terça-feira, agosto 31, 2010

fim de agosto

O Cidade de Tomar veio procurar alguma inspiração aqui ao algures para a sua página cómica na semana que passou, incluindo a citação de Guerra Junqueiro que postei mais abaixo, com algumas gaffes contudo. A já usual de chamar ao blogue "algures por aqui", atribuindo depois a autoria ao grande inspirador dos jornais locais António Rebelo. Não tem mal nenhum, afinal até hoje, ainda estamos em Agosto e já sabemos que neste mês é tudo muito ligth.

sábado, agosto 28, 2010

Da aldeia, Bons Sons

artigo publicado no jornal Cidade de Tomar de 26 de Agosto

Fugindo à banalidade que faz escola, procurando o genuíno e não se furtando ao trabalho, há seis anos atrás Cem Soldos brindou-nos com o primeiro Festival (bienal) Bons Sons. Um sucesso desde a primeira hora.
E, em tempos onde só a crítica fácil, negativa, tantas vezes destrutiva, pejorativa, parece importar a dizentes e a ouvintes, é indispensável elogiar quem faz algo novo, quem faz por gosto quem faz, não em espera do retorno pessoal mas da alegria colectiva de construir algo – um prazer que do “produto acabado da sociedade de consumo imediato” poucos têm a felicidade de conhecer.
É por isso que o Sport Clube Operário de Cem Soldos não é uma associação como a maioria infelizmente se está a tornar, não é um mero prestador de serviços, não é um local onde se labora em função do ordenado, nem eternamente à espera do subsídio público sem o qual o trabalho não aparece. O SCOCS é uma daquelas boas associações que ainda fazem jus ao nome, e onde o espírito associativo se congrega ao espírito jovem da iniciativa que nasce da própria aldeia e das suas gentes. E é assim, que uma aldeia e uma “associação de aldeia” mostram como se faz a muita cidade e a muita gente que apenas procura protagonismo e nem para isso tem jeito; mostra a quem se limita a copiar sem chama o que outros já fazem melhor; ou a quem apenas produz receitas antigas e falidas que já ninguém quer consumir.
Nos Bons Sons toda uma aldeia se une e se coordena para que, tal como nos convidam no slogan do evento, somados a possamos ir viver. E conseguem-no. Durante três dias, jovens e menos jovens, residentes e forasteiros, enchem Cem Soldos de um colorido castiço, como numa alegria contagiante e um comunitário inebriante olvidar do tempo que corre lá fora, que não é possível imitar noutro local e não seguramente numa cidade, onde são muito mais os que criticam do que os que têm vontade de fazer alguma coisa.

E aqui merece umas linhas (além da Junta de Freguesia, nas suas mais moderadas capacidades) a Câmara Municipal, em particular os serviços de cultura e turismo, por ter finalmente, nesta terceira edição, apoiado condignamente este evento que tem evidentemente um grande potencial turístico, como foi visível no número de pessoas que circulavam pela cidade facilmente identificáveis pelas pulseiras do Festival, entre mais enchendo restaurantes; e pela imensa difusão que esta edição alcançou nacionalmente antes e após o evento – E como é bom ouvir falar de Tomar em órgãos sociais nacionais sem ser por maus motivos!
Apoiar com estratégia, com objectivos, destrinçando o trigo do joio, encorajando quem procura a diferenciação positiva, a inovação, a criação de eventos ímpares, quem faz com qualidade e com capacidade de desenvolvimento da comunidade, deve ser o papel da autarquia em especial quando as condições económicas não são favoráveis, e quando a racionalidade e eficiência do uso dos dinheiros públicos devem ser exemplarmente rigorosas (E nos últimos anos em Tomar foi tudo menos isso!).
Como bem disse Luís Ferreira (o mestre obreiro da organização) ao jornal 2 da RTP algures durante a semana que antecedeu, são estes eventos promotores de envolvimento e desenvolvimento local, capacitadores dessas comunidades. E a verdade é que, de mansinho, sem bajulices ou pretensiosismos, chegou-nos de Cem Soldos aquele que é já o maior evento do concelho a seguir à Festa dos Tabuleiros. Em envolvimento de cidadãos, em público, em projecção do concelho. E só o pode negar quem lá não esteve, ou os mesmos que negam que Tomar já não é o que foi, que perdeu protagonismo, que perdeu liderança, que perde todos os dias em muitas matérias para vários concelhos da região, e que muito raramente já, consegue aparecer no mapa das notícias relevantes.
O Festival estava tão bom que nem a ASAE quis faltar (todos percebemos, quando alguém de fora descobre o caminho para Tomar não quer outra coisa!...). Pronto, e fez muito bem que assim o que comemos e bebemos tinha “qualidade certificada”!

