segunda-feira, março 03, 2008

Eles por lá fazem, nós por cá...

"Câmara transforma escola em albergue de juventude
A Câmara Municipal de Ourém vai transformar a antiga escola do 1º ciclo da Ramalheira, freguesia de Freixianda, num albergue de juventude, que servirá toda a zona norte do concelho, situando-se especialmente perto do Parque Aventura e da Zona Balnear do Agroal.
De acordo com informação da autarquia, o espaço terá capacidade para 60 jovens, existindo a possibilidade de obter financiamento do programa Leader, ao abrigo do Plano de Desenvolvimento Rural.
O projecto enquadra-se na estratégia da autarquia de promover um turismo de natureza e de aventura, aproveitando os espaços existentes na zona norte do concelho e criando uma ligação a Fátima, através do Parque Natural das Pegadas dos Dinossáurios da Serra de Aire e Candeeiros."
notícia O Mirante Online


Em Tomar também, aliás a minha casa é praticamente um albergue juvenil...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

educar, educador, educando

Hoje na escola, leia-se sala dos professores, o tema evidentemente só podia ser um: Prós&Contras de ontem na RTP.
Claro que, sendo visto na escola como “o político”, ou como alguns carinhosamente me chamam, “o amigo da ministra”, sempre que algo acontece ou que algo querem desabafar, criticar, comentar, perguntar, que tenha a ver com política ou com o Governo lá vêm ter comigo, como se eu fosse telefonar ao Primeiro-ministro logo em seguida, fosse para “fazer queixa”, fosse para pedir soluções.
Quanto ao programa de ontem vi pouco, cheguei a Tomar já tarde, e como na véspera fizera a minha habitual directa de Óscares, não tive paciência para muito mais que meia hora de programa.
Em todo o caso, e já que aqui não tenho falado muito de Educação, eis globalmente o que penso.

O Governo, pela Ministra e seu Ministério, tem evidentemente consumado uma série de positivas medidas, na minha opinião corajosas, importantes, e como há muito não eram feitas. Decisivas para o evoluir progressista do país. Casos do inglês no 1º ciclo, a escola a tempo inteiro com os complementos curriculares, as refeições para todos os alunos, o programa novas oportunidades, todas elas importantes medidas para o tratamento em princípios de Igualdade e Solidariedade do Estado, e marcas bem claras duma política de Esquerda.
Contudo, há naturalmente aspectos negativos. Esses são sempre os que tocam o ponto mais sensível – os professores – que, é preciso dizê-lo, de há muito estão tendencialmente contra. Os professores são por princípio desconfiados em relação ao seu Ministério e a quem quer que em cada momento o dirija. Terão razões para isso. São ainda, porventura como a maioria das classes profissionais, conservadores no que toque a qualquer perspectiva de mudança, e avessos portanto, a quase tudo o que venha do Ministério nesse sentido. Têm ainda sindicatos que, embora fazendo pouco trabalho e sendo em muito responsáveis por muita coisa em muitos anos, fazem muito barulho.

As medidas que mais têm tocado aos professores são grosso modo os tempos de Ocupação Plena do Tempo Educativo, erradamente conhecidos como “aulas de substituição”, correctos no seu fundamento, mas deficientemente explicados aos professores e em muitas escolas mal aplicados; estão receosos quanto ao que venha a ser o novo modelo de Gestão das Escolas; um novo Estatuto do Aluno que erradamente analisado aparenta ser atentatório da autoridade do professor e potenciador do facilitismo e permissividade a alunos e pais, e arrasado pela opinião pública porque erradamente apresentado; e claro, a muito mediática Avaliação de Desempenho.

Ora, a avaliação é um bom princípio, que não nasceu aliás agora, mas que efectivamente não era exigente nem rigorosa. Acontece porém, que essa avaliação rigorosa e exigente, além de justa e positivamente contributiva para a melhoria do exercício da actividade docente, é extremamente difícil de executar. O que não quer dizer que possamos ser contra ela. A avaliação pode e deve ser um instrumento normal de qualquer trabalhador e instituição.
Só que, para que isso aconteça, uma questão melindrosa e facilmente permeável a más interpretações, análises erradas de comentadores implicados, e revolucionária por afectar mutações de posturas e mentalidades, tem de ser devidamente preparada, discutida com todos os actores e, quando exposta, pronta a aplicar sem obrigar especiais manobras e preparos “em cima do joelho”, que possam ainda implicar atrasos ou recuos, condicionantes da sua boa aplicação ou necessária legitimação por a quem é dirigida.

Bom, há além disto tudo uma questão de “clima”, de “ambiente” criado e instalado, e se é verdade que o titular da pasta da Educação, seja quem for e em que Governo, será sempre dos mais visados, mais atacados, por se encontrar a todo o momento sobre os holofotes da opinião pública, e também certo que só quem não faz não se engana, é igualmente verdadeiro que a política é arte da discussão e decisão da coisa pública, mas também a capacidade de sedução dos outros para as nossas ideias, a capacidade de comunicar e transmitir uma percepção, um projecto, um caminho.

Este é o aspecto onde a Ministra tem especialmente falhado, as ideias e os motivos não têm passado devidamente aos agentes directos do ensino, os professores, por muito que parte disso seja culpa de todo o ruído que sempre se cria, na maioria das vezes intencionalmente, em volta destas coisas. Além disso, liderar, gerir recursos humanos é saber envolvê-los, torná-los parte efectiva e comprometida da tarefa, e não meros executores de um processo cuja finalidade não entendem, ou que julgam possa até prejudicá-los.
É preciso explicar muito bem aquilo que se faz, e perceber se o que se pode efectuar é coerente com o que se idealizou. A reforma do ensino artístico por exemplo, tem na essência toda a pertinência, mas na aplicação prática que se vislumbra terá aspectos muito negativos e mesmo contrários ao espírito que encerra.

Por muito disto, e de outros exemplos que a vontade e os balanços do comboio me fazem olvidar, custa-me dizê-lo, mas a Ministra conseguiu algo muito difícil, que já no governo anterior se verificava, mas que agora muito se amplia: a sempre improvável união dos professores. Infelizmente, a união na total rejeição do que quer que venha já, da Ministra e do Ministério.
E porque a política é também, além do resto, a arte do possível, possível já não é que a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, por todo o bom que tenha feito, ou possa ainda fazer, mas porque o tal ambiente criado e instalado existe indesmentivelmente e com ares de durabilidade, possa tutelar a pasta por muito mais tempo. Urge a sua substituição, como aliás dos dois Secretários de Estado também.

Não quero agora desenvolver, mas não pode ficar sem referência, que o problema da Educação não pode ser redutoramente visto como um problema dos professores e do Ministério. Mas por outro lado, achincalhar ou menorizar os professores, é não perceber que a fragilidade da sua autoridade, é a corrosão dos fundamentos e bom futuro do Estado e da Democracia. Não há Estado sem Educação, e se as ditaduras, no interesse dos seus intuitos como universalmente se comprova bem o percebem e executam, há em algumas Democracias, como na nossa, alguma dificuldade de enquanto sociedade percebermos a plenitude do que essa importância significa e obriga.
A autoridade do professor, se bem que necessariamente reconhecida e delegada pela sociedade no seu global, deve em primeiro lugar ser sentida e exigida pelo próprio. E isso obriga também, a que exista muito comedimento no que se faz e no que se diz, por exemplo em programas como o de ontem, mas igualmente todos os dias em qualquer lado.

O PROFESSOR é por definição, um exemplo de virtudes escolhido de entre os pares para modelo aos jovens e a toda a comunidade. Deve começar no próprio o saber vestir o fato que a responsabilidade obriga.
E só como remate, porque acho que se explica por si mesmo, se na política é pertinente a limitação de mandatos, no sindicalismo é-o ainda mais, para que os senhores dos sindicatos (sim, bem sei que também já por lá andei) quando falam, saibam do que falam, e o façam com sabedoria e uma certa "pureza".
- Está escrito. -

domingo, fevereiro 24, 2008

escada rolante

Ao domingo de manhã, ainda para mais pouco convidativo a sair de casa, aproveita-se para algum trabalho e quando o almoço já chama, acaba-se por espreitar antes de desligar, qual voyeurismo chantilly (aquilo que é dispensável e nocivo) o que corre na blogolândia nabantina.
De todas as parvoíces que se escrevem por aí nos blogues, especialmente por anónimos, por vezes se escreve também uma ou outra coisa pertinente, e julgo ter sido no Condado do Flecheiro que estava este apontamento jocoso acerca do facto de termos finalmente em Tomar uma escada rolante.

Este é um pormenor que não é assim tão insignificante, e deve ficar como reflexão para todos, em especial aqueles que negam ou tentam contrariar o facto que Tomar está efectivamente há muito tempo em regressão, a caminho do embrionário estado de aldeia.
Tomar que foi das primeira cidades do país a ter iluminação pública eléctrica, a ter piscinas municipais (as antigas), das primeiras no país a ter um centro comercial, a ter um monumento património mundial, o único do distrito a ter uma equipa na primeira divisão de futebol, que tinha um desenvolvimento industrial e comercial ímpar na região, com um nível de serviços que fazia sombra a muitas capitais de distrito incluindo a nossa, com actividades culturais a rodos, etecétera, etecétera, etecétera; vê em 2008 chegar a sua primeira escada rolante!

