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quinta-feira, abril 23, 2020

Educar em tempos de pandemia

Texto publicado no jornal O Templário de 24 de abril


Nestes tempos absolutamente incomuns, a educação é uma das áreas, como de costume, que está na primeira linha da ação e da necessidade e capacidade para se reinventar.
A educação é a base transformadora e impulsionadora de uma sociedade, e continua a ser a melhor forma de promover igualdade de oportunidades, de atenuar diferenças sociais e promover a chamada elevação social. E em boa verdade, as escolas são também quem garante em larga parte a disponibilidade das famílias para tudo o resto, desde logo para o trabalho.
Por isso estas semanas têm sido de uma força regeneradora e solucionadora que muito se deve a todos os profissionais envolvidos por todo o país e que enquanto sociedade nos deve orgulhar.
Tenho plena confiança nos meus colegas docentes, nomeadamente nos que prestam funções no nosso concelho, nas nossas escolas, assim como nas suas direções e demais órgãos de chefia e coordenação para esta capacidade de se transformar e adaptar e ter sempre como grande objetivo, independentemente dos instrumentos e da largura de banda (risos), o de transmitir conhecimento, e ajudar a formar cidadãos e futuros profissionais.
E isso é o que tem estado a acontecer. Não de forma imediatamente perfeita como é evidente. Nada, muito menos nesta situação o consegue ser. Mas a enorme capacidade de em tão pouco espaço de tempo todo o sistema se conseguir reinventar e adaptar é impressionante, e não tenho dúvidas que também aqui, seremos dos países do mundo que melhor o estão a conseguir.
Aulas à distância, envio de tarefas por mail, por telefone, pelos agentes da escola segura ou por outros meios, agora também a nova telescola – é todo um sistema que na adversidade cria oportunidades que, nomeadamente num aproveitamento ainda maior da capacidade das tecnologias virá seguramente para ficar.
Da parte do município estamos também e com as direções dos agrupamentos a reinventar e encontrar recursos, tendo muito presente precisamente a atenuação de diferenças e assim tentando chegar a quem mais precisa.
Desde o empréstimo de equipamentos informáticos e ligações de internet, à entrega em take way ou ao domicílio de refeições (neste momento já na casa da 260 diárias), aqui também com a colaboração importante da generalidade das juntas de freguesia. E outros grupos da comunidade que se vão organizando para contribuir também.
Dia a dia vamos ter de reinventar soluções, e por mais que o repita, a necessidade é mesmo essa, reinventar, adaptar, transformar.
Por exemplo, estamos a pensar num modelo, que aqui deve contar com a colaboração de (pelo menos algumas) associações de pais, para que não aja interrupção de ATL durante o verão, muito como forma de auxiliar as famílias que vão precisar de ter onde deixar as suas crianças, mas também como forma de auxiliar algumas dessas associações de pais que se viram sem receitas durante este tempo.
Enfim, pensamento e atitude positiva, sabendo que existirão sempre falhas pontuais, mas que a energia de mudança é grande, saibamos fazer também aqui num enorme espírito coletivo, desta crise uma oportunidade para nos transfigurarmos mais uma vez, e ressurgirmos melhores. Eu sei que o vamos conseguir.

sexta-feira, março 27, 2020

A imprensa no tempo dos ecrãs


artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 20 de março.

Solicita-me o CT que fale sobre “o futuro dos jornais regionais em papel, tendo em conta a “velocidade” atual das notícias e a veracidade (ou não) das mesmas” e da sua importância na destrinça entre a verdade e muita desinformação que nestes tempos invadem todos os meios.
Antes de mais, e sem dramatismos, é preciso constatar que a televisão não acabou com a rádio, a internet não acabou com a TV, e nenhum deles acabou com a imprensa. É preciso sim serem complementares e terem cada vez mais uma lógica multiplataforma.
Num tempo em que qualquer pessoa consegue atrás dum teclado de computador ou telemóvel inventar uma história, um boato, uma “notícia”, é quando a comunicação social séria - a que procura as fontes, confirma os factos, procura o contraditório – é ainda mais necessária.
O célebre “separar o trigo do joio”. Como costumo dizer, se não admite que qualquer pessoa lhe arranque um dente, também não deve admitir que qualquer um lhe impinja “notícias”.
Ora, estes efeitos são globais como sabemos, mas também nacionais e locais.
Localmente temos também esses fenómenos, que não devem como alguns defendem, ser ignorados ou alheados. Não, devem ser apontados, denunciados. Do senhor do “tomar na rede” que todos os dias manipula “notícias”, procura o escândalo e o populismo, com laivos de misoginia ou xenofobismo e ataques político/partidários à mistura; ao senhor que usurpou listagens de contatos e inunda os telemóveis com sms, aos perfis falsos que circulam no facebook. Esses terroristas sociais devem ser denunciados.
É o tal tempo da “pós verdade” como lhe chamam os sociólogos, em que passamos mais tempo a desmentir que a informar. Infelizmente assim tem de ser, e esse papel compete tanto à comunicação social séria e credível, como a cada um de nós cidadãos.
A verdade, a honra e a justiça, são fatores determinantes do exercício de cidadania e da construção de comunidades, e duma sociedade mais esclarecida, fraterna e tolerante.
A comunicação social e a imprensa em particular têm tanto essa responsabilidade de mostrar a diferença e cada vez mais ajudar, não só a esclarecer a verdade, como a denunciar quem mente. E assim sobreviverá e não só manterá como aumentará o crédito junto dos leitores como dos consumidores de notícias.
A imprensa local tem ainda a vantagem, mas também responsabilidade, de chegar onde os outros não chegam: aos problemas, às histórias, à vivência, às muitas atividades das comunidades por mais pequenas que sejam.
Por fim, por mais que os meios digitais sejam práticos e apelativos, o prazer de ler em papel, de folhear, até de sentir o cheiro da folha e da tinta, é algo que não tem correspondência com os ecrãs. Se o que lá estiver impresso for credível, essa pareceria será ainda mais apetecível.
Parabéns Cidade de Tomar, e a todos os que o mantém vivo!

terça-feira, dezembro 24, 2019

Ano novo, continuar o caminho

Publicado no jornal Cidade de Tomar de 20 de dezembro

“Para mim 2020 vai ser um ano de…”, é o que me pede o Cidade de Tomar.
Ora, antes de mais vai ser seguramente ano de trabalho, muito trabalho, como têm sido os anteriores. Ano em que vamos continuar a resolver problemas há muito por resolver, enfrentando obstáculos todos os sete dias da semana, e com eles ganhar determinação para os seguintes.
Os problemas humanos e sociais, como a resolução nomeadamente na área da habitação, de agregados familiares que muito continuam a precisar de ajuda (já sei que ao dizer isto, julga parte de quem lê que estou a falar apenas da comunidade cigana mas não, até são a minoria), ou da reabilitação de zonas da cidade, como a Avª Nuno Álvares Pereira, há muitos anos em decadência, ou a Várzea Grande que está como baldio desde sempre, e que a passará a ser a nova grande praça da cidade, como tantas gostariam de ter.
Um ano em que continuaremos a investir na contínua promoção do concelho em múltiplos aspetos, e também na criação difícil, mas persistente de condições para a fixação de novos negócios, e com isso a criação de emprego e fortalecimento da economia e das condições de vida da comunidade.
Tomar é, obviamente, um concelho com um excelente índice de qualidade de vida, quando somamos todos os aspetos que a compõem: oferta cultural, desportiva, associativa, patrimonial, paisagística, lazer, diversidade de comércio, desemprego residual, e muito mais que poderíamos aferir, especialmente quando comparamos o conjunto destes fatores com a larga região onde estamos inseridos. Mas isso não nos pode fazer descansar, e é pelo conjunto das condições de qualidade de vida e promoção da felicidade individual e coletiva que continuaremos a pugnar.
Será um ano em que localmente e mundialmente, as questões climáticas se continuarão a impor (a realidade impõe-se sempre, por mais que não queiramos, seja lá em que assunto for) e a necessitar do trabalho de todos. Assim como, e que a mim pessoalmente me é cara, a incessante promoção da cidadania e dos comportamentos cívicos em muitas matérias transversais à comunidade.
Não posso concluir sem deixar a todos os leitores, votos de boas festas, repletas de união fraterna com aqueles que a cada um completam, e um novo ano cheio de sucessos e felicidade.




segunda-feira, dezembro 09, 2019

habitação, direito essencial

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 6 de dezembro.

