Mostrar mensagens com a etiqueta CMT. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CMT. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, maio 22, 2020

O novo, novo ano letivo.

Texto publicado na edição de 22 de maio no jornal Cidade de Tomar.

Nestes tempos inesperados, todos os dias são dias de inovação e planeamento tentando a todo o momento reinventar procedimentos, formas de trabalho, formas de estar e lidar com os outros.
A educação é uma área onde isso sempre acontece, o setor do ensino tem sempre o mais possível de estar à frente, de antecipar a sociedade e as comunidades com as suas muitas vicissitudes, as suas muitas perspetivas e multiplicidade de necessidades.
Uma vez mais, nesta pandemia que atravessamos e que podia ser em teoria antecipável, mas na prática pouco admissível de que acontecesse nos nossos tempos de vida, a verdade é que aconteceu, está a acontecer, veio para ficar, e a educação uma vez mais foi dos setores que mais depressa teve de reagir.
E teve que reagir, naturalmente por ser a sua missão, mas ficando uma vez mais expresso o quanto a sociedade de imediato sentiu a sua necessidade, sentiu a falta da escola, dos professores e educadores que tão bem têm estado à altura dos desafios, e sentiu falta do tão mais que o ensino que a escola resolve e tantas vezes sem o devido reconhecimento.
A situação que atravessamos está para durar, e o próximo ano letivo, naturalmente com muitas indefinições, vai iniciar e provavelmente decorrer todo o ano com essas condicionantes, muito semelhantes ao término do atual.
Provavelmente, apenas algumas disciplinas presenciais. Alguma redução de alunos por turma, que não pode ser muita porque as escolas não estão fisicamente preparadas para isso (nem é em muitos casos possível fazê-lo), e porque, convenhamos, o mau planeamento de anos e que durante alguns fez existir excesso de professores, começa agora a fazer-se sentir a sua falta, em algumas disciplinas já com maior relevo, pelo que um aumento nacional de turmas muito elevado traria outros problemas de organização.
Também, provavelmente, e esse é um dos aspetos que considero positivo, o maior uso do online, quer para aulas quer para realização de tarefas, veio seguramente para ficar.
Por Tomar, há desde logo que transmitir a maior confiança nos nossos agrupamentos escolares, nas suas direções, nos professores, nos funcionários municipais, na sua capacidade de trabalho e determinação em cumprir com zelo a sua função em prol dos alunos e das suas famílias, e agora muito em prol da sua saúde.
O ano letivo começará com outras mudanças que já estavam programadas. O processo de descentralização na área da educação está em curso e, para já, as orientações são de que continue, o que desde logo diz que 2 das 3 escolas que são ainda propriedade e responsabilidade do ministério passarão para a alçada do município – a EB23 Gualdim Pais e a ES Santa Maria do Olival, ficando de fora apenas a ES Jácome Ratton por estar no contrato da Parque Escolar;
Os sessenta e alguns funcionários não docentes que ainda pertencem ao ministério, colocados nas duas escolas secundárias; virão juntar-se aos cerca de 140 municipais colocados nas restantes escolas do concelho;
A generalidade dos contratos que estavam ainda na alçada do ministério, passarão a ser realizados e geridos pelo município. Este é um dos processos que nos acarreta grande trabalho, estamos a falar de dezenas de procedimentos, com especial enfoque pela sua dimensão, no contrato de fornecimento de refeições de todas as escolas a partir do 5º ano de escolaridade que já estamos a preparar (no 1º ciclo e pré-escolar já era responsabilidade do município, em muitos casos ainda feito por delegação nas associações de pais);
A nível de instalações, como há muito sabido, os alunos, docentes e funcionários da EB1 Infante D Henrique, transitarão para a EBI Santa Iria, estando já o processo de obras de adaptação a decorrer. Estamos com a Associação de Pais a fazer todos os possíveis para que também o ATL decorra já nessas novas instalações ainda durante parte do verão;
O novo Centro Escolar da Linhaceira, que vem eliminar 3 edifícios e um contentor sala de aula está em fase acelerada de conclusão, e se nenhum contratempo surgir, abrirá também com o novo ano letivo.
Como já referi, o crescimento do uso do computador e da internet será neste contexto ainda mais veloz, e por isso, trabalharemos para continuar a dotar as escolas com mais equipamentos para uso local, ou se necessário para empréstimo aos alunos. Espera-se que o Governo também faça mais nesta matéria, uma vez que há mais de uma década, desde o Plano Tecnológico da Educação, o Magalhães e outras iniciativas de grande importância, não há investimento do Estado central nestas áreas.
E claro, haverá seguramente mais investimento em equipamentos e soluções que aumentem a segurança das condições de saúde de todos os envolvidos nas escolas, a começar nos alunos.
Uma vez mais, confiança. Quase tudo nas nossas vidas são hábitos e costumes sociais. Esta situação veio, já o disse, para ficar por muito tempo e, portanto, temos dia a dia de aprender a viver com ela. Ganhar novos hábitos, construir aos poucos uma nova realidade. Assim será nas escolas. Sem dramas, a enfrentar mais esta crise, juntos como comunidade.
Em Tomar, no arranque do ano letivo, os cerca de 3250 alunos de pré-escolar, ensino básico e secundário; 400 professores e educadores; 300 funcionários não docentes, outros técnicos, direções de associações de pais e algumas dezenas de funcionários nelas, todos os que compõe a comunidade educativa, vão estar o mais preparados possível para esta nova realidade.
Claro que, por mais que planeemos e preparemos, é sempre preciso lembrar o que nesta situação é mais evidente, mas que acontece sempre na escola como deve acontecer na vida: todos os dias estamos a aprender e a adaptar.

quinta-feira, maio 07, 2020

Associativismo em tempos de pandemia.


Texto publicado na edição de 8 de maio do jornal O Templário

O associativismo é, como costumo dizer, o espelho de um território, duma aldeia, duma comunidade, e estes tempos difíceis vão provavelmente obrigar a que as coletividades e demais associações, duma forma geral, se reinventem uma vez mais.
Vão ter de ser os associados, os utentes, os praticantes, os amigos, seja lá que condição for de cada uma dessas entidades a mostrar que querem mantê-las vivas, e a fazer a sua parte.
A dar de si com aquilo que cada um puder. É esse o espírito do associativismo, das coletividades. Associar, fazer pelo coletivo.
Por parte do município naturalmente que a preocupação é grande. Tomar é como costumamos dizer, um concelho muito rico em associativismo, e no qual as suas 200 e muitas associações têm um peso social muito importante na comunidade.
Das expressões culturais e patrimoniais, às imensas modalidades desportivas, da ação social ao lazer, da juventude à educação, a áreas empresariais e mais, é todo o espectro da atividade humana que é abrangido por estas entidades onde a larga maioria dos cidadãos está presente de forma voluntária e abnegada.
Ora, as dificuldades que seguramente estas entidades estão e vão atravessar preocupam-nos, não apenas por toda a panóplia de atividades pontuais ou regulares que estão em causa, mas também muito pela questão económica. Várias destas associações representam no seu conjunto umas centenas de postos de trabalho direto e são importante motor para muitos outros negócios.
No entanto, muitas delas estão sem qualquer receita para fazer face aos compromissos mensais que detém. E não se sabe realmente quando e em que condições vão poder retomar, seja a atividade regular de cada um dos seus casos, sejam os eventos programados.
Da parte do município – e relembro que nos últimos anos temos vindo a aumentar o apoio financeiro global através do Programa de Apoio ao Associativismo (PAA) assim como outras formas de apoio, nomeadamente logístico – definimos algumas medidas para o imediato e para o ano presente.
Desde logo, mantivemos todos os valores de apoio aprovado para 2020, mesmo sabendo que no que se refere às atividades regulares elas não estão a ser realizadas;
também a suspensão da necessidade da entrega do Relatório de Prestação de Contas para receber apoios, até porque não há possibilidade de realização das assembleias gerais em tempo útil;
Aprovámos ainda a possibilidade de alteração de atividades candidatas e contempladas no Programa 2 do PAA e não efetuadas, para outras atividades a realizar durante o 2º semestre do ano. E estamos a antecipar pagamentos, que, como já referi, aconteceriam depois das atividades realizadas.
Esta pandemia alterou toda a nossa realidade, o mundo não vai voltar a ser o mesmo, por muito que se calhar parte da população ainda não se tenha verdadeiramente consciencializado das implicações para os próximos anos.
A mudança não ocorre apenas por imposição legal e enquanto não existir uma cura ou uma vacina. A mudança ocorre muito porque vai ser preciso restaurar a confiança de grande parte da população em participar em eventos, em estar junto com outros e nomeadamente com pessoas que não se conhece.
E provavelmente, para os próximos anos a tipologia de eventos vai ter de mudar. Neste momento as questões são mais que as certezas. Todos, sejamos responsáveis públicos e políticos, sejamos dirigentes associativos ou outros agentes envolvidos, temos obrigatoriamente de refletir e pensar em algo novo.
Poderemos ter nos próximos dois anos grandes eventos com concentração de pessoas?
Vamos poder ter eventos desportivos com enchentes em estádios, piscinas ou pavilhões? Vão as atividades desportivas coletivas, nomeadamente nos escalões da formação sofrer grandes perdas de praticantes, até por receio dos pais?
Vamos ter feiras, festivais de rua, festivais de verão, em que moldes? Ou até eventos que estão entranhados nos hábitos sociais, como as festas populares, vão poder acontecer nos mesmos moldes?
São muitas as questões, são muitas as incertezas, que todos coletivamente vamos ter de saber enfrentar e resolver ao longo dos próximos largos meses. No fundo, encontrar soluções coletivas para novos problemas, no bom espírito que sempre esteve ligado ao associativismo.

