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segunda-feira, junho 25, 2012

É que 'tá uma tourada!


Já não bastava andar aí uma malta no país a achar que a UNESCO alguma vez vai aceitar promover um espetáculo de tortura animal a património imaterial da humanidade, como agora chegou a moda de alguns municípios o fazerem à sua escala, como se fizesse sequer sentido, elevar tal degrandante aspeto da condição humana a património cultural e imaterial de interesse municipal.

E claro, já cá faltava que alguém quisesse imitar isso em Tomar. Chegou à câmara a proposta via grupo de Independentes, como se lê na rádio Hertz.
Usam os argumentos clássicos de quem não tem outros: a tradição. (tradição que em relação à tauromaquia, em Tomar nunca existiu no sentido de que envolvesse largo grupo de cidadãos, e o pouco que existisse já morreu há muito tempo, só que alguns ainda não se convenceram). Porque no ano tal aconteceu isto, porque no século tal aconteceu aquilo...
Ó meus senhores, em Tomar também se fizeram autos de fé, não querem antes recuperar essa "tradição"?!

"Cultura" e "tradição" não são salvo condutos para tudo. Interessa preservar o que o justifique, mas preservar um espetáculo que é praticamente o último resquício da barbárie que persiste como atividade ou evento no mundo dito civilizado - que não tem outro fim que o gozo do ser humano perante a tortura de um animal, espetáculo que subsiste essencialmente à custa dos milhões dos dinheiros públicos que entram por muitas vias, para garantir a abastança de algumas famílias, muitas com tiques de aristocratas, que ainda têm a lata de se achar moralmente superiores - não tem qualquer justificação numa sociedade moderna.
Quando muitos municípios em Portugal, Espanha, França e outros, estão a adiantar-se puxando para o futuro e para a dignidade, os países que mais tarde ou mais cedo farão o mesmo - abolir as touradas (em Portugal já haviam sido abolidas durante a governação de Passos Manuel no séc.19!) - há outros onde o conservadorismo, o confundir de conceitos, o achar que a "superioridade do homem" justifica tudo, incluindo continuar a puxar essas terras para o passado.

Sendo assim, vou propor que se façam umas lutas de galos no mercado, umas lutas de cães no pavilhão municipal que não serve para muito mais, e já agora umas queimadas de bruxas e hereges na praça da república. Entretanto na praça de touros, além das touradas, podiam fazer-se uns espetáculos em que se substituísse os touros por leões e ursos, só para a coisa ser mais genuína. Tradição por tradição, nada como ir mesmo às origens.

quarta-feira, março 21, 2012

não há coincidências...

... é o título de um conhecido livro que eu nunca li, da escritora de massas Margarida Rebelo Pinto.

Quem escreve igualmente bem é o conselho de administração do CHMT que, numa "circular normativa" assinada pelo diretor clínico Paulo Vasco no último dia 19, nomeia para membro da comissão de ética, entre outros seis, o blogger nabantino António Rebelo.
Coincidentemente, um dos dois únicos nabantinos publicamente assumidos defensores da reestruturação em curso.

Não sei (também não perguntei) se AR aceitou ou não, deduzo que sim. Em todo o caso essa não é a questão relevante.
O que releva daqui é a atitude do CA do CHMT. Se fosse preciso mais alguma demonstração....
E daqui podíamos questionar algumas outras coisas, como: para que serve uma comissão de ética nomeada pela administração a quem vai dar pareceres, ou, relativamente a esta nomeação, que competências, ou, que relevância e trabalho demonstrado tem na comunidade António Rebelo, por muito boa pessoa que seja e muitas opiniões que tenha, para que lhe seja atribuída tal função?

Eu só nunca li o livro da Margarida... porque há livros que se topam logo pela capa.
Dito de outra forma, numa expressão tantas vezes usada para com os políticos, "à mulher de César não basta ser séria, tem de parecê-lo".

Caro prof. Rebelo,
só quem não me conheça não saberá que eu gosto de dizer as coisas com frontalidade e, portanto, aqui fica: esta sua nomeação é, entre muito mais que poderia ser dito, insultuosa para a comunidade e instrumentalizadora para si. Revela por parte do CA, precisamente a postura típica de alguns gestores públicos a que me refiro por vezes. Neste caso, a melhor expressão é mesmo a coloquialmente usada "ter cá uma lata"!
No seu lugar, jamais aceitaria tal coisa. Mas quanto a isso, como diz a minha mãe, "cada um é como cada qual".
E já agora, explique lá aos senhores qual a disciplina que lecionava, porque por aquilo que escreveram na tal circular, aparentemente estão um pouco baralhados.