“As casas são construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas.”
Francis Bacon 

O Bairro 1º de Maio (Salazar de seu nome, até 1974) assinalou em outubro 70 anos de existência. Uma boa oportunidade para, a exemplo do texto recente que escrevi sobre educação, e de outros que se pretendem em semanas próximas, fazer um balanço de seis anos autárquicos, neste caso na área da Habitação. 

Quando chegamos à liderança da gestão autárquica em outubro de 2013, o município de Tomar detinha cerca de 160 fogos de habitação social, essencialmente concentradas nos dois bairros propriedade do município. O já referido (100 fogos) e ainda o Bº Nossa Senhora dos Anjos (50 fogos, junto aos estaleiros municipais, popularmente conhecidos como FAI), e mais meia dúzia de situações espalhadas no centro histórico. 

No município, em pleno século 21, não existia sequer regulamento para atribuição e gestão dessas habitações, bem como do elencar de direito e deveres dos inquilinos. 

Aliás, não deixa de ser revelador que no município de Tomar, até 2013, praticamente 100% da habitação social existente no município foi concretizada durante o Estado Novo… 

Em contraponto, o mandato anterior (2013/17) foi aquele em que, pelo menos depois de 1974, maior número de famílias foi realojado, fruto também da grande recuperação de casas para posse do município e de obras efetuadas, onde, diga-se, a colaboração da junta de freguesia urbana foi também muito importante. 

E não falamos, como alguns pretendem fazer crer, de etnia cigana. Não, a larga maioria das casas que atribuímos (sempre por concurso público!) no mandato anterior foram a famílias que não pertencem a nenhuma etnia. Alguns, por motivos populistas, tentam continuamente levar o assunto para a temática dos ciganos. Ora perante a Lei, e para qualquer cidadão bem formado, há seres humanos. Mais nada. Mas lá chegarei a essa temática. 

Regressando ao tema da habitação como um todo, lembremos que mesmo noutros modelos, em Tomar existiram apenas enquanto uma cooperativa, a Nabância, trabalhou para esse fim, e foi importantíssima para que centenas de agregados familiares tivessem tido nos anos 80 e 90 habitação “mais em conta”. Mas não só, igualmente importante para “obrigar” a um controle de preços face à oferta existente no mercado. 

Pelo contrário, e também fruto de mau planeamento urbanístico, e face à execução de um conjunto de instrumentos de gestão do território, nomeadamente um elevado número de planos de pormenor, irrealistas, fantasiosos, que além de especulação imobiliária não tiveram nenhum outro resultado que não fosse a concentração de construção em pouquíssimos construtores, que assim praticaram os preços que bem entenderam ao longo das últimas duas décadas. 

O desleixo ou desinteresse político (é preciso que se note que os serviços de municipais de habitação eram praticamente inexistentes até 2013 e só atualmente existe um gabinete de habitação na estrutura orgânica do município) fizeram com que boa parte das casas fossem passando de pais para filhos (ou por vezes nem sequer familiares tão diretos) sem que a eles tivessem qualquer direito. E note-se que estamos a falar de património público! 

Não há memória que alguma vez se tivesse retirado casa a alguém, havia casas a funcionar como armazém, ou casa de férias, ou casa de primeira habitação tendo os seus inquilinos outras habitações – havia enfim, um pouco de tudo e total desinteresse político nos últimos anos anteriores em fazer o que quer que fosse sobre esta matéria. Talvez porque dá muito trabalho, chatice, obriga a uma certa coragem e como se costuma dizer, “não dá votos”, antes pelo contrário. 

Sobre a etnia cigana, lembremos que até 2013 e apesar dos tais 160 fogos de habitação social, nunca nenhuma destas famílias havia sido integrada. Ao contrário, e apesar das responsabilidades municipais que colaborou ao longo dos anos no concentrar, e depois ignorar daquela comunidade naquilo que se transformou no gueto do Flecheiro, com todos os demais problemas sociais e por vezes criminais a isso associados. 

Sim, lembremos que há cerca de 45 anos atrás foram para ali levadas, e por interesses imobiliários com os quais o município foi conivente, as primeiras famílias. Famílias que com o passar dos anos chegaram às cerca de 230 pessoas que ali encontrámos em 2013. A juntar às cerca de 50 vivendo também em barracas espalhadas em vários pontos do concelho. 

Ora, muito se falou, muito se propôs, muito se anunciou, mas fazer de facto alguma coisa nunca ninguém fez. Houve muito financiamento que poderia ter sido aproveitado. Programas de erradicação de barracas, programa Polis, vários quadros comunitários, mas nada, nunca houve vontade, talvez a coragem para fazer o que teria de ser feito e há muito deveria estar resolvido. 

Pois… repito, dá muito trabalho, muita chatice, não dá votos. 

Hoje, e depois do trabalho que ali iniciámos, estão ainda cerca de 100 pessoas, e todas sairão, ao mesmo tempo que estamos a rever o Plano de Pormenor do Flecheiro, e a preparar a consolidação urbana daquele espaço, nomeadamente daquela que será a zona ribeirinha de excelência da cidade. 

Claro, não se consegue, ainda para mais sem um cêntimo de apoios financeiros que hoje não existem para o efeito, fazer num mandato aquilo que não se fez em mais de 40 anos! 

Hoje, continuamos a recuperar casas, e a juntar outras ao património municipal, além do Centro Comunitário (junto à GNR) por estes dias a entrar em atividade. Estamos a iniciar a Carta Municipal de Habitação, onde além do social, se prevê já com projetos concretos, criar habitação a custos controlados particularmente para casais jovens, assim como residências para estudantes, que hoje muito estão a faltar. 

Tentaremos também criar, em jeito de residências assistidas, solução para pessoas que pelos mais diversos motivos não tenham capacidade para viver sós numa casa. 

Essencialmente, continuaremos a trilhar o caminho e estratégia definida, rumo a transformar o concelho num território mais humanista e cumpridor da Lei, numa ótica de boa gestão de recursos, com princípios de equidade e justiça. E, por muito que seja impopular ou sujeito a críticas, a resolver o que há muito resolvido deveria estar.

terça-feira, novembro 12, 2019

Todos somos Educação?