Um parágrafo para os Drama&Beiço, o jovem grupo que representou Tomar no cartaz do evento, e que ao início da tarde de domingo no seu estilo bem disposto electrizaram os ouvintes e dançantes com os sons ecléticos que do leste às arábias, surpreendem quem pela primeira vez escuta e renovam o feitiço dos que já esperam o que ouvem. Com trabalho e perseverança poderão ser uma grande banda, também aqui, com o toque da singularidade e do autêntico.

Pelo excelente cartaz que “encheu casa” em todos os palcos, pelo trabalho motivado e profícuo dos organizadores em particular dos mais jovens; pela abertura e disponibilidade dos habitantes, em particular dos mais seniores à multiculturalidade e proveniência e até mesmo alguma excentricidade dos festivaleiros; pelo excelente trabalho de promoção; pelo que contribuíram para algum dinamismo da cidade no fim-de-semana; pela receptividade e uma muito “boa onda” que só pode deixar nos visitantes vontade de voltar, está de parabéns o SCOCS, os seus dirigentes e obreiros, e a aldeia de Cem Soldos.
Será difícil fazer melhor, e como será possível fazer crescer o evento, certamente uma questão a debater pela associação nos próximos tempos, mas o importante é dizer: Está bom, e queremos mais!

quarta-feira, agosto 25, 2010

"Quem será, quem será, o pai da criança..."

Será de ser Agosto? Será das altas temperaturas? Ou da cinza dos incêndios?
Será rodopios a mais nalgum bailarico de verão? Será um novo hit da música pimba? Ou foi uma prolongada noite de minis agarrados à quermese?

Será de excesso de sal na água do mar? Será de alguma amêijoa estragada? Ou do excesso de vinho verde?
Queres ver que é falta de assunto? Ou confusão de identidade, pensam agora que são o PCP ou o BE?

Será que se esqueceram que são o partido que ganhou as eleições em Tomar? Será que se esqueceram que são responsáveis pelos últimos 13 anos de governação? Ou será que ninguém lhes liga na autarquia?
Ter-se-ão esquecido da falta de desenvolvimento económico? Ou da incapacidade para fixar pessoas, em especial os mais jovens? E de que ser capaz de puxar habitantes para Tomar nem se fala?
Não saberão que tudo isso implica na localização dos serviços públicos para os quais todos pagamos impostos?
Ninguém lhes terá dito ainda que são responsáveis pelo desnorte, pelas resmas de dinheiro esbanjado, pelas obras mal planeadas, pela atrofia mental, pela falta de rumo ou estratégia, pela destruição de oportunidades, pelo afundanço abismal a que o concelho esteve votado nos três mandatos anteriores? E querem continuar a insistir no erro?

Arranjar malta da cor que construa umas notícias, dar-lhes difusão, comentá-las, agitar as pessoas com elas, continuar a insitir nelas mesmo depois de desmentidas, querer obrigar os outros a comentar boatos... Será mesmo nisto que o PSD de Tomar se tornou?!!

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terça-feira, agosto 24, 2010

o rato da cidade e o rato da aldeia.

O Jornal Público diz que o Festival Bons Sons colocou Cem Soldos no mapa.
E Tomar? Será que quando aparece é sempre por maus motivos? Como fábricas que fecham, encerramentos de mercados ou escritores que falham compromissos por entenderem que estão a ser usados para exibicionismos pessoais...