quinta-feira, abril 23, 2020

Educar em tempos de pandemia

Texto publicado no jornal O Templário de 24 de abril


Nestes tempos absolutamente incomuns, a educação é uma das áreas, como de costume, que está na primeira linha da ação e da necessidade e capacidade para se reinventar.
A educação é a base transformadora e impulsionadora de uma sociedade, e continua a ser a melhor forma de promover igualdade de oportunidades, de atenuar diferenças sociais e promover a chamada elevação social. E em boa verdade, as escolas são também quem garante em larga parte a disponibilidade das famílias para tudo o resto, desde logo para o trabalho.
Por isso estas semanas têm sido de uma força regeneradora e solucionadora que muito se deve a todos os profissionais envolvidos por todo o país e que enquanto sociedade nos deve orgulhar.
Tenho plena confiança nos meus colegas docentes, nomeadamente nos que prestam funções no nosso concelho, nas nossas escolas, assim como nas suas direções e demais órgãos de chefia e coordenação para esta capacidade de se transformar e adaptar e ter sempre como grande objetivo, independentemente dos instrumentos e da largura de banda (risos), o de transmitir conhecimento, e ajudar a formar cidadãos e futuros profissionais.
E isso é o que tem estado a acontecer. Não de forma imediatamente perfeita como é evidente. Nada, muito menos nesta situação o consegue ser. Mas a enorme capacidade de em tão pouco espaço de tempo todo o sistema se conseguir reinventar e adaptar é impressionante, e não tenho dúvidas que também aqui, seremos dos países do mundo que melhor o estão a conseguir.
Aulas à distância, envio de tarefas por mail, por telefone, pelos agentes da escola segura ou por outros meios, agora também a nova telescola – é todo um sistema que na adversidade cria oportunidades que, nomeadamente num aproveitamento ainda maior da capacidade das tecnologias virá seguramente para ficar.
Da parte do município estamos também e com as direções dos agrupamentos a reinventar e encontrar recursos, tendo muito presente precisamente a atenuação de diferenças e assim tentando chegar a quem mais precisa.
Desde o empréstimo de equipamentos informáticos e ligações de internet, à entrega em take way ou ao domicílio de refeições (neste momento já na casa da 260 diárias), aqui também com a colaboração importante da generalidade das juntas de freguesia. E outros grupos da comunidade que se vão organizando para contribuir também.
Dia a dia vamos ter de reinventar soluções, e por mais que o repita, a necessidade é mesmo essa, reinventar, adaptar, transformar.
Por exemplo, estamos a pensar num modelo, que aqui deve contar com a colaboração de (pelo menos algumas) associações de pais, para que não aja interrupção de ATL durante o verão, muito como forma de auxiliar as famílias que vão precisar de ter onde deixar as suas crianças, mas também como forma de auxiliar algumas dessas associações de pais que se viram sem receitas durante este tempo.
Enfim, pensamento e atitude positiva, sabendo que existirão sempre falhas pontuais, mas que a energia de mudança é grande, saibamos fazer também aqui num enorme espírito coletivo, desta crise uma oportunidade para nos transfigurarmos mais uma vez, e ressurgirmos melhores. Eu sei que o vamos conseguir.

segunda-feira, dezembro 09, 2019

habitação, direito essencial

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 6 de dezembro.

“As casas são construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas.”
Francis Bacon 

O Bairro 1º de Maio (Salazar de seu nome, até 1974) assinalou em outubro 70 anos de existência. Uma boa oportunidade para, a exemplo do texto recente que escrevi sobre educação, e de outros que se pretendem em semanas próximas, fazer um balanço de seis anos autárquicos, neste caso na área da Habitação. 

Quando chegamos à liderança da gestão autárquica em outubro de 2013, o município de Tomar detinha cerca de 160 fogos de habitação social, essencialmente concentradas nos dois bairros propriedade do município. O já referido (100 fogos) e ainda o Bº Nossa Senhora dos Anjos (50 fogos, junto aos estaleiros municipais, popularmente conhecidos como FAI), e mais meia dúzia de situações espalhadas no centro histórico. 

No município, em pleno século 21, não existia sequer regulamento para atribuição e gestão dessas habitações, bem como do elencar de direito e deveres dos inquilinos. 

Aliás, não deixa de ser revelador que no município de Tomar, até 2013, praticamente 100% da habitação social existente no município foi concretizada durante o Estado Novo… 

Em contraponto, o mandato anterior (2013/17) foi aquele em que, pelo menos depois de 1974, maior número de famílias foi realojado, fruto também da grande recuperação de casas para posse do município e de obras efetuadas, onde, diga-se, a colaboração da junta de freguesia urbana foi também muito importante. 

E não falamos, como alguns pretendem fazer crer, de etnia cigana. Não, a larga maioria das casas que atribuímos (sempre por concurso público!) no mandato anterior foram a famílias que não pertencem a nenhuma etnia. Alguns, por motivos populistas, tentam continuamente levar o assunto para a temática dos ciganos. Ora perante a Lei, e para qualquer cidadão bem formado, há seres humanos. Mais nada. Mas lá chegarei a essa temática. 

Regressando ao tema da habitação como um todo, lembremos que mesmo noutros modelos, em Tomar existiram apenas enquanto uma cooperativa, a Nabância, trabalhou para esse fim, e foi importantíssima para que centenas de agregados familiares tivessem tido nos anos 80 e 90 habitação “mais em conta”. Mas não só, igualmente importante para “obrigar” a um controle de preços face à oferta existente no mercado. 

Pelo contrário, e também fruto de mau planeamento urbanístico, e face à execução de um conjunto de instrumentos de gestão do território, nomeadamente um elevado número de planos de pormenor, irrealistas, fantasiosos, que além de especulação imobiliária não tiveram nenhum outro resultado que não fosse a concentração de construção em pouquíssimos construtores, que assim praticaram os preços que bem entenderam ao longo das últimas duas décadas. 

O desleixo ou desinteresse político (é preciso que se note que os serviços de municipais de habitação eram praticamente inexistentes até 2013 e só atualmente existe um gabinete de habitação na estrutura orgânica do município) fizeram com que boa parte das casas fossem passando de pais para filhos (ou por vezes nem sequer familiares tão diretos) sem que a eles tivessem qualquer direito. E note-se que estamos a falar de património público! 

Não há memória que alguma vez se tivesse retirado casa a alguém, havia casas a funcionar como armazém, ou casa de férias, ou casa de primeira habitação tendo os seus inquilinos outras habitações – havia enfim, um pouco de tudo e total desinteresse político nos últimos anos anteriores em fazer o que quer que fosse sobre esta matéria. Talvez porque dá muito trabalho, chatice, obriga a uma certa coragem e como se costuma dizer, “não dá votos”, antes pelo contrário. 

Sobre a etnia cigana, lembremos que até 2013 e apesar dos tais 160 fogos de habitação social, nunca nenhuma destas famílias havia sido integrada. Ao contrário, e apesar das responsabilidades municipais que colaborou ao longo dos anos no concentrar, e depois ignorar daquela comunidade naquilo que se transformou no gueto do Flecheiro, com todos os demais problemas sociais e por vezes criminais a isso associados. 

Sim, lembremos que há cerca de 45 anos atrás foram para ali levadas, e por interesses imobiliários com os quais o município foi conivente, as primeiras famílias. Famílias que com o passar dos anos chegaram às cerca de 230 pessoas que ali encontrámos em 2013. A juntar às cerca de 50 vivendo também em barracas espalhadas em vários pontos do concelho. 