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 1 de novembro de 2019

“A criança gozará dos direitos […] reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação”
Princípio 1, Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1959

Decorreu na última sexta uma Assembleia Municipal temática, por requerimento do PSD, dedicada à Educação que, como se antevia, serviu para coisa nenhuma. Foi, como dificilmente não deixaria de ser, uma mão cheia de lugares comuns.
Reivindicam os eleitos do PSD na AM, por exemplo, que a carta educativa está desatualizada e deveria ter sido atualizada desde 2011. Pois eu digo que a carta educativa que está aprovada em Tomar é uma fantasia desde quando foi aprovada em 2008 – e digo-o desde então.
Veja-se a título de exemplo que esse documento prevê a construção de novas escolas nas Avessadas (duas!), Flecheiro e Machuca, além de em todas as então 16 freguesias.
E o que fez o PSD com essa carta educativa? Construiu uma escola em Casais com mais do dobro da capacidade que alguma vez poderia ter; uma EB23 (Nuno Álvares Pereira) claramente desnecessária como já o bom senso indicava e alguns como eu se fartaram de afirmar (e da qual tivemos que devolver 700.000€ aos fundos europeus por obras desconformes!), aumentando muito os problemas de excesso de instalações que agora tentamos resolver; ou uma EB1 (Raul Lopes), deixando o pré-escolar de fora nas mesmas velhas instalações.
Portanto, o interesse destes eleitos na carta educativa é uma falácia, uma brincadeira de crianças ou de quem quer tentar iludir os demais.
Leram algures umas coisas, que depois tentaram replicar, como o cruzamento com o PDM, como se existissem novas escolas para construir no horizonte de uma década; ou sobre a territorialização da educação, como se a Carta Educativa fosse solucionar essas questões ou dela estivessem dependentes.
Bom mas, e não vamos promover a revisão da carta? Vamos, no tempo e pelas razões definidas em conjunto com os demais 12 municípios do Médio Tejo, e não só porque o PSD local viu aí uma bandeira.
Alegam os eleitos do PSD que não há estratégia municipal na educação, falta de liderança, desnorte, e um conjunto alargado de chavões em jeito de “bota abaixo” que só podem mesmo significar um ato de contrição por aquilo que o PSD fez em boa parte dos seus últimos 16 anos de governação, ou não tivéssemos agora que andar a corrigir muitos desses despautérios. E já se sabe, é nestes casos muito mais difícil corrigir que fazer bem à primeira.
Dizem os eleitos do PSD que o Conselho Municipal de Educação não reúne suficientemente. Mas os factos são que foi comigo que os Diretores de Agrupamento Escolar, os Presidentes de Conselho Geral, os representantes do ensino privado (João de Deus), da Escola Profissional, das duas escolas de ensino artístico da cidade, e do Centro de Formação de Professores, por exemplo, passaram a estar presentes. Ou seja, porção significativa da comunidade educativa não fazia sequer parte.
Ainda assim, se há algo que detesto é fazer reuniões “para cumprir calendário”, é aliás dos principais problemas do país e da administração pública em particular. E, portanto, farei tantas reuniões quanto necessárias, desde que sirvam para algo. Reuniões em que se entra mudo e sai calado, fujo delas. Para bom entendedor…
Mas o que interessa é a ação concreta e aquilo que temos feito nestes últimos 6 anos e continuaremos a fazer:
Mais apoio na ação social escolar, nos transportes escolares, nas atividades oferecidas às crianças e no aumento de entidades locais que prestam essas atividades;
No diálogo, apoio e pagamento atempado às Associações de Pais. Aliás, não fomos nós que escolhemos este péssimo modelo (como alguns como eu na altura alertaram) que transformou as AP’s do nosso concelho em empresas, forçadas a ter contabilidade, quadros de pessoal, contratos com fornecedores… Mas somos nós que passo a passo o estamos a substituir, com diálogo e bom senso, à medida das necessidades de cada uma dessas AP’s;
Teremos em breve o Centro Escolar da Linhaceira terminado, planeado e projetado com a comunidade local para não existirem os erros do passado, e com isso deixaremos de ver no nosso concelho alunos a ter aulas em contentores;
Continuaremos a fazer diretamente, ou através dos fundos que anualmente transferimos para cada uma das juntas de freguesia, manutenção e pequenas obras regulares em cada uma das escolas de pré-escolar e 1ºciclo;
Continuaremos a reforçar muito além do que a Lei nos impõe, o pessoal não docente nas escolas, cerca de 160 funcionários que representam já um terço do total dos funcionários municipais;
E claro, também as decisões difíceis quando têm que existir. Por muito que custe é para isso que somos eleitos, para tomar decisões. Há salas de aula, há instalações a mais para os alunos existentes, e, portanto, vai continuar a ser necessário otimizar recursos e fazer as reformas que para tal se imponham. Sempre na lógica de com os melhores meios prestar o melhor serviço possível.
Afirmo-o há muito e, por mais que se tente negar, há sempre o momento em que a realidade se impõe. O problema não é de agora, e ainda vai piorar nos próximos anos. A taxa de natalidade é um dado objetivo, não é uma opinião.
Em suma, continuaremos a trabalhar com rumo definido, no calendário determinado e não no que nos queiram impor, com articulação com a comunidade educativa, com valores sociais e perspetivando sempre a boa gestão e a igualdade de oportunidades que a educação deve promover. Porque a educação é e será a principal base para ter uma sociedade mais justa e desenvolvida.


segunda-feira, outubro 07, 2019

Amigos de quatro patas


texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 4 de outubro

No canil intermunicipal de Tomar (e Ferreira do Zêzere), situado no Parque Empresarial de Tomar (vulgo, zona industrial), residem neste momento cerca de 20 gatídeos e 170 canídeos, dos quais 35 pequenos cachorros.
Tecnicamente o canil está sempre esgotado, isto porque por cada animal que sai para adoção, há dois ou três à espera para entrar. E naturalmente a capacidade máxima varia, porque depende do porte dos animais, da sua perigosidade, entre outros fatores.
E isto apesar de em 2017 termos feito um investimento municipal na casa dos 100.000€ que permitiu duplicar a capacidade e também, eliminar o canil até aí ainda existente no Flecheiro, que não apresentava há muito condições mínimas.
Entretanto, a nova Lei só permite o abate em circunstâncias bem definidas, e que são as mesmas que já eram aplicadas em Tomar. Mas a questão é que qualquer instalação tem uma capacidade finita e o nosso canil é obviamente igual. E por isso, a gestão das disponibilidades verso as necessidades existentes é uma dor de cabeça diária.
Para que seja claro, a responsabilidade dos municípios é sobre animais errantes. Ponto. Não têm qualquer responsabilidade, ou capacidade, para intervir em situações privadas ou de proprietários que por algum motivo deixam de querer cuidar dos seus animais.
E por vezes é muito difícil explicar isto aos munícipes que só querem ver o seu problema resolvido. Não!, os canis municipais não servem para os cidadãos se livrarem dos seus animais. Aliás, ser cidadão deveria ser compreender mais esta questão básica de cidadania. E depois há épocas do ano ainda mais difíceis – o verão é uma delas – em que o abandono aumenta imenso.
Sublinho, os donos são a todo o tempo responsáveis pelos seus animais, não podendo deles descartar-se quando por algum motivo não os querem; e o mesmo vale em situação de herança, o que por vezes é difícil fazer compreender a algumas pessoas. Os animais são, legalmente, a todo o tempo responsabilidade dos seus donos e respetivos herdeiros.
Para além destas situações que deveriam ser básicas de civismo, e onde a natureza humana por vezes revela a sua faceta menos boa, é preciso lembrar que, nos termos da Lei, a identificação  (chip) de canídeos é obrigatória, assim como a vacinação. Todo o proprietário está obrigado a fazê-lo.
Já a esterilização não é obrigatória, mas é altamente recomendada e a melhor forma de minorar o problema dos animais abandonados que, prevejo, vai tendencialmente agravar-se nos próximos tempos.
A esse propósito, dizem-se muitas coisas que não são reais, normalmente nas redes sociais. Isto para dizer que sim, o governo lançou uma candidatura para apoiar os municípios que desejem iniciar procedimentos de esterilização. Mas as regras para esse apoio são muito difíceis de alcançar. Tomar, só neste momento está em condições de o conseguir, e será dos primeiros.
Claro que para minorar todas as dificuldades anteriormente descritas e outras, ajudará a que o município volte a ter nos seus quadros veterinário, ou veterinária municipal. Temos o concurso a decorrer (infelizmente a burocracia faz com que os concursos demorem muitos meses), e quase terminado, para admissão de novo profissional o que vai permitir avançar com mais trabalho e qualidade, nomeadamente no início de um plano mais completo de esterilização de canídeos e gatídeos.
Em todo o caso, e porque queremos ser um concelho cada vez mais amigo dos animais e daqueles que optam ter um animal de companhia, para além dos investimentos que tenho vindo a referir, nomeadamente no canil, mas também num maior apoio tanto financeiro como de trabalho de parceria com a Associação Protetora dos Animais, ou na introdução das campanhas de adoção que há três anos iniciámos, a cidade vai em breve, num projeto de parceria com a freguesia urbana, ver nascer os seus primeiros wc canino e parque de treinos canino.
Por fim, já referi, mas devo sublinhar, a importância da Associação Protetora dos Animais (APARRT) com quem estabelecemos protocolo e que está sediada no canil, e com quem fazemos uma gestão partilhada do espaço, partilhando também dificuldades e soluções.
Lembrar, já agora, que atualmente o chip e a vacinação dos animais adotados no canil é oferecida pelo município, pelo que fica o convite:
Visitem o canil no Parque Empresarial de Tomar, de segunda a sábado, onde serão muito bem recebidos pelas prestimosas senhoras da APARRT, que lhes darão a conhecer os residentes e quem sabe, encontrar o novo amigo lá de casa!

