terça-feira, abril 24, 2007
Grândola Vila Morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Letra e música: Zeca Afonso
In: "Cantigas do maio", 1971
ciber vício.
Também é verdade que dois dias afastado do computador sabem bem, mas ao mesmo tempo já quase os sinto como sentirá um dependente de uma qualquer substância drogante. Já para não falar a trabalheira que dá despachar os e-mail's que se acumulam em dois dias úteis...
Quando regressei estavam por aqui comentários do autor do blogue "Por Esse Mundo Adentro!" cuja visita recomendo.
E amanhã é 25 de Abril.
sábado, abril 21, 2007
Psicologia
Há um engraçadinho que encontrou uma nova forma de se divertir...
25 de Abril… Sempre?
Este é parte de um discurso do “ex-Presidente do Conselho”, exemplar manifestação da sua intolerante forma de pensar e que determinou a actuação da ditadura obscurantista que alguns afirmam não ter sido fascista, durante meio século em Portugal. E agora que nos aproximamos de mais um 25 de Abril, parece também ter chegado esta moda revivalista de Salazar, que pode vir para perdurar.
Ao mesmo tempo que “a velha senhora” ganha concursos e é desejado tema de museu, e grupos fascistas concorrem a Associações de Estudantes e colocam outdoors em locais públicos, um partido de esquerda bem acentuada quer agora a nacionalização da EDP e da Galp… Se isto não é revivalismo, se isto não é a reminiscência da formatação mental da ditadura…
Sem vilões não há heróis, e de facto parece que é preciso ainda o fantasma do homem que caiu da cadeira, para que alguns se possam afirmar grandes resistentes sofredores e detentores da vitória da Liberdade… ainda que muitos nas práticas sejam tudo menos democráticos.
Sendo ou não sendo moda apreciar Salazar, verdade será que nas atitudes de alguns o estilo e a ideologia parece nunca ter perecido.
Ainda há dias neste mesmo jornal alguém militante e responsável num partido que se afirma de matriz social-democrata criticava de forma vil o facto de largas centenas de pessoas se terem formalmente e de acordo com a Lei, manifestado contra aquilo que é uma intenção da autarquia tomarense, e lamentava que o partido que represento tivesse tomado a dianteira na promoção dessa iniciativa. Naturalmente gostaria que nos mantivéssemos calados.
Queixava-se ainda do facto deste mesmo partido ter produzido folhetos onde eram expressas as nossas opiniões, e pelo meio (re)afirmava espantemo-nos, que os símbolos públicos são propriedade de alguém. Não percebo porque não estão presos todos os que usaram bandeiras no Euro 2004…
É efectivamente verdade que hoje, há ainda quem não goste de que as pessoas sejam esclarecidas, há quem prefira os cidadãos na ignorância, há quem use e abuse do facto do conhecimento ser poder e a falta dele ser servidão. Há tiques que demoram muitas gerações a desaparecer. E se ficarmos quietos e calados, demoram ainda mais.
A Liberdade nunca está segura, e quando a maioria a dá como banal é exactamente quando ela está mais em perigo. Perceba-se que em 900 anos de história do nosso país, só há pouco mais de 30 vivemos algo próximo disso a que chamamos Liberdade.
Como cantaria Paulo de Carvalho, é preciso “saber como se ganha uma bandeira”, “aprender quanto custa a Liberdade”! Mas quem hoje se dá ao esforço de ao menos tentar “ganhar uma bandeira”? Quantos sabem quanto custa a Liberdade? Está a Liberdade a preço de saldo?
"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.", disse George Orwell (autor da expressão Big Brother), e portanto é preciso que isto se diga: o problema maior dos portugueses são os portugueses, somos nós e cada um de nós o nosso pior inimigo; o maior dos nossos males é o pouco assumir das responsabilidades, é o exigir o máximo dos direitos e mínimo dos deveres, é o espírito de treinador de bancada – todos sabem dizer mal, mas poucos se esforçam por apresentar alternativas, por mudar, por sequer fazer críticas válidas e construtivas. Olhamos muito para o umbigo, esquecendo-nos que todos os outros têm um também.
Será por isso necessário, adaptando a frase de Kennedy, pensar não no que Portugal pode fazer por nós, mas no que podemos fazer por Portugal. Acreditar aplicando-o, que é do benefício do colectivo que devemos partir para o benefício individual e não o contrário.
Sem isto, sem a assumpção das responsabilidades, sem a percepção que a Liberdade se constrói e se alimenta todos os dias, que ela só existe quando respeitamos a Liberdade dos outros, e que só dessa forma, com recurso à Tolerância e à Inteligência se chega à Igualdade podendo assim iguais ambicionar o ideal utópico da Fraternidade, a Democracia estará sempre em risco.
De 74 para cá muito foi feito, sim, e é preciso repeti-lo muitas vezes como antídoto para o pessimismo e saudosismo Luso, mas também é acertivo que muito há ainda a fazer, em especial nas mentalidades e nos espíritos de cada português.
É imperioso, acabar com o medo de criticar, o medo de dizer o que vai na alma, o medo de enfrentar os poderes instalados, o medo de enfrentar a autocracia, o medo das represálias.
Há que entender que o dever dos mais fortes é proteger os mais fracos, o dever dos mais esclarecidos é elucidar os menos. O ser humano completa-se quando outro ajuda a nascer. Seja fisicamente para a vida, seja intelectualmente para o conhecimento. E a quem isto compete? A todos nós. Com o poder e o conhecimento advêm a responsabilidade, e como tal é necessário que quem os detém os saiba usar e que os fins desse uso sejam o colectivo. Não há Liberdade sem pensamento Humanista.
E a todos, participar, participar, participar… nos partidos, no mundo associativo, da cultura ao apoio social, ao voluntariado, ao apoio aos desfavorecidos e grupos de risco, ou em tantos locais onde um par extra de mãos é sempre bem vindo.
Enquanto todos nós não participarmos mais, enquanto não formos mais pró-activos nos males do mundo, continuaremos a viver uma Liberdade pouco mais que aparente e muito próxima da precária. Continuaremos a ser pouco senhores dos nossos destinos e a deixar que alguns nos guiem, mesmo que sem nos apercebamos, os nossos passos.
E resumindo, o que importa é: o que pensa disto e o que é que está disposto(a) a fazer?
Por Portugal, e por cada um de nós.
25 de Abril, SEMPRE!
