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sexta-feira, março 27, 2020

O inimigo invisível que a todos une


artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 27 de março

Vivemos tempos absolutamente desnaturais. Uma enorme batalha coletiva para a qual ninguém estava preparado.
Há que saber manter a calma, o discernimento, o bom senso, percebendo desde logo que não sabemos quando a situação vai acabar, mas que ela vai acabar, e depende de todos nós a forma com ela vai chegar ao fim. Como se diz muito nas redes sociais, “separemo-nos para nos podermos voltar a abraçar”.
Nestes tempos as instituições, particularmente públicas assim como das áreas sociais e saúde, e naturalmente muitas empresas essenciais, vão manter-se em funcionamento e desde logo há que sublinhar o papel de todos esses trabalhadores que, nas mais diferentes áreas, estão a prestar trabalho para o coletivo.
No município de Tomar também assim é, em todos os setores de funcionamento se mantém trabalhadores quer fisicamente, quer em teletrabalho, particularmente no atendimento telefónico e eletrónico. Já para não falar nos setores mais operacionais onde o trabalho à distância não é possível: bombeiros, higiene e limpeza, ou em algumas escolas. E nas águas e saneamento (agora na Tejo Ambiente).
Assim é, obviamente, com todas as chefias: da Presidente, aos vereadores, aos chefes das várias unidades orgânicas.
A comunidade não pode parar, e nestes momentos que poderão criar novos problemas sociais, nomeadamente por via do isolamento, a rede social com as suas muitas instituições vai seguramente mostrar a sua robustez, começando nas células mais pequenas e mais próximas de cada território: as comissões sociais de freguesia que em boa hora foram criadas e que têm nesta fase a sua prova de fogo, e onde cada Presidente de junta e o seu executivo são a primeira linha de contacto e de atuação, como não pode deixar de ser.
O pior destes momentos é o alarmismo, bem como as comparações avulsas. Cada território tem a sua especificidade, e aquilo que serve para Lisboa pode não servir para Tomar, e o que serve à cidade, pode não servir a cada uma das dezenas de aldeias do concelho, e vice-versa.
Com o passar dos dias, das semanas, vão seguramente surgir novos problemas, para os quais será necessário ir encontrando novas soluções.
O papel de cada um é essencial. Queiramos neste momento solidificarmo-nos como comunidade, e perceber que é ainda mais nestes tempos que a ideia de coletivo é determinante.
É nestes momentos que a célebre frase de John Kennedy faz ainda mais sentido: “Não perguntes o que pode o teu país fazer por ti, mas o que podes fazer pelo teu país”, ou pela tua comunidade, pela tua aldeia, pela tua rua, pelo teu prédio, pela tua família.
Esperando o pior, desejemos o melhor, e saibamos que a tormenta vai passar. E que vai existir um concelho, um país, um mundo depois disto, e para o qual também vai ser necessário encontrar novas respostas.
Que faça cada um de nós o seu papel, saibamos cuidar de si e dos outros, e procuremos a melhor forma de nos encaixarmos nesta que será porventura a maior provação das vidas da maioria de nós.
Sejamos fortes, sejamos inteligentes, sejamos solidários, sejamos humanos. Por todos e cada um.
Sejamos realistas e não nos agarremos a falsas sensações de segurança venham elas de onde vierem. Mas sejamos confiantes, com a contribuição e o cumprimento de todos vamos ultrapassar isto.
A vida é um bem raro, e o tempo é sempre escasso e precioso. Aproveitemos para refletir naquilo que mais importa na vida, e na forma como estamos no mundo e nos relacionamos uns com os outros.
A primavera começou cinzenta e chuvosa, mas a luz voltará.

sábado, abril 27, 2013

«Antes da Democracia»

A minha nota do dia 24 de abril na rádio Hertz pode também ser lida na totalidade no esquerdo capítulo.


(...) «Nacionalismo bacoco, autoritarismo, censura, proteção de classes, ou melhor dizendo, proteção dos poucos muito ricos e favorecidos e mantendo todos os outros no seu lugar de origem, esta era a realidade de um país onde uma sardinha podia servir para a refeição de mais que uma pessoa e ter dois pares de sapatos era um luxo impossível para muitos.