segunda-feira, setembro 23, 2019

Tomar, terra de aprendizagem

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 13 setembro 2019

Novo ano letivo, novo momento de azáfama, de organização, de afinar procedimentos e tarefas. Mas também momento de renascimento. Nós docentes e demais profissionais ligados ao ensino somos por isso privilegiados que têm ano novo em dois momentos distintos. 

Tomar é uma terra de excelência em várias áreas. É-o similarmente na educação com uma realidade quase única no país. Dois muito bons agrupamentos escolares, genericamente com boas instalações, bons docentes e demais pessoal, imensas iniciativas ao longo do ano, principalmente as que trazem os alunos e as suas tarefas para fora da sala de aula e mesmo da escola, em ligação com a comunidade. 

Ensino profissional de qualidade tanto nos agrupamentos que prestam alguns cursos, como na Escola Profissional de Tomar (Casa dos Tetos) e no Centro de Formação do Instituto de Emprego e Formação Profissional (Marmelais); 

Duas escolas de ensino artístico oficiais (Canto Firme e SF Gualdim Pais) ambas com ensino de música e a Gualdim também com a dança; 

E “cereja no bolo”, o Instituto Politécnico que se tem vindo a adaptar às exigências sempre mutáveis do país e da região, com um conjunto de cursos muito bons, alguns deles únicos no país. 

Refira-se que na Educação o município tem como grandes responsabilidades: 

· Instalações escolares: todas do concelho à exceção, para já, da EB23 Gualdim Pais, e das Secundárias Jácome Ratton e Santa Maria do Olival. Para as escolas de pré-escolar e 1º ciclo, a câmara transfere verbas para as juntas de freguesia fazerem as manutenções ou reparações necessárias ao longo do ano, sendo que quando entendem não conseguir ou ter meios para fazer face a uma situação, devem reportá-la ao município. 

Para além disso fazemos um conjunto de intervenções diretas em várias delas, o que ainda este verão voltou a suceder; 

· Pessoal não docente: que é sempre pouco na opinião de professores e pais, mas em que os agora a rondar os 160 trabalhadores distribuídos entre os dois agrupamentos escolares, representam cerca de 32% do total (500) dos funcionários municipais. E está previsto transitarem para os quadros do município os 60 que ainda estão afetos ao Ministério da Educação; 

· Refeições escolares: sendo que algumas escolas de pré-escolar e 1ºciclo, têm essa gestão delegada por nós através de protocolo na respetiva associação de pais, e nas maiores na cidade é gerida por empresa que ganhou o serviço em concurso; 

· Transportes escolares: pagamos os passes a todos os alunos até ao 9ºano que utilizem o transporte público rodoviário ou ferroviário e, apesar dos pais disso não se aperceberem, 50% de todos os passes do ensino secundário. No pré-escolar e 1º ciclo, temos alguns circuitos de autocarro exclusivos para alunos, e alguns circuitos mais pequenos e também exclusivos que são efetuados em táxi. Na união de freguesias de Serra-Junceira, é a junta que presta esse serviço, igualmente pago pelo município, mas ao que acresce outros alunos que a junta transporta por sua iniciativa; 

· Material escolar: aos alunos subsidiados com escalão A e B, e também a estes, os livros de fichas que sejam adotados em cada escola e solicitados pelos pais; 

· Atividades de complemento de horário no pré-escolar: com música, educação física e jogos tradicionais; 

· AEC’S (Atividades de Enriquecimento Curricular no 1º ciclo): apenas no agrupamento de escolas Nuno de Santa Maria, onde ofereceremos a educação física e a música, mas ainda os jogos tradicionais, jogos de tabuleiro e desenvolvimento mental (o xadrez em particular), a dança, o basquete e o judo, para isso recorrendo à capacidade das associações locais, CALMA, Gualdim Pais, Canto Firme, Sport Clube Operário de Cem Soldos, Basquete Clube de Tomar e Ginásio Clube de Tomar. 

· Atividades regulares: Introdução à natação na piscina municipal a todas as crianças de 3º e 4º ano; visitas ao Convento de Cristo e aos Mosteiros de Alcobaça e Batalha a todos os do 4º; visita de estudo no autocarro municipal a todas as crianças de pré-escolar e 1º ciclo; 

· Atividades várias: em parceria ou em apoio financeiro e/ou logístico a outras entidades, ou atividades próprias, como o Dia da Criança, ou a FrEEE (Feira de Educação, Emprego e Empreendedorismo) destinadas a todos os alunos do concelho numa determinada faixa etária. 

Para além destas grandes questões, há muitas outras que vão surgindo ao longo do ano letivo. Aquisição ou reparação de edifícios ou equipamentos, computadores por exemplo; outros apoios na área de ação social escolar; apoio e parceria em muitas atividades ao longo do ano letivo. 

Somado, são cerca de 4 milhões de euros anuais que o município vem despendendo na área da educação sendo que apenas parte é financiada pelo Ministério da Educação. 

Todos anos são anos de mudanças, este não será exceção, desde logo nas instalações. O concelho verá abrir, à partida lá para janeiro, um novo centro escolar, o da Linhaceira – terra onde, lembremos, temos ainda crianças a ter aulas em contentor por falta de instalações – e verá outras encerrar, nomeadamente o já anunciado caso do edifício Infante D. Henrique. 

Tomar tem esta característica de ter ainda muitas escolas dispersas pelo concelho com poucos alunos, o que muito complica não só a qualidade pedagógica, mas também a gestão logística – e claro, os custos associados que saem sempre dos nossos impostos. 

E na cidade, onde estão mais de metade dos alunos, temos instalações que de todo não nos orgulham e não são há muito condicentes com as exigências atuais e com aquilo que desejamos para uma cidade como Tomar, para as nossas crianças e quem com elas trabalha. Tenho-o afirmado todos os anos desde que há 6 sou o responsável autárquico pela educação, e já o lembrava antes. 

É obrigação de qualquer gestor público e neste caso, dos autarcas, tentar fazer a melhor utilização possível dos recursos existentes, e com eles prestar o melhor serviço possível. Dessa forma, há que conjugar essas instalações fisicamente deficitárias com as que, sendo excelentes, como a EB23 Santa Iria, estejam muito aquém das suas capacidades de utilização. É o que acontecerá. Sem dramas e “umbiguismos” ao jeito de “espuma dos dias”, mas com a responsabilidade de quem tem de planear por muitos anos. 

Até porque na cidade temos salas de aula a mais. Muitas. E a aumentar de ano para ano. 

Problemas existirão sempre para resolver. Mas neste novo ano o que importa é, com espírito sempre positivo, endereço votos de um novo ano letivo cheio de trabalho e sucesso para todos os da comunidade educativa, em particular à razão de tudo, aos alunos. 

Aos demais, a começar pela câmara e por mim, aos serviços municipais, às juntas de freguesia e a toda a comunidade, que saibamos trabalhar em conjunto e rumo aos mesmos objetivos. 