Lembro-me de em 99/2000, quando leccionei em Salvaterra de Magos, uma colega que era da terra, confidenciar na sala de professores animadíssima que tinha acabado de comprar casa no primeiro prédio com elevador, pensar algo como: - Bom! A que distância está esta terra do resto do mundo...

Ora, agora em relação a Tomar... talvez seja melhor não pensar nada ou pensar no cozido que já deve fumegar na mesa... mas diz alguma coisa do nosso progresso não? E de como continuamos na vanguarda e na liderança da região a muitos níveis…

assim, começa mal

"Na outra margem do rio, entre a casa mortuária e o edifício da Portugal Telecom, foram também cortadas “seis a sete” árvores de grande porte. As espécies, com mais de 30 anos, estavam plantadas onde irá ser erigida a futura rotunda do acesso norte à nova ponte.
O presidente da autarquia garantiu no entanto que as outras árvores vão ser colocadas em redor da futura rotunda. “Vamos comprar árvores com o maior tamanho que houver no mercado”, disse, adiantando que os arranjos exteriores nessa zona irão contemplar a plantação de meia centena de novas árvores. “Por cada árvore abatida iremos plantar cinco novas”."
n' O Mirante

O abate de árvores de grande porte numa cidade, normalmente e por isso mesmo bastante antigas, é algo sempre pertubador no sentido em que altera fortemente a paisagem ao qual nos habituaramos ou sempre havíamos conhecido. O que me chamou mais a atenção para esta notícia no entanto, não foi tanto o abate das árvores em si, mas o tipo de resposta do agora presidente Corvêlo.
Não sei porquê, mas é um tipo de discurso que normalmente não tem muito futuro. Estou no entanto disposto a admitir que possa ser fruto de alguma insegurança inicial e um certo nervoso miudinho.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

conselhos úteis

Uma das centenas que me enviam para o e-mail. Sim, já só me faltam abrir pouco mais de 900...

Profs....a culpa é deles!

Texto pertinente, como é costume, de Ricardo Araújo Pereira publicado há um par de semanas na revista Visão

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.
É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com
esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.
Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.
Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.
Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Faz sol no meu país

Epá !, parem tudo, parem tudo!
Largem o que estão a fazer, estejam onde estiverem, (quer dizer, a maior parte a esta hora está a dormir, mas vá, é uma forma de dizer a coisa com o seu quê de piada) corram já porque afigura-se uma enchente capaz de esgotar bilhetes mais rápido que a Madonna no Japão (ou assim como assim, outra coisa qualquer...)
Bom, do que é que eu estou a falar?
Pois a autarquia de Tomar apresenta como grande figura de cartaz do Mês da Juventude (sim, "mês" é uma questão de nome...) nada menos que... o grande José Cid!

Sim, a grande esforço a autarquia lá consegue trazer este ídolo maior dos jovens portugueses. Eu bem vejo como são os meus alunos - ele são poster's, ele são t-shirt´s, ele são cd's autografados e tatuagens do Cid em tudo o que é partes do corpo. Imagino mesmo já a loucura que a este momento não correrá pelas hostes adolescentes do nosso concelho e as romarias que se estão a formar nos concelhos vizinhos. No politécnico então, deduzo que já nem haja aulas porque todos, especialmente elas, estão já na fila para o bilhete do grande autor do "macaco gosta de banana"...

OK. Agora a sério, eu, e presumo que os menos jovens que eu, até gostamos do senhor e da sua "cabana", especialmente quando "cai neve em Nova Iorque", mas daí a fazer dele a grande aposta para o tal "mês" da juventude...
Quer dizer, eu percebo a questão económica de comprar em saldo, mas nesse catálogo onde se escolhem os artistas, arranjava-se algo mais coerente. Isto digo eu, que tecnicamente até já passei o prazo de jovem.
Mas pronto, eu se puder até vou ver, para ver estou é se os jovens também.

Eles por lá fazem, nós por cá...

TORRES NOVAS: MAIS DE 48 MIL PESSOAS FORAM AO TEATRO VIRGÍNIA
"Vem muita gente de Tomar assistir aos espectáculos no Teatro Virgínia", revelou uma das técnicas do Teatro Virgínia ao nosso jornal, na passada quarta-feira, dia 6, minutos antes de ter início uma conferência de imprensa para apresentação e assinatura dos protocolos dos Mecenas que apoiam directamente a actividade cultural deste espaço cultural da responsabilidade do Município de Torres Novas. (...)

notícia d'O Templário

Em Tomar também, às vezes conseguem juntar-se dez pessoas para ir ao cinema, na excelente utilização e forma de gestão que se emprega no nosso Cine-teatro, quase tantas como as que se conseguem pôr no palco, em outros tipos de espectáculos.

escuro como breu

7:12 da manhã, de portátil ao colo no comboio a caminho da capital (sim, agora de vez em quando, e quando o trabalho o pede, carrego o "animal" comigo) apeteceu-me comentar esta veia economizadora e ambientalista que se vive em Tomar.
Sim, entrei para o comboio há poucos minutos, e não só chove a potes, como as únicas luzes são as das parcas montras e as dos faróis que apressados atravessam o dilúvio. Não vi, de casa até à estação, uma única luz pública acesa, à excepção das que delimitam o campo relvado em frente ao pavilhão da Jácome Ratton, até porque essas fazem muita falta...

É como a iluminação da ponte pedonal do flecheiro e da provisória subida para junto à igreja de Santa Maria, não só bastasse o percurso atribulado, a única luz que há meses por ali se vê para quem atravesse de manhãzinha ou à noite, é o que sobra dos holofotes dos estaleiros da obra.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

a última ceia

O blogue tomarense Os Cavaleiros Guardiões de Santa Maria do Olival, publica no seu último post um texto relativo ao meu ídolo Leonardo Da Vinci e a sua Última Ceia, o famoso fresco do refeitório do convento de Santa Maria delle Grazie, que tive o privilégio de apreciar há duas semanas em Milão, e da qual infelizmente não tenho imagens, que os senhores lá tem mais estima por aquela parede, que os do Louvre por todos quadros.

Piadas à parte, aquele fresco está envolto em grandes dúvidas e intrigantes interpretações, tornadas mediáticas mais recentemente pelo fenómeno O Código Da Vinci, e que agora não tenho vontade de desenvolver, deixando apenas esta: se já não tinha grandes dúvidas pelas reproduções que havia visto, à contemplação directa do olhar, a colossal pintura não oferece hesitações, a figura sentada à esquerda (para o observador) de Jesus é obviamente feminina.

de Lili Caneças, todos os dias

O destaque de capa e reportagem do jornal Sexta-feira, um dos muitos gratuitos que há por Lisboa e neste caso semanal, vai para a CP e a sua frota de comboios, dos mais recentes aos mais antigos.

Aí se diz que os comboios que fazem Lisboa-Tomar, aqueles que salvo poucas excepções, utilizo diariamente, e cujas composições apesar de intervencionadas há poucos anos têm cerca de cinquenta anos, são conhecidos entre os ferroviários como "Os Lili Caneças". Isto porque, parecem novos por fora, mas são velhos por dentro.



(hoje que sobre Lisboa a neblina esconde o pôr-do-sol, temos que nos entreter com alguma coisa, enquanto a reunião marcada na escola para as 19h de mais uma sexta não começa...vá lá que a esta hora o computador da sala dos professores tem pouca procura)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Verona e sulla Amor

Verona é uma pequena cidade italiana, que poderíamos comparar a Tomar. Engraçada, com um ambiente interessante e muito bem cuidada, a cidade vive no entanto, imagine-se, à conta de uma varanda. Sim, aquela ali em cima.
É o que acontece quando se sabe aproveitar o que se tem. Para quem conhece e se lembra, Verona é a cidade que Shakespeare coloca como cenário para o seu Romeu e Julieta, e embora as personagens sejam ficcionadas, a casa dos Capuletos existe mesmo e aquela varanda, escreve o “Camões inglês”, é onde Julieta é romanticamente cortejada por Romeu, o que faz de Verona uma espécie de cidade do amor eterno. E fatal, acrescentaria eu.
Ora, se há coisa que os italianos têm, ao contrário dumas certas cidades num certo país que conheço, é "olho para o negócio" em tudo o que tem a ver com turismo, e nesta aparentemente pequena e sem outros especiais motivos de interesse, há mais exemplos.
Por exemplo, um esperto qualquer lembrou-se de começar a vender cadeados com nomes dos apaixonados casais que por ali passassem, e agora por tudo o que é sítio se encontram às dezenas, das mais variadas cores e tamanhos. Logo, imagine-se lá qual é o objecto turístico mais vendido nesta cidade?




quinta-feira, fevereiro 07, 2008

algures em veneza

Ma, anche con un dolce dolore, sempre di ritorno verso il luogo dove mi appartengono.



quinta-feira, janeiro 31, 2008

carnaval, entrudo, mascarada, folia, folguedo

Pois é, o tempo corre, e eis que somos já chegados àquela época parva em que o já delicado trabalho do professor está mais estorvado, pela zona de guerra em que ficam as escolas transfiguradas, por mais que se proíba toda a espécie de carnavalescas traquinices.