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 20 de Abril, onde aparece com uma ou duas gralhas que me são estranhas
quarta-feira, abril 18, 2007
Embaraço
A bela e o quê...?!
Por favor, alguém me diga que aquilo é tudo a fingir, e que aquilo pretende ser apenas, mesmo falhado, um programa humorístico....
segunda-feira, abril 16, 2007
Os meninos de Huambo
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia
Com os lábios de dizer nova poesia
Soletram as estrelas como letras
E vão juntando no céu como pedrinhas
Estrelas letras para fazer novas palavras
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Com os sorrisos mais lindos do planalto
Fazem continhas engraçadas de somar
Somam beijos com flores e com suor
E subtraem manhã cedo por luar
Dividem a chuva miudinha pelo milho
Multiplicam o vento pelo mar
Soltam ao céu as estrelas já escritas
Constelações que brilham sempre sem parar
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão aprender como se ganha uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
Palavras sempre novas, sempre novas
Palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Assim contentes à voltinha da fogueira
Juntam palavras deste tempo sempre novo
Porque os meninos inventaram coisas novas
E até já dizem que as estrelas são do povo
Letra e música: Rui Monteiro
domingo, abril 15, 2007
Fraude
O que é uma fraude?
Responde o aluno:
É o que o Sr. professor está a fazer.
O professor muito indignado:
Ora essa, explique-se...
Diz o aluno:
Segundo o Código Penal comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar!
enviado por e-mail pela Dina Lopes
quinta-feira, abril 12, 2007
No próximo domingo...
e a propósito já votou?
é aqui e não custa nada. (http://www.7maravilhas.sapo.pt/registo.asp)
terça-feira, abril 10, 2007
Anonimato, outra vez
"Ao anónimo (ou anónimos) que faz(em) os comentários anteriores devo dizer que os mesmos têm muita pertinência e acutilância.
No entanto, o facto de estes serem comentários anónimos (e já manifestei aqui e noutros locais a minha posição sobre o anonimato) retiram a essas críticas o factor positivo das mesmas e grande parte da sua validade.
Que as críticas permaneçam anónimas, é o que deseja quem pretende que o status quo se mantenha seja ele qual for.
Ainda para mais em Abril, é tempo de metermos no corpo a convicção de que o medo de dar a cara tem que ser coisa ultrapassada.
Goste ou não goste, quem quer que se sujeite ao vislumbre do público, tem que aceitar ser criticado, desde que com regras mínimas de Ética e de exercício de Liberdade.
Uma delas é exactamente que o criticado saiba quem o critica, e como tal tenha hipótese de defesa.
É por isso que reafirmo, os comentários anteriores usam de muita assertividade, mas carecem de uma assinatura no fim. Ainda que, e para que fique claro, concorde com grande parte do que neles está escrito.
Cumprimentos,"
Perspectivas
Não sei porquê lembrei-me agora desta frase que não faço ideia de quem seja se for de alguém, mas acho-a tão significativa que a coloquei aqui.
Tem aplicações em muitas áreas distintas... entre as quais também consta o dito Amor.
domingo, abril 08, 2007
energia de domingo
quinta-feira, abril 05, 2007
quarta-feira, abril 04, 2007
Se forem ao Google e fizerem uma pesquisa no separador imagens com a palavra "Tomar", vejam lá que cromo aparece. (ou se clicarem aqui)
E depois chamam-me vaidoso.
Obrigado Sílvia por tão pertinente contribuição.
Adenda: Afinal foi a SUSANA. Sorry, sorry, sorry...
sábado, março 31, 2007
algures à pressa.
(Es)culturas...
Padre como nós
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
[agora vem o melhor:]
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
pertinente contribuição do Bernardo Neves
quarta-feira, março 28, 2007
algures de São Paulo
O seu autor, José Júlio Lopes é um empresário tomarense bem conhecido, agora radicado em São Paulo, a quem além do mais agradeço este, e outros comentários e sugestões que tem feito.
"Hugo
Li com atenção este texto, correcto mas com alguns "acrescentos".
Tomar foi uma cidade pioneira e de pioneiros, na industria do papel, da fiação, das madeiras e até da electricidade pois enquanto outras andavam no "acetileno" já a central do Mendes Godinho com a sua localização na Levada fornecia electricidade a toda a "cidade velha", era no antigo regime um das cidades mais industrializadas do distrito.
Quando outros empresários da altura se aperceberam deste facto houve muitas empresas a querer migrar para Tomar, nessa altura um "arranjo" entre os politicos e "empresários" impediu a instalação dessas empresas com o argumentos que as mesmas iriam inflaccionar o mercado de trabalho local, quando se estava a remediar este erro apareceu a Revolução, as empresas foram intrevencionadas, os empresários saíram a coisa foi andando, quando voltaram aproveitaram os "quadros de apoio" mas fruto de uma perda anterior não voltaram a investir, os politicos voltaram a estar em conluio, e a cidade foi morrendo, Tomar tem dos melhores empresários que conheço, fora de Tomar, estão por todo o mundo, menos em Tomar, porque enquanto a mesquinhez da cidade os tributar, não voltarão, paz á sua alma, (não deles mas da Cidade)
São Paulo 26/03/2007
José Júlio Lopes"
quarta-feira, março 21, 2007
As novas bancadas...
domingo, março 18, 2007
Auschwitz-Birkenau
Este seria certamente o primeiro. E não se pode ler em qualquer papel ou ver em qualquer filme o que se sente e descobre neste espaço. É apenas arrepiante.
escrito no portão de entrada do campo de concentração (matadouro sem eufemismos), exemplo da grande aposta dos nazis na propaganda.
O pátio dos fuzilamentos para os presos políticos (não judeus, pois com esses normalmente não se gastavam balas), depois de "julgados" no edíficio ao lado. A parede tem um revestimento especial para silenciar as balas. Nem sempre o veredicto era fuzilamento, mas sempre era a morte. Por todo o campo encontramos várias sádicas formas de levar alguém a ela.
Tudo era aproveitado e despachado para vários fins. Do que ficou dos últimos dias antes da chegada dos soviéticos, e que os nazis não haviam ainda despachado e não tiveram tempo de destruir, sobram entre muitas outras coisas, por exemplo 80000 pares de sapatos e 2 toneladas de cabelo. Repito, SÓ dos últimos dias. Se estão intrigados com o que faziam ao cabelo... tapetes.Neste crematório, o único que sobrou, eram gaseados numa pequena sala com aparência de balneário (a água nunca chegou a ser ligada aos duches) 700 judeus à vez e posteriormente queimados, não sem antes lhes ser retirado o que ainda possuissem de útil (cabelo, dentes de ouro, próteses de várias espécies,...)