Que saibamos como comunidade educar para aquilo que cada vez mais conta: a cidadania, o profissionalismo, a felicidade e o humanismo.

terça-feira, julho 09, 2019

Cortejo dos rapazes - a excelência da nossa comunidade educativa

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 5 julho de 2019

O Cortejo dos Rapazes – ou seja – a Festa dos Tabuleiros das crianças, é a expressão definitiva e incontestável da excelência da comunidade educativa nabantina. E este ano, em nada ficou a dever ao grande cortejo dos Tabuleiros.

É com penhorado sentido de gratidão que enquanto vereador da educação, reconheço e agradeço o enorme trabalho das escolas na sua plenitude: educadores, professores, pessoal auxiliar, associações de pais e famílias em geral, que tudo fizeram para tornar as crianças da nossa comunidade as verdadeiras estrelas, criando memórias que serão para elas únicas, mas também de enorme beleza para os demais nabantinos, e para os milhares de turistas que este fim de semana nos visitaram.

O cortejo dos rapazes é também a garantia do futuro da Festa e, ao contrário de algumas mentes mais conservadores (que tudo analisam na perspetiva do seu olhar e do seu tempo de vida), a garantia da sua natural evolução, uma vez que a Festa dos Tabuleiros não é uma recriação histórica, é uma festa viva e como tal progride, tal como a sua comunidade e a sociedade em que está incluída o faz. Aliás, se fosse uma recriação histórica não poderia ser candidata a património imaterial.

Prova também da evolução da festa é a permanente inclusão de novos momentos. Tal como em 1991 se realizou o primeiro Cortejo dos Rapazes, em 2019 realizaram-se os primeiros Jogos dos Rapazes. Ou seja, os jogos populares das crianças, que fizeram da tarde de domingo uma tarde ainda mais animada e participada na nossa Ilha do Mouchão.

Fruto da aposta pioneira que em 2014 o município iniciou com o CALMA nos jardins de infância do concelho, e já este ano letivo que agora terminou, também no 1º ciclo do ensino básico no Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, no qual o município é desde o passado ano letivo, responsável pelas atividades extracurriculares. Iniciativa, entretanto, já reproduzida por vários municípios da região e do país.

Sem essa ação (na qual, reconheço, sinto muito orgulho), que naturalmente tem em primeiro lugar o objetivo do desenvolvimento físico e motor das crianças, mas também da preservação das tradições, não teria sido possível esse desígnio complementar que agora se atingiu, o de ter na Festa dos Tabuleiros também os jogos populares das crianças, ajudando a fazer mais ainda do primeiro fim de semana da festa o mais possível dedicado às crianças.

Fundamentalmente, a Festa dos Tabuleiros tal como a comunidade que que lhe dá vida está cada vez mais pujante e este primeiro fim de semana foi bem disso exemplo e prenúncio para os dias que faltam.

Vivamos a festa, viva a Festa!




sexta-feira, março 23, 2018

Pós verdade e pós idiotas

Nem a propósito das recentes encrencas do fcbk, o meu artigo da edição de aniversário do jornal Cidade de Tomar, de 16 de março, e em resposta ao tema: a imprensa nos tempos das redes sociais.

Falar da imprensa nos tempos das redes sociais, é antes de mais sublinhar a importância da comunicação social séria. Já quando há década e meia frequentei o mestrado em Ciências da Comunicação, estes temas eram abordados com preocupação. Vivemos agora naquilo que os teóricos referem como o tempo da pós-verdade, uma vez que as opiniões públicas são inundadas com notícias falsas e manipulativas.
Sendo fenómeno global e nacional, podemos observá-lo ao nível local.
Entre muitos exemplos que poderíamos invocar no nosso universo nabantino, uns mais risíveis, outros profundamente sérios, uso este como exemplo: recentemente alguém pôs a circular uma história tão falsa como ridícula, alegando que a Presidente de Câmara teria sido agredida por uma cidadã, aquando da demolição de barracas numa zona na cidade, quando não só a Presidente não esteve no local como é público que nesse dia estava reunida com outros presidentes de câmara e um Secretário de Estado.
Mas há sempre quem partilhe, comente, faça as mais inflamadas afirmações, sem dedicar 30 segundo de inteligência ou mera sensatez a refletir, ou mesmo sem sequer ler aquilo que está a partilhar. A internet está inundada de disparates e flagrantes falsidades.
Ora, não podem as instituições e os seus responsáveis passar a vida a desmentir, corrigir estas situações, pelo enorme consumo de tempo que obrigaria, e porque seria até forma de valorizar esses terroristas da desinformação. E por isso, regra geral, ignora-se.

No nosso contexto nabantino, a exemplo de outras escalas, temos inclusivamente quem o faça de forma regular e persecutória, sendo o caso mais flagrante um blogue (Tomar na rede) na maioria fomentado por um ex diretor de um jornal (e ex funcionário da câmara, diga-se) que de forma sistemática manipula histórias para tentar atingir alguns políticos ou instituições, particularmente a nós na câmara e aos funcionários municipais.
Ora, nestes tempos, a comunicação social séria, com profissionais formados, com regras, com deontologia, com a obrigação de confirmar factos, de procurar contraditório, de sustentar afirmações, deve ser, antes de mais, o garante do pluralismo e do rigor da informação.
Ou não fosse desde o século XIX, por via da imprensa considerado o 4º poder (e muitas vezes tem sido o primeiro), precisamente como forma de vigilância e perscrutação sobre os poderes políticos (executivo e legislativo) e judicial, mas também como forma de atuação sobre a sociedade no seu todo.
E se assim for, estou certo, com adaptações naturais, a imprensa saberá manter-se pertinente e encontrar até novos públicos, da mesma forma que a rádio sobreviveu à televisão, e a televisão, com mudanças, saberá resistir à internet.
Mas começa por nós, consumidores. Na linha do que antes afirmei, da mesma forma que não aceitamos que qualquer pessoa nos arranque um dente, também não devemos aceitar que qualquer pessoa nos impinja “notícias”.
É responsabilidade de todos nós cidadãos livres, pensantes, com apego à verdade e liberdade com regras, sabermos a bem da cidadania e salubridade mental coletiva, ignorar e repudiar quem prevarica e, em casos mais gritantes e graves, denunciar.
Porque, como diria um amigo presidente de câmara do nosso distrito, idiotas sempre os houve, as redes sociais vieram dar-lhes amplitude de expressão – e é dever de todos nós diminuí-la, acrescento eu.

Aproveito esta missiva para desejar um excelente aniversário ao jornal Cidade de Tomar, e que seja cada vez mais um exemplo daquilo que referi sobre a comunicação social séria, desejo esse obrigatoriamente extensível a todos os profissionais e colaboradores que mantêm o jornal a cumprir a sua missão. Que o façam por muitos e bons anos!

sexta-feira, dezembro 23, 2016

Boas Festas!!!

