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terça-feira, setembro 04, 2012

curtas

- Clint Eastwood, esse monstro do cinema, republicano assumido (como uma boa parte dos atores do tempo de Reagan), gozou largamente com o presidente Obama num comício do partido Republicano o que está a provocar muitas reações lá pelos EUA.
A resposta de Obama, primeiro com uma simples foto no seu facebook e depois em declarações à comunicação social, devia ser exemplo para todos. Os grandes Homens e os grandes Políticos são assim: "nobres", inteligentes e com fair play.
(se não souberem do que estou a falar, procurem que eu não sou criado de ninguém :)

- A troika responsabilizou o Governo pelos maus resultados. Ora, é verdade que o Governo é o grande culpado pelas incapacidades próprias, pela ideologia não apresentada nas urnas, e também por todos os disparates que vão "além da troika".
Mas vamos lá ser honestos, a troika também tem culpas e grandes, ou não fossem eles uns tecnocratas da pior espécie que ninguém elegeu, que desprezam a Democracia, e que pensam que tudo se reduz a números, pessoas incluídas. É o problema de se meter a Política na gaveta, e de se deixar contabilistas (ainda por cima maus) a fazer a vez de políticos.
Há contudo nisto algo que fica claro: o discurso do Governo e de muitos em seu nome na comunicação social, alegando que é preciso cumprir a coisa à risca (o que em todo o caso não estão a fazer) cai por terra.

- Apesar de há muito ser necessária, o PSD (que já durante o Governo do PS deu o dito por não dito, quando mudou a liderança de Marques Mendes para L.F.Menezes) não vai avançar com uma proposta de nova lei autárquica porque não se entende com o CDS sobre o assunto.
Ora, se para algo que é, desde que haja bom senso e coerência, relativamente simples, como hão eles de fazer melhor trabalho na condução do país?

- Depois de ter acontecido na última Festa dos Tabuleiros, outro jovem casal nabantino e algazenze fez um pedido público de casamento, desta feita em direto na rádio M80, onde a noiva é produtora. Parabéns aos noivos, Tânia e Marco.
(os ares do Algaz e arredores devem ter qualquer coisa diferente, quiçá substâncias alucinogénias exaladas dos pinheiros, tenho de ter cuidado... :)

sábado, setembro 01, 2012

curtas

foto rádio Cidade de Tomar
- O Círio de Nª Srª da Piedade vai estar este ano reduzido à parte religiosa, lê-se n'O Templário, isto porque a câmara não dá apoio logístico. Cá está, a falta de planeamento e estratégia, a falta de definição de prioridades.
Este é claramente um dos eventos que merece esse apoio. Porque é distintivo, porque é em Setembro, porque é na cidade onde quase nada se passa, etc, etc. E porque isto sim, é património cultural que vale a pena defender.
Mas na câmara sabe-se pouco, vê-se pouco, aprende-se pouco.
E a lei dos compromissos agora é desculpa para tudo aquilo que não se soube fazer previamente, tudo aquilo que não se soube fazer. Ponto.

- Por falar em festas, tenho alguma curiosidade para saber os números dos eventos do fim de semana passado, mais um daqueles com múltiplas festinhas. Linhaceira, Cem Soldos, S.Pedro, Chão das Maias, se mais não tiverem sido, locais quase todos onde, para mais, as festas costumavam ser fortes. Como andarão os lucros?

- O nosso Governo e o nosso presidente da Assembleia Municipal de Tomar, Miguel Relvas, andam (parecem) algo desnorteados. Ora mandam o assalariado Borges dizer que "concessiona" de vez a RTP, ora vai Relvas a Timor assinar protocolos que envolvem a RTP. Cheira mal.

- Os 50 filmes mais dececionantes de sempre, ou seja, no rácio entre a expetativa por eles criada e o efeito... no Total Film. Não concordo com alguns dos incluídos (de todos, não terei visto 3 ou 4), mas estas listas são mesmo assim, curiosidades para nerds como eu.

- António José Seguro foi eleito vice-presidente da Internacional Socialista. Uma boa notícia para os socialistas lusos mas também para o país que pode vir a ter outra capacidade de influência em momentos de viragem política internacional (não agora, nesta Europa ainda dominada por governos de direita ultra conservadora), e claro, se a IS voltar a ter a capacidade perdida nestes últimos anos.

(3.9.2012) adenda: Confusão minha, não havia festa em S.Pedro, haverá no fim de semana de 14, 15 e 16 de Setembro.

quarta-feira, agosto 01, 2012

retratos

Ainda estou a digerir a reportagem sobre Miguel Relvas no último número da Visão.
É que, para além de tudo o que nós por cá sabemos, é o costume, Tomar aparece quase sempre na comunicação social nacional pelos piores motivos.
E muito do que se diz nesta reportagem deixam-me, enquanto autarca desde 2009, adversário de Miguel Relvas nessas eleições, enquanto nabantino ligado à política, e simplesmente enquanto cidadão tomarense, envergonhado.
Para além da maneira como os tomarenses acabam por ser retratados com expressões como dar a chave do carro para irem pôr gasolina e fazerem de seus motoristas, além dos gastos do telemóvel pagos pelo município e tudo o resto. No mínimo, parecemos uma terra de totós!

E depois, entre outras, estas afirmações... levezinhas:
(os itálicos são comentários meus)

«deslumbrou-se. Na política, é preciso haver regras e ele esqueceu-se um bocado das regras |...| algo se alterou nele. Mas quem não gosta de se pavonear e ser elogiado?»
Natalina Pintão, ex-deputada e ex-sogra.

«foi o primeiro de nós a perceber a importância do dinheiro e a juntar-se aos gajos da massa.»
diz um antigo dirigente da JSD sobre as ligações de Relvas ao MPLA

Estabelece relações estreitas com jornalistas, para dizer o mínimo. «Alguns eram estagiários, hoje são editores. Nunca conseguíamos falar com ele às horas de fecho dos jornais. Sabia as manchetes todas de véspera ou colocava ele as notícias», recordam dirigentes do PSD.|...| !!!!!!!!!!!!!