Mas, enfim, quando nos voltamos para a sociedade, de certa forma o carnaval é apenas a caricatura condensada do resto do ano…
E com tanta pena minha, logo este ano que o Carnaval regressa à nabantina urbe, não estarei cá para contemplar tamanhas singularidades... que fazer? Todos temos que admitir doces sacrifícios de quando em vez, e lá terei por isso que embarcar algures a dar conta de outros entrudos.
Como não devo voltar ao computador, ou pelo menos a este espaço, antes da dita efeméride, e enquanto o órfão ‘algures’ marina um pouco mais, cá permanece o desejo para aqueles que ao longo de todo o ano nunca usam dessa arte do disfarce mostrando-se sempre de cara lavada, que aproveitem agora os dias da chamada folia, para trajar de preclaras e desconcertantes máscaras, e que, se outro pretexto não tiverem para se mostrarem felizes, que usem esta desculpa que desde as raízes do tempo tem servido.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

stand by

Sim, ainda ando por cá, mas o tempo (sim, sim... e a vontade!) não tem dado para 'bloguices', e se tanto haveria para comentar...
... mas também, se calhar por vezes é bom seguir aquela filosofia já mítica, proferida por um candidato socialista a uma junta de freguesia nas últimas autárquicas: Se queres que te entendam melhor, mantem-te calado.

De maneira que enquanto o algures vai estando em stand by, aqui deixo, e correndo o risco d'O Templário me apelidar de atrevido outra vez :), umas linhas escritas aí há uma década atrás, quando a minha vida sem política, até me dava para a poesia...


Beijos regados

Depois de saber que é um pouco meu o teu cheiro
depois de saber que no mais profundo de ti
corre algo que meu foi
revelei-me, fiz saltar do negro as palavras
abriu-se a luz como a rosa às carícias do sol.
De novo te encontrei, meus olhos sobre teus seios.
Agachado a teu ventre esqueci discurso exórdio
usei a língua para sentido e em salgado urdir
(conciso sem em inúteis ambages me perder)
te mostrei em hábeis toques, provas de paixão.
Como vagabundo sem rosto em noite sem lua
sou teu escravo teu instrumento
desprovido de espírito ou própria vontade.
E sinto já o avatar que em teu corpo começa
em sons suados e choques de força que expeles a tudo.
A pele da minha mão beija a tua que a sufoca
no tempo que a outra afaga e procura
radiações de calor por entre o pé e ventre teus.
No lençol e em minha boca fermenta humidade não minha.
Volume ritmo dança.
Tremor que a tudo dos corpos alcança.
Retrai-se, crispa-se o teu rosto
expande-se teu lamento doloroso em sensuais monossílabos.
E o teu cabelo e as tuas mãos e eu.
E todo o espaço aqui, e em todo o lado
ei-lo que chega, do nevoeiro o desejado
olhares que a dentro olham cerrados em prazer
e o ponto, o culminar da recta
o fim da estrada, o último raio
a última gota de chuva que cai lenta abandonada,
a língua trava, descaem-se os corpos.
Reticências pausa ecos.
Tua mão fechada tenta segurar em si as últimas águas
espelhamo-nos reconfortados
é também meu o gozo que foi teu
luzes brilham no escuro, imaginação, êxtase
lençóis suados, cinzas da fénix, o mundo renasce
o dia ou a madrugada, e por nós foi encontrado
um relance mais, um seguro traço de felicidade.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

O mundo. Ou uma miúda parte da parte que avisto

Pois é, 2007 lá se foi e 2008 chegou de mansinho com os habituais aumentos de preços e os costumeiros prognósticos de vida melhor, dizem uns, pior dizem outros, e isso já se sabe, é apenas igual a todos os anos.
Janeiro é aquele mês que cheira a chuva e a frio, e a tormentos auto-infligidos por compensação a todos os excessos cometidos em Dezembro. O mundo enfim, segue com “dranquilidade”, ou seja, o Sporting parece que acabou de perder no Bonfim. Aliás, futebol bom bom, mas mesmo do bom, é na Liga dos Últimos na RTP-N, a incontestável prova que até na comédia, a realidade é muitas vezes melhor que a ficção.

Nos EUA Obama ganhou o primeiro round para os Democratas, Hillary o segundo. Eu prefiro Obama, parece-me mais sincero, mais capaz de algo novo, pois por muito que uma mulher Presidente do país mais poderoso do mundo fosse interessante, a senhora Clinton ao contrário do marido, parece-me demasiado uma produção american style.

Por cá, a comunicação social entretém-nos com o pequeno frisson de contestação contra o inevitável, a restrição ao tabaco; com o referendo que alguns pedem mas que em verdade a ninguém interessa, até porque o resultado seria mais evidente que os dotes de actriz da Soraia Chaves; e a expectativa em relação ao campeonato que este ano importa, ganha Ota ou Alcochete?

Já eu, cá vou andado neste lufa-lufa de casa-comboio-metro-chiado-escola, escola-chiado-metro-comboio-casa, sendo que casa para mim é um conceito vasto que se objectiva numa palavra: Tomar. Aí, aqui, outras tarefas me competem, mas sobre essas por norma aqui não falo muito. Também para quê, se os anónimos de outros blogues cá do sítio já dizem saber tudo?

Por falar em escola, aquela onde lecciono numa encosta do eclético Chiado, completou hoje 97 anos sobre a primeira aula que aí se deu. Uma idade provecta que me faz pensar por um lado na perenidade da vida, por outro na sua incontornável finitude. Que o termo dela venha longe para todos é o que se ambiciona, e se não puder ser para todos que seja pelo menos para Alberto João que para mim sempre foi o rei da comédia, e eu adoro rir. Nem sei porque a TVI não o convidou já para um reality show, agora que os 'gatos' vão para a SIC não tenho dúvidas que seria a melhor arma para as audiências.

Entretanto por terras de Iria e Gualdim, a par ainda com as reacções à mais que (mais que quase todos, pelo próprio) desejada partida de Paiva, uma das grandes notícias da semana que passou, a julgar pela capa do 'Cidade' foi a domesticação de um javali… o que prova a tese de alguém que afirmou que a pior pobreza, é a de espírito. Ou seja, nada de especialmente novo aqui pelas margens do Nabão.
Mas calma, 2008 é ainda pouco mais que uma erva daninha, ansiemos pelo jardim de singulares novidades que nos trará.
Pois, hoje ‘tou pouco inspirado para as metáforas, é o que faz ter a televisão ligada há algumas três horas o que para mim é muito tempo e adormece a inteligência. Melhores noites virão...

domingo, janeiro 06, 2008

blogues

Neste início de ano, aqui ficam os links para alguns blogues interessantes, alguns deles quase a estrear. Boa e continuada escrita é o que se deseja.

Os nabantinos:
Misurato - da futura musicóloga Sofia Lopes

O Canto do Sax - do saxofonista Bruno Homem

Jorge Franco - deputado municipal

UGAJODIZ - do professor Rui Lopes

Tomar Urbe - interessante espaço nascido de um grupo de alunos de 12º ano da ES Jácome Ratton em "Área de Projecto" e para o concurso "Cidades Criativas"

Nabantia - sobre Tomar, de "um curioso cuja identidade não interessa"

Os Cavaleiros Guardiões de Sta. Maria do Olival - sobre os Templários, Tomar e afins

algures por aí:
De Cabeça - de Évora, do professor e ex colega de "juventudes", Manuel Cabeça

Histórias do Mundo - de um casal de professores que tirou um ano de licença sem vencimento para fazer um dos meus sonhos, de mochila às costas dar a volta ao ano. (o que muito faria felizes alguns comentadores deste e d'outros blogues...;)

publicidade cultural

Primeira apresentação do Duo Sellium dia 11 de Janeiro no bar Fábrica de Braço de Prata, Lisboa (Poço do Bispo). Informações em http://www.bracodeprata.org./

"Café com Piazzolla e música D'aujourd'hui

Duo Sellium é um agrupamento de guitarra e saxofone, com o intuito de divulgar obras para este invulgar agrupamento. Tendo a guitarra atingido a sua forma actual no século XX, com António Torres, tal como o saxofone por Adolphe Sax, as obras para este agrupamento são extremamente recentes e ainda escassas quando comparadas a instrumentos como o piano e violino.
Desta forma, propomos um concerto onde serão estreadas, ao nível nacional, diversas obras modernas e onde se poderão ouvir transcrições de obras compostas originalmente para outros instrumentos, adaptadas para este duo. Duo Sellium interpreta músicas cujas origens vão desde a América do Norte, à América do Sul até à Europa, com influências do rock ao jazz, passando pelo tango e o choro brasileiro.
Guitarra: Duarte Lamas Saxofone: Bruno Homem
O concerto será às 23H. Preço por entrada é de 5 euros.
Apareçam"

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Comecem por onde começarem, que 2008 seja um grande ano para todos, repleto de sucessos e realizações, com amor e saúde junto dos que nos completam.
Feliz Ano Novo

curtas dos jornais

Esta rubrica que por vezes aqui coloco, refere-se desta vez apenas a conteúdo d’O Templário.

Grande destaque a um grande homem, uma grande personalidade da nossa comunidade, uma referência pela distinção, pela preocupação social, pela forma como está na vida: Luís Bonet.
Ex-presidente de câmara logo após o 25 de Abril, entrevistado no momento em que após 22 anos deixa a presidência do CIRE, instituição diga-se, onde apesar da dimensão e da necessária disponibilidade e grande entrega dos seus dirigentes, isso se faz ainda, ao contrário duma moda que quer pegar, como total voluntarismo. Também aí se vê a marca dos Homens e dos homens.

A propósito do "aumento de salário" dos 0 para os 1500€ do Provedor da Misericórdia de Tomar instituição onde segundo se ouve pela cidade, se respira "democracia", leia-se outro artigo de opinião, cujo autor de memória, e não tenho agora o jornal comigo, não me recordo.