publicado no jornal Cidade de Tomar de 22 de dezembro de 2016

Esta época natalícia e de fim de ano dispõe-nos a reflexões e ensejos.
Ainda assim, não querendo replicar o que anteriores vezes em páginas deste jornal e noutros locais referi, e é já lugar comum, o natal traz consigo também muito da hipocrisia e cinismo presentes em cada um de nós. Não será estranho, bastará lembrarmos simbolicamente que uma das maiores personagens da temporada, o pai natal, é no essencial um produto de marketing da Coca-cola, muito distinto da lenda do turco São Nicolau que lhe deu inspiração.
Acaba por, mesmo que sazonal ou romanceada, ser uma época de aproximação. Entre as famílias, entre cada um de nós, e isso sempre será motivo maior.
Como seja, relevante mesmo é que lembremos que mais que dizer que “o natal é quando um homem quiser”, será sim que em todos os outros 364 dias do ano, existirá quem precise de ajuda, há uma comunidade em que nos podemos empenhar, existirão causas, projetos, compromissos partilhados. Na nossa rua, ou no outro lado do mundo.
Prefiro aliás focar-me nesse pressentido desconhecido, no amanhã, e nos votos que um novo ano sempre nos traz. Que saibamos focarmo-nos, despender as nossas energias naquilo que realmente releva. Que saibamos afastarmo-nos do que costumo apelidar como aquelas pessoas "eucalipto” ou as “buraco negro”, as que secam tudo à sua volta ou as que sugam toda a energia e tudo em escuro transformam ao seu redor. Que saibamos tratarmo-nos com elevação, com respeito, com dignidade, por mais que tenhamos nesta ou naquela matéria pontos de vista ou opiniões diferentes.
Como bem disse o Papa Francisco, «Não há necessidade de consultar um psicólogo para saber que quando denigre o outro é porque não consegue crescer e precisa que o outro seja rebaixado para se sentir alguém.» Saibamos mais que apontar dedos, dar as mãos. Queiramos ser, com sinceridade, melhores indivíduos e melhores cidadãos. Saibamos fazê-lo em comunhão uns com os outros, fazendo força naquilo que nos une. Porque no essencial, é uma bênção estarmos vivos. Que o saibamos valorizar e a isso acrescentar significado todos os dias das nossas vidas. Em fraternidade.

A todos, que o natal seja o mais possível ao acordo dos desejos de cada um, que o novo ano traga melhores e redobradas energias e, como na canção da Marisa, saibamos sempre que por maiores que sejam as adversidades, o melhor de nós está por vir.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Votar no Futuro, Votar em Portugal

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 25 de setembro.


«Hoje vivemos na sequência de uma revolução conseguida sem sangue, que nos abriu caminhos de liberdade. Para que os possamos percorrer é indispensável o respeito absoluto das liberdades públicas e dos direitos cívicos, que vamos vendo infelizmente postos em causa.»

«Portugal precisa de apoio internacional generalizado e merece-o. Esse apoio, venha de onde vier, tem de respeitar a nossa independência e uma rigorosa não ingerência nos nossos assuntos.»
Francisco Sá-Carneiro

Dia 4 de outubro somos todos chamados a usar o nosso poder coletivo, o poder pelo qual tantos na nossa história lutaram para nos deixar como legado, o poder que tantos milhões por esse mundo fora ainda não têm, o poder de escolher quem tome decisões em nome do coletivo, o poder de eleger os governantes do nosso país.
É esse momento decisivo que me faz voltar a este hábito da escrita neste jornal, coisa que não faço há cerca de dois anos, desde que tenho outras responsabilidades e por continuar a achar que quem governa não comenta. Mas agora é tempo de escolhas, e é tempo de fazermos campanha pelas escolhas que entendemos mais apropriadas.
Comentadores televisivos e de outros suportes mediáticos, mesmo alguns políticos e muitos cidadãos têm definido estas eleições como de grande complexidade na escolha. Mas para mim nunca me pareceu tão fácil, tão óbvio, tão urgente decidir.

Temos um governo que apresenta como mote de campanha os supostos resultados, os resultados que agora diz serem resultado da “herança” e do estado em que encontraram o país, quando há quatro anos afirmavam que queriam “ir além da troika”. Um governo que apostou em “ser o bom aluno” na visão de quem faz depressa e sem questionar, um governo que, embora suportado largamente num partido social democrata e que tanto gosta de citar Sá-Carneiro, mas que tem aplicado fórmulas liberais ou mesmo ultra liberais não suportadas nem pela ideologia desse partido nem pelo programa sufragado, e por isso mesmo vê tantos desse partido a dele publicamente se afastarem.
Um governo que não teve qualquer problema a indicar a saída do país à sua população, particularmente os mais jovens e qualificados, nos quais o país investiu, e que os outros países tanto agradecem! – fala-se agora na possibilidade e até com discurso xenófobo de o país poder vir a receber 3 ou 4 mil refugiados migrantes… pois portugueses migrados foram mais de 350 mil no últimos 4 anos!!
Um governo que taxou tudo quanto pode, e cortou em mais ainda. E depois perguntamos, para quê? Estamos melhores, os tais resultados estão melhores? E é este o país que queremos? Não, este não é o país em que me revejo. Não, também não é a forma para que sinto servir a política.

A política nobre e útil é muitas coisas, entre elas a capacidade de envolver, de dialogar, de procurar os consensos (quando no nosso país cada vez mais se procura antes o conflito), mas não seguramente a arte do abandono. E abandono é o que mais temos visto: o abandono dos cidadãos, o abandono das empresas do Estado vendidas à pressa e ao desbarato, o abandono das políticas sociais de promoção da igualdade, o abandono da ideia de um Estado que promove a igualdade de oportunidades e a justiça (pois se até, diz Passos Coelho, é preciso uma subscrição para os enganados do BES poderem ir a tribunal…)

O apoio social é um verbo de encher para quem quer mostrar trabalho à conta dos “coitadinhos”, para além de nos quererem impingir novamente os tempos da caridadezinha, da sopa dos pobres, dos asilos. Não, isso não é verdadeiro trabalho social, isso é empurrar para fora da vista os problemas e tratar seres humanos como números ou “coisas”.

Na educação, a visão ideológica imposta aos currículos e aos horários dos alunos fez um retrocesso até “tempos da outra senhora”. Cortou-se no ensino artístico, nas expressões, na educação física e no desporto escolar, nos apoios pedagógicos, psicológicos e tudo o mais.
Porquê? Porque se entende que isso é para quem pode pagar, os outros, aguentem-se que isto não é para quem quer! Não ajam ilusões, é mesmo de ideologia que trata.
Poder-se-ia dizer, bom é falta de dinheiro, é preciso cortar em algum lado. Não é verdade! Basta ver que ao mesmo tempo que se corta no ensino público, na sua qualidade e nos serviços aí prestados, se aumentam, (e muito!) os subsídios aos colégios privados por esse país fora.
Da cultura nem vale a pena falar. Está em coma, não há qualquer trabalho feito nesta área.

Ora, como disse Churchill, se não lutamos pela cultura e pela educação, que são aquilo que nos dá identidade e futuro, vamos lutar para quê? Mais vale assumir e deixar os alemães ou quem quer que seja, fazer o que bem entenderem de nós. – e foi o que fizeram nos últimos anos!
Por isso reafirmo, não tenho qualquer dúvida onde votar.
Quem acha que está bem e deve continuar, escolha a direita coligada, quem acha que não, que o país precisa de outro rumo, de alma, de olhar para as pessoas e para as suas necessidades, e mais ainda quem defende um país regido numa ideologia de socialismo democrático (ou social democracia), só tem um partido que atualmente a defenda – é o PS liderado por António Costa.

Temos também, nabantinos, um interesse mais local nestas eleições. É na lista socialista que está o único tomarense com possibilidades de ser eleito. Hugo Costa será uma voz jovem, motivada e empenhada conhecendo de perto as realidades de Tomar e da região que pode ser a nossa voz na Assembleia da República e junto dos poderes de Lisboa.
Não ir votar, não é mostrar descontentamento, não é mostrar desagrado, é sim mostrar alheamento e deixar aos outros o poder da escolha. Mais, por força do mecanismo eleitoral, quase sempre quanto maior for a abstenção, maior o favorecimento de quem já detém o poder, por isso: Vote, vote em quem entender melhor, vote nulo se quiser, mas vote!

quarta-feira, julho 06, 2011

exercício gratuito

"Já é possível fazer ginásio ao ar livre em Tomar", noticia o Mirante.

Para que não digam que eu só falo dos (muitos) disparates que a Câmara de Tomar faz, esta é, apesar de apenas um pormenor, uma boa iniciativa que nem sai cara e que aliás está a ser aplicada um pouco por todo o país por Municípios, Instituições de Ensino Superior, etc.

