lar. Ainda para mais Lisboa é conhecida pelo seu brilhante céu azul dos muitos dias de sol, não por ser especialmente agradável nos dias cinzentos de dilúvio, o que de facto não é.
Será que em Tomar já há cheias? Será que a malta das Finanças no seu novo espaço, já anda de dossiês à cabeça?
E hoje é Dia do Pai. É certo que há coisas piores, mas não deixa de ser mais uma 'americanice' do marketing consumista disfarçada de grande pertinência e valores. Até parece que sem dias para comemorar não saberíamos gozar a vida.
Não sei porquê, cada vez gosto menos de calendários.
E eu até tenho uns milhares dos meus tempos de coleccionista...
terça-feira, março 11, 2008
constatação
Este domingo, em Lisboa, discutia com alguém sobre os virtuosismos de Tomar, algo que muito faço com pessoas de fora ao contrário do que digo às de cá, quando simplesmente ao fim de um bom bocado de conversa essa pessoa me diz:
- Epá, deixa-te de tretas, Tomar é uma cidade antiga para pessoas antigas!
E eu, que quando quero tenho sempre resposta pronta, especialmente no que toca a defender Tomar, parei para pensar e... mudei de assunto.
- Epá, deixa-te de tretas, Tomar é uma cidade antiga para pessoas antigas!
E eu, que quando quero tenho sempre resposta pronta, especialmente no que toca a defender Tomar, parei para pensar e... mudei de assunto.
quarta-feira, março 05, 2008
pertinência
"É um dos mais antigos problemas da política.
Tem um povo o Governo que merece? (…)
Não será natural que o Governo seja tão negligente quanto o seu povo? (…)
Os Governos não se podem queixar,
mesmo quando lhes parece haver injustiça no julgamento público.
Estão lá é para isso. Têm os meios. A lei. (…)
Os técnicos. O esclarecimento. A informação. A competência.
E, sobretudo, o dever.
Têm de ser melhores do que o seu povo."
António Barreto (Público, 18.03.2001)
Tem um povo o Governo que merece? (…)
Não será natural que o Governo seja tão negligente quanto o seu povo? (…)
Os Governos não se podem queixar,
mesmo quando lhes parece haver injustiça no julgamento público.
Estão lá é para isso. Têm os meios. A lei. (…)
Os técnicos. O esclarecimento. A informação. A competência.
E, sobretudo, o dever.
Têm de ser melhores do que o seu povo."
António Barreto (Público, 18.03.2001)
segunda-feira, março 03, 2008
retribuição
Porque embora ainda em viagem, depois de mais uma reunião de fim de tarde na minha escola, continuo com o meu bom humor (até porque, como ainda há pouco disse a uma colega, a alternativa a estar alegre é estar triste, o que não compensa!) e depois de uma ronda pelos comentários dos blogues de escarnecimento cá do Nabão, onde além da boa educação e inteligência abundantes, alguns fãs "anónimos" insistem em copiar o que aqui escrevo, ou a mim se referirem sempre com os mais doces mimos, aqui abro um parêntesis para a eles deixar estas sentidas ofertas.
Bem sei que lhes é difícil, mas ficam votos que a perspicácia os ilumine…
"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo"
Bernard Shaw
"Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade"
Giovani Boccaccio
"É um grande erro especularmos acerca da tolice dos tolos e um erro ainda maior fiarmo-nos na inteligência dos inteligentes. Eles afastam-se uma vez por dia da sua natureza"
Paul Valéry
Bem sei que lhes é difícil, mas ficam votos que a perspicácia os ilumine…
"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo"
Bernard Shaw
"Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade"
Giovani Boccaccio
"É um grande erro especularmos acerca da tolice dos tolos e um erro ainda maior fiarmo-nos na inteligência dos inteligentes. Eles afastam-se uma vez por dia da sua natureza"
Paul Valéry
O dia de Gualdim
No passado sábado, 1 de Março, comemorámos mais um dia da fundação de Tomar, e indirectamente, relembrámos também o grão-mestre Templário, e fundador da urbe, Gualdim Pais, por nesse dia de 1160 ter dado início à construção do castelo de Tomar.
Este ano pela primeira vez em muitos, não pude estar por cá. Um compromisso antigo que sempre me ocupa o primeiro sábado de Março assim o obrigou, até porque no pesar dos prós e contras achei que, infelizmente, não ía perder grande coisa.
À parte a aldrabice de má fé política que este ano a Câmara de Tomar fez com a apresentação de um plano de acção que não representa qualquer trabalho ou reflexão dos autarcas, e apenas "para inglês ver", o resto terá sido a mesma pasmaceira de sempre, com a presença dos mesmos. Ora, se nem as homenagens, algo que eu próprio propus em reunião de câmara já em Fevereiro de 2007, a personalidades e instituições de mérito (na minha proposta, não o que se intencionava fazer este ano, que era mais redutor) se realizaram porque as medalhas não estavam prontas (!!!!) logo aqui se vê, o interesse e vontade com que quem dirige a autarquia prepara estes acontecimentos.