Sobre as questões sociais, obviamente que é de aplaudir a reportagem sobre as condições de vida que alguns tomarenses enfrentam, e que, ao contrário do que aconteceria numa autarquia com essas preocupações, não recebem apoio ou forma de alterar essa situação, por parte de quem de direito.

Pertinente... muito pertinente o artigo de Nuno Marta, sobre a descaracterização dita requalificação do Mouchão parque, ou ilha do Mouchão como preferimos chamar-lhe. Pertinente ainda mais porque vem de um especialista possuidor ainda do necessário olhar crítico da política. As dúvidas que coloca sobre a substituição de algumas árvores, sobre o desaparecimento do canal de rega estilo árabe, ou sobre os custos de manutenção provocados pelas alterações são, entre outras, sem dúvida observações a ter em conta. a ler.

O artigo de Carlos Carvalheiro merece sempre também uma leitura, se mais não for, para respirarmos um pouco de boa disposição.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Espírito natalício


Ora diz que é natal. Por mim, não posso dizer que seja particularmente aficionado desta festarola feita grande. É verdade que tem aqueles momentos sadios em que a família se junta algures perto duma lareira, a engordar uns quilos com um amontoado de coisas que fazem muito mal a muita coisa. Mas tudo o resto... enfim, era dispensável. Hoje finalmente fiz as aquisições da época, e se não fosse no último dia não teria piada costumo dizer, mas também não teria conseguido fazê-lo antes. Entre estas têm destaque as costumeiras prendas, um dos aspectos a que tenho alguma aversão, não fosse dificilmente me serem aprazíveis realidades impostas. As prendas deviam ser como se diz do natal, oferecidas quando bem entendêssemos, e não seleccionadas de prateleiras de hipermercado devidamente abarrotadas e separadas consoante a bolsa dos clientes.

Finalmente aqui sentado perto da tal lareira na minha casa de campo, que é como quem diz a casa dos meus pais, enquanto as minhas avós se deliciam com o Fernando Mendes a dizer disparates na televisão, e o resto da família vai chegando, e depois de deglutidos já uns sonhos e umas filhoses entre outras iguarias, tenho então tempo para no portátil quase a estrear navegar por aqui um pouco.
Já não tenho paciência para ler mais sms, nem tive ainda tempo e vontade para enviar nenhum; na televisão extravasam programas e anúncios de beneficência a favor não sei de quem; e toda a época tresanda a hipocrisia, desperdício, pedantice e vaidade, valores afinal, muito diferentes dos que pretensamente propala a cristandade. Até “a iluminação de natal é um exemplo”.
Enfim, tentemos abstrairmo-nos de tudo isso, e aproveitar apenas as coisas boas e íntegras, até porque o peru entretanto chegou à mesa, e está tudo com ar esfomeado a olhar par o maluco que está agarrado ao portátil. Fiquem bem, gozem muito, e se mais não for, que da vida se leva o que cá se aproveitou, ao menos que haja tempo para

BOAS FESTAS…


a frase do ano

"Assim como deixou marca o General Fernando Oliveira, António Paiva deixa marca em Tomar"
Vitor Gil, deputado do PSD na Assembleia Municipal de 21 de Dezembro


Bom, a frase não precisa de mais comentários, quem sou eu para pôr em causa a comparação do nosso ainda presidente, com essa destacada figura do regime de Salazar? Mas não deixo de me questionar, que tipo de marcas serão essas, serão como aquelas que ficam se nos coçarmos muito enquanto temos varicela? Ou sarampo, ou papeira... ou sei lá, que as marcas são tantas que devem chegar para as doenças todas...

terça-feira, dezembro 18, 2007

O romance do Virgílio


Não é só porque é meu amigo ou camarada, mas o primeiro romance do nabantino Virgílio Saraiva vale de facto a leitura.
Apresentado há pouco mais de uma semana na Bertrand do Picoas Plaza em Lisboa, li-o de uma assentada algures na semana que passou. Não que a escrita do Virgílio fosse uma novidade, da poesia aos contos, a textos de outras índoles, há muito que me habituei à sua escrita apelativa, sentida e combatente, mas um romance é sempre um romance.
Ora esse romance não só não desapontou como agradou realmente. Não só porque a Simone da sua história é da minha idade sendo por isso reflexo da mesma geração, mas também porque o fugido ao ultramar Amílcar, partilha muito dos meus pensamentos, do olhar sobre o mundo, da incompreensão dos outros, e do mesmo humor perante aquilo que os outros dele acham ou tentam dizer.
Porque chamar "A onze de Setembro" a um livro que fala e acontece em Portugal? Bom, isso só para os leitores, assim não percam no próximo dia 22 a sessão de autógrafos na "Lojinha da Avó", até porque ainda é tempo de ser uma boa prenda para este Natal.

domingo, dezembro 16, 2007

Ossos Mudos

(artigo publicado no Cidade de Tomar de 14 de Dezembro)
“O passado é a única realidade humana. Tudo o que é já foi.”
Anatole France


Há verdades inegáveis e por todos conhecidas. Que quando em Tomar se faz um buraco qualquer coisa do passado aparece é uma dessas verdades. Numa cidade com a sua importância e dinamismo ao longo da história não é novidade, nem poderia sê-lo, pois com a especial predilecção para que por cá se façam buracos, disso somos repetidamente lembrados.
Esqueletos dos que por cá viveram, restos de casas onde moraram, muros, utensílios que usaram, pequenas relíquias que os adornaram, ou mesmo as riquezas que acumularam, tudo vai aqui e ali aparecendo à luz novamente, mesmo que por vezes por curto tempo, como que para um fôlego breve, antes de novo enterro.
Ora, o que me choca em primeiro lugar, é que há ainda quem ache que estes achados são apenas empecilhos às obras e ao bom decurso destas, e que melhor mesmo era ignorar e destruir tudo o que aparecesse, antes que os chatos arqueólogos dessem por isso, (e todos sabemos que às vezes…)
Mas, não prepara o futuro quem ignora o seu passado, ou, “conta-me o teu passado e saberei o teu futuro”, como diria o sábio Confúcio; e realmente o futuro de Tomar, se não for já o seu presente, vai indicando ser muito menos risonho que o que já que foi.
Além dessa mentalidade obsoleta, que como em tantas outras matérias demora a mudar, a outra questão a isto relacionada é a que me assalta com mais premência: o que acontece afinal com todos estes achados, ou seja, aqueles que são passíveis de retirar dos locais onde são encontrados, as fotos que se tiram nos locais, os mapas que do arcaico se constroem, assim como o que estas descobertas vão completando no puzzle da nossa história e do nosso passado?
Numa cidade que diz ser de cultura, com um importante lugar na história nacional e mesmo com alguns grandemente ignorados contributos para a construção do mundo contemporâneo e um passado imensamente rico, porque não temos ainda um local onde seja possível ter contacto com essa história, onde os cidadãos tomarenses pudessem conhecer mais sobre si mesmos, onde as crianças pudessem aprender, e que pudesse igualmente ser mais uma oferta turístico/cultural?
Não teremos capacidade para isso? Não teremos dimensão? Não teremos qualidade?
Essa incapacidade está bem demonstrada no fórum romano por detrás dos bombeiros.
Ali nasceu há séculos uma cidade, aquele era o seu centro, o coração dum lugar no mundo que haveria de contribuir para que outros mundos esse mundo tivesse; e no entanto, para a maioria de nós, não passa dum monte de pedras meio enterradas e escondidas por entre ervas vadias.
Esse local, há tantos anos à espera de resolução, falado de quando em vez, mas em verdade esquecido a maior parte do tempo, é o melhor lugar, a exemplo do que acontece noutras urbes, para instalar essa espécie de museu arqueológico e da história de Tomar e seu concelho. Nada extraordinário, há soluções arquitectónicas já várias vezes utilizadas noutros locais que permitiriam manter visível e preservados os “achados” do fórum, e acima dele ter instalações que pudessem acolher os vestígios da nossa história. Também aqui não é preciso inventar nada, basta, com bom senso e vontade, seguir os bons exemplos.
Nestes três mandatos do PSD na câmara de Tomar nunca houve qualquer mostra credível de intenção de resolver o assunto, como aliás acontece com toda a política cultural, e mesmo com a verdadeira promoção turística.
Talvez seja fácil de perceber porquê, aparentemente estes temas, por muito que necessários, não dão votos. Rotundas e passadeiras, aparentemente dão, a ilusão das obras parece que também. Por muito que de forma geral todos as critiquem.
Hoje, cada vez mais, a política e a gestão autárquica passa pela “construção” de cidadãos no mais puro do termo, ou seja, com pleno conhecimento, exercício, e respeito pela Cidadania; e pela edificação de cidades, naquilo que são sinergias, motivações, orientações, projectos de futuro para espaços sustentáveis e responsavelmente planeados, onde essa cidadania plena seja, senão já uma realidade, um caminho que se perspectiva.
Essa é a visão e o arrojo dos políticos capazes, que sabem criar e respeitar prioridades e olhar não para o imediato mas para o que projecta no futuro. Hoje, e para quem dê atenção à história sempre foi, à luz de cada época, o cunho duma política com maturidade.
Mas, tal como no desenvolvimento individual do ser humano passamos da fase das operações concretas na infância, para a das abstractas na adolescência, assim é também na política, e a autarquia de Tomar não deixou ainda a fase dos “legos”. Só o concreto e imediato da “política do betão” é prioridade. E mesmo aí, muitas vezes, mal.
É por isso que intitulei este texto com uma mentira, em verdade não penso que os ossos que vamos descobrindo sejam mudos, acredito sim que nós é que nos mostramos surdos para ouvir o que têm para nos ensinar; ou então, paradoxalmente, porque não sabemos perspectivar o futuro, dizem-nos que somos a prova de razão das palavras do escritor Anatole – só o passado vale alguma coisa para Tomar, tudo o resto…

