terça-feira, novembro 30, 2004

segunda-feira, novembro 29, 2004

talvez poema

Há muito tempo que não deixo aqui uma das minhas divagações de disfarçada poesia, pois do baú deixo este tempo de espera, que escrevi algures já noutro século.



Num tempo de espera

Num tempo de espera, o silêncio de teus olhos.
Num tempo de espera, o teu sorriso fechado.
Num tempo de espera, tuas mãos mudas.
Num tempo de espera, teu corpo em nenhum lado.

É como as gotas desta chuva miudinha
humedecendo o chão, sopradas por nuvens cinzentas
a janela baça e o dedo que nela
garatuja teu adorado nome

num tempo de espera.

É a luz côncava do candeeiro
furando pelo escuro até ao retrato
onde teu rosto já de si iluminado
É agora em minhas mão beijado

num tempo de espera.

É a lágrima que corre pequena
mas cheia, talvez de saudade
o apertar meus lábios num suspiro, um lamento
engolindo em seco saliva amarga

num tempo de espera.

Num tempo de espera, como um simples inspirar
num tempo de espera, tantos e infinitos
tu insinuada em todas as voltas do ponteiro
para em tormentos mudos me ir lembrando
que amar é também um acto de espera.

É impressão minha ou...

... eles fazem de tudo para se auto-destruir?

Isto a propósito das eleições no PCP. Parece-me, mas posso estar enganado, que estão a um passo do fim, ditado por eles mesmos e o seu centralismo democrático, que em linguagem corrente significa: O Chefe manda.
Enfim, pelo menos menos vão-se, mas fiéis aos seus princípios, como um comandante de um navio a afundar, agarrado ao leme e ao orgulho disso mesmo.

E também a propósito do (des)Governo de Portas e Santana, que também parece fazer tudo para implodir sobre si mesmo. Aliás esta citação de António Barreto, no Público, diz tudo:

"(Santana Lopes) parece um forcado, no meio da praça, de mãos nas ancas: "Demita-me, Senhor Presidente!"."

E eu até sou contra touradas, mas a esta assistia de bom grado!

terça-feira, novembro 23, 2004

Carta a um Herdeiro de cargo Público - tristemente real

recebi esta, e não posso deixar de a publicar

Sua Excelência Primeiro-ministro de Portugal
Sua Excelência Ministra da Educação de Portugal

Como certamente é do Vosso conhecimento, às 3H30 (três horas e trinta minutos) da madrugada do dia 21 (vinte e um) de Setembro deste ano de 2004 (dois mil e quatro), saiu uma lista de colocação de professores. Dessa lista constava o meu nome e a colocação que me foi atribuída, sendo eu colocado na escola de código 344862, código esse referente à escola EB 2,3 de Castro Marim.
Vossas Excelências decerto compreenderão a extrema alegria que para mim significou essa colocação, pelo que foi com grande pesar que tomei conhecimento que, às 4H15 (quatro horas e quinze minutos) da mesma madrugada, a referida lista havia sido retirada e substituída por uma curta declaração que dava como inválido todo o processo que conduziu à sua publicação.
Dado que, ao contrário do que é continuamente afirmado pelos membros do Vosso Governo, a vida está verdadeiramente difícil, dado que não pertenço às centenas de pessoas que foram por Vós nomeadas para cargos na função pública e dado o facto de não acreditar que venha a beneficiar de uma reforma milionária como o Vosso companheiro do PSD Mira Amaral (apesar de ter sete anos de serviço ao contrário dos dois anos que ele prestou na CGD), venho por este meio solicitar que me seja pago o salário correspondente aos 45 (quarenta e cinco) minutos em que estive colocado na escola EB 2,3 de Castro Marim pois esse dinheiro bem falta me faz.
Mais acrescento que, se houver algum problema com o programa informático responsável pelo processamento dos vencimentos, manifesto a minha disponibilidade para me deslocar ao Ministério das Finanças para que possa receber manualmente o que me é devido.

Muito Respeitosamente
Um Professor do 11º Grupo B

PS - Dado o facto de ter usado nesta missiva palavras ou expressões cujo significado vos possa ser estranho, elaborei um glossário que segue em anexo a esta carta. Desse glossário constam as palavras em Itálico.