Bem que numas eleições passadas um partido político entendia importante "pôr Tomar no mapa" (Quem era mesmo?), mas parece que a maioria gosta disto como está. Devem ter uns mapas antigos onde Tomar ainda aparece com umas letras grandes.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Para os amantes de boa escrita, não esquecer que Lobo Antunes vai estar este sábado pelas 21h30 em Tomar no Café Paraíso.

Quanto a mim, apesar de Lobo Antunes não ser no que toca ao romance dos meus autores preferidos (já das crónicas gosto bastante) seguramente gostaria de o ir ouvir.

Mas acontece que desde daqui a um par de horas, até domingo, que é como quem diz segunda bem cedinho, a minha morada é Cem Soldos.

Por lá há Festival Bons Sons.




(clicar na imagem para alargar)

diz que era antigamente...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
...um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.


É Agosto, apeteceu-me, e às vezes convém lembrar o país que (há tanto tempo) somos...
Eternamente divido (além de tantas outras categorias) entre os pessimistas e os utopistas.
Eu sou mais dos que acham que, aos poucos é certo, e com o trabalho dos que não se ficam por lamúrias,"o mundo pula e avança, como bola colorida"...

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terça-feira, agosto 17, 2010

o festival de verão nabantino


É já este fim de semana. Tudo em http://www.bonssons.com/
Entre muito mais, actuam na tarde de domingo os nabantinos drama&beiço.

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A cor do horto gráfico

Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Testículo : Texto pequeno
Abismado : Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor : Colocar preço em alguma coisa
Biscoito : Fazer sexo duas vezes
Coitado : Pessoa vítima de coito
Padrão : Padre muito alto
Estouro : Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia : Sistema de governo do inferno
Barracão : Proíbe a entrada de caninos
Homossexual : Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério : Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente : Acto de prender seres humanos
Eficiência : Estudo das propriedades da letra F
Conversão : Conversa prolongada
Halogéneo : Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor : Mendigo que mudou de classe social
Luz solar : Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco : Mania por Eric Clapton
Tripulante : Especialista em salto triplo
Contribuir : Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado : Carta de baralho completamente maluca
Assaltante : Um 'A' que salta
Determine : Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente:  Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico : Horta feita com letras
Destilado : do lado contrário a esse
Pornográfico : O mesmo que colocar no desenho
Coordenada : Que não tem cor
Presidiário : Aquele que é preso diariamente
Ratificar : Tornar-se um rato
Violentamente : Viu com lentidão


Em tempos de silly season, uma grama tical u mor e estíca contra ebulição do Ar mando F.

segunda-feira, agosto 16, 2010

doloroso regresso


Regressar ao trabalho a meio de Agosto é doloroso, não só o corpo está desabituado dos afazeres com o seu quê de rotineiros, como o espírito está constantemente a pensar no que estão os amigos de férias a fazer.
Nem me apetece escrever mais nada que isto já foi uma grande esfrega de computador por hoje. Como não convém abusar e já estou todo dorido, vou mas é voltar a Tomar para ver o que se aproveita do resto do dia.

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segunda-feira, agosto 02, 2010


Livros, calções, chinelos, máquina fotográfica, passaporte... certo
Telemóvel, computador, "tomarices", política... sem espaço.

até... breve concerteza.

avanços civilizacionais

Aos poucos, o mundo fica mais civilizado. 
Não podia ir de férias sem fazer referência a isto. O Governo da Catalunha aboliu as touradas. Afinal, no país da 'afición' dá-se mostras de se ser mais evoluído que outros país com "tradições" copiadas há "meia dúzia" de décadas.
Mas é assim a evolução humana, lenta. Em Portugal também municípios como Viana do Castelo, Braga, Cascais e Sintra já aboliram estas práticas pouco dignas do ser humano, mas outros vão insistindo nessa manifestação bárbara que além do mais é nacionalmente um disfarçado sorvedouro de dinheiros públicos.
Nem a propósito, esta semana há tourada em Tomar.

candidatura imaterial

"Candidatura da Festa dos Tabuleiros, em breve haverá novidades!", diz Corvêlo de Sousa à rádio Cidade de Tomar.

Pois, mas também já me disse o mesmo em reunião de Assembleia Municipal a 30 de Abril...

Por este andar, talvez lá para 2020.