domingo, dezembro 09, 2007

Diz que é uma espécie de jornalismo

De há umas semanas para cá temos vindo a assistir ao regresso do "não jornalismo" tomarense ao seu "melhor" nível. O Cidade de Tomar brinda-nos esta semana com mais umas lições sobre o assunto.
Não é sequer a esta pergunta de refinada subtileza - "Vereador paga agora factura de mau resultado eleitoral?" - colocada na primeira página e novamente no título da página 3 a que me refiro, por muito que alguns conceitos de ética ou de equidade levem a perguntar quando alguma vez se viu interrogação carregada de tanta malícia colocada sobre o PSD local ou outros protagonistas.
Não, o que ainda assim é mais perturbante é que se faça passar por jornalismo tudo o que escreve na página três. Ficamos na dúvida, são aquilo notícias? Não aparentam ser, mas como ninguém assina não parece ser um artigo de opinião. Logo, é suposto entendermos aquilo como notícia. Talvez no Cidade não se saiba bem a diferença entre relatar um acontecimento e comentá-lo.

A que propósito a comparação com o caso Luísa Mesquita? Há alguma semelhança? Talvez para um cidadão pouco informado, mas para um jornalista por muito medíocre que fosse não deveriam existir.
E qual a pertinência de presunções à volta de “facturas eleitorais” volvidos mais de dois anos sobre as eleições? É algo objectivamente estranho, ou não tivessem vindo da parte de jornalistas, desde o exacto dia das eleições, a pressão e as conjecturas sobre quando deixaria o lugar o vereador socialista. E surge a clássica questão: o jornalista é espectador ou actor da notícia?
Acreditei que com a nomeação de Ana Felício para a chefia da redacção, jovem e jornalista de formação, o rumo do jornal ganhasse algum equilíbrio e porque não dizê-lo, um vinco de maior rigor e competência – ingenuidade minha, ou a auto ilusão dos que em algo querem acreditar.

Qualquer tomarense com dois dedos de testa sabe e diz, e eu já o disse muitas vezes, que a comunicação social nabantina nunca primou pela imparcialidade, mas há limites de bom senso e razoabilidade. No Cidade de Tomar parece que não se conhecem esses limites.

Mas são precisos mais exemplos? Não seja por isso que eles não faltam nesta edição e não os enunciarei todos, mas olhemos para a página 2 e veja-se a grande parangona: “IRS do concelho de Tomar é o maior”.
E o leitor mais avisado perguntará: e isso é relevante para quê? Ora, relevante porque parece confirmar a teoria que o senhor Presidente da Câmara explana (mais uma vez) na página 13: “a qualidade de vida demonstrada é acima da média, agora mais uma vez comprovada pelos números desta vez pelo IRS.”
Uma simples leitura inteligente à tabela que o jornal apresenta bastará para pôr essa conjectura por terra, mas às teorias de António Paiva voltarei se a vontade o mandar, agora centro-me no jornal.
É estranho, com a relevância que PS e IRS assumem nesta edição do jornal, que não exista qualquer referência à proposta apresentada em reunião de câmara pelo PS, sobre a redução de IRS no concelho, quando no entanto houve espaço para as propostas dos “independentes”.
(O que me lembra de agradecer aos mesmos, por mais uma vez fazerem o reforço das propostas do PS, desta vez na proposta de medalha para a Ana Rente. Lembro que o PS por minha mão, já em Fevereiro havia proposto que a Câmara homenageasse personalidades ou instituições de mérito, e Ana Rente foi um dos exemplos mencionados. Mas apresentaram e bem, porque as ideias quando se tornam públicas são de todos.)

Enfim, quanto ao jornal não quero alongar-me mais hoje. Pessoalmente já várias vezes fui atacado ou mesmo prejudicado por uma espécie de notícias, e na maioria das vezes deixei o assunto morrer. Não sou eu contudo, ou pelo menos apenas, que estou agora em causa. Por muito que goste das pessoas, e ainda que perceba a dificuldade de quem tem contas ou “contas” para pagar, não posso esquecer que algumas responsabilidades sobre mim pesam, e que por isso terei como muitos me pedem, de passar a ter um relacionamento e uma atitude diferente para com certo tipo de “jornalismo”.

Não podia contudo terminar sem um pouco de exercício cívico, se mais não for para esclarecimento do jornal e de quem escreveu as “notícias” da página 3.
Sobre a suspensão e demais bulício da reunião de câmara de dia 30, sobre a qual aliás o PS lançou comunicado, diz o jornal, na tal linguagem que nada tem a ver com o relato duma notícia, que “Ficou a dúvida se o PS conhecia a legislação” pois “o vereador Becerra Vitorino tinha de ser convocado com 48 horas de antecedência”. Mas não, o que o PS de Tomar não conhece é autarquias onde situações básicas da Democracia sejam tratadas desta forma (mesmo a Assembleia Municipal de Tomar tem procedimento diferente) e não gostaríamos de conhecer jornais onde questões de governo autárquico e respeito pela pluralidade partidária fossem tratadas com esta leviandade.

Mas não quero dar lições, por isso e para que cada um possa ler, aqui fica a ligação para a Lei nº 169/99, que estabelece o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e das freguesias, e a transcrição do que interessa para o caso, ou seja, o ponto 4 do artigo 76º que aqui transcrevo, e para o qual remete o ponto 7 do 77º (suspensão de mandato e convocação do membro substituto):

"4 - A convocação do membro substituto compete à entidade referida no nº 2 e tem lugar no período que medeia entre a comunicação da renúncia e a primeira reunião que a seguir se realizar, salvo se a entrega do documento de renúncia coincidir com o acto de instalação ou reunião do órgão e estiver presente o respectivo substituto, situação em que, após a verificação da sua identidade e legitimidade, a substituição se opera de imediato, se o substituto a não recusar por escrito de acordo com o nº 2."

Obviamente não foram dúvidas de legalidade de que aqui se tratou, mas de má-fé política. Assim como terei de começar a aceitar que não é por ingenuidade ou incompetência que algumas coisas se escrevem.
Se escrevem, se confundem, ou se omitem.

Más notícias

"Presidente de Tomar quer concentrar população na cidade" (mirante online)
provando afinal, de que aquilo que durante anos o PS de Tomar o acusou era absoluta verdade.

"Paiva "Escandalizado" com Empréstimo para Lisboa" (otemplário online)
É um disparate tão grande esta demagogia de Paiva que a citação do título basta para comentar.

"Pagam para entrar na rua onde moram" (blogue otemplário)
Claro que a culpa não é nem poderia ser da Câmara e de quem a governa...

Boas notícas

"Cartão Jovem Municipal em Abrantes" (mirante online)

"Posto "Empresa na Hora" em Abrantes" (mirante online)

"Empresa promete 800 postos de trabalho em Azambuja" (mirante online)

"Câmara Municipal de Torres Novas deliberou(...) definir a participação variável do IRS para 2009, que corresponde aos municípios, em 4 por cento (...) sendo os munícipes poupados em 1 por cento"
"empresas com lucros tributáveis abaixo dos 150 mil Euros, (...) ficarão isentas de taxas" (jornal torrejano)

"Passagem de ano no centro histórico de Santarém" (mirante online)

Pergunta de um miúdo de dez anos a tudo isto: e Tomar?
Pergunta ingénua: e o jornais de Tomar falam disso? Comparam Tomar com o que está à volta?

sexta-feira, novembro 30, 2007

greve

Aqui na sala de professores, enquanto faço uma pausa nalguns afazeres que se aproveitam para pôr em dia nestes dias sem alunos (sim, na minha escola hoje não há aulas por insuficiência de auxiliares), aproveito estes cinco minutos em que um dos computadores vagou para dar uma volta pelas notícias e vir até aqui algures.
Se por um lado me apetecia dizer qualquer coisa, criticar qualquer coisa, sugerir qualquer coisa, a verdade é que não me ocorre nada verdadeiramente interessante.
O meu cérebro está em greve, provavelmente invejoso do sol que de lá fora entra aqui pelas janelas que se debruçam sobre parte de Lisboa até ao Tejo, e dos que por aí andam a aproveitar este dia radioso, quiçá em fim-se-semana prolongado.
E porque em Tomar que está perto e tão longe estava o mesmo dia de sol, e porque provavelmente hoje quando chegar, já será amanhã, e será Dezembro.

domingo, novembro 25, 2007

a não notícia

O jornal Cidade de Tomar ensina-os esta semana o que é uma não notícia e o que não deve ser o jornalismo.
Essa não notícia intitulada "Presídio Militar de Tomar pode fechar antes do fim do ano?" , com um intrigante ponto de interrogação, tem uma chamada de primeira página e um pequeno desenvolvimento na segunda.
Aí, com base em notícias paralelas de outros orgãos de informação, cria-se uma especulação totalmente infundada, que até poderia ser confundida com uma graçola, se a mesma não tivesse a tal chamada de primeira página.