Glossário
11º Grupo B - Grupo disciplinar constituído pelos professores que leccionam Biologia e Geologia ao 3º ciclo do Ensino Básico e ao Ensino Secundário.
Biologia - Ciência que estuda os seres vivos, os seus processos e as suas características.
Geologia - Ciência que estuda a matéria mineral, os seus processos e as suas características.
Matéria Mineral - Matéria que não apresenta as características dos seres vivos. A matéria mineral caracteriza-se, entre outras coisas, pela completa ausência de inteligência ou de sentimentos, mesmo nas suas formas mais primárias. Um pequeno esclarecimento, apesar de todas as evidências nesse sentido, nem o actual nem a antiga Ministra das Finanças se enquadram nesta definição.
Ensino Básico - Por muito estranho que Vos possa parecer, não está relacionado com o ensino das bases que neutralizam os ácidos. O ensino básico corresponde aos nove anos de escolaridade obrigatória em que são ministrados os saberes e desenvolvidas as competências consideradas como essenciais para o desenvolvimento pessoal, social e cognitivo dos alunos.
Ensino Secundário - Ensino de cariz mais técnico e específico que tem como função preparar os jovens para o seguimento dos estudos a nível universitário, ou para a sua inclusão numa via profissionalizante.
Professor - Pessoa que ensina algo a alguém. Profissão bastante considerada e respeitada nas sociedades desenvolvidas. Não confundir com a realidade Portuguesa em que o professor é um nómada sem direito a estabilidade profissional, reconhecimento social nem salário condizente com o seu estatuto.
Escola - Local onde é ministrado o saber e as competências essenciais ao correcto desenvolvimento pessoal, social e cognitivo dos alunos. Não confundir com a realidade Portuguesa em que as escolas são armazéns de miúdos onde professores e auxiliares de acção educativa têm que cuidar dos filhos dos papás, quando estes pensam que se educa uma criança enchendo-a de consolas, playstations, telemóveis de último modelo e roupas de marca.
Auxiliares de Acção Educativa - Profissionais que, nas escolas, auxiliam os professores na sua tarefa de formar pessoal, social e humanamente os alunos. Não confundir com a realidade Portuguesa em que os auxiliares de acção educativa são pessoas sem formação específica que, com contratos precários, salários miseráveis e diminutas hipóteses de progressão na carreira, lavam escadas, limpam casas de banho e cortam a relva das escolas.
EB 2,3 - Escolas que ministram os segundo e terceiro ciclos do ensino básico.
Reforma - Aquilo que a esmagadora maioria dos portugueses recebe depois de 35 anos de serviço ou 60 anos de idade. Excepção feita à Vossa gloriosa casta.
PSD - Também referido por alguns como PPD/PSD. Agência de empregos especializada em colocar as pessoas certas nos lugares errados e nos momentos mais inoportunos, como aliás se pode notar no Vosso caso.
Programa Informático - Software criado por técnicos especializados que, normalmente, é testado antes de adquirido. Quando manuseado por pessoas devidamente formadas para o efeito é bastante prático e poupa muito trabalho.
Manualmente - Com recurso à mão.
PS - Post Scriptum. É uma expressão latina que significa " depois do que está escrito ". Não confundir com P.S. ( Partido Socialista )

sábado, novembro 20, 2004

O Natal...

... era quando o homem quisesse, e normalmente queria a 25 de Dezembro.
Actualmente é quando as superfícies comerciais quiserem, e parece-me que embora falte mais de um mês, já entrámos nessa bonita e luminosa época da união e solidariedade entre as pessoas e os povos. Cof! Cof!

Por isso amigos perus, escondam-se!


Ser homem

Depois do post sobre as mulheres, que teve direito a publicação no Templário e tudo, não podia deixar de "postar" esta interessante definição do que é ser homem:


O suplício de fazer a barba todos os dias;
A tortura de ter de usar fato e gravata no Verão;
O desespero das cuecas apertadas;
Sentir a dor física de uma bolada nos tomates;
A loucura que é fingir indiferença diante de uma mulher sem soutien;
A loucura de resistir olhar para umas pernas com uma mini mini-saia;
Ir à praia e resistir olhar para aquele mulherão que está deitada ao lado;
Viver sob o permanente risco de ter de andar à porrada;
Vigiar o grelhador no churrasco ao fim de semana, enquanto todos se divertem;
Ter de aceitar que todas as amigas dela são excepcionais, e que todos os dele são uns sacanas;
Ter sempre de resolver os problemas do carro, da banheira entupida, do esquentador, do fogão, da televisão...;
Ter de reparar na roupa nova dela;
Ter de reparar que ela mudou de perfume;
Ter de reparar que ela mudou a tinta do cabelo de Imedia 713 para 731 loiro/bege;
Ter de reparar que ela cortou o cabelo, mesmo que seja só 1cm;
Ter de jamais reparar que ela está com um pouco de celulite;
Ter de jamais dizer que ela engordou, mesmo que seja a pura verdade;
Desviar os olhos do decote da secretária, que se faz distraída e deixa a blusa desabotoada até ao umbigo;
Ter a obrigação de ser um atleta sexual;
Ter a suspeita de que ela, com todos aqueles suspiros e gemidos, só está a tentar incentivar-nos; Ouvir um NÃO, virar para o lado conformado e dormir, apesar da vontade de partir o quarto todo, e se possível o resto da casa;
Ter de ouvi-la dizer que está sem roupa;
Ter de almoçar aos domingos na casa dos sogros, discutir política com aquele velho fascista, tratar bem os sobrinhos e controlar-se para não olhar para o decote da irmã dela, não dar na cara do irmão dela, sacana do caraças que vem sempre pedir dinheiro emprestado.

Depois elas ainda acham que é fácil, só porque não temos que cumprir certas "regras" todos os meses!

