domingo, maio 27, 2007

Centro Comercial de Ar Livre

Há muito que falo nesta solução para o centro histórico de Tomar, e no PS colocámo-la inclusive no último programa eleitoral. Temo-la repetido com convicção, e discutimo-la já, entre outros, com a ACITOFEBA.
Bom, mas se Tomar prefere projectos descaracterizadores e empertigados, outros parecem perceber onde está o que faz sentido, o que demarca e o que reforça a Identidade, muito importante aliás como factor competitivo.
Abrantes já aqui o escrevi em tempos, vai avançar com esta ideia, como o EntroncamentoOnline o publicita e vai apresentar o projecto já no dia 6 de Junho.Admira-se o presidente António Paiva quando se lhe diz que o nosso centro histórico é já o menos dinâmico das três cidades (Abrantes, Torres Novas, Tomar), e afirma que não é verdade. Pois o maior cego é o que não quer ver e cada vez mais acredito que há grandes problemas de oftalmologia em Tomar.
Abrantes (como outros concelhos) tem realizado projectos estruturantes relevantes e que se vêem, ao contrário de Tomar em que apenas se declara e se faz sem consequência, e que estão a dotar Abrantes duma capacidade atractiva sem precedentes na região. Já ouviram falar no “mar de Abrantes”?
E depois ficamos muito chocados quando nos ameaçam levar mais um qualquer serviço, esquecendo que no entretanto o mundo evoluiu enquanto estivemos a olhar para os emblemas empoeirados, e nos deixámos ultrapassar.
O mundo acontece para os fazem, não para os que se pavoneiam. É que enquanto os concelhos à volta tiveram e têm que trabalhar pelo seu lugar no futuro, Tomar é uma espécie de filho rico que desbarata sem proveito a abonada herança da família.

Cromos de Colecção


O jornal O Templário publicou esta semana na sua rubrica de nome idêntico ao título deste post, esta foto saída não sei de que bau, da última festa dos Tabuleiros.
Ora como não gosto que gozem comigo mais do que eu próprio, tenho no mínimo de a publicar também.

Sim, fui com honra músico filarmónico durante uns 15 anos na velhinha sempre nova Gualdim Pais. Agarrado ao trombone participei nas 3 últimas festas dos tabuleiros, e olhem que usar aquela farda carinhosamente tratada como a do" Olá fresquiiiiinho!" não é para todos...
"Só fiz greve uma vez na vida"
Carvalho da Silva, líder da CGTP, em entrevista à revista Única

E criticaram-me há uns tempos por eu ter dito exactamente a mesma coisa...

segunda-feira, maio 21, 2007

algures em bruxelas




Rumo Incógnito

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 18 de Maio

Soubemos esta semana numa das suas muitas viagens, desta vez à Alemanha, que o ainda Presidente António Paiva teve tempo para conceder algumas palavras a este mesmo jornal, declarando para nosso gáudio que acredita ter ajudado “a colocar Tomar no rumo certo”.
Tal declaração, aliás já repetida, vinda de quem há uma década determina o que entende e o que acontece no nosso concelho, merece verdadeiramente além da alacridade, uma reflexão.
Pois que a uma afirmação tão peremptória, a mim pelo menos que sou pessoa de pouca fé e dificilmente acredito no que não vejo, assalta-me a pergunta óbvia: Pois rumo sim senhor, mas qual?
Digamos que, em direcção a quê?
Quando se fala nesse chavão do ‘rumo’, ficamos convictos que há uma estratégia para o concelho, que há uma visão abrangente que una responsáveis políticos e agentes da sociedade na prossecução de objectivos comuns, que quando pensamos em Tomar pensamos em dois ou três casos de sucesso catalizadores para todo o concelho.
Nesta última década, para me reportar apenas à vigência do autor da tese, em que é que nos tornamos melhores? Em que nos especializámos? O que fizemos de novo? Pelo que é que nos tornamos mais conhecidos? Hum… assim pela rama, pelo todo, de facto parece que não se consegue ver grande coisa.
Bom, não desistamos já, talvez se virmos as coisas por partes, do género: Está melhor o comércio? O centro histórico e todo o Comércio Tradicional da cidade apresentam vitalidade e são sustentadores de riqueza. Bom, aqui parece que não, mas, talvez o Turismo, talvez esse esteja melhor? Aumentou-se a capacidade hoteleira, diversificou-se a gama de oferta, há novas actividades e um cartaz consubstanciado que consegue garantir ao longo do ano um fluxo permanente de visitantes? Não?! O quê, a principal obra foi fechar o parque de campismo?! Mas aquilo não rendia dinheiro à autarquia e ao comércio? Então e os funcionários o que é que… ah ainda lá estão, há quatro anos, pois…
Mas então melhorou-se a ligação da cidade ao convento? Os tomarenses vivem-no mais e os turistas que o visitam, visitam também Tomar, deixam cá “as patacas”? Há, pois, parece que vai ser agora… Bom mas, certamente, uma cidade histórica com um potencial tão grande como o de ser uma cidade Templária, tem seguramente rentabilizado essa marca conhecida em todo o mundo? Nadinha?!
Mas têm-se apostado no associativismo, na cultura, reforçou-se a posição de líder cultural na região?… Ah não… perdeu-se?!
Ah, já sei, virámo-nos para os rios, o Zêzere e o Nabão são hoje elementos aglutinadores de actividades e elementos geradores de riqueza? Não!? Não há sequer UMA praia fluvial?! Assim começa a ser difícil…
Bom, mas de alguma forma o concelho tornou-se mais atractivo, há criação de empregos, a zona industrial é referência da região, não só ninguém pensa em sair de Tomar, como os dos concelhos à volta sonham em vir viver para cá?... Ah, também não…
Bom mas, pelo menos modernizaram-se os serviços, a Câmara gasta cada vez menos e onde gasta gasta bem; gere bem os seus recursos, os funcionários estão motivados, são acarinhados, trabalham com boas condições; os serviços são atractivos e céleres, aproveitam-se as novas tecnologias, as taxas caminham para ser cada vez menores, os cidadãos só podem dizer maravilhas dos serviços que lhes são prestados? – O quê, também não? Nada?!

Pois é, poderia ser brincadeira, se não estivéssemos a falar sobre o futuro de uma terra e de todos os que ainda nela vão vivendo.
É que pelas coisas que alguns dizem com leviandade, só pode haver muita coisa incógnita na nossa terra, e até me sinto tentado a esboçar um sorriso quando, na entrevista já referida se dizem coisas como “a duplicação de espaços verdes”. Será que os vasos com flores que tenho em casa também contam? É que eu estou absolutamente convencido que alguém anda a ver mal nesta terra. Será que temos falta de oftalmologistas?
Costuma-se dizer que em terra de cegos quem tem olho é rei, mas também há limites! Tenho que voltar a deixar o repto: saiam mais de casa, não é preciso ir longe, vão ver o que se faz nos concelhos à nossa volta, vejam o que evoluíram e comparem connosco tendo em conta o ponto de partida de cada um. Percebam onde houve de facto projectos consubstanciados e com rumo, e onde se fazem as coisas sem planeamento e sem visão.
Ver com arrojo, planear e decidir com determinação e capacidade, não é destruir equipamentos públicos com potencial económico e social como se fez ao parque e agora se quer fazer ao mercado. Não é vender terrenos públicos para construir centros comerciais megalómanos. Não é fazer pontes a cinquenta metros de outras e que não resolvem problema algum a não ser o de rentabilizar mais o terreno que se quer vender.
Não é fazer um pavilhão municipal que nunca vai justificar o que custou, e que em obras a mais já daria para construir outro, com melhores condições, com melhores acessos e valências.
Ter visão e capacidade de liderança para deixar marca por muito tempo, não é fazer o que é fácil mas inconsequente, nem o que é difícil por teimosia. É fazer com critério, com enfoque no colectivo, e com capacidade de envolvimento dos vários intervenientes na comunidade, para que congreguem esforços para trilhar em conjunto, o tal rumo que deve ser encontrado.
Diz António Paiva: “Tomar é uma referência a nível nacional” e tem razão, ainda há duas semanas voltou a ser referenciada como uma das poucas câmaras do país, que não tem sequer uma página na Internet. Será deste género de coisas que é feito o tal rumo?

