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sexta-feira, junho 03, 2011

sessão de autógrafos

Amanhã pelas 16h na Feira do Livro de Tomar, o camarada e amigo Virgílio Saraiva, fará uma sessão de autógrafos em torno do seu segundo romance, "Em Nome do Pai, do Filho e...".
Em dia de reflexão, nada como ler uma boa história.

quinta-feira, novembro 04, 2010

quase perfeito perfeito

Depois de um concerto sublime de Michael Bublé e sua banda (de facto, ter voz e saber cantar, ter uma banda de excelentes músicos, e saber montar um espectáculo de superior bom gosto, faz uma certa diferença no mundo artístico), nada como passar a noite a ler, que eu já durmo pouco, e fora de casa ainda menos.
De entre os livros que disponíveis aqui na casa alfacinha que hoje me deu albergue estava este O Bom Inverno, o último romance de um jovem autor português que já andava na minha lista de espera: João Tordo, o último vencedor do Prémio Saramago.

O livro foi de uma assentada, e cereja no bolo, amanhecer em Lisboa sem bateria no telemóvel nem ter como carregá-la.
Para ser mesmo mesmo perfeito, era hoje ser domingo. Mas não se pode ter tudo.



domingo, outubro 24, 2010

filosofias...

"Após o tremor de terra que destruíra três quartos de Lisboa, os sábios do país cogitaram que o meio mais eficaz para prevenir a ruína total da cidade consistia em dar ao povo um rico auto-de-fé. Fora decidido pela Universidade de Coimbra que o espectáculo de várias pessoas queimadas a fogo lento, com grande cerimonial, era um segredo infalível para impedir a terra de tremer.
Tinham consequentemente aprisionado um biscainho, acusado de ter casado com a sua comadre, e dois portugueses que, ao comerem um frango, tinham deixado de lado o toucinho. Depois do jantar vieram amarrar o doutor Pangloss e o seu discípulo Cândido, um por ter falado, o outro por ter escutado com ares de aprovação. Ambos foram conduzidos em separado para compartimentos de extrema friagem, nos quais o sol nunca incomodava ninguém. Oito dias passados, ambos foram vestidos de sambenitos e adornaram-lhes as cabeças com mitras de papel. A mitra e o sambenito de Cândido estavam pintados com chamas caídas e diabos sem caudas nem garras; mas os diabos de Pangloss tinham garras e caudas, e as chamas eram direitas. Sairam em procissão assim vestidos, ouvindo ao mesmo tempo um sermão muito patético, e acompanhado de uma bela música em falsete baixo. Cândido foi açoitado ao ritmo da música do cântico: o biscainho e os dois homens que não comiam toucinho foram queimados, e Pangloss foi enforcado, contrariamente ao que se esperava. Nesse dia a terra voltou a tremer com fragor espantoso."


em Cândido, de Voltaire. Um dos meus livros favoritos, aqui com especial dedicatória a António Rebelo.
Nem só de optimismo ou pessimismo vive o homem....
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terça-feira, outubro 05, 2010

penacho

A Escola dos Templários homenageia Saramago, a 8 de Outubro, noticia a rádio Cidade de Tomar.

Eu sou um enorme fã de Saramago, já li mais de metade da sua obra e é o autor português ou estrangeiro que mais li. No entanto o espírito crítico é algo que devemos cultivar, e confesso que não percebo bem porque organiza uma escola de Primeiro Ciclo do Ensino Básico uma iniciativa sobre um escritor cujos livros, todos excepto um, só conseguem ser lidos a partir de uma idade bem mais avançada que a das crianças que frequentam essa escola.


Eu aceito a questão da abertura à comunidade mas ainda assim, será que por vezes não se esquecem as funções essenciais da escola, e se promovem outras coisas (ou outras pessoas...) que não os interesses das crianças/alunos?

segunda-feira, outubro 04, 2010

info cultural

O amigo e camarada António Gameiro, Deputado da AR, e Luís Pereira lançam na próxima quinta-feira pelas 19h no ISCAD em Lisboa, a obra JusPrático - Laboral e Segurança Social 2010, com apresentação de José Pereira Forte, Inspector-geral do Trabalho.