O que é de pertinência mais duvidosa é o tão grande destaque que o Cidade de Tomar dá ao assunto. Com uma página inteira (se não estoue em erro), e três fotos gigantes de Carlos Carrão e António Rodrigues!
Ou, já agora, que sobre o financiamento para a modernização da EN110 na ligação da cidade ao IC9, apareça a foto do Presidente da Junta dos Casais, o que seria estranho em qualquer situação, mas que é mais porque a dita estrada até está repartida com outra freguesia.
Desculpem lá o mau jeito, mas como há uns tempos aqui não escrevo sobre os jornais locais, esta saiu de rajada.

quarta-feira, setembro 22, 2010

parabenizar

O jornal O Templário comemorou 8 anos de existência com a actual gestão.

Não aprecio tanto, e já tive oportunidade de o dizer ao seu Director, a linha mais tablóide que vem ganhando espaço no jornal. Mas é uma opção válida, a escolha deve ser dos leitores.

Bem percebo que não será fácil, e isto é válido para os dois jornais nabantinos, como para todos os outros regionais (até os nacionais!), manter uma pequena empresa com as difuldades óbvias do mercado, sabendo bem que a venda directa dos mesmos pouco importa para o negócio, estando em causa sim a publicidade neles publicada. E em tempos difíceis, e num concelho como Tomar, é espectável que não abunde nas empresas o dinheiro para publicidade.

Ao contrário do que por vezes possa transparecer numa ou outra crítica, tenho grande respeito pelos jornalistas. Um dos meus sonhos de adolescente (mas eu tinha muitos!), acho que já aqui o escrevi em tempo, era ser jornalista. Investigar, viajar e escrever, eram três ímans fortes para essa actividade, mas das muitas vontades, as artes e depois o ensino foram mais fortes. 

É claro que esses ímans vou preservando como possível. Viajar, sempre que possível. Escrever, lá vou fazendo o gosto ao dedo, se mais não for neste blogue.
E apesar de tudo continuo e espero continuar com uma filosofia base: experimentar, diversificar o mais possível - até prova em contrário só se vive uma vez e é um desperdício passar a vida a fazer a mesma coisa.

Bom, isto tudo para dizer
a O Templário e aos que o fazem sair todas as semanas: Parabéns!
.

terça-feira, agosto 31, 2010

fim de agosto

O Cidade de Tomar veio procurar alguma inspiração aqui ao algures para a sua página cómica na semana que passou, incluindo a citação de Guerra Junqueiro que postei mais abaixo, com algumas gaffes contudo. A já usual de chamar ao blogue "algures por aqui", atribuindo depois a autoria ao grande inspirador dos jornais locais António Rebelo. Não tem mal nenhum, afinal até hoje, ainda estamos em Agosto e já sabemos que neste mês é tudo muito ligth.

domingo, janeiro 03, 2010

má gestão

«Sintético do Estádio de Tomar está gasto», noticia o Templário online

«Devia durar 10 anos, mas ao fim de quatro anos o piso do estádio de Tomar está “nas últimas”»

Mais uma das tão contestadas "paivices", que só mesmo o próprio defendia, deu buraco.
Aos poucos, a memória dessa década inútil se não nefasta que o município atravessou, será certamente substituída à medida que aquelas que foram as grandes apostas, que é como quem diz teimosias, globalmente insensatas, espúrias, e dificilmente explicáveis, do anterior presidente da câmara nabantina, forem por força da necessidade, ou do bom gosto e senso, ou do pragmatismo, corrigidas ou mesmo apagadas.
Não será possível infelizmente fazê-lo com todas, desde não será possível recuperar o (rios de) dinheiro gasto em algumas dessas obras, e noutras que ainda hão de continuar a sorvê-lo aos milhões (como é o "caso parq t"), sendo como tal financiamento que não estará disponível para outras obras certamente mais úteis.

Só espero que a memória colectiva (que é coisa que tende a durar pouco!) da acção da pessoa em causa não se apague tão depressa, não vá aparecer por aí um destes dias a querer novo round qual filho pródigo e insubstituível...

terça-feira, novembro 03, 2009

brincalhões...


...muito brincalhões... na última edição do Cidade de Tomar fui brindado na página das bocas com esta foto, e texto de igual índole humorística.
Ainda percebo quanto ao Luís Vicente que é, digamos, calvo. Agora eu, de véu?!...

(e depois eu que nunca cá ponho fotos minhas, vou logo pôr esta...)

sexta-feira, agosto 21, 2009

e agora lembram-se do mercado

Regressei a Tomar ontem à noite depois de uns parcos dias de retiro quase total de caras conhecidas, e hoje de manhã fui dar uma volta e fazer umas compras pelo mercado. Comprovando uma vez mais o mau estado do edifício, mas também que o mercado, todo ele, continua a ser muito procurado por locais, emigrantes, e também muitos turistas. Como todo o mercado tradicional.


Já à hora de almoço, folheio então os jornais locais da semana, e vejo a chamada de capa do Cidade de Tomar, para o assunto da revitalização do Mercado Municipal, dizendo que dois candidatos a haviam já defendido. De imediato pensei algo como "estranho, não é normal estas referências espontâneas ao PS e aos seus candidatos".
A referência ao PS seria mais que óbvia. Afinal, especialmente nos últimos quatro anos se coisa houve que o PS em Tomar defendeu foi o mercado. Eu escrevi vários artigos, falei na rádio sobre o assunto por diversas vezes, outros fizeram o mesmo; apresentámos em reuniões de Câmara e Assembleia Municipal propostas, requerimentos, recomendações; defendemos sempre vigorosamente a sua colocação em orçamento; fizemos abaixo assinado, mais de um milhar de pessoas apresentaram a nossa proposta para o programa pólis com a defesa do mercado, fazendo desse processo de auscultação, provavelmente o mais participado de sempre do género no nosso país; fizemos reuniões públicas, desmascarámos a intenção de Paiva e do PSD em deitar o mercado abaixo (que até inventaram um contra abaixo-assinado, que ilegalmente foi considerado pela equipa do polis, cujo ex-director integra agora as listas do PSD), e estou convicto que foi graças ao PS e ao movimento que então conseguimos, que evitámos que tal sucedesse. Claro que muitos não nos reconhecem isso, e muitos, desejosos de banalizados elefantes brancos, iguais a qualquer outra terra, gostariam mesmo que não o tivéssemos conseguido. Temos continuado sempre a defender o mercado, e uma das frases dos anúncios de campanha que já publicámos nos jornais, diz isso mesmo; e tudo isto tentando ser sucinto.


Pois porque será que não achei nada estranho, quando ao abrir o jornal e ler a notícia, não encontrei qualquer referência ao PS, mas sim ao BE e ao CDS?
Sim, esses dois partidos que na prática não existem em Tomar, e dos quais, ou ao menos de um seguramente, não se ouviu uma frase que fosse em quatro anos, e o seu actual candidato até foi um dos vereadores que não só apoiou (e apoia) as teses de Paiva, como foi o vereador responsável pelas sucessivas diminuições no espaço disponível para o Mercado!


É por estas e tantas outras, que o trabalho do PS para mostrar as suas ideias e projectos aos tomarenses é muito mais difícil que o de todos os outros, mas isso só nos dá ânimo, e o que chateia muitos é que lá vamos continuando, sempre mais fortes, juntando mais pessoas, coesos e seguros do caminho que deve ser trilhado e como fazer para o trilhar. Além disso estamos todos no mesmo barco. Os sucessos ou mais no caso, os insucessos do concelho, afectam todos os que cá vivem e gostam desta terra. Alguns há que se vão usando dela, mas se os cidadãos não vêem...

fotos antigas do meu tempo

O jornal O Templário publica esta semana na sua rubrica, Cromos de Colecção, onde publica fotos antigas, uma foto da manifestação de estudantes em Tomar, em Maio de 1994 contra a Prova Geral de Acesso, ou PGA como era conhecida.