quinta-feira, maio 17, 2007

tempo que passa

Cada vez tenho menos tempo ou paciência para estar em frente ao computador, os dias têm-se mostrado agitados e preenchidos e o que dava mesmo jeito, eram umas férias que fossem mesmo férias, e para serem mesmo férias tinham que ser longe, onde não houvesse telemóveis nem computadores.
Por Tomar, foi o congresso da sopa, ao qual afinal acabei por não poder ir, pois obrigações profissionais me levaram para o alentejo.
Sei que terá sido um sucesso, e que terá mostrado a quem por lá esteve, que o defunto parque de campismo afinal ainda tem condições. Mas isso sempre se soube, não há é condições para combater a teimosia.
Foi também apresentada na semana que passou a "avaliação técnica", à qual eu chamaria de técnica de avaliação, do Plano de Pormenor do Mercado e Flecheiro. Aqui, ficámos a saber que alguns usam dos mais baixos estratagemas para levar ao seu intento os seus objectivos.
Um abaixo assinado feito às escondidas, veio mostrar-se mais importante que as propostas individuais feitas por mais de um milhar de pessoas, centenas delas entregues individualmente, e que representam a vontade de comerciantes, utentes e cidadãos em geral.
Afinal a assinatura inconsciente e arrigimentada dos idosos dos lares, feita sabe-se-lá com que argumentos se os houve, parece contar mais para os imparciais "técnicos" do Polis.

No espectro de política mais partidário as coisas vão andando no ritmo mais ou menos normal para a distância que nos separa das próximas autárquicas. O PS trabalha o assunto com serenidade, e no PSD está a tornar-se interessante o esforço de se desvincular das atitudes, opiniões e política seguida por Paiva durante os últimos dez anos.

Depois, por Lisboa a coisa acabou como só podia, por implodir, e agora tornar-se-á em desígnio nacional para todos os partidos, e mais alguns armados em independentes (mas pelo menos a Helena Roseta teve a postura ética basilar de deixar de ser militante). O país apresenta o maior crescimento do PIB dos últimos cinco anos. A presidência portuguesa da UE aproxima-se e com ele o Verão. Com o Verão também os incêncios e por isso estamos à dois dias em fase Bravo, ou seja, o segundo nível mais forte do dispositivo de combate (Santarém vai sendo, como será hoje, o distrito mais quente). No futebol, o Benfica e o Sporting esperam um milagre, sendo que para o Benfica tem o milagre de ser maior. E claro, a situação algarvia da menina inglesa continua também a ser preocupante e dificilmente me parece, vai ter um final feliz.

Pela blogolândia nabantina não há grandes novidades, dois ou três frustrados semi anónimos, continuam a não saber a diferença entre crítica e insulto, entre seriedade e chafurdice, entre ética e mesquinhice.

Assim vai o mundo e a urbe,
e porque estarei presumivelmente sem acesso a computadores durante os próximos dias,
até para a semana.

segunda-feira, maio 14, 2007

Portugal de A a Z

Um trabalho de jovens universitários, futuros investigadores, da Universidade do Porto.
Explore-se bem cada página, clicando em tudo. Não se limitem a ler, há surpresas de todo o tipo, porque quase tudo tem animação! Algumas coisas podem demorar um bocadinho a carregar. Eis o Portugal de A-Z:

http://eos.fe.up.pt/exlibris/dtl/d3_1/apache_media/web/7640/index.html

luminosa contribuição do Helder Marques

terça-feira, maio 08, 2007

Sopas e mais sopas


É já sábado, e para variar este ano acho que vou conseguir ir. Já estou com água na boca...
(mas já agora, o cartaz podia estar 'melhorzito'... pelo menos que se destacasse o que lá está escrito.)

modernices



enviado pelo César Diogo

perspectivas

Portugal é um jardim à beira mar plantado.
A Madeira está no meio do mar com Jardim plantado.

quarta-feira, maio 02, 2007

arquelogia

O semanário O Mirante de hoje noticia que em Mação, o aluguer de casas e o comércio está a ser estimulado pelos diplomados, oriundos de outros locais que ali se tem instalado à conta da arqueologia que por lá, é nicho de mercado bem explorado pelas entidades e comunidade.

Também Mação dá cartas a concelhos maiores e com outras possibilidades...
É a vida... enquantos uns desenterram, outros enterram-se.

terça-feira, abril 24, 2007

Grândola Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Letra e música: Zeca Afonso
In: "Cantigas do maio", 1971

ciber vício.

Estive ontem e hoje na capital "do império", e parece sempre uma eternidade, especialmente quando não paramos um bocadinho.
Também é verdade que dois dias afastado do computador sabem bem, mas ao mesmo tempo já quase os sinto como sentirá um dependente de uma qualquer substância drogante. Já para não falar a trabalheira que dá despachar os e-mail's que se acumulam em dois dias úteis...

Quando regressei estavam por aqui comentários do autor do blogue "Por Esse Mundo Adentro!" cuja visita recomendo.

E amanhã é 25 de Abril.

sábado, abril 21, 2007

Psicologia

Não se admirem se virem plasmados nos comentários do blogue "Condado do Flecheiro" alguns dos post's aqui colocados.
Há um engraçadinho que encontrou uma nova forma de se divertir...

25 de Abril… Sempre?

«Não se pode ser liberal e socialista ao mesmo tempo; … não se pode ser católico e comunista – de onde deve concluir-se que as oposições não podiam em caso algum constituir uma alternativa e que a sua impossível vitória devia significar aos olhos dos próprios que nela intervinham cair-se no caos, abrindo novo capítulo de desordem nacional»

Este é parte de um discurso do “ex-Presidente do Conselho”, exemplar manifestação da sua intolerante forma de pensar e que determinou a actuação da ditadura obscurantista que alguns afirmam não ter sido fascista, durante meio século em Portugal. E agora que nos aproximamos de mais um 25 de Abril, parece também ter chegado esta moda revivalista de Salazar, que pode vir para perdurar.
Ao mesmo tempo que “a velha senhora” ganha concursos e é desejado tema de museu, e grupos fascistas concorrem a Associações de Estudantes e colocam outdoors em locais públicos, um partido de esquerda bem acentuada quer agora a nacionalização da EDP e da Galp… Se isto não é revivalismo, se isto não é a reminiscência da formatação mental da ditadura…
Sem vilões não há heróis, e de facto parece que é preciso ainda o fantasma do homem que caiu da cadeira, para que alguns se possam afirmar grandes resistentes sofredores e detentores da vitória da Liberdade… ainda que muitos nas práticas sejam tudo menos democráticos.
Sendo ou não sendo moda apreciar Salazar, verdade será que nas atitudes de alguns o estilo e a ideologia parece nunca ter perecido.