Na fase mais "aperfeiçoada", o gás utilizado demorava meia hora a alcançar o efeito desejado. E chegou a esta fase depois de sucessivas tentativas de melhoramento da fórmula, sendo que no início as pessoas demoravam dias a morrer ('enlatados' na tal sala). Muitos eram queimados ainda vivos. Esta é a entrada de comboio para o campo de Birkenau, ou Auschwitz 2. Aqui chegavam comboios atulhados de judeus de todas as partes da Europa e da bacia do Mediterrâneo. De alguns países, derivado à campanha nazi, os judeus vinham livremente pagando o seu bilhete, por acreditarem que vinham para uma nova terra prometida.
O campo de Birkenau, todo em madeira e incendiado pelos nazis em fuga, foi construido propositadamente a poucos quilómetros de Auschwitz, por este já não ter capacidade de acolhimento e de mais rápida matança. Nos crematórios deste novo campo eram gaseadas 2000 pessoas de cada vez.
Na foto que abrange apenas uma porção da zona norte do campo, podemos ter uma ideia do que seria a sua dimensão se verificarmos que cada chaminé pertencia a uma barraca. Em cada uma das barracas de madeira, contruidas por base em estábulos alemães, dormiam entaladados cerca de 400 judeus. A maioria era morta à chegada e não chegaria a usar estas instalações. Eram poupados apenas aqueles que tivessem à chegada condições para trabalhar (nos campos e nas fábricas das redondezas). Destes, a maioria morreria nos primeiros dias. Os poucos 'mais felizes', aguentavam em média três meses.
Nenhuma destas fotos ou do que escrevi, pode realmente descrever o que sentimos no local.
Perdas e ganhos de Tomar nas últimas décadas.
Para falar sobre as perdas e ganhos de Tomar nos últimos anos poderei invocar com maior propriedade as últimas três décadas, ou o período pós vinte cinco de Abril, que de alguma forma corresponde com o meu tempo de vida.
A Democracia trouxe a Tomar naturalmente, como no resto da região e do país em especial depois da entrada na Comunidade Europeia, desenvolvimentos importantes com especial enfoque na área das infra-estruturas. Estradas, água canalizada, electricidade para todos, melhores escolas, melhores e novos serviços públicos como a Biblioteca e as Piscinas. Aqui de facto Tomar acompanhou o evoluir normal da maioria dos concelhos, além de termos conseguindo ainda o Instituto Politécnico, e o complexo e polémico Hospital.
Mas em quase tudo o resto perdemos. Exemplo flagrante são as acessibilidades às vias nacionais: a A1 passou longe, a A23 também, e isso é irreparável por muito que agora se possa atenuar.
Muito por isto, mas também por culpa das sucessivas câmaras, Tomar perdeu capacidade económica. As três ou quatro grandes empresas que sustentavam Tomar inevitavelmente pereceram e o problema é que não foram substituídas, nem tem havido esforços de cativar outras. E não se diga que isso não é responsabilidade da autarquia, porque basta ver o que acontece à nossa volta.
Tomar e os tomarenses que sempre estiveram habituados a ter tudo e a liderar, não souberam enfrentar uma nova realidade em que é preciso correr atrás do sucesso.
O tempo em que em toda a região era preciso vir a Tomar para tratar do que fosse, o tempo em que até Santarém capital do distrito era ofuscada por nós, o tempo em que era um acontecimento para um abrantino ou um torrejano vir a Tomar, passou.
Depois, o que se tem feito realmente novo? Quantos jardins, a ligação ao rio, capacidade hoteleira, novas ofertas turísticas, novas formas de aproveitar e potencializar a riqueza associativa? Quantas indústrias, empresas, o que tem de significativo a nossa zona industrial? Habitação social ou a custos controlados, o que existe no pós “Nabância”? O que tem Tomar verdadeiramente novo e que nos distinga dos outros, que não tivesse há trinta anos?
Por isso, no resumo penso que o que se poderá dizer de Tomar é que claro, estamos melhor em certas comodidades e aspectos da vida diária, como todo o país está, mas na proporção com o restante da região perdemos protagonismo e liderança, e se em alguns casos estamos a par, em muitos estamos mesmo já atrás.
Há fundamentalmente um problema que a todos os outros arrasta: falta de desenvolvimento económico, captação de investimento, criação de riqueza. Sem isso não haverá fixação em Tomar, não haverá poder de compra para o comércio, não haverá apoio à cultura, ao desporto, à solidariedade e apoio social e a muitas outras áreas que hoje se entendem imprescindíveis.
Somos efectivamente pouco empreendedores, e também é verdade que muitas vezes se complica demasiado a vida aos que o querem ser. Temos enormes potenciais mas pouco os temos sabido aproveitar – na cultura, na paisagem, no associativismo, na história, na localização geográfica. Outros têm inventado do nada o que a nós já tendo bastava rentabilizar.
Mas somos também demasiado bairristas em assuntos que o não merecem, e ao mesmo tempo pouco preocupados com o que nos acontece de verdadeiramente importante. Os tomarenses são, com tristeza o digo, uma comunidade resignada e adormecida, embevecida por títulos antigos e habituada a deixar nas mãos de dois ou três a condução dos seus destinos.
E assim, só continuaremos a perder, por muito que a alguns custe abrir os olhos.
Com sinceros votos de Parabéns ao jornal Cidade de Tomar,
Com desejos que ajude, na sua missão de informar a contrariar o estado das coisas que antes descrevi,
quarta-feira, março 14, 2007
E por falar em mercados...
Mercado&Mercador
O assunto agita a comunidade e não é para menos. Em causa está a destruição de um espaço que é marca de Identidade, centro de Vivência Social, garante económico de muitas famílias, e um bom sentir do concelho que somos.
Como em qualquer terra desenvolvida, o Mercado é um espaço central, de fácil acesso, onde os da cidade podem ir a pé, que chama residentes e atrai turistas. O nosso foi além disso referência e pólo centralizador de uma região. Hoje está muito degradado, e vai sendo ultrapassado por novos, melhores e maiores mercados de outros concelhos (e sim caro Ivo Santos, nós falámos com as pessoas) mas o ter-se deixado (intencionalmente?) chegar a este ponto não pode ser desculpa para simplesmente deitar abaixo. A culpa não é de quem lá vende nem de quem lá compra.