«Debates ideológicos, questões de fundo, sempre foram areias movediças para Miguel Relvas. A sua praia eram as táticas, as horas ao telefone, contactando com centenas de militantes um a um. |...|
Em 24 anos de Paralmanento fez 16 intervenções e esteve seis anos calado|...| !!!!!!!!!!
«O deputado Miguel aparecia, sobretudo, associado à criação de novas freguesias, vilas, cidades e concelhos |...| ...e agora quer acabar com elas.
«Os anos passaram com ele sempre à espera do elevador da glória. E a fazer por isso, claro. Empanturrou contactos, fidelidades e ligações em jantares de vitela e carne assada.|...|
Vários dirigentes e antigos autarcas do PS local apareceram colocados em assessorias e lugares confortáveis do distrito ou do Estado. | mas quem?!! | «desenrascou» a faculdade que a filha de um dirigente do Bloco desejava para prosseguir os estudos
Visão

«houve promessas de muitas coisas, empregos e sei lá que mais. Até para arranjar vinte nomes para a minha lista foi até à última |...| demiti-me do partido em 2009, saí do rebanho, mas a corrupção é transversal, vai do adro da Igreja até ao topo. As pessoas vendem-se por um litro de alcatrão ou para tapar um buraco à porta.»
Isabel Miliciano, identificada como "a proprietária d'O Templário, o semanário que resgatou das influências de Miguel."

Carlos Carrão reconhece à Visão o que nunca o vi reconhecer em Tomar: o hospital «está claramente a ser esvaziado» e acrescenta esta esotérica e enigmática afirmação: «o país é um Inferno e o Diabo instalou-se em Tomar».

Isto tudo dito assim como se fosse normal. Depois somam-se as história das viagens fantasmas e das várias moradas falsas em Tomar, as ligação a muitas figuras, umas duvidosas como Dias Loureiro, outras dos interesses como Mira Amaral, o gestor do BIC a quem o Estado "deu" o BPN, ou Morais Sarmento cuja sociedade de advogados tem trabalhado com a CMT. Aliás, como a Visão refere  «figuras com ligação ao PSD nacional não se têm dado mal com Tomar» e com o resto do distrito...
Ainda as ligações "estreitas" e os enredos com a Nersant, com O Mirante, com a Misericórdia de Tomar, a Euromedic... enfim, para além do que fica subentendido, e com tudo isto, algumas coisas que aqui em Tomar sempre cheiraram a esturro, como o processo Parq T e a Bragaparques por exemplo, podem adquirir contornos mais claros.

E se isto tudo não é de ficar enjoado e envergonhado, devo viver noutro mundo.

segunda-feira, junho 04, 2012

uma imagem...


...ou um gesto, mesmo que pequeno, valem muito, muito mais que mil palavras.
Algo que a grande generalidade dos políticos portugueses ainda não percebeu, ou, mais grave, não quer perceber.
E porque há sempre os que não entendem ou não querem entender, não me refiro a fazer show off...

terça-feira, maio 22, 2012

desaparecido

Eu tenho por hábito não falar publicamente de coisas muito concretas acerca de áreas sobre as quais tenha não só responsabilidade, mas igualmente a essa responsabilidade se junte um dever de alguma lealdade institucional e/ou hierárquica.
Assim aconteceu quando tive responsabilidades de gestão e liderança na área da juventude, assim acontece desde que tenho responsabilidades de igual âmbito na área da educação.

De maneira que, não falarei de questões muito concretas da atualidade da educação em Portugal. Estou sim preocupado com o desaparecimento de uma pessoa.
É que até há quase um ano atrás, era vê-lo todos os dias na televisão, nos jornais, em todo o lado, com declarações inflamadas, tantas vezes a roçar o insulto, muitas vezes sem se perceber porquê ou não havendo um real assunto, tantas a fazer sentir envergonhados muitos docentes, como eu, que não se revêem naquela postura e naquela forma de (não) defender a educação.
Pois agora - que, não sou eu que digo mas boa parte dos docentes, as coisas estão muito piores - ninguém o vê mais à sua organização... de maneira que ando preocupado, ainda mais sendo ele um conterrâneo nabantino, é que pode ser alguma coisa grave.
Alguém sabe do paradeiro do Mário Nogueira e da sua FENPROOF?!

terça-feira, fevereiro 21, 2012

curtas

- Quinta-feira pelas 10h da manhã, será entregue a petição contra a atual reorganização do CHMT na Assembleia da República. A petição conta com cerca de 6000 assinaturas.

- A propósito do CHMT Miguel Relvas, presidente da AMT e número 2 do Governo (ou será número1?) tem dito que um governante não pode favorecer o "seu" concelho. E eu concordo.
Mas não fui eu que andei em Tomar na última campanha das legislativas a dizer que era preciso votar no PSD porque Miguel Relvas ia para o Governo defender os interesses de Tomar...

- A CMT aprovou, tardiamente, um conjunto de 52 medidas de austeridade, entre as quais reduzir gastos com publicidade.
E fez um anúncio para dizer isso mesmo em página inteira nos dois jornais locais, mais um distrital...
Bom senso e coerência são coisas tão raras na nossa câmara!

- A Cruz Vermelha de Tomar abriu uma Loja Social na rua de São João, que entre outros projetos irá para já vender roupa a preços simbólicos. notícia rádio Hertz.
Este tipo de projeto é uma mais valia, e foi várias vezes proposto pelos socialistas para ser desenvolvido pelo município, ainda que como costume, ignorado por "quem manda".
Carlos Coelho e a sua equipa estão de parabéns. Votos de sucesso para este e futuros projetos.