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sexta-feira, março 09, 2012

"andam a brincar às touradas com o nosso dinheiro"

Um muito pertinente artigo de Tiago Mesquita no Expresso, com o título em epígrafeque deve ser lido por todos, tanto por aqueles que sabem que a tourada é um resquício de barbárie, como por aqueles que acham que não.
Especialmente útil para perceber como, ainda para mais quando tanto se fala de crise, se gastam milhões de dinheiro público a financiar esse espetáculo de tortura animal chamado tourada. E o artigo fala apenas de pequenos exemplos...
Triste e bárbaro espetáculo aliás que, sem esses dinheiros públicos já não existiria.

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tortura animal

Carta aberta do Movimento Internacional Anti-Touradas à deputada Gabriela Canavilhas, ministra da cultura do anterior governo. (E que apesar de ter sido minha professora no século passado, tem esse enorme defeito que é achar que tourada pode ser cultura. Não aprendeu nada...:)

"Exma. Senhora Deputada,

Aquando das suas declarações, em representação do grupo parlamentar do PS, relativamente à discussão da petição pela Abolição das Corridas de Touros em Portugal, foi proferida por si uma frase que consideramos espantosa. Se a memória não nos engana, a senhora afirmou e passamos a citar: "As touradas não foram instituídas nem por decreto nem por despacho e não devem ser abolidas nem por decreto nem por despacho".
As touradas não foram instituídas por decreto ou por despacho assim como muitas outras actividades não o foram, no entanto a crer nos historiadores deste país, as touradas mesmo não tendo sido instituídas por decreto ou por despacho foram proíbidas por decreto no reinado de D. Maria II.

O decreto do Governo de Passos Manuel (de 19/IX/1836) proibiu "em todo o reino as corridas de touros considerando que são um divertimento bárbaro e impróprio de nações civilizadas, e bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade".

A história está cheia de costumes/tradições (direito consuetudinário) que não foram instituídos por decretos, mas que foram proíbidos por decreto/despacho.
O que ontem era aceitável mesmo sem lei, hoje não o é e por isso tem que ser proíbido ou regulado por lei.

É comum a afirmação que as mulheres são seres mais sensíveis ao contrário dos homens. Não vamos discutir se tal afirmação é ou não veraz, no entanto podemos afirmar que no que a si respeita, a senhora não demonstra qualquer sensibilidade ou empatia quando se trata de outros seres que sofrem tal como nós. A sua frieza e o seu comportamento provam que a senhora não sente o mínimo de compaixão por ninguém. Não se sinta orgulhosa do seu discurso no parlamento porque se os taurófilos o consideram brilhante e já agora nas palavras deles leal, todas as outras pessoas sensíveis e empáticas consideram-no patético e desprezível. 

A senhora não foi eleita para defender os interesses de uma minoria, neste caso os taurófilos, mas sim para defender os interesses da maioria dos seus eleitores. Será que aqueles que a elegeram defendem touradas? Uma minoria talvez. Mas teria a senhora sido eleita se fosse isso que tivesse para lhes oferecer? Temos a certeza que ninguém a elegiria se soubesse que a senhora iria defender o indefensável.

As suas declarações são falaciosas quando afirma que a tauromaquia não recebe subsídios e é totalmente independente do Estado e são vergonhosas quando fala em liberdade e tolerância. A indústria tauromáquica recebe milhões de subsídios dos organismos públicos deste país e da UE e não adianta negar. Como exemplo o Governo Regional dos Açores entregou entre 2004 e 2010 mais de 2.700.000,00 milhões de euros a essa mesma indústria. É algo que a senhora deverá saber uma vez que foi entre 2008 e 2009 directora geral da cultura do Governo Regional dos Açores. 

