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quinta-feira, dezembro 06, 2012

zombies


Em dezembro de 1982 os mortos vivos de Thriller invadiram rádios, tv's, walkmans, e os leitores de cd's que também surgiram nesse ano.
O albúm Thriller de Michael Jackson, onde se inclui este fantástico single com o mesmo nome, foi "um disco que mudou para sempre a indústria do entretenimento, redefinindo o que é isso de ser estrela pop, ao mesmo tempo que influenciou gerações sucessivas. Foi há 30 anos. E ainda hoje é o álbum mais vendido de sempre." ler mais no Público.

(Hoje que todos comentam nas redes a morte do genial Óscar Niemeyer, parece-me apropriado lembrar outro defunto imortal)

Bom dia de chuva!!

sábado, dezembro 01, 2012

1º de dezembro


Hoje comemora-se a independência do nosso país em 1640.
Um país com tantos séculos de história não pode desprezar os seus marcos e emblemas identitários. O 1º de Dezembro deve continuar a ser feriado.

sexta-feira, outubro 05, 2012

a nossa República

Aproveite-se para festejar e reivindicar enquanto ainda há... É que se começa a perceber que querer acabar com o feriado tem lógica, porque o Governo quer mesmo é acabar com a República!

Mas Passos Coelho nesta matéria é coerente, até arranjou maneira de não estar no país e é, salvo erro, a primeira vez que um chefe de Governo não está nas comemorações do regime.
Será que tem a noção que é este sistema político que lhe permite desempenhar as funções que ocupa*?

A coisa está tão má, e o medo de sair à rua é tanta, que até as comemorações do 5 de Outubro foram "privatizadas".

Entretanto a bandeira tem de ser alterada porque o verde da esperança foi-se, ficou só o vermelho do sangue!

*Ocupa, porque há uma diferença entre ocupar e desempenhar, e alguém que faz o que está a fazer não desempenha as funções de Primeiro-ministro, apenas as ocupa.

quarta-feira, setembro 05, 2012

quarta-feira, agosto 15, 2012

estranho mundo

Hoje, dia 15 de Agosto, o Estado português, laico, celebra talvez pela última vez, o facto de uma "virgem" ter levantado voo depois de morta. Tem lógica...

Entretanto foi neste dia em 1969 que se deu início ao mítico Festival de Woodstock, o festival da música pela paz.

Mas hoje, 2012, temos um estado, a Síria, que mata massivamente os seus cidadãos, enquanto o mundo assiste.
Na Europa, temos uma senhora alemã (não deve ser por muito mais tempo) que se acha rainha do império, enquanto em poucos países, essencialmente Portugal, os seus líderes ainda acreditam que seguir piamente os desejos da senhora será a melhor forma de permanecerem, mesmo estando-se "a lixar para eleições", mais tempo no poder, isto porque, acreditam, a maioria dos que não votariam neles, já terão emigrado quando chegar o dia de eleições que, a continuar assim, chegará mais cedo do que esperavam.

Resto de bom feriado!


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quarta-feira, maio 09, 2012

europa a mudar de rumo

Em dia da europa, a minha "nota do dia" na rádio Hertz.

«Estive uma semana ausente do país, semana em que fiz o máximo para saber o mínimo do que quer se passasse por cá. Mas uma semana ausente pode parecer uma eternidade… de regresso, parece que Portugal é um país subdesenvolvido com notícias de multidões a digladiarem-se por enganosas promoções de supermercado, onde se destroem leis de concorrência e se prejudicam os produtores que acabam por ser quem paga a dita promoção e, a médio longo prazo será também o consumidor quem é prejudicado. Para mais, ao que consta, os primeiros produtos a esgotarem-se foram as bebidas alcoólicas.

Enfim, deixemos as nossas tristezas lusas e avancemos para outras mais globais. Hoje, 9 de maio é dia da Europa. Foi a 9 de Maio de 1950, meia dúzia de anos depois do fim da segunda guerra mundial, guerra essa nascida na europa e à europa essencialmente afetando, que Robert Schuman apresentou uma proposta para a criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Essa proposta ou, a "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.

Bom, mas, o que é hoje a união europeia e para que nos serve a nós portugueses? Que europa é esta neste contexto de crise mundial? Terá hoje a europa a capacidade de influenciar a política e as sociedades globais? Será ainda a europa o modelo para o desenvolvimento económico, social e cultural como o foi durante séculos?
São muitas questões, impossíveis de verdadeiramente abordar no espaço desta crónica. Fiquemos pela espuma dos dias e por algumas análises breves.