- Hoje é dia de Carnaval e eu estou na minha escola a trabalhar...
É verdade que tenho que fazer, estou a concluir o SIADAP do pessoal não docente, mas isso podia ser feito em qualquer outro dia. Na verdade, hoje a utilidade da escola estar aberta, bem como todas as outras, bem como a generalidade dos serviços públicos, é mesmo só para aumentar a conta da EDP e afins.
Além do mais, eu que nunca fui dado a doenças estou meio doente. Raio da velhice.

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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

levai de mim as criancinhas


Ora, o nosso presidente Aníbal, o homem que gosta de ir aos Açores ver as vacas sorrir, o homem cuja reforma mal lhe chega para as despesas, o homem que põe helicópteros a vigiar o espaço aéreo da sua casa algarvia, o homem que quanto mais fala menos diz, parece que agora também tem medo de crianças. (notícia JN).
Tá armado em piegas!

Não tem nada de extraordinário, é mais um retrato dum homem com pouco de Homem, pouco bom senso, pouco intelecto. Não se queixem, votaram nele, é também um retrato do país que somos.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

renovar os partidos

clicar na imagem para alargar

Neste artigo de São José Almeida no Público, um tema muito pertinente e que está a passar longe do mediatismo dos fait-divers, e que coloca mais uma vez o PS a liderar uma importante reformulação da partidocracia nacional.
E uma ideia fundamental a reter, particularmente em momentos de crise económica e social em que todos os disparates parecem grandes ideias: não há democracia sem partidos.

terça-feira, janeiro 24, 2012

campanha solidária...

É triste, mas foi ele quem se pôs nesta situação.
Aliás não é a primeira vez, nem segunda, nem terceira... mas parece-me que desta, por muito que alguma comunicação social já esteja mandatada para tentar fazer esquecer a coisa, a grande maioria da população especialmente aquela que o elegeu, não vai esquecer.
Os outros... já sabíamos a pobreza de espírito que o senhor é.


Pena é que à conta de disparates de personagens como esta, que é tão só o político que mais tempo esteve em funções no pós 25 de Abril, e logo com as mais altas responsabilidades, todos os políticos sejam metidos no mesmo saco.
Não são "só" os cidadãos portugueses, os políticos e a política também mereciam mais de um Presidente da República.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

inventem-se novos políticos

Entretanto, já que destaquei a reportagem antes referida n'O Templário, devo referir também no mesmo jornal a entrevista ao Nuno Ferreira, o novo líder da Juventude Socialista em Tomar.
As capacidades do Nuno, que são extensíveis a um alargado número de jovens a surgir na política em Tomar (oxalá não sucumbam à habitual desmotivação), é bem perceptível logo na capacidade de análise que fazem de si próprios e que está sintetizada na frase que serve de cabeçalho à entrevista "os jovens têm vasta oferta de interesses mas esquecem-se do activismo social".
Não podia estar mais de acordo, apesar de sentir que felizmente isso está aos poucos a mudar.

Há uns anos atrás Daniel Sampaio escreveu um livro chamado Inventem-se Novos Pais, onde me socorro para dar título a este texto. Nele, defende (resumido assim de forma muito ligeira) que a responsabilidade pela forma como os filhos "se tornam pessoas" é precisamente de como os seus pais lidam com eles.
Na política também é assim e infelizmente tenho visto muitos jovens políticos da minha geração (falo do país e não propriamente de Tomar, até porque quase não os há) a muito cedo copiar as piores caraterísticas dos mais velhos.

Ora, em Tomar, num curto espaço de tempo, tanto a Juventude Socialista (JS) como a Social Democrata (JSD) e a Popular (JP) tiveram processos eleitorais com a eleição de novos líderes e equipas, o que no caso desta última significa mesmo um renascimento.
(É verdade que na JSD algo há que me preocupa, essa coisa de um tão grande grupo de filhos de autarcas e ex-autarcas não costuma dar bons frutos, mas enfim, esperemos que sejam melhores que os seus progenitores).
Independentemente das ideologias de cada um, são bons sinais. Em vez da habitual ausência de discussão, importante é precisamente a capacidade de discussão das ideias contrárias e quantos mais forem a aparecer com projetos e com vontade de fazer algo, melhor.

É que isto é coisa de velho e custa muito a mim dizê-lo com os meus 34 mas é a verdade, se não forem os mais jovens a fazer qualquer coisa de novo, isto está mal e só vai piorar pelas margens do nabão.
Por mais que pensem que isto pior não pode ficar, PODE, e a larga maioria dos políticos nabantinos (quase todos em "atividade" há muitos anos) estão bons mesmo é para pantufas, fraldas geriátricas e chá de tília.
Mas cuidado, não abusem da tília porque o uso contínuo pode causar taquicardia e isso em certas idades...

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terça-feira, dezembro 20, 2011

5 de Outubro

A extinção do feriado da implantação da República é das maiores parvoíces que já ouvi a qualquer governo de que me recorde.



Pela defesa do 5 de Outubro, assine a petição online:
http://www.peticoesonline.com.pt/peticao/manifesto-viva-a-republica/16

segunda-feira, dezembro 19, 2011

para onde vai este país?


a imagem chegou-me várias vezes ao email, mas desconheço a sua autoria exata
O Ministro da Saúde diz-nos que se queremos saúde que façamos seguros;
o da Segurança Social que se quisermos reformas façamos PPR's;
o Secretário de Estado da Juventude diz aos jovens para emigrar;
e agora até o Primeiro-ministro, que já nos tinha dito que o país precisa de empobrecer, diz agora que também os professores devem emigrar...

E depois fica tudo muito escandalizado quando Sócrates diz em Paris numa palestra o óbvio: "os países sempre tiveram dívida, e é uma ideia infantil os pequenos países pagarem-na de uma vez"; ou quando o Pedro Nuno Santos diz num jantar de militantes socialistas, e diz muito bem algo que também devia ser óbvio, que entre o povo português e os banqueiros alemães se está a marimbar para os banqueiros alemães.