Enfim, como se diria no circo: aplausos, são artistas portugueses...
Este ano pela primeira vez em muitos, não pude estar por cá. Um compromisso antigo que sempre me ocupa o primeiro sábado de Março assim o obrigou, até porque no pesar dos prós e contras achei que, infelizmente, não ía perder grande coisa.
À parte a aldrabice de má fé política que este ano a Câmara de Tomar fez com a apresentação de um plano de acção que não representa qualquer trabalho ou reflexão dos autarcas, e apenas "para inglês ver", o resto terá sido a mesma pasmaceira de sempre, com a presença dos mesmos. Ora, se nem as homenagens, algo que eu próprio propus em reunião de câmara já em Fevereiro de 2007, a personalidades e instituições de mérito (na minha proposta, não o que se intencionava fazer este ano, que era mais redutor) se realizaram porque as medalhas não estavam prontas (!!!!) logo aqui se vê, o interesse e vontade com que quem dirige a autarquia prepara estes acontecimentos.
Enfim, como se diria no circo: aplausos, são artistas portugueses...
ontem e hoje, Tomar
A revista que acompanha esta semana o jornal O Templário possibilita-nos uma viagem no tempo a alguns aspectos de Tomar através de postais antigos e fotos dos mesmos locais actualmente.
Ainda para mais é coordenada pelo professor Ernesto Jana, de quem em tempos tive o privilégio de ser aluno.
Também uma semelhante série de postais pode ainda ser vista no notas de Alfredo Caiano Silvestre.
Acabei por me esquecer de referir, que na passada semana O Templário atingiu a sua edição número 1000, sendo sempre de qualquer forma tempo de dizer PARABÉNS!
De facto, um jornal regional chegar às 1000 edições é algo que merece referência pois, mesmo que muitas vezes criticando esta ou aquela opção, esta ou aquela forma de fazer as coisas, a maior ou menor imparcialidade dos jornais, reconheço a dificuldade de os manter vivos e de saúde.
Assim, no caso do Templário, força para a equipa, motivação e tenacidade, e que nos apertados por difíceis limites da qualidade, continuem no seu caminho, é o que se deseja.
Ainda para mais é coordenada pelo professor Ernesto Jana, de quem em tempos tive o privilégio de ser aluno.
Também uma semelhante série de postais pode ainda ser vista no notas de Alfredo Caiano Silvestre.
Acabei por me esquecer de referir, que na passada semana O Templário atingiu a sua edição número 1000, sendo sempre de qualquer forma tempo de dizer PARABÉNS!
De facto, um jornal regional chegar às 1000 edições é algo que merece referência pois, mesmo que muitas vezes criticando esta ou aquela opção, esta ou aquela forma de fazer as coisas, a maior ou menor imparcialidade dos jornais, reconheço a dificuldade de os manter vivos e de saúde.
Assim, no caso do Templário, força para a equipa, motivação e tenacidade, e que nos apertados por difíceis limites da qualidade, continuem no seu caminho, é o que se deseja.
Eles por lá fazem, nós por cá...
"Câmara transforma escola em albergue de juventude
A Câmara Municipal de Ourém vai transformar a antiga escola do 1º ciclo da Ramalheira, freguesia de Freixianda, num albergue de juventude, que servirá toda a zona norte do concelho, situando-se especialmente perto do Parque Aventura e da Zona Balnear do Agroal.
De acordo com informação da autarquia, o espaço terá capacidade para 60 jovens, existindo a possibilidade de obter financiamento do programa Leader, ao abrigo do Plano de Desenvolvimento Rural.
O projecto enquadra-se na estratégia da autarquia de promover um turismo de natureza e de aventura, aproveitando os espaços existentes na zona norte do concelho e criando uma ligação a Fátima, através do Parque Natural das Pegadas dos Dinossáurios da Serra de Aire e Candeeiros."
notícia O Mirante Online
Em Tomar também, aliás a minha casa é praticamente um albergue juvenil...
A Câmara Municipal de Ourém vai transformar a antiga escola do 1º ciclo da Ramalheira, freguesia de Freixianda, num albergue de juventude, que servirá toda a zona norte do concelho, situando-se especialmente perto do Parque Aventura e da Zona Balnear do Agroal.
De acordo com informação da autarquia, o espaço terá capacidade para 60 jovens, existindo a possibilidade de obter financiamento do programa Leader, ao abrigo do Plano de Desenvolvimento Rural.
O projecto enquadra-se na estratégia da autarquia de promover um turismo de natureza e de aventura, aproveitando os espaços existentes na zona norte do concelho e criando uma ligação a Fátima, através do Parque Natural das Pegadas dos Dinossáurios da Serra de Aire e Candeeiros."
notícia O Mirante Online
Em Tomar também, aliás a minha casa é praticamente um albergue juvenil...
terça-feira, fevereiro 26, 2008
educar, educador, educando
Hoje na escola, leia-se sala dos professores, o tema evidentemente só podia ser um: Prós&Contras de ontem na RTP.