Ora, muito se falou, muito se propôs, muito se anunciou, mas fazer de facto alguma coisa nunca ninguém fez. Houve muito financiamento que poderia ter sido aproveitado. Programas de erradicação de barracas, programa Polis, vários quadros comunitários, mas nada, nunca houve vontade, talvez a coragem para fazer o que teria de ser feito e há muito deveria estar resolvido. 

Pois… repito, dá muito trabalho, muita chatice, não dá votos. 

Hoje, e depois do trabalho que ali iniciámos, estão ainda cerca de 100 pessoas, e todas sairão, ao mesmo tempo que estamos a rever o Plano de Pormenor do Flecheiro, e a preparar a consolidação urbana daquele espaço, nomeadamente daquela que será a zona ribeirinha de excelência da cidade. 

Claro, não se consegue, ainda para mais sem um cêntimo de apoios financeiros que hoje não existem para o efeito, fazer num mandato aquilo que não se fez em mais de 40 anos! 

Hoje, continuamos a recuperar casas, e a juntar outras ao património municipal, além do Centro Comunitário (junto à GNR) por estes dias a entrar em atividade. Estamos a iniciar a Carta Municipal de Habitação, onde além do social, se prevê já com projetos concretos, criar habitação a custos controlados particularmente para casais jovens, assim como residências para estudantes, que hoje muito estão a faltar. 

Tentaremos também criar, em jeito de residências assistidas, solução para pessoas que pelos mais diversos motivos não tenham capacidade para viver sós numa casa. 

Essencialmente, continuaremos a trilhar o caminho e estratégia definida, rumo a transformar o concelho num território mais humanista e cumpridor da Lei, numa ótica de boa gestão de recursos, com princípios de equidade e justiça. E, por muito que seja impopular ou sujeito a críticas, a resolver o que há muito resolvido deveria estar.

terça-feira, novembro 12, 2019

Todos somos Educação?

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 1 de novembro de 2019

“A criança gozará dos direitos […] reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação”
Princípio 1, Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1959

Decorreu na última sexta uma Assembleia Municipal temática, por requerimento do PSD, dedicada à Educação que, como se antevia, serviu para coisa nenhuma. Foi, como dificilmente não deixaria de ser, uma mão cheia de lugares comuns.
Reivindicam os eleitos do PSD na AM, por exemplo, que a carta educativa está desatualizada e deveria ter sido atualizada desde 2011. Pois eu digo que a carta educativa que está aprovada em Tomar é uma fantasia desde quando foi aprovada em 2008 – e digo-o desde então.
Veja-se a título de exemplo que esse documento prevê a construção de novas escolas nas Avessadas (duas!), Flecheiro e Machuca, além de em todas as então 16 freguesias.
E o que fez o PSD com essa carta educativa? Construiu uma escola em Casais com mais do dobro da capacidade que alguma vez poderia ter; uma EB23 (Nuno Álvares Pereira) claramente desnecessária como já o bom senso indicava e alguns como eu se fartaram de afirmar (e da qual tivemos que devolver 700.000€ aos fundos europeus por obras desconformes!), aumentando muito os problemas de excesso de instalações que agora tentamos resolver; ou uma EB1 (Raul Lopes), deixando o pré-escolar de fora nas mesmas velhas instalações.
Portanto, o interesse destes eleitos na carta educativa é uma falácia, uma brincadeira de crianças ou de quem quer tentar iludir os demais.
Leram algures umas coisas, que depois tentaram replicar, como o cruzamento com o PDM, como se existissem novas escolas para construir no horizonte de uma década; ou sobre a territorialização da educação, como se a Carta Educativa fosse solucionar essas questões ou dela estivessem dependentes.
Bom mas, e não vamos promover a revisão da carta? Vamos, no tempo e pelas razões definidas em conjunto com os demais 12 municípios do Médio Tejo, e não só porque o PSD local viu aí uma bandeira.
Alegam os eleitos do PSD que não há estratégia municipal na educação, falta de liderança, desnorte, e um conjunto alargado de chavões em jeito de “bota abaixo” que só podem mesmo significar um ato de contrição por aquilo que o PSD fez em boa parte dos seus últimos 16 anos de governação, ou não tivéssemos agora que andar a corrigir muitos desses despautérios. E já se sabe, é nestes casos muito mais difícil corrigir que fazer bem à primeira.
Dizem os eleitos do PSD que o Conselho Municipal de Educação não reúne suficientemente. Mas os factos são que foi comigo que os Diretores de Agrupamento Escolar, os Presidentes de Conselho Geral, os representantes do ensino privado (João de Deus), da Escola Profissional, das duas escolas de ensino artístico da cidade, e do Centro de Formação de Professores, por exemplo, passaram a estar presentes. Ou seja, porção significativa da comunidade educativa não fazia sequer parte.
Ainda assim, se há algo que detesto é fazer reuniões “para cumprir calendário”, é aliás dos principais problemas do país e da administração pública em particular. E, portanto, farei tantas reuniões quanto necessárias, desde que sirvam para algo. Reuniões em que se entra mudo e sai calado, fujo delas. Para bom entendedor…
Mas o que interessa é a ação concreta e aquilo que temos feito nestes últimos 6 anos e continuaremos a fazer:
Mais apoio na ação social escolar, nos transportes escolares, nas atividades oferecidas às crianças e no aumento de entidades locais que prestam essas atividades;
No diálogo, apoio e pagamento atempado às Associações de Pais. Aliás, não fomos nós que escolhemos este péssimo modelo (como alguns como eu na altura alertaram) que transformou as AP’s do nosso concelho em empresas, forçadas a ter contabilidade, quadros de pessoal, contratos com fornecedores… Mas somos nós que passo a passo o estamos a substituir, com diálogo e bom senso, à medida das necessidades de cada uma dessas AP’s;
Teremos em breve o Centro Escolar da Linhaceira terminado, planeado e projetado com a comunidade local para não existirem os erros do passado, e com isso deixaremos de ver no nosso concelho alunos a ter aulas em contentores;
Continuaremos a fazer diretamente, ou através dos fundos que anualmente transferimos para cada uma das juntas de freguesia, manutenção e pequenas obras regulares em cada uma das escolas de pré-escolar e 1ºciclo;
Continuaremos a reforçar muito além do que a Lei nos impõe, o pessoal não docente nas escolas, cerca de 160 funcionários que representam já um terço do total dos funcionários municipais;
E claro, também as decisões difíceis quando têm que existir. Por muito que custe é para isso que somos eleitos, para tomar decisões. Há salas de aula, há instalações a mais para os alunos existentes, e, portanto, vai continuar a ser necessário otimizar recursos e fazer as reformas que para tal se imponham. Sempre na lógica de com os melhores meios prestar o melhor serviço possível.
Afirmo-o há muito e, por mais que se tente negar, há sempre o momento em que a realidade se impõe. O problema não é de agora, e ainda vai piorar nos próximos anos. A taxa de natalidade é um dado objetivo, não é uma opinião.
Em suma, continuaremos a trabalhar com rumo definido, no calendário determinado e não no que nos queiram impor, com articulação com a comunidade educativa, com valores sociais e perspetivando sempre a boa gestão e a igualdade de oportunidades que a educação deve promover. Porque a educação é e será a principal base para ter uma sociedade mais justa e desenvolvida.