Jornalismo com rigor deve ter atenção a pequenos pormenores que se podem tornar grandes incidentes.
Sei que erros podem acontecer, e sei igualmente que o Cidade de Tomar faz o favor de publicar algumas das coisas que escrevo; mas o comentário, por muito que por vezes me "esqueça" de outros, tinha de ser feito.

A Tasca do Cidadão

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 23 de Outubro

Caros concidadãos, gostaria hoje de fazer aqui um público reconhecimento do meu desconhecimento e forte insipiência política. Não sei se por ser mais ou menos jovem, não sei se por ser presidente da concelhia de um partido político, mas honesto será dizer, que já vinha julgando pouco poder ser surpreendido com algumas das coisas que se fazem em política. Tomar é, no entanto, uma escola sublime, e queria aqui humildemente agradecer ao PSD que na câmara vai fazendo um esforço de quando em vez ter tempo para nos governar, por mais esta importante lição, oferecida na última reunião de câmara de Outubro.
Vinha eu pensando, mas será culpa minha certamente, que o primeiro grande objectivo de um político, em especial dos que exercem cargos públicos como aqueles que compõem uma câmara municipal, fosse exactamente o de servir os cidadãos, procurando os melhores projectos e os preferíveis instrumentos de resolver os seus problemas e agilizar a sua vida. Mas que tontearia a minha, desculpai-me estas imaturidades de ser novo, certamente que não passa nem perto disso!

Há meses, que estes chatos do PS em Tomar, aborrecem inoportunamente a câmara para que inicie os procedimentos afim de poder vir a ser instalada no concelho uma Loja do Cidadão, e afinal a câmara PSD vem demonstrar e certamente bem, com o chumbo da proposta, que Tomar não precisa disso. E em verdade, reconheçamos, têm razão! Para quê afinal, para perdemos o prazer de correr sei lá quantos serviços e nos contentarmos em fazer tudo num só sítio?
Como sou inexperiente! Se me perguntassem há umas semanas, eu diria seguro que votar contra a instalação de uma Loja do Cidadão era algo que não lembraria ao pior dos políticos. Como estava enganado. Como se agora, aquilo que facilita a vida às pessoas fosse o melhor para elas! Como pude acreditar em tais fantasias!?
Ora pois, até que está bem vista a perspectiva da câmara de Tomar, pois se podemos passear para resolver um assunto, para que havíamos nós de o resolver à porta de casa? Claro, é sempre melhor ir a Lisboa, a Santarém. E mais, deixemo-nos de hipocrisias, se Ferreira do Zêzere teve uma coisa primeiro que nós, é por que aquilo não pode ser bom! Além disso, quem é que disse que ter o Bilhete de Identidade no próprio dia em que se pede é positivo? Então e aquele gostinho bom da espera, até nos faz apreciá-lo mais quando chega, e esse é um prazer que não nos podem tirar. E então as comparticipações da ADSE, já viram se em vez dos três meses chegasse ao fim de uma semana? Isso é que era estragar dinheiro!
E depois, demasiadas facilidades fazem mal às pessoas, já viram se agora de cada vez que se perde a carteira, só precisássemos de ir a um sítio para tratar de todos os cartões? Vai que se podia dar o caso das pessoas deixarem de lhe dar valor e perderem carteiras a torto e a direito!
Ou, porque é que eu haveria de poder mudar a pilha da Via Verde do meu carro aqui, se Tomar nem tem nenhuma auto-estrada? É que indo ao Carregado sempre posso fazer umas compras.
Bom, isto e uma série de outros serviços que, convenhamos, ficavam ali todos à mão de semear, o que poderia criar graves problemas sociais. Sim, pensemos nas multidões de desocupados que estaríamos a promover, ou pior, vai que essa malta deixava de faltar ao trabalho para tratar desses assuntos? Ufa, o gasto em subsídios de refeição que se deixavam de poupar!...

E, ficamos ainda a perceber que o fundamento principal dessa decisão, para além desta moralização social, são os eventuais custos da instalação dessa mordomia, e muito bem, conservai-nos esta câmara por muito tempo, que há que saber ter prioridades – tanta boa obrinha que tem sido feita, ia-se lá agora gastar dinheiro com uma inutilidade dessas!
Certo, é verdade, instalar uma dessas lojas não custa mundos e fundos, mas cada cêntimo conta e é importante interiorizarmos que temos afinal, uma câmara que faz uma gestão que todos reconhecemos ser de grande rigor económico-financeiro.
Na vida como na política, tudo é uma questão de opções e prioridades, e alguém pode comparar essa idiotice de ir ali assim a um sítio, para numa hora ou duas tratar dos documentos todos, quando podemos andar às voltas em lombas e rotundas a fazer o rali dos serviços públicos?! E querem ver que agora para termos essa lojeca tínhamos que prescindir de ter por aí mais umas lombazitas?
É que estes trocos que se iam gastar podem muito bem servir, sei lá, para pôr mais uns holofotes na cibernética, ou abrir fechar abrir fechar abrir fechar aí mais dois ou três buracos. Já para não dizer que tem de se guardar algum dinheiro de bolso para os trabalhos a mais de uma qualquer obra que por aí apareça. Sim, é na previdência que está o ganho, e é bom que se atente nestes exemplos.
A câmara tem custos complicados! Ora, quanto custa arranjar um jardim para ficar o mais igual possível? Hum? E pagar as avenças da malta toda? E a gestão do pessoal? Hein? Já viram o que é pagar a funcionários que guardam paredes dum parque de campismo que não funciona há mais de quatro anos? E não se ponham já a dizer que as receitas do parque nestes quatro anos davam para isso e muito mais, que isso do campismo é coisa de pobres, e cá em Tomar não há disso!
Gerir uma câmara tem muito que se lhe diga, e não queiram agora julgar que percebem disso alguma coisa. Troco a troco, arranjam-se os 50 000 euros para pôr a cidade iluminadita. Vão dizer que abdicavam disso para ter melhores serviços?

Todos os tomarenses devem estar satisfeitos. Eu por mim cada vez estou mais contente com o cheque em branco que os tomarenses passaram ao presidente e ao partido que, assim como a assim, faz a gestão da câmara. Já viram se têm eleito alguém com projecto e programa eleitoral? É que isso retirava-nos todo o prazer destas boas surpresas!
Pelo que, em meu nome e nome do PS de Tomar, gostaria de comprometer-nos a doravante, não fazermos a câmara perder mais tempo com inutilidades e vamos fazer um grande esforço de seguir a vossa linha e só propor coisas verdadeiramente relevantes. Posso adiantar por exemplo, que estamos já muito empenhados a tentar auferir em estudo aprofundado, sobre quantos locais poderíamos ainda construir uma rotundazita, ou ainda, o que mais da nossa terra poder destruir, a fim de cada vez mais, nos parecermos com coisa nenhuma.
Não consigo deixar no entanto de, desculpai uma vez mais, isto deve ser essa coisa do orgulho tomarense que ainda não consegui perder, humildemente deixar um último pedido. É que em breve, uma quantidade enorme de concelhos vai ter essas supérfluas Lojas do Cidadão, de forma que, e só para não nos ficarmos atrás, mas naturalmente pugnarmos pela nossa diferença, será que não podiam os visionários que lideram a autarquia tentar arranjar-nos, até porque talvez tivesse mais a ver com a vossa política, e naturalmente apenas se isso não impedir a construção de nenhuma nova rotunda, assim, sei lá, ao menos, uma tasca do cidadão?

terça-feira, novembro 20, 2007

O escuro e as cheias

foto d'O Templário

Com as primeiras águas e os primeiros relâmpagos que ontem caíram em Tomar, voltaram as cheias assim como os apagões. (que, tudo indica terá sido, já me custaram antes um frigorífico, ainda por cima baratinho!)

A malta das finanças é que deve estar contente, quando mudarem para o edifício junto ao rio vão ter mais dias de férias. E com um pouco de sorte, alguns contribuintes vão ver dívidas perdoadas com o apodrecimento dos processos.

É estranho que estes fenómenos pareçam piorar de ano para ano, tendo o ano transacto registado um número provavelmente recorde de cheias, mas que fique bem claro que, se no caso da água, a culpa é de São Pedro e da preguiça da água em descer pelo seu curso normal, no caso dos apagões é estrita culpa da EDP e das cegonhas.
Que não passe pela cabeça de ninguém, porque nunca e em tempo algum terá a Câmara Municipal, nesta como noutras matérias, qualquer responsabilidade.

E, mais uma vez tenho que admitir, percebo o que está por detrás disto e reconheço a genialidade do plano. Isto não passa de promoção turística, certamente ainda em testes, mas que chegará com maior vigor, assim que a subida das águas seja mais permanente e a desclassificação de Tomar esteja mais consolidada. Veja-se só um dos possíveis slogans:

"Romantismo é em Tomar. Venha navegar a dois pelas ruas escuras e alagadas da encantada vila do Nabão."

sexta-feira, novembro 16, 2007

Preciosismos

A CGD, meu estimado banco, e de todos nós enviou-me, na era da tecnologia, uma carta a informar que me ia cobrar 1 cêntimo dum qualquer imposto de selo.
Espero que não se lembrem de me debitar a carta...

Compasso de espera

Enquanto faço um compasso de espera (gosto muito da escola onde lecciono, mas quem se lembra de marcar um conselho de turma para as 19 horas duma sexta-feira!!) aqui na sala de professores com vista sobre o casario e Tejo ao fundo, ainda com direito a ponte 25 de Abril e outra margem, tenho igualmente um pouco de tempo para navegar pela net, coisa rara nos "ultimamentes".