Claro que, sendo visto na escola como “o político”, ou como alguns carinhosamente me chamam, “o amigo da ministra”, sempre que algo acontece ou que algo querem desabafar, criticar, comentar, perguntar, que tenha a ver com política ou com o Governo lá vêm ter comigo, como se eu fosse telefonar ao Primeiro-ministro logo em seguida, fosse para “fazer queixa”, fosse para pedir soluções.
Quanto ao programa de ontem vi pouco, cheguei a Tomar já tarde, e como na véspera fizera a minha habitual directa de Óscares, não tive paciência para muito mais que meia hora de programa.
Em todo o caso, e já que aqui não tenho falado muito de Educação, eis globalmente o que penso.
O Governo, pela Ministra e seu Ministério, tem evidentemente consumado uma série de positivas medidas, na minha opinião corajosas, importantes, e como há muito não eram feitas. Decisivas para o evoluir progressista do país. Casos do inglês no 1º ciclo, a escola a tempo inteiro com os complementos curriculares, as refeições para todos os alunos, o programa novas oportunidades, todas elas importantes medidas para o tratamento em princípios de Igualdade e Solidariedade do Estado, e marcas bem claras duma política de Esquerda.
Contudo, há naturalmente aspectos negativos. Esses são sempre os que tocam o ponto mais sensível – os professores – que, é preciso dizê-lo, de há muito estão tendencialmente contra. Os professores são por princípio desconfiados em relação ao seu Ministério e a quem quer que em cada momento o dirija. Terão razões para isso. São ainda, porventura como a maioria das classes profissionais, conservadores no que toque a qualquer perspectiva de mudança, e avessos portanto, a quase tudo o que venha do Ministério nesse sentido. Têm ainda sindicatos que, embora fazendo pouco trabalho e sendo em muito responsáveis por muita coisa em muitos anos, fazem muito barulho.
As medidas que mais têm tocado aos professores são grosso modo os tempos de Ocupação Plena do Tempo Educativo, erradamente conhecidos como “aulas de substituição”, correctos no seu fundamento, mas deficientemente explicados aos professores e em muitas escolas mal aplicados; estão receosos quanto ao que venha a ser o novo modelo de Gestão das Escolas; um novo Estatuto do Aluno que erradamente analisado aparenta ser atentatório da autoridade do professor e potenciador do facilitismo e permissividade a alunos e pais, e arrasado pela opinião pública porque erradamente apresentado; e claro, a muito mediática Avaliação de Desempenho.
Ora, a avaliação é um bom princípio, que não nasceu aliás agora, mas que efectivamente não era exigente nem rigorosa. Acontece porém, que essa avaliação rigorosa e exigente, além de justa e positivamente contributiva para a melhoria do exercício da actividade docente, é extremamente difícil de executar. O que não quer dizer que possamos ser contra ela. A avaliação pode e deve ser um instrumento normal de qualquer trabalhador e instituição.
Só que, para que isso aconteça, uma questão melindrosa e facilmente permeável a más interpretações, análises erradas de comentadores implicados, e revolucionária por afectar mutações de posturas e mentalidades, tem de ser devidamente preparada, discutida com todos os actores e, quando exposta, pronta a aplicar sem obrigar especiais manobras e preparos “em cima do joelho”, que possam ainda implicar atrasos ou recuos, condicionantes da sua boa aplicação ou necessária legitimação por a quem é dirigida.
Bom, há além disto tudo uma questão de “clima”, de “ambiente” criado e instalado, e se é verdade que o titular da pasta da Educação, seja quem for e em que Governo, será sempre dos mais visados, mais atacados, por se encontrar a todo o momento sobre os holofotes da opinião pública, e também certo que só quem não faz não se engana, é igualmente verdadeiro que a política é arte da discussão e decisão da coisa pública, mas também a capacidade de sedução dos outros para as nossas ideias, a capacidade de comunicar e transmitir uma percepção, um projecto, um caminho.
Este é o aspecto onde a Ministra tem especialmente falhado, as ideias e os motivos não têm passado devidamente aos agentes directos do ensino, os professores, por muito que parte disso seja culpa de todo o ruído que sempre se cria, na maioria das vezes intencionalmente, em volta destas coisas. Além disso, liderar, gerir recursos humanos é saber envolvê-los, torná-los parte efectiva e comprometida da tarefa, e não meros executores de um processo cuja finalidade não entendem, ou que julgam possa até prejudicá-los.
É preciso explicar muito bem aquilo que se faz, e perceber se o que se pode efectuar é coerente com o que se idealizou. A reforma do ensino artístico por exemplo, tem na essência toda a pertinência, mas na aplicação prática que se vislumbra terá aspectos muito negativos e mesmo contrários ao espírito que encerra.
Por muito disto, e de outros exemplos que a vontade e os balanços do comboio me fazem olvidar, custa-me dizê-lo, mas a Ministra conseguiu algo muito difícil, que já no governo anterior se verificava, mas que agora muito se amplia: a sempre improvável união dos professores. Infelizmente, a união na total rejeição do que quer que venha já, da Ministra e do Ministério.