Lá estarei.




(clicar na imagem para alargar)

sexta-feira, agosto 20, 2010

Para os amantes de boa escrita, não esquecer que Lobo Antunes vai estar este sábado pelas 21h30 em Tomar no Café Paraíso.

Quanto a mim, apesar de Lobo Antunes não ser no que toca ao romance dos meus autores preferidos (já das crónicas gosto bastante) seguramente gostaria de o ir ouvir.

Mas acontece que desde daqui a um par de horas, até domingo, que é como quem diz segunda bem cedinho, a minha morada é Cem Soldos.

Por lá há Festival Bons Sons.




(clicar na imagem para alargar)

sábado, junho 19, 2010

O Nobel da Azinhaga, o vizinho de Lanzarote


"A alegoria chega quando descrever a realidade já não nos serve. Os escritores e artistas trabalham nas trevas e, como cegos, tacteiam na escuridão"

José Saramago, único Prémio Nobel da Literatura português e, escritor que até hoje mais li, partiu ontem definitivamente para o panteão dos imortais. Não adianta chover no molhado, por isso não vale muito a pena falar sobre de quem, muito depois de nós partirmos e cairmos esquecidos nas cinzas do tempo, ainda as palavras serão lidas. E como bem hoje disse Manuel Alegre, a melhor homenagem que lhe podemos fazer é ler o que escreveu.


Dos magnânimes E
nsaio Sobre a Cegueira, Memorial do Convento ou Evangelho Segundo Jesus Cristo, a que junto a 
Jangada de Pedra, O Ano da Morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa, Ensaio sobre a Lucidez, Todos os Nomes, Provavelmente Alegria, e dos que agora me ocorrem, também o infantil A Maior Flor do Mundo, fizeram já parte vibrante e imprescindível das minhas viagens literárias, e mais dois ou três estão em fila de espera (nessa fila que ao longo do último ano tem andado vagarosa, ultrapassada por várias outras leituras não romanescas) entre os quais o obrigatório Levantado do Chão que me tem escapado.
Saramago, um autor único, magnífico, e obrigatório para quem realmente gosta de ler.

quinta-feira, junho 03, 2010

uma voz da escrita


Faleceu hoje com 66 anos o escritor João Aguiar. Com mais de duas dezenas de livros, entre séries de televisão e outras aventuras, apostava essencialmente na ficção histórica tendo o seu primeiro livro, A Voz dos Deuses, servido de base à peça Viriato interpretada pela associação/grupo de teatro nabantino Fatias de Cá.

sábado, abril 24, 2010

Inês Pedrosa esteve...

... em Tomar ainda há pouco na Feira do livro, a apresentar o seu novo livro.
Até lá teria ido, mas só soube agora...

segunda-feira, fevereiro 08, 2010


"A man who knows the price of everything and the value of nothing"
assim define Lord Darlington um cínico, em O Leque de Lady Windermere de Oscar Wilde, tão aplicável a tantos nos nossos dias.



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quarta-feira, janeiro 13, 2010

trabalhar em rede

Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustem a ponte? pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou aquela pedra - responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, refletindo. Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - sem pedras não há arco.

Italo Calvino, As cidades invisíveis.

terça-feira, janeiro 05, 2010

crenças e querenças

"Quando a superstição nos entra em casa pela porta, o bom senso sai logo pela janela."
"Aquilo em que acreditamos depende do que já nos foi dado ver."
Salman Rushdie, Os Versículos Satânicos

quinta-feira, abril 23, 2009

hoje é dia...

... Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
E por isso por aqui deixo alguns dos que para mim até hoje, sem ordem especial, foram dos mais significativos:

1984 - George Orwell
O Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
Memorial do Convento - José Saramago
O Cemitério de Pianos - José Luís Peixoto
O Livro do Desassossego - Fernando Pessoa
Cândico - Voltaire
Wherther - Ghoethe
Ninguém escreve ao Coronel - Gabriel Garcia Marquez
O Banquete - Platão
O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
Principezinho - Antoine Saint-Exupery (lido e relido recorrentemente, está lá tudo o que há para a aprender, disfarçado numa história infantil)

Isto falando apenas de romances, e claro que há muitos, em especial da adolescência, que me marcaram então mas que não me lembro sequer já de ter lido, não falando também dos milhares de páginas de BD.
Embora por norma leia mais do que um ao mesmo tempo, o que essencialmente agora se lê é esse bom calhamaço de Salman Rushdie, Os Versículos Satânicos, até porque a Índia está na moda.

sexta-feira, novembro 21, 2008

o novo livro de Virgílio Saraiva


O camarada e amigo Virgílio Saraiva, faz o lançamento promocional do seu novo livro, "Em Nome do Pai, do Filho e...", dia 28 pelas 19h30 na Casa do Concelho de Tomar em Lisboa.
Com prefácio do arquitecto José Faria, a apresentação caberá ao também arquitecto José Becerra Vitorino
A Assembleia Geral da Associação Distrital de Xadrez, da qual sou presidente e que nesse dia decorre, impede-me de estar presente, mas ficarei ávido pela leitura, que estou certo, como habitual será lúdica e intelectualmente recompensadora.

domingo, novembro 16, 2008

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Estreou no dia 13 Blindness, o último filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles, baseado n'O Ensaio sobre a Cegueira, livro de José Saramago - o Nobel da ribatejana goleganense Azinhaga - que hoje completa 86 anos.
Para mim este é um filme obrigatório, não só pelo que conheço do realizador e actores, mas também porque o livro, lido há já mais de uma década, abriu-me as portas a esse excepcional escritor.
O primeiro de muitos lidos depois, O Ensaio Sobre a Cegueira, donde se extrai a epígrafe que dá título a este post, continua a ser um dos meus preferido. Uma visão do homem no limiar da sua humanidade, uma metáfora para o que somos capazes de fazer quando as certezas do que somos deixam de existir e até que ponto a animalidade é capaz de se apoderar de nós. Magnífico.

o trailer e mais, aqui.

sexta-feira, outubro 17, 2008

leituras intemporais II

"Que homens estes cuja alma pertence apenas à etiqueta e cuja única preocupação, durante anos e anos, é encontrarem meio de ocupar à mesa um lugar melhor!
Estas futilidades dão-lhes tanto trabalho que lhes não chega o tempo para pensar nas coisas sérias da vida. (...)
Esses insensatos não compreendem que não é o lugar que dá distinção, não vêem que aquele que o ocupa desempenha raras vezes o primeiro papel. Quantos reis são governados pelos seus ministros! Quantos ministros são governados pelos seus secretários! E, assim, qual deles é primeiro? Na minha opinião, é aquele cujo espírito domina o dos outros e que possui bastante engenho ou astúcia para dirigir as faculdades e as paixões deles, de maneira a servirem o bom êxito dos planos que concebeu."

no "Werther", de Johann Wolfgang von GOETHE

leituras intemporais

"E exclamei com ímpeto:
- Ainda se, ao menos, cada um de nós pensasse todos os dias: «Não tens sobre os teus amigos outro poder que não seja o de não perturbar na sua alegria, aumentando a felicidade que partilhas com eles. Acaso sabes se, quando as suas almas forem torturadas pelo desespero ou despedaçadas pela dor, poderás dar-lhe o mais ligeiro alívio? E quando um dia, a mais terrível enfermidade, a última, atingir a infeliz criatura a que a tua mão abriu prematuramente a cova; quando nela desaparecer, o olhar sem vida cravado no céu, o suor da morte a banhar-lhe a fronte descolorida, e tu, junto do seu leito como um criminoso condenado, reconheces, mas já tarde, que nada podes por maior que seja o teu poder, então despedaçado pelos remorsos, darias tudo para comunicar à pobre vítima votada à destruição um lampejo de coragem e de vida!...»"