segunda-feira, novembro 15, 2004

Sentido sentimento

Desde o meu último post até este passaram não apenas 4 dias mas, na minha vida pelo menos, mais um ano foi ultrapassado. É verdade que como me dizia um amigo, no dia do nosso aniversário é apenas um dia a mais que temos, mas aquela barreira psicológica, como tantas outras que inventámos foi ultrapassada, é mais um ciclo que se fecha. E pensamos: bem, foi mais um ano, ou, é menos um ano. E eu, que não era muito de saudosismos nem de lamechices baratas, começo realmente a preocupar-me por vezes, ao ter que aceitar que não é possível voltar atrás para refazer coisas, ou fazer as que não foram feitas. E começo a achar que há tanto que gostava de fazer, e cada vez terei menos tempo para tal.
E depois, mais grave que isso, é o tempo perdido com coisas que não valem a pena, que não fazem qualquer sentido. Por vezes são pessoas, pessoas que parecem que nasceram só para dificultar a vida dos outros, pessoas cujo propósito é destruir, manchar o trabalho, a determinação, a integridade desses outros. E não são assim tão poucos, em cada esquina parece que há alguém que só se sente feliz a pisar outrém, pessoas tristes que se alguma vez forem lembradas, será apenas pelo que de mal foram fazendo aos seus semelhantes. Sim, porque há vida depois da morte, mas não para todos. Sobrevivem à morte apenas aqueles que na memória de outros forem subsistindo. Há pessoas assim, que pelos seus valores, pelas suas causas, pelas suas determinações, pelas suas lutas, pelos seus projectos; que por sua bondade, sua entrega, sua amizade, sua inteligência, sua visão, e outros atributos tantos haveria ainda para catalogar, ficam na nossa memória colectiva, na história duma comunidade, dum paí­s, duma civilização. Chamamo-lhes modelos, chamamo-lhes heróis, chamamo-lhes génios, beneméritos... às vezes não lhes chamamos nada, mas em pequenas coisas, pequenos hábitos, pequenos gestos da nossa vida podemos sentir a sua presença.
Eu gostava de ser um desses. E tenho para mim que a humanidade poderá evoluir tanto mais, quanto pessoas mais assim mesmo pensarem, assim sentirem. O querer fazer algo pelos outros, pela sua comunidade, pelo mundo.
Mas infelizmente não são muitos os que assim se encontram, também é verdade que não é fácil, somos educados, treinados, amestrados, para valorizar coisas que não significam nada mas que para muitos parecem ser razões de vida: o dinheiro, o estatuto social, a aparência, o poder.
Muitos correm atrás destas coisas e não olham a meios para as alcançar: mentem, fingem, maltratam, e tantos mais predicados quantos os necessários, não interessa quem derrubam, não interessa o que destroem, todo o mundo gira em torno do seu umbigo, do seu cego egocentrismo. Por vezes tão cego, que nem se apercebem realmente que assim são. Não se apercebem que onde passam deixam uma gosma, um rasto de mediocridade, de maldade.
E depois ainda, quando muitas vezes alcançam esses intuitos, não sabem realmente o que fazer com eles, pois se de mediocridade foi o percurso feito, pouca substância há para lhe dar significado.
Ficam ricos de dinheiro mas pobres de amigos, e esse dinheiro não lhes compra a felicidade, estamos fartos de saber; atingem estatuto social mas são apontados como desprezíveis, aparentam ser algo que não são e são chamados de vaidosos, atingem o poder e não sabem o que fazer com ele, um poder vazio, sem sentido, ao qual se agarram como fosse a coisa última que os prendesse à vida, quando o único e verdadeiro poder é o de genuinamente ser chamado de amigo, é o de ser amado, é o de ser respeitado, é o de ser lembrado.
Nisto, esses seres não acreditam ou desconhecem a existência. E eu gosto de pensar positivamente, e assim olhar as pessoas e os acontecimentos, e acredito, que lentamente é certo, mas que no resultado final a humanidade tem evoluído para melhor. Mas também sinto, quando olho à minha volta, quando ouço muito do que me dizem, quando vejo muito do que fazem, quando racionalizo e vejo o estado das coisas e o que vai acontecendo no mundo, ou na porta ao lado da nossa, que a humanidade vai mal, que o Homem é porventura o mais desprezível dos seres, por ser capaz das mais incríveis façanhas, e tantas vezes das mais horripilantes atrocidades.
Conceitos como Ética, Moral, Honra, Verdade, Integridade, Humanismo, são cada vez mais desconhecidos, ignorados, ou mesmo repudiados por cada um de nós. Como é que a Humanidade pode desejar a Liberdade, a Democracia, a Igualdade, a Fraternidade, se cada um de nós, se cada ser humano, não tiver bem presente em si os valores anteriores, e os praticar?

Não pretendo ser mais que aquilo que sou, e não sei porque me apeteceu escrever tudo isto. Às vezes acontece-me quando me sento em frente ao computador, ou tenho na mão um papel e uma caneta. Bem sei que o alcance destas palavras é diminuto, e poucos se darão sequer ao trabalho de as ler, mas na verdade, mesmo que todos, mas todos, nós escrevesse-mos algo assim só para nós mesmos, talvez o mundo já fosse um lugar melhor.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Feira do Cavalo na Golegã

Nunca havia visitado esta feira... pois esta semana fi-lo duas vezes. Não, não pensem que gostei assim tanto.
Visitei a feira porque, por coincidência por duas vezes tive que me deslocar à Golegã, e diga-se que até gostei pouco. Faz-me um pouco confusão a junção no mesmo espaço de muita gente apertada e cavalos a galope montados por pessoas de gabarito duvidoso. Além de que acho que deviam mudar o nome da feira para feira do pavão, quem por lá passar perceberá imediatamente porquê. Entramos num mundo à parte, onde a indumentária, a linguagem, a forma de andar, olhar e principalmente ser visto, são completamente distintas do mundo real, aquele onde há pessoas que trabalham, é um mundo ao jeito de um White Castle, mas dos que têm mesmo dinheiro.
Bem, justiça seja feita, é que goste-se ou não, a Golegã e a sua autarquia encabeçada pelo carismático Veiga Maltez, conseguiram criar uma marca, uma identidade, Golegã Capital do Cavalo, e um passeio a pé por lá, em especial pelo Equuspolis (penso que é assim que se escreve) faz-nos perceber que ali há trabalho. Os passeios, as casas, as ruas arranjadas, e o dinheiro que os turistas lá deixam. E nem vou falar da Secretaria de Estado da Agricultura...
Verdade é, que mais uma vez aqui tão perto de nós, um pequeno vilarejo consegue-nos mostrar como é que as coisas se fazem...

quarta-feira, novembro 10, 2004

às vezes...

... enviam-me umas coisas que até parecem muito estúpidas, mas que têm o seu quê de verdade. Esta é uma delas.

"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."

Até teria piada, se...

George W. Bush e Tony Blair estão num jantar na Casa Branca. Um dos convidados aproxima-se deles e pergunta-lhes:
- Sobre o que estão a conversar de forma tão animada?
- Estamos a fazer planos para a terceira Guerra Mundial, diz Bush.
- "Uau!", diz o convidado. E quais são esses planos?
- Vamos matar 14 milhões de muçulmanos e 1 dentista, responde Bush. O convidado parece confundido e pergunta:
- Um... dentista? Porque é que vão matar um dentista?
Blair dá uma palmada nas costas de Bush e exclama:
- Não te disse? Não te disse? Ninguém irá perguntar pelos muçulmanos.

terça-feira, novembro 09, 2004

quarta-feira, novembro 03, 2004

enfim, é o que temos...