E porque a política é também, além do resto, a arte do possível, possível já não é que a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, por todo o bom que tenha feito, ou possa ainda fazer, mas porque o tal ambiente criado e instalado existe indesmentivelmente e com ares de durabilidade, possa tutelar a pasta por muito mais tempo. Urge a sua substituição, como aliás dos dois Secretários de Estado também.
Não quero agora desenvolver, mas não pode ficar sem referência, que o problema da Educação não pode ser redutoramente visto como um problema dos professores e do Ministério. Mas por outro lado, achincalhar ou menorizar os professores, é não perceber que a fragilidade da sua autoridade, é a corrosão dos fundamentos e bom futuro do Estado e da Democracia. Não há Estado sem Educação, e se as ditaduras, no interesse dos seus intuitos como universalmente se comprova bem o percebem e executam, há em algumas Democracias, como na nossa, alguma dificuldade de enquanto sociedade percebermos a plenitude do que essa importância significa e obriga.
A autoridade do professor, se bem que necessariamente reconhecida e delegada pela sociedade no seu global, deve em primeiro lugar ser sentida e exigida pelo próprio. E isso obriga também, a que exista muito comedimento no que se faz e no que se diz, por exemplo em programas como o de ontem, mas igualmente todos os dias em qualquer lado.
O PROFESSOR é por definição, um exemplo de virtudes escolhido de entre os pares para modelo aos jovens e a toda a comunidade. Deve começar no próprio o saber vestir o fato que a responsabilidade obriga.
E só como remate, porque acho que se explica por si mesmo, se na política é pertinente a limitação de mandatos, no sindicalismo é-o ainda mais, para que os senhores dos sindicatos (sim, bem sei que também já por lá andei) quando falam, saibam do que falam, e o façam com sabedoria e uma certa "pureza".
- Está escrito. -
Claro que, sendo visto na escola como “o político”, ou como alguns carinhosamente me chamam, “o amigo da ministra”, sempre que algo acontece ou que algo querem desabafar, criticar, comentar, perguntar, que tenha a ver com política ou com o Governo lá vêm ter comigo, como se eu fosse telefonar ao Primeiro-ministro logo em seguida, fosse para “fazer queixa”, fosse para pedir soluções.
Quanto ao programa de ontem vi pouco, cheguei a Tomar já tarde, e como na véspera fizera a minha habitual directa de Óscares, não tive paciência para muito mais que meia hora de programa.
Em todo o caso, e já que aqui não tenho falado muito de Educação, eis globalmente o que penso.
O Governo, pela Ministra e seu Ministério, tem evidentemente consumado uma série de positivas medidas, na minha opinião corajosas, importantes, e como há muito não eram feitas. Decisivas para o evoluir progressista do país. Casos do inglês no 1º ciclo, a escola a tempo inteiro com os complementos curriculares, as refeições para todos os alunos, o programa novas oportunidades, todas elas importantes medidas para o tratamento em princípios de Igualdade e Solidariedade do Estado, e marcas bem claras duma política de Esquerda.
Contudo, há naturalmente aspectos negativos. Esses são sempre os que tocam o ponto mais sensível – os professores – que, é preciso dizê-lo, de há muito estão tendencialmente contra. Os professores são por princípio desconfiados em relação ao seu Ministério e a quem quer que em cada momento o dirija. Terão razões para isso. São ainda, porventura como a maioria das classes profissionais, conservadores no que toque a qualquer perspectiva de mudança, e avessos portanto, a quase tudo o que venha do Ministério nesse sentido. Têm ainda sindicatos que, embora fazendo pouco trabalho e sendo em muito responsáveis por muita coisa em muitos anos, fazem muito barulho.
As medidas que mais têm tocado aos professores são grosso modo os tempos de Ocupação Plena do Tempo Educativo, erradamente conhecidos como “aulas de substituição”, correctos no seu fundamento, mas deficientemente explicados aos professores e em muitas escolas mal aplicados; estão receosos quanto ao que venha a ser o novo modelo de Gestão das Escolas; um novo Estatuto do Aluno que erradamente analisado aparenta ser atentatório da autoridade do professor e potenciador do facilitismo e permissividade a alunos e pais, e arrasado pela opinião pública porque erradamente apresentado; e claro, a muito mediática Avaliação de Desempenho.
Ora, a avaliação é um bom princípio, que não nasceu aliás agora, mas que efectivamente não era exigente nem rigorosa. Acontece porém, que essa avaliação rigorosa e exigente, além de justa e positivamente contributiva para a melhoria do exercício da actividade docente, é extremamente difícil de executar. O que não quer dizer que possamos ser contra ela. A avaliação pode e deve ser um instrumento normal de qualquer trabalhador e instituição.
Só que, para que isso aconteça, uma questão melindrosa e facilmente permeável a más interpretações, análises erradas de comentadores implicados, e revolucionária por afectar mutações de posturas e mentalidades, tem de ser devidamente preparada, discutida com todos os actores e, quando exposta, pronta a aplicar sem obrigar especiais manobras e preparos “em cima do joelho”, que possam ainda implicar atrasos ou recuos, condicionantes da sua boa aplicação ou necessária legitimação por a quem é dirigida.