Ainda há dias neste mesmo jornal alguém militante e responsável num partido que se afirma de matriz social-democrata criticava de forma vil o facto de largas centenas de pessoas se terem formalmente e de acordo com a Lei, manifestado contra aquilo que é uma intenção da autarquia tomarense, e lamentava que o partido que represento tivesse tomado a dianteira na promoção dessa iniciativa. Naturalmente gostaria que nos mantivéssemos calados.
Queixava-se ainda do facto deste mesmo partido ter produzido folhetos onde eram expressas as nossas opiniões, e pelo meio (re)afirmava espantemo-nos, que os símbolos públicos são propriedade de alguém. Não percebo porque não estão presos todos os que usaram bandeiras no Euro 2004…
É efectivamente verdade que hoje, há ainda quem não goste de que as pessoas sejam esclarecidas, há quem prefira os cidadãos na ignorância, há quem use e abuse do facto do conhecimento ser poder e a falta dele ser servidão. Há tiques que demoram muitas gerações a desaparecer. E se ficarmos quietos e calados, demoram ainda mais.

A Liberdade nunca está segura, e quando a maioria a dá como banal é exactamente quando ela está mais em perigo. Perceba-se que em 900 anos de história do nosso país, só há pouco mais de 30 vivemos algo próximo disso a que chamamos Liberdade.
Como cantaria Paulo de Carvalho, é preciso “saber como se ganha uma bandeira”, “aprender quanto custa a Liberdade”! Mas quem hoje se dá ao esforço de ao menos tentar “ganhar uma bandeira”? Quantos sabem quanto custa a Liberdade? Está a Liberdade a preço de saldo?
"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.", disse George Orwell (autor da expressão Big Brother), e portanto é preciso que isto se diga: o problema maior dos portugueses são os portugueses, somos nós e cada um de nós o nosso pior inimigo; o maior dos nossos males é o pouco assumir das responsabilidades, é o exigir o máximo dos direitos e mínimo dos deveres, é o espírito de treinador de bancada – todos sabem dizer mal, mas poucos se esforçam por apresentar alternativas, por mudar, por sequer fazer críticas válidas e construtivas. Olhamos muito para o umbigo, esquecendo-nos que todos os outros têm um também.
Será por isso necessário, adaptando a frase de Kennedy, pensar não no que Portugal pode fazer por nós, mas no que podemos fazer por Portugal. Acreditar aplicando-o, que é do benefício do colectivo que devemos partir para o benefício individual e não o contrário.
Sem isto, sem a assumpção das responsabilidades, sem a percepção que a Liberdade se constrói e se alimenta todos os dias, que ela só existe quando respeitamos a Liberdade dos outros, e que só dessa forma, com recurso à Tolerância e à Inteligência se chega à Igualdade podendo assim iguais ambicionar o ideal utópico da Fraternidade, a Democracia estará sempre em risco.

De 74 para cá muito foi feito, sim, e é preciso repeti-lo muitas vezes como antídoto para o pessimismo e saudosismo Luso, mas também é acertivo que muito há ainda a fazer, em especial nas mentalidades e nos espíritos de cada português.
É imperioso, acabar com o medo de criticar, o medo de dizer o que vai na alma, o medo de enfrentar os poderes instalados, o medo de enfrentar a autocracia, o medo das represálias.
Há que entender que o dever dos mais fortes é proteger os mais fracos, o dever dos mais esclarecidos é elucidar os menos. O ser humano completa-se quando outro ajuda a nascer. Seja fisicamente para a vida, seja intelectualmente para o conhecimento. E a quem isto compete? A todos nós. Com o poder e o conhecimento advêm a responsabilidade, e como tal é necessário que quem os detém os saiba usar e que os fins desse uso sejam o colectivo. Não há Liberdade sem pensamento Humanista.
E a todos, participar, participar, participar… nos partidos, no mundo associativo, da cultura ao apoio social, ao voluntariado, ao apoio aos desfavorecidos e grupos de risco, ou em tantos locais onde um par extra de mãos é sempre bem vindo.
Enquanto todos nós não participarmos mais, enquanto não formos mais pró-activos nos males do mundo, continuaremos a viver uma Liberdade pouco mais que aparente e muito próxima da precária. Continuaremos a ser pouco senhores dos nossos destinos e a deixar que alguns nos guiem, mesmo que sem nos apercebamos, os nossos passos.
E resumindo, o que importa é: o que pensa disto e o que é que está disposto(a) a fazer?

Por Portugal, e por cada um de nós.
25 de Abril, SEMPRE!

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 20 de Abril, onde aparece com uma ou duas gralhas que me são estranhas

quarta-feira, abril 18, 2007

Embaraço

Terei ouvido bem, o encontro europeu dos nacionalistas (sim aqueles do cartaz do Marquês), estava para ser na Casa do Concelho de Tomar?

A bela e o quê...?!

Ontem ao chegar a casa fiz um zapping televisivo e parei cinco minutos na TVI, coisa muito rara, para descobrir o que era isso afinal desse programa que ouvia falar.

Por favor, alguém me diga que aquilo é tudo a fingir, e que aquilo pretende ser apenas, mesmo falhado, um programa humorístico....

segunda-feira, abril 16, 2007

Os meninos de Huambo

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar

Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade

Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo

Paulo de Carvalho
Letra e música: Rui Monteiro
In: "Desculpem Qualquer Coisinha", 1985

domingo, abril 15, 2007

Se não os podes vencer...


enviado por e-mail pela Teresa Marques

Fraude

Um professor de Direito a ministrar um exame oral:
O que é uma fraude?

Responde o aluno:
É o que o Sr. professor está a fazer.

O professor muito indignado:
Ora essa, explique-se...

Diz o aluno:
Segundo o Código Penal comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar!

enviado por e-mail pela Dina Lopes

quinta-feira, abril 12, 2007

No próximo domingo...

... depois das 11 da manhã, falar sobre o Convento de Cristo é na TSF.

e a propósito já votou?

é aqui e não custa nada. (http://www.7maravilhas.sapo.pt/registo.asp)

terça-feira, abril 10, 2007

Anonimato, outra vez

Escrevi este texto como comentário a dois comentários colocados no post anterior "energia de domingo", e achei entretanto que o deveria colocar aqui também, exactamente porque como digo nele, estamos em Abril.

"Ao anónimo (ou anónimos) que faz(em) os comentários anteriores devo dizer que os mesmos têm muita pertinência e acutilância.
No entanto, o facto de estes serem comentários anónimos (e já manifestei aqui e noutros locais a minha posição sobre o anonimato) retiram a essas críticas o factor positivo das mesmas e grande parte da sua validade.
Que as críticas permaneçam anónimas, é o que deseja quem pretende que o status quo se mantenha seja ele qual for.
Ainda para mais em Abril, é tempo de metermos no corpo a convicção de que o medo de dar a cara tem que ser coisa ultrapassada.