Depois a propaganda é o que é, criam-se imagens, criam-se necessidades, criam-se ideias bonitas que tentam convencer as pessoas. Como utilizar o exemplo do Fórum de Aveiro para dar a ideia de que o que aqui se quer fazer é algo semelhante. Cada vez mais me convenço que a maioria dos que nisso falam nem sequer já visitou o espaço.
Ó senhores, nem em Aveiro o Fórum de dois andares tem nada a ver com o mamarracho de cinco que se quer cravar em Tomar, nem Tomar tem semelhanças com Aveiro que tem o dobro da população, cinco ou seis vezes mais que os estudantes universitários aqui, e a liderança e centralidade da região, bem ao contrário de Tomar que embora alguns não o queiram ver, há muito que não lidera nada.
Outras estratégias são o lançar de ideias que apontam à desmobilização e resignação, como a de criar o boato que “o mercado até já está vendido”. No contacto que tivemos com vendedores e compradores, muitos mostraram acreditar nisso, como se efectivamente Tomar fosse feudo de alguém que põe e dispõe, que compra e vende como se fosse seu sem disso prestar contas. Às vezes eu próprio dou por mim a admitir isso…
E por fim, o ardiloso argumento de que não se quer destruir o mercado mas sim renová-lo. “A construção de um novo mercado ao lado do actual” realçou António Paiva neste mesmo jornal, só depois falando da pomposa ideia do fórum, acrescentando agora um novo e bem representativo dado: “…pode até ter habitação”!
O mesmo engenho se usa no caso da ponte, em que se diz até concordar com a de São Lourenço, que até está no Plano, mas que a do Flecheiro é prioritária. Ponte que cada vez mais se prova que não serve para resolver qualquer problema de trânsito (pelo contrário) mas para valorizar, viabilizar, a apetência de um qualquer investidor naquele apetitoso terreno junto ao rio.
Imaginemos por momentos que tudo isto se faz, e até é bem sucedido. Vislumbra-se o acréscimo de tráfego no centro da cidade? E o novo mercadito e o gigante centro comercial podem coexistir? Está-se mesmo a ver a dona Maria com o saco dos nabos e do peixe a entrar na Zara para ver os saldos, enquanto o marido a espera à porta no tractor a comer umas pipocas…
E algum investidor vem meter dinheiro num centro comercial destas dimensões, sem garantir que lá dentro esteja um hipermercado? Há de facto quem julgue que as pessoas não pensam. Há quem ache que o povo é estúpido, há quem ache que o povo é imbecil!
O movimento iniciado com tanta adesão contra a destruição do Mercado, levou mesmo alguns do PSD (nem todos, também há e muitos que percebem o erro) a iniciar um contra-movimento onde se pede às pessoas que assinem algo que apela à renovação do Mercado. Claro, até eu assino, mas renovar NÃO é destruir!
Ó gente abri os olhos! Não está em causa remodelação nenhuma! O que se quer é deitar, por puro interesse imobiliário o Mercado abaixo, tendo-se entretanto inventado esse argumento para a confusão, que se vai fazer ao lado outro embora mais pequeno. Mas isto faz algum sentido?
Que fique claro, nem eu nem o PS somos contra um centro comercial, mas não há qualquer necessidade de sacrificar o Mercado, assim como a vivência do centro da nossa cidade a esse espaço privado. Seria um enorme erro com graves consequências mais tarde.
Será que somos assim tão inteligentes que quando à nossa volta constroem melhores e maiores mercados, Tomar destrua a seu, para ficar com o mais pequeno da região, se ficar com alguma coisa? Ou será que vamos ter aqui um novo parque de Campismo, um novo Cine-esplanada? Destrói agora e qualquer dia logo se vê!
TODOS SOMOS TOMAR. E todos temos uma palavra a dizer. Muitos foram os que se mobilizaram nos últimos dias, muitos foram os que transmitiram o seu profundo descontentamento. Muitos infelizmente, mostraram também o medo e a frustração. Há muito medo em Tomar, medo de represálias, medo de consequências por se assumir e se lutar por uma opinião. Isto é Tomar.
Há muita resignação, muito “ele faz o que quer”. É mesmo assim tomarenses? Vamos deixar mais uma vez que a teimosia de um e a complacência de alguns outros, leve mais um pouco da nossa terra? É verdade o que dizem de nós, uma comunidade apática e “serenazinha”?
Caro António Paiva, caros dirigentes do PSD, é natural que se queira deixar marca num momento que se diz ser já prenúncio de partida, mas depois do que se fez ao parque de campismo, ao cine-esplanada; as polémicas, caras e como se vê ineficazes obras dos parques de estacionamento atrás da Câmara e sob o Pavilhão, a rotunda cibernética, as lombas, querem ficar lembrados em memória última como aqueles que mataram o Mercado em Tomar?
Eu quero acreditar que não.
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 9 de Março
algures na Polónia
Do frio algo sujo e ainda a descobrir a Europa, da Polónia.
É natural que queiramos sempre melhor, e que nos comparemos a quem está melhor, mas devíamos também lembrar de que há sempre alguém pior, e que no mundo nós somos mesmo do topo da pirâmide.
Este para nós banalíssimo era o segundo ou terceiro prato mais caro deste restaurante algures numa aldeia perdida no sul da Polónia. Custava em euros qualquer coisa como 5. (na Polónia a moeda é o Zlote)
E um polaco normal vê um prato destes muito poucas vezes por ano. (claro que eles também não sabem bem o que é comida a sério...)
domingo, março 04, 2007
Para terra de holocaustos...
Para onde vou não conto ter acesso à internet, e com um pouco de sorte muito pouca rede.
Quero ver ao menos se quando chegar Tomar ainda tem o Mercado de pé...
Fiquem bem.
quinta-feira, março 01, 2007
Deitar o Mercado abaixo?!
Cada proposta conta.
O documento abaixo tem já proposta de sugestões, mas pode escrever as que entender, o que importa é que participe numa discussão que a todos os tomarenses importa.
As minhas opiniões sobre esta matéria andam por aí nos arquivos algures, e também aqui.

A participação está a ser grande, e não está a ser dado comprovativo de entrega ao contrário do que é de Lei, mas ainda assim aconselha-se os responsáveis do Polis a não perder nenhum papel...