A verdade é que os tempos de grandes políticos europeus que tanto contribuíram para a construção europeia, políticos verdadeiramente líderes e com a dimensão de estadistas, como o foram o já citado Shuman, Jean Monet, Winston Churchill, Walter Hallstein, e depois Helmut Kohl, Mário Soares, François Mitterrand e outros, passou. Nos últimos anos a generalidade dos líderes tem sido pouco mais que medíocre, muito longe desses enormes estadistas, os de agora não têm feito mais que ignorar o todo europeu, preocupados sim com cada um dos seus quintais ou, nem isso, preocupados somente com os ciclos eleitorais e com a manutenção do poder. Basta analisar a tão deficiente resposta à crise global, quando há tanto ela já se adivinhava, e a forma elitista e imperial como os países mais fortes têm imposto medidas aos países mais fracos, esquecendo que é muito à conta destes que se têm desenvolvido. Esta tem sido a Europa de, entre outros, Durão Barroso, Berlusconi, Merkel e Sarkozi. Essa é a má Europa, a Europa dominada por governos de direita, paradoxalmente, muito liberais e conservadores, usando fórmulas politicoeconómicas comprovadamente gastas e erradas que, finalmente este fim de semana começou a desmoronar-se com a queda de um dos dois pilares até aqui mais fortes, a direita francesa de Sarkozy.

Mas não só, é verdade que na Grécia os gregos deram mais uns tiros no pé elegendo partidos de extremas direita e esquerda, sem que nenhum venha a conseguir formar governo, o que virá certamente a ditar novas eleições, cuja consequência quase inevitável será a prazo a sua saída da zona Euro.
Mas no reino unido o partido trabalhista venceu as eleições locais, nas eleições regionais na Alemanha, a esquerda ganhou a maioria e, claro, em França o PS ganhou e François Hollande é agora o presidente. Com a vitória de Hollande e as expetativas por este criadas, outros governos, outros países ganham motivação e dão sinais de querer mudanças. Até o primeiro-ministro português, Passos Coelho, oportunistamente veio falar de trabalhar com Hollande numa “agenda ambiciosa”.

A europa conservadora já treme, a ponto de apenas um dia depois o líder do eurogrupo ter vindo a terreiro dizer, numa atitude que é um claro grito de desespero, que o acordo orçamental é para manter.
Dias mais sorridentes parecem assim anunciar-se no horizonte, mas tal como a meteorologia, isto não é uma ciência exata. Forças contrárias começaram a digladiar-se na política europeia, e vá a Europa por que rumo for, haverá sempre tempestade no caminho. Fica a esperança de que com estes bons ventos de mudança soprados pelos eleitores franceses, a tempestade possa ao menos ser bastante mais curta.»

quinta-feira, março 22, 2012

gualdim

O meu primeiro clube  (a SF Gualdim Pais, apesar de não ter equipa de futebol) está a comemorar o seu 135º aniversário e as comemorações começam já este sábado com a inauguração do parque infantil da creche e jardim de infância.

O programa mais detalhado pode ser consultado no site da rádio Hertz.

quarta-feira, agosto 31, 2011

de eléctrico...

...é como nos chega hoje o Google.

Porque hoje se comemora o 110º aniversário da primeira linha de Carros  Eléctricos entre Cais de Sodré e Algés.


segunda-feira, julho 18, 2011

referência

"Ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite e melhore a liberdade dos outros."

 "Tudo parece impossível até que seja feito."


"Quando a água começa a ferver é uma estupidez tentar desligar o calor."


Nelson Mandela, 93 anos hoje completados, muitos deles de exemplo para a Humanidade.

sexta-feira, maio 20, 2011

Centenário Paraíso

foto vinda algures da net
O Paraíso faz hoje 100 anos. PARABÉNS!

Pode-ler-se um pouco mais sobre a sua história na notícia da rádio Hertz, no Tomar Actualidade e também no facebook.

Relembro ainda a proposta que fiz em Assembleia Municipal (e várias vezes relembrada posteriormente) em nome do PS, para que o Município homenageasse este que já não é um café, mas uma instituição. Que não aconteça não é estranho face à total inabilidade e desinteresse da actual Câmara, a começar no seu "líder" Corvêlo de Sousa. Mas mesmo não estranhando tem de ser lamentado. A vida em comunidade faz-se também destes momentos, e as melhores comunidades são as que não esquecem as "pequenas coisas".
Mas se a entidade "competente" não o faz, façamo-lo nós. O Paraíso hoje é local obrigatório.