Estive até de madrugada agarrado à televisão ouvindo as notí­cias que chegavam do lado de lá do Atlântico, e hoje de manhã a primeira coisa que fiz foi ligar a SIC notí­cias à espera de novidades. Fiquei realmente estupefacto quando percebi, como agora já se sabe, que Kerry não ia ganhar. Muitos chamariam parvoí­ce a este interesse nas eleições americanas, mas um cidadão consciente sabe que o Presidente dos EUA não o é apenas. É o comandante do império, ao qual sem sabermos ou admitirmos, também fazemos parte.
E pensei, aqueles americanos são mesmo estúpidos, mas como é que conseguem reeleger o mais pateta, o mais incapaz, o mais agarrado a interesses, Presidente de que há memória?
Mas depois é preciso reflectir e perceber que, em Portugal também elegemos o Durão Barroso, e agora temos lá o Santana em comissão de serviço. Na Madeira, temos aquele outro, o dos Carnavais, e exemplos destes repetem-se por todo o lado.
Bolas, até em Tomar todos os interesses se maquinam para reeleger o Toni da Cibernética, que poderá não ser pateta, mas é tudo o resto!
Não acredito na burrice das pessoas, acredito no seu conformismo, no seu amorfismo, mas acredito que conseguem ver para lá da propaganda. No fundo, como sempre digo, mais que a vontade de mudar, o ser humano tem medo da mudança.
Enfim, será porventura verdade que as sociedades têm o que merecem.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Actualidade?

"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."

(Eça de Queirós)

Solidariedade...

As amigas da Mulher
A esposa passou toda a noite fora de casa. Na manhã seguinte, explicou ao marido que tinha dormido em casa da melhor amiga. O marido telefonou então para 10 das suas melhores amigas, mas nenhuma delas o confirmou.
Os amigos do Homem
O marido passou toda a noite fora de casa. Na manhã seguinte, explicou à mulher que tinha dormido em casa do seu melhor amigo. A esposa telefonou então para 10 dos melhores amigos do marido. Cinco deles confirmaramque ele tinha passado lá a noite. Os restantes 5, para lá de confirmaremque ele passou lá a noite, garantem que ele ainda lá está em casa.

terça-feira, outubro 26, 2004

As mulheres...

Acusem-me de tudo, menos de fair-play! não era qualquer um que publicava isto...

"Nós Mulheres....
Não ficamos carecas...
Temos um dia internacional...
Sentar de pernas fechadas não dói...
Podemos usar tanto rosa quanto azul...
Sempre sabemos que o filho é nosso...
Temos prioridade em botes salva-vidas...
Não pagamos a conta. No máximo, dividimos...
A programação da TV é 90% voltada para nós...
Somos os primeiros reféns a serem libertados...
Existem diversas roupas que modelam o corpo...
A idade não atrapalha nosso desempenho sexual...
Podemos ir para o trabalho de bermudas e sandálias...
Podemos ficar excitadas sem que ninguém perceba...
Podemos fazer sexo quantas vezes por dia quisermos....
Se somos traídas somos vítimas, se traímos eles são cornos..
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas...
Somos capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo...
Mulher de embaixador é embaixatriz; marido de embaixadora não é nada...
Não nos desesperamos em frente a um campo de relva com 1 bola e 22 mulheres.
Não precisamos ser perfeitas para ouvir assobios na rua... Basta por uma saia mais curta...
Somos monogâmicas (embora precisemos testar vários homens para achar um que valha a pena...
Mulher de presidente é Primeira-Dama; marido de presidenta é um zero à esquerda, mesmo que ele seja de direita...
Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço que o de um homem...
Se resolvemos exercer profissões predominantemente masculinas somos "pioneiras", mas se um homem resolve exercer uma profissão tipicamente feminina, é bicha...
E por último: Fazemos tudo o que um homem faz, mas de SALTOS ALTOS!"

quarta-feira, outubro 20, 2004

um artigo...

... meu saiu no jornal Cidade de Tomar na passada sexta-feira. Podem lê-lo aqui

Ainda os professores.

