Ravi Shankar, desde jovem mestre incontestado da cítara, faleceu ontem aos 92 anos.
O génio influenciou décadas de músicos e tocou com muitas figuras lendárias, tocou em Woodstock, escreveu bandas sonoras como "Ghandi", ganhou 4 Grammys e está nomeado novamente para a edição de 2013.
É pai, entre mais, daAnoushka com quem toca acima, e da atriz e cantora de jazz Norah Jones, de quem este vosso amigo também é grande fã.
Apreciem a obra.
O sempre lúcido Mário Soares completa hoje 88 anos de luta.
Continua a ser para mim e muitos, a maior referência política em Portugal da luta pela liberdade; do exemplo na participação cívica; na defesa dos valores da esquerda moderna e democrática.
Como todos os bons, há muito quem dele não goste. E isso é mais uma prova da sua qualidade e da defesa intransigente dos seus princípios.
Todas as sociedades precisam de figuras referenciais deste calibre. Há poucos.
Parabéns Mário! Continua a iluminar-nos por muitos anos.
Enquanto arrumava aqui uns ficheiros, descobri estas respostas a um questionário que o jornal Cidade de Tomar me colocou aí em junho ou julho de 2011, para uma rubrica que se chamava "olha quem fala" ou coisa assim e que, julgo, nunca foi publicado. Aqui fica para memória e arrumação.
Adivinhem as perguntas.
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É para mim bastante difícil a algumas
destas questões, por exemplo livros, filmes, ou viagens, responder
com uma só hipótese, mas cá vai:
Hugo Cristóvão, Tomar,
Professor;
(não sou assíduo frequentador de nenhum mas escolheria) Café Paraíso e Café Stª Iria;
“Tassalhos” de porco espetados
em pau de louro entremeados com “cilerca”, grelhados à lareira.
Com muito azeite, alho e vinagre, claro;
Como tenho tantos, o melhor é
mesmo a casa dos pais;
Tomar;
Com os amigos, em qualquer lugar;
De mochila às costas a qualquer
lugar ainda desconhecido;
Praia de Odeceixe, ao pôr-do-sol;
Para viver Portugal; para visitar
recorrentemente, Itália;
Para viver Tomar; para visitar
(entre várias) Nova Iorque;
Dos mais antigos aos mais
recentes, seria difícil escolher 50, mas por exemplo “Magnólia”,
de Paul Thomas Anderson;
“The Story”,
de Brandi Carlile;
Para nele condensar todos, “O
Pequeno Príncipe”, de Antoine Saint-Exupery;
Ler, escrever, ver cinema, ouvir
música “clássica” e bandas sonoras, jogar jogos de estratégia;
Mário Soares;
Cristóvão Colombo, porque é
figura algo misteriosa e importante na história da humanidade, mas
que tem em si traços de tragi-comédia e anti-herói deliciosos. Ao
descobrir a América, alcançou contra muitas adversidades uma
enorme proeza baseada contudo numa premissa errada, e ainda acabou
por ser outro a ficar com os louros;
Aquiles da Mota Lima, porque nos
deixou a todos a prova como a dedicação apaixonada a uma tarefa
pode originar algo único e como das coisas mais simples se pode
criar algo grande. No caso, a colecção do actual Museu dos
Fósforos, prova igual do que terá sido uma vida cheia, preenchida
entre mais, com outra sua paixão da qual também sofro: viajar;
É provavelmente defeito e
qualidade em simultâneo: entregar-me demasiado aos projectos, às
causas, ou às pessoas em que acredito;
Os realmente marcantes são
pessoais, ficam só para mim;
Tenho muitos, destaco este por
razão da actualidade: “Não procures impor a tua ausência, mas
fazer com que a tua ausência se note”.
Os prémios Nobel, que quase sempre têm uma pitada de política, seguem a tendência mundial em tudo o resto, atribuindo pela primeira vez a um chinês o Nobel da literatura.
Mo Yan, cuja obra não conheço, tem apenas um livro traduzido editado em Portugal, "Peito grande, ancas largas", livro esse que lhe trouxe alguns desaguisados com o Governo chinês e que foi depois retirado de circulação por lá.
- Nos últimos dias a segurança pessoal de Passos Coelho e outros governantes tem sido reforçada...
Até na reunião do conselho nacional na sede do PSD foram adotadas medidas extraordinárias de segurança.
Sairam cá uns piegas estes governantes!
- Vejam este vídeo colocado no Expresso, são 30 segundos onde um patrão português diz tudo sobre as medidas propostas pelo governo, no programa do nabantino liberal José Gomes Ferreira na SIC N.