Bom, há além disto tudo uma questão de “clima”, de “ambiente” criado e instalado, e se é verdade que o titular da pasta da Educação, seja quem for e em que Governo, será sempre dos mais visados, mais atacados, por se encontrar a todo o momento sobre os holofotes da opinião pública, e também certo que só quem não faz não se engana, é igualmente verdadeiro que a política é arte da discussão e decisão da coisa pública, mas também a capacidade de sedução dos outros para as nossas ideias, a capacidade de comunicar e transmitir uma percepção, um projecto, um caminho.
Este é o aspecto onde a Ministra tem especialmente falhado, as ideias e os motivos não têm passado devidamente aos agentes directos do ensino, os professores, por muito que parte disso seja culpa de todo o ruído que sempre se cria, na maioria das vezes intencionalmente, em volta destas coisas. Além disso, liderar, gerir recursos humanos é saber envolvê-los, torná-los parte efectiva e comprometida da tarefa, e não meros executores de um processo cuja finalidade não entendem, ou que julgam possa até prejudicá-los.
É preciso explicar muito bem aquilo que se faz, e perceber se o que se pode efectuar é coerente com o que se idealizou. A reforma do ensino artístico por exemplo, tem na essência toda a pertinência, mas na aplicação prática que se vislumbra terá aspectos muito negativos e mesmo contrários ao espírito que encerra.
Por muito disto, e de outros exemplos que a vontade e os balanços do comboio me fazem olvidar, custa-me dizê-lo, mas a Ministra conseguiu algo muito difícil, que já no governo anterior se verificava, mas que agora muito se amplia: a sempre improvável união dos professores. Infelizmente, a união na total rejeição do que quer que venha já, da Ministra e do Ministério.
E porque a política é também, além do resto, a arte do possível, possível já não é que a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, por todo o bom que tenha feito, ou possa ainda fazer, mas porque o tal ambiente criado e instalado existe indesmentivelmente e com ares de durabilidade, possa tutelar a pasta por muito mais tempo. Urge a sua substituição, como aliás dos dois Secretários de Estado também.
Não quero agora desenvolver, mas não pode ficar sem referência, que o problema da Educação não pode ser redutoramente visto como um problema dos professores e do Ministério. Mas por outro lado, achincalhar ou menorizar os professores, é não perceber que a fragilidade da sua autoridade, é a corrosão dos fundamentos e bom futuro do Estado e da Democracia. Não há Estado sem Educação, e se as ditaduras, no interesse dos seus intuitos como universalmente se comprova bem o percebem e executam, há em algumas Democracias, como na nossa, alguma dificuldade de enquanto sociedade percebermos a plenitude do que essa importância significa e obriga.
A autoridade do professor, se bem que necessariamente reconhecida e delegada pela sociedade no seu global, deve em primeiro lugar ser sentida e exigida pelo próprio. E isso obriga também, a que exista muito comedimento no que se faz e no que se diz, por exemplo em programas como o de ontem, mas igualmente todos os dias em qualquer lado.
O PROFESSOR é por definição, um exemplo de virtudes escolhido de entre os pares para modelo aos jovens e a toda a comunidade. Deve começar no próprio o saber vestir o fato que a responsabilidade obriga.
E só como remate, porque acho que se explica por si mesmo, se na política é pertinente a limitação de mandatos, no sindicalismo é-o ainda mais, para que os senhores dos sindicatos (sim, bem sei que também já por lá andei) quando falam, saibam do que falam, e o façam com sabedoria e uma certa "pureza".
- Está escrito. -
domingo, fevereiro 24, 2008
escada rolante
Ao domingo de manhã, ainda para mais pouco convidativo a sair de casa, aproveita-se para algum trabalho e quando o almoço já chama, acaba-se por espreitar antes de desligar, qual voyeurismo chantilly (aquilo que é dispensável e nocivo) o que corre na blogolândia nabantina.
De todas as parvoíces que se escrevem por aí nos blogues, especialmente por anónimos, por vezes se escreve também uma ou outra coisa pertinente, e julgo ter sido no Condado do Flecheiro que estava este apontamento jocoso acerca do facto de termos finalmente em Tomar uma escada rolante.
Este é um pormenor que não é assim tão insignificante, e deve ficar como reflexão para todos, em especial aqueles que negam ou tentam contrariar o facto que Tomar está efectivamente há muito tempo em regressão, a caminho do embrionário estado de aldeia.
Tomar que foi das primeira cidades do país a ter iluminação pública eléctrica, a ter piscinas municipais (as antigas), das primeiras no país a ter um centro comercial, a ter um monumento património mundial, o único do distrito a ter uma equipa na primeira divisão de futebol, que tinha um desenvolvimento industrial e comercial ímpar na região, com um nível de serviços que fazia sombra a muitas capitais de distrito incluindo a nossa, com actividades culturais a rodos, etecétera, etecétera, etecétera; vê em 2008 chegar a sua primeira escada rolante!