Pergunta-me a Sónia em comentário ao meu último post (de há uma semana, que não tem havido tempo) porque critico apenas a Ministra e o seu Ministério e não falo dos professores e em concreto no caso dos atestados médicos.
Ora bem, eu sou professor, não exerço actualmente a profissão/vocação pois sou sindicalista (se é que isso existe) a tempo inteiro, e por isso lido diariamente com os problemas dos professores e da educação, e como devem imaginar, conheço uma muito razoável quantidade de colegas de profissão que são em si mesmo muito diferentes. A classe docente é por ventura a mais dispar nos seus elementos, pois ele há educadores, professores do ensino básico, do ensino secundário; uns vêm das letras, outros das ciências, outros das artes,...; uns tiram o curso via ensino e portanto mesmo para dar aulas, mas outros são engenheiros, arquitectos, antropólogos, médicos, advogados, enfim, há de tudo.
Mas numa coisa eles (nós) somos todos iguais, e iguais aliás, julgo, a todas as profissões: todos querem boas condições de trabalho, e muito importante, estar perto da sua casa, perto da sua famí­lia. E portanto, é de certa forma natural que usem todos os argumentos para conseguir este objectivo.
Vão-me dizer: bem, mas há muitos atestados que são falsos. Em primeiro lugar diga-se que num universo de 175.000 professores não são assim tantos, é erradí­ssimo julgar o todo pelas suas partes, e tal como há maus professores, ou que tem atitudes menos correctas, também há médicos, juízes, advogados, polícias, jornalistas, pedreiros, electricistas. Em todas as profissões há maus elementos e os problemas de atitude e personalidade não têm a ver com a profissão mas com a educação e formação, com a consciência Ética, etc.
Depois é preciso dizer que, se um professor apresenta um atestado que diz que deve ficar mais perto de casa, esse atestado foi passado por um médico, e uma escola o aceitou e o tornou válido para efeitos de concurso, a responsabilidade é toda do professor?
E é preciso dizer que é muito estranho (ou não) que no momento em que finalmente a sociedade, e a comunicação social, começavam a olhar para os problemas dos professores, comecem a sair notí­cias que em primeiro lugar coloquem professores contra professores, e depois façam passar perante a opinião pública a ideia de que afinal os professores é que são os bandidos, e por culpa deles é que tudo está assim, fazendo uma extrapolação exagerada de alguns casos, como se fossem a regra.
E finalmente é preciso dizer que, quem deve regular, quem deve legislar, quem deve fiscalizar, não são os professores pois não?, e noutros anos nunca se ouviu falar duma tamanha catástrofe, certo? Então de quem é a culpa?
Os professores, como quaisquer outros, jogam com as regras que lhes dão, uns bem, outros menos correctamente é certo, mas se as regras não estão correctas, então há que alterá-las. E aos senhores do ministério fazia muito bem pôr a arrogância e o autismo de lado e ouvir um pouco mais os professores e os seus sindicatos.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Atarefados...

... devem ser os dias nas agências funerárias. É que segundo a tonta e nada arrogante ministra, os professores em falta nas escolas ou estão doentes ou... morreram entretanto!
Ora, a avaliar pelo número de escolas e alunos ainda sem professores por esse paí­s fora, deduz-se que pelo menos entre os carpinteiros não deve haver desemprego tal a quantidade de caixões a ser fabricados. Nem nos tempos da peste negra se deve ter visto tamanha mortandade!

Entretanto, entre hoje e amanhã são esperadas novas colocações, vamos ver se realmente conseguem colocar alguém, é que a epidemia pode ter-se estendido à longa lista de professores ainda à espera, que pelo desespero, sabe-se lá, podem ter-se suicidado aos milhares.
Vá-se lá entender isto...

Pois... tem lógica

"Fumar mata. Quando se morre, perde-se uma parte muito importante da vida."- Brooke Shields

Dedução lógico-empírica

1. A Casa da Música era a obra emblemática do Porto 2001, Capital da Cultura.
2. A Casa da Música devia ter sido inaugurada em 2001.
3. Em 2004 a Casa da Música ainda não está concluída.
4. Anunciou-se que a Casada Música será inaugurada em 2005.
5. A Compta foi a empresa que desenvolveu a aplicação informática para colocação de professores.
6. A aplicação devia ter sido concluída em Junho de 2004.
7. Em fins de Setembro de 2004 a aplicação ainda não funciona.
8. Couto dos Santos é administrador da Compta.
9. Couto dos Santos vai ser administrador da Casa da Música.
10. Previsão: a Casa da Música vai inteiramente ser executada à mão.

segunda-feira, outubro 11, 2004

De volta

Pois é, pensavam que se viam livres de mim assim sem avisar nem nada? Cá estou eu outra vez!
Não, não, ainda não fui censurado, embora um ou dois haja que gostassem. Mas não, apenas fiquei temporariamente sem internet, e o pouco tempo também não me tem permitido a vontade de resolver esse problema, até agora.
Me aguardem que eu já mando umas postas.

terça-feira, setembro 28, 2004

O senhor Tobias

Pois era perfeitamente justo, já que ele manda mais em minha casa que eu próprio, e depois dos requerimentos de algumas famílias, que o senhor Tobias aparecesse também por aqui no meu canto virtual.

Ei-lo na sua actividade favorita, a ajudar-me na minha mesa de trabalho.

segunda-feira, setembro 27, 2004

A colocação de professores

Não sei se estas informações são verdade, mas estão a correr a net, e a serem verdade têm de ser desmascaradas pois são muito graves!
Se não forem, obrigarão os responsáveis a explicar-se, o que muitas vezes não querem fazer.

Antes de lerem, respirem fundo,
Texto retirado do fórum do jornal Expresso:

"Trata-se da Compta, cujo presidente é o meu amigo Vitor Magalhães, pelo que sei o que se passa. Em primeiro lugar o Vitor é padrinho do filho mais velho do Bagão Felix.Em segundo lugar, o anterior ministro encomendou o programa e testou-o, tendo verificado que funcionava muito bem. Em terceiro lugar, a nova ministra resolveu mudar a matriz inicial3 dias antes do arranque do concurso, sabem o que ela quis alterar?Criou um código especial, que desde o momento que fosse anexado a um professor, automáticamente ser-lhe-ia atribuida a escola da 1ª preferência. Um espécie de cunha informática, percebem? Só que a alteração à última hora deu cabo do algorritmo central e bye,bye programa. Os comentadores deste forúm apelaram para que eu dissesse algo mais acerca da negociata Compta/PSD-PP, mas pouco mais se podeacrescentar, excepto:- Verifiquem as colocações da Escola EB 2+3 da Murtosa.- Verifiquem as colocações da Escola Secundária Rodrigues de Freitas no Porto.- Verifiquem as colocações na escola Renato Amorim em Setubal. Ou então, verifiquem os pagamento no valor de 325.652,00 à Compta em Maio de 2004, mais um pagamento de 658.321,00 em Julho de 2004, e mais aberrante ainda, o pagamento da última tranche do contrato de desenvolvimento de 987.325,00 no dia 20 (VINTE) de Setembro de 2004.Mais informo que o contrato de assitência no valor de 250.000,00 euros anuais tem a duração de 15 anos.Para terminar, informo V. Exªs que o David Justino tem uma participação de 30 por cento na Compta através da holding 'International financial investiments PLC' com sede nas ilhas Cayman."