Sem liberdade política, religiosa, ou qualquer outra afinal, os portugueses viviam “orgulhosamente sós” no mundo, “pobrezinhos mas honrados”, tendo como princípios basilares da sua vida “deus, pátria e família” como bem cedo na escola eram adestrados para acreditar.
Muitos jovens foram para a guerra do ultramar, lutar por terras e riquezas que não eram suas e contra os legítimos herdeiros seculares desses locais numa guerra espúria e suicida de onde muitos não voltaram e da qual os que voltaram trouxeram incuráveis cicatrizes físicas e psicológicas.
Outros foram forçados a fugir do país, para não entrar nessa guerra em nome de uma falsa pátria, ou para procurar as mínimas condições de vida que por cá não tinham.
Portugal era um país atrasado, onde se morria ainda aos milhares, fosse logo no nascimento fosse por doenças hoje praticamente erradicadas, e onde a esperança média de vida rondava os cinquenta anos. Apoios sociais, lazer, cultura e outras ideias hoje banalizadas eram palavras tão pouco conhecidas como usadas.» (...)

sexta-feira, outubro 05, 2012

a nossa República

Aproveite-se para festejar e reivindicar enquanto ainda há... É que se começa a perceber que querer acabar com o feriado tem lógica, porque o Governo quer mesmo é acabar com a República!

Mas Passos Coelho nesta matéria é coerente, até arranjou maneira de não estar no país e é, salvo erro, a primeira vez que um chefe de Governo não está nas comemorações do regime.
Será que tem a noção que é este sistema político que lhe permite desempenhar as funções que ocupa*?

A coisa está tão má, e o medo de sair à rua é tanta, que até as comemorações do 5 de Outubro foram "privatizadas".

Entretanto a bandeira tem de ser alterada porque o verde da esperança foi-se, ficou só o vermelho do sangue!

*Ocupa, porque há uma diferença entre ocupar e desempenhar, e alguém que faz o que está a fazer não desempenha as funções de Primeiro-ministro, apenas as ocupa.

sexta-feira, setembro 21, 2012

"How much austerity is too much?"

"Em duas curtas semanas, Portugal passou de um aluno modelo (...) para um exemplo dissuasor dos perigos que enfrentam os governos ao tentar forçar austeridade além dos limites de tolerância dos já muito sofridos eleitores".
The Economist

Para facilitar os menos versados no inglês, podem ler via expresso. Deve ser lido porque é mais uma visão exterior do que se passa no nosso país, e deve ser lido especialmente pelos poucos que ainda acreditam na balela bem colada (mas a cuspo) de que não há alternativa. Há sempre alternativa ou não viveríamos em Democracia.
Além de todas as propostas apresentadas cá pela oposição, nem é preciso inventar muito, basta ver exemplos de outros países. A Islândia é um deles, o que está a ser feito em França é outro. A Grécia é outro, neste caso o pior - e é precisamente esse que está a ser seguido por cá.

sábado, julho 07, 2012

no país dos pantomineiros

É verdade que já pouco me surpreende, mas confesso que ando muito apreensivo com o que se passa neste país.
Temos um Tribunal Constitucional que passa um atestado de ridículo a si mesmo e um cartão daqueles do monopólio, tipo "você está livre da prisão", ao Estado. Sim porque, ao declarar que a questão dos subsídios é inconstitucional, mas só conta para o ano, está a dizer que, (também) quando é cometido pelo Estado o crime compensa. A partir de agora, qualquer governo pode fazer o que entender, porque pelo menos enquanto o TC não decide, a constituição estará suspensa.
Na mesma linha respondeu o sr Cavaco a quem, está visto, a Constituição também nada diz. É que entre tantos disparates que tem dito ao longo dos mandatos, a única desculpa esfarrapada que arranjou para não ter enviado o assunto preventivamente para o TC foi, porque nenhum outro Presidente alguma vez colocara em causa um Orçamento de Estado - como se isso tivesse alguma coisa a ver com o assunto.
Entretanto por estas e outras, o senhor que gosta de ir aos Açores ver as vacas pastar e sorrir, deve andar com muita vontade de mandar também pastar aquele outro senhor que não gosta de pieguices, mas sim de ver pobres ou de malas feitas aqueles em nome de quem deveria governar.
Não é primeira vez que o digo, mas começa a desenhar-se com traço mais firme o fim antecipado do mandato deste governo, e se calhar daqui até lá, demorará menos que uma licenciatura "honoris causa".

É por isso que, mesmo não sabendo a que "deus" rezam estes senhores, nem com ajuda divina nem com paletes de produtos da Renova, estes senhores conseguem limpar tanta porcaria.

terça-feira, junho 12, 2012

"ai portugal, portugal"...