Lembro-me de em 99/2000, quando leccionei em Salvaterra de Magos, uma colega que era da terra, confidenciar na sala de professores animadíssima que tinha acabado de comprar casa no primeiro prédio com elevador, pensar algo como: - Bom! A que distância está esta terra do resto do mundo...
Ora, agora em relação a Tomar... talvez seja melhor não pensar nada ou pensar no cozido que já deve fumegar na mesa... mas diz alguma coisa do nosso progresso não? E de como continuamos na vanguarda e na liderança da região a muitos níveis…
De todas as parvoíces que se escrevem por aí nos blogues, especialmente por anónimos, por vezes se escreve também uma ou outra coisa pertinente, e julgo ter sido no Condado do Flecheiro que estava este apontamento jocoso acerca do facto de termos finalmente em Tomar uma escada rolante.
Este é um pormenor que não é assim tão insignificante, e deve ficar como reflexão para todos, em especial aqueles que negam ou tentam contrariar o facto que Tomar está efectivamente há muito tempo em regressão, a caminho do embrionário estado de aldeia.
Tomar que foi das primeira cidades do país a ter iluminação pública eléctrica, a ter piscinas municipais (as antigas), das primeiras no país a ter um centro comercial, a ter um monumento património mundial, o único do distrito a ter uma equipa na primeira divisão de futebol, que tinha um desenvolvimento industrial e comercial ímpar na região, com um nível de serviços que fazia sombra a muitas capitais de distrito incluindo a nossa, com actividades culturais a rodos, etecétera, etecétera, etecétera; vê em 2008 chegar a sua primeira escada rolante!
Lembro-me de em 99/2000, quando leccionei em Salvaterra de Magos, uma colega que era da terra, confidenciar na sala de professores animadíssima que tinha acabado de comprar casa no primeiro prédio com elevador, pensar algo como: - Bom! A que distância está esta terra do resto do mundo...
Ora, agora em relação a Tomar... talvez seja melhor não pensar nada ou pensar no cozido que já deve fumegar na mesa... mas diz alguma coisa do nosso progresso não? E de como continuamos na vanguarda e na liderança da região a muitos níveis…
assim, começa mal
"Na outra margem do rio, entre a casa mortuária e o edifício da Portugal Telecom, foram também cortadas “seis a sete” árvores de grande porte. As espécies, com mais de 30 anos, estavam plantadas onde irá ser erigida a futura rotunda do acesso norte à nova ponte.
O presidente da autarquia garantiu no entanto que as outras árvores vão ser colocadas em redor da futura rotunda. “Vamos comprar árvores com o maior tamanho que houver no mercado”, disse, adiantando que os arranjos exteriores nessa zona irão contemplar a plantação de meia centena de novas árvores. “Por cada árvore abatida iremos plantar cinco novas”."
n' O Mirante
O abate de árvores de grande porte numa cidade, normalmente e por isso mesmo bastante antigas, é algo sempre pertubador no sentido em que altera fortemente a paisagem ao qual nos habituaramos ou sempre havíamos conhecido. O que me chamou mais a atenção para esta notícia no entanto, não foi tanto o abate das árvores em si, mas o tipo de resposta do agora presidente Corvêlo.
Não sei porquê, mas é um tipo de discurso que normalmente não tem muito futuro. Estou no entanto disposto a admitir que possa ser fruto de alguma insegurança inicial e um certo nervoso miudinho.
O presidente da autarquia garantiu no entanto que as outras árvores vão ser colocadas em redor da futura rotunda. “Vamos comprar árvores com o maior tamanho que houver no mercado”, disse, adiantando que os arranjos exteriores nessa zona irão contemplar a plantação de meia centena de novas árvores. “Por cada árvore abatida iremos plantar cinco novas”."
n' O Mirante
O abate de árvores de grande porte numa cidade, normalmente e por isso mesmo bastante antigas, é algo sempre pertubador no sentido em que altera fortemente a paisagem ao qual nos habituaramos ou sempre havíamos conhecido. O que me chamou mais a atenção para esta notícia no entanto, não foi tanto o abate das árvores em si, mas o tipo de resposta do agora presidente Corvêlo.
Não sei porquê, mas é um tipo de discurso que normalmente não tem muito futuro. Estou no entanto disposto a admitir que possa ser fruto de alguma insegurança inicial e um certo nervoso miudinho.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Profs....a culpa é deles!
Texto pertinente, como é costume, de Ricardo Araújo Pereira publicado há um par de semanas na revista Visão
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.
É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com
esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.
Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.
Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.
Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.
É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com
esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.
Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.
Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.
Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Faz sol no meu país
Epá !, parem tudo, parem tudo!
Largem o que estão a fazer, estejam onde estiverem, (quer dizer, a maior parte a esta hora está a dormir, mas vá, é uma forma de dizer a coisa com o seu quê de piada) corram já porque afigura-se uma enchente capaz de esgotar bilhetes mais rápido que a Madonna no Japão (ou assim como assim, outra coisa qualquer...)
Bom, do que é que eu estou a falar?