E aproveito para deixar algumas referências:

O melhor blog do ano.

Isto não me parece muito bem.
Administração da RTP quer demitir José Rodrigues dos Santos custe o que custar
Mais desenvolvimentos do caso José Rodrigues dos Santos aqui.

Sobre Ota, decisões políticas e decisões técnicas, já há tempos aqui deixei a minha opinião, mas em todo o caso, a do Jumento (muito citado por alguns comentadores de outros blogues cá do Nabão), é muito parecida com a minha.

Ums vôos no Arioplano são sempre de recomendar.

E para finalizar, esta excelente citação fui surripá-la ao blogue do Luís.

"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores. " - Platão

aquelas coisas...

Ontem, não tendo conseguido apanhar o comboio em que por norma regresso a Tomar, e precisando estar a hora combinada na nossa cidadezinha, acabei por vir de intercidades até ao Entroncamento, onde um amigo me fez o favor de ir buscar.

Pois nesse comboio acabei por vir "acompanhado" por duas conhecidas actrizes da chamada "geração morangos", ainda que uma delas, que eu saiba nunca tenha entrado nessa novela e seja agora até muito badalada pelo último filme onde é protagonista; e a outra seja uma das protagonistas duma novela que penso ter terminado recentemente na SIC (desculpem lá, vejo pouca televisão); assim como pelo vocalista de um dos mais mediáticos e bem sucedidos grupos da actualidade.

Ora, o interesse do comentário está nisto: a determinada altura, uma das jovens actrizes assim como a mãe que a acompanhava e o músico igualmente acompanhado pela namorada, abandonaram os seus lugares para irem até ao vagão bar, deixando a segunda actriz, indiscutivelmente bela e adormecida.

Chega entretanto o revisor que vai correndo o vagão picando bilhetes e como é normal acordando quem está a dormir para mostrar o seu, mas quando chega à menina actriz, e depois dum relance de hesitação e contemplação, segue sem a acordar, mas continuando a acordar todos os outros.
São aquelas coisas... se a menina é actriz da televisão, deve ter comprado bilhete não é?

terça-feira, novembro 13, 2007


Parece que é oficial, a avó tem noventa, o pai sessenta, e eu juntei-me aos trintões.
É a vida...

domingo, novembro 11, 2007

Só calado te aceitam

Já várias pessoas, políticos e outras individualidades de vários quadrantes, em especial no nosso concelho, me afirmaram convictas, que eu corria o risco de ser levado menos a sério, por escrever por vezes no jornal, ou mesmo por ter este blogue.
Implícita ou explicitamente acrescentando que as "pessoas importantes" falam pouco do que pensam e não escrevem, são entrevistadas quando "a sua agenda o permite".
Naturalmente, estas pessoas ainda não perceberam as minhas lutas. Em todo o caso, estranho, ou repulsa-me mesmo, esta noção de Democracia e estas reminiscências advindas de tempos de "outra senhora", em que assumidamente dizer ou escrever o que se pensa é meio caminho para ser desconsiderado.
Gostaria de acreditar que hoje, a maioria dos cidadãos vê além do que à frente lhe colocam, pensa pela sua cabeça, e dá valor a diferentes coisas que o pedantismo e o show off.

E no entanto por vezes, olho à volta e sinto-me só. E bem sei, infelizmente ainda é muito assim, quem dá a cara é menorizado, em função dos importantes que, de quando em vez, permitem perder um pouco do seu tempo para atender ao pedido de alguém ou de "alguéns".
Ainda estamos muito longe de atingir a maioridade democrática, e a consciencialização do que tal implica para cada um e para o todo de nós.

As eleições do PSD

A passada semana foi de animada política partidária em virtude das eleições internas do PSD local e distrital.

Não tenho por hábito, ao contrário do que algumas vezes aconteceu já por pessoas com responsabilidades homólogas noutros partidos, e até em relação a mim, comentar questões internas e ainda para mais contendas eleitorais, doutros partidos.

Parece-me no entanto, que não ficará mal agora dizer que, e sem comentar resultados, apreciei o que aconteceu no PSD. É um partido que, claramente ao nível local, mas parece-me que também ao nível distrital, não tem grandes hábitos de discussão e análise quer de si mesmo e do que alguns seus fazem em seu nome, quer do que acontece na sociedade. O processo eleitoral que findou na sexta-feira, pareceu mostrar uma vontade de alterar essa letargia e esse usual "seguidismo silencioso", o que, se mais não houve, já me parece muito positivo, em especial para Tomar

Tomar em grande...

... (ou o que de nós já cá estava e vai restando), hoje nos media nacionais.

- Com a revista Pública, distribuída ao domingo com o jornal Público, uma reportagem de 12 páginas (com muitas fotos é verdade) sobre os segredos Templários em Tomar.

- Já daqui a pouco pelas 19h30 no canal 2 da RTP, mais um programa de José Hermano Saraiva sobre Tomar onde poderemos ouvir mais algumas das suas estórias da história. O professor muitas vezes confundido com historiador, poderá ter sido muita coisa entre as quais ministro durante a ditadura, mas se há algo que é, é ser sem dúvida ser um excelente orador.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Olímpica

Ana Rente, a jovem ginasta tomarense, apurou-se na passada semana para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 no 25º Campeonato do Mundo de Trampolins e Tumbling.

Depois de Nuno Merino, Tomar vê pela segunda vez um dos seus tornar-se olímpico.

Parabéns Ana!

Gestão à portuguesa...

... ou exercícios vãos de retórica.


Todos os dias, o comboio em que habitualmente regresso de Lisboa a Tomar, pára uns bons 5 minutos na estação da Azambuja, para deixar passar o intercidades para um sítio qualquer. Não é por atraso ou qualquer outra circunstância, está mesmo organizado assim.
No entanto, nesse comboio, ninguém pode entrar ou sair durante essa paragem.

Eu sei que deve ter uma explicação perfeitamente lógica, mas ainda assim me pergunto, será boa gestão?

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A apresentação do livro Versos Nus do escritor Tiago Nené, assim como várias outras informações, aqui


segunda-feira, outubro 29, 2007

Giro...

Foi comentado neste fim-de-semana em que estive por São João da Madeira, e curiosamente é notícia no Portugal Diário. No novo shopping lá da terra, há lugares especiais para as senhoras, pintados de rosa, mais largos, e mais próximos das entradas...
Será que estão a insinuar alguma coisa?

curtas

- Gostei do editorial de Isabel Miliciano n'O Templário sobre as regiões de turismo. Mais palavra menos palavra é o que penso.

- No mesmo jornal a entrevista a Nuno Marta, pela pessoa em causa, mais um jovem da minha geração com opiniões e convicções, e também pelo jornal que parece assim abrir a novos temas e personalidades da sociedade tomarense, o que me parece bastante positivo.

- A edição do 8º aniversário da revista Focus na passada semana trás como capa e desenvolvimento "oito grandes portugueses para o futuro", entre os quais o camarada e amigo Pedro Nuno Santos, deputado, Secretário-Geral da Juventude Socialista, com e na terra de quem aliás passei o fim-de-semana. É sempre com prazer que observo o sucesso dos amigos, sendo que aqui mais uma vez fica patente a emergência de uma nova geração, com novo sangue, ideias e atitudes, em diferentes áreas e também na política.

- Negativo são os disparates, já recorrentes mas a tempos com novos picos de injúria (a mesquinhez, a inveja, a malcriadez, o mau carácter,...) que são escritos nos comentários dos blogues tomarenses. Seria um excelente caso de estudo da personalidade humana, perceber o papel a que alguns se prestam, escrevendo o que escrevem, alguns que são "personalidades" da nossa comunidade, e ainda para mais débeis ao ponto de julgar que são anónimos. Seria cómico se não fosse triste.

- A mini-entrevista que Luís Vicente, suposto presidente do PSD de Tomar, concedeu ao Cidade de Tomar (finalmente, dois anos depois de eleito diz qualquer coisa!) a propósito das eleições internas é das coisas mais redondas que já li, não disse absolutamente nada além de um ou outro chavão demagógico.

- A estrada de acesso ao Convento de Cristo parece estar em risco de derrocada, obviamente em consequência das obras desse tão bom investimento que foi o parque fantasma atrás do edifício dos paços do concelho, e a câmara diz que sim, que é grave e que foi enviado um ofício à empresa. Sim, aquela com quem tem um diferendo em tribunal, e cujos "milharezitos" da discórdia vão provavelmente ficar para serem pago por futuros executivos. Por igual lógica, poderemos estar seguros que essa situação grave, vai ser resolvida com brevidade...
E qualquer dia vão dizer como é hábito, que não têm responsabilidade nenhuma.

algures em Brugges







Mais umas fotos para colorir o espaço, da última incursão pela Bélgica. Brugges, com os seus belos edifícios, o imenso verdejar, e os canais que lhe transmitem uma ambiente similar à próxima Amesterdão, é uma pequena mas bonita cidade no norte da Bélgica que vale a pena visitar. Bem diferente da cinzenta bruxelas.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Zezé&Totó

- Ó Zezé, mas não costumava haver uma coisa chamada feira das passas durante a feira de Santa Iria cá em Tomar?

- Lá 'tás tu pá! Aqueles quatro vendedores não te chegam? Já nem ninguém quer passas dessas!