- A escritora Maria Teresa Horta, uma Senhora, recusa-se a receber o prémio D.Dinis das mãos de Pedro Passos Coelho. Assim é que se é coerente. (no Expresso)
- O fim de semana das estátuas vivas em Tomar foi-se, mas as estátuas errantes essas continuam como sempre por aí. Sobre o festival, e independentemente dos números avançados pela autarquia, há algo evidente e que muito ouvi comentar durante o fim de semana - o público era bastante menos que no ano passado. Sintomas já de enfartamento quanto ao evento? Falta de novidades? Má divulgação? Ou apenas efeitos da crise? Bom dia! Hoje é quarta, falta pouco para o fim de semana...
«Companheiros:
Não vou poder estar convosco na mobilização de 15/9 porque tenho o privilégio de trabalhar nesse dia. Mobilizo-me à minha maneira e digo o que tenho a dizer, sobretudo através das canções que escrevo. É urgente estarmos unidos, cada vez mais, por todo o pais, dizer firmemente "NÃO" ao inaceitável. Tem de existir um limite para tanta injustiça, tanta arrogância, tanta impunidade e tanto sofrimento para esta maioria que não pode continuar
a ser tão silenciosa. Não vale a pena falar dos agravamentos bestiais que pessoalmente me afectam, a minha sobrevivência depende essencialmente do público e esse está aflitivamente a ficar sem meios de subsistência. Sei que o desemprego vai aumentar, o número de desalojados e falências também e sei que este povo tem de gritar bem alto e em uníssono "CHEGA!" - para não perecer.»
Jorge Palma, um dos grandes
«Tornou.se evidente que é preciso intervir, que é forçoso dizer que Portugal não podia ter tido pior sorte nas elites que elegeu. Não que a Democracia não funcione, mas porque temos sucessivamente acreditado que o Poder não corrompe Homens e Partidos. Recusamo.nos a crer que possam usar a benção do nosso voto contra nós próprios, em proveito de interesses privados obscuros em que ninguém votou. Este sistema baseado no Capital puro tem o maior desprezo pela Democracia que tanto nos custou a conquistar: estamos a aperceber-nos, tarde, que o Capitalismo já não precisa do sistema democrático para impor as suas furiosas regras. Um jogo sujo em que conquistam o Poder, não porque os esbirros tenham sido eleitos, mas porque se apropriam das barrigas de aluguer daqueles em quem, em boa fé, votamos.
Sucessivamente, e desde que se perderam valores e ideologias na vida política, Portugal tem sido saqueado uma e outra vez por governantes cegos às mais básicas ambições e necessidades das populações. Não é demagogia: os bens públicos, aqueles que todos pagámos com os nossos impostos, são consecutivamente assaltados, retalhados, vendidos a privados em manobras que escapam ao controle dos cidadãos.
Assim, o Sistema Nacional de Saúde, que sempre garantira constitucionalmente assistência médica gratuita a todos os portugueses, foi esvaziado, desinvestido, por forma a dar prejuízo nas contas públicas e justificar assim a sua venda. Sucessivas Administrações incompetentes de Hospitais Públicos, nomeados por igualmente incompetentes governos, colaboraram neste esquema tendo em vista a alienação de equipamentos, que são nossos por direito próprio, a privados que nos cobram para obtermos cuidados que tinham que ser grátis.
No Ensino Publico, a degradação das carreiras docentes, programas confusos e contraditórios, fizeram dos alunos cobaias durante décadas. Assim se destruiu a dignidade de professores e se depauperou a rede escolar, uma área, também ela constitucionalmente, de acesso universalmente gratuito. Ao mesmo tempo, ajudadas e financiadas pelos mesmos governos, pululam no país instituições de carácter privado que esvaziam o sector público com resultados muitas vezes equívocos ou fraudulentos.
Na Justiça ganha quem conseguir empatar o sistema. E consegue empatar o sistema quem tem dinheiro. Mais do mesmo. Não se privatizam os Juízes porque seria, para já, escandaloso. Mas o processo para lá caminha se não soubermos a tempo defender os nossos direitos. A promiscuidade entre poder político e poder judicial é um sintoma vergonhoso e indigno para um Estado de Direito democrático. É o grande sintoma da corrupção que grassa, há gerações, entre nós.
Agora, e em vez de um Serviço Publico de Televisão que sirva abnegadamente o País com uma gestão pública cuidadosa e rigorosa, entrega.se de mão beijada o nosso equipamento, as nossas instalações, o nosso dinheiro aos ' privados' de sempre, para cumprir promessas feitas nos bastidores pré.eleitorais às clientelas políticas. Este é o Governo que temos. Um Governo que prometeu mudar. Um Governo em quem muitos de nós votámos. Mas poderia ter sido o anterior, ou anterior a esse. Na falência ideológica, hipotecaram os nossos anéis. E agora querem arrancar.nos os dedos.