Pois a autarquia de Tomar apresenta como grande figura de cartaz do Mês da Juventude (sim, "mês" é uma questão de nome...) nada menos que... o grande José Cid!
Sim, a grande esforço a autarquia lá consegue trazer este ídolo maior dos jovens portugueses. Eu bem vejo como são os meus alunos - ele são poster's, ele são t-shirt´s, ele são cd's autografados e tatuagens do Cid em tudo o que é partes do corpo. Imagino mesmo já a loucura que a este momento não correrá pelas hostes adolescentes do nosso concelho e as romarias que se estão a formar nos concelhos vizinhos. No politécnico então, deduzo que já nem haja aulas porque todos, especialmente elas, estão já na fila para o bilhete do grande autor do "macaco gosta de banana"...
OK. Agora a sério, eu, e presumo que os menos jovens que eu, até gostamos do senhor e da sua "cabana", especialmente quando "cai neve em Nova Iorque", mas daí a fazer dele a grande aposta para o tal "mês" da juventude...
Quer dizer, eu percebo a questão económica de comprar em saldo, mas nesse catálogo onde se escolhem os artistas, arranjava-se algo mais coerente. Isto digo eu, que tecnicamente até já passei o prazo de jovem.
Mas pronto, eu se puder até vou ver, para ver estou é se os jovens também.
Largem o que estão a fazer, estejam onde estiverem, (quer dizer, a maior parte a esta hora está a dormir, mas vá, é uma forma de dizer a coisa com o seu quê de piada) corram já porque afigura-se uma enchente capaz de esgotar bilhetes mais rápido que a Madonna no Japão (ou assim como assim, outra coisa qualquer...)
Bom, do que é que eu estou a falar?
Pois a autarquia de Tomar apresenta como grande figura de cartaz do Mês da Juventude (sim, "mês" é uma questão de nome...) nada menos que... o grande José Cid!
Sim, a grande esforço a autarquia lá consegue trazer este ídolo maior dos jovens portugueses. Eu bem vejo como são os meus alunos - ele são poster's, ele são t-shirt´s, ele são cd's autografados e tatuagens do Cid em tudo o que é partes do corpo. Imagino mesmo já a loucura que a este momento não correrá pelas hostes adolescentes do nosso concelho e as romarias que se estão a formar nos concelhos vizinhos. No politécnico então, deduzo que já nem haja aulas porque todos, especialmente elas, estão já na fila para o bilhete do grande autor do "macaco gosta de banana"...
OK. Agora a sério, eu, e presumo que os menos jovens que eu, até gostamos do senhor e da sua "cabana", especialmente quando "cai neve em Nova Iorque", mas daí a fazer dele a grande aposta para o tal "mês" da juventude...
Quer dizer, eu percebo a questão económica de comprar em saldo, mas nesse catálogo onde se escolhem os artistas, arranjava-se algo mais coerente. Isto digo eu, que tecnicamente até já passei o prazo de jovem.
Mas pronto, eu se puder até vou ver, para ver estou é se os jovens também.
Eles por lá fazem, nós por cá...
TORRES NOVAS: MAIS DE 48 MIL PESSOAS FORAM AO TEATRO VIRGÍNIA
"Vem muita gente de Tomar assistir aos espectáculos no Teatro Virgínia", revelou uma das técnicas do Teatro Virgínia ao nosso jornal, na passada quarta-feira, dia 6, minutos antes de ter início uma conferência de imprensa para apresentação e assinatura dos protocolos dos Mecenas que apoiam directamente a actividade cultural deste espaço cultural da responsabilidade do Município de Torres Novas. (...)
notícia d'O Templário
Em Tomar também, às vezes conseguem juntar-se dez pessoas para ir ao cinema, na excelente utilização e forma de gestão que se emprega no nosso Cine-teatro, quase tantas como as que se conseguem pôr no palco, em outros tipos de espectáculos.
"Vem muita gente de Tomar assistir aos espectáculos no Teatro Virgínia", revelou uma das técnicas do Teatro Virgínia ao nosso jornal, na passada quarta-feira, dia 6, minutos antes de ter início uma conferência de imprensa para apresentação e assinatura dos protocolos dos Mecenas que apoiam directamente a actividade cultural deste espaço cultural da responsabilidade do Município de Torres Novas. (...)
notícia d'O Templário
Em Tomar também, às vezes conseguem juntar-se dez pessoas para ir ao cinema, na excelente utilização e forma de gestão que se emprega no nosso Cine-teatro, quase tantas como as que se conseguem pôr no palco, em outros tipos de espectáculos.
escuro como breu
7:12 da manhã, de portátil ao colo no comboio a caminho da capital (sim, agora de vez em quando, e quando o trabalho o pede, carrego o "animal" comigo) apeteceu-me comentar esta veia economizadora e ambientalista que se vive em Tomar.
Sim, entrei para o comboio há poucos minutos, e não só chove a potes, como as únicas luzes são as das parcas montras e as dos faróis que apressados atravessam o dilúvio. Não vi, de casa até à estação, uma única luz pública acesa, à excepção das que delimitam o campo relvado em frente ao pavilhão da Jácome Ratton, até porque essas fazem muita falta...