"Atribuição da Medalha de Ouro Cidade de Tomar ao Café Paraíso

Desde Fevereiro de 2007 que o PS propõe a criação de um conjunto de condecorações a personalidades e entidades que pela sua acção junto dos tomarenses, importância ou contribuição para o prestígio do concelho de Tomar, se entendessem dignas desse mérito. Propusemos ainda que regra geral, essas distinções acontecessem em cerimónia a realizar no Dia da Cidade.
Finalmente aceite esse princípio, a Câmara não conseguiu contudo, ainda, produzir um regulamento que defina as normas e os princípios inerentes a essas distinções, bem como eventuais graus distintivos das mesmas. Ainda na última reunião desta Assembleia alertámos para o facto de que se nada se fizesse, chegaríamos a mais um “Um de Março” sem que esta acção se concretizasse, o que amanhã se comprova.
Apesar disso, esporadicamente, esta Assembleia Municipal já atribuiu no passado a Medalha de Ouro da Cidade de Tomar, e como a Câmara não parece interessada talvez seja melhor mesmo esta Assembleia assumir essa responsabilidade.

Nesse âmbito:
No próximo dia 20 de Maio, o Café Paraíso em Tomar completará 100 anos, passando assim a integrar o muito restrito grupo nacional dos cafés centenários.
Embora um espaço comercial, o Café Paraíso assume para a cidade bem mais uma importância social e cultural – e também turística – sendo uma âncora de excelência do centro histórico.
Resistiu às adversidades do tempo e às tentações fáceis de descaracterizações “modernizadoras”, simbolizando por isso também a valorização do património, seja ele o arquitectado como a vivência do mesmo.
O Café Paraíso é, por essa vivência social um marco indelével do século XX nabantino. Mas mais que o transacto, representa igualmente aquela que deve ser a capacidade tomarense de conciliar as memórias do passado com a acção pensada para o presente e futuro, estímulo e exemplo por isso para outros espaços, e para a capacidade de outros empresários e empreendedores.

Por todo o exposto, vem o PS propor que a Assembleia Municipal de Tomar delibere que:
seja atribuída, por ocasião do seu centésimo aniversário, a medalha de Ouro da Cidade de Tomar ao Café Paraíso.

Tomar, 28 de Fevereiro de 2011. 
O Grupo Municipal Socialista"

quarta-feira, maio 18, 2011

museus de ar

A minha nota de hoje na rádio Hertz pode ser ouvida no noticiário da Uma e seguintes, e ficará certamente depois na habitual página de arquivo.

Hoje, porque é Dia Internacional dos Museus, a crónica veio aterrar em Tomar ganhando por isso o nome que dá também título a este post.
Entre mais, falo também no centenário do Café Paraíso que se celebra depois de amanhã dia 20, e que a Câmara Municipal de Tomar, como tanto mais, faz de conta que não sabe.

Para quem quiser navegar um pouco aqui fica também o link para a página do Instituto dos Museus e da Conservação

quarta-feira, abril 20, 2011

"...nem se governam nem se deixam governar"

Ainda há dias chegaram os senhores da troika, e tomem lá, levam já com 5 dias de férias. E depois querem negociar melhores juros e condições e blá blá blá... rico exemplo!
Não chegava ser feriado na segunda, mas obviamente porque a sexta-feira "santa" é um feriado que além de justo é muito comemorado (para que não haja dúvidas estou a ser irónico), é preciso dar ainda a ponte de quinta à tarde.
Isto ainda para mais quando, comemoramos hoje precisamente o centenário da Lei da Laicidade do Estado. Algo que todos sabemos que é cumprido até à exaustão............... (estou a ser irónico outra vez)

Dizer o quê, somos portugueses pá, vivemos no país dos brandos costumes, os finlandeses e os outros que paguem os nossos luxos!

sexta-feira, março 18, 2011

Hoje é dia...

... Mundial do Sono.

Que como está visto, chega a todos, até aos grandes.

Bom, eu sempre tive o hábito de usar o sono em pequenas doses mas nos tempos mais recentes, por razões muito diversas, tenho sofrido muito daquela maleita que é tê-lo quando não devo e quando devo... nem vê-lo.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Soares é fixe!


O retrato oficial no Palácio de Belém
nascido do pincel de Paula Rego
FOI HÁ 25 ANOS.