Será que estamos num longo episódio daquela grande série "a 5ª dimensão"?

quarta-feira, dezembro 14, 2011

o discurso da treta

O último comunicado do PSD de Tomar, relativo à reprovação do orçamento municipal para 2012 em sede de Câmara, podia ser um texto humorístico. De fraca qualidade é certo, cheio de generalidades vãs, que em vez de um comunicado mais parece um desabafo qualquer num comentário de facebook. Só que só o poderia ser se porventura alguém lhes denotasse humor ou qualidades mínimas para isso, uma vez que o humor sério não está ao alcance de qualquer inapto.
Uma vez que a hipótese do humor está excluída, só resta outra: Cinismo. 
Puro, básico, tão arrogante como deprimente - cinismo.

O conteúdo da coisa nem merece grande análise de tão pobre que é, começando nas questões de pormenor como dar a entender que a oposição é o PS (o que o PS agradece, mas não corresponde à verdade - se não estou em erro há mais uma força política na câmara).

Depois, só podem mesmo estar a confirmar a minha tese de que andam a brincar com os tomarenses julgando que somos todos estúpidos. Acusar a oposição (leia-se PS) de incoerência, só pode mesmo ser para brincar. Será preciso lembrar que já o ano passado o PS se absteve e argumentou muito bem porque o fez? Será preciso lembrar quantas vezes dissemos que o PSD, fazendo de conta que continua com a maioria absoluta, não discute, não reune, não quer alterar uma linha de sua fraquíssima atuação? Será preciso lembrar quantas vezes apelámos ao bom senso, quantas vezes apontámos alternativas, quantas vezes gritámos com esperanças mínimas de que nos ouvissem?

Dizer depois que o voto de reprovação é "contra a contenção de despesas e apoio social da Câmara Municipal de Tomar, em especial, nas áreas da educação, saúde, desporto e transportes (...) representam o apoio directo aos idosos, às crianças e aos jovens", é de uma desonestidade inteletual que não é sequer digna de pessoas que devem estar ao serviço dos cidadãos. 
Mas para o PSD sim, parece que o interesse de Tomar e dos tomarenses nunca foi, e cada vez mais o demonstram, muito importante para aquilo que fazem ou deixam de fazer.

"Uma oportunidade perdida" dizem no comunicado sem que se perceba bem porquê. Mas oportunidades perdidas, muitas e muitas, foi o que os 14 anos de governação social-democrata têm significado para o concelho. E factos são factos: o decréscimo da população, gritante no caso dos jovens; a já quase inexistência de empresas com mais de uma dúzia de trabalhadores e a fuga de investidores, as dificuldades sempre crescentes do comércio, a perda exponencial da importância do concelho na região; as dificuldades criadas pela própria câmara a particulares, investidores e instituições; as opções erradas e as obras mal planeadas e inúteis; a dívida sempre crescente sem qualquer hipótese de recuperação financeira; a desorganização dos serviços; a falta de transparência e alguns processos pouco claros; a falta de capacidade política; a inexistência de uma só ideia para resolver o que quer que seja - e as vergonhas gritantes: o mal conduzido caso do alambor, o Convento de Santa Iria, o Polis, o mercado, o parque T.

Sobre tudo isto e mais, sim, era interessante ouvir o que tem a dizer o PSD. Mas eles continuam convencidos (mas só eles mesmo, e pouco) que fizeram e estão a fazer alguma coisa de jeito. 
Interessante também era que nos dissessem afinal quem é o primeiro responsável por este orçamento rejeitado. Quem é afinal o Presidente de Câmara de Tomar? Apoiam Corvêlo ou querem que saia? E onde é que ele está e por quanto tempo?

E depois, qual cereja em cima do bolo, acabam com isto que se mais nada dissessem, esta pérola da insensibilidade política e da incapacidade autocrítica diria tudo:
"Reforça-se ainda que o PSD irá governar num sistema de partilha de ideias e valores, onde todos os que se apresentem com ideias positivas e válidas, serão ouvidos e convidados a participar, tendo em vista reforçar a imagem e posicionamento de Tomar ao nível regional e nacional".

Eles serão mesmo inconscientes de tudo o que têm feito, ou estarão apenas a gozar connosco à descarada?!

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terça-feira, dezembro 13, 2011

A puberdade do PSD nabantino

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 9 de Dezembro

“Se não sabes para onde vais, então qualquer caminho serve - disse o gato à Alice.”
Lewis Carrol, em Alice no País da Maravilhas