Goste ou não goste, quem quer que se sujeite ao vislumbre do público, tem que aceitar ser criticado, desde que com regras mínimas de Ética e de exercício de Liberdade.
Uma delas é exactamente que o criticado saiba quem o critica, e como tal tenha hipótese de defesa.
É por isso que reafirmo, os comentários anteriores usam de muita assertividade, mas carecem de uma assinatura no fim. Ainda que, e para que fique claro, concorde com grande parte do que neles está escrito.
Cumprimentos,"

Perspectivas

"Amar não é olhar um para o outro, mas olharem ambos na mesma direcção."

Não sei porquê lembrei-me agora desta frase que não faço ideia de quem seja se for de alguém, mas acho-a tão significativa que a coloquei aqui.
Tem aplicações em muitas áreas distintas... entre as quais também consta o dito Amor.

domingo, abril 08, 2007

energia de domingo

Hoje é dia de Páscoa, e em ano de Festa, dia da primeira saída de coroas, ou seja, o arranque formal para a Festa dos Tabuleiros.
O Sol espreita por entre as nuvens que se afastam indecisas e há qualquer coisa mágica nesta primavera.
Só é pena amanhã ser segunda-feira...

quarta-feira, abril 04, 2007

Google

Ora ele há coisas...

Se forem ao Google e fizerem uma pesquisa no separador imagens com a palavra "Tomar", vejam lá que cromo aparece. (ou se clicarem aqui)
E depois chamam-me vaidoso.


Obrigado Sílvia por tão pertinente contribuição.

Adenda: Afinal foi a SUSANA. Sorry, sorry, sorry...

sábado, março 31, 2007

algures à pressa.

Pois, de facto parece que não vai havendo jeito de que a assumida irregularidade de escrita neste blogue volte a ser um pouco menor.
Muitos assuntos têm acontecido me mereciam comentário, mas o pouco tempo e alguma falta de vontade para enfrentar o computador fora das obrigações porfissionais têm-me afastado.
De qualquer forma, uma manhã de sábado cinzento e chuvoso dão-me finalmente algumas horas de fruição do lar, que aproveito também para uma rápida passagem de olhos pelos jornais e pelos blogues, até chegar a este espaço algures que tão pouco acarinhado tem sido nos últimos tempos, e que não vai melhorar nos próximos.
Também, o que dizer a coisas estranhas como o Cartaz do PNR ou o "melhor português de sempre"? Ou a coisas mais locais como um certo comunicado da Acitofefa, ou como comentar o tanto que por aí se faz é que é o dizer que se disse ou que se fez ou que se vai fazer, quando o próprio seja quem for disso nada sabe?
Não, o melhor é, usando as palavras de um ex-candidato a autarca local, mais vale ficar calado que pode ser que me percebam melhor.

E como não me apetece mesmo escrever mais, aqui fica uma entrevista minha que é mais ou menos parecida com o que respondi às perguntas do jornalista.

(Es)culturas...

Aqui como lá fora, há mais ou menos tempo, encontra-se por aí arte de "leituras" muito diferentes, assim ao jeito do segredo da estátua do Gualdim Pais...
algures numa igreja portuguesa

Cracóvia, Polónia

Padre como nós

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
[agora vem o melhor:]
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

pertinente contribuição do Bernardo Neves

quarta-feira, março 28, 2007

algures de São Paulo

Achei que este comentário ao post onde coloco o texto que escrevi para o aniversário do jornal Cidade de Tomar, sobre os ganhos e perdas de Tomar, merecia ser colocado aqui em primeira página.
O seu autor, José Júlio Lopes é um empresário tomarense bem conhecido, agora radicado em São Paulo, a quem além do mais agradeço este, e outros comentários e sugestões que tem feito.


"Hugo
Li com atenção este texto, correcto mas com alguns "acrescentos".
Tomar foi uma cidade pioneira e de pioneiros, na industria do papel, da fiação, das madeiras e até da electricidade pois enquanto outras andavam no "acetileno" já a central do Mendes Godinho com a sua localização na Levada fornecia electricidade a toda a "cidade velha", era no antigo regime um das cidades mais industrializadas do distrito.
Quando outros empresários da altura se aperceberam deste facto houve muitas empresas a querer migrar para Tomar, nessa altura um "arranjo" entre os politicos e "empresários" impediu a instalação dessas empresas com o argumentos que as mesmas iriam inflaccionar o mercado de trabalho local, quando se estava a remediar este erro apareceu a Revolução, as empresas foram intrevencionadas, os empresários saíram a coisa foi andando, quando voltaram aproveitaram os "quadros de apoio" mas fruto de uma perda anterior não voltaram a investir, os politicos voltaram a estar em conluio, e a cidade foi morrendo, Tomar tem dos melhores empresários que conheço, fora de Tomar, estão por todo o mundo, menos em Tomar, porque enquanto a mesquinhez da cidade os tributar, não voltarão, paz á sua alma, (não deles mas da Cidade)
São Paulo 26/03/2007
José Júlio Lopes"

quarta-feira, março 21, 2007

As novas bancadas...

... do campo sintéctico de Tomar, ex-estádio municipal.


pertinente contribuição do José Vitorino

domingo, março 18, 2007

Auschwitz-Birkenau

Quando se elegem as novas 7 maravilhas do mundo, deveríamos também eleger os piores locais.
Este seria certamente o primeiro. E não se pode ler em qualquer papel ou ver em qualquer filme o que se sente e descobre neste espaço. É apenas arrepiante.


'Arbeit Macht Frei' - O Trabalho Liberta-te
escrito no portão de entrada do campo de concentração (matadouro sem eufemismos), exemplo da grande aposta dos nazis na propaganda.

O pátio dos fuzilamentos para os presos políticos (não judeus, pois com esses normalmente não se gastavam balas), depois de "julgados" no edíficio ao lado. A parede tem um revestimento especial para silenciar as balas. Nem sempre o veredicto era fuzilamento, mas sempre era a morte. Por todo o campo encontramos várias sádicas formas de levar alguém a ela.

Tudo era aproveitado e despachado para vários fins. Do que ficou dos últimos dias antes da chegada dos soviéticos, e que os nazis não haviam ainda despachado e não tiveram tempo de destruir, sobram entre muitas outras coisas, por exemplo 80000 pares de sapatos e 2 toneladas de cabelo. Repito, SÓ dos últimos dias. Se estão intrigados com o que faziam ao cabelo... tapetes.

Neste crematório, o único que sobrou, eram gaseados numa pequena sala com aparência de balneário (a água nunca chegou a ser ligada aos duches) 700 judeus à vez e posteriormente queimados, não sem antes lhes ser retirado o que ainda possuissem de útil (cabelo, dentes de ouro, próteses de várias espécies,...)
Na fase mais "aperfeiçoada", o gás utilizado demorava meia hora a alcançar o efeito desejado. E chegou a esta fase depois de sucessivas tentativas de melhoramento da fórmula, sendo que no início as pessoas demoravam dias a morrer ('enlatados' na tal sala). Muitos eram queimados ainda vivos.

Esta é a entrada de comboio para o campo de Birkenau, ou Auschwitz 2. Aqui chegavam comboios atulhados de judeus de todas as partes da Europa e da bacia do Mediterrâneo. De alguns países, derivado à campanha nazi, os judeus vinham livremente pagando o seu bilhete, por acreditarem que vinham para uma nova terra prometida.