"Às oito da noite de 16 de Fevereiro, as primeiras projecções apontavam tendência para vitória tangencial de Freitas. Creditavam-lhe 49,5 a 51,5% dos votos, enquanto Soares surgia com 49 a 50,5%. Mas, quando, já depois da meia-noite, o apuramento ficou concluído, Soares, com 3 milhões e 10 mil votos, atingia 51,1% e estava eleito com 138 mil votos de vantagem sobre o adversário.

A meio da manhã do dia seguinte, segunda-feira, 17 de Fevereiro, a carrinha de uma florista parou à porta da casa de Freitas na Quinta da Marinha. Ia entregar ao candidato derrotado um enorme ramo com mais de 100 flores. Dentro de um envelope, seguia um cartão manuscrito com cumprimentos ao casal Freitas pelo empenho “na brilhante campanha”. Remetente: o “amigo e admirador” Mário Soares." retirado daqui

Lembremos que na reeleição seguinte, em 1991, atingiria 70,3% dos votos.
Em 2005, apesar dos resultados e da opinião de muitos, voltou a mostrar-se grande, com uma magistral lição de disponibilidade e humildade democrática.
 
Mários Soares não é apenas o melhor e maior político português dos últimos 50 anos, é também dos mais lúcidos, coerentes e visionários. Sempre atento, sempre presente, sempre jovem.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

desejos de ano novo

Votos para 2011 solicitados pelo jornal Cidade de Tomar e publicados na sua edição de 31 de Dezembro. (presumo, uma vez que ainda não vi os jornais locais da passada semana)

Nunca gostei, ainda para mais neste tipo de solicitações, de formular desejos materiais. Apesar de sabermos que o próximo ano vai ser ainda difícil nacional e mundialmente. Localmente, além das questões relacionadas com a crise temos também as estruturais que há anos afectam o nosso concelho. E este ano temos ainda a lamentar o tornado que atravessou Tomar e que fará mais difícil o Natal de muitas famílias, com efeitos em muitas delas a prolongarem-se por 2011. Por isso, porque apesar da ambição não devemos sucumbir à ilusão, é realista que os nossos desejos se centrem em que esse que chega, ao menos não seja pior do que este que termina. Por muito que, por exemplo ao nível salarial, boa parte de nós vá sentir já em Janeiro o cinto apertar mais uma vez.

Atravessamos a maior crise económica e social de que há memória na história humana, mas como em todas as outras temos apesar de tudo, de conseguir encontrar as forças necessárias para superarmos as dificuldades. E é possível fazê-lo, sem cedermos ao pessimismo, melhorando a capacidade de gestão das nossas vidas pessoais, centrarmo-nos nas coisas realmente importantes da vida, focando-nos mais na vivência comunitária, na partilha, na efectiva existência social, com desapego às questões materiais e consumistas que infelizmente se tornaram primordiais para tantos.

É nas horas mais difíceis ainda mais importante apelar àquilo que nos faz mais humanos: à Solidariedade, à Tolerância, à Disponibilidade de uns para os outros. Mas também à Cidadania, à participação, ao combate ao alheamento generalizado dos cidadãos perante as questões políticas e sociais, que só agrava as contrariedades.

Se criarmos e potenciarmos em cada um de nós estes valores, por maiores que sejam as dificuldades materiais individuais, vamos colectivamente ser uma melhor comunidade, com melhor qualidade de vida, obrigando além do mais as entidades públicas a ter melhores prestações naquele que é e deve ser o seu serviço à sociedade.

E o que se aplica genericamente para o país, aplica-se muito em particular a este concelho médio/pequeno, amorfo e conservador que somos e que, ao contrário de ficarmos à espera do que outros possam fazer por nós, começará por ser sim, aquilo que nós que cá vivemos dele fizermos.

Numa frase, o que desejo é que todos queiramos e nos disponibilizemos para fazer mais.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

imortalidade


Faz hoje 30 anos que John Lennon foi assassinado por um louco, ali à porta do edifício Dakota do lado oeste de Central Park.

Na foto ao meio, mesmo em frente ao Dakota mas já dentro de Central Park numa zona intitulada Strawberry Fields como a música de Lennon que lembra o orfanato onde brincava na infância, existia uma das 3 estátuas do músico no mundo. Yoko Ono contudo, que ainda mora no Dakota, não gostava de abrir a janela e ver a cara do falecido marido ainda para mais coberta de excremento de pombo e por isso exigiu a sua retirada. Hoje existe apenas um ladrilho com a palavra IMAGINE, todos os dias decorado de forma diferente por um fã que disso faz vida e visitado por centenas de outros todos os dias.