segunda-feira, outubro 07, 2019

Amigos de quatro patas


texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 4 de outubro

No canil intermunicipal de Tomar (e Ferreira do Zêzere), situado no Parque Empresarial de Tomar (vulgo, zona industrial), residem neste momento cerca de 20 gatídeos e 170 canídeos, dos quais 35 pequenos cachorros.
Tecnicamente o canil está sempre esgotado, isto porque por cada animal que sai para adoção, há dois ou três à espera para entrar. E naturalmente a capacidade máxima varia, porque depende do porte dos animais, da sua perigosidade, entre outros fatores.
E isto apesar de em 2017 termos feito um investimento municipal na casa dos 100.000€ que permitiu duplicar a capacidade e também, eliminar o canil até aí ainda existente no Flecheiro, que não apresentava há muito condições mínimas.
Entretanto, a nova Lei só permite o abate em circunstâncias bem definidas, e que são as mesmas que já eram aplicadas em Tomar. Mas a questão é que qualquer instalação tem uma capacidade finita e o nosso canil é obviamente igual. E por isso, a gestão das disponibilidades verso as necessidades existentes é uma dor de cabeça diária.
Para que seja claro, a responsabilidade dos municípios é sobre animais errantes. Ponto. Não têm qualquer responsabilidade, ou capacidade, para intervir em situações privadas ou de proprietários que por algum motivo deixam de querer cuidar dos seus animais.
E por vezes é muito difícil explicar isto aos munícipes que só querem ver o seu problema resolvido. Não!, os canis municipais não servem para os cidadãos se livrarem dos seus animais. Aliás, ser cidadão deveria ser compreender mais esta questão básica de cidadania. E depois há épocas do ano ainda mais difíceis – o verão é uma delas – em que o abandono aumenta imenso.
Sublinho, os donos são a todo o tempo responsáveis pelos seus animais, não podendo deles descartar-se quando por algum motivo não os querem; e o mesmo vale em situação de herança, o que por vezes é difícil fazer compreender a algumas pessoas. Os animais são, legalmente, a todo o tempo responsabilidade dos seus donos e respetivos herdeiros.
Para além destas situações que deveriam ser básicas de civismo, e onde a natureza humana por vezes revela a sua faceta menos boa, é preciso lembrar que, nos termos da Lei, a identificação  (chip) de canídeos é obrigatória, assim como a vacinação. Todo o proprietário está obrigado a fazê-lo.
Já a esterilização não é obrigatória, mas é altamente recomendada e a melhor forma de minorar o problema dos animais abandonados que, prevejo, vai tendencialmente agravar-se nos próximos tempos.
A esse propósito, dizem-se muitas coisas que não são reais, normalmente nas redes sociais. Isto para dizer que sim, o governo lançou uma candidatura para apoiar os municípios que desejem iniciar procedimentos de esterilização. Mas as regras para esse apoio são muito difíceis de alcançar. Tomar, só neste momento está em condições de o conseguir, e será dos primeiros.
Claro que para minorar todas as dificuldades anteriormente descritas e outras, ajudará a que o município volte a ter nos seus quadros veterinário, ou veterinária municipal. Temos o concurso a decorrer (infelizmente a burocracia faz com que os concursos demorem muitos meses), e quase terminado, para admissão de novo profissional o que vai permitir avançar com mais trabalho e qualidade, nomeadamente no início de um plano mais completo de esterilização de canídeos e gatídeos.
Em todo o caso, e porque queremos ser um concelho cada vez mais amigo dos animais e daqueles que optam ter um animal de companhia, para além dos investimentos que tenho vindo a referir, nomeadamente no canil, mas também num maior apoio tanto financeiro como de trabalho de parceria com a Associação Protetora dos Animais, ou na introdução das campanhas de adoção que há três anos iniciámos, a cidade vai em breve, num projeto de parceria com a freguesia urbana, ver nascer os seus primeiros wc canino e parque de treinos canino.
Por fim, já referi, mas devo sublinhar, a importância da Associação Protetora dos Animais (APARRT) com quem estabelecemos protocolo e que está sediada no canil, e com quem fazemos uma gestão partilhada do espaço, partilhando também dificuldades e soluções.
Lembrar, já agora, que atualmente o chip e a vacinação dos animais adotados no canil é oferecida pelo município, pelo que fica o convite:
Visitem o canil no Parque Empresarial de Tomar, de segunda a sábado, onde serão muito bem recebidos pelas prestimosas senhoras da APARRT, que lhes darão a conhecer os residentes e quem sabe, encontrar o novo amigo lá de casa!

segunda-feira, setembro 23, 2019

Tomar, terra de aprendizagem

texto publicado no jornal Cidade de Tomar de 13 setembro 2019

Novo ano letivo, novo momento de azáfama, de organização, de afinar procedimentos e tarefas. Mas também momento de renascimento. Nós docentes e demais profissionais ligados ao ensino somos por isso privilegiados que têm ano novo em dois momentos distintos. 

Tomar é uma terra de excelência em várias áreas. É-o similarmente na educação com uma realidade quase única no país. Dois muito bons agrupamentos escolares, genericamente com boas instalações, bons docentes e demais pessoal, imensas iniciativas ao longo do ano, principalmente as que trazem os alunos e as suas tarefas para fora da sala de aula e mesmo da escola, em ligação com a comunidade. 

Ensino profissional de qualidade tanto nos agrupamentos que prestam alguns cursos, como na Escola Profissional de Tomar (Casa dos Tetos) e no Centro de Formação do Instituto de Emprego e Formação Profissional (Marmelais); 

Duas escolas de ensino artístico oficiais (Canto Firme e SF Gualdim Pais) ambas com ensino de música e a Gualdim também com a dança; 

E “cereja no bolo”, o Instituto Politécnico que se tem vindo a adaptar às exigências sempre mutáveis do país e da região, com um conjunto de cursos muito bons, alguns deles únicos no país. 

Refira-se que na Educação o município tem como grandes responsabilidades: 

· Instalações escolares: todas do concelho à exceção, para já, da EB23 Gualdim Pais, e das Secundárias Jácome Ratton e Santa Maria do Olival. Para as escolas de pré-escolar e 1º ciclo, a câmara transfere verbas para as juntas de freguesia fazerem as manutenções ou reparações necessárias ao longo do ano, sendo que quando entendem não conseguir ou ter meios para fazer face a uma situação, devem reportá-la ao município. 

Para além disso fazemos um conjunto de intervenções diretas em várias delas, o que ainda este verão voltou a suceder; 

· Pessoal não docente: que é sempre pouco na opinião de professores e pais, mas em que os agora a rondar os 160 trabalhadores distribuídos entre os dois agrupamentos escolares, representam cerca de 32% do total (500) dos funcionários municipais. E está previsto transitarem para os quadros do município os 60 que ainda estão afetos ao Ministério da Educação; 

· Refeições escolares: sendo que algumas escolas de pré-escolar e 1ºciclo, têm essa gestão delegada por nós através de protocolo na respetiva associação de pais, e nas maiores na cidade é gerida por empresa que ganhou o serviço em concurso; 

· Transportes escolares: pagamos os passes a todos os alunos até ao 9ºano que utilizem o transporte público rodoviário ou ferroviário e, apesar dos pais disso não se aperceberem, 50% de todos os passes do ensino secundário. No pré-escolar e 1º ciclo, temos alguns circuitos de autocarro exclusivos para alunos, e alguns circuitos mais pequenos e também exclusivos que são efetuados em táxi. Na união de freguesias de Serra-Junceira, é a junta que presta esse serviço, igualmente pago pelo município, mas ao que acresce outros alunos que a junta transporta por sua iniciativa; 

· Material escolar: aos alunos subsidiados com escalão A e B, e também a estes, os livros de fichas que sejam adotados em cada escola e solicitados pelos pais; 

· Atividades de complemento de horário no pré-escolar: com música, educação física e jogos tradicionais; 

· AEC’S (Atividades de Enriquecimento Curricular no 1º ciclo): apenas no agrupamento de escolas Nuno de Santa Maria, onde ofereceremos a educação física e a música, mas ainda os jogos tradicionais, jogos de tabuleiro e desenvolvimento mental (o xadrez em particular), a dança, o basquete e o judo, para isso recorrendo à capacidade das associações locais, CALMA, Gualdim Pais, Canto Firme, Sport Clube Operário de Cem Soldos, Basquete Clube de Tomar e Ginásio Clube de Tomar. 

· Atividades regulares: Introdução à natação na piscina municipal a todas as crianças de 3º e 4º ano; visitas ao Convento de Cristo e aos Mosteiros de Alcobaça e Batalha a todos os do 4º; visita de estudo no autocarro municipal a todas as crianças de pré-escolar e 1º ciclo; 

· Atividades várias: em parceria ou em apoio financeiro e/ou logístico a outras entidades, ou atividades próprias, como o Dia da Criança, ou a FrEEE (Feira de Educação, Emprego e Empreendedorismo) destinadas a todos os alunos do concelho numa determinada faixa etária. 

Para além destas grandes questões, há muitas outras que vão surgindo ao longo do ano letivo. Aquisição ou reparação de edifícios ou equipamentos, computadores por exemplo; outros apoios na área de ação social escolar; apoio e parceria em muitas atividades ao longo do ano letivo. 

Somado, são cerca de 4 milhões de euros anuais que o município vem despendendo na área da educação sendo que apenas parte é financiada pelo Ministério da Educação. 

Todos anos são anos de mudanças, este não será exceção, desde logo nas instalações. O concelho verá abrir, à partida lá para janeiro, um novo centro escolar, o da Linhaceira – terra onde, lembremos, temos ainda crianças a ter aulas em contentor por falta de instalações – e verá outras encerrar, nomeadamente o já anunciado caso do edifício Infante D. Henrique. 

Tomar tem esta característica de ter ainda muitas escolas dispersas pelo concelho com poucos alunos, o que muito complica não só a qualidade pedagógica, mas também a gestão logística – e claro, os custos associados que saem sempre dos nossos impostos. 

E na cidade, onde estão mais de metade dos alunos, temos instalações que de todo não nos orgulham e não são há muito condicentes com as exigências atuais e com aquilo que desejamos para uma cidade como Tomar, para as nossas crianças e quem com elas trabalha. Tenho-o afirmado todos os anos desde que há 6 sou o responsável autárquico pela educação, e já o lembrava antes. 