O campo de Birkenau, todo em madeira e incendiado pelos nazis em fuga, foi construido propositadamente a poucos quilómetros de Auschwitz, por este já não ter capacidade de acolhimento e de mais rápida matança. Nos crematórios deste novo campo eram gaseadas 2000 pessoas de cada vez.
Na foto que abrange apenas uma porção da zona norte do campo, podemos ter uma ideia do que seria a sua dimensão se verificarmos que cada chaminé pertencia a uma barraca.

Em cada uma das barracas de madeira, contruidas por base em estábulos alemães, dormiam entaladados cerca de 400 judeus. A maioria era morta à chegada e não chegaria a usar estas instalações. Eram poupados apenas aqueles que tivessem à chegada condições para trabalhar (nos campos e nas fábricas das redondezas). Destes, a maioria morreria nos primeiros dias. Os poucos 'mais felizes', aguentavam em média três meses.


Nenhuma destas fotos ou do que escrevi, pode realmente descrever o que sentimos no local.

Perdas e ganhos de Tomar nas últimas décadas.

Texto integrado no suplemento de aniversário do jornal Cidade de Tomar e ao tema em epígrafe dedicado, publicado a 16 do corrente.

Para falar sobre as perdas e ganhos de Tomar nos últimos anos poderei invocar com maior propriedade as últimas três décadas, ou o período pós vinte cinco de Abril, que de alguma forma corresponde com o meu tempo de vida.
A Democracia trouxe a Tomar naturalmente, como no resto da região e do país em especial depois da entrada na Comunidade Europeia, desenvolvimentos importantes com especial enfoque na área das infra-estruturas. Estradas, água canalizada, electricidade para todos, melhores escolas, melhores e novos serviços públicos como a Biblioteca e as Piscinas. Aqui de facto Tomar acompanhou o evoluir normal da maioria dos concelhos, além de termos conseguindo ainda o Instituto Politécnico, e o complexo e polémico Hospital.
Mas em quase tudo o resto perdemos. Exemplo flagrante são as acessibilidades às vias nacionais: a A1 passou longe, a A23 também, e isso é irreparável por muito que agora se possa atenuar.
Muito por isto, mas também por culpa das sucessivas câmaras, Tomar perdeu capacidade económica. As três ou quatro grandes empresas que sustentavam Tomar inevitavelmente pereceram e o problema é que não foram substituídas, nem tem havido esforços de cativar outras. E não se diga que isso não é responsabilidade da autarquia, porque basta ver o que acontece à nossa volta.
Tomar e os tomarenses que sempre estiveram habituados a ter tudo e a liderar, não souberam enfrentar uma nova realidade em que é preciso correr atrás do sucesso.
O tempo em que em toda a região era preciso vir a Tomar para tratar do que fosse, o tempo em que até Santarém capital do distrito era ofuscada por nós, o tempo em que era um acontecimento para um abrantino ou um torrejano vir a Tomar, passou.
Depois, o que se tem feito realmente novo? Quantos jardins, a ligação ao rio, capacidade hoteleira, novas ofertas turísticas, novas formas de aproveitar e potencializar a riqueza associativa? Quantas indústrias, empresas, o que tem de significativo a nossa zona industrial? Habitação social ou a custos controlados, o que existe no pós “Nabância”? O que tem Tomar verdadeiramente novo e que nos distinga dos outros, que não tivesse há trinta anos?
Por isso, no resumo penso que o que se poderá dizer de Tomar é que claro, estamos melhor em certas comodidades e aspectos da vida diária, como todo o país está, mas na proporção com o restante da região perdemos protagonismo e liderança, e se em alguns casos estamos a par, em muitos estamos mesmo já atrás.
Há fundamentalmente um problema que a todos os outros arrasta: falta de desenvolvimento económico, captação de investimento, criação de riqueza. Sem isso não haverá fixação em Tomar, não haverá poder de compra para o comércio, não haverá apoio à cultura, ao desporto, à solidariedade e apoio social e a muitas outras áreas que hoje se entendem imprescindíveis.
Somos efectivamente pouco empreendedores, e também é verdade que muitas vezes se complica demasiado a vida aos que o querem ser. Temos enormes potenciais mas pouco os temos sabido aproveitar – na cultura, na paisagem, no associativismo, na história, na localização geográfica. Outros têm inventado do nada o que a nós já tendo bastava rentabilizar.
Mas somos também demasiado bairristas em assuntos que o não merecem, e ao mesmo tempo pouco preocupados com o que nos acontece de verdadeiramente importante. Os tomarenses são, com tristeza o digo, uma comunidade resignada e adormecida, embevecida por títulos antigos e habituada a deixar nas mãos de dois ou três a condução dos seus destinos.
E assim, só continuaremos a perder, por muito que a alguns custe abrir os olhos.

Com sinceros votos de Parabéns ao jornal Cidade de Tomar,
Com desejos que ajude, na sua missão de informar a contrariar o estado das coisas que antes descrevi,

quarta-feira, março 14, 2007

E por falar em mercados...

O que é um dos pontos centrais de Zacopane, "capital de Inverno" da Polónia?
Pois, um mercado.


E já agora, o que é aquilo ali bem no centro da principal praça de Cracóvia, 2ª cidade e ex-capital da Polónia?
Hum, uma catedral, a câmara municipal, um centro comercial?...
Não me digam que é... um mercado!




Mercado&Mercador

Acabou esta quarta-feira o período de Discussão Pública do “Plano de Pormenor do Flecheiro e Mercado” integrado no Programa Polis, e largas centenas foram as propostas entradas.
O assunto agita a comunidade e não é para menos. Em causa está a destruição de um espaço que é marca de Identidade, centro de Vivência Social, garante económico de muitas famílias, e um bom sentir do concelho que somos.