Não sei de facto se isto é verdade, mas que há muita coisa estranha neste processo há, e que nunca houve um desastre tão grande nos concursos também, mas enfim, mais tarde ou mais cedo, talvez para o Natal, a lista há-de sair.

quinta-feira, setembro 23, 2004

No meu bairro está tudo rico!

enviaram-me esta, e é irressistível
Para rir... ou chorar

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30% mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).
O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!
O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...
A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.
Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.
E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é presidente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.
E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal. Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!
O que ainda me consola mais é ter ouvido o ministro Bagão afirmar que nós os mais ricos não temos de ficar insatisfeitos, porque a poupança que fazíamos à conta dos tais planos não é para o estado, mas sim para reinvestir na melhoria de condições dos mais pobres, tais como o Engº Belmiro e os outros!

segunda-feira, setembro 20, 2004

é tão bom ser professor...

"As listas definitivas de colocação dos professores dos ensinos básico e secundário deverão estar disponíveis segunda-feira, depois de uma semana de adiamento." aqui

Qual segunda-feira, hoje? Até agora...
- Alô, é do Ministério? Eu estava à procura duma lista...
- Sim sim, temos listas de casamento, listas de espera, listas de dispensados, listas intermináveis de incompetententes, e as casas de banho são pintadas de listas azuis e amarelas, salpicadas de laranja...
- Pois não era bem... hum... professores, tem alguma coisa?
- Professores!? Acha que isto é a Santa Casa? Olha agora, professores!, lá pró ano, talvez. Temos que poupar amigo, e os meninos até gostam!

"Santana Lopes garante que novo modelo de concurso de professores tem virtualidades. Mas assume que correu mal: a culpa não é da ministra da Educação e responsabilidades serão apuradas" aqui

Pois, o culpado devo ser eu...

"A ministra portuguesa da Educação, Maria do Carmo Seabra, prepara-se para demitir dois altos responsáveis do ministério. Em causa estão as falhas nos processos de concurso e colocação de professores, que motivou um atraso no início do ano lectivo, em quase metade das escolas.
De acordo com a edição deste sábado do semanário «Expresso», deverão ser demitidos o responsável pelos serviços informáticos, Fernando Correia, e a directora-geral dos Recursos da Educação, Joana Orvalho."
aqui

Ah, afinal foram estes... pois... já estou convencido...

Salvador Dalí

Para os que como eu adoram este pintor, não percam a galeria no alinhavos.

domingo, setembro 19, 2004

as praxes

Esta semana, por obrigações familiares, desloquei-me até Évora e pude estar ao longo do dia a relembrar e a assistir ao barulhento e colorido carnaval das praxes.
Há quem goste, há quem não. Eu simplesmente tinha, não direi saudades, mas talvez vontade de repetir, é que para além de tudo o que digam, para mim as praxes simbolizam um magní­fico tempo, que já não volta.
É a incontestável verdade, só se vive uma vez.

quinta-feira, setembro 16, 2004

a complicação continua...

É, isto tem andado complicado, a malfadada lista anda não saiu, e já se sabe, isso significa trabalho extra para os sindicalistas, ainda que as más lí­nguas digam o contrário. Mas acreditem, não é fácil. Acho que nunca se viu tamanha incompetência, e é preciso reafirmar, isto tudo começou há um ano atrás, há um ano que os concursos se vêm arrastando, e os erros sucessivos têm sido escondidos, disfarçados, desculpados, ignorados.
E por um lado é bom, desculpem-me a franqueza, mas só mesmo quando os meninos não têm aulas, é que a sociedade se apercebe que algo na Educação não anda bem. Ora, há muito tempo que a Educação não anda bem, continua-se a brincar com algo fundamental para a evolução, para o futuro de um paí­s, duma sociedade, e aqueles que são os seus principais agentes, os professores, são tratados duma forma que nem me apetece tentar definir. Assim não vamos lá, e aquilo que mais me chateia é que daqui a um mês já todos se esqueceram disto, porque aquilo que interessa à maioria dos pais é ter um sí­tio onde depositar os filhos, sem saberem como as coisas funcionam por lá, ou se funcionam sequer, e os problemas não se esgotam na colocação de professores.

Resquícios de Verão V

na calma alentejana, Portel








quinta-feira, setembro 09, 2004

Complicados...

... os dias que têm passado. E por isso, longe ando aqui deste espaço.

A quinta à noite confirma-se, é de há muito tempo para cá, a única (mesmo assim só às vezes) em que consigo estar por casa, e isso não quer dizer que não tenha nada para fazer, mas a vontade e o discernimento também não ajudam. Bem que me apetecia ir dormir agora, mas se o fizesse acordava lá para as quatro ou cinco da manhã e isso também era mau.

Não ando muito a par das notícias, nem tenho viajado aqui pela blogolândia, e não consigo pensar realmente em nada. E como sempre acontece quando me tento forçar a fazer qualquer coisa, sem grande força para o fazer, começo a passar o tempo buscando coisas antigas como fonte de inspiração. Hoje, no baú das minhas memórias, encontrei esta insónia já antiga, dos meus tempos de estudante.


Insónia

Só, a breve luz estampada no estirador
leio, mas imagino-te, a tua voz pensa dentro de mim
danças-me nas mãos, e a tua fragilidade assusta-me
um ponto o teu olhar de humildade terna e dedicada
amo-te, poderia esmagar-te com tal paixão
sufocar-te num longo e sedento beijo, e morrias
com as minhas mãos afagar o teu pescoço e subtil quebrá-lo, e morrias
abraçando-te, enlaçar-te confiante com meus dedos penetrar teus cabelos
e num ímpeto apaixonado lançar tua cabeça na parede, e morrias.
E se morresses, quanto tempo viveria?
Até te encontrar na eternidade do tempo morto, quanto viveria?
Viveria sequer? E depois?...
duas sofridas almas gémeas arrastando-se invictas
neste amor assassino acorrentadas até ao fim do sempre.