É obrigação de qualquer gestor público e neste caso, dos autarcas, tentar fazer a melhor utilização possível dos recursos existentes, e com eles prestar o melhor serviço possível. Dessa forma, há que conjugar essas instalações fisicamente deficitárias com as que, sendo excelentes, como a EB23 Santa Iria, estejam muito aquém das suas capacidades de utilização. É o que acontecerá. Sem dramas e “umbiguismos” ao jeito de “espuma dos dias”, mas com a responsabilidade de quem tem de planear por muitos anos. 

Até porque na cidade temos salas de aula a mais. Muitas. E a aumentar de ano para ano. 

Problemas existirão sempre para resolver. Mas neste novo ano o que importa é, com espírito sempre positivo, endereço votos de um novo ano letivo cheio de trabalho e sucesso para todos os da comunidade educativa, em particular à razão de tudo, aos alunos. 

Aos demais, a começar pela câmara e por mim, aos serviços municipais, às juntas de freguesia e a toda a comunidade, que saibamos trabalhar em conjunto e rumo aos mesmos objetivos. 

Que saibamos como comunidade educar para aquilo que cada vez mais conta: a cidadania, o profissionalismo, a felicidade e o humanismo.

terça-feira, setembro 19, 2017

Pedras no caminho certo?

artigo de opinião publicado no jornal Cidade de Tomar de 15 de setembro

Se defendo que quem governa não comenta, fui coerente durante estes quatro anos em deixar de escrever opinião neste jornal. Agora, ao menos uma vez e porque se avizinha novo momento de decisões importantes para a nossa comunidade, sinto o dever de dizer algo.
Trabalhámos muito nestes 4 anos e com condições muito difíceis, e propomo-nos a continuar a fazê-lo. E há muito trabalho pela frente.
Internamente, continuar a reduzir a dívida e restruturar serviços, continuar a rever regulamentos e procedimentos, tendo sempre em vista a simplificação administrativa e a facilidade de acesso e economia dos munícipes.

Continuar e aumentar a promoção do concelho no exterior a vários níveis, aumentar e qualificar os eventos seja na cultura, no desporto ou noutras áreas, para que a indústria do turismo continue a crescer de forma sustentada, a criar postos de trabalho e a movimentar a economia local.
Rever os instrumentos de gestão do território que têm sido castrantes para o desenvolvimento urbano e levar o novo PDM a discussão pública. Continuar a apostar na reabilitação urbana e na requalificação de espaços da cidade (e nas aldeias) como as avenidas de acesso à cidade ou a Várzea Grande cujos projetos estão em andamento, ou a zona ribeirinha do Flecheiro após a saída total de quem ali foi colocado há mais de 40 anos.

Sobre isso, muito se falou ao longo desses 40 anos mas até este mandato, por iniciativa da Câmara nunca dali tinha saído uma família, nunca tinha sido derrubada uma barraca. Hoje, das 230 pessoas que ali encontrámos no início deste mandato, estão apenas cerca de 150 e vários projetos em curso para retirar as restantes. (E não, apesar dessa mentira ter pegado, nunca prometemos resolver o assunto em 100 dias).
Na área da habitação aliás, e depois do abandono a que os bairros sociais estiveram durante anos, no trabalho conjunto com a freguesia urbana foram reabilitadas e já entregues mais casas do que em qualquer outro mandato autárquico. E, não interessa nada porque não podemos olhar a isso, mas para que conste a verdade, ao contrário do que é dito, a maioria das famílias que iniciou nova vida não é cigana.

Apesar da redução da dívida, e com esforço de rigor e contenção, foi possível nestes 4 anos aumentar os apoios sociais, bem como os apoios na área da educação. As associações de pais por exemplo, recebem hoje a tempo e horas quando há 4 anos, existiam associações a quem o município devia refeições e ATL’s há 9 meses!
Isso é o que se passa também com a generalidade dos fornecedores que hoje recebem na casa dos 60 dias. Que diferença daquilo que encontrámos! O município de Tomar voltou a ter crédito na praça, quando há 4 anos muito fornecedores já só com dinheiro à frente.
E apesar desse rigor e contenção, aumentou-se o apoio ao associativismo e mudaram-se as regras tendo pela primeira vez todas as associações podido candidatar-se independentemente da área em que funcionam.
Aumentaram-se (e muito!) as transferências para as juntas de freguesia, e sempre por acordos de execução, ou seja, com destino previamente acordado, ou que permitiu muito mais obra por todo o concelho, com rigor e transparência.
Resolveram-se problemas de anos, como a ponte do Carril, a estrada da Serra e várias outras, a obra do mercado, o parque infantil ribeirinho, e tanto mais – tudo saído do orçamento municipal sem 1 cêntimo de fundos comunitários!

Cometemos erros, claro. Só quem não trabalha não erra. Particularmente na fase inicial do mandato houve um ou outro que são bem conhecidos. Mas foram resolvidos e servem de aprendizagem.
Não fizemos tudo o que gostaríamos de ter feito, nem ninguém o conseguiria fazer, muito menos com o estado de coisas que encontramos. A dívida sufocante (mais de 37 milhões); os 80 casos em tribunal; a desorganização dos serviços; os veículos, dos bombeiros às obras passando pelos camiões do lixo, em muitos casos a cair de podres.
Verdade por outro lado, é que tanto se inventou contra a câmara nestes quatro anos. É percetível, incomodámos alguns instalados e um certo sistema de hipocrisia social, mas não devemos ignorar e deve ser combatido quem tente manipular ou condicionar a opinião pública com recurso a mentiras ou meias verdades. E muito menos se forem pessoas que tenham ou já tenham tido responsabilidades.
Algumas forças conservadoras que nunca conseguiram aceitar o facto dos tomarenses terem preferido o Partido Socialista nas últimas eleições, um ou outro com ambições de vir para o município como eleito ou como “convidado”, um ou outro só porque gosta de ser do contra ou “dono da verdade”. Um ou outro que é já problema de saúde mental.

Poucas vezes nestes 4 anos se discutiu na praça pública política séria e com interesse para a comunidade e gestão municipal. Inventaram-se histórias, discutiram-se minudências, ameaçaram-se pessoas por não serem da mesma opinião.  E neste fim de campanha o que ainda estará para vir…
Quando se avalia o trabalho em termos da Presidente ou de algum de nós ir ou não à missa, ou estar melhor ou pior vestido, está tudo dito sobre como algumas pessoas ainda pensam sobre o que deve ser a avaliação do trabalho dos políticos e daquilo que deve ser a comunidade.

Só que, apesar de tudo isso, não há qualquer dúvida de quem é a liderança e a equipa melhor preparada para continuar este caminho, continuar a trabalhar em conjunto cada vez mais com a generalidade das instituições, combater um certo cinzentismo e bota abaixo militantes na comunidade, e ter como agora se sente cada vez mais, uma comunidade que olha para o que une e não para o que divide, uma comunidade que percebe que o fazemos juntos fazemos melhor, uma comunidade que olha para os obstáculos com vontade de os resolver e não de culpabilizar alguém por eles.
Por tudo isto, com pensamento sempre positivo e a olhar para o lado certo da vida, apetece terminar este texto com aquela velha frase popular: pedras no caminho? Apanhamo-las todas e ainda vamos fazer (mais) um castelo!
E dia 1, a decisão é de todos e de cada um. Que ninguém deixe de exercer o dever da escolha.

Hugo Cristóvão

Vereador

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

o tempo que corre

Várias pessoas me têm manifestado com desagrado (e eu, vá, acredito) a pouca atualização deste espaço algures...
Bom, o tempo não chega para tudo minha gente! E nas poucas horas que passo em casa, se há coisa que não quero ver à frente é computador.
Por isso, enfim, nos tempos que correm, a minha presença no mundo virtual faz-se mais (que é mais rápido e eficaz) na página facebook cujo link está ali em cima.
Por falar em facebook, não esquecer de visitar as páginas do Município de Tomar e da Biblioteca Municipal António Cartaxo da Fonseca, esta última hoje mesmo criada.
Entretanto, as comemorações do dia da cidade aí estão a chegar, começam já amanhã. Além da já citada página do facebook, podem encontrar informação mais detalhada aqui.