Poderia ser grave.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Paternidade
Os que estiverem fora do contexto vão ter que fazer um esforço, desculpem lá.
"Caro Fernando Oliveira,
e aos demais,
Devo dizer que estranho e me diz pouco esta questão da paternidade do referendo local. (embora não duvide da sua, certamente muita, pertinência política)
Estranhei de facto quando, talvez há duas horas atrás, uma jornalista me telefona a indagar sobre o assunto, isto depois de outros telefonemas pessoais ao longo do dia.
Dou como disse, pouca importância ao assunto, mas depois de ser informado e de verificar que, tanto pessoalmente como o partido que represento aqui somos referidos, entendo dever dizer o seguinte:
Sobre o referendo local à construção da ponte do flecheiro, já em 2004 o PS levantou a ideia, (o que é fácil confirmar para quem tem andado pela política ou minimamente atento), e só não a levou mais à frente por diversas razões de ordem política que não entendo serem agora relevantes, nem carecerem de pertinente discussão neste fórum.
Segundo, já em 2006, e em especial nas últimas semanas do corrente ano o PS voltou, desta vez apenas em discussões internas e com conversas casuais com personalidades exteriores ao partido, a reflectir sobre a hipótese do referendo à ponte, sendo que nas últimas semanas essa ideia se colocava por oposição ao referendo ao mercado.
Lembro que o referendo para poder ser viável só pode conter uma questão.
A decisão recaiu na segunda hipótese de referendo, e as razões dessa decisão reservo-me a discuti-las pessoalmente com os líderes dos outros partidos e grupos, o que espero venha a ocorrer breve, se assim forem desse entendimento.
O facto de só termos anunciado essa ideia no passado sábado, dia em que agendáramos um debate público, tem a ver com o facto de, ao contrário do PSD na autarquia, não “adjudicarmos decisões” antes de ouvirmos opiniões.
Caro Fernando Oliveira, apesar de, de qualquer forma, não o ter ouvido defender nenhum referendo, mas apenas invocar tenuemente essa hipótese na Assembleia Municipal; e apesar de tudo o que antes referi, e de poder ser eu a acusá-lo de querer "assumir os filhos dos outros"; se está tão obstinado a ser o “Professor Marcelo” do referendo em Tomar, por mim, que seja.
Reafirmo no entanto, e isso é que julgo importante, a disponibilidade, permanente, pessoal e do PS, para discutir tudo o que, duma forma séria e profícua seja a bem de Tomar e dos Tomarenses.
E à margem, aproveito para duas notas finais:
Primeiro, se fizer o favor, não nos acuse de divisionistas, porque a inteligência facilmente demonstra quem o é.
Segundo, era tempo de vocês que tanto gostam de se denominar de independentes, parassem de tentar interferir nas questões internas do PS.
O PS não é nenhum grupo personalizado e a prazo, é uma instituição com história e com regras. Entre outras coisas, continuar sub-repticiamente a tentar colocar em causa os órgãos legitimamente eleitos com cerca de 70% dos militantes eleitores não só é de uma inconsequência extraordinária, como mais uma vez não é abonatório de inteligência, ou do apregoado desprendimento, rigor, e verdade.
Ao dispor, cumprimenta
Hugo Cristóvão
Presidente do PS Tomar "
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Melhores dias...
Mais tempo e mais paciência.
Igualmente melhores dias se esperam na visualização do mesmo.
Algumas pessoas têm comentado que o blogue está a aparecer numa "linguagem estranha".
Se for esse o seu caso deve ir ali a cima ao menu e clicar em "Ver - Codificação - Unicode (UTF-8)"
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
"Salvar o mercado de Tomar"
"Como outras coisas na nossa terra, o mercado de Tomar é mais uma vítima do mau ou da falta, de planeamento desta Câmara, (...) Não se pode esperar que caiba no mesmo saco, o que antes só cabia em dois.
Todos sabemos que a solução para o mercado não é fácil, mas criar mais problemas do que os que existiam, ou pura e simplesmente acabar com as coisas, como parece ser política desta Câmara, não me parece ser a forma mais correcta de actuar.
(...)
E porque é importante salvar este mercado?
Em primeiro, porque ele é ainda a fonte de algum rendimento de muitos cidadãos que praticam uma agricultura de subsistência, e que através da venda de alguns excedentes conseguem juntar mais alguns trocos, que para a maioria desses pequenos vendedores que se deslocam a Tomar, muito representam.
Estes produtos, de cultura artesanal e de certa forma por isso, mais ecológica, são o garante de quem os compra, de consumirem artigos com qualidade acrescida e uma “denominação de origem” que não podem assegurar noutro local.
Muitos destes são também comprados pela restauração, pelo que os estabelecimentos locais podem assim, apresentar melhores e genuínas ofertas da região a quem nos visita, sendo uma mais valia para o turismo.
Mais valia para o turismo é também o próprio mercado, uma vez que este é, como é fácil verificar, um chamariz para os turistas estrangeiros que nos visitam. Aliás, é simples aferir que quase tudo o que é cidade ou vila deste país que se diga voltada para o turismo, tem o seu mercado de frescos.
Ele é além disso, um reforço da (já débil) posição de centralidade de Tomar em relação aos concelhos vizinhos, pois muitos são os que, para comprar ou para vender, se deslocam ao nosso mercado vindos de fora do concelho, o que acaba sempre por ter influência noutros sectores.
Ele é também um espaço de encontro, de reunião, de convívio, pois muitos dos que vêm vender os poucos produtos que lhe sobram: o quilo de feijão, a dúzia de ovos – são normalmente mais idosos e/ou oriundos de classes mais desfavorecidas, pelo que para muitos o vir ao mercado é o único pretexto para se deslocarem à cidade e se encontrarem com outras pessoas.
O mercado representa o encontro de dois mundos, dois tempos: um deles o do passado, um tempo que já não é o nosso, em que estes mercados eram a única forma de comprar e vendar, e por isso existem alguns resquícios destes espaços mesmo pelas freguesias. Mas ele pode também representar o caminho a seguir, o futuro, a procura de produtos não “produzidos em série”, produtos de qualidade, oriundos de uma agricultura artesanal e de forte cariz ecológico como ela tem de passar a ser, o que pode representar um dos caminhos de desenvolvimento económico, social e ambiental para o nosso concelho e a nossa região, inserida naquilo que são, os pressupostos de desenvolvimento sustentável que por mais que alguns ridicularizem por desconhecimento, e outros minimizem por desinteresse, terá forçosamente que ser a estratégia a adoptar. O mercado não está bem e não é de agora, é preciso melhorar as instalações, as condições de higiene, é preciso melhorar os acessos, é preciso planear e aumentar a segurança quer do ponto de vista da Polícia de Segurança Pública, como da Protecção Civil (...)