Há dois anos atrás o PSD precisou encontrar quem lhe pudesse auxiliar na governação. Reticentes é certo, com muitas dúvidas sobre as mais que provadas incapacidades desses protagonistas, o PS aceitou ainda assim, com empenho, esse desafio e fê-lo com o comprometimento de, na procura dos melhores interesses para os tomarenses, o fazer no respeito para com os princípios há muito defendidos e as opções assumidas em compromisso eleitoral.
Só que o PSD e os seus autarcas a começar por Corvêlo de Sousa nunca compreenderam ou aceitaram ter perdido a maioria absoluta, e continuaram a governar como se a tivessem. E governar assim, mesmo se a tendo como aconteceu nos três mandatos anteriores, é governar mal! E com tantos erros acumulados ao longo dos anos, exigia-se ao menos a capacidade de aprender e querer mudar qualquer coisinha.
Ao invés, o PSD nunca aceitou sequer fazer aquilo que estando bem claro no acordo nem precisaria de estar pois é o mínimo que se exige em política: dialogar.
Passados dois anos sobre o início do atual mandato autárquico, e depois de toda a inaptidão, deslealdade, irresponsabilidade demonstrada pelo PSD na governação, era mais que tempo do PS dizer basta!
Ao longo destes dois anos o PS provou que há outras formas de estar e fazer na gestão da coisa pública, e que há outras soluções mais consonantes com as dificuldades e oportunidades que se colocam ao nosso concelho. Apesar de todos os entraves colocados, os vereadores socialistas demonstraram nas responsabilidades que lhe estiveram confiadas capacidade de decisão e trabalho, eficácia e transparência, responsabilidade e determinação.
Já o PSD, sem tão-pouco querer ouvir uma opinião contrária, cada vez mais fechados sobre si mesmos e sobre suas indecisões e divergências internas, é o grande responsável por uma sucessiva degradação da gestão municipal, a que acresce um evidente desfasamento para com as reais necessidades do concelho e o alheamento deliberado às dificuldades presentes.
É pena, e para Tomar é muito grave. Perdeu-se uma boa oportunidade para abrir um novo capítulo na gestão municipal, perdeu-se uma grande oportunidade de mostrar que a velha política do tudo contra ou tudo a favor consoante se está no poder ou na oposição não pode continuar a fazer sentido, e poder-se-ia ter mostrado que é possível fazer política de uma forma diferente, moderna, evoluída, apostando essencialmente no diálogo, na construção coletiva, na mitigação dos contrários e no reforço das ideias que unem.
Mas como disse Carlos Carrão (um dos principais protagonistas de todo este triste enredo de década e meia) ainda que se referindo a um só assunto na última Assembleia Municipal, “a Câmara Municipal não fez o seu trabalho”. Há muito que não faz e entre tanto mais, isso prova-se no contínuo crescimento da despesa e dívida do município, como se pode ler no documento de revisão orçamental que tentaram fazer aprovar mas que foi, muito bem, reprovado por todas as demais forças políticas. E a grande questão é, onde está legitimada a imensa dívida do município de Tomar?
À primeira vista até se poderá dizer: fez-se e está-se a fazer alguma coisa em Tomar. Sim, de todos os disparates anteriores, estão ainda as obras dos antigos lagares del rei/moagens da Mendes Godinho. Mas para quê, com que propósitos, com que meios para tornar aquilo útil? Não sei, não sabe ninguém…
Nem vale a pena repisar nas obras falhadas ou mal planeadas já tanto faladas e à vista de todos, falemos apenas do mais recente. Tanto que insistimos para que as verbas destinadas à terceira fase do flecheiro fossem alteradas para recuperação da vergonhosa situação do mercado. O PSD não quis.
O Polis foi em Tomar, como tanto mais, de uma extrema inutilidade e esbanjamento. Como estão as contas do Polis? Porque não estão fechadas? O que há aí ainda a revelar?
Onde estão os projetos de dinamização do centro histórico, de apoio aos investidores, de revitalização da economia local ou de incentivo à criação de emprego?
Quais são as medidas para apoio à juventude, ou para verdadeiramente fazer do turismo cultural uma aposta séria e estratégica, ou de envolvimento das enormes potencialidades do associativismo nabantino na capacidade de criação de emprego e desenvolvimento económico?
Nada, nada, nada, e se em mais falasse a conclusão seria a mesma, nada. E depois há ainda o Parque T e além dos milhões já lá gastos, os seis mil e quinhentos milhões que o PSD quer pôr o município a pagar à BragaParques, o que se acontecesse, levaria definitivamente o município à bancarrota.
Tudo isto não pode ser estranho para os tomarenses. Corvêlo e os restantes limitaram-se a seguir aquilo que têm feito desde 1997, e nas raras vezes que chegam a tentar justificar as suas falhas, usam as mesmas desculpas esfarrapadas de sempre: porque foi o parecer dos técnicos, porque é o que a lei diz, porque é o que está no projeto, ou simplesmente, porque a responsabilidade é de outros.
Corvêlo de Sousa não tem nem nunca teve condições para exercer as funções que ocupa, e por isso o próprio PSD se mostra envergonhado em defendê-lo, sendo mais que sabido que desde o início deseja que saia. O grande problema é que os que o seguem na lista não são melhores, nem podem, se estão lá há tanto tempo e não aprenderam ainda…
Catorze anos na governação de um concelho é muito tempo. Mas em vez de sair da puberdade, o PSD nabantino continua sim preso à mesma teimosia infantil, visão limitada e a irresponsabilidade de quem julga que tudo pode fazer sem consequências.
O PSD tem tentado a tão subtil como falsa, estratégia de dizer que não tem nada que ver com estes autarcas como se não fosse responsável por os ter escolhido. Irremediavelmente sem retorno, não mais poderão tentar esse embuste. Há muito que afirmámos que se não mudasse de atitude, o PSD teria de carregar sozinho o menino nos braços. Essa realidade confirmou-se por exclusiva culpa de quem não soube trabalhar, e seria importante saber que soluções tem agora o PSD. Eu não tenho dúvidas em afiançar: não tem nenhuma.
A gestão do PSD com António Paiva foi ruinosa para o município e para Tomar. Criminosa é até provavelmente o adjetivo mais correto. A gestão do PSD com Corvêlo de Sousa continuou, de forma ainda mais atabalhoada esse rumo. O que pode fazer acreditar que, seja lá com que protagonistas for, de futuro o PSD poderá fazer diferente?
E ainda faltam dois anos para o fim deste mandato. Com a situação tão grave que o município atravessa, este é um daqueles momentos em que a coragem e a responsabilidade dos políticos deveria ser posta à prova. O PS acabou de dar um importante exemplo.
Tomar já perdeu muito tempo, Tomar precisa de eleições antecipadas, precisa de novos protagonistas.
Sei que as condições para que tal aconteçam são muito remotas. Seja com que justificações for, poucos se mostram desprendidos dos lugares que julgam seus.
Se tivermos mesmo que perder mais dois anos, ao menos que se tirem lições de todo este emaranhado de disparates.
Que os partidos, a começar no PSD, tirem lições na forma como escolhem as pessoas que colocam nas listas, e os cidadãos que passem a escolher melhor na hora de votar, que não olhem apenas ao símbolo do partido mas que olhem às pessoas que compõem as listas e aquilo que entendem ser as suas capacidades.
Que olhem para o projeto (não esquecer que em 2005 o PSD ganhou as eleições em Tomar sem sequer ter apresentado um programa eleitoral); e por favor (esta não devia ser uma condição, mas a realidade local tem demonstrado a sua necessidade), na hora de escolher, escolham pessoas que conheçam o concelho, que gostem de Tomar e dos tomarenses, que sintam os seus problemas e que queiram convictamente tentar resolvê-los.
A política e a gestão pública democrática devem fazer-se com base no diálogo, na discussão construtiva e na procura dos consensos alargados. Sei que do lado da alternativa possível a este estado de coisas, o PS, continuará como sempre a existir a capacidade crítica e a convicção das ideias, reafirmando-se incessantemente como a opção credível para trabalhar por Tomar e pelos tomarenses.
Embora muito austera a situação a que foi trazido, o concelho de Tomar terá sempre opções. Assim nos seja confiado demonstrá-las.
Lewis Carrol, autor que cito no início deste texto, disse bem que “as pessoas podem duvidar do que dizes, mas acreditarão no que fizeres”. Ora, em Tomar, do que diz e do que faz o PSD já todos temos obrigação de saber muito bem: fez muito mal, aprendeu muito pouco, não mostra qualquer vontade séria de querer mudar.
Estarão os tomarenses disponíveis para continuar a aprovar tão mau executante?