Quanto à liberdade e tolerância que liberdade minha senhora? A liberdade de uns quantos se regozijarem com a tortura de um ser senciente? A tolerância de continuar a permitir um espectáculo que permite a tortura de animais? Minha senhora a sua liberdade e tolerância terminam no momento em que outro ser é impedido de ter a liberdade de não ser torturado.
Todos os animais à face deste planeta, não são objectos dos quais podemos dispôr a nosso belo prazer. Com eles compartilhamos este espaço e para com eles temos deveres e sim eles têm direitos por mais que seres supostamente iluminados como a senhora continuem a negá-los. Têm o direito de coexistir connosco e têm o direito a não ser torturados e posteriormente mortos num espectáculo público degradante. O seu discurso é de facto leal ao lobby tauromáquico mas é imoral e totalmente desprovido de ética.
Nunca é tarde para mudar mas algumas pessoas, como a senhora, persistem em viver no obscurantismo."

domingo, fevereiro 19, 2012

entrudo


No concelho de Tomar hoje há desfile de carnaval em dose dupla, pelas 14:30 na Linhaceira, uma hora mais tarde arranca o corso na cidade.

Quanto à cidade, ainda estou a tentar engolir esta coisa da promoção da ignorância que é convidar aquela rapariga do último dos degredos da TVI para rainha da coisa.

E sinto-me dividido, por um lado espero que a organização tenha razão na aposta feita, porque é bom para Tomar que venha muita gente.
Mas, por outro lado, espero que estejam errados, A ideia de que as pessoas se desloquem para ver uma pessoa que se mostrou como o cúmulo da ignorância repugna-me.
Não é esta a imagem que enquanto cidadão desejo para a minha terra. Espero que este ano tenha sido uma vez única na promoção deste tipo de... "individualidades". Ainda para mais, paga com dinheiros públicos.

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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

levai de mim as criancinhas


Ora, o nosso presidente Aníbal, o homem que gosta de ir aos Açores ver as vacas sorrir, o homem cuja reforma mal lhe chega para as despesas, o homem que põe helicópteros a vigiar o espaço aéreo da sua casa algarvia, o homem que quanto mais fala menos diz, parece que agora também tem medo de crianças. (notícia JN).
Tá armado em piegas!

Não tem nada de extraordinário, é mais um retrato dum homem com pouco de Homem, pouco bom senso, pouco intelecto. Não se queixem, votaram nele, é também um retrato do país que somos.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

perceber melhor algumas "opiniões"

Há nove meses, ainda Sócrates era primeiro-ministro, uma repórter do Diário de Notícias, Maria de Lurdes Vale, escrevia:

«Terá de haver uma mudança de vida profunda, e já ninguém terá paciência para ser cúmplice de um regime que premeia os amigos e os conhecidos em detrimento dos que tiveram de fazer o caminho à sua própria custa. Ao contrário do que muitos pensam, esta revolta dos jovens de hoje talvez seja a primeira depois do 25 de Abril que tem pés e cabeça.» Contra os que sempre passaram à frente, DN, 20 de Fevereiro de 2011.

Há três meses, a mesma repórter foi nomeada assessora de imprensa do ministro da Economia, com vencimento equiparado a director-geral: 3900 euros por mês, acrescidos de ajudas de custo e subsídios de alimentação, natal e férias. (Com remuneração superior, só a chefe de gabinete do ministro Álvaro: 5900 euros por mês mais ajudas de custo e subsídios de alimentação, Natal e férias.)

terça-feira, janeiro 24, 2012

campanha solidária...

É triste, mas foi ele quem se pôs nesta situação.
Aliás não é a primeira vez, nem segunda, nem terceira... mas parece-me que desta, por muito que alguma comunicação social já esteja mandatada para tentar fazer esquecer a coisa, a grande maioria da população especialmente aquela que o elegeu, não vai esquecer.
Os outros... já sabíamos a pobreza de espírito que o senhor é.


Pena é que à conta de disparates de personagens como esta, que é tão só o político que mais tempo esteve em funções no pós 25 de Abril, e logo com as mais altas responsabilidades, todos os políticos sejam metidos no mesmo saco.
Não são "só" os cidadãos portugueses, os políticos e a política também mereciam mais de um Presidente da República.

segunda-feira, agosto 22, 2011

perspectiva e paternidade

"É comum dizer-se que nós portugueses descendemos desses visionários destemidos que foram os navegadores portugueses, mas não é verdade. A probabilidade maior é descendermos dos que cá ficaram."

Não sei quem disse, mas disse bem. Em verdade descendemos ou dos "estrangeiros" que nos foram ocupando, ou dos portugueses conservadores e medrosos, também conhecidos por velhos do restelo.

segunda-feira, julho 18, 2011

paciência!