Lembro-me bem desse dia. Já com o 12º ano na prática concluído, faltando apenas os exames nacionais, passei grande parte do dia a jogar snooker na Gualdim Pais.
Se era para não haver aulas não era eu que ia boicotar, mas daí a alinhar numa "carneirada" com a qual eu pessoalmente não concordava (mesmo sendo o governo PSD...), e a maioria nem sabia bem a que se devia, já então não fazia muito o meu estilo.
Hoje talvez mais que então, continuo a achar que uma prova de cultura geral fazia muita falta...

domingo, julho 26, 2009

Equipas e equi-parados

artigo publicado a 24 de Julho no jornal Cidade de Tomar

Neste Verão pontilhado de dias cinzentos, a política vai morna com uma ou outra trovoada. Pelo PS cá vamos, na finalização de listas, programas e afins na nossa já habitual imperturbabilidade, o que muito enerva outros.
Já o PSD, que isto para quem vê o poder a fugir, dói sempre mais, são os alcatroamentos e obras de última hora, quase sempre nas freguesias do costume, onde se chega a alcatroar por cima de alcatrão novo, não vá algum voto fugir. Uma promessa ou outra, uma ou outra proclamada vontade de trabalhar, enfim, as palavras vãs do costume.
Para mim contudo, a grande novidade foi mesmo a entrevista do vereador Carrão que – a estranheza da afirmação é tal, que até deu título – disse talvez convicto, que “as equipas do PSD são melhores”. Pois está muito bem, admitamos que andávamos todos enganados e ainda bem que o sete anos presidente do PSD e agora Vice-presidente da câmara nos avisa. Mas, eu que sou umas vezes esquisito e outras desconfiado pergunto: equipas melhores em quê, e em relação a quê?
Vamos por partes. Na Câmara tivemos dez anos António Paiva que desconsiderava a reunião formal de câmara pois muitas vezes nem lá ia, e quando ia, mais ninguém da sua equipa falava. E não é muito diferente desde que se foi embora. Todos sabemos aliás que aquelas reuniões são apenas para fazer de conta que se cumpre a Lei. Já vai tudo decidido. Quanto às equipas, bem sabemos como foram formadas pelo independente António Paiva. De forma a serem o mais apáticas possível.
Na Assembleia Municipal, a grande maioria dos elementos do PSD, raramente abriu a boca, estou aliás convicto, e era bom de apurar, que alguns nos quatro anos de mandato, nem uma palavra disseram. E aquela que era na prática, a líder da bancada, e portanto quem mais intervenções fazia, está agora com vários outros da área do PSD, numa lista dita independente. Até os presidentes de junta, que muito criticam em surdina, raramente, e apenas um ou dois casos, foi capaz de em Assembleia dizer um pouco do que o preocupasse a si e aos concidadãos da freguesia. Pelo contrário, a maioria das vezes estiveram calados servindo apenas de peões para o PSD ter os votos necessários para fazer aprovar ou reprovar o que lhe convinha, chegando mesmo a votar contra os interesses da sua freguesia, como no caso da Asseiceira, em que o presidente votou contra a proposta de instalação duma Loja do Cidadão na Linhaceira.

São afinal melhores em quê as equipas do PSD?
A obedecer cega e várias vezes insensatamente, ao todo poderoso líder? Sim, isso confirma-se que são. E a que líder obedecem agora?
Eu não gosto nem tenho hábito de me meter na vida interna dos outros partidos (ao contrário do que todos julgam poder fazer com o PS) mas quando isso influencia a gestão da Câmara devemos fazê-lo. É que relativamente ao PSD temos que perguntar afinal o que decidem os seus militantes, se é que decidem alguma coisa sequer. Tem o próprio presidente da concelhia algum voto na matéria? Ainda há alguns dias terá afirmado que as listas não estavam fechadas… Não se percebe nada do que por ali vai, e com isso não tenho nem o PS qualquer problema. O problema sim é que isso é o que se passa na Câmara há muito tempo, e é em essência a imagem que fica da gestão PSD da autarquia: Desorientação; Navegação à vista.
Enfim, desculpa-se a confusão de Carlos Carrão, como várias outras pequenas confusões que parece ter ao longo da entrevista. Aliás, a única coisa que não oferece qualquer confusão da sua entrevista é que ainda não superou (e como poderia, depois de todos os anúncios que fez!) o facto de ter sido preterido, e apesar de não dizer com todas as letras como fez o vereador Ivo Santos, lá se depreende da entrevista, que na sua cabeça vai um “ainda vou ser presidente da Câmara.” Será que isso faz parte da por aí falada trama? Que Carrão aceitou ser segundo, com a promessa de Corvêlo sair a meio, deixando-o como presidente?
Não sabemos, e estamos habituados a que o PSD em Tomar não diga ao que vai, mas seria bom que o independente Corvêlo de Sousa dissesse claramente ao que se está a candidatar: a um mandato de quatro anos, ou ao que der?
Por fim, nessas tais equipas do PSD, onde estão os mesmos desde 1997, os mesmos que têm atirado o concelho para este amorfismo e esta banalidade a que vimos Tomar chegada, esses mesmos que nas palavras do agora também independente vereador Ivo Santos, têm “ausência de rumo, de projecto, de ideias”, a par de “peripécias, equívocos, falsidades e contradições”, são os mesmos (e os que saiem não limpam responsabilidades) que agora dizem que vem aí um mundo novo, que agora é que vão fazer isto e aquilo, e que agora, a três meses das eleições, é que apresentam planos e estratégias.

Haja vergonha.
É que só uma boa dose de falta de vergonha pode permitir às mesmas pessoas, as pessoas responsáveis pela degradação do concelho, e da ilusão que não, que está tudo bem, se apresentem novamente a eleições! Terão desta vez ao menos um programa? Ou como já vai parecendo, e como outros já fizeram, irão copiar o do PS? Lembram-se agora dos núcleos urbanos das freguesias, lembraram-se agora dessa dignidade que a todos os cidadãos é merecida; lembram-se agora do mercado; lembraram-se agora de melhor investir na cultura, de articular e aproveitar as sinergias instaladas, das associações culturais por exemplo. Enfim, passou-lhes agora pela cabeça muita coisa que em doze anos andou esquecida.
Nada disso contudo importa, a razão em Democracia está sempre do lado dos cidadãos. É a estes que importa perceber quem tem as melhores equipas, as melhores ideias, as energias renovadas, a visão e a capacidade para dar um novo impulso a Tomar. É aos cidadãos também, aos tomarenses, que cabe saber que memória têm, e que rumo querem para o seu concelho e para si mesmos. Se querem tudo na mesma, ou se querem a mudança. Eu, será escusado dizer o que penso, mas digo apenas que para mudar, Todos Somos Precisos, e dia onze de Outubro não basta ter vontade nem ter razão, é preciso ter apoio. E você, de que lado está?

quinta-feira, julho 02, 2009

o matemático que quer ser maestro

Ainda não li, nem sei se é entrevista ou reportagem, mas O Templário desta semana traz o Pedro Antunes na capa.
Os parabéns ao Pedro (recentemente chegado cá ao clube dos trintões) pelo doutoramento e prémio Jovem Investigador (algo ao jeito de investigador do ano) atribuído pela Universidade Técnica de Lisboa, já foram dados em devido tempo.
O que aqui se destaca e parabeniza é o jornal, não só pelo assunto, mas por lhe dar atenção de capa. Por vezes parece que a linha editorial é mais para o lado da desgraça, quando pelo contrário o que o país e o nosso concelho muito em particular precisa, é de inspiradores exemplos de sucesso. E nesse como noutros temas, a comunicação social tem um papel importante a cumprir.

Depois, como referi ainda não li... mas giro giro, era se o Pedro tivesse contado uma certa história de um certo concurso num certo Politécnico. Em Tomar, para se vencer certas mentalidades e certas práticas, nem sendo o melhor do mundo!...