no "Werther", de Johann Wolfgang von GOETHE

segunda-feira, agosto 04, 2008

O Codex 632

O verão, a praia, o calor que inibe alguns pensamentos mais profundos, são estímulos propícios a leituras um pouco mais leves que o habitual, e O Codex 632 de José Rodrigues dos Santos, cabendo nesse formato, foi companhia de areia e espreguiçadeira de piscina nestes últimos dias. Leve no conteúdo (ainda que com passagens dignas da melhor literatura) mas um pesado calhamaço cujas quinhentas e muitas páginas há tempo o faziam descer na lista de espera das minhas leituras prometidas, por esse volume pouco se coadunar com as diárias viagens de comboio do último ano.
O romance que se desenrola em torno da polémica nacionalidade de Colombo (esse Cristóvão meu antepassado :))), acaba por ter em Tomar, ainda em passagem fugaz, um palco decisivo para a história. Aqui ficam alguns curtos trechos aí usados para descrever esta terra que em tempos foi, camuflado centro decisor dum império.

"O permanente arrulhar dos pombos enchia a Praça da República de uma musicalidade gorgulhante; eram pássaros gordos, bem alimentados, a debicarem pela calçada e a esvoaçarem em saltos, adejando de um lado para o outro, enchendo os telhados, cobrindo as pequenas saliências nas fachadas, pendurando-se na estátua de D. Gualdim Pais, a enorme figura de bronze erguida no ponto central do largo.
(…) apreciando o elegante edifício dos Paços do Concelho de Tomar e todo o terreiro central até prender a sua atenção na original igreja gótica à direita, era a igreja de São João Baptista; a fachada branca do santuário ostentava um elegante portal manuelino, muito trabalhado, rematado, por um coruchéu octogonal; sobre a igreja impunha-se a vizinha torre sineira amarelo-torrada, um imponente campanário cor de terra que ostentava com orgulho um trio simbólico por baixo dos sinos, reconheciam-se ali o brasão real, a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo.

(…) tratava-se de um espaço abrigado por entre árvores e dominado pela maciça Torre de Menagem, que se destacava por trás das altas muralhas do castelo templário, enormes muros de pedra recortados no céu azul pelo rendilhado das ameias. Deixaram o automóvel à sombra de uns pinheiros altos e seguiram pelo chão empedrado que circundava as muralhas da torre, a Alcáçova, em direcção à imponente Porta do Sol; deu-lhes, por momentos, a impressão de terem retornado à Idade Média, a um tempo rústico, simples, perdido na memória dos séculos e do qual só restavam aquelas orgulhosas ruínas. Um rude muro dentado por sólidas ameias estendia-se à esquerda, bordejando o caminho e delimitando a floresta densa; as folhas das árvores agitam-se ao vento pela encosta do monte, os galhos pareciam dançar ao ritmo de uma suave melodia natural, embalados talvez pelo animado zinzilular das recém-chegadas andorinhas e pelo permanente trinar dos alegres rouxinóis, aos quais respondiam as cigarras com agudos ziziares e as abelhas por com um azoinar laborioso, gulosas em torno das flores coloridas que espreitavam pela verdura. O lado direito do caminho quedava-se num silêncio seco, vazio, por essa banda apenas se elevava uma árida encosta de pedras, no topo das quais imperava o castelo, qual o senhor feudal, altivo e arrogante.

(…) Cruzaram a magnífica Porta do Sol e desembocaram na Praça de Armas, um vasto espaço com um belo jardim geométrico à esquerda, sobranceiro ao vale. Viam-se por ali sebes moldadas em meias-esferas, arbustos por aparar, ciprestes altos e esguios, plátanos, canteiros de flores.
(…) as muralhas à direita e as estruturas medievais em frente, dominadas pela escadaria e pelo enorme bloco cilíndrico da magnífica Charola, com o seu ar de fortaleza românica, a fachada marcada pelos maciços contrafortes dos vértices que alcançavam os telhados, a cobertura rematada por merlões quinhentistas e a torre sineira a coroar toda a estrutura; do outro lado do complexo destacavam-se as compactas paredes exteriores do Grande Claustro e, por trás de um gigantesco plátano que sobre o convento lançava a sua protectora sombra, as ruínas incompleta da Casa do Capítulo.

(…) Afinal de contas, vive em Tomar, no alto destas misteriosas muralhas medievais, o espírito puro do Santo Graal, a enigmática alma esotérica que encarnou a formação de Portugal e orientou a gesta dos Descobrimentos.”