Inspiro, como se tal purificasse, aclarasse
tenho-te, sinto-te como doença
É algo que me enerva, viciante, maquiavélico
como se inseparável, fosses também demasiado grande para minhas mãos
para te prender nos braços
meu corpo não te suporta, e não vive sem ti.
Amo-te e estou só
o escuro algo frio que me envolve no quarto
a luz directa sobre o livro
tu insinuada no virar de cada página
lá fora, para lá da janela e na noite, só o silêncio.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Educar é uma paixão...

...que como todas exige grandes sacrifícios!

Deve ser este o lema do Ministério da Educação. Estou exausto de tentar resolver alguns (uma insignificante parte) dos problemas que estes senhores criam, que nem me apetece no pouco tempo que tenho, pôr-me aqui a 'postar'. É impressionante o tamanho da catástrofe e a leviandade com estes senhores tratam do ensino, e como têm a lata ou a ingenuidade de se vangloriar pelo seu trabalho. Ainda agora que são quase dez da noite, estou aqui a tentar aceder ao site da treta, perdão, da DGRHE, para preencher dados de alguns colegas, e das poucas vezes que consigo entrar, acabo por não conseguir fazer nada porque o site mais tarde ou mais cedo bloqueia, tal a quantidade de gente que andará ainda por aí­ a tentar resolver a vida.

Mas já percebi que numa coisa pelo menos estes concursos têm mérito: estimular a economia com o aumento de consumo de fármacos!
E de clientes para os psiquiatras, que professores para aí­ a ficarem malucos...

terça-feira, agosto 31, 2004

ALELUIA!

As listas de colocações de professores acabaram de sair!
enfim, foram dois, ligeiros, meses de atraso, nada que venha atrapalhar o começo do ano lectivo, ou mesmo todo o primeiro período, não...

domingo, agosto 29, 2004

O Código Da Vinci



Tanto adorado como criticado, este best-seller de Dan Brown conseguiu o que já algum tempo outro livro não conseguia: que eu devorasse um livro de 500 e tal páginas em poucas horas.
Para os fanáticos ou curiosos do Graal, dos Templários, da Maçonaria e tudo o mais que que nos leve para o esotérico, aos que simplesmente gostam dum bom romance que mais tarde ou mais cedo vai aparecer por aí em filme, este livro é absolutamente delicioso. Além de que, convicente ou não, no final, todos ficamos certamente a olhar o mundo e a sociedade em que vivemos doutra forma, nem que mais não seja, com alguma desconfiança. Imperdível.

sexta-feira, agosto 27, 2004

O que Ele inventa...

... para tentar sair bem do (colossal) disparate que fez.

«A Câmara de Tomar admite a hipótese de assumir todos os parques de estacionamento da cidade, tanto os subterrâneos como os que são à superfície, acabando com o acordo com a empresa concessionária Parque T, que iria explorar cerca de mil lugares.»

«Fizemos um inquérito à população para saber se se justifica taxar os mil lugares»
Isso não deveria ter sido antes de ter dado os 1000 lugares à empresa?

«A câmara está a pôr a hipótese de indemnizar a empresa ou adquirir a concessão»".
Há pois claro, então, e isso custa quanto?

e óbvio, faltava a fantasiosa propaganda
"Entretanto, a 3 de Setembro, será consignada a obra do IC3, entre a zona industrial e a A23, que terá duas faixas em cada sentido. Os trabalhos durarão cerca de dois anos. No mesmo dia vai ser aberto concurso para os trabalhos do IC9 (zona a norte de Tomar). Deste modo, em 2007, a cidade terá uma circular completa."

2007 pois, a IC3 era para estar pronta há quanto tempo?

leia a notí­cia toda no DN

terça-feira, agosto 24, 2004

Tribunal dá razão aos professores

"Ministério terá sido notificado para «corrigir» posições de docentes em cinco dias

O Tribunal Cível do Porto veio dar razão aos professores que interpuseram providências cautelares devido ao indeferimento das suas reclamações por parte do Ministério da Educação (ME). A informação é avançada esta terça-feira pelo jornal diário o Público."
continuação da notícia no Portugal Diário

Razões lógicas

Sendo benfiquista ou não, estas 3 razões lógicas para se ser Benfiquista são absolutamente irresístíveis:

- A razão natural: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade;
- A razão bíblica: há uma passagem na bíblia que diz: "dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma águia"
- A razão teológica: Jesus Cristo encarnou. Não azulou nem esverdeou!

roubadas no em coruche

segunda-feira, agosto 23, 2004

Resquícios de Verão III



Dir-se-ia algum país da América do Sul após a passagem duma violenta tempestade, mas não, é Algarve em pleno Agosto, aquele Algarve menos conhecido...

Alcoutim




e após o Guadiana,


Espanha algures ali

sexta-feira, agosto 20, 2004

Resquícios de Verão II



pobres indigentes que dormis na praia para superar a crise... Não não, é para adormecer a ver as estrelas e a ouvir o mar...

Praia de Porto Côvo









?!

"Iraque. O programa «Construção e Materiais» da televisão privada Al Sharkiya é líder de audiências no Iraque. Trata-se de um« reality show» em que casas bombardeadas durante a guerra são reconstruídas, transformando-se de novo nos lares perdidos por muitas famílias."
noticia hoje o DN

Já agora, pergunta estúpida, se o Iraque está assim tão mal, como é que uma televisão privada consegue ter dinheiro para fazer programas destes?

Só nesta terra...