quinta-feira, novembro 03, 2011

viram-se gregos para ser gregos

Georges Papandreou, o Primeiro-ministro grego, é o meu mais recente herói.

Quanto meia dúzia de fracos dirigentes europeus, sem uma ideia de Europa que não passe por resolver os seus quintais e os outros que se lixem, que não souberam atuar com rapidez e eficácia deixando que pequenos problemas se tornassem gigantes, julgam que mandam e desmandam nos pequenos países, deixando ainda que os mercados mandem na política, eis que contra todas as "lógicas" e numa manobra de altíssimo risco, o Primeiro-ministro desse pequeno país que nos ensinou o que é a democracia, endireita a coluna e grita: - Calma! Andam a brincar connosco, vamos lá então todos brincar um bocadinho. Nós agradecemos o dinheiro que nos vendem com alto lucro, mas primeiro vamos ouvir o povo!

É realmente arriscado, nunca se sabe no que pode resultar um referendo, mas se correr bem este primeiro-ministro passará a ter uma legitimidade como poucos outros no contexto europeu.

E entre aqueles que acham que se devia suspender a democracia por uns tempos, e os que mesmo sabendo que às vezes a democracia apresenta muitos riscos contra si mesma e ainda assim têm a coragem de arriscar, eu prefiro os segundos. E acima de tudo não gosto daqueles que "à lá Portas" vêm falar da vantagem da unidade e estabilidade, querendo em verdade dizer, "mantenham-se mansos que é melhor para vocês!". A esses prefiro os que dizem: - "manso é a tua tia pá!"

Bom, eu não sei se o referendo chegará a ir para a frente (vai depender muito da moção de confiança de amanhã), se o Papandreou vai resistir muito tempo, se a Grécia se safa ou acaba por abandonar o euro e atrás de si outros como Portugal, mas Georges Papandreou para mim já figura como um dos poucos líderes europeus que os tem no sítio.

ADENDA: Pronto, afinal parece que não é preciso esperar até amanhã, o referendo já era e assim sendo Papandreou também não deve demorar muito. É o mundo em que vivemos, coitados dos pequeninos...

domingo, outubro 30, 2011

Custódio de Paialvo (2)


Não podendo estar presente no justo almoço de homenagem a Custódio Ferreira que o PCP hoje organiza em Vila Nova, recoloco aqui o artigo que escrevi para o jornal Cidade de Tomar de 16 de Julho de 2010. Uma singela homenagem.

"Custódio, além de nome pessoal pode ser igualmente, na abundância de significados da língua portuguesa, adjectivo de protector, defensor, guardião. Custódio Ferreira anunciou na última Assembleia Municipal o seu afastamento, eventualmente temporário, da vida política.
Custódio Ferreira é um Ser Político por quem só podemos ter elevada estima. Além do que imagino da sua vida durante o anterior regime, sei da sua biografia que foi Deputado à Assembleia Constituinte após o 25 de Abril, foi membro do Comité Central do PCP, é autarca há mais de 30 anos, os últimos 16 como Presidente da Junta de Freguesia de Paialvo, onde agora foi substituído.

Não é a primeira vez que elogio “adversários” políticos, mas o Custódio Ferreira é especial. Separam-nos 50 anos de vida. Entre mim e ele muitas gerações de diferentes oportunidades, diferentes concepções do país, do mundo, da vida.
Mas elogiar Custódio Ferreira é elogiar a Política. E isso é, cada vez mais nos tempos que correm, de superior importância. Enaltecer aqueles que entregam a sua vida, o seu tempo, a sua experiência e sabedoria acumulada em prol das suas comunidades, em prol dos demais, e vezes demais a comunidades pouco agradecidas, que mais exigem que reconhecem, que mais ofendem até, do que agradecem.

Nestes tempos de modas fugazes, de capitalismo selvagem, de prazeres egoístas, imediatos e fortuitos, Homens como Custódio Ferreira provam que as críticas generalizadas aos políticos são injustas. A maioria dos que se entregam à causa pública, acreditando em valores e ideais tantas vezes minoritários, com sacrifícios pessoais e profissionais, sacrifícios de vida, fazem-no por uma necessidade intrínseca de trabalhar pelos outros, pela vontade da partilha, pela entrega a algo mais que o próprio ser.

Esses são os verdadeiros políticos, esses são a maioria, a esses se devem o desenvolvimento das nossas comunidades, do nosso país, tantas vezes injustamente acusados, num país de memórias curtas, de apenas ambicionarem a satisfação pessoal.
É também, num tempo onde não reflectir, não acreditar, não se preocupar, não se identificar, quando faz mais sentido o elogio da ideologia, o elogio de ter valores, elogiar os que defendem algo contra os que, proclamando modas “independentes” iguais a coisa nenhuma, pretendem o afastamento desses valores ou a propagação de ideologias difusas, ou a simples ideia que não é preciso acreditar em nada e nada fazer pelo mundo em que vivemos, a começar na nossa rua.