Portugal atravessa uma das piores crises da sua História. Mas não é a crise económica ou financeira que me preocupa. É a tremenda crise de valores, de respeito, de dignidade. Aquela que tão patente está nesta ultima comunicação do Primeiro.Ministro, esse sim eleito e a quem devemos pedir satisfações. Um Primeiro.Ministro que encabeça um Governo que anda a reboque dos mercados, seja lá o que isso for, que consecutivamente ataca os mais básicos direitos de quem trabalha, de quem produz, de quem cria emprego, taxando ainda mais os já míseros salários e regalias. Um Governo que prefere fazer pagar os mais fracos e desprotegidos, os reformados, os pensionistas, os desmpregados, os jovens, beneficiando despudoradamente quem mais tem e mais deveria pagar, que tem insistido na degradação da mão.de.obra, como se o País fosse ser mais competitivo quanto mais baixo fosse o valor do trabalho. Este é o Governo do nosso descontentamento, da chinezização do tecido produtivo, da mercantilização da Economia. A sua total insensibilidade para a verdadeira crise social que ajudou a aprofundar será um dia julgada pela História.
Para já compete.nos não calar a revolta que nos cresce diariamente a cada malfeitoria. Fomos tolerantes e passivos. Escutámos e acreditámos. Mas perante a ignomínia deste assalto descarado, a coberto da crise e acicatada pelos ' privados' a quem permitimos que o País fosse entregue, chegou o momento de mostrarmos que Portugal tem voz, tem Futuro, tem o mérito de ser produtivo, único, apaixonado, resistente, lutador, tem a capacidade de se erguer, de ousar Sonhar apesar da mediocridade das ' elites'' em quem confia, malfortunadamente, o seu destino.
Este Governo teve o beneplácito da maioria. E é escudado nesse argumento que, perante um Presidente autista e uma maioria conivente, acabou de dar a última machadada no nosso mais elementar direito: sermos Felizes na nossa terra. É aqui, em Portugal, que queremos que os nossos Filhos cresçam e encontrem, também eles, o caminho dos seus próprios Sonhos. E se partirem, que seja por vontade. Nunca por necessidade. Nos já pagámos Portugal. Este País é, portanto, nosso. Sejamos então nós a mandar. Sejamos nós a mudar.»
- É verdade que ele não precisa, mas saber que Paul McCartney cobrou apenas 1 libra (~1,6euros) para participar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos que estão a decorrer em Londres, é coisa que devia fazer pensar todos (e não apenas certas vedetas) sobre o espírito de voluntariado.
- "Há um projeto de aquicultura para a antiga fábrica de Porto de Cavaleiros", lê-se n'O Templário.
Durante grande parte da minha infância o meu pai foi eletricista da fábrica, trabalhando por turnos, ora das 0 às 8h, ora das 8 às 16h, ora das 16 às 24h. E em muitas vezes acompanhei-o (o meu preferido era o turno noturno), naquela fábrica cuja dimensão era para mim espaço de múltiplas aventuras - ora nos laboratórios onde parecia acontecer magia, ora ao longo das máquinas imensas, ora a saltar para pilhas enormes de aparas de papel, ora a olhar o rio, ora a... tanta coisa!
Por isso fico ainda mais feliz por saber que aquele atentado ao ambiente e à saúde pública, há largos anos falido por incompetência dos gestores, pode agora vir a ter uma nova vida, o que além do mais pode contribuir qualquer coisa para a débil economia nabantina.
- É sociologicamente uma característica tuga, o copiar e alastrar das ideias disparatadas. Depois de Tomar e outros concelhos, é agora também em Abrantes (essa outra terra de touradas!) que aparece em câmara a proposta de elevar a coisa a património municipal, aqui pela mão do PSD local. Terá à partida o mesmo desfecho que em Tomar.
- O governo de François Hollande aprovou e entra hoje em vigor uma taxa sobre transações financeiras, o que faz de França o primeiro país europeu a aplicar esta medida. Continuam a vir bons ventos da França socialista. Ler mais no negócios online.
- Por cá, foi hoje conhecido o relatório anual da CMVM sobre as empresas cotadas em bolsa, relativo a 2010, e aí se detetaram 17 administratores a acumular em mais de 30 empresas com o recordista a pertencer aos conselhos de administração de 73 empresas!!! Ele há coisas fantásticas não há? Somos um país de super gestores....
Relativity, uma das litografias mais conhecidas de Escher
Esta imagem de um dos meus favoritos, M.C. Escher, o artista das construções impossíveis, não podia estar mais apta a ilustrar o que penso das minhas próximas semanas, ou mesmo todo o verão. Não sei bem a direção para onde vou, ou para onde me apetece ir, ou simplesmente para onde me vão mandar.
Este verão que se vai anunciando cinzento, como hoje uma vez mais, também não ajuda a esclarecer o espírito.