Como em qualquer terra desenvolvida, o Mercado é um espaço central, de fácil acesso, onde os da cidade podem ir a pé, que chama residentes e atrai turistas. O nosso foi além disso referência e pólo centralizador de uma região. Hoje está muito degradado, e vai sendo ultrapassado por novos, melhores e maiores mercados de outros concelhos (e sim caro Ivo Santos, nós falámos com as pessoas) mas o ter-se deixado (intencionalmente?) chegar a este ponto não pode ser desculpa para simplesmente deitar abaixo. A culpa não é de quem lá vende nem de quem lá compra.
Depois a propaganda é o que é, criam-se imagens, criam-se necessidades, criam-se ideias bonitas que tentam convencer as pessoas. Como utilizar o exemplo do Fórum de Aveiro para dar a ideia de que o que aqui se quer fazer é algo semelhante. Cada vez mais me convenço que a maioria dos que nisso falam nem sequer já visitou o espaço.
Ó senhores, nem em Aveiro o Fórum de dois andares tem nada a ver com o mamarracho de cinco que se quer cravar em Tomar, nem Tomar tem semelhanças com Aveiro que tem o dobro da população, cinco ou seis vezes mais que os estudantes universitários aqui, e a liderança e centralidade da região, bem ao contrário de Tomar que embora alguns não o queiram ver, há muito que não lidera nada.
Outras estratégias são o lançar de ideias que apontam à desmobilização e resignação, como a de criar o boato que “o mercado até já está vendido”. No contacto que tivemos com vendedores e compradores, muitos mostraram acreditar nisso, como se efectivamente Tomar fosse feudo de alguém que põe e dispõe, que compra e vende como se fosse seu sem disso prestar contas. Às vezes eu próprio dou por mim a admitir isso…
E por fim, o ardiloso argumento de que não se quer destruir o mercado mas sim renová-lo. “A construção de um novo mercado ao lado do actual” realçou António Paiva neste mesmo jornal, só depois falando da pomposa ideia do fórum, acrescentando agora um novo e bem representativo dado: “…pode até ter habitação”!
O mesmo engenho se usa no caso da ponte, em que se diz até concordar com a de São Lourenço, que até está no Plano, mas que a do Flecheiro é prioritária. Ponte que cada vez mais se prova que não serve para resolver qualquer problema de trânsito (pelo contrário) mas para valorizar, viabilizar, a apetência de um qualquer investidor naquele apetitoso terreno junto ao rio.
Imaginemos por momentos que tudo isto se faz, e até é bem sucedido. Vislumbra-se o acréscimo de tráfego no centro da cidade? E o novo mercadito e o gigante centro comercial podem coexistir? Está-se mesmo a ver a dona Maria com o saco dos nabos e do peixe a entrar na Zara para ver os saldos, enquanto o marido a espera à porta no tractor a comer umas pipocas…
E algum investidor vem meter dinheiro num centro comercial destas dimensões, sem garantir que lá dentro esteja um hipermercado? Há de facto quem julgue que as pessoas não pensam. Há quem ache que o povo é estúpido, há quem ache que o povo é imbecil!
O movimento iniciado com tanta adesão contra a destruição do Mercado, levou mesmo alguns do PSD (nem todos, também há e muitos que percebem o erro) a iniciar um contra-movimento onde se pede às pessoas que assinem algo que apela à renovação do Mercado. Claro, até eu assino, mas renovar NÃO é destruir!
Ó gente abri os olhos! Não está em causa remodelação nenhuma! O que se quer é deitar, por puro interesse imobiliário o Mercado abaixo, tendo-se entretanto inventado esse argumento para a confusão, que se vai fazer ao lado outro embora mais pequeno. Mas isto faz algum sentido?
Que fique claro, nem eu nem o PS somos contra um centro comercial, mas não há qualquer necessidade de sacrificar o Mercado, assim como a vivência do centro da nossa cidade a esse espaço privado. Seria um enorme erro com graves consequências mais tarde.
Será que somos assim tão inteligentes que quando à nossa volta constroem melhores e maiores mercados, Tomar destrua a seu, para ficar com o mais pequeno da região, se ficar com alguma coisa? Ou será que vamos ter aqui um novo parque de Campismo, um novo Cine-esplanada? Destrói agora e qualquer dia logo se vê!
TODOS SOMOS TOMAR. E todos temos uma palavra a dizer. Muitos foram os que se mobilizaram nos últimos dias, muitos foram os que transmitiram o seu profundo descontentamento. Muitos infelizmente, mostraram também o medo e a frustração. Há muito medo em Tomar, medo de represálias, medo de consequências por se assumir e se lutar por uma opinião. Isto é Tomar.
Há muita resignação, muito “ele faz o que quer”. É mesmo assim tomarenses? Vamos deixar mais uma vez que a teimosia de um e a complacência de alguns outros, leve mais um pouco da nossa terra? É verdade o que dizem de nós, uma comunidade apática e “serenazinha”?
Caro António Paiva, caros dirigentes do PSD, é natural que se queira deixar marca num momento que se diz ser já prenúncio de partida, mas depois do que se fez ao parque de campismo, ao cine-esplanada; as polémicas, caras e como se vê ineficazes obras dos parques de estacionamento atrás da Câmara e sob o Pavilhão, a rotunda cibernética, as lombas, querem ficar lembrados em memória última como aqueles que mataram o Mercado em Tomar?
Eu quero acreditar que não.

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 9 de Março

algures na Polónia

Pois é, voltei.
Do frio algo sujo e ainda a descobrir a Europa, da Polónia.




É natural que queiramos sempre melhor, e que nos comparemos a quem está melhor, mas devíamos também lembrar de que há sempre alguém pior, e que no mundo nós somos mesmo do topo da pirâmide.
Este para nós banalíssimo era o segundo ou terceiro prato mais caro deste restaurante algures numa aldeia perdida no sul da Polónia. Custava em euros qualquer coisa como 5. (na Polónia a moeda é o Zlote)
E um polaco normal vê um prato destes muito poucas vezes por ano. (claro que eles também não sabem bem o que é comida a sério...)

domingo, março 04, 2007

Para terra de holocaustos...

Ausente nos próximos dias, este espaço algures vai manter ainda com mais premência uma das suas premissas: "onde algures sem periodicidade certa se desabafa", assim como também não deverá haver aprovação de comentários.
Para onde vou não conto ter acesso à internet, e com um pouco de sorte muito pouca rede.

Quero ver ao menos se quando chegar Tomar ainda tem o Mercado de pé...
Fiquem bem.

quinta-feira, março 01, 2007

Deitar o Mercado abaixo?!

Até dia 7 de Março podem ser entregues as sugestões para o Plano de Pormenor do Flecheiro e Mercado na Casa Vieira Guimarães à entrada da Corredoura.
Cada proposta conta.
O documento abaixo tem já proposta de sugestões, mas pode escrever as que entender, o que importa é que participe numa discussão que a todos os tomarenses importa.
As minhas opiniões sobre esta matéria andam por aí nos arquivos algures, e também aqui.



A participação está a ser grande, e não está a ser dado comprovativo de entrega ao contrário do que é de Lei, mas ainda assim aconselha-se os responsáveis do Polis a não perder nenhum papel...
Poderia ser grave.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Paternidade

Este é um comentário que coloquei há pouco no "Condado do Flecheiro". Já que ando a produzir tão pouco fica também aqui.
Os que estiverem fora do contexto vão ter que fazer um esforço, desculpem lá.

"Caro Fernando Oliveira,
e aos demais,

Devo dizer que estranho e me diz pouco esta questão da paternidade do referendo local. (embora não duvide da sua, certamente muita, pertinência política)
Estranhei de facto quando, talvez há duas horas atrás, uma jornalista me telefona a indagar sobre o assunto, isto depois de outros telefonemas pessoais ao longo do dia.

Dou como disse, pouca importância ao assunto, mas depois de ser informado e de verificar que, tanto pessoalmente como o partido que represento aqui somos referidos, entendo dever dizer o seguinte:

Sobre o referendo local à construção da ponte do flecheiro, já em 2004 o PS levantou a ideia, (o que é fácil confirmar para quem tem andado pela política ou minimamente atento), e só não a levou mais à frente por diversas razões de ordem política que não entendo serem agora relevantes, nem carecerem de pertinente discussão neste fórum.
Segundo, já em 2006, e em especial nas últimas semanas do corrente ano o PS voltou, desta vez apenas em discussões internas e com conversas casuais com personalidades exteriores ao partido, a reflectir sobre a hipótese do referendo à ponte, sendo que nas últimas semanas essa ideia se colocava por oposição ao referendo ao mercado.