Claro que não partilho da grande maioria das convicções de Custódio Ferreira, como não comungo dos ideais comunistas, claro que não partilho da sua cristalização no tempo, e da forma estanque como se isolam do mundo progressista, que já nem em alguns países assumidamente comunistas – veja-se a China – são verdadeiramente seguidos. Esse isolamento do mundo real e actual que ditará se mudanças não fizerem, a extinção desse partido a médio prazo. Tal como o ser humano que as constrói, as ideologias evoluem.
Mas não é isso que aqui está em causa, sim o homem, e todos os que como ele se entregam a causas, defendem aquilo em que acreditam, com coragem, com determinação.

A Política, ao contrário do que acusam os que nela não embarcam, é muito ingrata, desgastante, injusta para a grande maioria dos que a levam por diante, e por isso, embora muitos, como já antes disse, nela estejam pelos motivos certos, poucos aguentam estoicamente como Custódio Ferreira aguentou, poucos dedicam toda uma vida à causa pública, poucos suportam a constante pressão de ouvir e responder às críticas, aos anseios, aos pedidos, e também às injúrias, às injustiças, aos dislates de tantos dos demais.

Por tudo isto, ideologias à parte, Custódio Ferreira, Homem Político, merece sem dúvida a admiração de todos. Na sua despedida na Assembleia Municipal, fiel ao significado do nome que carrega, afirmou-se realizado por sempre ter defendido os interesses dos mais necessitados e em particular da sua freguesia. A todos nós só resta pedir que o seu exemplo nos continue a inspirar."

sexta-feira, julho 22, 2011

De saída

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de hoje.

Esta será a última vez que assino um texto enquanto presidente da Concelhia de Tomar do Partido Socialista. Foram quase seis anos como primeiro responsável por uma estrutura que envolve umas centenas de militantes e autarcas, alguns deles independentes.
Liderar um partido político é na maioria das vezes difícil. Lidar com as muitas opiniões contrárias, com legítimos interesses diversificados, e também com as amizades ou as antipatias entre pessoas que se conhecem muitas vezes há muito tempo, originando por vezes invejas gratuitas, por vezes ódios cujas razões se perderam no tempo. Um partido político é afinal como uma representação restrita da sociedade.
Como em todo o lado, quem lidera não consegue agradar a todos. Se é firme há quem o ache autoritário, se é condescendente há quem o ache manipulável, se decide é egocêntrico, se ouve os outros é porque é incapaz de decidir sozinho. Depois, como em tudo, as opiniões sobre a sua acção dividem-se: há sempre quem nele se reveja por se sentir representado; há quem o desvalorize por achar que faria melhor; há quem não goste porque não, porque é novo ou velho, porque é baixo ou gordo, ou porque é homem ou porque é mulher, ou porque é do Benfica ou não gosta de touradas…

Liderar é muitas vezes fazer escolhas, e muitas vezes essas escolhas envolvem pessoas. E por mais que tenhamos o perfil traçado, o perfil estudado, há sempre pessoas que nos desiludem outras que nos surpreendem agradavelmente. Como diria um amigo meu, é quando está em brasa que se vê a qualidade do metal. E como em tanto mais, é seguramente assim na política.
Liderar é também cometer erros, saber assumi-los, e acima de tudo aprender com eles, sejam os próprios sejam os observados nos outros.
Como em qualquer organização, nem sempre todos estão pelas melhores razões ou com a maior das dedicações – sempre foi sempre assim será. Interessa o sentido para o qual aponta a maioria. A grande maioria dos socialistas nabantinos deseja um concelho mais desenvolvido, mais capaz, onde todos possamos continuar a viver e a viver com mais oportunidades. Um concelho que ao contrário do afundanço das últimas décadas, seja sim um concelho que prospere, que agarre os jovens e atraia outros.
A grande maioria dos socialistas coloca os interesses do colectivo à frente dos pessoais, são esses que interessam, é nesses que me revejo.

Ao longo deste tempo procurei sempre introduzir novas pessoas, novos protagonismos, nunca centrando no “líder” a responsabilidade única pela decisão ou condução da estrutura. É assim que gosto de trabalhar, e na política como em qualquer outra actividade que tenha por base o voluntariado, não concebo mesmo que possa ser de outra forma. Pelo colectivo com o colectivo. Se assim não for, e mesmo sabendo que muitos não pensam como eu, para mim não vale a pena.
Gosto de estar em colectivos que baseados nas mesmas causas, dirigidos aos mesmos projectos, encontram nesse espaço colectivo a partilha, a força e a ambição para prosseguir com esses desafios.
É assim que vejo qualquer associação, é assim que vejo qualquer partido político, é assim que vejo o Partido Socialista e a concelhia de Tomar.

Com essa forma de estar, foram várias as bandeiras nestes anos, prenhes de causas, que empunhámos ao longo deste tempo.
Da eterna defesa do Mercado Municipal e da sua revitalização, infelizmente ainda no estado vergonhoso em que se encontra; à luta contra a ponte do Flecheiro, hoje prova que foi mais um “investimento” de prioridade duvidosa, à vista que está que pouco ou nada resolveu na mobilidade, ao contrário do que poderia resolver se, como sempre defendemos, tivesse sido construída mais a sul à entrada da cidade, como deveria obrigar o simples bom senso.
Olhando para a gestão municipal, este tempo que passou pode muito bem ser definido como o das dispendiosas obras inúteis, sinónimo por isso de oportunidades perdidas.
Com o Polis à cabeça como grande ocasião falhada, temos hoje a cidade (do resto do concelho nem vale a pena falar) polvilhada de obras caras, com despesas avultadas de manutenção e sem capacidade de retorno financeiro e na maioria dos casos, qualquer outro. Das grandes obras como o Pavilhão Municipal, erradamente pensado logo de início porque não deveria ter sido construído naquele local, nem com aquelas características; à Casa dos Cubos que serve para quê afinal?; às obras mais pequenas como as rotundas mal concebidas ou as passadeiras elevadas eternamente a ser reparadas.