A estátua está agora junto a uma escadaria do aeroporto de Liverpool, a segunda está em Havana, e a terceira é esta em baixo, também em Liverpool, à entrada do The Cavern, o bar que deu início à carreira dos Beattles.

domingo, outubro 10, 2010

Res Publica

(artigo publicado a 8 do presente no jornal Cidade de Tomar. Embora escrito há mais tempo.)


Com influência anterior da Grécia antiga, vem dos romanos a expressão que dá título a este texto. Quer dizer algo como “coisa pública” ou “coisa do povo” e anda normalmente de mãos dadas com outro termo muito importante: a Democracia.
Em Portugal, a Implantação da República cujo centenário comemoramos no próximo dia 5, resultou do golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português com forte influência e participação de outras forças progressistas como a Maçonaria ou a Carbonária, pondo assim fim ao sistema de Monarquia Constitucional então existente.
Além de razões ideológicas, várias eram as questões políticas e da governação que impeliram as vontades dos revolucionários e fizeram colapsar esse regime. A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos (a célebre questão do “mapa cor de rosa”, que veio a dar origem ao poema A Portuguesa, depois usado em parte para o hino da República); os gastos elevados da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social com a sucessão de governos fracos e que viria a findar na breve ditadura de João Franco que durou quase até ao fim da monarquia.
A República apresentava-se então como o regime que seria capaz de voltar a dar a Portugal algum do prestígio há muito perdido e um caminho de progresso que até então fugia ao país. É dificilmente contestável para quem analise a história, o facto de que foram as últimas décadas da monarquia, a par com os mais recentes quase cinquenta anos do regime salazarista, aqueles que mais atrasaram o país e o afastaram da frente de desenvolvimento europeu.
A passagem da monarquia para a República marca uma mudança essencial na filosofia da existência do ser humano: a passagem da condição de súbdito de alguém, tendo esse alguém adquirido essa condição de soberano apenas por ter “nascido rei”, para a condição de cidadão igual aos demais perante o Estado, em direitos e deveres, em liberdades e garantias – a filosofia difundida com a revolução francesa, em que todos os homens nascem livres e iguais. É verdade que esse caminho não foi imediato, várias têm sido as conquistas ao longo dos anos, algumas só já nos fins do século 20: a igualdade de género, por exemplo nas questões laborais ou mesmo entre cônjuges; a universalidade do direito de voto, a laicização do Estado.
E esse é um caminho em permanente construção, tal como a Liberdade não pode ser nunca entendida como uma verdade adquirida, mas como uma conquista que permanentemente deve ser defendida. Especialmente no que toca aos direitos e garantias de grupos minoritários, sempre mais difíceis de transmitir à maioria os cidadãos e que a todo o momento vão sendo alargados. Basta lembrar por exemplo, que só recentemente todos os cidadãos independentemente da sua orientação sexual, passaram a ser iguais perante a Lei no que toca ao casamento. Ou que para ter direito ao divórcio, basta que um dos cônjuges o deseje – o que a mim sempre me pareceu evidente, mas para a Lei não era.
É por isso e mais que todos sabemos ou deveríamos saber, que nos nossos 100 anos de República nem todos foram verdadeiramente de Democracia, nem todos foram de progresso. Foram conturbados os primeiros anos do século 20 português, também influenciados pelo que pelo mundo se passou: as guerras mundiais; a grave crise económica e social de 1929 (a Grande Depressão), a maior até à que agora vivemos; como foram conturbados os primeiros anos do pós 25 de Abril, especialmente durante o PREC. E temos de recordar que metade do século republicano que agora comemoramos foram vividos numa espécie de ditadura – e digo “espécie” porque para se fazer uma avaliação justa não poderemos dizer que tudo foi mau, admitindo que ao menos nos primeiros anos da governação de Salazar houve aspectos positivos, na estabilização económica do país por exemplo.
A centenária República do nosso já quase milenar país, esteve assim longe de ser perfeita. Mas é verdade que muito se passou nestes 100 anos e devemos lembrá-lo. No acesso universal à educação, à saúde, aos direitos laborais, no direito à reforma, no direito ao ócio ou lazer, no acesso à cultura, na liberdade religiosa, na qualidade de vida em geral. Claro que poderá ter havido alguns exageros, a todo o momento é preciso criar equilíbrios no sistema, é difícil pensar em alguns direitos se não houver dinheiro para comer. O Estado somos todos.