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Ofensas&Galhardetes

Assinalam-se hoje os primeiros 4 meses de mandato da atual Câmara Municipal de Tomar, da qual muito me honra fazer parte.
Durante estes quatro meses pouco tenho tenho dito publicamente. Não é por acaso, mas por entender que a quem governa, compete mais ouvir que falar (que é diferente de comunicar), fazer que propor.
Além disso, as áreas em que tenho responsabilidade mais direta - Educação, Ação e Habitação Social - entendo-as como precisando de contenção, descrição, planeamento, diálogo construtivo "fora dos holofotes" com as muitas entidades envolvidas nesses setores.
Mais, cada um tem o seu estilo e, no exercício de responsabilidades de gestão, este sempre foi e será o meu.
 
E, durante estes 4 meses, até ontem, no mesmo espírito de contenção, não proferi uma só palavra, fosse nas reuniões dos órgãos, fosse na comunicação social, fosse sequer nos meus espaços pessoais que são este blogue e a página facebook, sobre o trabalho da oposição.
Trabalho esse que entendo difícil e meritório. Com muitas horas, dias, semanas, anos de labuta com muitas perdas a diferentes níveis desde logo o pessoal, e quase sempre sem sequer a recompensa mínima que é o reconhecimento da valia desse esforço.
E bem sei do que falo, durante mais de uma década em Tomar estive na política (muito!) ativa, sempre na oposição.
 
Ora, por isso mesmo bem percebo da dificuldade que o PSD está a sentir, e é notória. Mas como diria o outro é da vida. Ela é mesmo assim, feita de ciclos e repetições de ciclos.
Ora, vem isto a propósito do infeliz comentário (todos temos dias maus) que o meu caro companheiro de percurso político (companheiro no tempo, mas enfim, sempre em campos opostos), vereador e presidente do PSD local, João Tenreiro, fez ontem em resposta a uma intervenção minha acerca da postura do PSD, instando-me a qualquer coisa como me abster, ou não voltar a atrever, ou coisa assim, a comentar as declarações ou as posições de voto suas e do seu partido.
Ora, porque na reunião de câmara poderia não ser suficiente público e definitivo, e para que fique bem claro que penso sempre antes de proferir afirmações, cá vai a minha resposta:
 
ERA O QUE MAIS FALTAVA!
Direi, opinarei, comentarei, criticarei, sugestionarei, tudo aquilo que BEM ME APETEÇA, como sempre fiz.
E, se bem que (a experiência ensina-nos) não diga tudo aquilo que penso, o que digo é sempre o que penso.
Também falho, também erro, como todos, e aqui ou ali, em tantos anos de exposição pública com certeza já terei, levado pela exaltação ou revolta de um qualquer momento, exagerado em alguma crítica ou comentário. E não tenho como já muitas vezes confirmei, qualquer problema em reconhecer um erro e pedir desculpa por isso.
Não foi seguramente o caso ontem.
Ontem, fi-lo da mesma forma que sempre tento fazer, com responsabilidade e ponderação, tentando compreender as perspetivas contrárias, aceitando-as concordando ou não com elas, sem ofensa ou crítica fácil mas sim de forma que tento sempre ser construtiva e mesmo pedagógica.
 
Voltando ao ponto, o senhor vereador até me acusou de ter sido sarcástico, que é coisa que, sim, por vezes gosto de ser numa perspetiva de levar a vida com algum humor, mas que estou bastante convencido não ter sido ontem. Mas já agora aviso, sim, no que resta deste texto talvez venha a ser.

Mas então, que comentário fiz eu que levou a tão grande ofensa e inflamada declaração de propriedade divina, de quem se entende acima de comentário dos mortais?
O PSD acabava de votar contra a aplicação do regulamento de apoio ao associativismo por parte da atual câmara, que recordo novamente, completa hoje 4 meses de mandato, regulamento esse aprovado no mandato anterior e assim em aplicação desde 2011, apenas com os votos favoráveis do então partido que detinha o poder, o PSD!
Bom, após 4 meses  de reuniões de câmara e assembleia onde uma aparente amnésia súbita e fulminante, em que o agora opositor PSD tem votado contra tudo o que é importante; 4 meses de crítica fácil, de prospostas por vezes irrealistas e de quem parece nunca ter estado na governação e desconhecer as suas condicionantes, particularmente derivadas do estado em que deixaram as coisas, dizer como eu disse, que é estranho ver o PSD votar contra a aplicação de um regulamento que o próprio criou e igualmente aplicou, quando o atual mandato ainda mal começou, parece sarcástico e assim tão ofensivo?!

Que fique claro, sublinho, o papel da oposição é determinante em democracia, e uma oposição forte, construtiva, organizada é muito importante, até porque obriga a quem governa a fazê-lo melhor, mas francamente (lá vai o senhor vereador ficar chateado) se continuar a fazer como tem feito, quem é que se vai preocupar com a oposição?!

Bem percebo, percebemos todos, esta tentativa assumida de querer dizer que nada têm que ver com o passado, que não estão obrigados ou comprometidos com ele, e que só lhes interessa o futuro, nem que seja para propor castelos e utopias, ou as mesmas propostas que nós socialistas propusemos ao longo dos anos;
mas, convenhamos, o atual líder do PSD é-o há cerca de três anos, ou coisa que o valha, e antes disso era vice-presidente do partido. Ao longo dos 16 anos de governação do seu partido foi autarca na Assembleia Municipal e na 2ª maior freguesia do concelho, período durante o qual não se ouviram críticas suas à governação. Mesmo agora, não se tem ouvido publicamente nenhum reconhecimento do estado em que essa governação deixou o Município e o Concelho;
e, nas últimas autárquicas das quais resultou a sua eleição como vereador, foi o número 2 da lista encabeçada pelo anterior Presidente de Câmara que é tão somente o político nabantino que mais tempo esteve em funções políticas a tempo inteiro no município de Tomar.
Por isso, convenhamos, quem é que devia ter mais cuidado com o que diz?
 
Concluindo, tenhamos todos mais contenção no que dizemos. As dificuldades do Município são muitas, e dos munícipes ainda mais. Há muito trabalho sério a fazer, não nos percamos com questiúnculas que aos cidadãos nada dizem, e saibamos todos, a cada dia, questionar-mo-nos sobre que matérias valem realmente o nosso esforço, e sobre aquilo pelo qual vale mesmo a pena lutar.

As contas, fazem-se no fim. Para todos, na política e na vida.

terça-feira, janeiro 21, 2014

vídeo agenda


Um pouco da agenda cultural (e não só) do município nabantino em janeiro e fevereiro, em vídeo by Tomar TV

sexta-feira, outubro 18, 2013

um, entre todos

Iniciando hoje novas funções de autarca que muito me honram, e muito além do compromisso inócuo de tomada de posse ontem proferido e que em todas as funções públicas somos obrigados a fazer, quero publicamente comprometer-me a, no contexto da equipa a que pertenço e sob a liderança da nossa Presidente Anabela Freitas, não deixar de ser quem sou – mas sim continuar a ser crítico e comprometido com Tomar e os tomarenses, como sempre até aqui. 
Muitas serão as dificuldades que encontraremos, mas isso só reforça a vontade de os enfrentar.
Cometerei, cometeremos, erros certamente. Conto com todos para o alerta sobre eles.
Comigo, bem sabem, poderão continuar sempre, por esta ou pelas demais vias, a fazer chegar as vossas críticas, opiniões, sugestões, ou o que bem entenderem.

Tomar somos todos e todos somos precisos para fazer a Mudança.  

sábado, setembro 07, 2013

Uma nova etapa?!!

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de ontem

«A mudança em todas as coisas é desejável»
Aristóteles

Setembro. Dia a dia mais próximos de um importante momento de escolhas. As que determinam o futuro próximo da nossa gestão municipal. Passará rápido, entre os sons e as cores de campanha; entre críticas, pedidos e promessas, pouco será já possível esclarecer das ideias e projetos apresentados por cada uma das várias equipas a apresentar-se à contenda.
E que contenda. Aquela que encerra a honra e a responsabilidade de planear, projetar, decidir, fazer em nome de todos os outros. Ou assim deve ser.
Nada portanto que possa ser encarado de forma leviana ou desinteressada. A escolha compete-nos a todos.

Bem sei que muitos ainda exercem essa escolha de forma clubística. “Este” é o meu partido e voto nele independentemente de quem nele se apresenta, com ou sem condições, com ou sem soluções. Felizmente, cada vez mais cidadãos percebem que, particularmente ao nível local, com base numa ideologia é certo, mas é preciso primeiro perceber o que cada um defende e que condições tem para o cumprir.
Cada um aferirá da sua responsabilidade.