É como a iluminação da ponte pedonal do flecheiro e da provisória subida para junto à igreja de Santa Maria, não só bastasse o percurso atribulado, a única luz que há meses por ali se vê para quem atravesse de manhãzinha ou à noite, é o que sobra dos holofotes dos estaleiros da obra.
Sim, entrei para o comboio há poucos minutos, e não só chove a potes, como as únicas luzes são as das parcas montras e as dos faróis que apressados atravessam o dilúvio. Não vi, de casa até à estação, uma única luz pública acesa, à excepção das que delimitam o campo relvado em frente ao pavilhão da Jácome Ratton, até porque essas fazem muita falta...
É como a iluminação da ponte pedonal do flecheiro e da provisória subida para junto à igreja de Santa Maria, não só bastasse o percurso atribulado, a única luz que há meses por ali se vê para quem atravesse de manhãzinha ou à noite, é o que sobra dos holofotes dos estaleiros da obra.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
a última ceia
O blogue tomarense Os Cavaleiros Guardiões de Santa Maria do Olival, publica no seu último post um texto relativo ao meu ídolo Leonardo Da Vinci e a sua Última Ceia, o famoso fresco do refeitório do convento de Santa Maria delle Grazie, que tive o privilégio de apreciar há duas semanas em Milão, e da qual infelizmente não tenho imagens, que os senhores lá tem mais estima por aquela parede, que os do Louvre por todos quadros.
Piadas à parte, aquele fresco está envolto em grandes dúvidas e intrigantes interpretações, tornadas mediáticas mais recentemente pelo fenómeno O Código Da Vinci, e que agora não tenho vontade de desenvolver, deixando apenas esta: se já não tinha grandes dúvidas pelas reproduções que havia visto, à contemplação directa do olhar, a colossal pintura não oferece hesitações, a figura sentada à esquerda (para o observador) de Jesus é obviamente feminina.
Piadas à parte, aquele fresco está envolto em grandes dúvidas e intrigantes interpretações, tornadas mediáticas mais recentemente pelo fenómeno O Código Da Vinci, e que agora não tenho vontade de desenvolver, deixando apenas esta: se já não tinha grandes dúvidas pelas reproduções que havia visto, à contemplação directa do olhar, a colossal pintura não oferece hesitações, a figura sentada à esquerda (para o observador) de Jesus é obviamente feminina.
de Lili Caneças, todos os dias
O destaque de capa e reportagem do jornal Sexta-feira, um dos muitos gratuitos que há por Lisboa e neste caso semanal, vai para a CP e a sua frota de comboios, dos mais recentes aos mais antigos.
Aí se diz que os comboios que fazem Lisboa-Tomar, aqueles que salvo poucas excepções, utilizo diariamente, e cujas composições apesar de intervencionadas há poucos anos têm cerca de cinquenta anos, são conhecidos entre os ferroviários como "Os Lili Caneças". Isto porque, parecem novos por fora, mas são velhos por dentro.
(hoje que sobre Lisboa a neblina esconde o pôr-do-sol, temos que nos entreter com alguma coisa, enquanto a reunião marcada na escola para as 19h de mais uma sexta não começa...vá lá que a esta hora o computador da sala dos professores tem pouca procura)
Aí se diz que os comboios que fazem Lisboa-Tomar, aqueles que salvo poucas excepções, utilizo diariamente, e cujas composições apesar de intervencionadas há poucos anos têm cerca de cinquenta anos, são conhecidos entre os ferroviários como "Os Lili Caneças". Isto porque, parecem novos por fora, mas são velhos por dentro.
(hoje que sobre Lisboa a neblina esconde o pôr-do-sol, temos que nos entreter com alguma coisa, enquanto a reunião marcada na escola para as 19h de mais uma sexta não começa...vá lá que a esta hora o computador da sala dos professores tem pouca procura)
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Verona e sulla Amor
É o que acontece quando se sabe aproveitar o que se tem. Para quem conhece e se lembra, Verona é a cidade que Shakespeare coloca como cenário para o seu Romeu e Julieta, e embora as personagens sejam ficcionadas, a casa dos Capuletos existe mesmo e aquela varanda, escreve o “Camões inglês”, é onde Julieta é romanticamente cortejada por Romeu, o que faz de Verona uma espécie de cidade do amor eterno. E fatal, acrescentaria eu.
Ora, se há coisa que os italianos têm, ao contrário dumas certas cidades num certo país que conheço, é "olho para o negócio" em tudo o que tem a ver com turismo, e nesta aparentemente pequena e sem outros especiais motivos de interesse, há mais exemplos.
Por exemplo, um esperto qualquer lembrou-se de começar a vender cadeados com nomes dos apaixonados casais que por ali passassem, e agora por tudo o que é sítio se encontram às dezenas, das mais variadas cores e tamanhos. Logo, imagine-se lá qual é o objecto turístico mais vendido nesta cidade?


quinta-feira, fevereiro 07, 2008
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