O mercado não está bem, todos o sabemos, (...) vai de encontro à extinção, e este mercado é mais um símbolo concreto daquilo que vai acontecendo a Tomar.
E é preciso acabar com o silêncio, com a forma de actuar que esta Câmara vai efectuando e a quem todos criticam em surdina, mas poucos tem a coragem de assumir. E é preciso acabar com os silêncios dos mais responsáveis. O que têm dito os Presidentes de Junta, que sabem bem que muitos dos seus concidadãos precisam deste mercado, e de que ele funcione bem? E o que diz o Presidente da Junta de Santa Maria dos Olivais, ou mesmo de São João, a quem o mercado afecta directamente? Sobre este e outros assuntos, porque se calam? Por incompetência ou por conivência?
Tomar, é cada vez mais uma miragem à qual nem os arranjos exteriores conseguem tornar mais real. O Futuro, o Desenvolvimento e o Progresso, cada vez passam mais longe daqui. O tempo urge, é preciso encontrar outros rumos, ou um rumo que seja, outras soluções, e inevitavelmente, outros protagonistas."
Espero ter tempo para em breve voltar ao tema.
Tomar na televisão
"Quem não tem tempo...
Outros melhores virão, talvez.
sábado, janeiro 27, 2007
Saídas da saúde
Um acto que era bom que se tornasse hábito, fundamentalmente como fomento da participação e interesse dos cidadãos na discussão das causas públicas, e talvez com o tempo estes eventos viessem a originar consequências.
Em todo o caso não é por isso que escrevo este post, mas porque quero agradecer publicamente o elogio que me fez o Presidente da dita Assembleia e Deputado da República, Miguel Relvas.
É que Miguel Relvas disse duas os três vezes que não gosta de "bater" nos fracos, e como só a mim (e ao Luís Ferreira) ele "bateu", eu concluo portanto que...
Eu devo confessar que me sinto até envergonhado porque recebo esse elogio depois de o ter importunado a tal ponto que ele abdicou da sua postura de não fazer política partidária (confesso que desconhecia) e ter que intervir para defender a Câmara.
Agradeço não ter feito qualquer demagogia em resposta àquilo que foi claramente a minha, e por isso aqui ficam as minhas desculpas. Eu até poderia prometer mudar de atitude mas... não consigo. É que lamento mesmo ter ajudado a estragar aquele clima tão saudável de suposta impunidade da Câmara em relação à matéria, mas que hei-de fazer? Sou inoportuno!
Também é certo que, e devo mencioná-lo, a referência que fez aos cargos e às nomeações políticas foi um pouco "baixa", mas usando as suas palavras vou considerar que foi “um momento menos feliz”, e deixe lá... também ninguém repara nisso.
E, final feliz, fiquei muito contente com a afirmação convicta de António Paiva, de que está para defender os interesses de Tomar e que se for preciso vai à luta, mas que é preciso é dar tempo para que as coisas aconteçam! Só que eu, que não sou tão inteligente como Miguel Relvas diz, não sei bem o tempo destas coisas... Paiva e o PSD estão na Câmara desde 97, o Plano Funcional do Centro Hospitalar é de 98, nós estamos em 2007... Será que falta muito?!
O estudo é que diz!
Sim, rebentaram foguetes e ares de júbilo, e dos lados da Câmara veio uma espécie de “vêm, eu bem dizia…”.
Nós, cada um à sua maneira, regozijamos de tal contentamento que esquecemos o preço das casas, das taxas, dos serviços, da água; esquecemo-nos das obras mal feitas e mal planeadas, do constante estaleiro que Tomar aparenta ser como se muita coisa estivesse a ser feita, da confusão do trânsito, da falta de investimento. Eu não sei como é convosco mas eu ando inchado de orgulho, e nem percebo como é que Tomar não está pelo menos no pódio…
Bom, é natural que aqueles que olhem para estudo com olhos de análise fiquem logo baralhados com o facto de sermos décimo segundo estando quinze cidades à nossa frente, mas isso são pormenores de pouca importância. Na verdade o estudo é muito elucidativo e traz-nos novidades que nós claramente desconhecíamos, como aquela de termos acessibilidades iguais a Santarém e a Abrantes e melhores que Torres Novas! Tão enganados que andávamos... mas pronto, se o estudo diz... até porque os outros têm o quê, a auto-estrada à porta?!
Nós já sabíamos que em património estávamos melhor, sim aí não foi novidade para nós, e se temos aí umas coisas a cair, Convento de Santa Iria e outros que tais, são questões meramente passageiras que se resolvem com o tempo... a partir do momento em que estiverem no chão já ninguém se lembra disso, assim tipo, cine-esplanada.
E mesmo assim, aquele monumentozito que temos lá em cima do monte e ao qual não ligamos nenhuma está muito mal aproveitado, o que é que interessa isso do Património Mundial?! Aquilo dava ali era um bom centro comercial, com umas lojas de roupa espanhola e diversão a sério. Já viram o que seria a malta a comer uns hambúrgueres na sala do capítulo depois de umas voltas no comboio fantasma instalado em torno do Claustro de D.João II? O homem até já morreu, acham que se importa?! Aquilo com uns holofotes giratórios, muitos neons coloridos, e o jet set nacional… éramos imparáveis!
E isso das empresas e tal… essa malta de Santarém ou de Abrantes deve pensar que têm lá uma zona industrial com grandes coisas… ora, para quê? A nossa não tem lá quase nada e o Expresso diz que o nosso desenvolvimento económico é melhor! Ora embrulhem! Claro que nós também não sabíamos, andávamos mesmo equivocados acreditando que o desenvolvimento económico era um dos nossos principais problemas, mas, claro está, isso é porque somos modestos...
Já descobri também porque Tomar foi o último concelho do distrito a criar a Rede Social, e tem lógica, se, diz o estudo, nós somos os que estamos melhor a nível de equipamentos sociais – até porque, todos sabemos, o aspecto social é talvez a primeira prioridade da autarquia...