Se mesmo com hora marcada é preciso esperar três horas por uma consulta com o médico de família, consulta essa para fazer algo que demorou dois minutos, e que em bom rigor nem exigiria que eu estivesse presente, COMO É QUE ESTE PAÍS HÁ-DE SER PRODUTIVO?!

quarta-feira, março 09, 2011

esquizofrenia

Eu ainda não tinha percebido bem o que se passava com o Festival da Canção, porque da pouca televisão que vejo (e muito menos num sábado à noite), nem é o tipo de programa que me interesse, nem sabia sequer que se ia realizar. Até que comecei a ver na net umas controvérsias e lá entendi.
Francamente, está tudo louco?
Bem sei que foi o voto "popular", o que de si já seria muito interessante analisar - quem e a pedido de quem telefona para estas coisas.
O mesmo tipo de votação acontece para programas de "qualidade" como o Big Brother e todos os afins programas de exploração pessoal e voyeuristas.

Perante tal palhaçada fico com uma dúvida que me parece pertinente: os portugueses que elegeram os "Homens da Luta" como vencedores do festival da canção, próximos representantes portanto, do país e de todos nós no Eurofestival a realizar na Alemanha, terão sido os mesmos que noutro programa da RTP elegeram António de Oliveira Salazar como a maior figura da história portuguesa?!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

o espectáculo das notícias

Lembram-se quando nasciam crianças todas as semanas em ambulâncias? Foi coisa que se resolveu de um dia para o outro, bastou que se demitisse o ministro...
Ou quando todos os dias alguém levava uma caixa multibanco para casa? Parece que também já não há assaltos a multibancos...
Vá-se lá saber porquê - deve ser dos astros - as notícias tendem a acontecer agrupadas em temas! Como se fossem modas...

Agora, parece que todos os dias é encontrado alguém que estava morto há muito tempo.
Portanto já sabem, se houver muito silêncio na casa ao lado, liguem já para o 112!

terça-feira, outubro 12, 2010

vozes sábias

Excelente programa ontem, o Prós&Contras na RTP.
É um prazer ouvir os três ex-presidentes (não porque são muito melhores que o actual, isso não é novidade nenhuma) pela capacidade oratória, pela lucidez de pensamento e capacidade de ver o país e o mundo, mas acima de tudo pela visão optimista de quem sabe que não é com pessimismos que se fazem mudanças, que se caminha para o progresso, que se melhora o país e o mundo.

E depois andamos a ser impingidos por tudo o que é comunicação social, por figuras cinzentas que na verdade pouco de bom alguma vez fizeram e que de tanto dizer mal e nada de bom apontar acabam por cair no ridículo, papagaios falantes aos quais ninguém liga, com jeito para o drama e o humor negro. Figuras hoje que têm como símbolo maior Medina Carreira, o paladino do pessimismo,figuras que só lembram aquele "ser" português para sempre imortalizado por Camões na figura do velho do Restelo. Aqueles que farão com que quem ouvidos lhes der, jamais parta a navegar, jamais descubra nova terra, jamais faça "fortuna" ou do seu país um império.
E não é disso que o país precisa, felizmente que há muito quem vá à luta todos os dias, quem não desita com os obstáculos, quem veja além das condicionantes do momento e das vozes agoirentas e com o seu labor tenha os olhos postos no futuro. Sempre foi assim, provavelmente sempre será. Há os que fazem, há os que não fazem, e há os que comentam.

sexta-feira, setembro 17, 2010

o fado do coitadinho

O nosso país já é o que é, para agora ainda termos o futebol a ajudar.
Não bastava a trapalhada infeliz e lamentável com o caso Carlos Queiróz, que pode ter muitas culpas, mas não serão aqui tantas como as do insigne político Laurentino Dias, e principalmente daquela tralha de bengalas da direcção da FPF (que anda lá desde que eu sou gente a fazer trapalhice atrás de trapalhice, e não há meio de se irem embora), para agora ainda faltar o episódio da peregrinação atrás do desejado, o salvador que nos há-de levar ao celestial apuramento, o santo Mourinho.
Ó triste pequenez lusitana, teremos sempre de nos auto retratarmos como miseráveis?
Não fosse o fado não ser muito mediático (e ter intérpretes de elevado nível), e continuávamos com a triologia dos f's completa.