Anda tudo a falar disto na internet, e aposto que a maioria limita-se a replicar sem ouvir.
Seja como for, eu ouvi em direto e já "reouvi" e é difícil que este seja, como está descrito no you tube, o melhor discurso que já ouvi, mas é um excelente e acutilante discurso sobre a atualidade do nosso país, proferido por António Nóvoa anteontem nas comemorações do 10 de junho.
Quase 15 minutos que todos os portugueses deviam escutar (e já agora analisar as expressões de alguns dos ouvintes...)



sexta-feira, dezembro 30, 2011

para 2012: acreditar num mundo melhor

O marketing é outro daqueles mundos maravilhosos nos quais ainda adolescente, embora hesitante, decidi não entrar porque me levaria para longe de Tomar.
Mas o bicho ficou. Adoro inventar slogans tanto como gosto de um anúncio bem feito e ultimamente têm aparecido vários.
Este, da sempre nestas coisas consistente Coca-cola, é acima de tudo um exemplo de serviço público (com uma grande dose de hipocrisia é certo, se fossemos bem analisar o que essa multinacional capitalista faz...).

A maioria dos portugueses vê as coisas sempre pelo lado pessimista e de quando em vez é bom que algo apareça a mostrar que nem tudo é mau. Coisas há que são até muito boas.
Com esse espírito entranhado, nem vou falar (também não tenho tempo) de muitas coisas menos boas, por exemplo a maneira deprimente e nada optimista como chega ao fim de 2011 a situação no município de Tomar. Os próximos meses, ou os próximos dois anos, não vão ser nada positivos nem para o munícipio nem para o concelho, se nada se fizer para alterar tanto desnorte, tanta inabilidade, tanta demagogia, cinismo, baixa política, teimosia, e tudo mais que esconde o grande vazio de ideias e soluções.

Ao contrário de tudo isto, que o espírito para 2012 seja apesar de tudo optimista: enfrentar as adversidades com um sorriso, ver o lado bom das coisas. A humanidade já enfrentou muitas crises, olhemos para esta como apenas mais uma, e com esforço e trabalho, mas igualmente com alegria e motivação, enfrentemos as adversidades e delas façamos oportunidades.
Há sempre um dia melhor à nossa frente se acreditarmos nele.

A TODOS, BOM ANO NOVO CHEIO DE SUCESSOS PESSOAIS E COLETIVOS!!



E pronto, prestes a rumar a sul para uma alongada passagem de ano um pouco mais quente, não há tempo para mais. Até para o ano.

terça-feira, dezembro 20, 2011

5 de Outubro

A extinção do feriado da implantação da República é das maiores parvoíces que já ouvi a qualquer governo de que me recorde.



Pela defesa do 5 de Outubro, assine a petição online:
http://www.peticoesonline.com.pt/peticao/manifesto-viva-a-republica/16

segunda-feira, dezembro 19, 2011

para onde vai este país?


a imagem chegou-me várias vezes ao email, mas desconheço a sua autoria exata
O Ministro da Saúde diz-nos que se queremos saúde que façamos seguros;
o da Segurança Social que se quisermos reformas façamos PPR's;
o Secretário de Estado da Juventude diz aos jovens para emigrar;
e agora até o Primeiro-ministro, que já nos tinha dito que o país precisa de empobrecer, diz agora que também os professores devem emigrar...

E depois fica tudo muito escandalizado quando Sócrates diz em Paris numa palestra o óbvio: "os países sempre tiveram dívida, e é uma ideia infantil os pequenos países pagarem-na de uma vez"; ou quando o Pedro Nuno Santos diz num jantar de militantes socialistas, e diz muito bem algo que também devia ser óbvio, que entre o povo português e os banqueiros alemães se está a marimbar para os banqueiros alemães.

Será que estamos num longo episódio daquela grande série "a 5ª dimensão"?

segunda-feira, novembro 21, 2011

jovens sábios

Estes questionários de rua, onde se apanham pessoas desprevenidas e são selecionados e editados à posteriori, nem sempre são bem o que parecem mas não deixam de originar respostas com piada. Eu por exemplo, sou um grande fã daquele tipo que pintou a Mona Lisa, o Leonardo Di Caprio...
Vistas bem as coisas, não é de admirar que existam pessoas carregadas de esteróides e silicone fechadas em casas da TVI, que não saibam qual é a capital de Espanha...


Uma sábia contribuição do AR, do LS, e de não sei quantos mais. Este vídeo já chegou mais de 10 vezes ao meu email...

quinta-feira, novembro 10, 2011

velhos hábitos

"A Igreja Católica aceitou renunciar a dois feriados religiosos, caso o Governo renuncie também a dois feriados civis. "Esta é a condição"", lê-se no JN.