Açude de Pedra interdito aos tomarenses

"A RCT visitou hoje, dia 20 de Agosto, o acesso ao Açude de Pedra, e encontrou um portão e um reboque de tractor a interditar o acesso dos tomarenses ao local"
do site da Rádio Cidade de Tomar

quarta-feira, agosto 18, 2004

Não percebo porquê...

"Milhares de docentes vivem dias dramáticos. Estamos a meio de Agosto e ainda não sabem onde vão ensinar no próximo ano lectivo. Reclamações ainda estão a ser tratadas"
reportagem do Portugal Diário

resquícios de verão

Isla Cristina




terça-feira, agosto 17, 2004

Poema

Há dias colocou em comentário ao post sobre o genocídio em Darfur, o camarada poeta e amigo Virgílio, o seguinte poema que entendo merecer outro destaque:

No estômago
de um famito
o vazio
comprime-se
em vácuo de paladares.
Um fraco hálito
a miséria demora-se
nas ruí­nas negras
dos dentes caídos
escapando-se seco
pelos cantos da boca.
Alimenta-se da alma
adormecida
no desespero,
numa gelada ilusão
morde os dedos
com sabor a pão.
Grita por comida
para saciar a fome
À praga de moscas
insolentes e velhas
e perante o silêncio
É a elas que come.

Virgílio Saraiva de Matos

Sobre o estacionamento tarifado...

... a minha opinião no Thomar

sábado, agosto 14, 2004

Quais férias?



Todo o ano andamos a pensar naqueles curtos dias em que não vamos pensar no resto do mundo, não vamos atender telemóveis, não vamos sequer transportá-los de um lado para o outro, não vamos ver as mesmas caras de todos os dias, não vamos fazer nada do que fazemos normalmente, não pensar nos problemas do dia-a-dia, nos assuntos que temos para resolver, nos que nos esperam depois... e depois, quando damos por isso, esses dias já passaram.

Férias, como é bom fugir à rotina: filas de trânsito para chegar à praia, filas para sair da praia, filas para credenciar no parque de campismo, filas para os chuveiros, filas para o aquaparque, filas para os escorregas, filas para ter mesa no restaurante, meia hora para chegarem sequer as entradas, meia hora para ser atendido na esplanada, meia hora para conseguir beber uma imperial na discoteca... ah, que saudades que já tenho das férias!

domingo, agosto 08, 2004

Férias finalmente...

Pois, porque a vida é feita de partidas e chegadas, eis que parto novamente, desta vez, e finalmente, de férias. É só uma semana, mas já não é mau. Até, continuem com o sol (não o de hoje que está a chover) a praia, ou o que quer que vos faça felizes.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Ainda o mercado

Em reacção ao artigo que escrevi há dias para o Cidade de Tomar sobre o mercado, recebi por correio a seguinte mensagem que acho dever retransmitir:

«Os meus parabéns pelo seu artigo no jornal Cidade de Tomar.
Devo acrescentar:
Porque é que querem tramar ainda mais o comércio estabelecido?
Aumentar ainda mais a concorrência?
Eles já nem assim se "safam". Não conseguem rotação de stocks, e, consequentemente não têm lucros para fazer face às despesas.
Ninguém pensa ou se preocupa com o comércio tradicional, mas, ele merece ser acarinhado e até defendido.
Isto vem a propósito do tal famigerado fórum.
Deixem estar lá o mercado como está. Refiro-me só aos produtos frescos.
Se alterarem o que está será a maior asneira.

com os meus cumprimentos
#remetente identificado»

Concordando ou não com a manutenção do mercado de frescos no local e nas condições em que está, era altura dos responsáveis ouvirem os comerciantes e perceberem os seus problemas. Perceber porque se deslocam os tomarenses aos concelhos vizinhos para fazer compras. Encontrar formas reais de resolver os problemas das pessoas, comerciantes e consumidores, e deixar de acreditar que qualquer solução empacotada, copiada doutro local, e sem qualquer ligação com o sentir e o viver de Tomar, pode resolver alguma coisa.
Os problemas de Tomar passam pela estimulação da sua economia, e estimular a economia tomarense não é possí­vel sem que Tomar volte a ser o centro e o modelo regional que já foi.
Tomar precisa da visão, da coragem, da inteligência e da audácia de outros tempos, respeitando-se as características da sua diferença e unicidade em confronto com outros locais. Se Tomar for igual às outras cidades, nada terá para oferecer, não temos tantos séculos de história, para agora sermos uma cidade de "plástico" copiada a computador doutras urbes.
Acabem-se com os falsos profetas e os venderores da banha da cobra, e perceba-se entre o que se diz querer fazer, o que realmente resolve alguma coisa sem estragar o que temos de bom.
Tomar está a ficar repleta de elefantinhos brancos à nossa escala, todos muito bonitinhos, todos projectos muito oníricos, mas que não só não resolvem problema nenhum, como exponenciam os existentes, ou criam outros em seu lugar.
Até quando vão os tomarenses assobiar para o lado? É que se muitos têm os olhos fechados porque não conseguem ver, outros ajudam a distrair, e se há coisa que o povo gosta, é de distracção para as suas dores, e depois, já se sabe, numa nação de enfermos, o menos coxo é que chega mais longe...

Ele há coisas...

"O Presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Miguel Pombeiro, não foi convidado para a inauguração da ponte sobre o rio Zêzere que liga os concelhos de Constância a Vila Nova da Barquinha, onde esteve presente o Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, eng. Jorge Costa."
continuação da notí­cia no EOL

Estranho... faz lembrar a inauguração "secreta" do Hospital de Tomar, em que só alguns, e não os verdadeiros obreiros da obra, foram convidados.

Este governo, agora em 2ª versão, mas nem por isso melhorada, é muito dado a coincidências bizarras...