Lembro que o referendo para poder ser viável só pode conter uma questão.
A decisão recaiu na segunda hipótese de referendo, e as razões dessa decisão reservo-me a discuti-las pessoalmente com os líderes dos outros partidos e grupos, o que espero venha a ocorrer breve, se assim forem desse entendimento.

O facto de só termos anunciado essa ideia no passado sábado, dia em que agendáramos um debate público, tem a ver com o facto de, ao contrário do PSD na autarquia, não “adjudicarmos decisões” antes de ouvirmos opiniões.

Caro Fernando Oliveira, apesar de, de qualquer forma, não o ter ouvido defender nenhum referendo, mas apenas invocar tenuemente essa hipótese na Assembleia Municipal; e apesar de tudo o que antes referi, e de poder ser eu a acusá-lo de querer "assumir os filhos dos outros"; se está tão obstinado a ser o “Professor Marcelo” do referendo em Tomar, por mim, que seja.

Reafirmo no entanto, e isso é que julgo importante, a disponibilidade, permanente, pessoal e do PS, para discutir tudo o que, duma forma séria e profícua seja a bem de Tomar e dos Tomarenses.

E à margem, aproveito para duas notas finais:
Primeiro, se fizer o favor, não nos acuse de divisionistas, porque a inteligência facilmente demonstra quem o é.
Segundo, era tempo de vocês que tanto gostam de se denominar de independentes, parassem de tentar interferir nas questões internas do PS.
O PS não é nenhum grupo personalizado e a prazo, é uma instituição com história e com regras. Entre outras coisas, continuar sub-repticiamente a tentar colocar em causa os órgãos legitimamente eleitos com cerca de 70% dos militantes eleitores não só é de uma inconsequência extraordinária, como mais uma vez não é abonatório de inteligência, ou do apregoado desprendimento, rigor, e verdade.

Ao dispor, cumprimenta
Hugo Cristóvão
Presidente do PS Tomar "

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Melhores dias...

... é o que resta esperar a este blogue.
Mais tempo e mais paciência.

Igualmente melhores dias se esperam na visualização do mesmo.
Algumas pessoas têm comentado que o blogue está a aparecer numa "linguagem estranha".
Se for esse o seu caso deve ir ali a cima ao menu e clicar em "Ver - Codificação - Unicode (UTF-8)"

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

"Salvar o mercado de Tomar"

Recupero aqui partes de um artigo que escrevi a 23 de Julho de 2004 no jornal Cidade de Tomar. Não podiam estar mais actuais.


"Como outras coisas na nossa terra, o mercado de Tomar é mais uma vítima do mau ou da falta, de planeamento desta Câmara, (...) Não se pode esperar que caiba no mesmo saco, o que antes só cabia em dois.
Todos sabemos que a solução para o mercado não é fácil, mas criar mais problemas do que os que existiam, ou pura e simplesmente acabar com as coisas, como parece ser política desta Câmara, não me parece ser a forma mais correcta de actuar.
(...)
E porque é importante salvar este mercado?
Em primeiro, porque ele é ainda a fonte de algum rendimento de muitos cidadãos que praticam uma agricultura de subsistência, e que através da venda de alguns excedentes conseguem juntar mais alguns trocos, que para a maioria desses pequenos vendedores que se deslocam a Tomar, muito representam.
Estes produtos, de cultura artesanal e de certa forma por isso, mais ecológica, são o garante de quem os compra, de consumirem artigos com qualidade acrescida e uma “denominação de origem” que não podem assegurar noutro local.
Muitos destes são também comprados pela restauração, pelo que os estabelecimentos locais podem assim, apresentar melhores e genuínas ofertas da região a quem nos visita, sendo uma mais valia para o turismo.
Mais valia para o turismo é também o próprio mercado, uma vez que este é, como é fácil verificar, um chamariz para os turistas estrangeiros que nos visitam. Aliás, é simples aferir que quase tudo o que é cidade ou vila deste país que se diga voltada para o turismo, tem o seu mercado de frescos.
Ele é além disso, um reforço da (já débil) posição de centralidade de Tomar em relação aos concelhos vizinhos, pois muitos são os que, para comprar ou para vender, se deslocam ao nosso mercado vindos de fora do concelho, o que acaba sempre por ter influência noutros sectores.
Ele é também um espaço de encontro, de reunião, de convívio, pois muitos dos que vêm vender os poucos produtos que lhe sobram: o quilo de feijão, a dúzia de ovos – são normalmente mais idosos e/ou oriundos de classes mais desfavorecidas, pelo que para muitos o vir ao mercado é o único pretexto para se deslocarem à cidade e se encontrarem com outras pessoas.
O mercado representa o encontro de dois mundos, dois tempos: um deles o do passado, um tempo que já não é o nosso, em que estes mercados eram a única forma de comprar e vendar, e por isso existem alguns resquícios destes espaços mesmo pelas freguesias. Mas ele pode também representar o caminho a seguir, o futuro, a procura de produtos não “produzidos em série”, produtos de qualidade, oriundos de uma agricultura artesanal e de forte cariz ecológico como ela tem de passar a ser, o que pode representar um dos caminhos de desenvolvimento económico, social e ambiental para o nosso concelho e a nossa região, inserida naquilo que são, os pressupostos de desenvolvimento sustentável que por mais que alguns ridicularizem por desconhecimento, e outros minimizem por desinteresse, terá forçosamente que ser a estratégia a adoptar. O mercado não está bem e não é de agora, é preciso melhorar as instalações, as condições de higiene, é preciso melhorar os acessos, é preciso planear e aumentar a segurança quer do ponto de vista da Polícia de Segurança Pública, como da Protecção Civil (...)
O mercado não está bem, todos o sabemos, (...) vai de encontro à extinção, e este mercado é mais um símbolo concreto daquilo que vai acontecendo a Tomar.
E é preciso acabar com o silêncio, com a forma de actuar que esta Câmara vai efectuando e a quem todos criticam em surdina, mas poucos tem a coragem de assumir. E é preciso acabar com os silêncios dos mais responsáveis. O que têm dito os Presidentes de Junta, que sabem bem que muitos dos seus concidadãos precisam deste mercado, e de que ele funcione bem? E o que diz o Presidente da Junta de Santa Maria dos Olivais, ou mesmo de São João, a quem o mercado afecta directamente? Sobre este e outros assuntos, porque se calam? Por incompetência ou por conivência?
Tomar, é cada vez mais uma miragem à qual nem os arranjos exteriores conseguem tornar mais real. O Futuro, o Desenvolvimento e o Progresso, cada vez passam mais longe daqui. O tempo urge, é preciso encontrar outros rumos, ou um rumo que seja, outras soluções, e inevitavelmente, outros protagonistas."

Espero ter tempo para em breve voltar ao tema.

Tomar na televisão

A revista Visão noticia hoje que o canal brasileiro TV Record (canal disponível na TV Cabo) encomendou uma minissérie de ficção sobre a temática templária, cujas gravações começam em Março, em Tomar.

"Quem não tem tempo...

... não tem blogue." li algures hoje, e de facto comigo tem sido assim nos últimos dias.
Outros melhores virão, talvez.

sábado, janeiro 27, 2007

"Eu de eleições já tive a minha conta."
António Paiva, Presidente da C.M. de Tomar, na Assembleia Municipal de ontem.