- Mas até há uns anos era uma rua cheia e...

- Ó Tóto, queres frutos secos vai a Torres Novas ou a outro vilarejo qualquer! Tomar é muito bom para essas coisas!

sábado, outubro 20, 2007

Hoje é dia de Santa Iria

A lenda mais famosa de Tomar e que viria a dar nome a muitos locais, entre os quais Santarém, pode ser conhecida aqui.

Também no site Cavaleiros Guardiões de Santa Maria do Olival, poderão encontrar mais informações sobre esta e outros temas relacionados com a nossa região. Vale a pena visitar.

Sexta-feira 13 de Outubro de 1307

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 19 de Outubro

Em Outubro de 2007 o 13 foi ao sábado, mas tal não significa que não fosse um dia que merecesse destacar. Porquê? Porque foi este dia 13 passado que assinalou exactos 700 anos que em Paris, Jacques de Molay, vigésimo segundo e último grão-mestre da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos como Templários, era capturado e levado para os calabouços do até aí Templo da Ordem na capital francesa.
Assim como ele, centenas de outros cavaleiros eram presos e severamente torturados por toda a Europa e muitos acabariam tal como o grão-mestre queimados na fogueira, simbolizando esse dia como aquele que marca o fim da que, criada dois séculos antes por nove cavaleiros liderados por Hugo de Payens, se havia surpreendentemente transformado na mais poderosa, respeitada e temida Ordem de cavalaria.
Muito mais que simples monges ou cavaleiros guerreiros, a ordem tornar-se-ia numa instituição com fortes influências quer política como financeiramente. Fora o papa Inocêncio II quem, por razões pouco apuradas, concedera uma bula que lhes outorgava poderes ilimitados, sendo declarados "isentos de jurisdição episcopal", constituindo-se desse modo em poder autónomo, independente de qualquer interferência, política ou religiosa, quer de reis quer de prelados, e que acumulara vastos domínios em mais de dez países, vindo a enriquecer ainda mais através da concessão de créditos a reis, nobres e clérigos, cobrando juros sobre esses recursos, estabelecendo o embrião do moderno sistema bancário.
Por inveja e cobiça dos tesouros e conhecimentos de presumíveis segredos embaraçosos, como as conhecidas conjecturas do Santo Graal – o cálice sagrado, ou da teorética descendência de Jesus, a tramóia conjecturada por Filipe IV O Belo e o seu fantoche papa Clemente V, havia sido alcançada com sucesso. Era preciso destruir essa organização afim de se apoderar dos seus recursos e aniquilar a sua possível ameaça, acusando-os de hereges e de uma série de outras perfídias. E mesmo que mais tarde a verdade fosse reposta, a ferida havia sido demasiado profunda para recuperar o irrecuperável, ou assim se acredita.
Mas Jacques de Molay e os seus Templários haviam todavia vencido a malvadez do invejoso rei. O tesouro e os segredos que procurava desapareceram misteriosamente, sendo até hoje motivo de lendas e mitos. Diz-se que carroças cobertas de feno saíram de Paris na noite anterior, diz-se que navios ancoraram em sabe-se lá quantos portos.
Diz-se que os Templários não desapareceram, mas apenas adormeceram, converteram-se, adoptaram outras divisas, mas que em verdade ainda andam por aí… Diz-se muita coisa, e a verdade provavelmente nunca se saberá. Mas é isso que adoça o mistério e aguça a curiosidade, basta que pensemos em fenómenos como o livro e posterior filme “O Código Da Vinci”. São milhares os apaixonados em todo o mundo nesta matéria, afinal, quem não gostaria de descobrir um tesouro, ou de se achar na posse de um segredo milenar?


Bom, perguntará o caro leitor: - certo, história interessante, mas tem isso algo a ver com Tomar ou é só para dar ares de intelectual?
E eu direi, pois tem tudo, e nada.
Tudo, porque a seguir a essa fatídica sexta-feira 13 desse Outubro longínquo, e que até hoje associa sem que a maioria saiba porquê esse epíteto de azar a essas sextas-feiras, os Templários que sobraram, e ainda eram muitos, fugiram para locais seguros, um deles Portugal, e em Portugal Tomar, devendo-lhes nós grande parte do que somos. E porque D. Dinis, um dos mais cultos e visionários soberanos da nossa história, convenceu doze anos mais tarde o novo papa João XXII a autorizar a criação da Ordem de Cristo, convertendo, acolhendo todos esses cavaleiros em fuga, assim como as suas posses e os seus conhecimentos. E porque se acredita que Portugal (ou, porto do Graal?) pode ter sido o ou um dos portos seguros dos seus tesouros.
Tudo porque, com sede em Tomar, sendo Tomar guardião dos segredos e das descobertas da nova Ordem, foi essa que, usando nas velas das caravelas a marca templária, “descobriu novos mundos ao mundo” na epopeia dos descobrimentos, na mais áurea época do nosso país, quando fomos efectivamente império, quando fomos centro do mundo, e quando Tomar era por isso um dos locais mais importantes e simultaneamente ocultos desse mundo de então.
Nada, porque apesar de toda esta propriedade, de todo este potencial, do Convento de Cristo sede das duas Ordens e também ele detentor de segredos, monumento património mundial (mesmo que não figurando nas mais ou menos 7 maravilhas), e de termos como nossa uma marca reconhecida em todo o mundo, o que sabemos aproveitar para nosso benefício, para desenvolvimento turístico, para criação de riqueza, e até mesmo reconhecimento do concelho ao menos no contexto nacional, é mais ou menos isso: nada.
E isto leva-nos ao facto de que, se essa azarada sexta-feira 13 de Outubro de 1307 acabou por ser proveitosa para Portugal e para Tomar, de há uns anos para cá a coisa inverteu-se e aqui pelas margens do Nabão, e numa cidade que foi líder e pioneira em tanta coisa, hoje somos constantemente ultrapassados e até parece que todos dias são dias de infortúnio.
Pelo que é caso para perguntar: onde anda esse sangue templário que é suposto correr-nos nas veias? Está oculto esperando o momento de ressurgir, ou desapareceu de vez nos resquícios da memória e nas mordomias letárgicas dos tempos modernos?

quarta-feira, outubro 17, 2007

curtas

- Uma das coisas que melhor me sabem quando viajo, e por muito curta que seja a viagem, é o regresso a Tomar.
Quando regresso a Tomar tento pôr-me a par do que por cá se passou durante a ausência, mesmo de coisas eventualmente inúteis como o que se diz nos blogues, onde um simples fim-de-semana é suficiente para uma grande produção de disparates, e mal seria se não fosse, algumas coisas acertadas.
Uma das discussões actuais é a velha dicotomia nabantina entre obras e vestígios arqueológicos. E fico com pena que alguns ainda achem que a riqueza arqueológica que possuímos é um entrave para uma obra seja ela qual for. Se tiver tempo e vontade voltarei a este tema.

- Na onda dos blogues, é interessante a nova rubrica do jornal O Templário onde faz eco daquilo que se entende como o que mais relevante foi escrito durante cada semana pelos comentaristas no blogue desse jornal. Mas não deixa de ser relevante que quase todos (se não foram todos até agora) são comentários anónimos. Como é possível que persista o medo em assumir o que se pensa?

- E falando em jornais, é preciso destacar o dinamismo do projecto empresarial d’O Mirante, aquele que começou como um pequeno jornal nascido em Alpiarça, até abranger toda a região do Ribatejo com três edições distintas, e desde o passado sábado, a ser distribuído junto com o Expresso em toda esta região. É de aplaudir.

- E falando em Mirante, nesta edição onde tive honras de figurar no “cavaleiro andante”, já não posso aplaudir, mas são opiniões, a crónica onde o seu director Joaquim Emídio tece rasgados elogios ao nosso presidente de Câmara. Tem que vir cá ao norte mais vezes.

- E vindo as crónicas à baila, não queria deixar de referir que o último texto que escrevi para o Cidade de Tomar, “Os Trintões Nabantinos”, foi dos que mais reacções me fez chegar, vindos de diversos quadrantes políticos, profissionais e etários, o que não só me deixa satisfeito, como um pouco menos pessimista quanto ao adormecimento que parece ter dominado os tomarenses, e em especial os da geração que visava, a minha.

algures em Bruxelas, again






terça-feira, outubro 09, 2007

Aleluia, aleluia, aleluia

Custou muito, demorou ainda mais, e a ausência era inexplicável e um fenómeno digno daqueles programas de coisas incríveis, mas ponham as colchas nas varandas, vistam os melhores fatos, venham para a rua celebrar e lancem foguetes que

A CÂMARA DE TOMAR JÁ TEM UM SITE!!!!!!!!

O design gráfico entra no gosto pessoal e não o discuto, embora pudesse ser mais rico, e as funcionalidades poderiam estar, fundamentalmente na interacção com o utilizador mais ambiciosas, em especial se acreditássemos nas desculpas que foram sendo dadas para a inexistência do site, mas quem esperou tanto tempo também pode esperar por umas melhoras, assim haja vontade de que aconteçam.

Volto a frisar, melhoras essencialmente naquilo que sejam os serviços online prestados na perspectiva do turista, e especialmente na do cidadão/utente, serviços que, a exemplo do que acontece já em muitos municípios, possam agilizar e facilitar a vida dos munícipes.
E não se entenda este último parágrafo como uma crítica negativa, mas na perspectiva de que tudo pode sempre ser melhorado.