Tudo isso, fraco ou nenhum planeamento, falta de visão e de senso, muita teimosia bacoca, explicam a imensa dívida do nosso município, e apesar disso perguntamos: o que disto representou investimento em desenvolvimento económico, em incentivo à criação de postos de trabalho, de expansão de nichos de mercado, em melhoria de acesso dos cidadãos aos serviços públicos e melhor prestação destes; ou sequer, o que é que disto representou melhoria da qualidade de vida e da oferta generalizada de Tomar num contexto de permanente competitividade entre concelhos?
A dívida colossal, a pesada herança do desastre da governação PSD/António Paiva, é-o ainda mais porque dificilmente terá o município capacidade para em longos anos a conseguir pagar com meios próprios, e exprime-se magistralmente como exemplo de tudo o resto numa só obra: o desastroso Parque T que fora os milhões já gastos, há-de levar ainda mais 7 milhões sobre os quais o município incorre já em juros, e continuamos sem perceber como pensa afinal o Presidente de Câmara pagá-los. E apesar de tudo isto continua-se, mês após mês, a esbanjar dinheiro sem critério, a gastar onde não há retorno, a gerir casuisticamente sem qualquer plano ou visão.

Já o disse e é evidente: sem rumo, sem organização, sem liderança, esta Câmara ficará para a história recente como a pior do pós 25 de Abril.
E os culpados quem são? Os políticos? Não, todos nós! Os políticos tomarenses com responsabilidades públicas nos últimos anos, escolhidos pelos tomarenses, têm sido globalmente maus, muito maus é certo, e eu sinto algum desconforto em poder ser confundido com eles e essa é uma das razões do meu actual cansaço com a política. Mas não confundo a responsabilidade dos eleitos com a desresponsabilização dos que os elegem.
Afinal, quantos tomarenses se preocupam com o estado a que o concelho chegou, com o estado desgovernado do município, o que é fazem, como é que exprimem o seu desacordo? É fácil deitar as culpas sempre a outros, é muito fácil culpar os suspeitos do costume, os políticos, mas os políticos são o espelho das suas comunidades e tão ou mais competentes como a comunidade lhes exigir. A responsabilidade começa em cada um de nós, a nossa comunidade começa em cada rua, em cada casa.

De saída, não esqueço os elementos dos três secretariados e das três comissões políticas que me deram o privilégio de dirigir; aos candidatos que em eleições autárquicas muito se esforçaram mas apesar disso não saíram ganhadores, não desistam porque como bem disse Mário Soares “só é derrotado quem desiste de lutar”; a todos os autarcas socialistas, particularmente aos Presidentes e outros elementos das Juntas de Freguesia cujo trabalho é esforçado e dedicado como provavelmente nenhum outro na vida autárquica, e ainda assim pouco reconhecido. A todos um penhorado agradecimento.

À comunicação social, mas mais que isso, aos jornalistas que são pessoas como todos os demais, com falhas e virtudes e que mesmo errando aqui ou ali (e eu bem sei que sou muitas vezes crítico para com o seu trabalho), fazem o possível com os poucos meios de que dispõem, e que apesar disso têm no nosso concelho um papel muito importante não apenas no simples transmitir de informação, mas também no alertar das consciências, no dar voz aos cidadãos mais anónimos, no unir da comunidade. Tudo isso a comunicação social pode fazer – se o quiser. E nós pretensos políticos, temos de reconhecer que a comunicação social é uma extensão daquilo que fazemos. São eles que projectam, ou não, a nossa voz, eles que transmitem ou não, as nossas ideias.
No fim deste processo, de vitórias e derrotas, de lutas, de horas e dias e meses e anos, saio acima de tudo, com a mesma coisa que entrei – é em verdade, ainda que muito desvalorizada, das poucas coisas que vale a pena possuir: uma consciência tranquila.
A todos – porque como disse o outro, não deixarei de andar por aí – vemo-nos nas lutas!

Por fim, quanto ao PS, este fim-de-semana fazem-se escolhas, nacionalmente os socialistas escolhem um novo líder, e estou certo que escolherão António José Seguro, alguém que há muito admiro, alguém que tem uma visão mais próxima da minha do que é a esquerda, do que é o socialismo, do que é o humanismo.
Por Tomar os socialistas escolhem um novo líder e uma nova equipa de dirigentes. Sei que a Anabela Freitas saberá encontrar as melhores energias para levar o colectivo socialista a melhores portos e com isso levar o PS a, escolhido pelos tomarenses para governar, resgatar Tomar do buraco em que dia-a-dia se afunda. A todos, bom trabalho!

terça-feira, julho 19, 2011

uma espécie de coerência...

"Macário já não se opõe à introdução de portagens na Via do Infante", noticia a TSF.


Ora, o sr presidente da Câmara de Faro, ilustre figura do PSD nacional, era até há pouco tempo contra as portagens e aparecia na comunicação social muito combativo às mesmas, e agora de repente já não é contra.
O que é que terá mudado?

segunda-feira, julho 04, 2011

nós falamos eles fazem

"Faro inaugura horta urbana e entrega talhões a famílias e instituições", noticia o Público Online.

Assim como muitos outros municípios por esse país fora estão a fazer o mesmo. Curiosamente aqui em Tomar, o PSD, o mesmo partido que ganhou as eleições aqui e em Faro, gozou com a ideia quando nós do PS a apresentámos em Assembleia Municipal há uns meses atrás. Tal como em tantas outras matérias.

É tão triste ter razão e ser governado por incompetentes, incapazes e "invisuais políticos"!