Ora, independentemente do que pense sobre a questão dos feriados, expliquem-me lá como se eu fosse burro: Mas Portugal não é um país laico? Isso não está consagrado na Constituição da República Portuguesa?
Então mas quem é a Igreja Católica para aceitar ou deixar de aceitar e ainda impor condições?!

Ainda por cima a mesma instituição que faz coisas destas.

É como aquela do pároco de Tomar (nalguns meandros apontado como putativo candidato do PSD local para 2013, desejo confirmado em off por sociais-democratas locais) de propor a mudança de feriado para o dia de Santa Iria...
Boa resposta do arqº Costa Rosa. (se não estou em erro n'O Templário).

A césar o que é de césar, a deus o que é de deus, lê-se na biblia, o livro que a instituição igreja produziu e por onde supostamente se rege. Porque não seguem as suas próprias orientações?

terça-feira, julho 19, 2011

uma espécie de coerência...

"Macário já não se opõe à introdução de portagens na Via do Infante", noticia a TSF.


Ora, o sr presidente da Câmara de Faro, ilustre figura do PSD nacional, era até há pouco tempo contra as portagens e aparecia na comunicação social muito combativo às mesmas, e agora de repente já não é contra.
O que é que terá mudado?

quinta-feira, julho 14, 2011

"política de verdade"

Sem discutir a necessidade da medida, mas achando correta a forma como se dizia que viria a ser aplicada, igual para todos, vejo agora que há já um "desvio colossal" entre aquilo que Passos Coelho prometeu em campanha e garantiu já depois de eleito, e aquilo que agora é anunciado como concretização do imposto especial sobre o subsídio de natal: a especulação financeira e afins, fica de fora do alcance deste imposto.

Ou seja, o tal esforço nacional para todos que garantiu vai ser afinal para os mesmos de sempre - os trabalhadores.
Como se os lucros do capital fossem de um qualquer outro mundo. De facto, deve ser mesmo outro.
E se deixássemos todos de trabalhar e só jogássemos na bolsa?

segunda-feira, julho 04, 2011

nós falamos eles fazem

"Faro inaugura horta urbana e entrega talhões a famílias e instituições", noticia o Público Online.

Assim como muitos outros municípios por esse país fora estão a fazer o mesmo. Curiosamente aqui em Tomar, o PSD, o mesmo partido que ganhou as eleições aqui e em Faro, gozou com a ideia quando nós do PS a apresentámos em Assembleia Municipal há uns meses atrás. Tal como em tantas outras matérias.

É tão triste ter razão e ser governado por incompetentes, incapazes e "invisuais políticos"!

domingo, maio 08, 2011

o que os finlandeses têm de saber sobre Portugal...



...e já agora, os portugueses também! Devia ser obrigatório ver isto na escola... e na missa, e no intervalo da novela. Em todo lado.

Muito, muito bom.

terça-feira, março 29, 2011

"Bit of friendly advice, Portugal"

A realista e pertinente "carta da Irlanda a Portugal", no editorial do independent, vale bem a leitura completa e atenta.
Aqui ficam só alguns excertos.

"(...) Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come.

(...) I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.

(...)And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland."

sábado, janeiro 15, 2011

O Presidente que eu quero para o meu país.

(artigo publicado no jornal da Cidade de Tomar de 14 de Janeiro)