Caro engenheiro Vicente, Presidente do PSD de Tomar - para desabafos começam a ser muitos não?

Saídas da saúde

Apesar de não ter estado o número de pessoas que poderia ter estado (o auditório da biblioteca esteve talvez, preenchido um pouco mais de meio) e de no fim das coisas o acto vir a servir para, como dizia a enfermeira Saudade Pocinho, pouco mais que (alguma) imagem, não deixou de ser interessante a Assembleia Municipal temática para intervenção do público decorrida ontem.
Um acto que era bom que se tornasse hábito, fundamentalmente como fomento da participação e interesse dos cidadãos na discussão das causas públicas, e talvez com o tempo estes eventos viessem a originar consequências.

Em todo o caso não é por isso que escrevo este post, mas porque quero agradecer publicamente o elogio que me fez o Presidente da dita Assembleia e Deputado da República, Miguel Relvas.
É que Miguel Relvas disse duas os três vezes que não gosta de "bater" nos fracos, e como só a mim (e ao Luís Ferreira) ele "bateu", eu concluo portanto que...

Eu devo confessar que me sinto até envergonhado porque recebo esse elogio depois de o ter importunado a tal ponto que ele abdicou da sua postura de não fazer política partidária (confesso que desconhecia) e ter que intervir para defender a Câmara.
Agradeço não ter feito qualquer demagogia em resposta àquilo que foi claramente a minha, e por isso aqui ficam as minhas desculpas. Eu até poderia prometer mudar de atitude mas... não consigo. É que lamento mesmo ter ajudado a estragar aquele clima tão saudável de suposta impunidade da Câmara em relação à matéria, mas que hei-de fazer? Sou inoportuno!

Também é certo que, e devo mencioná-lo, a referência que fez aos cargos e às nomeações políticas foi um pouco "baixa", mas usando as suas palavras vou considerar que foi “um momento menos feliz”, e deixe lá... também ninguém repara nisso.

E, final feliz, fiquei muito contente com a afirmação convicta de António Paiva, de que está para defender os interesses de Tomar e que se for preciso vai à luta, mas que é preciso é dar tempo para que as coisas aconteçam! Só que eu, que não sou tão inteligente como Miguel Relvas diz, não sei bem o tempo destas coisas... Paiva e o PSD estão na Câmara desde 97, o Plano Funcional do Centro Hospitalar é de 98, nós estamos em 2007... Será que falta muito?!

O estudo é que diz!

O início do ano começou bem para Tomar. Os atentos terão reparado que um estudo do jornal Expresso nos elevou à décima segunda cidade do país em qualidade de vida, e nós que disso só sabemos a parte de cá vivermos, ficamos naturalmente contentes por nos ser atribuída tamanha distinção, e envergonhados por andarmos sempre a criticar negativamente.
Sim, rebentaram foguetes e ares de júbilo, e dos lados da Câmara veio uma espécie de “vêm, eu bem dizia…”.
Nós, cada um à sua maneira, regozijamos de tal contentamento que esquecemos o preço das casas, das taxas, dos serviços, da água; esquecemo-nos das obras mal feitas e mal planeadas, do constante estaleiro que Tomar aparenta ser como se muita coisa estivesse a ser feita, da confusão do trânsito, da falta de investimento. Eu não sei como é convosco mas eu ando inchado de orgulho, e nem percebo como é que Tomar não está pelo menos no pódio…
Bom, é natural que aqueles que olhem para estudo com olhos de análise fiquem logo baralhados com o facto de sermos décimo segundo estando quinze cidades à nossa frente, mas isso são pormenores de pouca importância. Na verdade o estudo é muito elucidativo e traz-nos novidades que nós claramente desconhecíamos, como aquela de termos acessibilidades iguais a Santarém e a Abrantes e melhores que Torres Novas! Tão enganados que andávamos... mas pronto, se o estudo diz... até porque os outros têm o quê, a auto-estrada à porta?!
Nós já sabíamos que em património estávamos melhor, sim aí não foi novidade para nós, e se temos aí umas coisas a cair, Convento de Santa Iria e outros que tais, são questões meramente passageiras que se resolvem com o tempo... a partir do momento em que estiverem no chão já ninguém se lembra disso, assim tipo, cine-esplanada.
E mesmo assim, aquele monumentozito que temos lá em cima do monte e ao qual não ligamos nenhuma está muito mal aproveitado, o que é que interessa isso do Património Mundial?! Aquilo dava ali era um bom centro comercial, com umas lojas de roupa espanhola e diversão a sério. Já viram o que seria a malta a comer uns hambúrgueres na sala do capítulo depois de umas voltas no comboio fantasma instalado em torno do Claustro de D.João II? O homem até já morreu, acham que se importa?! Aquilo com uns holofotes giratórios, muitos neons coloridos, e o jet set nacional… éramos imparáveis!
E isso das empresas e tal… essa malta de Santarém ou de Abrantes deve pensar que têm lá uma zona industrial com grandes coisas… ora, para quê? A nossa não tem lá quase nada e o Expresso diz que o nosso desenvolvimento económico é melhor! Ora embrulhem! Claro que nós também não sabíamos, andávamos mesmo equivocados acreditando que o desenvolvimento económico era um dos nossos principais problemas, mas, claro está, isso é porque somos modestos...
Já descobri também porque Tomar foi o último concelho do distrito a criar a Rede Social, e tem lógica, se, diz o estudo, nós somos os que estamos melhor a nível de equipamentos sociais – até porque, todos sabemos, o aspecto social é talvez a primeira prioridade da autarquia...
E a malta que gosta de dar umas voltas à noite? Queixam-se de quê? Tomar está muito bem! Pronto é verdade que Torres Novas tem duas discotecas que são mesmo discotecas, e mais uns bares, e Abrantes tem lá uns espaços todos modernos e onde se vêm muitos tomarenses, mas isso é porque são uns ingratos! Então se o Expresso diz que nós estamos melhor, porque havemos de ir “laurear a pevide” para outros concelhos?
E depois essa malta que sai daqui para ir às compras ou ao cinema a Torres Novas?! Mal-agradecidos! É a única explicação possível, mal agradecidos que têm prazer mórbido em gastar combustível.
Pronto, correu-nos mal o estudo na parte da governança e cidadania, mas isso é facilmente explicável, então se isto está tudo tão bom, para que é que é preciso que a Câmara governe bem ou a malta seja mais crítica e interveniente?
E o presidente António Paiva tem toda a razão “isto é um prémio para o trabalho feito por todos os tomarenses”, é sim senhor! Em especial para o que fez estudo, porque das duas uma, ou quem fez o estudo o fez sentado num gabinete em Lisboa, ou então só pode ser mesmo tomarense, mas daqueles que vivem fora...
Em todo o caso que ninguém duvide, se o estudo diz é porque é justo, somos a décima segunda cidade do país e acabou-se. E caminhamos visivelmente para ser a primeira, caminhamos é devagarinho que a malta quando chega a certo estatuto já não se quer cansar muito, ou não é verdade?

Hugo Cristóvão
Presidente do PS da décima segunda melhor cidade do país.

artigo publicado no Cidade de Tomar de ontem

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Livros com "cheirinho"...

... na Biblioteca de Tomar, ou a institucionalização da leitura de casa-de-banho, segundo nos informa O Mirante aqui