Na minha opinião, que penso ser facilmente correspondível, das muitas equipas presentes há vários candidatos a vereadores, mas apenas dois candidatos a presidente de câmara: Carlos Carrão – a continuidade; e Anabela Freitas – a mudança.
Quem ao fim de dezasseis anos de governação promete agora “uma nova etapa”... ou quem afirma convicto querer mudar para algo novo, algo melhor, algo condigno com a terra e o tempo em que vivemos.
Como sempre acontece nestas coisas da política, todas as demais hipóteses, por dispersarem o voto contribuem para manter a continuidade. Igualmente o fará quem optar por se abster.
Cada um é livre e responsável pelas suas escolhas, mas é importante que tenha consciência delas.
Eu e muitos julgamos ser tempo de Mudança, e ela faz-se com todos. Não quero sequer considerar a possibilidade de que seja possível deixar tudo como está, e as queixas de como Tomar está mal recomeçarem logo no dia seguinte às eleições…
Estou convicto que como eu, a grande maioria deseja a mudança, acredita nela, e vai construí-la. Vamos todos, porque só com todos ela se faz.

Mas no entretanto assistamos às manobras costumeiras. Que não havia dinheiro, que era preciso mais uns milhões de empréstimo e afinal, de repente, são alcatroamentos à pressa (que daqui a um ano estão como estavam), são obras no mercado (exatamente as mesmas que podiam estar feitas há dois anos), no Convento de Santa Iria, o aluguer e as obras do pavilhão em frente ao Politécnico, na loja (da antiga PJ) na Alameda 1 de Março fechada há anos, etc, etc…
Genericamente obras necessárias é certo, mas que já podiam ter sido feitas em melhores condições. Porquê só agora?

E outras manobras de campanha. Ainda recentemente a colega de partido de Carlos Carrão, Isabel Damasceno (a ex presidente de Leiria que perdeu a câmara por causa de certas suspeitas, lembram-se?) veio até cá dizer o quanto estava satisfeita com os 27 milhões de obras do QREN em Tomar...
Pois, obras são sempre discutíveis, pelo que fiquemos por esta pergunta simples: quantos postos de trabalho no concelho foram criados com esses milhões todos que ninguém percebe onde estão enterrados?
A grande questão é mesmo, qual a cantiga que os tomarenses preferem desta vez – a do costume?

As últimas linhas desta missiva têm de ser dedicadas à freguesia onde quase sempre vivi: os Casais, agora agregada a Alviobeira.
Parece que por lá a malta do PSD e os seus agentes andaram muito divertidos com a gralha tipográfica que num postal lá distribuído pelo PS menciona a freguesia de São Pedro.
Devo dizer que não cabe a Arménio Breia (que é para mim e muitos um exemplo a seguir), ou à equipa socialista que lidera nestas freguesias, qualquer responsabilidade por essa gralha. A responsabilidade é apenas de um: minha. E por isso antes de mais, a eles as minhas desculpas, bem como a todos os restantes cidadãos das duas freguesias agora unidas.

De qualquer forma, essa gralha é apenas isso, uma troca de nome num texto, passível de acontecer a todos os que produzem alguma coisa. Assunto irrelevante.
Fico por isso contente que seja este tipo de argumentos que se usa para atacar a lista socialista. É bom sinal.
Ainda assim, parvoíce por parvoíce, se quiséssemos entrar por essa via, haveria tanto onde criticar e glosar com os vinte anos de gestão PSD e a lista que agora por lá se apresenta.
Não entro nesses caminhos, os socialistas nabantinos primam pela discussão de ideias e alternativas, a olhar sempre com esperança no futuro, e não pelo achincalhar as pessoas e outras técnicas mesquinhas de “politiquice”.

Para os próximos dias desejo a todos os candidatos nas muitas listas à câmara, assembleia municipal e assembleias de freguesia, uma campanha sã, elevada e responsável. A todos os demais nabantinos, paciência, reflexão, e decisão.
Tomar somos todos, e eu Acredito na Mudança.

quarta-feira, agosto 14, 2013


O "algures aqui" tem andando muito parado, não só porque este agosto é por quem nele escreve, algures dedicado a Tomar, mas como entre mais, muito porque o que agora mais importa vai passando por AQUI. Passe por lá também.

sábado, julho 27, 2013

«Transformarmo-nos naquilo que somos»

texto publicado no jornal O Templário de ontem

"A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro."
John Kennedy

«Na última década e meia, Tomar apostou em ser uma cidade para “ricos”, apostou em obras faraónicas sem qualquer rentabilidade para a economia do concelho ou sequer, na maioria, para a qualidade de vida dos nabantinos. Obras muitas delas mal explicadas e devastadoramente onerosas para as finanças municipais.
Pelo meio, um maltratar e afugentar dos investidores; um desinteresse pelas questões sociais indo sempre a reboque e quando obrigado, daquilo que os outros concelhos foram fazendo; uma política de alheamento e por vezes hostilização da maioria das instituições associativas e corporativas do concelho; uma realização de eventos avulsa; um sentimento de asco pelas regras da democracia, particularmente na falta de diálogo, de prestação de contas, e da transparência.

De quem planeou e conduziu estas políticas erradas – de Paiva a Corvêlo, com a presença omnipotente de Relvas – fica aquele que lá está desde o início, sempre um dos principais e hoje o líder imposto, Carlos Carrão.
Numa atabalhoada tentativa de alteração de imagem e apagar do passado, mantendo no essencial as mesmas figuras, quem há dezasseis anos está no poder promete agora aos tomarenses “uma nova etapa”, naquela lógica de quem apesar de ter falhado, querer agora começar algo novo, tentando que os outros ignorem o que fez, não reconhecendo os pesados erros e fracassos. Tal como acontece no governo do país.

Não é isso que Tomar precisa. Tomar precisa de uma nova liderança, uma nova atitude, baseada na competência, na responsabilidade, e no mais elementar bom senso. Tomar precisa para a maioria das questões de algo muito simples: fazer o óbvio.
Mas tal aparente simplicidade requer uma grande alteração de paradigma que começa nas atitudes e nas mentalidades. Tomar precisa aí, para seguir a tudo o resto, de uma verdadeira Mudança.
Precisava dela há dez anos, precisava dela há cinco, precisa da Mudança Agora.

Tomar precisa de cumprir o seu desígnio, e como na máxima filosófica de Nietzsche, Tomar precisa de se transformar naquilo que é. Não esta existência envergonhada em função de um passado glorioso e de um presente tornado medíocre, mas sim saber quem somos, o que temos, e o que podemos com tudo isso fazer. Sermos quem somos sem necessidade de inventar. Muito ao contrário do que se tem, falhando, tentado fazer ao longo da última década e meia. E em muitos aspetos copiando para pior o que outros sem as nossas condições naturais precisaram fazer, fazendo-o bem.

Isso começa no próprio Município. Arrumar a casa, readaptar recursos, reorganizar, modernizar, reorientar para o serviço público à comunidade, com celeridade, economia eficácia e eficiência.
Apoiar, sem boicotar ou complicar os investidores, maiores ou menores que ainda acreditam nas potencialidades do concelho;
Fazer do turismo, alicerçado na cultura, no património e no eventos daí e de outras bases decorrentes, um verdadeiro eixo de desenvolvimento capaz de gerar riqueza e emprego;
Potenciar e reforçar aquilo que nos faz diferentes, que nos faz atrativos, que nos faz competitivos;
Aproveitar verdadeiramente a nossa posição geográfica, criando condições de centralidade, com efetivas condições para uma melhor captação de turismo que cá deixe dinheiro; mas também para a fixação de empresas, ligadas a este e a outros setores. Como os ligados à agricultura, à floresta, aos rios, à logística, ao desenvolvimento tecnológico, sem para isso esquecermos da existência do mal aproveitado hospital de Tomar e do ainda maior contribuidor direto e indireto para a economia local, até hoje não totalmente potencializado ou integrado: o Instituto Politécnico.

Como sempre, a responsabilidade e a capacidade para nos transformarmos, ou para tudo deixarmos na mesma, começa em cada um de nós. Individual e coletivamente, saibamos assumir quem somos, saibamos assumir quem queremos ser.
«Nada é permanente, salvo a mudança», disse o sábio Heráclito. Tomar somos todos e julgo, quase todos desejamos essa mudança. Saibamos cumpri-la com inteligência, ela faz-se agora.
Agora é novamente tempo de escolhas. Aproveitemos estes tempos de verão e eventuais férias para nelas refletir com sabedoria. Aos tomarenses cabe a decisão. Podemos ficar a lamentarmo-nos e a criticar genericamente tudo e todos, mais ou menos alheados, e com isso contribuir, com maior ou menor abstenção, para que tudo fique na mesma.
Ou podemos conscientemente saber que a mudança é possível, só depende de nós. De todos, e de cada um de nós. Assim é uma comunidade: a soma de todas as partes.»

sexta-feira, junho 07, 2013

«comunidade somos todos»

A versão integral da minha crónica de quarta na Hertzpode lá ser ouvida ou lida no esquerdo capítulo.