Está visto que "inverno soalheiro dá céu nublado o verão inteiro". (Gosto de inventar provérbios).
Escher, um dos mais reputados artistas holandeses da contemporaneidade, faria ontem 114 anos....
mas a laranja mecânica esteve felizmente com falta de óleo :)
...ou um gesto, mesmo que pequeno, valem muito, muito mais que mil palavras. Algo que a grande generalidade dos políticos portugueses ainda não percebeu, ou, mais grave, não quer perceber.
E porque há sempre os que não entendem ou não querem entender, não me refiro a fazer show off...
- "Delphi de Castelo Branco poderia ter vindo para Tomar", lê-se na rádio cidade de Tomar e deve mesmo ser lido! Quem o disse foi o representante da Delphi, na Semana de Gestão que decorreu no Instituto Politécnico de Tomar.
Eu e outros muito o temos dito ao longo dos anos, muito temos criticado a forma como são tratados os investidores, a forma por vezes amadora, outras arrogante, outras totalmente desinteressada e incapaz com que os responsáveis laranja do município têm tratado os investidores e empresários desde 1997. Apesar de disto só não saber quem não o queira reconhecer ou quem ande totalmente desatento, é bom ouvir o que dizem empresários de sucesso que tentaram investir em Tomar. E percebermos o que ao longo destes anos temos andado a dar de mão beijada a outros concelhos.
- O Parque Ambiental de Santa Margarida (Constância) comemorou aniversário na passada quarta, lê-se na Hertz. Conheço bem o parque desde o seu início, lá já estive várias vezes tanto por lazer como em diversos contextos profissionais: em visitas com alunos e também num par de sessões de formação de docentes que ali ajudei a organizar. Já o referi aqui noutras oportunidades, Constância inventou um parque espetacular onde nada existia. Tomar tem tanto e não sabe o que fazer com coisa nenhuma. Mais sobre o parque n'O Mirante.
- As imagens valem, todos sabemos, por mil palavras e só quem ande muito distraído não vê o que se passa em Tomar. Ainda assim vale a pena olhar esta súmula de imagens sobre a desgraça no centro histórico (cidade velha, como prefiro) captadas no Tomar a dianteira. Algo que também é muito demonstrativo e que na minha observação parece estar a aumentar muito nos últimos tempos, é número de casas à venda. Basta passar por algumas ruas da cidade e olhar com olhos de ver.
É triste, mas foi ele quem se pôs nesta situação.
Aliás não é a primeira vez, nem segunda, nem terceira... mas parece-me que desta, por muito que alguma comunicação social já esteja mandatada para tentar fazer esquecer a coisa, a grande maioria da população especialmente aquela que o elegeu, não vai esquecer.
Os outros... já sabíamos a pobreza de espírito que o senhor é.
Pena é que à conta de disparates de personagens como esta, que é tão só o político que mais tempo esteve em funções no pós 25 de Abril, e logo com as mais altas responsabilidades, todos os políticos sejam metidos no mesmo saco.
Não são "só" os cidadãos portugueses, os políticos e a política também mereciam mais de um Presidente da República.
"Ana Rente e Nuno Merino apurados para os Jogos Olímpicos", noticia O Mirante.
Parabéns ao dois ginastas tomarenses que conseguem ambos estar presentes pela segunda vez no Jogos Olímpicos, desta feita os que decorrem este ano em Londres.
(Ana Rente, aqui numa foto de 2005, quando foi mandatária para a juventude da candidatura autárquica do PS em Tomar)
Para os mais distraídos, convém lembrar que o maior das músicas em português lançou novo trabalho. Sérgio Godinho, o fenomenal escritor de canções a comemorar 40 anos de discos com o seu nome próprio (isto porque já gravara antes integrado noutros projetos).
«Com o habitual grupo de Assessores - os músicos que o acompanham há vários anos - Sérgio Godinho gravou 12 novas canções, que resultaram do seu método habitual de composição, ao longo dos 40 anos de carreira: "Olhar à volta e ver o que se passa", disse o músico à Agência Lusa.
"Eu o que faço é tentar contar coisas, falar de coisas, fazer interrogações à minha maneira e saber que há pessoas que são tocadas por isso", sublinhou o cantautor, hoje com 66 anos.
Essas interrogações são "contos de um instante", como canta numa das canções do novo disco, e tanto podem falar de amor ("Intermitentemente"), como da situação do país e das incertezas do presente ("Acesso bloqueado").
O álbum é ainda o resultado de um renovado "mútuo consentimento" do que tem feito em todos estes anos: "O disco vive de partilhas nossas entre os Assessores e eu, de partilhas com os outros, com os convidados, com os públicos com o qual foi sempre construído"», notícia o DN Artes.