(para quem não liga a estas coisas, a pintura que aqui ilustra é de um grande pintor português de seu nome José Malhoa - mas não é o do "24 rosas numa jarra..."!)

sexta-feira, agosto 20, 2010

diz que era antigamente...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
...um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.


É Agosto, apeteceu-me, e às vezes convém lembrar o país que (há tanto tempo) somos...
Eternamente divido (além de tantas outras categorias) entre os pessimistas e os utopistas.
Eu sou mais dos que acham que, aos poucos é certo, e com o trabalho dos que não se ficam por lamúrias,"o mundo pula e avança, como bola colorida"...

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segunda-feira, agosto 02, 2010

avanços civilizacionais

Aos poucos, o mundo fica mais civilizado. 
Não podia ir de férias sem fazer referência a isto. O Governo da Catalunha aboliu as touradas. Afinal, no país da 'afición' dá-se mostras de se ser mais evoluído que outros país com "tradições" copiadas há "meia dúzia" de décadas.
Mas é assim a evolução humana, lenta. Em Portugal também municípios como Viana do Castelo, Braga, Cascais e Sintra já aboliram estas práticas pouco dignas do ser humano, mas outros vão insistindo nessa manifestação bárbara que além do mais é nacionalmente um disfarçado sorvedouro de dinheiros públicos.
Nem a propósito, esta semana há tourada em Tomar.

sexta-feira, julho 23, 2010

parque público

Ontem, embora já aos últimos minutos, estive a assistir à reunião de câmara nabantina, mas o que por agora me merece mais destaque acontece ainda cá fora do edifício.
Bem sei que o assunto já foi mencionado por um dos jornais locais (não me lembro qual) mas a verdade é que quando o exemplo vem de cima dá nisto, ontem eram já três os carros estacionados na Praça da República, transformada assim em parque de estacionamento sempre que há reunião de câmara.
Pudera, se o exemplo vem de cima, até parece que o vereador não tem dinheiro para parquear o carro no parque existente a vinte metros, ou mora longe e não pode vir a pé.
Como o jornal, revelando dualidade de critérios, não soube de que vereador era o carro eu informo, chama-se Pedro Marques. Não é contudo de estranhar essa dualidade de critérios, parece que a PSP também a tem na hora de passar multas.

Apreciando tanto esta ideia inovadora, vou em próxima Assembleia Municipal propor que todos os deputados municipais possam em dias de reunião, passar a estacionar também os seus veículos na praça.


Outra coisa que muito impressiona nas reuniões de câmara, é o da dificuldade que alguns vereadores e/ou presidente de câmara têm em se fazer ouvir, é que tanto eu como as outras três pessoas a assistir na sala, a quatro metros dos protagonistas, não conseguíamos ouvir nada mesmo com os microfones ligados...

Mas parece só acontecer com alguns timbres de voz... tenho também em reunião de AM propor que se estude a acústica da sala...

Falando de assuntos mais sérios, para que não se pense que estou a deixar passar em claro, foi ontem aprovado em reunião de câmara algo que considero bastante grave, mas sobre isso tomarei posição depois de reunir a direcção do PS.


(apetece-me voltar a citar outra vez a frase de Jefferson que está já aqui em baixo!!!)

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quinta-feira, junho 24, 2010

falam falam, mas depois fazem sempre pior...

Estou aqui com a televisão ligada, e quando o está, quase sempre sintonizada na SIC Notícias, como agora.
O Mário Crespo está a entrevistar o Fernando Nobre - o candidato a Presidente da República que diz que não tem nada a ver com a política, entre outras pérolas, como o ser de esquerda ou direita ser igualmente indiferente!!!

Devo dizer que tinha e tenho grande respeito e consideração pelo percurso de vida de Fernando Nobre e pelo seu exemplo de voluntariado, mas abomino a hipocrisia, o cinismo e pedantice, entre outras coisas, como aquela moda que já não é nova, de concorrer a cargos políticos dizendo mal da política e dos políticos.

Perdeu muitos pontos com esta entrevista (deve ser influência do Mário Crespo, que desde que vende t-shirts e faz animações de eventos em part-time, também esqueceu alguns princípios teoricamente seguidos pelos jornalistas em Portugal), que se resumiu a uma espécie de anúncio da Whiskas: "blá blá blá sou bom, blá blá blá sou bom, blá blá blá eu é que sou bom porque não tenho partido, sou da esquerda e da direita, do benfica e do sporting, sou o melhor dentro e fora de fronteiras, blá blá blá, o que estava eu a dizer... ah pois, sou bom, sou muito bom!