E a malta que gosta de dar umas voltas à noite? Queixam-se de quê? Tomar está muito bem! Pronto é verdade que Torres Novas tem duas discotecas que são mesmo discotecas, e mais uns bares, e Abrantes tem lá uns espaços todos modernos e onde se vêm muitos tomarenses, mas isso é porque são uns ingratos! Então se o Expresso diz que nós estamos melhor, porque havemos de ir “laurear a pevide” para outros concelhos?
E depois essa malta que sai daqui para ir às compras ou ao cinema a Torres Novas?! Mal-agradecidos! É a única explicação possível, mal agradecidos que têm prazer mórbido em gastar combustível.
Pronto, correu-nos mal o estudo na parte da governança e cidadania, mas isso é facilmente explicável, então se isto está tudo tão bom, para que é que é preciso que a Câmara governe bem ou a malta seja mais crítica e interveniente?
E o presidente António Paiva tem toda a razão “isto é um prémio para o trabalho feito por todos os tomarenses”, é sim senhor! Em especial para o que fez estudo, porque das duas uma, ou quem fez o estudo o fez sentado num gabinete em Lisboa, ou então só pode ser mesmo tomarense, mas daqueles que vivem fora...
Em todo o caso que ninguém duvide, se o estudo diz é porque é justo, somos a décima segunda cidade do país e acabou-se. E caminhamos visivelmente para ser a primeira, caminhamos é devagarinho que a malta quando chega a certo estatuto já não se quer cansar muito, ou não é verdade?
Hugo Cristóvão
Presidente do PS da décima segunda melhor cidade do país.
artigo publicado no Cidade de Tomar de ontem
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Livros com "cheirinho"...
A saltar mais alto
É mais um justo reconhecimento para alguém que depois de já ter sido campeã nacional e europeia em diferentes modalidades de trampolins, tem também já o seu lugar assegurado nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
Parabéns! Lá estarei para aplaudir.
De mencionar que no ano transato Nuno Merino recebeu a versão masculina do mesmo prémio, e que Carlos Carvalheiro recebeu o prémio de personalidade cultural do ano. Tomar está em grande.
De referir também o mérito desta iniciativa d'O Mirante que promove assim figuras da região em diferentes áreas.
E as moscas?
Em Tomar muito agradecemos à restauração e afins, porque senão... as moscas eram os nossos principais turistas.
... e mesmo assim...
quarta-feira, janeiro 17, 2007
QREN
Juventude é prioridade nº1 no Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007Segundo as suas palavras, a 1ª Prioridade passa por "preparar os jovens para o futuro e modernizar o nosso ensino".
Das 10 prioridades elencadas pelo Primeiro-Ministro, a juventude surge como prioridade, nomeadamente ao nível da reforma da educação e da aposta na formação profissional dos jovens, possibilitando que 'metade dos jovens tenham a oportunidade de frequentar um curso profissionalizante ou tecnológico'.
"As vias profissionalizantes são um bom instrumento de combate ao abandono escolar e ao desemprego juvenil. Porque os jovens ganham preparação para trabalhar mas também para continuarem a estudar. Porque a diversificação das ofertas de formação é a única forma de lidar com a diversidade dos grupos juvenis", referiu José Sócrates.
"A requalificação do nosso parque escolar" também foi apontada como uma das prioridades.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Contentores preservados

Marketing 'à la mode'
Não só não sabia que a Câmara de Tomar já havia decidido isso, o que em todo o caso já não surpreende que se anuncie coisas que não foram ainda discutidas ou que não venham sequer a acontecer, mas confesso no entanto que não percebi o propósito da dita nota.
Será que é para mandar mensagem a alguém?
Governar
domingo, janeiro 14, 2007
Novidades de 2007 II
E lá pelo meio diz mais umas coisas interessantes sobre António Paiva como "a competência tem sido comprovada, assim como a capacidade." - Palmas!
e segue: "Não houve nenhum presidente de câmara que realizasse obra semelhante." - Ovação em pé!
e conclui: "Penso que não se pode exigir mais ao presidente de câmara." - pois, nem ao presidente do partido...
Novidades de 2007
Pois aí está a Sílvia Serraventoso a regressar aos artigos no jornal, aproveitando a noite de cantar de reis como mote para a crónica. De facto a noite embora fria foi engraçada, e até o Presidente deu cinco minutos da sua graça.
Mas voltando ao artigo da Sílvia, fico feliz em saber que já concorda comigo ao afirmar que a culpa do que quer que seja não é só dos políticos, ao contrário duma saudável discussão que em tempos tivémos num programa da rádio Hertz, quando agora diz "graças à fraca capacidade de discernimentos e baixo grau de exigência da maioria da população que acaba por ter de viver com o que escolheu, lamentado-se só entre amigos."
Confesso que não percebi a do "brincar aos políticos", e também não sei se a Silvia já considera ou não que também faz política. Espero que sim.
Totói

sábado, janeiro 13, 2007
Hipocrisia ou Liberdade, a consciência da escolha
Ser hipócrita é ser falso, dissimulado, defender uma coisa e praticar outra, ter um desmedido e despropositado interesse nas aparências, mas ser diferente na realidade.
Assim é também o problema do aborto.
Algo é absolutamente certo e todos o sabemos, o aborto existe e vai continuar a existir, seja qual for o resultado do referendo do dia 11 de Fevereiro.
Por isso, aquilo que em Consciência cada um de nós deve decidir, é se acha que como dizem alguns, a Lei não deve ser mudada mesmo que depois não seja cumprida, “ninguém quer prender mulheres mas o aborto não pode acontecer”, ou se, por outro lado, as Leis devem corresponder à realidade e ao melhor interesse da sociedade.
E o que corresponde ao melhor interesse, que mulheres continuem a fazer abortos em “vãos de escada” pondo em risco a sua vida? Que só as com mais dinheiro vão a Espanha, ou melhor ainda a Inglaterra, onde a Lei é diferente e o podem fazer em segurança, criando assim uma Desigualdade e Injustiça Social, onde quem tem dinheiro pode fugir à Lei, além de ter melhores cuidados de saúde?
Esse não é o país que defendo, esse não é o país que quero acreditar que somos.
Acredito sim num país mais Justo, mais Equilibrado, mais Progressista, mais Desenvolvido, onde todos são tratados de igual perante a Lei, e onde a Liberdade Individual de escolha é um direito valorizado.