«Há uma diferença entre a crítica construtiva e a desistência. E desengane-se quem julga que se pode anular a política e viver sem ela. Enquanto existir a necessidade de tomar decisões públicas e coletivas terá de existir política.

Não há Democracia ou sequer sociedade humana sem ela. Os políticos são maus? Pois substituam-nos. Os partidos funcionam mal? Pois adiram e tornem-nos melhor, Portugal é dos países europeus com menor taxa de participação dos cidadãos nos partidos e na política ativa.

Não pensem é que se não participarem, que se se desinteressarem, que se nem sequer votarem, mudam alguma coisa. Essa é precisamente a melhor forma para que tudo fique na mesma, e provavelmente a principal razão pela qual também os políticos são cada vez mais alheados da comunidade ou sociedade onde estão inseridos, vivem cada vez mais num mundo só seu, e globalmente mais desfasados da realidade e por isso das soluções tantas vezes óbvias ou apenas requerentes de bom senso.

Lembremos apenas isto para que fique bem claro: nas últimas eleições autárquicas em Tomar, os eleitores que tiveram melhores coisas que fazer que ir exercer o seu dever de voto, quase desasseis mil, eram suficientes para só por si, dar a vitória a qualquer das sete listas a sufrágio. Repito, a qualquer das sete listas a sufrágio. Mas depois ouço todos a queixarem-se de quem ganhou.
Será assim tão difícil percebermos que, alguém terá sempre de ser eleito, e que, mesmo para os que se abstiverem, essa escolha é responsabilidade de todos?
Aceitemo-lo ou não, a verdade é que, como eu costumava dizer quando era líder de um partido, Tomar Somos Todos!»

sexta-feira, março 15, 2013

ouvir a "sociedade civil"


Amanhã.
Um debate certamente enriquecedor com um docente do IPT e entusiasta do voluntariado, um importantíssimo dirigente associativo e dinamizador cultural, e a empresária e presidente do Nersant. Em cima da mesa os seus contributos pessoais e a sua visão daquelas que devem ser as políticas autárquicas para o futuro.

segunda-feira, março 11, 2013

Vergonha!


Publicado no jornal Cidade de Tomade 8 de março.
Entretanto, esta sexta pelas 17h, nova reunião da Assembleia Municipal de Tomar...

Já algumas vezes manifestei que sinto em momentos vergonha por ser autarca em Tomar. No último dia de Fevereiro, na reunião da Assembleia Municipal, foi mais um desses momentos.
O PSD nabantino e os seus principais dirigentes, agora encabeçados por Carlos Carrão, convivem mal com a democracia, e estão habituados a contornar, senão mesmo ignorar as Leis e regras da forma que melhor servir os seus intentos, e não aceitam que possam existir ideias, opiniões ou vontades diferentes e que essas possam ter supremacia sobre as suas.

Na última assembleia – e registe-se, esta não é de todo a questão mais importante que há para resolver em Tomar, mas ainda assim – deu entrada (ainda que não fosse a melhor forma de o fazer) um requerimento para destituir a mesa da assembleia e particularmente o até aqui presidente, Miguel Relvas.
A questão é maior que o simples ditame dos artigos e números da Lei x ou do regulamento y, até porque, como já referi, e se tem comprovado continuadamente e em questões bem mais graves (como na ilegal aprovação do último pedido empréstimo, o PAEL, feito com base na mentira), a “lei” que interessa a Carlos Carrão é a que der jeito às suas vontades.

Na última assembleia, a oposição finalmente unida, disse basta e mostrou ao PSD o óbvio: se não querem aceitar a vontade da maioria, se não aceitam nenhuma opinião contrária, se tudo querem fazer à vossa maneira, então fiquem sozinhos a discutir!
Há na assembleia uma maioria que não se revê nas posições políticas, bem como nas ausências e falta de representação do órgão que a atuação pouco dignificante de Relvas tem provocado e, o essencial bom senso e a vontade de discutir e tentar resolver os maiores e mais importantes problemas deveria aceitar esse facto de forma natural e seguir em frente. Nesta como em qualquer assembleia, seja ela política, associativa ou do que quer que seja, é assim, a maioria decide.
Estou aliás perfeitamente convencido, que a larga maioria dos nabantinos também não reconhece nem quer ter Miguel Relvas como seu primeiro representante. E essa é a primeira e mais nobre função do Presidente de uma Assembleia Municipal.

Em Tomar o PSD não quer que assim seja e, tentando apenas protelar o que não tem retorno, com os seus conflitos próprios à mistura como ficou bem patente, envergonha todos os que têm vontade de fazer qualquer coisa por Tomar.
Percebemos todos essas dificuldades. Todos os efeitos da gestão ou falta dela que mancham a atuação da última década e meia e que se traduzem na realidade cinzenta que o concelho atravessa, confirmado com os dados estatísticos, por exemplo na fuga da população em particular dos mais jovens, na dívida do município, na obras inúteis e, traço geral, na pior qualidade de vida no concelho.
Mas também nos responsáveis que foram saindo deixando atrás de si este estado de coisas, de Paiva a Corvêlo, com o mandante Relvas e o permanente Carrão, que causam descrédito ao partido e desconforto, desde logo entre os próprios simpatizantes sociais democratas, além dos conflitos internos e divergências conhecidas.
Derrotaram Carrão e sempre afirmaram que este não seria o candidato, mas não só vai sê-lo como ao que consta será seguido pelo actual presidente de concelhia, seu até aqui adversário. Mas que grande flexibilidade de coluna que por ali vai… A realidade é como é, por mais que se tente mascará-la com diferentes cores. E os responsáveis têm rostos e nomes.

Mas tudo isto é mau para Tomar e para os tomarenses. O que Tomar precisa, e o exemplo deve vir em primeiro dos responsáveis políticos eleitos em nome de todos, é de se centrar nos consensos possíveis, de se focar nos principais (e grandes) problemas a resolver. Precisa que todos tenham a capacidade de se ouvir mutuamente, de se sentar e conversar, discutir, chegar a entendimentos, decidir e resolver. Inteligência, capacidade, vontade e bom senso.
A mim, o confronto apenas pelo confronto não me traz qualquer espécie de prazer. Enquanto se tratar quem tem ideias diferentes como inimigos a abater; enquanto se continuar a olhar para a política como se de um campeonato de futebol se tratasse, com claques inconscientes que apoiam ou condenam com base na cega fé; enquanto imperar a lógica de “o que é nosso é tudo bom, dos outros é tudo mau”, não sairemos deste ciclo e Tomar continuará a afundar-se.

E há tanto para resolver: emprego, comércio, revitalização do centro histórico, PDM, questões sociais; Flecheiro, Levada, Convento de Stª Iria, Mercado, apoio e coordenação estratégica do associativismo como motor de desenvolvimento económico e produção de eventos… Enfim, um elenco vário de reais problemas para os quais muito se fala mas nada se faz.
Não podemos estar sempre todos de acordo, não é possível e provavelmente, nem seria desejável. Mas é necessário que saibamos argumentar com responsabilidade mantendo a elevação e respeitabilidade das discussões, que saibamos distinguir o importante do acessório, que valorizemos quem de facto quer trabalhar com e para o bem comum.

A política e a gestão pública não pode ser uma mera e inconsequente feira de vaidades ou de egos inflamados, nem uma luta fratricida de meras siglas partidárias.
Saibamos todos, desde os eleitos e candidatos a sê-lo, bem como toda a restante comunidade, estar à altura dos desafios do nosso tempo no enfrentar consciente e responsável dos problemas presentes e na capaz construção de um futuro que, como aqueles que nos antecederam, nos permitam não só continuar a viver bem nesta terra, mas igualmente a nela ter orgulho.
Por Tomar e pelos tomarenses, das atitudes às ações, exige-se mudança.

terça-feira, março 05, 2013

Mudança!




A página ofical da candidatura socialista de Anabela Freitas à presidência da Câmara Municipal de Tomar em http://tomar2013.blogspot.pt/

E o grupo de apoio no facebook.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

eficácia...


A iniciativa é boa, até numa perspetiva da criação de eventos que contribuam para um cartaz continuado ao longo do ano, tendo aqui por base a cultura e a capacidade instalada no associativismo.

Mas, é quase sempre nos pormenores que mesmo as boas ideias falham. E entre outros começa logo no nome. Alguns conceitos básicos de marketing não fariam mal aos decisores políticos nabantinos (a responsabilidade nunca é dos técnicos mas sim de quem os chefia)... este nome é "pequenino", parece coisa organizada por uma aldeia ou uma associação de bairro, não fica no ouvido e podia ser igual a qualquer outra.
E já agora concelhia de onde? É que, lá está, pelo nome não se chega lá...