Frases feitas, alguns traços de senilidade, e sublinho outra vez, muita hipocrisia.
É na verdade o costume, mais um auto declarado independente, como se isso existisse, a fazer muito pior do que aqueles contra quem concorre. E o Crespo ainda deu ali um jeito de o comparar com o Obama!!
Oh valha-me deus que sou ateu!



quinta-feira, junho 10, 2010


Agora que o nosso letrado e espontâneo Presidente da República discursa na televisão, não consigo esquecer que entre mais, hoje é o dia da raça...



quinta-feira, fevereiro 11, 2010

regabofe

"Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário"
George Orwell


Este país parece apostado a mostrar que não sabe ou não gosta de viver em Democracia. Confunde-se Liberdade com libertinagem.
Está tudo apostado em mandar o primeiro-ministro para casa, a começar pelos amigos dele que só metem argoladas.
Por mais que isso possa vir a satisfazer os egos, os ódios, e todos os demais sentimos ruins que perpassam na nossa sociedade carente de valores, o que se está a passar é muito grave, e se o Governo cair será muito pior.
Muito mais que as questões da economia, e o que isso poderá agravar da credibilidade do Estado, da pressão das agências de rating, etc, o que é grave em tudo isto é o Estado de Direito que se está a esvanecer.
Acabaram-se os direitos individuais, a presunção de inocência, o respeito pelas leis e pelas regras. Os julgamentos são feitos na comunicação social e nas ruas.
Ao contrário da imagem que muitos conseguem fazer passar, não é a liberdade de expressão que está em risco, mas o exacto contrário. Em Portugal todos dizem o que querem, fazem o que bem entendem, que nada lhes acontece; por maior que seja o disparate, a mentira, a calúnia, enfim...
Já nem os tribunais de nada valem. Todo o país sabe hoje, que um tribunal decretou uma providência cautelar sobre a publicação de escutas que envolvam um cidadão em particular, dando-lhe razão sobre os seus direitos individuais. Pois todos sabemos já que esse jornal ignorará essa ordem. É razão para estarmos felizes? Eu acho que não, a partir daqui tudo é possível. Se nem aos tribunais atribuirmos autoridade, quem zelará pelo Estado?


E Sócrates, é culpado de alguma coisa? Não sei. Que mexeu em muitos interesses não tenho dúvidas, alguns mexem-se na sombra.
A ele será cada vez mais difícil a sobrevivência política, provavelmente sem culpas naquilo que o acusam, ou se algumas tiver, provavelmente nunca o saberemos, porque cada vez mais é a vontade de o sacrificar, e com ele o seu Governo. Mas o que os seus opositores não percebem, ou não querem perceber alimentados pelos seus desejos mais imediatos, desde logo caindo muitas vezes em atitudes e afirmações que a si próprios negam (por exemplo quando políticos comentam decisões judiciais, esquecendo os princípios fundamentais que regem a nossa Constituição e a Lei),  é que Sócrates quando muito perderá na imagem pessoal, mas quem perde verdadeiramente com todo o disparate instalado é a Política, são os políticos, os partidos, a credibilidade das instituições e a confiança nelas, todas sem excepção - Presidente da República, Governo, Parlamento, Tribunais - mas também a própria comunicação social, o Estado de Direito, os princípios da legalidade, e por aí fora, até chegar a cada um de nós, e aos nossos direitos individuais que deixam de estar protegidos, e disponíveis para qualquer fome mediática.


Ditadura? Não é. Mas Democracia também não me parece. É a realidade de um país cada vez mais sem sentido, onde rareia cultura, educação, inteligência e bom senso. Onde faltam valores. Um país cada vez mais anárquico, onde falta responsabilidade, animado por bobos da corte que nos enchem as televisões de afirmações que são insultos à inteligência; um país que não sabe pensar por si, precisando de manadas de comentadores que nos "explicam" como bem entendem a suposta realidade que vivemos.
A Sócrates talvez não reste muito tempo como Primeiro-ministro, mas depois virá outro a quem acusarão das mesmas ou de similares culpas, e a seguir outro e por aí fora.
Somos um país ingénuo e assim sem emenda. Praticamente sem experiência (quanto mais maturidade!) democrática.
E depois fazemos esgares hipócritas de admiração, quando alguns pedem um novo Salazar!
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