E esse é um país que a todos nos compete ajudar a construir, o que se pode fazer com pequenos gestos de Cidadania e Participação, como não ficar em casa no dia 11 de Fevereiro.
É preciso que se entenda, que esta é também uma questão de saúde pública, e que votar SIM no referendo é também querer acabar com as mulheres que sofrem problemas graves, ou mesmo morrem, depois de abortos mal feitos, e na maioria das vezes escondidos.
Votar SIM, não é como se diz demagogicamente, abrir caminho à libertinagem, ou ser contrário aos valores da vida, pelo contrário, é defender uma vida com valores e condições mínimas como o nascermos para um mundo que nos deseja e tem condições para nos acolher. Dizer SIM à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) até às dez semanas não é em todo o caso abrir caminho a tudo, continuarão a existir regras rigorosas, que vão desde o profissionalismo e Ética deontológica dos médicos, à consciência da mãe que por difíceis circunstâncias se vê obrigada a abortar.
E reflicta comigo, não conhece nenhuma mulher que tivesse já abortado? Não conhece ou não ouviu falar em ninguém que fizesse uns “desmanchos”? Acha que isso vai acabar? E acha que essa é a melhor forma, ou que as coisas devem ser feitas às claras e com condições de segurança e saúde?
Que sociedade, que país prefere? O que esconde os seus problemas, ou o que os enfrenta e os tenta resolver?
Esta decisão compete-nos a todos, e por isso dia 11 de Fevereiro, eu vou dizer SIM.
E você, fica em casa?
artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 12 de Janeiro
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Juventude*
A juventude é um tema abrangente e fulcral para o progresso e desenvolvimento do país, mas raras vezes é prioritário na nossa sociedade, e mais raras ainda debatido seriamente.
Excelente exemplo também a postura dos jovens em sala, bem diferente de outros públicos bem mais "séniores" de outras vezes.
Por lá disseram-se algumas frases interessantes que vale a pena registar.
"Mais que o petróleo, mais que a água, o tempo é escasso"
"Os jovens hoje praticam uma cultura de celebração ao invés de constestação."
"Há milhares de jovens de hoje em dia que manifestam a suas opiniões em blogues."
"A juventude constrói-se a partir da infância."
"Esta é a geração melhor preparada de sempre."
"Sim, é verdade"
segunda-feira, janeiro 08, 2007
desporto e assim-a-assim
Por exemplo, à pergunta "Qual é na sua opinião, o melhor exemplo de política desportiva?" Paiva responde: "É o nosso. Podem dizer que Rio Maior também tem um projecto de desenvolvimento desportivo, mas o que devemos comparar é a quantidade de jovens que praticam desporto."
... e fazendo grande esforço para segurar a gargalhada, temos que desculpar esta afirmação ao senhor Presidente, que naturalmente não tem tempo para visitar o que existe em Rio Maior "Cidade do Desporto", que está anos luz à frente de Tomar. Mas pronto, uma viagem à zona desportiva de Abrantes não lhe ficava mal, talvez já aí percebesse algumas diferenças.
Bom, e já agora, que até fica a caminho do aeroporto, que tal comparar o pavilhão multiusos de Torres Novas (Palácio dos Desportos) com o atarracado pavilhão à beira do Nabão? Mas comparar a sério: qualidade, usabilidade, acessibilidades, versatilidade, valências, custos iniciais e de manutenção, e por aí fora...
Depois diz-nos sobre o pavilhão e a actual localização ao invés de outra que "No dia em que o tivéssemos feito diriam que abandonámos o centro histórico da cidade e que as pessoas entram e saem e não fazem compras na cidade. A maioria das pessoas que utilizam o Estádio Municipal vive na zona urbana ou perto dela. Se este tivesse nas Avessadas como é que as pessoas que moram no centro histórico iam para lá?"
Ora pois... certo... então, como é que as pessoas vão para as piscinas? Vão lá poucas então, como é longe...
E as compras e os restaurantes e tal... há números disso? Quantas pessoas depois do... hum, sei lá o que aconteça de evento no pavilhão, vão às compras depois?
Aliás, é ver por aí os comerciantes doidos de contentamento...
Além de que isso é muito coerente com o fecho do parque de campismo não é? É que os campistas não, esses não íam às compras nem aos restaurantes.
E quanto à utilização do pavilhão, o que é que aconte mesmo por lá? É que das vezes que lá vou, o que vejo são carrinhas a transportar pessoas para lá. Ora... para isso parece-me, posso estar enganado mas, não sei, parece-me, que se fosse para as Avessadas era melhor... não?
Bom, há uma série de outras coisas que merecem crítica (relembro que crítica tanto pode ser negativa como positiva) e reflexão no monólogo de Paiva, e não posso esquecer a ideia que se quer transmitir que quase parece que só há desporto a sério depois da sua eleição, o que naturalmente não corresponde à realidade. Há muito que se praticava desporto acima da média dos concelhos há volta, e há muito que Tomar formava campeões em várias áreas. É que estou quase a ouvir António Paiva a dizer que ele é que treinou o Nuno Merino!
O Presidente diz que Tomar tem política desportiva, eu como outros, acho que não tem. Tomar tem bons técnicos na autarquia, tem boas associações que fazem valoroso trabalho e a este nível tem boa dimensão, e tem experiência e saber acumulado. Mas não tem política desportiva, como não tem outras.
Fazer boa política de algo, como neste caso para o desporto, é definir objectivos, prioridades, planear estrategicamente, avaliar, enquadrar tudo o que se faz duma forma coerente e que crie dinâmica de crescimento e evolução. E essa política, essa estratégia tem de ser assumida e partilhada pelos vários agentes.
É isso que temos em Tomar? Fazem os vários agentes parte de um todo com vista a um conjunto de objectivos definidos para o concelho? E na evolução, quando comparamos com os concelhos vizinhos, tendo em atenção o ponto de partida e aquele em que nos encontramos, estamos a ganhar ou a perder?
Era tudo isto e mais que importava reflectir e debater, mas até o Expresso diz que Tomar, na "Governança e Cidadania", não é lá grande coisa.
Ora grande descoberta para uma terra onde alguns até sem programa eleitoral ganham eleições.
domingo, janeiro 07, 2007
A vida, uma vez mais.
Esperemos pelo menos que a equipa vá o mais longe possível, e assim leve também o trabalho do Hugo.
A equipa, fotos, o diário da corrida, e mais em www.templasport.com