Talvez por isso, talvez por nada, os pessimistas do costume e um certo negativismo português dirá: isto está é cada vez pior, ganhamos mal, trabalhamos muito, reformamo-nos tarde, etc. Mas qualquer análise isenta mostrará que não é assim, basta a qualquer um de nós olhar à volta e reflectir, pensar como viviam os nossos pais, os nossos avós. Como eram as suas casas e o que lá tinham, o que comiam, o que vestiam, o que sabiam do mundo; quantas crianças morriam à nascença, quantos morriam por doenças estúpidas, quantos morriam em guerras que não entendiam; qual era a esperança média de vida; como eram as suas profissões, quantas horas trabalhavam, o que faziam nos (poucos) tempos livres, e por aí fora.
Há evidentemente muito a fazer, como redescobrir o papel de Portugal no mundo. Abandonar esta posição de periferia em que sistematicamente nos colocamos – durante a ditadura “orgulhosamente sós” a querer ser grandes com as colónias esquecendo o resto do mundo; depois de 1974 a querer muito ser europeus e só para aí voltados.
Esquecemos tantas vezes as lições da história, por exemplo que só fomos minimamente “grandes” quando fomos um dos centros do mundo, quando no tempo áureo das descobertas éramos porto de chegadas e partidas. Só o movimento produz algo. O mesmo podemos aplicar a qualquer região, cidade, aldeia. Como a Tomar, que por várias razões perdeu a sua centralidade e chegou ao século 21 numa espécie de periferia onde as pessoas se deslocam como a um museu. Felizmente parecem começar a existir a vários níveis, ainda ténues é certo, mas alguns sinais de mudança. Ou ao menos a consciência da necessidade de mudar. E assim é também no país, que não quer deixar de ser europeu, mas que cada vez mais tenta ser uma porta da velha Europa para África e para a América brasileira, tirando partido deste grande espaço mundial que é o da Língua Portuguesa.
Por tanto mais, a República deve ser comemorada, estimulada. “E pur si mouve”, diria Galileu, “e no entanto ela move-se”. Assim é com a nossa sociedade, lentamente, umas vezes mais que outras, mas o progresso existe.
Será sempre preciso defender a República, a Democracia, a Liberdade. Por vezes de ameaças veladas, mascaradas, como os que querem transformar direitos que devem ser de todos, em regalias que variam consoante a conta bancária. Basta ver o que alguns agora propõem para alterações na nossa lei fundamental, a Constituição.
Ou como algumas tendências demagógicas baseadas em populismo boçal, que pretendem fazer esquecer coisas essenciais: em Democracia somos governados por representantes eleitos – não por técnicos, não por conselhos de administração, não por homens providenciais, não por regras de mercados desregulados.
A todo o momento, sublinho, deve cada um de nós, no seio das nossas comunidades, nos nossos locais de trabalho, estimular a República e a Democracia, e só assim manteremos vivos e actuantes os ideais de 5 de Outubro de 1910, os da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade, na demanda do timbre da Justiça e da Verdade, da Honra e do Progresso. E sonhando com o futuro, sempre, porque “sempre que o Homem sonha, o mundo pula e avança”.

sexta-feira, outubro 01, 2010

chícharo


A Assembleia Municipal já acabou há umas horas, mas só agora consegui chegar a casa, é o costume.
Daqui a umas horas saio para o Porto, com paragem prévia na Freixianda.
É que hoje é o Dia Mundial da Música, e os alunos da Freixianda vão até à Casa da Música ouvir concertos, aproveitando para visitar também o Museu de Serralves.


À noite a música continua. Os nabantinos drama&beiço actuam hoje pelas 22h30 no Festival Gastronómico do Chícharo em Alvaiázere, precedidos às 21h por Fernando Tordo. Lá estarei a provar umas iguarias.



quarta-feira, setembro 15, 2010

SNS

Nesta época em particular, em que por via de revisões constitucionais e afins, alguns tentam acabar com o Serviço Nacional de Saúde, quando o que acontece pelo mundo fora é precisamente o contrário, convém lembrar que este organismo a que muito criticamos mas que é referência internacional, faz hoje 31 anos. Era então no Governo liderado por Mário Soares, Ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, para sempre conhecido como o pai do SNS.

quarta-feira, julho 07, 2010

Lembraram-me agora que o meu blogue faz hoje anos. Está a ficar crescido.