Ora, parece que dia 23 temos eleições para Presidente da República. Bom, as coisas são como são – há seis candidatos – e até pode entender que não gosta de nenhum, mas são entre estes seis a hipótese de escolha.
Um vem da Madeira, José Manuel Coelho, com tiques de humorista diz algumas coisas por vezes pertinentes, e representa a possibilidade da direita ter uma alternativa ao sr. Cavaco.
Temos depois Francisco Lopes, o candidato do PCP - e dito isto não é preciso dizer mais nada. O PCP não podia, até na forma como o candidato se expressa, ter escolhido alguém que melhor representasse o estilo “disco antigo e riscado”, fechado e ultrapassado que simboliza a ideologia e a forma de actuar daquele partido.
Fernando Nobre é um homem com um percurso de vida muito interessante, com muito de si dedicado ao voluntariado em muitas partes do mundo. Mas a forma como se apresenta nesta campanha desilude-me. Muitas vezes egocêntrico, como se só ele tivesse mais-valias, além de muito vazio de conteúdo político, assenta o seu discurso na demagogia de ataque à política e aos partidos, como se não fosse também ele político no momento em que se candidata ao lugar político por excelência, o primeiro representante da nação, a Presidência da República.
Defensor de Moura, o ex-Presidente de Câmara de Viana do Castelo tem surpreendido muito pela positiva. Com um passado com provas dadas na governação local, tem tido uma postura correctíssima e introduzido temas pertinentes na campanha. Mas também aqui a realidade é como é, o seu resultado será residual.
Faltam naturalmente os dois entre os quais a eleição se decide: Manuel Alegre e o actual sr. Presidente, o sr. Cavaco.
Manuel Alegre é o candidato que apoio. Não tem a dimensão política dos anteriores presidentes Mário Soares ou Jorge Sampaio, mas está para mim muito à frente de todos os outros que se apresentam a estas eleições.
(Como vai sendo difícil nos tempos que correm distinguir entre Aníbal Cavaco Silva Presidente da República, e Aníbal Cavaco Silva candidato e para que não ajude também eu a essa confusão, estou a tratar o primeiro por sr. Presidente e o segundo por sr. Cavaco).

Ora, o Presidente que eu quero para o meu país diz o que pensa, particularmente dos assuntos importantes como na defesa do Sistema Nacional de Saúde, na Educação, nos valores progressistas, no equilíbrio entre Estado, Mercado e Economia; na Soberania Nacional. E de Manuel Alegre todos sabemos o que pensa e como defende estas matérias. Já no caso do sr. Cavaco ou não sabemos, ou do que sabemos livrai-nos!
E podemos bem ir por aí, é que o Presidente que eu quero para o meu país responde às perguntas importantes que lhe fazem, e não faz do silêncio uma forma de estar, nem com isso tenta fazer passar a ideia de estar acima dos políticos, acima dos partidos, acima dos comuns mortais como se fosse um qualquer santo exemplo de virtudes quando está mais que visto que não é;
O Presidente que eu quero sabe dizer coisas inteligentes sem que alguém lhas tenha escrito; e não passa a vida a dizer que é preciso confiar em quem já deu provas, fazendo especial referência ao ser economista, quando grande parte dos problemas estruturais do nosso país, como nas poucas habilitações dos portugueses e nos milhões de euros de fundos europeus mal gastos, e mesmo de comportamento facilitista da sociedade advêm da década da sua governação onde “nunca se enganava e raramente tinhas dúvidas”.
O Presidente que eu quero não faz declarações ridículas sobre assuntos que não interessam nada, e silêncios absurdos sobre matérias sobre as quais era importante que falasse;
Não faz casos disparatados sobre escutas no Palácio de Belém ou manda fechar o espaço aéreo da sua casa de férias no Algarve, como se algum paparazzi lá fosse de avião tirar fotografias ao topless da Primeira-dama.
O Presidente que eu quero não é o mais demagógico ou oportunista dos políticos, como esta coisa de fazer condecorações um mês antes das eleições, ou aproveitar a mensagem de Natal do sr. Presidente para fazer campanha;
O Presidente de República que eu queria não faz lembrar uma cópia desfocada de António Salazar, nem tem atrás de si as forças mais conservadoras e retrógradas da sociedade. Mas este é o sr. Cavaco.

E depois, o Presidente que eu quero não usa a sua influência política, para junto de instituições onde governam os amigos seus ex-membros de Governo, conseguir para si e família ganhos de 140% em muitos milhares de acções! Bem sei, este não é um tema pertinente, mas porque não o esclarece o sr. Cavaco? Foi ele que trouxe o BPN para a campanha quando tentou desviar as atenções para a actual administração!
Tudo o que fez até pode ser legal, mas não é ética e moralmente aceitável para um político, muito menos para um com as funções do sr. Cavaco. Lembram-se de tudo o que tem sido dito de José Sócrates, da perseguição e difamação de que tem sido alvo, através de meros boatos e insinuações? Neste caso do sr. Cavaco estamos a falar de concreto: há cartas, há facturas, há entrada e saída de dinheiro!
É por tudo isto e muito mais, que se eu não soubesse em quem iria votar, ao menos saberia seguramente em quem não o fazer: no sr. Cavaco.
Bem sei e muitas vezes o digo, que o voto negativo não é o mais razoável como intenção, mas também sei que boa parte dos portugueses é esse voto que muitas vezes usam; não o voto a favor de, mas o voto contra algo ou alguém. Pois bem, se não for por melhores razões, se nenhum candidato agradar verdadeiramente, pelo menos não se vote no mesmo que tantas provas já deu de não servir para a tarefa.

E aqui chegamos ao ponto importante. Não importa o que eu penso ou o que o leitor pensa. Interessa sim o que todos nós individualmente pensamos sobre o assunto, e por isso, o que importa mesmo é que ninguém deixe de ir cumprir aquele que é um direito mas também dever mais basilar: votar.
Não se abstenha, não deixe que os outros decidam por si, faça parte da decisão. Dia 23 de Janeiro não falte à chamada. Vote. Por si, pelo país, por todos nós.

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domingo, janeiro 09, 2011

procrastinar...

... é um termo que significa provavelmente, a generalidade dos problemas do nosso país reunidos numa só palavra.
Pois nos dias que correm nunca me senti tão procrastinador. Só o estar a colocar este post em vez de estar a ler as densas teorias de Administração Pública, do Pitchas ao Peters, do Giauque ao Majone, do Pollit ao Flora, do Esping-Andersen ao Chevalier, do Rosenbloom ao Mintzberg,  com passagem por Weber, Habermas ou Giddens, sem esquecer os nossos Bilhim, Rocha, Araújo ou Mozzicafreddo, já é prova suficiente.

A visão tão humorística quanto pertinente, dos também eles procrastinadores ou já teriam regressado à TV, Gato Fedorento.

terça-feira, outubro 12, 2010

vozes sábias

Excelente programa ontem, o Prós&Contras na RTP.
É um prazer ouvir os três ex-presidentes (não porque são muito melhores que o actual, isso não é novidade nenhuma) pela capacidade oratória, pela lucidez de pensamento e capacidade de ver o país e o mundo, mas acima de tudo pela visão optimista de quem sabe que não é com pessimismos que se fazem mudanças, que se caminha para o progresso, que se melhora o país e o mundo.

E depois andamos a ser impingidos por tudo o que é comunicação social, por figuras cinzentas que na verdade pouco de bom alguma vez fizeram e que de tanto dizer mal e nada de bom apontar acabam por cair no ridículo, papagaios falantes aos quais ninguém liga, com jeito para o drama e o humor negro. Figuras hoje que têm como símbolo maior Medina Carreira, o paladino do pessimismo,figuras que só lembram aquele "ser" português para sempre imortalizado por Camões na figura do velho do Restelo. Aqueles que farão com que quem ouvidos lhes der, jamais parta a navegar, jamais descubra nova terra, jamais faça "fortuna" ou do seu país um império.
E não é disso que o país precisa, felizmente que há muito quem vá à luta todos os dias, quem não desita com os obstáculos, quem veja além das condicionantes do momento e das vozes agoirentas e com o seu labor tenha os olhos postos no futuro. Sempre foi assim, provavelmente sempre será. Há os que fazem, há os que não fazem, e há os que comentam.

quinta-feira, junho 24, 2010

falam falam, mas depois fazem sempre pior...

Estou aqui com a televisão ligada, e quando o está, quase sempre sintonizada na SIC Notícias, como agora.
O Mário Crespo está a entrevistar o Fernando Nobre - o candidato a Presidente da República que diz que não tem nada a ver com a política, entre outras pérolas, como o ser de esquerda ou direita ser igualmente indiferente!!!

Devo dizer que tinha e tenho grande respeito e consideração pelo percurso de vida de Fernando Nobre e pelo seu exemplo de voluntariado, mas abomino a hipocrisia, o cinismo e pedantice, entre outras coisas, como aquela moda que já não é nova, de concorrer a cargos políticos dizendo mal da política e dos políticos.

Perdeu muitos pontos com esta entrevista (deve ser influência do Mário Crespo, que desde que vende t-shirts e faz animações de eventos em part-time, também esqueceu alguns princípios teoricamente seguidos pelos jornalistas em Portugal), que se resumiu a uma espécie de anúncio da Whiskas: "blá blá blá sou bom, blá blá blá sou bom, blá blá blá eu é que sou bom porque não tenho partido, sou da esquerda e da direita, do benfica e do sporting, sou o melhor dentro e fora de fronteiras, blá blá blá, o que estava eu a dizer... ah pois, sou bom, sou muito bom!

Frases feitas, alguns traços de senilidade, e sublinho outra vez, muita hipocrisia.
É na verdade o costume, mais um auto declarado independente, como se isso existisse, a fazer muito pior do que aqueles contra quem concorre. E o Crespo ainda deu ali um jeito de o comparar com o Obama!!
Oh valha-me deus que sou ateu!